Quando o Amor Acontece

101 Capítulo 101 – Um Novo Começo


Notas iniciais
Oi pessoal. Primeira parte do que seria o último capítulo, como disse, ficou muito grande por isso a necessidade de dividi-lo.

Seis anos Depois...

Um mês após o último jogo da temporada de basquete, daquele mesmo ano, Emmett e Rosalie se casaram, na cidade de Chicago. Toda a família do noivo veio de Norristown e acabaram ficando na cidade por três dias.

A cerimonia foi realizada na Arquidiocese de Chicago – Archidiœcesis Chicagiensis –, que por sua vez estava decorada com delicadas orquídeas brancas. Era um final de tarde, o sol se pondo no horizonte com nuances violeta, gerando um plano de fundo espetacular, uma obra divina perfeita. Rosalie chegou à igreja em um Chrysler 300c preto, acompanhada dos pais e de um motorista particular.

O vestido de casamento fora um modelo exclusivo Giorgio Armani. Os longos cabelos dourados estavam presos em uma trança embutida decorado com pequeninos enfeites brancos dando suavidade e elegância.

Rosalie entrou na igreja de braço dado com o pai, que se mostrava excepcionalmente orgulhoso. A pequena Madelayne foi daminha de honra. Não havia como ser outra pessoa. A garotinha de cabelos louros acinzentados ficou orgulhosa do seu papel durante a cerimonia, e fez com graciosidade o que lhe foi proposto.

Esme que já estava próximo ao altar, observava a filha entrar de braço dado com o pai. Com olhos marejados, emocionada, por ver a única filha se casar.

Rosalie sentia suas mãos trêmulas enquanto o coração pulsava forte no peito. Quando seus olhos alcançaram a figura de Emmett, de pé em frente ao altar, trajando um impecável terno preto criado por Christian Dior, barba impecavelmente bem feita, com um sorriso de covinhas estampado no rosto, Rosalie não pode conter uma lágrima solitária que rolou em seu rosto.

Para Emmett vê-la entrar na igreja trajando aquele belíssimo vestido branco fora como presenciar a chegada do mais belo anjo a casa de Deus. Ali, naquele instante, ele não teve dúvidas de que ela era um anjo em sua vida. Os olhos azuis se encheram de lágrimas, se tornando um reflexo dos dela à medida que Rosalie caminhava de braço dado com o pai, sem pressa, em sua direção.

Em seus respectivos lugares estavam os padrinhos: Carmen com Eleazar, Vera com Christopher. Collins com a esposa London, e Isabella com Edward.

No momento em que Carlisle entregou a filha ao noivo, diante o altar, tendo os amigos e familiares como testemunha teve a sensação de missão cumprida, e uma emoção jamais sentida antes.

Emmett beijou a testa de Rosalie com tamanha devoção que quase chegava ser palpável. Rosalie suspirou emocionada tentando conter as lágrimas, o que foi em vão. Esme estendeu um lencinho para Emmett, que usou para secar ás lágrimas de Rosalie com toques suaves e cuidadosos. Em meio ao gesto de cuidado e carinho ele lhe sussurrou.

“Hoje, mais do que nunca, você é o meu anjo”

Rosalie suspirou apertando sua mão a dele, sussurrando em resposta.

“Agora é para sempre”

Eles estavam prontos para receber a benção de Deus, na relação que perdurou no tempo provando que quando duas pessoas se amam de verdade nem o tempo, nem a distância consegue separá-las.

A recepção para os convidados foi realizada na própria mansão da família da noiva. Parte dos convidados eram amigos de Emmett que viera de Los Angeles especialmente para a cerimonia. Horas mais tarde o casal de despediu dos convidados e embarcou rumo à lua de mel com destino a Verona, Itália. A famosa e inspiradora cidade onde foi criada a personagem Julieta Capuleto – sim, aquela da clássica obra “Romeu e Julieta”.

Rosalie fez questão de visitar a casa de Julieta indo até mesmo ao balcão gótico interpretado como o palco dos encontros do casal. No portal de entrada para a casa, que data do século XIII, há incontáveis bilhetes e juras de amor dos milhares de visitantes. Rosalie foi mais uma a deixar seu bilhete, mas ela, no entanto, não pedia nada somente descrevia o quanto estava feliz com seu grande amor. Segundo a tradição, para encontrar o verdadeiro amor, as mulheres devem passar a mão sobre o seio direito da estátua de Julieta postada no pátio interno da casa.

O casal ficou um mês em lua de mel na Itália, às vezes chegavam a se perguntar se toda felicidade que estavam vivendo era real, e merecedores dela. Gostariam de ter ficado mais tempo por lá, mas, Esme, como mãe zelosa que era, exigiu que eles voltassem o quanto antes por causa da gestação de Rosalie. Preferia ter a filha por perto para acompanhar o pré-natal.

Entretanto, Rosalie não ficou tão perto da mãe como ela gostaria. Rosalie mudou-se para Los Angeles com o marido e agora era a vez de seus pais viverem na ponte área. Ela foi para Los Angeles acreditando que fossem viver juntos no apartamento de Emmett, na cobertura de luxo, onde ele vivia há algum tempo, mas foi surpreendida quando ele a levou a outro endereço.

Emmett tinha comprado para ela, como presente de casamento, uma luxuosa mansão em Beverly Hills. Esme ficou encarregada da decoração durante o tempo em que eles estiveram fora, em lua de mel. Ela conhecia os gostos da filha melhor do que ninguém e soube deixar cada detalhe do jeito que Rosalie desejava que fosse.

Ele deixou a cobertura onde vivia antes para Alice e a irmã caçula Renesmee, que atualmente está namorando Jacob Black, um garoto que conheceu ao chegar à cidade. Assim como Alice, Renesmee também está na faculdade. As duas irmãs mais novas dividiam o mesmo apartamento que uma vez fora de Emmett. A mesma cobertura que um dia fora palco de momentos memoráveis e também os ruins.

Jasper também estava na cidade. Esse, no entanto, dividia um apartamento com um colega de faculdade. Emmett jamais permitiu que ele dormisse uma única noite no apartamento sozinho com Alice. Essa foi à única exigência que ele fez a irmã ao lhe entregar as chaves.

Há exatos dois anos após o casamento de Rosalie e Emmett, Isabella e Edward oficializarem a união. Quanto a mais velha das irmãs, Maria, essa estava de casamento marcado para dali alguns meses. E, até então, jamais demonstrou o desejo de ser mãe.

Vera casou-se com Christopher um ano após o casamento de Rosalie. As duas amigas fizeram sociedade em uma clinica de estética, na cidade de Los Angele, que vinha sendo sucesso absoluto.

Vera mudou-se para Los Angeles com o marido, e sua filha nasceu na cidade dos anjos. Phoebe, que agora está com três anos herdara muito da avó paterna; lindos cabelos ruivos ondulados nas pontas e algumas sardas no rostinho, na região das maçãs e do nariz, grandes e expressivos olhos cor de avelã, iguais aos do pai.

O pai de Vera retornou a cidade no dia do casamento da filha, e um dia após o nascimento da neta. Dali em diante ele nunca mais deixou de manter contato, e regressava sempre que possível. Quanto a Ava Lewin, essa acabou se afastando cada vez mais da filha, dedicou muito do seu tempo em viagens de luxo com o atual marido.

Os pais de Madelayne decidiram mudar sua conduta depois de terem escutado o que Emmett e Rosalie tinham para lhes dizer. Hoje eles não eram mais tão distantes da filha quanto antes. Madelayne havia encontrado o seu lugar naquela família, hoje aos doze anos de idade era uma pré-adolescente linda. Vez ou outra passava o fim de semana com Emmett e Rosalie que a tinham como parte da família.

Royce King foi assassinado na prisão a cerca de três anos. Após se envolver em uma briga foi golpeado no abdômen com um punhal enferrujado vindo a desenvolver uma grave infecção, levando-o a morte.

Emmett e Rosalie se adaptaram facilmente ao novo lar. Principalmente depois do nascimento da filha. Nicole nasceu saudável e forte, no entanto, dera bastante trabalho para vir ao mundo. Depois de horas em trabalho de parto Rosalie foi submetida a uma cesariana de emergência e risco. Ela já não tinha mais forças para empurrar e o bebê estava sufocando.

A herdeira McCarty, hoje com cinco anos, se mostra dona de uma personalidade única. Nicole Hale McCarty herdara um pouco das características de cada um; os mesmos cabelos dourados da mãe. Os mesmos olhos azuis, e as mesmas covinhas encantadoras do pai. Por outro lado herdara muito do gênio marrento de Rosalie.

Aos cinco anos de idade Nicole já coleciona em sua agenda escolar um grande número de recadinhos para os pais, e algumas advertências.

Sendo a primeira neta de ambos os lados da família, Nicole vinha recebendo atenção redobrada. Emmett como pai de primeira viagem babava pela filha, atendendo todas as suas vontades e caprichos na grande maioria das vezes. Nicole era para ele sua princesinha e não havia nada que tivesse coragem de lhe negar.

De fato Nicole era tão linda quanto à mãe e, no futuro, Emmett teria grandes dores de cabeça com pretendentes a namorado.

O casal vinha reversando, nas datas festivas, entre Chicago e Norristown. Isso quando ambas as famílias não vinham a Los Angeles se juntar a eles.

Embora Nicole fosse dois anos mais velha que Phoebe, elas eram como unha e carne, assim como suas mães sempre foram, desde o momento em que se conheceram. Phoebe é uma garotinha meiga e doce, mas quando está com Nicole, muitas vezes, se deixa levar pela influência travessa. Nicole costuma chamá-la de foguinho ou até mesmo de Merida, por causa de seus cabelos ruivos e o tom de seus olhos que lembram muito a personagem da Disney. Mas se alguém que não fosse da família tentasse chamar Phoebe por um desses apelidos Nicole batia o pé e dava o seu recado.

Esme, sempre que possível vai a Los Angeles e mima, para ela, as duas netas até dizer chega. Vera é madrinha de Nicole assim como Rosalie se tornou madrinha de Phoebe dois anos depois.

Entretanto, o reinado de Nicole como filha única está com os dias contados. Rosalie está na sua terceira gestação. Quando Nicole estava com três anos Rosalie engravidou novamente, aos quatro meses e meio descobriu que era mais uma menina. A partir daí começaram a decorar o novo quartinho ao lado do de Nicole. Juntos chegaram ao acordo de que a bebê se chamaria Natalie. Porém, na consulta seguinte, Rosalie foi surpreendida com uma noticia nada agradável.

Enquanto fazia a ultrassom, o médico mudou a expressão para desapontamento e preocupação. Institivamente Rosalie e Emmett ficaram confusos e temerosos. Imediatamente questionaram se havia algo errado com o bebê. O médico ficou em silêncio refazendo o exame repetidas vezes, em ângulos diferentes, até que não lhe restasse mais dúvidas. Quando ele olhou novamente para Rosalie, ela já estava com lágrimas nos olhos. Ela teve a certeza súbita, e dolorosa, de que ele vira algo que não deveria estar ali.

O doutor explicou que ela havia desenvolvido a Síndrome da Brida Amniótica. Que era uma síndrome caracterizada pela formação de faixas e cordões de tecido fibroso, que aderem ao feto, podendo comprimir partes do mesmo, causando malformações e até amputações. Quando adere ao cordão umbilical causa a morte do bebê podendo ser ainda no útero, ou no momento do parto. Não tem característica hereditária e não é frequente.

Rosalie chorou como há tempos não chorava, e se culpou. Perguntou o que tinha feito de errado para que seu bebê estivesse em perigo. Até alguns dias atrás seu bebê estava crescendo bem e agora estava sendo ameaçado por tentáculos em um pequeno espaço dentro do útero. Tentáculos que poderiam lhe causar malformação e até mesmo lhe tirar a vida. Tentáculos que faziam Rosalie sentir raiva de si mesma, por eles estarem à espreita ameaçando a vida da sua filhinha.

Naquele dia Rosalie saiu do consultório médico inconsolável. Chorou durante todo o dia. Ligou para a mãe e mal conseguiu falar. A noite teve pesadelos horríveis. Emmett fez o que pode para amenizar os medos e a angustia da esposa. Entretanto, ele também estava com medo do que poderia vir a acontecer. Naquela noite ele se revezou sozinho para cuidar da esposa abalada e da filha pequena que via a mãe chorar e não entendia o que estava acontecendo.

A partir daquele dia, as consultas de Rosalie ao obstetra se tornaram quinzenais. Não só para acompanhar o crescimento do bebê, mas também para acompanhar a movimentação da Brida. Depois de muitas pesquisas na internet e dúvidas retiradas com o médico, Emmett decidiu que era melhor privar a esposa de ver tudo o que ele tinha visto.

Aos seis meses e meio de gestação, aconteceu o que eles mais temiam. A Brida aderiu ao cordão umbilical, causando a morte do bebê, ainda no útero da mãe. Rosalie foi submetida a mais uma cesariana de emergência, porém, dessa vez, ela voltou para casa sem o bebê. Ela não pode levar Natalie para casa como havia levado Nicole. A partir daquele dia a família passou por momentos dolorosos. Rosalie ficou emocionalmente destruída por um longo período.

Esme precisou ficar em Los Angeles por alguns meses ajudando o genro a cuidar da esposa e da filha. Elisa, mãe de Emmett, também passou um tempo na cidade, para ajudá-los a superar essa perda.

Nicole chorava porque queria ficar com a mãe, mas Rosalie não tinha vontade para nada. Ela entrou em depressão. Não saía mais do quarto, não se alimentava direito e até perdeu peso. Tinha pesadelos terríveis durante a noite; às vezes com o bebê morto, outras vezes com o bebê com malformação. Voltou a ter sessões com a psicóloga – Morgan Maclaine –, a mesma que a acompanhou depois do sequestro envolvendo Royce King.

Somente depois de um ano do ocorrido ela passou se sentir menos culpada, mas a dor de perder um filho nunca foi embora. Contudo, ela se fortaleceu para cuidar de Nicole, a primogênita, que precisava de seus cuidados. Fora somente há alguns meses que Rosalie decidira tentar novamente. Dessa vez também era uma menina, e se chamaria Valentina. Essa estava sendo mais uma gestação complicada, no terceiro mês Rosalie teve um pequeno sangramento fato que a deixou muito preocupada e a fez chorar durante uma noite inteira nos braços do marido. Sem deixar de mencionar seu medo sufocante de desenvolver a Síndrome da Brida Amniótica novamente.

Agora aos sete meses de gestação, o médico lhe garantira que estava tudo perfeitamente normal com o bebê e que era pouco improvável que desenvolvesse a Síndrome mais uma vez, mesmo assim ela ainda se sentia insegura.

Quando Rosalie mencionou para Nicole que estava grávida novamente, Nicole chegou para o pai com a carinha preocupada e disse: “porque você deu a sementinha outra vez para a mamãe, papai? Se esse bebê for para céu, também, a mamãe vai ficar triste de novo”.

Nicole estava prestes a chorar, quando os dois a abraçaram e garantiram que nada iria acontecer dessa vez.

O casal adquirira, há quatro anos, um cão da raça labrador cujo nome fora Nicole quem escolhera: Pimenta. Não é muito difícil adivinhar o motivo do nome; é um bagunceiro assim com ela. Nicole tinha verdadeira adoração pelo o cão, e se divertia correndo com ele pelo gramado bem aparado do jardim da mansão em que vive com os pais.

Carlisle saiu de férias do trabalho e junto com a esposa aproveitou para passar alguns dias em Los Angeles, na casa da filha, mimando a neta.

Era uma sexta-feira, finalzinho de tarde, Rosalie estava na clínica, na qual ela e a amiga Vera eram sócias, acertando alguns detalhes antes de arrumar as malas para o seu fim de semana fora. Carlisle e Esme foram com ela até lá apenas para reverem as instalações que já conheciam tão bem.

A cada visita que faziam a filha, o casal tinha certeza de que fizera um bom trabalho como pais. Rosalie vinha se mostrando uma mulher honrada, trabalhadora e, acima de tudo, amava sua família, não somente a de laço de sangue como também a do coração.

Nicole já conhecia Norristown. Conhecia a casa dos avós paternos como a palma de sua mão, entretanto, ainda não conhecia o Secret Place. Rosalie e Emmett retornaram muitas vezes ao local para cuidar e reformar a casinha ao longo dos anos, mas Nicole sempre ficou com os avós paternos durante essas visitas. Emmett e Rosalie reconheciam que a filha ainda era muito pequena para ir até lá, levando em consideração que era um local no meio do mato e tinha muitos insetos e o perigo da ponte e o rio que corria próximo ao local.

Nos primeiros anos de vida da filha, todas as noites, eles lhe contavam um pouco de como haviam se conhecido, até chegarem aos dias atuais. Nicole tinha verdadeiro fascínio pela história dos pais e insistia em ouvi-la sempre. No começo Emmett e Rosalie trocaram os nomes, mas a filha os surpreendeu ao dizer que o casal da história eram eles dois. Embora com apenas cinco anos, Nicole já era capaz de repetir todas aquelas histórias como se as tivesse vivido.

Rosalie pensou que com o tempo ela fosse se encher de ouvi-la, mas vire e mexe Nicole lhe pede para repetir, sorrindo e muito admirada quando chegava à parte que fala de seu nascimento.

Nicole tentou por várias vezes ficar com o ursinho de pelúcia da mãe, mas essa jamais permitiu. Embora amasse muito a filha, não abriria mão de seu ursinho jamais. Para amenizar a culpa por lhe negar o bicho de pelúcia, Rosalie lhe comprou vários, de todos os tamanhos e cores. No entanto, o que Emmett lhe dera jamais deixaria de ser seu, ou, segundo ela, correria o risco de apenas ser uma história.

Naquele finalzinho de tarde, Emmett saiu do treino de basquete e foi ao estúdio de ballet buscar Nicole e Phoebe, a pedido de Rosalie. Ele estacionou o veiculo em frente ao estúdio. Saiu do carro e ficou ao lado da grande porta de vidro, que por vezes se abria automaticamente, onde havia um segurança de plantão, e ficou à espera das duas garotinhas.

Á medida que as crianças saiam, e encontravam seus pais na porta, Emmett buscava com olhar ansioso pela filha e a afilhada, quando viu uma cabecinha de cabelos dourados ao lado de uma de cabelos vermelhos. As duas garotinhas vinham de mãos dadas com a professora.

Bastou olhar no rostinho da filha para notar a presença de um bico enorme, e seu coque de bailarina que estava bagunçado. Quanto a Phoebe, o seu penteado estava perfeitinho como quando saiu de casa mais cedo.

Assim que Nicole avistou o pai, largou a mão da professora e saiu correndo ao encontro dele. Emmett a pegou no ar, e no minuto seguinte estava beijando todo o seu rostinho.

– O que aconteceu, bonequinha do papai? – perguntou Emmett, acariciando o rostinho dela após afastar alguns fios de cabelos, tão dourados quanto os da mãe.

– Eu estou muito brava – Nicole respondeu, com o beicinho tremendo e uma leve carranca no rosto.

A professora de ballet se aproximou de Emmett, ainda segurando na mãozinha de Phoebe, que observava tudo caladinha.

– McCarty – se pronunciou a professora. – Eu preciso falar com você a respeito do comportamento de Nicole na aula de hoje.

Emmett olhou para a filha depois para a professora.

– O que a Nikki aprontou dessa vez? – ele deixou escapar um pequeno suspiro de frustração, já conhecendo a filha que tinha. Nicole se agitou nos braços dele, prevendo que levaria uma bronca.

– Além do de sempre; se pendurar de cabeça para baixo nas barras, hoje Nicole brigou com uma coleguinha. Nenhuma das duas se machucou, mas sua filha causou tumulto durante a aula, não só as duas envolvidas choraram como outras crianças que presenciaram a confusão, também. Conversei com as duas. Expliquei que não se deve agir dessa forma. Não foi Nicole? – sugeriu a professora, olhando para Nicole, que escondeu o rosto no vão do pescoço do pai. – Quando pedi que se desculpasse com a coleguinha Nicole se negou e ficou muito irritada. Mais uma vez eu tive dificuldade para fazê-la participar da aula.

Emmett olhou novamente para a filha. – Nikki porque você não pediu desculpas para a sua coleguinha?

Nicole ergueu a cabeça e encarou o pai, com a expressão ainda carrancuda, franzindo as sobrancelhas. Fechou uma das mãozinhas com raiva e por fim falou.

– Porque eu quero dá uma porrada nela. Bem no nariz.

Mesmo sem intenção Emmett acabou sorrindo, não pela filha estar agindo dessa maneira, mas pela forma como ela ficou ao falar. E por tê-lo feito se lembrar de como Rosalie era na adolescência.

Voltando a olhar para a professora, Emmett notou a expressão de desagrado dela. Era algo como se dissesse “é assim que vai corrigi-la”. Então Emmett desfez o sorriso, imediatamente colocando Nicole de volta no chão, se ajoelhando diante dela.

– O que a sua coleguinha fez para te deixar tão furiosa, filha? Conta para papai – ele pediu.

Nicole olhou da professora para o pai, imaginando se deveria mesmo dizer o que aconteceu ou fugir do assunto.

– Ela disse que o papai dela era melhor que o meu – Nicole fungou somente por se lembrar do que tanto a irritou. – Você é o meu papai – ela apontou o dedinho indicador, encostando em Emmett –, ela não deveria falar coisas feias sobre você. Eu não gosto que falem do meu papai urso – ela explicou ressentida.

Emmett passou a mão no rostinho dela. – Mas porque ela te falou isso, filha?

– Porque ela é uma chata. Ela disse que o papai dela é um médico que deixa as pessoas bonitas – Nicole continuou com a explicação, irritada, e fungando ao mesmo tempo.

– Cirurgião plástico?! – deduziu Emmett. Nicole maneou a cabeça positivamente e colocou a mãozinha direita no rosto do pai. – E só por isso você bateu nela, Nikki?

– Não papai – ela suspirou. – Eu ainda não terminei. Aí eu falei que o meu papai, que é você – explicou fazendo carinho no rosto do pai –, era o melhor jogador de basquete de todo o mundo – Emmett sorriu. – Daí a chata falou “grande coisa” – disse Nicole com deboche.

Ao lado da professora, Phoebe segurou uma risadinha.

– Vem cá foguinho – disse Emmett, chamando a afilhada para perto, da mesma forma que Nicole a chamava na maioria das vezes. Quando a garotinha se aproximou ele lhe beijou as bochechinhas salpicadas de sardas. Phoebe encolheu os ombros, dengosa. E então Nicole continuou seu relato.

– Daí papai urso – disse Nicole com a mãozinha ainda no rosto de Emmett. Ele segurou a mãozinha dela e beijou –, eu falei que o papai dela era careca e barrigudo e que o meu era bonito e fortão. Ela gritou comigo e eu empurrei e bati nela. Bati mesmo. Aquela feiosa que falou do meu papai e bagunçou o penteado que a vovó Esme fez em mim – ela explicou desgostosa, encostando as mãozinhas agora na própria cabeça.

– Mesmo assim filha, você não deveria ter batido nela. Não pode fazer isso Nikki. Papai do céu não gosta. E o papai e a mamãe ficam tristes também, e você sabe disso.

– Deveria sim... – Nicole resmungou, cruzando os braços em frente ao peito.

Emmett suspirou.

– A garotinha com quem Nicole brigou ainda está por aí? – ele perguntou para a professora, que olhou em volta em busca da outra criança envolvida na briga.

– Ela está ali – anunciou a professora tão logo localizou a garotinha ao lado da mãe, que se preparavam para entrar no carro.

Assim como Nicole a garotinha estava com os cabelos bagunçados, porém, seu rostinho estava vermelho, e bem mais triste.

Emmett segurou Nicole e Phoebe pela mão e as levou com ele até onde estava a outra garotinha, que assim que viu Nicole se aproximar se escondeu atrás das pernas da mãe, receosa.

– Peça desculpas para a sua coleguinha, Nikki – instruiu Emmett, com a voz firme.

– Não, papai – Nicole negou, virando de costas para as pessoas com quem deveria se desculpar.

– Nicole Hale McCarty – contestou Emmett, não dando brechas para a birra da filha.

– Papai urso – Nicole repetiu, beirando o choro, com os lábios tremendo.

– Nicole – Emmett repetiu, aumentado o tom de autoridade em sua voz.

Nicole virou novamente e encarou a coleguinha, que a olhava com cara de choro. Deu três passinhos à frente e estendeu a mão de má vontade.

– Desculpe Stefani.

Stefani saiu de trás das pernas da mãe e estendeu a mãozinha, aceitando as desculpas, mesmo que forçada, de Nicole.

– Eu te desculpo Nikki – ela sussurrou.

Nicole olhou para o pai, que maneou a cabeça completando. – Dá um abraço nela. Vocês são amigas. Não devem brigar em hipótese alguma.

Nicole soluçou com força sem conseguir controlar. Mesmo assim ela fez o que o pai sugeriu. Mas bastou virar as costas para sair andando rumo ao carro de Emmett. Ela se encostou a lateral do carro e começou a chorar como se tivesse levado uma surra de cinto, tamanha era sua revolta.

A professora, assim como a mãe de Stefani, olhou a cena, preocupada, mas Emmett as tranquilizou da melhor forma que pode.

– Ela está bem, não se preocupem. Isso acontece sempre. Ela não gosta muito de pedir desculpas. Nesse lado, eu tenho que admitir, ela puxou a minha irmã mais velha. Minha esposa e eu estamos tentando mudar isso, mas vocês entendem; é uma criança então precisamos ir com calma.

– Tudo bem – ambas concordaram e seguiram em direções opostas.

Emmett pegou Phoebe no colo e voltou para perto do carro, onde a filha chorava aos soluços.

– A Nikki tá tite – murmurou Phoebe, com a carinha preocupada.

– Daqui a pouco isso passa foguinho – ele explicou, abrindo uma das portas traseiras para acomodá-la na cadeirinha. Fechou a porta devagar e deu a volta. Pegou Nicole no colo e limpou as lágrimas de seu rostinho corado.

– Papai urso... – ela fungou em meio ao choro, passando os bracinhos em volta do pescoço de Emmett.

– Para de chorar bonequinha. O papai não está bravo com você – ele a tranquilizou, passando a mão nas costas dela.

– Eu quero ir pra casa... – pediu chorosa. – Eu quero a mamãe.

– A gente já vai – respondeu ele, abrindo a porta do carro. Colocou Nicole ainda fungando na cadeirinha, afivelou tudo certinho e antes de se afastar lhe fez um pedido.

– Dá um beijinho no papai?!

Nicole piscou os olhinhos e com um beicinho trêmulo beijou a bochecha de Emmett. Phoebe estendeu a mãozinha para ela, exatamente como Vera faz cada vez que Rosalie fica triste. Mesmo tristonha Nicole sorriu para a amiga.

Emmett entrou no veículo e através do espelho retrovisor viu as duas de mãos dadas, sorrindo uma para a outra, institivamente lembrou-se de Rosalie e Vera. Era incrível como até suas filhas, mesmo com a diferença de idade, eram unha e carne.

Ele girou a chave na ignição e antes de manobrar ligou o aparelho de som pondo música infantil para tocar. Não demorou muito as duas estavam cantando juntas, embora Nicole ainda estivesse com o rostinho manchado de lágrimas, parecia menos triste cantando com a amiga a caminho de casa.

Minutos depois Emmett estacionou o carro no jardim da mansão. Rosalie tinha acabado de chegar e conversava com os pais e a amiga Vera, perto da grande porta de entrada. Ela olhou na direção do veículo quando o viu se aproximar. Emmett saiu do carro e retirou as crianças da cadeirinha, ambas correram pelo gramado bem aparado, usando seus tutus cor de rosa e suas sapatilhas de ponta, indo ao encontro da família.

Vera pegou Phoebe no colo quando ela correu em sua direção. Beijou todo o rostinho salpicado de sardas, enquanto a garotinha sorria feliz com a dose de carinho materno.

Ao contrario do que sua mãe fora, Vera se tornou uma mãe maravilhosa para Phoebe. Todo o amor, carinho e atenção que nunca recebeu de Ava, Vera passava para a filha. E, embora doesse menos essa ausência da mãe em sua vida, ela dava graças a Deus todos os dias por Phoebe ter herdado muito da avó paterna, com isso ficava mais fácil fingir, às vezes, somente ás vezes, que Ava não existia.

Rosalie pegou Nicole no colo, quando essa lhe estendeu os bracinhos, mantendo-a na lateral de seu corpo por causa do volume da barriga que não permitia que fosse de outra forma. Ela roçou o nariz na bochecha da filha depois deu um beijo estalado.

– O que foi amor? Porque você estava chorando e porque o seu cabelo está bagunçado desse jeito?

Nicole se limitou a não responder, escondendo o rosto no peito da mãe. Rosalie buscou Emmett com o olhar. – O que aconteceu com a Nikki, Emm?

Emmett chegou mais perto da esposa, lhe beijou o canto dos lábios enquanto lhe afagava o barrigão de sete meses.

– A mesma coisa de sempre – respondeu ele, ainda afagando a barriga dela. – Só que dessa vez ela não só ficou se pendurando nas barras. Ela ficou brava com o que uma coleguinha falou e acabou batendo nela gerando a maior confusão na classe.

Rosalie ajeitou Nicole no quadril para depois passar a mão no rostinho manchado pelas lágrimas já secas.

– Meu amor – falou Rosalie, com a voz suave –, quantas vezes a mamãe vai ter que falar que não pode fazer isso. Que não pode se pendurar nas barras feito uma macaquinha e muito menos bater em uma coleguinha, Nikki. E jamais, em hipótese alguma, faltar com respeito aos mais velhos, filha.

Já deduzindo que viria uma bronca por aí, Nicole ficou inquieta querendo ir para o chão. Rosalie a prendeu em seu quadril, ignorando o que a filha estava tentando fazer. – Olha para a mamãe, Nikki – pediu com a voz em um tom mais sério. – Não adianta tentar fugir.

Mas para fugir da bronca Nicole estendeu os braços para o avô, Carlisle, que estava perto de Rosalie. Antes de Carlisle pegá-la Esme se ofereceu estendendo os braços para pegar a neta.

– Não briga com ela, Rose – pediu Esme. Nicole fez cara de dengo enquanto ia para o colo da avó. – Vem com a vovó amor.

– Vovozinha – Nicole murmurou –, a Stefani bagunçou meu cabelo – ela fez a denuncia passando os bracinhos em volta do pescoço Esme, toda cheia de dengo.

– Que malvada essa Stefani, não é meu amor?! – brincou Esme, beijando o rostinho da neta. – Mas não tem problema, a vovó penteia de novo, e de novo, e de novo – explicou lhe fazendo cocegas –, e quantas vezes for preciso – Nicole se contorceu gargalhando e Rosalie teve certeza de que a filha estava cheia de manhas, e a família tinha grande culpa nisso.

– Mamãe – resmungou Rosalie –, não faz isso, Nicole está ficando impossível. Emmett e eu já estamos ficando sem saber o que fazer.

Esme sorriu antes de beijar o rosto da neta e responder ao resmungo da filha.

– Você era igualzinha a Nikki. Quando olho para ela é como se visse você pequena novamente, filha.

Nicole, que estava se contorcendo de tanto rir no colo da avó, endireitou a coluna se mostrando orgulhosa.

– Eu sou igualzinha a você, mamãe? – perguntou ela, com os mesmo olhos azuis do pai, brilhando em expectativa.

– Não senhora – Rosalie respondeu. – Eu não aprontava tanto quanto você. Nem vem que não tem.

– Então eu não sou? – perguntou tristonha e de repente encarrou as mãozinhas.

– É claro que é minha vida. Você tem muito da mamãe – Rosalie esclareceu. – Exceto pela cor de seus olhinhos e as covinhas ao sorrir, que isso você herdou do seu papai. E a mamãe ama tanto isso, bebê.

– Papai urso – Nicole gritou, fazendo todos sorrirem, e então ela também estava sorrindo. – E o meu cabelo é lindão igual o seu mamãe e o do vovô Carlisle – ela esclareceu no momento em que todos sorriam. – Né vovozinho?

Carlisle, que agora segurava Phoebe no colo, respondeu.

– É sim princesa. Você e a sua mamãe herdaram a cor dos cabelos do vovô – Nicole sorriu orgulhosa.

Para Phoebe a família de Rosalie era também sua família. Eles estavam por perto desde o seu nascimento e faziam parte do seu crescimento tanto quanto faziam do de Nicole. Carlisle e Esme a incentivaram lhes chamar de vovó e vovô. Esse pequeno detalhe tinha um significado imenso para Vera e Christopher. Phoebe estava crescendo como parte da família que Vera tanto amava e isso não tinha preço. Eles não faziam diferença entre as crianças. Todo presente que Nicole recebia Phoebe também recebia. Passeios, brincadeiras e advertências, essa última parte muito raramente.

Parado ao lado de Rosalie, Emmett estava afagando e conversando com a barriga dela, quando Nicole percebeu e, como sempre, ficou incomodada. Ela ficava enciumada quando os pais mimavam o bebê mesmo ainda dentro da barriga.

– Papai urso – Nicole fez beicinho, estendendo os braços pedindo o colo do pai. Seu interesse era afastá-lo da barriga de Rosalie, ou seja, do bebê.

Emmett sorriu ao ficar de pé, com a postura ereta, estendendo os braços para receber Nicole dos braços da avó. Rosalie rolou os olhos vendo-o fazer isso. Quando ficou com a filha nos braços ele beijou todo o seu rostinho e pescoço fazendo-a encolher os ombros.

– Quem é a princesa linda do papai? – ele perguntou, fazendo cocegas nela.

– É a Nikki – ela respondeu toda dengosa, recebendo a atenção que tanto queria.

O cão da raça labrador que a família adquirira ainda quando filhotinho, agora já crescido, era o fiel companheiro de Nicole nas bagunças.

Pimenta chegou onde todos estavam. Latiu chamando a atenção de Nicole, que gritou de entusiasmo ao vê-lo. No mesmo instante ela se remexeu no colo do pai querendo ir para chão. Quanto Emmett fez o que ela queria, Nicole saiu correndo pela imensidão verde que era o gramado do jardim, com Pimenta em seu encalço quase a derrubando de tanta empolgação.

– Vem foguinho. Vem brincar com a gente – Nicole chamou Phoebe, que ainda estava no colo de Carlisle, recebendo mimos. Ela se remexeu e Carlisle a colocou no chão. Phoebe saiu correndo pelo gramado, com as perninhas trôpegas indo ao encontro da amiga e do cãozinho que as convidava para farra.

– Cuidado amor – disse Vera, inquieta, quase indo atrás da filha para ampará-la caso ela caísse.

Phoebe continuou correndo e juntou-se a farra que Nicole e Pimenta faziam no gramado um pouco mais adiante. As duas garotinhas corriam de um lado para o outro sendo perseguidas pelo labrador, que latia fazendo gracinha para as duas. A família observava tudo com orgulho e um amor imenso. Um amor que não havia palavras suficientes para descrevê-lo.

Nicole caiu depois de ter trombado em Pimenta. Phoebe, mesmo sendo menorzinha, ajudou à amiga, que gargalhava, a levantar. Depois disso Phoebe tentou abraçar Pimenta, mas ele se esquivou pulando para o lado, maneando a cabeça, fazendo farra. Ela caiu de barriga no gramado. Imediatamente Nicole correu para perto dela, para verificar se a amiga tinha se machucado, uma vez que Phoebe olhava as mãozinhas enquanto mantinha um beicinho nos lábios.

– Machucou bebê? – três vozes de mulher fez a mesma pergunta ao mesmo tempo.

Nicole alisou as mãozinhas de Phoebe como se limpasse alguma sujeirinha. – Não tem dodói, foguinho. Não chora, tá bom? – ela esclareceu para a amiguinha.

Nicole a ajudou levantar e Phoebe estendeu as mãozinhas na direção de onde estava a família.

– Não tem dodói – ela avisou.

Pimenta pulou na frente dela convidando-a para a farra novamente.

– Não tem. Então pode continuar brincando amor – as três vozes responderam automaticamente.

Phoebe voltou a brincar com os dois. O riso das duas garotinhas, e o latido do cachorro continuava ecoando pelo jardim dando a certeza de que ali, era um lar feliz.

– Essa é a terceira meia-calça que Nicole estraga em menos de dois dias – esclareceu Rosalie. – Desse jeito terei que montar um estoque somente para ela.

– Deixa ela ser criança, filha – interviu Esme.

– Eu deixo mamãe, mas ela bem que poderia vir retirar as meias e as sapatilhas antes de correr com o cachorro pelo gramado. Eu gosto de ver minha filha sendo criança. Mas acontece que ela estraga todas as meias na primeira vez que usa. Assim fica difícil – resmungou. – Às vezes procuro uma meia-calça para ela ir ao ballet e não encontro, e olha que ela tem varias. O problema é que todas aparecem furadas ou desfiadas. E sabe o que é pior, a Phoebe está indo pelo mesmo caminho.

Todos sorriram, observando as duas correrem felizes brincando com o cachorro. Sem se importar com nada.

– Ué – disse Vera –, fizemos um bom trabalho. Nossas filhas são grandes amigas.

– Elas são mais que amigas, Vera – esclareceu Rosalie. – Elas são irmãs de alma assim com você e eu – Rosalie estendeu a mão para tocar a da amiga, que apertou retribuindo o carinho. Depois Vera afagou de leve a barrida de Rosalie. – Daqui a pouco tempo serão três estragando as meias por aí.

Rosalie maneou a cabeça imaginando a cena. – Não vejo a hora – confessou. – Quer dizer, não de vê-las estragar as meias, mas de vê-las brincando juntas. De repente os olhos de Rosalie ficaram tristes e todos souberam que ela estava se lembrando de Natalie, a filhinha que morreu ainda no útero.

– Ei – disse Carlisle, segurando a mão de Rosalie. – Vai dá tudo certo, filha – ele assegurou.

Rosalie piscou várias vezes para espantar as lágrimas que ameaçavam surgir. Emmett passou os braços em volta dos ombros dela e lhe beijou o topo da cabeça.

– Eu te amo – sussurrou ele ao pé do ouvido. Rosalie sorriu e se aconchegou ao peito do marido. – Não pense nisso agora amor. Nikki vai ficar triste se te vê chorando. E o bebê também vai sentir que você está triste.

– Eu não vou – ela respondeu, forçando um sorriso. E então beijou o cantinho dos lábios de Emmett, recebendo em troca um afago no rosto.

Enquanto eles conversavam e as crianças brincavam com o cachorro no gramado, os portões da mansão foram abertos automaticamente. Rosalie deduziu que uma de suas funcionárias tivesse liberado a entrada ao receber a identificação do visitante.

Vera sorriu quando viu o carro do marido entrar no jardim e parar ao lado do de Emmett.

– Alguém está com saudades da família – brincou Rosalie, ainda com a cabeça encostada no peito de Emmett, enquanto esse lhe fazia carinho na barriga.

Vera disfarçou um sorriso, mas seus olhos a denunciavam. Ela amava Christopher assim como ele a amava. Assim como Rosalie e Emmett eles tinham sido feitos um para o outro.

Notas finais
E aí gostaram da primeira parte? Não esqueça de comentar. Beijo, beijo Sill