Quando o Amor Acontece
102 Capítulo 102 – O Privilégio de Amar
Notas iniciais
Christopher saiu do carro e caminhou em direção à família, que o observava chegar. Cumprimentou todos eles, um de cada vez, por último a esposa, Vera, a quem lhe deu um selinho. Vera passou a mão nos cabelos do marido quando ele se afastou, ficando ao seu lado. Christopher olhou em volta procurando pela filha, e a encontrou brincando no gramado com Nicole e Pimenta, o cão labrador. Ele sorriu orgulhoso ao vê-la.
Emmett deu um tapa de leve nas costas de Christopher, pegando-o de surpresa com uma pergunta um tanto intima. – E aí cara vai parar a prole na ruivinha mesmo?
– Não – Christopher respondeu, com um sorriso amistoso. – Vera e eu estamos pensando em dar um irmão ou irmã a Phoebe. Já estamos vendo isso, não é mesmo amor? – ele comentou, buscando a mão de Vera com a sua, deixando-a satisfeita com o gesto.
– Como assim? – indagou Rosalie. – Vera, você não me disse nada. Pensei que contássemos tudo uma para a outra – ela fez bico, fingindo decepção.
Depois de afagar o braço do marido Vera respondeu:
– Calma loura. Eu ainda não estou grávida. Eu só parei com o anticoncepcional há três dias. Eu já tinha conversado com você que estava pensando em fazer isso. Depois de conversar com o Chris decidimos que vamos tentar de novo. Não quero que minha bebê seja filha única como eu. E também não quero com muita diferença de idade para que não se tornem distantes um do outro, quero que eles brinquem juntos. Não vejo a hora de ter outro bebezinho aqui – disse ela, afagando a barriga esguia. – Espero que a Phoebe não fique tão ciumenta quanto a Nikki – Rosalie e Emmett sorriram do comentário. – E quer saber? – prosseguiu Vera. – Se for menino vai ser namorado da Valentina.
Rosalie rolou os olhos lembrando-se de todas às vezes que a amiga mencionou que casaria seus filhos caso algum dia uma tivesse menina e a outra um menino.
– Minha princesinha ainda nem nasceu e você já está querendo arrumar casamento para ela – brincou Emmett antes de se inclinar e beijar a barriga de Rosalie com uma ternura quase palpável.
– Claro que sim – rebateu Vera. – Essa vai ser a nossa chance, porque a Nikki e a Phoebe nasceram meninas. Da primeira vez nossos planos não deram certo, mas se eu tiver o menino dessa vez...
Todas sorriram vendo Vera fazer seus planos malucos. Como sempre ela nunca perdia a chance.
– Vem, vamos entrar – Rosalie convidou o casal de amigos.
– Obrigada amiga, mas hoje não vamos poder entrar. Nós vamos para casa agora. Christopher deve estar querendo tomar um banho e deitar um pouco, né amor?! – Christopher maneou afirmativamente a cabeça, com um sorriso estampado no rosto. – Também tenho que dar banho na Phoebe e um pouquinho de atenção para ela.
– Mas temos um quartinho da Phoebe aqui também, está lembrada? – insistiu Rosalie.
– Claro que sim, como poderia esquecer que você fez um quarto para minha filha na sua casa. E que também montei um para Nikki na minha. E que vira e mexe elas pedem para dormir na casa o uma da outra. É o que somos; família – completou Vera.
Ambas sorriram lembrando-se do dia em que decidiram montar o quartinho na casa uma da outra e do quanto ficaram empolgadas com a ideia. Era apenas um detalhe que só reforçaria a amizade, e as fariam quase como irmãs.
– Obrigado pelo convite, Rose. Mas infelizmente vamos ter que recusar dessa vez – disse Christopher. – Estou desde cedo com essa roupa, preciso mesmo tomar um banho e relaxar um pouco – Christopher havia assumido a presidência na filial da empresa da família em Los Angeles, quando se mudou com a esposa para lá. – Hoje eu só quero me jogar na cama e assisti desenho animado com a minha princesinha. E dá um pouquinho de atenção para as duas mulheres de minha vida – ele esclareceu com um sorriso satisfeito.
– Ok, sendo assim – concordou Rosalie. – Mas cuida das duas, direitinho, hein?! Lembre que estarei sempre de olho.
– Pode deixar – anunciou Christopher. – Farei de tudo para que nenhuma das duas tenha do que reclamar. Não quero ter que levar uma bronca depois – brincou ele.
– Sábia escolha Christopher Parkman – brincou Rosalie, fingindo ameaça.
Vera sorriu, afagando o braço do marido, se dirigindo a Emmett logo em seguida. – Viu só eu não sou a única eu que faço ameaças por aqui, grandão – Emmett sorriu. Vera inclinou o pescoço de lado e chamou pela filha. – Phoebe – a garotinha virou na direção do som da voz da mãe. – Vem amor – Vera completou –, o papai veio nós buscar.
Phoebe correu com perninhas trôpegas indo ao encontro dos pais. Nicole e Pimenta foram logo atrás dela, farreando. Christopher pegou a filha no colo cobrindo seu rostinho salpicado de sardas com beijos.
– Guerra de beijos – ele ameaçou enquanto Phoebe gargalhava. – Vamos para casa, bebê – disse ele enquanto a garotinha ia cessando o riso.
– Aham – ela murmurou ao final de uma gargalhada gostosa.
– Se despede do pessoal, filha – Christopher sugeriu ao colocá-la de volta no chão.
Phoebe caminhou até Esme, parando em sua frente com os bracinhos erguidos. – Tchau vovó Esme.
Esme se inclinou segurando os bracinhos dela enquanto lhe dava um beijo. – Tchau docinho. Ruivinha linda da vovó. Vovó Esme te ama muito.
Phoebe encolheu os ombros, dengosa. Depois saltitou até onde Carlisle estava repetindo o gesto. – Tchau vovô Calai.
Carlisle beijou o rostinho dela e lhe fez cosquinhas na barriga. Phoebe se encolheu, sorrindo. – Tchau princesa. Vovô vai sentir saudades. Obedece a mamãe e o papai, hein – ele brincou.
– Eu bedeço vovô.
Nicole gargalhou – Foguinho sempre fala engraçado – disse ela. – Não se fala bedeço, foguinho. É obedeço. E é vovô Carlisle, não Calai.
– Nikki – resmungou Rosalie, cutucando Nicole nas costelas. – Ela é pequenininha ainda, filha. Não faz isso, amor.
– Ei sei mamãe, mas é engraçado – respondeu Nicole, olhando para Rosalie. – Eu também já falei assim, não foi mamãe?
– Foi amor, até uns meses atrás você ainda falava assim.
Nicole sorriu e puxou a amiga para um abraço apertado. Pimenta se agitou querendo participar. As duas garotinhas acabaram sorrindo da agitação do cachorro. Phoebe abraçou Emmett e depois foi à vez de abraçar Rosalie, que beijou todo o rostinho dela e fingiu mordê-la.
– Tchau bebê linda da tia. Te amo, te amo, te amo – Rosalie repetia entre um beijo e outro na bochechinhas de Phoebe. – Sabe o quanto a titia te ama? – ela mesma respondeu com Phoebe repetindo. – Ao infinito e além – Nicole começou a se esfregar nas pernas de Rosalie feito um gatinho pedindo atenção. Rosalie sorriu já sabendo que a filha estava enciumada. Era sempre assim quando ela ou Emmett dava atenção para outra criança. Rosalie beijou o rostinho de Nicole quando Phoebe voltou para o colo do pai.
– Acho que amanhã a gente não se vê – esclareceu Vera. – Então até a volta pessoal. Aproveitem o passeio e não se esqueçam de me contar depois como a Nikki reagiu ao conhecer o local que fez parte da história de amor dos pais dela.
– Pode deixar – mencionou Rosalie. – Contarei tudo nos mínimos detalhes quando voltarmos. Não é filha?!
– Tia, tia – chamou Nicole, agitada. – Tia Vera quando a gente voltar da casa da outa vovó a foguinho pode vir dormir aqui?
– Pode amor – respondeu Vera. Nicole olhou sorrindo para Rosalie. – Mamãe e eu posso levar o Pimenta para a casa da vovó Elisa, dessa vez? – Nicole tossiu e Rosalie afagou o peito dela, buscando lhe proporcionar um pouco de alivio.
– Calma minha bebê. Respira devagar, filha – Nicole fechou os olhinhos com força e quando tornou abri-los estavam levemente vermelhos por causa da tosse repentina.
Carlisle foi ao auxilio da neta, mas ela lhe sorriu mesmo com os olhinhos vermelhos, dizendo que estava tudo bem.
– Já passou vovô – ela respirou pesadamente. – Só foi uma tossezinha de nada.
Carlisle beijou o topo da cabeça da neta, retribuindo o sorriso.
– Tem certeza? – perguntou ele.
– Aham – ela murmurou, agarrando as pernas da mãe.
– O vovô pode ficar tranquilo? – brincou Carlisle.
– Pode vovô.
– Então está bem – concordou ele.
Vera se despediu de Esme com um abraço caloroso. – Tchau tia Esme.
– Tchau querida. Nós vemos em breve. Cuide-se meu bem. E cuide direitinho da minha netinha ruiva. Sabe que pode ir nos visitar sempre que quiser. Nossa casa é sua casa também. É nossa filha do coração, sabe disso – lembrou Esme, retribuindo ao abraço.
Depois foi a vez de Carlisle abraçá-la, seguido de um beijo na testa, um gesto de carinho paterno para com ela.
– Assim como Rose, sabe que pode ligar a qualquer hora, não sabe?! – disse ele.
– Eu sei – Vera confirmou. – Obrigada tio.
Christopher também se despediu de todos. Com um braço segurou a filha no colo, com a mão libre segurou a mão da esposa. Eles caminharam devagar até onde estava estacionado o carro no jardim, a mão que segurava a de Vera balançava devagar sentindo o momento e a sensação do privilegio de amar. Em dado momento ele ergueu a mão dela a altura de seus lábios depositando um beijo.
Ele abriu a porta do carro para Vera, depois ajeitou a filha na cadeirinha no banco de trás. Phoebe deu tchau para todos, com a mãozinha, através do vidro da janela.
– Tchau foguinho – Nicole gritou. E no minuto seguinte ela estava sentada no chão tentando retirar as sapatilhas. Carlisle se abaixou ao lado da neta e a ajudou retirar. – Obrigada vovozinho – ela agradeceu abraçando o pescoço dele.
– De nada, meu amor – respondeu ele e logo em seguida ficou de pé.
Nicole ficou de pé logo depois do avô. Agarrou o cachorro pelo pescoço em um abraço sufocante, mas ele foi bastante agiu e escapou do golpe dela, latindo a sua volta, chamando-a para correr novamente no gramado. A herdeira McCarty gargalhou gostosamente iniciando uma nova brincadeira com o cão labrador.
Rosalie suspirou, dando-se por vencida. – Lá se vai mais uma meia-calça.
– Deixa ela, filha – Esme defendeu a neta, ouvindo suas gargalhadas gostosas ao correr pelo jardim, feliz como uma criança deve ser.
– Mamãe... – queixou-se Rosalie. – Eu só queria que ela retirasse as meias.
Esme beijou o rosto da filha, sendo compreensiva, porém sem deixar de apoiar a neta. – Eu vou trazer um estoque de meias para Nikki só para você não fazer essa cara.
– Mamãe – suspirou Rosalie. – Não é só pelas meias e a senhora sabe disso. Nikki precisa entender que não se pode fazer tudo do jeito que ela quer.
Esme sorriu virando as costas. – Agora você entende tudo que passei com você...
– Como assim...? – Rosalie murmurou vendo a mãe segurar a maçaneta da porta.
– Você e a Nikki são muito mais parecidas do que você imagina, Rose.
Rosalie ficou sem saber o que dizer, sua boca se abriu e fechou algumas vezes, até que Carlisle se pronunciou.
– Eu também vou entrar filha – disse ele. – Preciso tomar um banho. E, quem sabe, relaxar um pouco vendo TV na companhia de sua mãe.
– Tudo bem papai – respondeu uma Rosalie ainda pensando no que a mãe havia dito.
– Vem querido – Esme estendeu a mão para o marido e juntos entraram na casa da filha e do genro, deixando-os sozinhos com a filha no jardim.
Desacreditando nas palavras da mãe, Rosalie sorriu e maneou a cabeça antes de olhar para Emmett. – Amor pega a Nikki para mim.
– Deixe ela brincar mais um pouquinho, Rose.
– Amor – Rosalie resmungou –, ela já brincou bastante. Já estragou mais uma meia e tudo que tinha direito. Olha as sapatilhas dela como estão sujas meu Deus – Rosalie fez cara de desgosto, apontando para as sapatilhas da filha no chão. – Pega pra mim – pediu, mantendo uma das mãos sobre a barriga volumosa.
Emmett se inclinou, recolheu as sapatilhas e entregou para Rosalie. Antes de chamar pela filha ele afagou a nuca da esposa e lhe deu um beijo nos lábios.
– Nikki – ele a chamou, elevando um pouco o tom de sua voz para ela conseguir ouvir, uma vez que o cachorro estava latindo. – Filha. Bonequinha do papai já está na hora do banho – avisou. – Mamãe está chamando.
– Eu estou brincando papai urso – resmungou Nicole, fazendo a mesma cara de desgosto que Rosalie tinha acabado de fazer.
Emmett olhou para Rosalie buscando por sua opinião, mas ela ficou séria. Ele entendeu o recado e foi buscar a filha pessoalmente. Os dois acabaram correram com o cachorro, Rosalie não pode evitar um sorrio que surgiu em seus lábios e o orgulho de vê-los brincar juntos.
– Papai urso – Nicole gritou quando Emmett a pegou no colo e a ergueu no alto, como se ela fosse voar.
Pimenta começou a pular, tentando alcançar Nicole enquanto ela e o pai gargalhavam. Emmett começou a correr indo ao encontro de Rosalie que a essa altura também gargalhava, vendo os dois amores de sua vida interagindo daquela forma. Como ela sempre imaginou que seria; Emmett era um ótimo pai assim como era bom filho, bom irmão e bom marido.
Ele parou ao lado de Rosalie, segurando a filha agora somente com um braço. Nicole estava agarrada ao pescoço dele, com a maior cara de sapeca.
– Eu estava voando igual uma fadinha, mamãe – disse ela, com o rostinho feliz. – A minha titia Alice parece uma fadinha, não é papai urso?!
– A mamãe viu amor – respondeu Rosalie, lhe mandando um beijo. – Tão linda brincando com o papai.
Emmett beijou o rostinho dela. – É, sim, princesinha do papai. A sua titia Alice parece mesmo uma fada, mas uma fada bem travessa.
Nicole sorriu. – Igualzinho a Tinker Bell – comparou a garotinha, antes de mostrar os pezinhos para a mãe. – Furou mamãe. A meia furou.
– Furou é? Sei... – disse Rosalie. – Quem mandou você correr sem sapatos pelo gramado outra vez.
– Foi o vovozinho Carlisle que tirou minhas sapatilhas. Eu não gosto de sapatilhas, elas machucam meus pezinhos. Eu gosto de ficar de pé no chão.
Emmett segurou um dos pezinhos da filha e massageou depois dela ter mencionado que as sapatilhas os faziam doer.
– Eu vi quem tirou suas sapatilhas, mas o seu vovozinho não é o culpado – argumentou Rosalie.
– É o papai urso então?
Emmett a chacoalhou no ar fazendo-a gargalhar, deixando as covinhas herdadas em evidencia.
– Para papai urso. Para... Papai... – ela soltou um gritinho em meio às gargalhadas, enquanto Emmett se divertia.
– Fala para sua mãe que a culpa é sua, e não minha.
Rosalie sorriu quando viu a filha tentar se explicar, mas as gargalhadas não permitiram.
– Para amor – Rosalie pediu. – Você está chacoalhando ela demais. Ela nem consegue falar direito. Para Emmett, ela já está ficando com soluço.
Emmett fez o que Rosalie pediu, e logo em seguida abraçou a filha, bem apertado.
– Fala pra mamãe de quem é a culpa – disse ele.
– A culpa é da Nikki – anunciou Nicole, com a voz arrastada, cansada de tanto rir, seguido de um soluço.
– A culpa é da Nikki de fazer o que? – insistiu Emmett vendo Rosalie sorrir também.
– De furar as meias – a garotinha confessou, seguido de um suspiro.
– Está tudo bem amor, a mamãe perdoa – esclareceu Rosalie. – Agora vamos entrar e tomar um bainho bem gostoso.
– Posso tomar banhinho com você, mamãe?
– De banheira? – perguntou Rosalie, já prevendo um “sim” como resposta. Nicole amava passar esses momentos com a mãe, principalmente depois que Rosalie engravidou pela segunda vez, e agora se repetia na terceira gestação.
– Sim Pirilim! – gritou Nicole, entusiasmada.
– Então vamos bebê. Vamos para banho com a mamãe. Banho bem gostosinho.
– Mamãe eu ainda vou ser o seu bebê quando a Valentina nascer?
– Claro que vai, minha vida. Aí a mamãe vai ter dois bebês lindos. Ao olhar para o marido ela completou – E um bebezão.
Nicole ficou satisfeita no colo do pai, que deu uma piscadela para Rosalie, enquanto entravam no interior da mansão. Atravessaram o hall e a grande sala de estar indo em direção às escadas. Pimenta entrou com eles e correu para seu cantinho em um quarto próximo a varanda da cozinha.
Já no segundo piso, Rosalie abriu a porta da suíte, em uma das mãos segurava as sapatilhas da filha. Nicole se remexeu no colo do pai exigindo que ele a colocasse no chão, e ao fazer isso ela correu para o banheiro.
Quando a filha desapareceu através da porta do banheiro, Emmett chegou mais perto de Rosalie, espalmou as mãos na barriga avantajada dela, massageando devagar. Lhe deu um beijo, e sussurrou. – Massagem nos pés?
– Sim – ela respondeu, acariciando o rosto dele antes de beijar de leve seus lábios.
– Certo – confirmou. – Vai indo lá com a Nikki que daqui apouco eu chego.
Ele fechou a porta do quarto e sentou na cama para retirar os sapatos. Rosalie lhe lançou um olhar pidão antes de entrar no banheiro onde encontrou Nicole mexendo em suas coisas, derramando os sais de banho no chão.
– Ah, não, Nikki – Rosalie lamentou com um suspiro. – Não faz isso com as coisas da mamãe, filha, por favor.
Ela retirou um potinho de vidro da mão de Nicole e a segurou pela cintura aprumando a filha em sua frente, começando a retirar sua roupinha de ballet.
Notando que a mãe havia ficado um pouco chateada, Nicole segurou o rosto de Rosalie com as duas mãozinhas tentando corrigir seu erro inocente.
– Me desculpe mamãe. Não fica brava comigo, por favorzinho.
– A mamãe não está brava com você, meu bebê. Só não quero que derrame as minhas coisas nem as do papai, está bem? – ela acrescentou e em seguida beijou o pescoço da filha.
– Tudo bem mamãe.
Nicole beijou a pontinha do nariz da mãe enquanto essa lhe retirava a roupa de ballet. Rosalie colocou a banheira para encher e acrescentou os sais de banho de sua preferencia. Ajudou Nicole a entrar na banheira e lhe deu um patinho e um pônei de borracha para brincar.
Enquanto a filha brincava, Rosalie começou a se despir, ficando somente de calcinha. Com muito cuidado ela entrou na banheira e foi se abaixando devagar, sentindo as costas reclamarem, mas a água morna amenizava pouco a pouco seu desconforto na coluna.
– Cuidado com a barriga da mamãe, filha – ela avisou, após fechar as saídas de água, quando Nicole se agitou ao seu lado.
– Posso fazer carinho na sua barriga, mamãe?
– Claro que pode meu amor. É a sua irmãzinha. Aposto que ela vai adorar receber um carinho seu. Um só não, vários.
Nicole encostou suas mãozinhas cheias de espumas, bem devagar, na barriga de Rosalie. Acariciando o barrigão com delicadeza, fazendo Rosalie relaxar com o carinho suave de suas mãozinhas na pele esticada.
– Mamãe – comentou Nicole –, está mexendo bem aqui – ela afastou as mãozinhas com medo de ter machucado a mãe.
– Está tudo bem, amor. É só a sua irmãzinha que está mexendo. Você já tinha sentido ela mexer antes. Porque está assustada, bebê?
– Eu tenho medo – confessou Nicole, com os olhinhos preocupados.
– Do que você tem medo. Fala pra mamãe, filha.
Nicole olhou para a porta, buscando a presença do pai. Lembrando-se de Emmett ter pedido para não falar muito sobre a perda de Natalie quando estivessem se referindo ao bebê que estava para nascer.
Rosalie segurou a mãozinha da filha, e acariciou. – Fala pra mamãe do que você tem medo, amor. Fala – insistiu.
– Tenho medo que esse bebê vá para céu que nem a Natalie foi. Tenho medo que você fique triste outra vez. Que você fique chorando lá na sua caminha e deixe o papai e eu sozinhos todo dia... Vendo desenho e brincando sozinhos enquanto você fica só trancada no quarto chorando. E nem contar historinha pra mim... – Nicole soluçou involuntariamente.
– Own, minha vida – Rosalie murmurou abraçando-a. – A mamãe nunca mais vai fazer isso. A mamãe ama muito você e o papai. Presta atenção filha – pediu segurando o queixo dela. – Não vai acontecer nada com a sua irmãzinha, Valentina, amor. E nós sempre vamos amar a Natalie. Mesmo ela não tendo vindo para casa com a mamãe, ela vai sempre ser sua irmãzinha e a mamãe sempre vai amá-la. – mesmo sem intenção, uma lágrima rolou no rosto de Rosalie ao lembrar-se do bebê que perdeu, aos seis meses e meio de gestação.
– Mamãe – Nicole sussurrou, com um beicinho, tocando o rosto de Rosalie com a mãozinha roliça.
– Não foi nada, filha. Vem! Me dá sua mãozinha. Sua irmãzinha está mexendo bem aqui, amor – disse Rosalie, colocando a mãozinha de Nicole novamente sobre a barriga volumosa.
– E dói mamãe?
– Não amor. Não dói.
– E eu mexia assim também?
– Você mexia mais do que ela – confessou, movimentando a mãozinha de Nicole seguindo os movimentos do bebê.
– Porque que ela está fazendo isso?
– Porque ela sabe que é você que está aqui com a mamãe, e que é você que está fazendo carinho nela. Ela está te cumprimentando bebê. Esse é modo dela lhe dizer “oi”.
– E ela gosta de mim?
– Muito, muito, muito. Ela gosta de você tanto quanto o papai e a mamãe. E você gosta dela? – Rosalie perguntou por que Nicole às vezes ficava muito enciumada, desde a gestação de Natalie. Então ela e Emmett estavam tentando diminuir esse sentimento de insegurança na primogênita.
– E eu também fui uma sementinha que o papai urso te deu, não foi mamãe?
– Foi amor – confirmou Rosalie, sorrindo. – Uma sementinha que se tornou uma garotinha muito travessa e que a mamãe ama incondicionalmente.
– Porque o papai fica te dando essas sementinhas? Não come mais não mamãe. Não come. Diz para o papai urso que você não quer. E que a Nikki não gosta que ele fique te dando isso.
– Papai é assim, filha – Rosalie brincou, passando a mão no rosto afastando a lágrima que caíra ao se lembrar de Natalie. – Ele é um danado. Seu papai urso é um danado.
Emmett entrou no banheiro e ficou observando as duas conversarem, até Nicole notar sua presença.
– Papai urso não dá mais sementinha para a mamãe, ela não gosta – exigiu Nicole. Emmett e Rosalie sorriram. – Olha papai urso a Valentina está mexendo. A mamãe disse que ela sabe que sou eu, e que ela gosta de mim.
Emmett deu uma piscadela para Rosalie, que lhe sorriu.
– Mas é claro que ela gosta de você, filha. Você vai ser uma ótima irmã mais velha. Vai poder ensinar um monte de coisas para sua irmãzinha. Agora você deixa o papai sentir ela mexer? – ele perguntou, esticando o braço na direção da barriga de Rosalie.
– Aham – respondeu Nicole. – Mas não aperta senão a mamãe fica dodói.
– O papai não vai machucar a mamãe não, filha. Pode ficar tranquila.
Emmett chegou mais perto e sentou na borda da banheira. Mergulhou a mão direita na espuma, acariciando o barrigão da esposa. Valentina mexeu assim que Emmett encostou a mão na barriga, como se soubesse que era o seu papai agora quem lhe fazia carinho. Ele sorriu orgulhoso.
Rosalie sorria e ao mesmo tempo tinha lágrimas nos olhos. Lágrimas de emoção, de uma felicidade que ela não imaginava que pudesse ser possível, enquanto o marido e a filha acariciavam sua barriga com a pele já bastante esticada. E mais uma vez ela se viu pensando em Natalie; como seria se ela também estivesse ali. Natalie estaria com dois anos agora não fosse o que aconteceu durante a gravidez.
– Em pouco tempo seremos quatro – anunciou Emmett, quando Rosalie segurou sua mão, fazendo um carinho.
– Eu não vejo a hora de segurá-la em meus braços – afirmou ela.
– E eu mamãe...? – Nicole choramingou, enciumada novamente.
– Você já está aqui com a mamãe, meu amor – Rosalie explicou, vendo a carinha triste dela. – Vem cá, me dá um beijo – Nicole agarrou o pescoço da mãe e lhe deu um beijo demorado na bochecha. – Que beijo gostoso, amor – disse Rosalie beijando-a de volta.
Emmett se afastou um pouco e endireitou a postura.
– O pé – ele pediu para Rosalie, estendendo a mão. Ela ergueu o pé direito e ele começou a massageá-lo devagar, se permitindo demorar nos pontos onde ela mais se queixava de dor.
Nicole se manteve distraída brincando com o patinho e o pônei de borracha na espuma da banheira, enquanto Emmett cuidava dos pés e tornozelos de Rosalie com devoção e cuidado.
Os cabelos de Nicole agora soltos revelavam o comprimento na altura da cintura. Emmett amava a semelhança entre as duas. Tirando a cor dos olhos e as covinhas Nicole tinha tudo de Rosalie.
Após alguns minutos de massagem nos pés da esposa, Emmett secou as mãos e saiu do banheiro deixando as duas tomarem banho, sozinhas. Rosalie ajudou a filha com o banho e a deixou brincar mais um pouquinho, enquanto relaxava com a cabeça no encosto da banheira mantendo os olhos fechados.
Passaram-se poucos minutos, tempo somente apenas para um cochilo, quando o patinho de borracha que Nicole brincava caiu para fora da banheira e ela tentou pegá-lo se debruçando sobre a borda com o corpinho cheio de espumas e escorregadio. O inevitável aconteceu, Nicole caiu no piso do banheiro batendo com o rosto no chão.
Rosalie acordou do cochilo, sobressaltada, o coração batendo desesperadamente dentro do peito, quando ouviu o grito estridente da filha, seguido imediatamente do choro. Sem pensar duas vezes ela ficou de pé e saiu da banheira, tentando não escorregar com toda espuma que caia de seu corpo e as que Nicole tinha derrubado. O corpo inteiro tremendo pelo medo de que a filha tivesse se machucado gravemente e pelo susto inesperado quando Nicole gritou.
– Emmett – gritou Rosalie, pedindo por ajuda. Entretanto, Emmett já tinha ouvido o grito seguido de choro e já estava a caminho. Ele interrompeu uma ligação somente para ir ao auxilio das duas, pediu que a pessoa do outro lado da linha aguardasse que ele retornaria a ligação assim que possível. Depois atirou o telefone sobre a cama e foi para o banheiro às pressas.
Nicole chorava alto, com as mãozinhas em frente aos lábios, tremendo.
– Mamãe. Mamãe... – ela soluçou com a voz entremeada pelo choro.
Rosalie puxou a toalha no suporte e passou em volta do corpo, tão rápido que nem ela mesma acreditou. Com muita dificuldade se inclinou, segurou os bracinhos de Nicole e a colocou de pé, somente então a pegou no colo. No minuto seguinte Emmett estava ao seu lado levando Nicole para seus braços. Nicole não parava de chorar e mantinha as mãozinhas estendidas mostrando para a mãe gotículas de sangue.
– Mamãe – ela choramingou assustada, vendo seu próprio sangue nas mãozinhas.
– Como foi que ela caiu? – perguntou Emmett, com o tom de voz levemente alterado.
– Eu não sei. Eu devo ter cochilado por dois minutos apenas. Foi tão de repente. Ela gritou e logo veio o choro. Quando abrir os olhos ela estava no chão – explicou Rosalie, nervosa. – Ela se machucou muito, Emmett? – com o piso escorregadio e as pernas tremendo, Rosalie não sabia como ainda estava de pé. Talvez fosse apenas uma parte do que o amor de mãe exerce na hora do desespero para proteger a um filho.
– Fique calma, Rose – pediu Emmett. –Tenha cuidado para não escorregar – ele alertou segurando no braço dela, ajudando-a caminhar até que ela estivesse perto suficiente da bancada da pia. Ele pegou uma tolha de lavabo em uma gaveta e jogou para ela pisar em cima.
Com a filha cheia de espuma em seu colo Emmett pegou a toalha dela e a enrolou, depois a colocou sentadinha sobre a bancada da pia.
– Papai urso... – soluçou, mostrando as mãozinhas ao pai. – Tem sangue, papai. Tem sangue aqui – ela mal conseguia falar por causa do choro e do pavor que tinha de sangue.
– O papai já vai cuidar disso, bebê – ele respondeu, olhando as mãozinhas dela.
– Quero a mamãe...
– A mamãe não pode te segurar agora. Vocês duas estão molhadas e o piso está escorregadio. Você não quer que a mamãe e a sua irmãzinha se machuquem também, não é bebê?! – ele explicou em um tom calmo para não apavorar a esposa e a filha ainda mais.
– Papai urso – Nicole colocou a mãozinha perto da boca –, aqui está dodói. Muito dodói. Tem sangue – ela repetia com pavor.
– O papai sabe amor – ele respondeu quando se inclinou para pegar a caixinha de primeiros socorros no armário da pia.
Nicole vivia se machucando, mas sempre entrava em pânico quando via seu próprio sangue. Carlisle já havia dispensando a ideia da neta vir a se tornar médica algum dia. Nicole era muito dengosa e por qualquer machucado abria o berreiro, principalmente se tivesse mesmo que um fio de sangue.
Enquanto isso, mesmo tremendo, Rosalie se secava com a toalha de maneira desajeitada.
– Rose – Esme chamou, batendo de leve na porta da suíte do casal.
– Pode entrar mamãe – ela gritou em resposta, o que fez Nicole estremecer. – Não se assuste amor – ela sussurrou para a filha. – Mamãe não queria gritar, saiu sem querer, desculpe.
– O seu pai pode entrar também? – perguntou Esme do outro lado da porta, no corredor.
– Pede para ele esperar só um segundo que estou me vestindo.
Esme olhou para o marido, antes de abrir a porta do quarto. Como a porta do banheiro estava aberta eles não seguiram em frente até Rosalie autorizar.
Emmett esticou o braço e pegou o roupão de banho de Rosalie que estava pendurado no suporte e entregou para ela.
– Podem entrar. Eu já estou vestida – ela avisou no momento em que amarrava o cordão do roupão.
Esme e Carlisle surgiram em frente à porta do banheiro, com expressão preocupada, buscando a origem de todo aquele choro da neta.
– O que aconteceu? – Esme foi a primeira a perguntar.
Carlisle já foi entrando e se posicionando ao lado de Emmett para analisar o machucado na boca da neta.
– Ela caiu para fora da banheira – Rosalie esclareceu, chegando mais perto do marido para ver a filha melhor, para verificar a dimensão de seu machucado.
– Você deixou Nikki sozinha no banheiro? – perguntou Esme, desacreditando. Esme sabia que Nicole era o tipo de criança que não se deve deixar sozinha nem por um segundo sequer.
– Não mamãe – Rosalie respondeu imediatamente, se sentindo ofendida. – Claro que não deixei minha filha brincar no banheiro, sozinha. Eu sei como a Nikki é travessa. Eu estava com ela, mas acabei cochilando. Eu estou cansada, estou com dores nas costas e nas pernas, Emmett tinha acabado de fazer massagem em meus pés, depois disso eu tirei um cochilo. Foi inevitável.
Nicole ainda chorava, mas não com a mesma intensidade de quando caiu e viu o sangue nas mãozinhas. Ela ainda soluçava e seu narizinho estava escorrendo. Carlisle, com ajuda de Emmett, limpou o machucado no lábio inferior da neta e colocou um remedinho para não inflamar.
– Não foi nada grave – esclareceu Carlisle. – Foi apenas um cortezinho superficial no lábio inferior.
– Tem certeza, papai? E o dentinho dela não quebrou, não é?
– Não filha. A Nikki está bem. Não confia mais em seu velho pai?
– Eu confio – disse Rosalie. – Mas é que ela estava chorando tanto, meu Deus, ainda estou tremendo por causa do susto que tomei.
– Até parece que você não conhece a Nikki – ele brincou, afagando o ombro da filha. – Ela está bem. Agora você precisa ficar calma. Lembre-se que você não deve ficar nervosa assim, Rose. Se acalme, filha.
– Eu sei papai – murmurou ela, mantendo a mão esquerda sobre a barriga avantajada. – Eu sei, mas é inevitável quando algo acontece a minha bebê.
– Agora eu vou sair para você poder se vestir de verdade – ele avisou.
– Obrigada papai. Por tudo – acrescentou.
– Não foi nada, filha. Fique calma agora, sim, a Nikki está bem – ele respondeu virando-se de costas para logo em seguida se retirar do banheiro.
Emmett pegou a filha novamente no colo. Nicole se agarrou ao pescoço do pai, fungando ainda se recuperando do susto.
– Me dá ela, Emmett – pediu Rosalie.
– Você ainda está nervosa. E você sabe que não pode pegar peso, Rose.
– Me dá a minha filha, por favor – ela resmungou, com a voz um tanto queixosa.
– Rose – Esme interferiu a favor do genro –, Emmett tem razão, filha. Não é aconselhável você segurar a Nikki. Ela está muito pesada e sua gravidez é de risco, meu bem.
– Eu quero segurar a minha filha – contestou Rosalie, com a voz autoritária. – Por minha culpa ela caiu e se machucou. Não quero que meu bebê pense que não me importo com ela. Não quero que pense que isso aconteceu porque não cuidei dela direito. Porque não sou uma boa mãe.
– Mas ninguém está falando isso, Rose. Nem a Nikki está pensando uma bobagem dessas, filha – Esme tentou contornar a situação que a filha estava causando. Certamente eram os hormônios da gravidez, agindo depois do susto.
– Não importa o que vocês me digam, eu quero segurar a minha filha. E quero agora.
– Está bem, eu me calo – Esme estendeu as mãos em sinal de rendição, e saiu do banheiro.
Emmett, mesmo a contra gosto, entregou Nicole para Rosalie, que a segurou de lado uma vez que o tamanho de sua barriga não permitia que a segurasse de outra forma.
– Mamãe – Nicole choramingou dengosa, passando os bracinhos em volta do pescoço de Rosalie.
– Perdoa a mamãe, princesa linda? – Rosalie fez o pedido de desculpas beijando os olhinhos molhado de lagrimas da filha. Depois limpou narizinho dela com a mão, e puxou um pedacinho de papel higiênico para finalizar. – A mamãe cochilou e não te viu cair. Você me perdoa? – Nicole fungou, maneando a cabeça positivamente. – Dá um beijinho na mamãe? – Rosalie pediu. Nicole lhe seu um beijinho no queixo, bem de leve por causa do machucado, depois encostou a cabeça no ombro da mãe.
Rosalie saiu do banheiro e sentou na cama com Nicole no colo. Emmett ficou de pé apenas observando. Esme, que estava perto da porta do quarto, avisou. – Eu vou ao quarto da Nikki pegar uma roupinha para pôr nela e já volto.
– Mamãe você seca os cabelos da Nikki pra mim?
– Seco sim, filha. Seco os seus também se você quiser.
– Eu acho que vou querer sim – Rosalie confessou um tanto envergonhada da atitude que tivera minutos atrás. Esme virou as costas para sair. – Pode ser um pijama – avisou. – Ela vai dormir daqui a pouco.
– Certo – Esme respondeu ao sair.
Emmett sentou na cama, bem ao lado de Rosalie. Afagou o rostinho choroso da filha depois o da esposa. – Você não pode ficar nervosa desse jeito Rose toda vez que a Nikki se machucar. Isso também afeta o bebê e a sua saúde.
Ela sabia que sua atitude tinha sido impensada e marrenta. Não sabendo como responder ao marido, ela encostou a testa a da filha e as duas ficaram se olhando. Rose beijou o nariz de Nicole quando essa piscou os olhinhos.
– Sabe que me deixou irritado naquela hora, não sabe? – perguntou Emmett.
– Eu sei – ela respondeu sem olhá-lo. Não tinha coragem para isso agora.
– Sofremos muito quando perdemos a Natalie – disse Emmett. – Você principalmente. Não quero que passemos por nada parecido outra vez. Você saiu da banheira toda molhada e pegou a Nikki no colo. Além de não poder pegar peso, e você já tinha pegado ela no colo quando chegamos; você também poderia ter caído no piso molhado. Não só teríamos a Nikki machucada, mas você também. E o pior, poderíamos sofrer novamente a mesma dor... – ele completou com a voz fraca, sem querer feri-la com a verdade mesmo sabendo que era inevitável.
Rosalie afastou a testa da de Nicole e olhou para o marido. – Eu sei amor. Me desculpe. É que... Eu não sei... Foi mais forte do que eu. Quando vi o meu bebê chorando daquele jeito e com sangue nas mãozinhas e na boca, foi difícil me controlar – Nicole encostou a cabeça no peito de Rosalie, que se inclinou para beijar Emmett. Ele retribuiu ao beijo, e quando terminaram Nicole estava com as mãos cobrindo os olhos. Os dois a beijaram ao mesmo tempo e Nicole se encolheu encostada a barriga avantajada da mãe. – Desde que a Nikki nasceu que eu sei como a mamãe se sente, ela tinha razão em dizer que eu saberia quando fosse mãe – confessou.
– Mamãe eu não queria te assustar – disse Nicole pegando-os de surpresa. – Desculpe.
– Não foi sua culpa, minha vida – Rosalie a tranquilizou, lhe beijando a testa. – Eu sou tão grata a Deus por tê-los em minha vida e pelo privilégio de poder amá-los. Vocês são tudo pra mim.
Esme voltou trazendo um pijama para Nicole e os encontrou conversando. Ela vestiu a neta enquanto Rosalie foi se vestir no closet. Emmett foi com ela e quando voltaram sentaram-se na cama. Esme secou os cabelos de Nicole primeiro depois os de Rosalie. Depois disso os quatro desceram para jantar e encontraram Carlisle à espera.
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