Quando nem o Tempo

19 Enquanto houver ar pra respirar 1


Notas iniciais
Primeira parte do último capítulo meninas.

POV's Isabella

Acordei sorrindo, feliz, como há muito tempo não acordava. Fiquei pensando no que havia acontecido e mordi o lábio inferior sorrindo, era engraçado como mesmo depois de muito tempo eu ainda sentia as mesmas coisas como se estivesse sido a primeira vez. Levantei, nua mesmo, peguei uma blusa e um short de Pedro que estava na cadeira e segui pro banheiro pra tomar um banho, me despi e deixei a água morna relaxar meus músculos. Estava lavando meu rosto quando levei a minha mão pelo nariz e estava sangrando muito, sai do Box correndo e me olhei no espelho, saia sangue de meu nariz e de minha intimidade, me desesperei, mas não queria mostrar isso a Pedro. Lavei meu rosto e voltei pro banho pra terminar de me banhar, sentia meus ossos moles e doloridos, como se eu estivesse doente. Terminei o banho e me vesti, não iria contar nada a ninguém, iria descobrir o que tinha sozinha.

Andei até a cozinha onde vi Pedro sentado na cadeira comendo, ele tinha uma expressão despreocupada no rosto e vestia apenas boxers, quando me viu ele soltou um sorriso e bateu a mão no colo dele indicando que era pra eu sentar, caminhei até lá sentando no colo dele –sem muita dificuldade- e o beijei deliciosamente depois sai de seu colo sentando em uma cadeira ao lado da sua e o olhando

-Pedro, quando eu entrei aqui na cozinha você parecia pensativo, aconteceu alguma coisa?

-Não, eu estava apenas lembrando de uma história- Ele disse e soltou uma risadinha, ri junto.

-Posso saber que história foi essa Senhor Lanza Reis?

Flashback ON – narração na terceira pessoa.

Isabella andava apressada pelas ruas segurando as lágrimas com todas as suas forças, ela estava tão machucada que não queria ver nem Pedro, estava a apenas uma quadra de sua casa quando ouviu alguém gritar seu nome:

-Bella, espera, para de correr – Ela reconheceu a voz e apressou mais ainda os passos, não queria contar a Pedro o que tinha acontecido na escola, ela certamente ouviria um “bem que eu te avisei”. -Isabella, espera, agora!- Ele repetiu dessa vez mais firme e ela obedeceu, parando e rapidamente ele se colocou em pé ao lado dela, ofegando pela “meia maratona” que ele fez pra alcançá-la.

-Lucas me disse que você saiu correndo e com cara de choro da escola, aconteceu alguma coisa que você queira me contar?- Ele perguntou fazendo carinho na bochecha da melhor amiga e colocando uma mecha de seu cabelo pra trás

-Não- Ela disse com uma voz fraca desmentindo o que ela disse, Pedro sentiu o coração apertar e podia imaginar o porquê de sua pequena estar daquele jeito.

-Foi o puto do Luiz não foi? Eu sabia que aquele idiota ia te machucar Isabella, bem que..

-Shiu, não continua, eu sei, eu fui uma idiota, babaca, estúpida e me sinto imunda por ter acreditado naquele imbecil, eu não preciso de lição de moral, e na real, é tudo que eu menos preciso agora- Isabella desabafou e não conseguiu conter as lágrimas, já chorava e a única reação que Pedro teve foi puxar aquela pequena criatura para abraçá-la, ele apoiou o queixo na cabeça dela afagando seus cabelos fazendo um cafuné de leve, ele a segurou pelos ombros e abaixou um pouco até ficarem com a mesma altura:

-Escuta aqui pequena, eu te prometo com todas as minhas forças que irei te proteger pra sempre, e se eu morrer primeiro eu vou ser seu anjo da guarda, até você ir me fazer companhia no céu.- Ele disse e ela apertou ele com as pequenas mãos o puxando pra mais um abraço e chorando mais.

— Pedro, promete ser o padrinho de meus filhos?

Fim de flashback e de narração da terceira pessoa.

-Luiz, Luiz, minha primeira decepção amorosa, aos 14 aninhos, falando nele, tem notícias?- Eu perguntei comendo uma torrada com nutella

-Ele vai casar- Pedro respondeu com a boca cheia do hambúrguer.

-Casar? Luiz – eu –sou- pegador vai casar? – Eu perguntei e ele respondeu “uhum” tomando um gole de coca.

-Agora, adivinhe com quem?- Ele me perguntou e eu fiz careta indicando que não sabia- Alana. — Ele me disse e deixei o queixo cair.

-Como assim gente? Esses dois não se suportavam.

-Parece que eles foram fazer faculdade da mesma coisa e acabaram se apaixonando, ele a pediu em casamento na frente do campus inteiro- Ele disse e deu de ombros. Ficamos comendo e conversando até tinha me esquecido do ocorrido mais cedo, mas meu corpo doía e parecia que meus músculos pesavam toneladas dentro de meu pequeno corpo. Terminamos de comer em silêncio e não deixei Pedro desconfiar de meu cansaço.

Mais tarde dona Leni chegou com a minha pequena, ainda bem porque já estava morta de saudade.

-Mamain!- Ela exclamou esticando os braçinhos e correndo em minha direção, a abracei e a coloquei em meu colo, virando seu corpo pra mim pra olhá-la

-Oi meu amor, gostou de brincar com a vovó?- Eu perguntei

-Gortei main, a tia Mô disse que eu paleço o papai.- ela disse e eu sorri olhando pra Pedro.

-É mesmo filha? Gostou de brincar com a Dudinha?

-Aham, ela..ela tem bissinho main- Ela disse e eu a apertei contra mim achando a maior fofura do mundo.

-Agora desce e vai brincar vai- Eu disse descendo e ela correu pra onde a Duda tava se sentando e brincando com uns bichinhos que estavam ali. Michelle olhou pras duas pra ver se elas não estavam ouvindo e virou pra mim com uma cara super feliz:

-E vocês dois hein? Vocês voltaram?- ela perguntou batendo palminhas e ela e tia Leni se aproximou de nós dois com cara de curiosas, Pedro olhou pra mim como se perguntasse se sim e eu dei sorri acenando que “sim” com a cabeça, ele colocou as mãos em minha cintura e Tia Leni e Mi soltaram um barulho estranho com a boca mais ou menos como um “awwn” e a gente riu.

-Cara, eu sabia que o Pedrinho não esquecido você, eu sabia, se estivesse apostado estaria podre de rica agora- Leni disse fazendo a gente rir e a gente ficou conversando, eu estava ali, conversando, rindo, mas minha cabeça estava longe, pelo amor de Deus, o que será que eu tinha?

UMA SEMANA DEPOIS

“-Socorro, socorro – Eu gritava e corria por um bosque preto, parecia morto, as folhas secas e marrons voavam e o vento urrava como um lobo virado pra lua, eu vestia uma roupa de hospital rasgada, alguma coisa corria atrás de mim, mas quando eu virava pra trás não havia nada, era como se alguma coisa me empurrasse pra um penhasco que havia logo à frente, eu corria pros lados mas não conseguia, eu cairia no penhasco e gritava, ninguém me ouvia,cai nele e gritei, gritei como se resolvesse, ao invés de cair sobre pedras, eu simplesmente apareci em uma sala, uma sala conhecida por mim, havia algumas crianças com chapéu de aniversário em volta de uma mesa, as luzes se apagaram e um coro de crianças começaram a cantar “Parabéns pra você”, aos poucos fui me lembrando daquela sala, olhei pra mesa e lá estava ele segurando nossa filha no colo, ela estava linda, com um vestido branco e rosa, os cabelos lisos bem penteados, ele tinha um sorriso no rosto mas seus olhos pareciam mortos, aqueles olhos esverdeados que eu tanto amava agora eram cinzas como um céu nublado e completamente sem expressão, Thomas estava ao seu lado, mantinha a mesma expressão, o que estaria acontecendo? “Pedro, Pedro, eu estou aqui” eu gritei mas ele sequer virou pra mim, continuou sorrindo e batendo palmas com a minha princesa no colo, me aproximei lentamente da mesa e toquei seus ombros, ele fechou os olhos como se sentisse minha presença, de repente alguma coisa começou a me puxar pro nada, tudo foi ficando mais distante, eu gritava por Pedro, pedia pra ele me salvar e ele nem me via.....”

Acordei ofegante e suando, eu tinha lágrimas nos olhos e minhas mãos tremiam, esse sonho foi... Tão real. Virei pro lado e Pedro dormia como um anjo ao meu lado, olhei pro relógio que tinha no criado-mudo e marcava 08:30, era melhor eu levantar ou me atrasaria pra pegar o resultado do exame de sangue que havia feito. Me arrumei e sai pro hospital, o resultado diria o que eu tinha, eu estava nervosa e aflita. Me apresentei na recepção e a recepcionista falou que em 5 minutinhos o médico me chamaria, sentei naqueles bancos de hospital e fiquei olhando pra TV que estava ali, pouco tempo depois chamaram meu nome e eu entrei em uma sala que tinha uma placa de ouro na frente escrito “Dr. Marcos Goldman” girei a maçaneta e o vi lendo os exames com uma expressão assustada no rosto, meu coração apertou e eu limpei a garganta pra indicar que eu estava ali, ele me olhou e pediu pra me sentar, fiz o que ele pediu e me sentei na frente dele

-Senhorita Isabella não é?- Ele perguntou e eu acenei a cabeça- Seus exames são assustadores, teremos que encaminhá-la pra unidade oncológica do hospital- Ele falou sem dó e meus olhos pesaram das lágrimas.

-Unidade oncológica...isso quer dizer que..?- Eu falei com muita dificuldade

-A senhorita tem leucemia em seu estado mais avançado.- essas palavras foram como estacas afiadas em meu peito, “em seu estado avançado” isso significava que eu era paciente terminal, eu iria morrer.

CONTINUA.....

Notas finais
Amanhã eu posto a parte 2, beijos xx @cocaineandblood