Quando nem o Tempo

20 Enquanto houver ar pra respirar 2


Notas iniciais
ÚLTIMO DE VERDADE MENINAS, MUITO OBRIGADA MESMO VIU DE CORAÇAO, A TODO MUNDO QUE LEU, ESPERO QUE GOSTEM, EU CHOREI, HIAHAIHAHI q

POV's Isabella

a senhorita tem leucemia” “leucemia” “seu estado mais avançado” essas palavras rodeavam minha cabeça enquanto eu era encaminhada a área de oncologia do hospital, eu queria chorar mais não conseguia, na verdade não iria adiantar, eu poderia fazer quimioterapia por um tempo mas não adiantaria, eu iria morrer mesmo que eu não quisesse, como ficaria minha filha meu Deus? E..e...e o meu Pedro? Minha pequena ficaria sem proteção, ela ficaria sozinha, eu não posso morrer. Meus olhos ardiam mas a dor era tanta que não tinha lágrimas, não existia lágrimas, meu coração parecia bater mais fraco e meu corpo doía, parecia que eu estava morrendo, aos poucos. Passei meia hora na sala conversando com uma médica e ela só confirmou o que eu não precisava ouvir;

-Me desculpe Isabella, você é uma paciente terminal- Ela disse e segurou minhas mãos me olhando com dó- Mesmo que você faça muitas sessões se quimioterapia, não viverá mais que dois meses, sinto muito.

Eu não suportaria morrer vendo todos a minha volta sofrer, eu precisa sumir, sumir até que eu desse meu último suspiro, e é isso que eu vou fazer. Saí do hospital direto pra minha casa, onde eu sabia que não tinha ninguém e joguei minhas coisas em uma mala, coloquei pouca coisa, pra que eu ia precisar mesmo? “arrumei” minhas coisas e liguei pro aeroporto pra agendar a minha passagem pra Londres, o vôo seria ai meio dia e era dez e meia, tinha tempo. Peguei um papel e uma caneta e comecei a escrever uma carta pra Pedro, doía tanto ter que dar tchau pela última vez, dessa vez pra sempre, escrevi a carta com lágrimas nos olhos e fechei beijando ela e sussurrando “Daqui até o fim, mesmo que tenha um fim”, fui a uma gaveta de fotos que tinha no armário de Manuella e peguei uma delas, a minha preferida e guardei na bolsa, comecei a mexer na gaveta quando achei uma caixa, a caixa que eu procurava há dias, a escondi e escrevi mais uma carta, dessa vez eu tinha um plano. O plano mais perfeito que ajudaria Pedro a nunca me esquecer. Arrastei a mala até a sala onde deixei uma das cartas, fui até a porta e dei uma última olhada na casa, suspirei e chorei, estava doendo, muito. Tomei o elevador e fui até a portaria deixar um recado pro porteiro.

-Seu Jailson, o senhor sabe quem é o pai da minha filha, não sabe?- Eu perguntei

-Sim senhora.

-Então, eu preciso te pedir um favor, pode ser?- Eu perguntei e senti os olhos arderem, ele assentiu com a cabeça e eu continuei- Eu preciso que o senhor entregue essa carta aqui- Eu entreguei a ele- a Pedro daqui mais ou menos um mês, melhor, você receberá uma ligação avisando que já pode o entregar, mesmo que o senhor não esteja trabalhando tem o endereço dele ali, eu estou indo pra Londres porque estou morrendo, de verdade.- Eu parei pra respirar e ele me olhou com pena- Poderia fazer esse favor pra mim?

-Claro dona Isabella, vi a senhora crescer aqui nesse condomínio e me dói saber que a senhora irá morrer, pode deixar que eu o entregarei- Ele disse e se levantou pra me abraçar.

-Tem outra coisa, por favor, não comente nada com ele quando ele vier pra cá, apenas diga que me viu sair.

Chamei um táxi e segui pro aeroporto gravando cada imagem de cada canto da cidade, desde as pichações até as casas de luxo, cada sinaleira, cada barraquinha de cachorro-quente.

-Chegamos!- O taxista me tirou de meus pensamentos vazios e eu o paguei, descendo do táxi carregando minha mala, fiz o check-in e entrei no avião, talvez o avião caísse e me poupasse de tanta dor.

UM MÊS E MEIO DEPOIS.

POV’s Pedro.

Era rotina, chorar de noite e acordar sorrindo pra minha princesinha vê que está tudo bem. Eu já não era mais o mesmo, eu já não tinha mais vida, no sentido mais tosco da palavra eu sentia a falta dela e simplesmente não entendia o porque dele ter feito isso comigo...sumir deixando apenas uma pequena carta dizendo “Você entenderá meus motivos. Te amo, Isabella” se ela me amasse mesmo ela diria na minha cara o porque dela “fugir”. Arrumava as roupas de Manuella na malinha rosa dela enquanto ela brincava com meus cabelos, ela parecia um anjinho, só por ela eu tinha forças.

-Vamos filha?- Eu perguntei e ela balançou a cabeça pra cima e pra baixo afirmando que sim e depois pulou nas minhas costas rindo, ela até poderia parecer comigo, mas tinha a gargalhada da mãe.

Estávamos a caminho da casa de minha mãe –onde a deixaria esse final de semana- quando paramos no sinal:

-Papai, aquela nau é a mamain?- Ela disse e eu segui o dedinho que apontava pra o outro lado da calçada, não tinha ninguém lá.

-Não meu anjo, não é a mamãe.- Eu respondi derrotado, já havia perdido as esperanças dela voltar, mas...já faziam duas semanas que todo lugar que passamos Manu via a mãe, não posso negar que era assustador. Deixei ela com a Mi e fui pro ponto esperar os moleques pra gente partir pra mais um final de semana de shows. Estava perto do ponto onde pegaria o ônibus quando meu celular tocou, imaginei ser um dos roadies da banda querendo puxar meu pé por conta do atraso, mas no visor do Iphone mostrava “Número desconhecido”, atendi.

-Alô?

-Sr. Pedro Lanza Reis?- Alguém falou do outro lado da linha com um português meio atrapalhado.

-Sim, é ele, quem gostaria?

-Aqui é da diretoria do Hospital do Câncer em Londres (n/a eu não sei se existe ‘-‘), o senhor conhece a senhorita Isabella de Andrade?- Ela disse e eu senti meu coração apertar Isabella de Andrade, lógico que conhecia.

-Conheço, mas, o que houve?

-Ela pediu pra que o senhor lesse com atenção a carta que está agora mesmo na sua caixa de correio.Ah! e meus pesares, ela falava muito do senhor.- Desligou.

Desesperei-me, meus pesares? Como assim? Tentei retornar a ligação, mas o número era desconhecido, fiz uma manobra arriscada fazendo a volta indo em direção a minha casa, mas espera ai? Minha casa minha, minha ou a de meus pais? Arrisquei a casa de meus pais. Cheguei correndo no prédio e fui direto pra onde ficava as correspondências, lá estava, apenas uma carta. Um envelope rosa, e uma caligrafia inconfundível. Abri.

Pedro;

Perdoe-me pelo modo que fui embora, mas era extremamente necessário. Vou lhe contar o porquê. Eu tenho leucemia, ou, aliás, tinha, porque se você está lendo isso é porque eu já morri, sim Pedro, morri, descobri a doença em seu estado mais avançado e sem chances de cura, decidi não fazer tratamentos ou quimioterapia, preferi morrer de vez, com poucas dores. Você não pode me abraçar mais, e eu não posso mais me encantar com o brilho dos teus olhos, aliás, eles ainda brilham não é?. Nada foi porque eu quis meu amor, não fui eu que planejei morrer, nem ficar doente, dessa vez nenhum de nós dois teve culpa não é mesmo? Ah Pedro se eu pudesse voltar no tempo, eu teria perdoado sua traição, você teria visto sua pequena crescer dentro de mim, você ouviria ela dizer a primeira palavra, você a veria dar o primeiro passo. A gente teria se amado mais, teríamos perdido tempo de menos.

“Ás vezes temos que perder” você lembra quando me disse essa frase Pedro? Eu tenho gravado na minha memória desde aquele dia,e foi isso que aconteceu, eu perdi, você perdeu, mas leve-me em seu coração pra sempre, é meu pedido pra você.

Lá de cima meu amor, eu serei teu anjo toda vez que você precisar, toda vez que se sentir sozinho, olhe pra cima e a estrela mais brilhante serei eu, serei tudo de bom que está a tua volta, irei te proteger de todas as formas até que você venha me fazer companhia pra ficarmos juntos pra sempre, como deveria ter sido. Eu sinto sua falta e te aguardo Pedro, daqui até a eternidade.

Ah, eu já ia me esquecendo, se é de lembranças que você irá viver a parir de hoje, tem uma caixa escondida embaixo do baú de brinquedos de Manuella, lá está todas as embalagens de bombons, todos os bilhetes , todas as entradas de cinema e todas as fotos, todos os colares e nossa aliança de compromisso, tomei o cuidado de guardar tudo. Olhe toda vez que sentir minha falta.

Eu prometi te amar até meu último dia e assim foi. Isabella “.

Morta, a minha menina estava morta, a dor era incontrolável, meu coração estava em pedaços e agora assim eu realmente não tinha vida, foi como se minha alma tivesse ido junto com ela.... agora tudo fazia sentido, Manuella a vendo em todos os lugares, eu sonhando com ela. Ela estava cumprindo o que prometeu, ela estava nos protegendo de tudo.

Meses depois:

Crianças corriam pra lá e pra cá dentro do salão e Manuella brincava com algumas amiguinhas, hoje ela estava fazendo 3 anos e resolvi fazer uma festa, afinal era o primeiro aniversário dela comigo, os meninos da banda conversavam animadamente, menos Thomas, ele certamente estava sentindo a mesma coisa que eu, Manu correu até Thomas e o chamou puxando a mão dele “trazendo” ele até mim, ela esticou os braços fazendo eu pegar ela, e ela disse:

-Tio Thomas, papai, a mamãe está tão linda né?- Ela disse apontando pro nada e a mesma hora senti alguma coisa gelada tocar minha pele. Ela estava ali, minha pequena Isabella estava ali, ela sempre estava. Fechei os olhos sentindo a presença dela e sussurrei pra que ela pudesse ouvir: “Minha pequena, eu sinto tanto a sua falta..” Thomas já chorava eu desci Manu do meu colo pra ela brincar, senti os braços de Thomas me envolverem em um abraço e choramos,

-Ela prometeu e está cumprindo irmão, ela vai estar sempre com a gente. “E a gente com ela” eu acrescentei mentalmente e sai do abraço indo pra mesa pra bater os parabéns. Mais uma vez eu senti a presença da minha mulher ali, como se ela estivesse feliz por nossa princesa.

A festa acabou e fomos pra casa, já era tarde e Manu já dormia, decidi fazer o mesmo, deitei a cabeça no travesseiro s senti alguém me abraçar por trás, era ela:

-Oi meu amor, como vai você?- Eu falei e senti os olhos arderem. Não era ela, era só minha ilusão, ilusão de um moleque que nunca vai esquecer seu primeiro, único e eterno amor.

Porque nem tudo dá certo no final”.

FIM.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!