Suspirei. Lucas era meu melhor amigo, mas falar da Elô, nesse momento, não iria conseguir. Ainda não.

- Podemos falar disso outra hora? – disse prestado atenção na estrada. – Agora não dá para lidar com isso.

Meu amigo fez um som de surpresa.

- Dominic... Não estou te reconhecendo.

- Nem eu me reconheço mais, Lucas. – suspirei. – Não sou mais aquele cara que entrou no avião há um mês atrás.... Eu mudei. Ela me mudou.

- Deu para perceber... E devo dizer que isso jamais passou pela minha cabeça. – meu amigo parecia sincero ao dizer isso.

Estávamos quase chegando ao meu apartamento.

- Mas me diz... – resolvi mudar de assunto de novo. – Como andam os projetos? Leandro entregou a obra?

E fomos o restante do caminho falando sobre o trabalho. Hoje era sábado e eu retornaria na segunda-feira.

Assim que estacionei o carro na garagem do meu prédio, Lucas foi embora de uber e combinamos de nos falar amanhã. Eu realmente estava cansado, tanto fisicamente, quanto psicologicamente. Só queria chegar em casa e deitar na minha cama.

Entrei em meu apartamento, ainda segurando o colar que a Elô me deu nas mãos. Eu a tinha visto pela manhã, tinha feito amor com ela e já sentia sua falta. Um vazio gigantesco se apoderou de mim, não era para menos, meu coração havia ficado com ela.

Eu sei que muitos não devem entender o porquê de termos decidido seguir assim, mas não teria outro modo. Claro que poderíamos tentar um namoro a distância, mas não daria certo. Eu me descobri muito ciumento, não iria querer que ela ficasse saindo e não iria proibi-la também, mas ia sim ficar me remoendo todas as vezes e sei que com ela não seria diferente. Isso acabaria desgastando o que tivemos e eu não quero isso. Eu quero que tenhamos essas lembranças de como foi e essa relação inacabada que ardia em nós dois. Para que quando retomássemos, daqui um tempo, tudo voltasse como era. Sei que parece loucura, mas eu sei que o que eu sinto por ela não vai mudar de jeito nenhum. Pude ver nos olhos daquela garota que o que ela sentia por mim era tão forte quanto o que eu sentia por ela... E é por isso que decidimos que seria melhor assim.

Quando peguei meu celular para ligar para minha mãe, a mesma me ligava.

- Olá, dona Clara. – atendi sorrindo.

- Oi, querido. Já chegou? Fez boa viagem?

Fui acendendo as luzes do apartamento e colocando a chave do carro na mesinha de centro da sala. Minha mala deixei na entrada mesmo, depois eu pego.

- Já sim. – fui me dirigindo ao meu quarto. – Estou um pouco cansado.

- Imagino, meu amor. Só queria saber mesmo se tinha chegado bem.

- Não se preocupe.

- Vou desligar para que descanse. Não se esqueça de me ligar amanhã, Dominic.

- Pode deixar... Amanhã sem falta te ligo, mãe... Como todos os dias eu faço. – revirei os olhos sorrindo.

- Acho muito bom, senão te trago de volta pelos cabelos.

Até que não seria uma má ideia... Pelo menos ficaria com a Elô.

- Eu te amo, mãe.

- Também te amo, meu bebe. – e desligou.

Assim que cheguei no quarto, coloquei a correntinha da Elô em meu criado mudo e fui rumo ao banheiro tomar um banho. Eu realmente estava cansado.

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- Olha só quem retornou.

Sorri para Lígia enquanto saia do elevador e caminhava para minha sala.

- Realmente parece que as coisas estão em ordem por aqui.

- Claro que estão. Sou muito competente.

Assenti sendo seguido por ela até minha sala.

- Vamos lá. – disse me sentando em minha mesa. – Me passe a minha agenda do dia, por favor.

Lígia foi me dizendo sobre a reunião que eu teria para fechar um projeto que seria feito no Rio de Janeiro e sobre a inauguração do shopping que fui convidado junto com Lucas.

- Preciso mesmo ir? – perguntei fazendo uma careta. Não estava muito a fim de sair.

- Seria bom se fosse. – Lígia respondeu. – Já que você foi o arquiteto que projetou o shopping e quem ficou responsável por ele.

Suspirei.

- Tudo bem. Quando vai ser?

- No próximo sábado.

- Certo. – liguei meu computador e olhei para Lígia. – Você também vai né?

Ela riu e assentiu.

- Claro que vou. Nunca deixaria você e o Lucas sozinhos com um bando de mulheres solteiras. Vai que cometem uma loucura como da última vez.

Ligia se referia a besteira de termos levado quatro mulheres para um motel. Só que em minha defesa, eu não sabia que duas delas eram casadas. Lígia limpou nossa barra e ninguém ficou sabendo.

- Não sou mais assim. – disse simplesmente.

A compreensão atingiu Lígia e vi um sorriso em seus lábios.

- Ah, é verdade. Você agora está amando. – ela disse divertida. – Então só tenho que ficar de olho no Lucas. Aquele ali dá mais trabalho que você.

Balancei a cabeça.

- Essa raiva toda que você sente dele... Não sei não hein.

Minha secretaria fechou a cara na hora.

- Nem começa, Dominic. Vou trabalhar. – E saiu da minha sala batendo o pé.

Eu ri com isso. Esses dois viviam como gato e rato. Não me surpreenderia se qualquer dia desses os dois aparecessem de rolo.

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O dia passou rápido. Depois da reunião eu me fechei no escritório para olhar alguns projetos.

Confesso que durante todo o dia meus pensamentos me traiam e se focavam em uma certa garota de olhos verdes. Não conseguia tirar a Eloísa da minha cabeça e a cada hora eu me via tentado a ligar para ela, só para saber se estava tudo bem... E que saber? Vou fazer isso agora.

Peguei meu celular e na hora que fui destravá-lo, vi uma mensagem piscar na tela e meu coração deu um salto gigante no peito. Jurava que ele fosse sair pela minha boca, só de ler o nome de quem mandou.


De: Meu Anjo

Para: Dominic

Eu sei que combinamos sem mensagens, sem ligações e sem contato... Mas isso é impossível para mim. Não precisamos manter um relacionamento, mas gostaria de pelo menos conseguir falar com você, saber se está bem.... Ainda concordo com nosso ponto de vista sobre relacionamento a distância, mas queria manter você por perto. Pelo menos como amigo.... Claro, por enquanto.



Não contive o sorriso que apareceu em meu rosto no momento que terminei de ler...



De: Dominic

Para: Meu Anjo

Sabia que eu estava nesse exato momento pegando meu celular para dizer isso a você? Não quero ficar sem saber de você, muito menos sem ter noticias suas.... Eu quero mesmo poder te mandar mensagens quando tiver vontade e aceito com certeza manter uma “amizade” com você!

Claro, por enquanto!!!



Certo, não conseguiria mesmo me manter distante dessa mulher. Nunca. Nem em um milhão de anos. Ela estava impregnada em mim e eu não fazia questão nenhuma de afastá-la.

Ouço batidas na porta e guardo o celular.

- Entre. – ainda sorria com a mensagem que recebi.

- Que sorriso besta é esse? – perguntou meu queridíssimo amigo Lucas.

Fiz uma careta.

- Por que não está na sua sala trabalhando? – desconversei.

Meu amigo se sentou na cadeira a minha frente e sorriu.

- Vamos ter que conversar com o Leandro, se esqueceu?

Suspirei.

- Na verdade, tinha sim me esquecido.

- Mas antes, me diga... Que sorrisinho era aquele?

Dei de ombros.

- Não era nada.

- Era o amor da sua vida né. – ele chutou. – Só isso para você ficar todo sorridente assim.

Me levantei e peguei a chave do meu carro.

- Vamos logo, Lucas. – e saímos da minha sala, com meu amigo rindo atrás de mim.



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