Quando menos esperamos
28 CAPÍTULO 28
Acordei às 7:00 e já sentia a angustia bater em meu peito. Levantei, fiz minha higiene matinal e voltei a me deitar na cama. Hoje era o dia.
O dia da minha partida. O dia que eu iria embora e deixaria o grande amor da minha vida aqui.
Nunca pensei que seria tão doloroso me afastar da Elô. Claro, sabia que doeria, mas não que chegaria a ser dor física. Meu coração parecia que ia ser arrancado do peito. A angustia que eu sentia era sem medida...
Ouço batidas na porta e me levanto para abrir e quando o faço a vejo ali, linda.
Eloísa vestia um vestido branco soltinho e florido, seu cabelo estava solto e tinha uma rasteirinha nos pés. Ela estava completamente angelical e não consegui fazer mais nada a não ser puxá-la para mim, selando nossos lábios enquanto fechava a porta do meu quarto.
Nunca me cansaria de beijá-la. Meu corpo ansiava por ela a cada segundo. Ela era como se fosse uma droga feita para me viciar e me deixar totalmente dependente dela e era exatamente assim que eu estava.
- Vou sentir muito a sua falta. – sussurrei nos seus lábios, enquanto caminhava com ela até minha cama.
- Eu também. Demais.
Sentia seus dedos em meu cabelo, acariciando e me deixando completamente maluco por ela. Cada toque, cada beijo... Fazia meu corpo entrar em combustão só de tê-la ali comigo.
- Me faça sua mais uma vez. – pediu e eu pude sentir as lágrimas descendo por seus olhos. Nossas bocas jamais se afastando uma da outra. – Me faça sua pela última vez...
Sorri e percebi que também estava chorando.
- Seu pedido é uma ordem, meu anjo.
E ali, a fiz minha mais uma vez. Pela última vez...
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Assim que chegamos ao aeroporto, despachei minha mala e não demorou muito para meu voo ser anunciado.
- Bom, meu filho... Espero que faça uma boa viagem e peço que, por favor, atenda a sua mãe, porque se não fizer isso quem vai escutar sou eu.
Eu ri do meu pai e o abracei.
- Pode deixar, assim que chegar na minha casa eu ligo para dona Clara.
Nos separamos e fui de encontro ao Esdras.
- Cuida da minha irmã. – disse o envolvendo em um abraço. Esdras era um cara legal e criamos uma certa amizade.
Ele retribuiu e falou um pouco mais baixo, para que meu pai não ouvisse.
- Pode deixar que vou cuidar das duas.
Respirei fundo, segurando as lagrimas que queriam cair. Me separei dele e olhei em seus olhos.
- Obrigado.
- Eu que te agradeço por trazer a alegria de novo para ela. – ele colocou a mão no bolso e retirou de lá um colar. Reconheci ser o colar que Elô usava no dia em que nos conhecemos. – Ela me mandou te entregar isso.
Peguei o colar e sorri. Tinha a inicial do nome dela. Olhei para meu cunhado assentindo. Sabia que se eu abrisse a boca para tentar falar não conseguiria conter as lágrimas.
PASSAGEIROS COM O VOO DESTINO A CURITIBA. FAVOR COMPARECER AO PORTÃO DE EMBARQUE.
- Chegou a hora, filho. Vai com Deus e assim que chegar, liga para a gente.
Me despedi mais uma vez e fui em direção ao portão.
Já dentro do avião eu só conseguia olhar para aquele pequeno colar que estava entre meus dedos. Todos os momentos que passei com a Elô vinham em minha mente e eu me via sorrindo entre as lágrimas. Nunca pensei que amaria alguém, ainda mais numa proporção tão grande assim.
No fim do ano, Gabriela vai noivar com Esdras e então eu a verei de novo. Esperarei por esse momento a cada segundo dos dias que passarei longe do amor da minha vida.
Olho pela janela do avião, vendo a cidade ficar cada vez menor e minha dor ficar cada vez maior.
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Não demora muito e o avião pousa no solo de Curitiba. Eu pego minha mala e já caminho para o portão de desembarque, procurando por Lucas.
Coloco o colar da Elô no bolso e olho para frente, no mesmo momento em que leio uma placa enorme com os seguintes dizeres: Vim buscar o homem mais apaixonado de Curitiba.
Revirei meus olhos e caminhei até ele.
- É sério isso, Lucas?
Meu amigo riu e me deu um abraço.
- Qual é. Sabe por quanto tempo eu esperei por isso? – disse me soltando. – Eu esperei pelo dia que veria você todo bobão apaixonado.
- Só não te dou a resposta que merece, porque não estou muito no clima.
Meu amigo viu que eu realmente não estava bem.
- Sinto muito, cara. – deu dois tapinhas nas minhas costas enquanto andávamos para fora do aeroporto. – Da pra ver que você não está legal.
Balancei a cabeça, não queria falar sobre isso agora.
- Então... Meu carro está inteiro ou você vai ter que me dar outro? – resolvi mudar de assunto.
Lucas riu.
- Está do mesmo jeito que deixou comigo. Só acrescentei umas rodas cromadas e uns LEDS embaixo do protetor de cart só pra iluminar de noite.
Olhei para ele.
- Você não é nem louco de fazer isso. – disse rindo. Lucas sempre gostou de velozes e furiosos. E por meu nome ser Dominic esse idiota fica me zoando.
- Qual é, cara. Ia ser muito legal. Você ficaria igual o Dominic Toretto.
Balancei a cabeça e entramos no estacionamento do aeroporto, já avistando meu carro.
- Me dê. – estendi minha mão.
Lucas tirou a chave do bolso da calça e me entregou. Assim que entramos no carro ele jogou aquele cartaz no banco de trás.
- Mas me diga, — começou ele. – Como é o namorado da sua irmã? Aprovou ele?
Manobrei o carro e sai do estacionamento, seguindo para minha casa.
- Sim. Esdras é um cara bem legal e ama muito a minha irmã.
- Esdras? – perguntou confuso.
- Sim.
- Que nome mais diferente.
- Mas ele é legal. É o que importa.
Lucas ficou em silencio por uns minutos, coisa que não é normal dele.
- Então... – começou e eu já sabia bem o que viria a seguir. – E a mulher que conseguiu a proeza de fazer você se apaixonar? Não vai me falar dela?
...
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