Quando menos esperamos
17 CAPÍTULO 17
Meu celular despertou as 5 da manhã.
Me levantei, tomei um banho, escovei os dentes e vesti uma bermuda leve e uma regata. Peguei as chaves do carro, a carteira e saí do quarto. Assim que fecho a porta do meu, vejo a Elô sair do da minha irmã.
Preciso dizer que ela estava linda? Usava um short Jeans desfiado e um tanto curto, uma regata branca e uma bolsa pendurada em seu ombro direito. Podia ver seu biquíni vermelho amarrado em seu pescoço e um chinelo da mesma cor do biquíni.
Quando ela se virou e me viu seu sorriso logo apareceu.
- Bom dia. – veio até mim e me deu um selinho rápido.
Sorri e a puxei para um beijo de verdade. Eu sei que não queremos falar nada para ninguém, mas eu não consigo não beijar ela.
Finalizei o beijo com alguns selinhos.
- Agora sim é um bom dia. – falei sorrindo.
Peguei sua mão, porque sabia que àquela hora, todos ainda estariam dormindo. Descemos as escadas e fomos para a cozinha.
- O que faz acordada? – perguntei indo até a geladeira e retirando algumas garrafas de água e frutas para levar comigo.
Eloísa se sentou na ilha que tinha no meio da cozinha.
- Você disse que íamos a praia hoje.
- Não pensei que fosse conseguir acordar. Fomos dormir tarde ontem.
Elô deu de ombros.
- Não costumo dormir muito. – disse vagamente.
Terminei de guardar as coisas na mochila e me virei para ela. Apoiando minhas mãos na ilha a sua frente.
- Por que? – estava curioso.
- Isso não é importante.
- Tudo o que diz respeito a você é sim importante. – digo sincero e talvez demonstrando mais do que deveria dos meus sentimentos por ela.
A vi sorrir, se levantar e se inclinar sobre a ilha para me dar um beijo.
- Não precisa se preocupar. – se sentou de novo no banco. – Para onde vamos? – mudou de assunto.
Pensei por alguns segundos, me perguntando se eu insisto ou se deixo assim por enquanto. Resolvi que não iria aborrecê-la com isso agora.
- Quero ir para Maresias. Vamos?
- Claro. – pulou do banco e veio para perto de mim. – Já peguei tudo e mando mensagem para a Gabi no caminho.
Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos. Eu ainda não parei para pensar no que estava acontecendo e a verdade é que nem sei se eu quero pensar sobre isso. Só vou aproveitar enquanto tenho esses momentos.
Eloísa e eu fomos o caminho todo conversando e ouvindo músicas. Como saímos cedo ainda não tinha trânsito então não foi tão complicado chegar em Maresias.
---
Eu me sentia renovado. Não me lembrava do quanto sentia falta de surfar. E fazer isso ao lado de alguém que você está completamente entregue, é ainda melhor.
Eu e a Elô passamos um dia incrível. Algumas pessoas passavam e olhavam pra gente achando talvez que fosse um dia de pai e filha, mas quando Eloísa me beijava eu conseguia ouvir os burburinhos.
- Isso não te incomoda? – perguntei quando já estávamos encostados em uma árvore com ela encostada no meu peito entre minhas pernas.
- Nenhum pouco. – disse convicta. – Incomoda você?
- Para ser sincero, achei que me incomodaria mais.
Elô fazia carinho na minha coxa e eu acariciava seu braço. Era tão bom ficar assim com ela. Sentindo seu cheiro, sua pele. Eu sentia que estava me apaixonando mais a cada minuto que passava com ela e isso me assustava. Eu não conseguia parar de pensar em como seria quando eu fosse embora. Como eu conseguiria ficar sem ela?
Eu sentia o peito apertar só de pensar sobre isso. Eu já estava totalmente dependente de uma menina mulher de 16 anos. Como pode uma coisa dessas? Eu nunca tinha me apaixonado antes e agora não sei o que fazer. O maior problema para mim agora é a distância. Não vou conseguir me distanciar dela.
- No que está pensando? – perguntou de repente.
Pensei se falava a verdade ou se mentia. Não fazia sentido esconder nada dela então...
- Em como vai ser quando eu for embora.
Eloísa se endireitou e virou para mim e eu também me sentei, meu rosto ficando a centímetros do seu.
- Tenta não pensar nisso agora. – ouvi uma pontada de dor em sua voz. – Vamos deixar para nos preocuparmos perto da data da sua partida. – ela depositou um beijo em meus lábios. – O que acha?
Agarrei sua cintura e a trouxe para mim, fazendo-a rir.
Já estava no fim de tarde quando resolvemos pegar a estrada de volta.
Minha mãe e minha irmã tinham ligado umas vinte vezes. E as vinte vezes eu dizia que estava tudo bem.
Eu até entendo. Eloísa é menor de idade, não tem um responsável dela presente e ainda com um homem que nunca tinha visto na vida...
Quando estacionei o carro em frente à casa dos meus pais, Gabriela e Esdras já vem ao nosso encontro.
- Meu Deus. Por que não atendem a porcaria do celular? – Gabriela estava nervosa abraçando a Elô. – Quase que eu mando a polícia procurar vocês.
Revirei os olhos e tirei a prancha e a mochila do carro.
- Que exagero, Gabriela. – Disse. Já que eu atendi TODAS as ligações dela.
Deixei as coisas na garagem e voltei para minha irmã. Esdras estava o seu lado balançando a cabeça e rindo do estardalhaço da minha irmã.
- Exagero nada. – puxou a Elô para dentro de casa. – E posso saber o porquê de os dois bonitos terem ido a sei lá onde sem avisar?
- Eu disse que sairia cedo. – Me defendi. – A Eloísa era a única acordada. Arrumamos as coisas e fomos.
Minha irmã apertou um pouco os olhos tentando sondar alguma coisa.
- E foi bom? – era pra ser uma pergunta inocente, mas não foi. Uma porque foi sim muito bom, mas por outros motivos que não envolvam o mar. E outra porque eu sabia que a Gabi estava desconfiada.
- Foi. – Elô respondeu. – Eu no surf sou uma negação, mas seu irmão surfa muito bem.
- Dominic sempre foi mais atlético do que eu. Nunca tive muita paciência. – minha irmã deu de ombros.
- Por isso não conseguiu acordar na hora combinada. – passei pela Elô sem demonstrar nada, como era nosso combinado. Beijei o topo da cabeça da minha irmã – Vou tomar um banho e capotar. – me virei para os três. – Tenham um boa noite.
Subi para meu quarto, tomei um banho e caí na cama já pegando meu celular na cabeceira da cama e mandando uma mensagem para a Elô. Tinha pegado o número dela hoje.
De: Dominic
Para: Meu anjo
Espero que tenha uma boa noite, meu anjo.
Não demorou muito e ouvi meu celular apitar.
De: Meu anjo
Para: Dominic
Com certeza eu terei.
Boa noite, meu príncipe.
Eu sorri. Ela me chamou umas duas vezes de príncipe ontem e estranhamente eu gostei. Apelidos carinhosos são um dos passos do relacionamento.
Quando eu poderia imaginar que minha viagem para cá iria virar meu mundo de cabeça para baixo.
Estou aqui há dois dias e já me apaixonei por uma pequena menina mulher e estou me envolvendo com ela, que para ajudar é menor de idade. Tudo isso já aconteceu em apenas dois dias, imagina o que não vai acontecer nos outros 28. É bem capaz de eu acabar casado com a Eloísa. Bom, se dependesse de mim...
Ri com meus pensamentos. Quem diria, eu pensando em me casar.
Foi com esses pensamentos que eu mergulhei na escuridão. Com uma lembrança de um sonho em que eu e a Elô tínhamos nossa casa e nosso filho.
...
Fale com o autor