- Gente? – ouvi a voz da Gabi nas minhas costas. Me virei e vi seu sorriso nada discreto. – O que vocês acham de voltarmos para casa e acendermos a fogueira no quintal mesmo? – Sugeriu. – Bebemos tudo o que compramos e vamos até de madrugada acordados tocando violão.

Gostei da ideia. Ainda mais em saber que Eloísa ficaria em casa.

- Por mim tudo bem. – Eloísa concordara.

- Ótimo, então vamos. – Gabi olhou no relógio. – São 20:00. Não tem trânsito.

- Pelo menos isso. – murmurei.

Pois é. Saímos às 13:00 com destino praia brava; 17:30 saímos do transito que tínhamos entrado as 13:00; desistimos da praia – porque tinha ficado tarde – e fomos para o mercado. Saímos do mercado às 19:00; fomos embora do mirante às 20:00. E agora estamos chegando em casa às 20:25 sem eu ter ido pegar onda. Amanhã vai ser melhor. Vou me programar para ir cedo.

Descemos do carro e descarregamos as compras. Resolvi deixar a prancha ali mesmo porque sairia cedo, então não valeria a pena tirar.

Arrumamos tudo e acendemos a fogueira no quintal de casa.

Eu e a Eloísa conversávamos sentados em uma manta no chão em meio a risadas, até que em determinado momento eu me vi sozinho com ela. Minha irmã e Esdras sumiram.

- Parece que nos abandonaram. – falei apontando para onde eles estavam antes.

Eloísa desviou o olhar e riu.

- Eu não notei. – voltou a me olhar.

- Nem eu. – respondi.

Peguei meu violão que estava apoiado na cadeira e o coloquei em meu colo.

- Olha, faz muito tempo que não toco. – digo dedilhando os dedos pelas cordas para ver se estavam afinadas e era com satisfação que eu vi que estavam. – Então se ouvir alguma desafinação, ignore.

Eloísa riu e assentiu.

Uma música veio em minha cabeça e meus dedos foram dedilhando antes que eu pudesse pensar.

- E pra deixar acontecer /A pena tem que valer / Tem que ser com você – comecei. — Nós, livres pra voar / Nesse céu que hoje tá tão lindo / Carregado de estrelas / E a Lua tá cheia refletindo o seu rosto – meus olhos não desviavam dos dela. - Dá um gosto de pensar / Eu, você e o céu e a noite inteira pra amar – enquanto cantava eu pude ver seus olhos brilharem e então ela começou a cantar junto comigo. - E quando o Sol chegar / A gente ama de novo / A gente liga pro povo / Fala que tá namorando / E casa semana que vem.

- Deixa o povo falar / O que é que tem? / Eu quero ser lembrado com você / Isso não é problema de ninguém / Eu quero ser lembrado com você / Isso não é problema de ninguém. – Fui diminuindo as notas e finalizei. — E pra deixar acontecer / A pena tem que valer...

Depois de terminar a música um silêncio confortável se instalou... e mais uma vez uma música refletia tudo o que eu sentia.

- Eu gosto dessa música. – Eloísa quebrou o silêncio.

Sorri e coloquei o violão deitado ao meu lado, ergui meu joelho, passando o braço em volta dele.

- Eu também. – respondi.

A morena a minha frente estava a apenas alguns centímetros de mim. Se eu me aproximasse mais um pouco eu poderia sentir o sabor dos lábios dela.

- Posso te pedir uma coisa? – ela perguntou com uma expressão bem determinada.

- Claro.

A vi se ajeitar e sentar sobre seus joelhos.

- Não pense em nada. – disse somente isso. E então se debruçou sobre mim e me beijou.

O que estava se passando na minha cabeça agora? Nada. Fiz exatamente o que ela me pediu, não pensei em nada. Não pensei na diferença de idade, não pensei no namoro dela, não pensei que isso poderia trazer sérias consequências.... Eu não pensei. Simplesmente retribuí aquele beijo que eu estava louco para sentir desde a hora que eu coloquei meus olhos nela.

No começo foi apenas um roçar de lábios, mas assim que senti a textura daquela boca, não resisti. Levei uma mão para seu cabelo e a outra para sua cintura, a puxando para mim o tanto que a posição que estávamos me permitia.

Lentamente fui deitando-a sobre a manta que estávamos e o beijo foi ficando mais e mais intenso. Beijar ela é como estar no paraíso.

Definitivamente se tornou meu vício.

Minha mão se infiltrou em sua saída de praia azul que ela ainda usava. Quando ouvi um gemido sair da sua boca na hora que minha mão encontrou sua pele desnuda da barriga, foi aí que minha ficha caiu. Estamos fazendo tudo errado.

Fui diminuindo a intensidade do beijo, mesmo a contra gosto.

Quando nossos lábios se separaram, nossas respirações estavam ofegantes. Vi que estava deitado sobre seu corpo pequeno, apoiado no braço direito, retirei uma mecha do seu cabelo que havia caído no seu rosto e vi seus lábios vermelhos por conta do beijo e isso só me fez querer beijar ela de novo.

- Você sabe que isso é loucura, não é? – perguntei num sussurro. Não queria pensar nisso agora, mas era impossível. Eu estava muito apaixonado por essa garota e infelizmente sei que as coisas vão ficar ruins para mim. Não em questão de ser muito mais velho que ela, nem do que as pessoas vão pensar, o que me deixa apreensivo é não saber o que vai acontecer com nós dois. Se é que vai existir “nós dois.” Se dependesse apenas de mim, com certeza teria.

Eloísa pegou minha mão que estava em seu rosto e levou aos lábios, beijando-a.

- Loucura por quê? – perguntou simplesmente.

Me obriguei a sair de cima dela e deitar ao seu lado, olhando para o céu estrelado em cima de nós.

- Você namora. – comecei a pontuar. – Eu moro longe. – a olhei de lado. – E sou 20 anos mais velho que você.

Eloísa se virou e deitou sobre mim. Cruzou suas mãos em meu peito e eu automaticamente abracei sua cintura. Parecia tão certo ter ela ali.

- Não tenho mais namorado. – ela falou e me mostrou seu dedo que tinha notado estar sem a aliança. – E vamos só aproveitar. Vamos ver no que vai dar... depois nos preocupamos com isso. Um romance nas Férias.

Não podia acreditar que ela estava mesmo querendo ter algo comigo. Tudo bem que para ela poderia ser só um romance passageiro, mas para mim.... Ela seria para sempre o grande amor da minha vida. E eu não estou sendo emocionado. Essa é a realidade.

- E a questão da idade? – perguntei.

Vi uma de suas sobrancelhas arquear.

- Idade é apenas um número. – disse como se fosse obvio. – Conheço pessoas de 70 anos que são como as de 20 e ao contrário também. – ela sorriu, mas logo ficou mais séria. – Não faça isso.

- Fazer o que?

- Não tenta sufocar isso que está acontecendo aqui. – disse com muita seriedade. – Eu gostei de você desde o momento em que te vi. – só tinha sinceridade em suas palavras. – Eu não me importo com o que pode acontecer, eu só quero aproveitar algo bom que está acontecendo comigo. Depois de tanto tempo.

Aquelas palavras foram como um tapa na minha cara. Ali estava ela, uma garota de 16 anos, determinada e correndo atrás daquilo que queria. E eu não a negaria isso. Eu ficaria com ela até o momento dela não me querer mais.

Puxei seu rosto para selar meus lábios nos dela mais uma vez naquela madrugada.

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Eu e a Elô ficamos conversando, nos conhecendo e nos beijando. Era viciante beijá-la. Exatamente como eu achei que seria.

Entramos e depois de mais alguns beijos de despedida, a vi entrar no quarto da Gabi com um sorriso.

Fechei a porta do meu quarto e me atirei na cama, não acreditando no que estava acontecendo.

Foi ela que pediu para tentar algo. Ela quis ficar comigo. Um romance nas férias, como ela mesma chamou... isso poderia significar alguma coisa, não é? Estava me sentindo um adolescente de novo. Nisso que dá se apaixonar por uma. Ri desse pensamento.

Não sei como vão ser as coisas amanhã, mas espero que seja tão boa como foi hoje.

Combinamos de manter isso entre a gente. Não vamos envolver mais ninguém. Vamos aproveitar enquanto ainda somos só nós dois. Porque tenho a impressão de que se souberem do nosso envolvimento, será caótico.

Me levantei, afastando esses pensamentos, tomei um banho rápido, coloquei uma bermuda do pijama, deitando na cama sem camisa mesmo. Estava muito calor, mesmo com o ar condicionado ligado.

E foi pensando naquela garota de cabelos pretos e olhos verdes que eu dormi.



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