Quando menos esperamos
6 CAPÍTULO 06
Notas iniciais
O resto do caminho fomos conversando sobre várias coisas. Me perguntaram como eu estava lá no trabalho.... Disse que tudo estava ótimo, mas minha mãe insiste em perguntar se eu não estava namorando ninguém.
Não falei sobre a Lígia para dona Clara, até porque não tinha o que contar. Eu estava muito bem, não precisava casar e nem achar ninguém. Por mais que minha mãe pense o contrário. Acho que mãe sempre vai ser igual. Só muda o nome e o endereço.
Estávamos chegando na casa que sempre morei, desde pequeno. Meus pais moravam no Litoral de São Paulo, então demoramos um pouco para vir do aeroporto para Caraguatatuba. A casa era em um local mais afastado, grande e de frente para o mar. Eu sempre amei morar aqui e confesso que no começo foi difícil me adaptar a Curitiba, mas agora amo como se eu tivesse nascido lá, porém não se comparava a abrir a janela do quarto e encontrar essa imensidão azul.
- Sua prancha ainda está guardada. – meu pai sorriu para mim, assim que estacionou, sabendo minha paixão pelo surf.
Sai do carro feliz, abri a porta para minha mãe e peguei minha mala.
- Vem, deve estar com fome. – minha mãe veio me puxando para dentro.
Assim que adentrei a casa, vejo um vulto correr para mim e me abraçar bem forte.
- Nick.
Sorri com meu apelido.
- Irmãzinha. – a abracei de volta e a tirei do chão. – Que saudade de você, baixinha. – Coloquei de volta no chão, dando um beijo em sua testa. – Deixa eu te ver. – Peguei em suas mãos e a afastei um pouco. – Não acha que esse short está muito curto não? – Franzi o cenho.
- Ai senhor. – Gabi riu. – Ainda ciumento, Nick?
- Sempre. – Ri.
Minha mãe e meu pai estavam abraçados e sorrindo, olhando nós dois.
- Que maravilhoso ver minha família reunida de novo. – Minha mãe já tinha lágrimas nos olhos.
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Deixei minha mala no meu quarto – que ainda estava intacto desde que eu fui embora há 10 anos – e passei o restante da tarde conversando com a Gabi. Meu pai teve que voltar para seu escritório de arquitetura que ele tem aqui na cidade e mamãe foi comprar umas coisas no centro cidade.
- Então, irmãozinho... – começou Gabriela. – Quando vamos conhecer uma namorada sua?
Revirei meus olhos e me arrumei no sofá sentando de lado e colocando um braço apoiado na cabeceira dele.
- Não estou namorando. – Falei simplesmente.
- Jura? – Fingiu surpresa. – Não me diga... – começou a rir. – Não sei que aversão é essa em compromisso.
- Não é aversão, Gabi. Só não encontrei ninguém ainda. – Dei de ombros.
- Dominic. – Começou séria. – Eu sei que você tem seus casinhos, irmão..., mas você não pode ficar assim para sempre. Se divertindo aqui, saindo com outra ali... – olhou no fundo dos meus olhos. – Não quer se casar? Ter filhos?
Sem querer, imagens do sonho que tive no avião preencheram minha mente. A casa. O bebê. A mulher. Ela parecia bem mais nova que eu, mas ainda assim me chamava de amor. Como se eu realmente fosse o amor dela. E por incrível que pareça, não fiquei incomodado com aquilo. Eu gostei de ouvi-la me chamando assim.
- Nick?
Sai do meu devaneio quando senti Gabriela cutucando meu braço.
- Hum?
- Ficou distante de repente.
Balancei a cabeça.
- Nada. Mas me diz.... – melhor mudar de assunto. – Que namoro é esse que está acontecendo há 6 meses e você já quer casar?
Vi um sorriso bobo aparecer em seus lábios.
- Eu o amo. – Falou simplesmente.
- Como sabe que não é só fogo de palha?! Você é muito nova ainda. – Tentei entender.
Gabriela se endireitou e começou a falar com os olhos brilhando.
- Ele é incrível. Eu sei que o amo. Nada no mundo me faz mais feliz do que vê-lo. Ele me trata como se eu fosse a mulher mais linda do mundo e como se eu fosse única. Aceita meus defeitos, ama minhas qualidades. Sonha em ter um futuro comigo, em casar, ter filhos... eu não... – parou por um instante e agora olhava para mim sorrindo. – Não imagino viver uma vida sem ele comigo.
Ouvi tudo atentamente e cheguei a uma conclusão.
- Perdi minha irmãzinha.
Gabriela começou a rir e bateu de leve no meu braço.
- Vamos a praia? – Gabi sugeriu.
Nos levantamos e caminhamos para o quintal de casa, que dava para a areia da praia depois de passarmos por um portãozinho.
Nos sentamos e ficamos em silencio. Apenas aproveitando esse momento.
Por anos, antes de me mudar para Curitiba, eu vinha e me sentava nesse mesmo lugar. Olhava para o mar e eu me perdia em pensamentos.
Há anos atrás, eu pensava em ter uma grande carreira de sucesso na área de arquitetura, e graças a Deus consegui. Pensava em ser bem-sucedido, também consegui. Queria minha independência, consegui... agora sentado aqui e olhando esse mar calmo e pensando em como estava minha vida profissional, percebi que faltava alguma coisa – algo importante – mas não sabia dizer exatamente o que era. Na verdade, depois do sonho que tive eu percebi que o que faltava era ela, a mulher que ficava invadindo meus pensamentos desde o avião.
Depois de mais uma hora só olhando o mar a minha frente, Gabriela disse que precisava entrar para ligar para o namorado.
Fiquei aproveitando mais um pouco, quando olho para o lado vejo Amanda vir caminhando na minha direção.
Me levantei com um sorriso no rosto.
- Não acredito. – Gritou ela e correu para me abraçar.
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