Quando menos esperamos
7 CAPÍTULO 07
Amanda era uma grande amiga que eu tive na infância. Passamos a adolescência toda juntos. Era uma mulher linda. Cabelos cacheados, pele negra, olhos um pouco puxados.
- Continua linda. — Falei me afastando dela com um sorriso. Vendo-a com um short e a parte de cima de um biquíni verde.
- E você sempre galanteador. — Dei de ombros. — Veio para ficar?
Balancei a cabeça e voltei a me sentar. Ela fez o mesmo.
- Não. Só passando as férias.
- Que pena, seria bom ter meu amigo de volta. — Falou empurrando de leve meu ombro com o seu.
Passei meu braço em volta do seu ombro.
- Mas e aí, casou? — Perguntei vendo a aliança em seu dedo anelar.
Ela seguiu meus olhos e sorriu.
- Pois é. — olhou para mim. — Já que você não quis se casar comigo, achei alguém que quisesse.
Eu ri.
- Não é que eu não queria...
- É que você não me amava assim... Eu já sei.
Beijei o topo da sua cabeça.
- Mas e ele.... Eu conheço?
Amanda assentiu.
- O Kaleb.
A olhei surpreso.
- Sério? — mais uma vez ela assentiu. — Olha, só... quem diria... vocês viviam igual cão e gato.
- Pois é... Era amor reprimido.
Conversei com ela mais um pouco sobre o passado, sobre as novidades... Era bom conversar com ela. Amanda foi meu primeiro tudo. Primeira amiga. Primeiro beijo. Primeiro sexo... Só não foi meu primeiro amor. Esse eu duvido muito que vá achar.
Depois que nos despedirmos eu entrei e fui tomar um banho, pois hoje teria um jantar aqui em casa com a família do Esdras e eu finalmente conheceria o namorado da minha irmã.
Ouço meu celular tocar assim que saio do banheiro do meu quarto. Vou até a cama e vejo quem está me ligando.
- Estava demorando. — atendi já sabendo que ia ser xingado.
- Cara, qual a dificuldade de atender uma ligação e dizer "Alô, boa noite. Em que posso ajudar"? — não disse que Lucas ficava bravo quando a pessoa não atende o celular com um cumprimento.
- Alô, boa noite. Em que posso ajudar? — repeti exatamente o que ele disse.
- Vai se foder, Dominic. - eu ri. — Já peguei sua chave do carro com a Lígia. Vou te devolvê-lo intacto, pode deixar.
- Vai mesmo. — concordei. — Senão vai ter que me dar um carro novo.
Lucas riu.
- O pior é que eu sei disso. Então, como foi chegar em casa depois de tantos anos?
Coloquei no viva-voz e fui para minha mala, pegar uma roupa para o jantar.
- Foi bom. Ver meus pais e minha irmã foi muito bom, na verdade. Senti falta deles.
Comecei a me trocar.
- Já viu alguma gata aí?
Eu dei risada enquanto passava meu perfume.
- Você só pensa nisso? Acabei de chegar, cara.
- Ah, já faz a ronda. Duvido que você fique aí tanto tempo sem sexo.
- Não me chamo Lucas.
- Não mesmo, se chama Dominic Miller, o que é muito pior. — e o filho da mãe riu. — Já conheceu seu cunhado?
Peguei meu celular e tirei do viva voz, colocando no ouvido e saindo do quarto, já caminhando para o andar de baixo.
- Estou indo lá agora. Temos um jantar com as duas famílias.
- Boa sorte, meu amigo. A gente se fala depois.
- Até mais. E cuidado com meu carro. — o ouvi rir antes de desligar. Dá até medo dessa risada dele.
Já estava no meio da escada indo para o andar de baixo, quando ouço vozes vindo de lá.
- Que bom que pôde vir, Elô. — minha irmã falou contente com alguém.
- Só você mesmo para me fazer vir da Ilhabela até aqui. Sabe como é que está a balsa? — ouvi traço de riso naquela linda voz, e por incrível que pareça, era uma voz familiar.
Terminei de descer e pude ver quais eram as pessoas que haviam chegado.
Um homem alto, parecia ter seus quarenta e poucos anos, cabelos grisalhos e algumas marcas de expressão denunciavam a sua idade, provavelmente o pai do namorado da minha irmã. Ao lado dele estava uma mulher ruiva, pele clara e aparentava ser mais nova que o homem. Tinha poucas sardas no rosto e o olhar pousava sobre o marido com carinho. O rapaz, que deduzi ser Esdras, estava com o braço em volta da cintura da minha irmã e com um sorriso bobo no rosto.
Foi quando meu olhar recaiu sobre uma pessoa que estava naquela sala que eu jamais poderia imaginar se encontrar aqui na casa dos meus pais.
Era ela.
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