Quando menos esperamos
5 CAPÍTULO 05
Quando cheguei ao aeroporto já estava na hora de despachar minha mala. Quase perdi a hora, já que estava meio ocupado com a Lígia.
SENHORES PASSAGEIROS COM DESTINO SÃO PAULO. POR FAVOR, DIRIJAM-SE AO PORTÃO DE EMBARQUE. SENHORES PASSAGEIROS COM DESTINO SÃO PAULO, DIRIJAM-SE AO PORTÃO DE EMBARQUE.
Era minha deixa.
Depois de já estar dentro do avião, coloquei meus fones de ouvido e resolvi descansar um pouco, já que ficaria mais de uma hora aqui.
SONHO ON
“Eu estava em uma casa com um lindo jardim. Nunca tinha visto antes...
A casa era branca, dois andares, uma árvore com um balanço e seus galhos eram tão grandes que cobria com sua sombra a entrada da casa, onde eu conseguia ver a silhueta de uma mulher. Pude ver que ela estava estendendo a mão para mim. Automaticamente sorri e caminhei até ela, já sentindo uma sensação muito gostosa no peito, como se eu finalmente estivesse em casa. Como se finalmente eu estivesse completo.
Quando fui chegando perto, pude vê-la de verdade...
Cabelos pretos e ondulados, olhos verdes, baixa, pele clara. Ela era linda. A mulher mais linda que eu já tinha visto. E nessa hora, quando meus olhos encontraram com os dela, eu pude sentir algo que eu nunca senti antes. Um sentimento muito forte me atingiu e isso me assustou. Eu não queria mais sair dali.
- Oi, meu amor. – Disse me dando um leve beijo nos lábios. – Você demorou, ele já estava impaciente. – Apontou para um garotinho que era igualzinho a mim.
- Papa. – disse um garotinho de cabelos pretos iguais aos meus e olhos verdes iguais aos da mulher a minha frente. Ele estava no meio de muitos brinquedos e quando me viu estendeu os bracinhos pequenos. ”
SONHO OFF
Acordei assustado olhando para todos os lados, constatando que eu ainda estava no avião que se preparava para pousar. Estranhamente eu senti uma sensação de vazio, uma sensação bem ruim e diferente da sensação de estar completo que eu senti há uns minutos enquanto estava sonhando.
Retirei o fone de ouvido e passei a mão sobre o rosto. Que sonho maluco. Como assim “papa”. Quem era essa mulher?
Senhores passageiros, afivelem seus cintos, já vamos pousar.
Afivelei meu cinto, ainda pensando no sonho estranho que tive.
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Assim que o avião pousou, eu saio e começo a caminhar pelo portão de desembarque já com minha bagagem.
Pude ver de longe minha mãe, sorrindo linda e meu pai, ainda com o olhar apaixonado para minha mãe.
- Filho. – Gritou dona Clara.
Veio em minha direção e se jogou nos meus braços.
- Que saudade, mãe. – Disse sincero sentindo seu perfume. Senti falta disso.
Ela se separa de mim com um sorriso e lágrimas nos olhos. E então deu um tapa em meu braço.
- Estava nada, seu ingrato. – Passei a mão no braço onde ela bateu. – Se sentisse saudade vinha me visitar mais vezes.
Dei um beijo na sua testa e sorri.
- Ah mãe, sempre nos falamos por vídeo chamada.
- Não é a mesma coisa. – Disse emburrada.
Meu pai veio caminhando e sorrindo.
- Oi, meu filho. – Me puxou para um abraço. – Sabe que sua mãe é dramática. – Se afastou de mim e abraçou minha mãe.
- Olha lá como fala, Pedro. – Minha mãe reclamou.
Sorri de felicidade.
- Como senti falta disso. – Disse pegando minha mala, passando meu braço pelos ombros da minha mãe e meu pai foi do meu outro lado enquanto caminhávamos para fora do aeroporto. – Cadê a Gabi? – Perguntei sentindo falta da minha irmã.
- Está com o Esdras. – Disse meu pai fazendo uma careta.
Pelo visto meu pai não gosta do menino.
- Esdras? – Perguntei.
- Namorado dela, meu filho. – Dessa vez foi minha mãe. – Ele é um bom rapaz, seu pai que tem ciúmes da sua irmã.
Chegamos no carro e minha mãe me obrigou a ir na frente para conversar comigo me olhando. Enquanto ela vinha no meio dos bancos. Vai entender.
- Mas pai... – comecei quando ele colocou o carro em movimento. Eu não sabia mais andar em São Paulo. – Por que não gosta dele?
Vai que o garoto é um perturbado.
- Não é que eu não goste dele. É um bom rapaz. Trabalhador, estudioso... Só acho que esse namoro está muito sério e muito rápido.
- Rápido como? – Perguntei curioso.
- Eles disseram que vão ficar noivos nas festas de fim de ano. – Disse minha mãe simplesmente.
- O QUÊ?! – Gritei sem querer. Isso é daqui há 5 meses. – Como assim? Há quanto tempo eles estão juntos?
Minha mãe revirou os olhos.
- Seis meses.
- E já vão noivar? – Disse indignado. – Como assim? Mãe, como que a senhora deixa uma coisa dessas?
- Eu falei para ela. – Concordou meu pai.
- Vocês dois são muito ciumentos. – Disse se recostando no banco de trás. – Ela está feliz, conheço os pais do rapaz, a irmã dele é um amor de menina, a família toda é incrível, então sim... faço muito gosto nesse noivado. – Disse simplesmente, como se estivesse falando que estava sol. – Sem contar que ele trata sua irmã como uma rainha. É tudo o que eu mais queria... um rapaz bom e amoroso para minha filha e uma moça linda e amorosa para meu filho.
Epa. Começou.
- Mãe, não começa não. Por favor.
Meu pai riu.
- Não comecei nada, Dominic. Só estou dizendo que já está na hora de você se casar, ter filhos.... Eu quero netos. – de repente a imagem do sonho veio na minha cabeça e eu balancei a cabeça para afastar.
- Não mãe... estou bem assim.
- Sua irmã é mais nova e já vai noivar. – disse simplesmente.
- Porque é doida. – eu murmurei, mas acho que minha mãe ouviu, porque ela me deu um tapa na cabeça.
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