Acordei no sábado bem cedo. Meu voo estava marcado para as 15:00, mas como ontem eu fiquei entretido com a mulher que agora dormia nua tranquilamente na minha cama, não consegui arrumar minha mala para a viagem.

Ouço meu celular tocar na sala e vou ver quem era.

- Fala. – atendo.

- Bom dia para você também, ignorante.

Eu ri do Lucas. Ele odiava quando a pessoa falava com ele sem nem sequer dar um Olá, Oi, bom dia, boa tarde ou boa noite antes.

- Você anda bem sensível né, Lucas. O que acontece com você? – retornei para a cozinha me sentando de novo na mesa para tomar café.

- Vocês que não sabem lidar comigo.

- Bom dia, Lucas. – respondi por fim. – Diga, o que foi?

- Cara, já que você vai ficar um mês fora, você bem que poderia deixar seu carro comigo né. – sabia que ia pedir alguma coisa. – O meu ainda não ficou pronto e do jeito que o mecânico é enrolado, acho que vou ter que acionar os advogados para ele, mas até lá não posso ficar a pé.

Lucas teve um acidente há uns 2 meses e até agora nada do carro dele ficar pronto. Os mecânicos daqui eram bem... enrolados. Só queriam arrancar dinheiro e quando arrumam uma coisa, eles condenam outra. Isso porque era só para eles arrumarem a parte da roda que entortou, mas agora eles já emendaram uma peça do motor que não tinha nada haver. Meu amigo está pirando com isso.

- Eu já te disse para fazer isso, mas você me escuta? Não.

Ouvi Lucas resmungar do outro lado.

- Eu sei, vacilei, mas vou fazer isso mesmo se eles não me entregarem o carro em até 2 semanas. Vai deixar o seu comigo?

Suspirei, não poderia dizer não ao meu melhor amigo.

- Lucas Meireles, eu só vou te dizer uma vez. Se você fizer um arranhão no meu carro...

- Eu sei, eu sei. Você vai me castrar. Tô ligado já. Então isso é um sim? – já conseguia ouvir a empolgação na voz do meu amigo.

- Pode, Lucas. Vou deixar a chave com a Lígia, é só pegar com ela.

- Huuum... – conseguia ouvir a malicia na voz dele. – Já está com a Lígia aí? Caramba, você vai viajar hoje e já está com ela aí?

- Sabe como é, meu amigo. Vou ficar 30 dias fora. Não sei como vão ser as coisas lá.

Lucas riu.

- Você ainda vai se apaixonar nessa viagem. Escuta o que eu estou te dizendo. – ele disse isso tão sério que eu cai na risada.

Sério eu ri muito mesmo. Lucas sempre vem com umas dessas. Ele fica rogando praga para que eu me encantasse por alguém e ficasse com aquele olhar de idiota.

- Vai rindo, vamos ver quem ri por último.

Limpei uma lágrima que caiu do meu olho por conta do excesso de riso.

- Só você mesmo para me fazer rir logo de manhã.

Terminei de falar e logo vejo Lígia vir pelo corredor com a cara de sono e vestindo uma camisa minha. Preciso dizer que ela estava muito linda? Acho que não.

- Bom dia. – Disse meio sonolenta.

Eu ri.

- Bom dia, bela adormecida.

- Certo, minha deixa. – respondeu meu amigo do outro lado da linha. – Não esquece de deixar sua chave com a Lígia, eu pego mais tarde com ela. E boa viagem. Me liga quando chegar lá. – e desligou.

Assim que desliguei o celular eu olhei para Lígia.

- Você poderia ficar com a chave do meu carro para entregar ao Lucas? – perguntei enquanto a vi se servir de um pouco de café.

- Claro, mas vai mesmo deixar seu “bebê” – fez aspas no ar quando disse isso. – Com o Lucas?

Dei de ombros.

- É meu melhor amigo. E se ele der um arranhão no meu carro ele sabe que vai ter que pagar a pintura dele todo.

Lígia riu. Ela sabia o quanto eu era cuidadoso com meu carro. Era meu xodó.

- Que horas precisa estar no aeroporto? – perguntou depois de dar um gole na sua xicara.

- Duas horas antes, para fazer o check-in. – disse depois de tomar meu café puro e sem açúcar.

- Certo. Precisa de ajuda com alguma coisa? – Perguntou solicita.

Abri um meio sorriso safado para ela.

- Preciso.

Lígia riu, colocou sua xicara na mesa e se levantou, vindo até mim.

- Você é muito safado.