Notas iniciais
Olá pessoas lindas... A Elô vai contar um pouquinho da história dela com o Henrique... Não revela muita coisa, mas pode ser que acabe sendo um gatilho para quem já passou por relacionamentos abusivos, então... Já deixo avisado.

Eloísa pensou por mais uns instantes e foi com muita alegria que a vi assentir depois de olhar para o irmão que estava distante da gente.

- Vem. – A puxei para sentar em um banco de madeira que tinha ali. – O que está acontecendo?

Ela olhava para as mãos e notei que a aliança não estava mais em seu dedo. Isso me deixou feliz.

- Acho que se eu não falar com alguém eu vou mesmo enlouquecer. – ela parecia falar consigo mesma. – Eu e o Henrique começamos a namorar quando eu tinha 14 anos. – começou. – Eu sempre o conheci, desde pequeno. – Eloísa fez uma pausa e eu esperei pacientemente. – Ele sempre foi ciumento, mas nada muito absurdo. Depois de alguns meses de namoro o ciúme foi ficando mais e mais... intenso. – eu ouvia tudo atentamente. – Até que um dia eu estava conversando com um colega de classe e Henrique chegou me puxando pelo braço. – pude ver uma lágrima cair pelo canto do olho dela e segui minha mão para limpar. Pude vê-la sorrir triste e pegar minha mão, colocando em seu colo e brincando com meus dedos. Essa simples ação fez meu coração acelerar. – Ele estava com muito ódio. Eu conseguia ver no olhar dele. – ela balançou a cabeça. – Foi a primeira vez que esse ciúme doentio apareceu. – e me olhou. – Sabe por que eu e ele brigamos hoje? – balancei a cabeça em negação. – Por sua causa.

Certo, por essa eu não esperava.

- Por minha causa? – perguntei surpreso ainda com a mão na dela. Eu gostava muito da sensação.

- Sim. – disse simplesmente. – Ele acha que você pode me roubar dele. – ela balançou a cabeça e voltou a olhar para nossas mãos unidas. – Como se eu fosse um objeto para ser roubado. – murmurou.

Hum... não entendo como isso é possível.

- Ele sabe que eu sou 20 anos mais velho que você?

Eloísa me olhou assim que terminei a frase.

- E o que tem isso? – podia ouvir confusão em sua voz.

- Tenho idade para ser seu pai. – disse simplesmente.

Eloísa entrelaçou nossos dedos e deu uma risadinha descrente.

- Por favor, não me diga que você é uma dessas pessoas preconceituosas com idade.

Porque todo mundo fica achando normal um homem da minha idade com uma garota da idade dela? Estou começando a achar que essa estranheza toda só está na minha cabeça.

- Não sou... – olhei para minha irmã que ainda estava afastada de nós com seu namorado e voltei meu olhar para ela. – Só não consigo imaginar.

Mentira, imagino sim e muito.

- Eu consigo. – disse em um sussurro, mas eu consegui ouvir e muito bem. Foi com muito prazer que a vi ruborizar de leve.

Nesse momento eu prendi a respiração por uns instantes. Ela disse que se imagina em um envolvimento comigo? Isso não pode ser real.

Levei a mão que estava livre e coloquei uma mecha de cabelo que tinha caído no seu rosto atrás da orelha dela e deixando a mão repousar sobre as nossas.

- Você é incrível. – disse sincero. Eloísa voltou aqueles olhos verdes na minha direção. – Merece alguém digno de você. – e vi aquele brilho de novo nos olhos dela.

Naquela hora tudo tinha sumido. Eu só via a mulher a minha frente. Tentando memorizar cada parte daquele lindo rosto. Eu resolvi que não vou mais pensar em nada. Eu me apaixonei por essa pequena mulher e não vou ficar me remoendo por isso.

Eloísa em nenhum momento desviou os olhos dos meus. Eu estava completamente perdido.

Levei a mão ao seu rosto e acariciei, vendo-a fechar os olhos e se reclinar levemente para a mesma.

Eu estava com muita vontade de beijar essa garota, mas não posso fazer isso. Não é certo. Não digo mais por causa da idade, — já me conformei com isso – digo pelo namorado dela.

Henrique já fazia pressão psicológica nela demais para ter mais esse problema de beijar outro cara.

Me inclinei e depositei um beijo em sua testa. Por hora. E me afastei só para olhar seu rosto.

- Posso te fazer uma pergunta?

Ela abriu os olhos e endireitou a cabeça sorrindo.

- Claro.

Abaixei minha mão para a sua mais uma vez.

- Por que ainda está com o Henrique? – comecei. – Desculpe se é invasão, mas sei que vocês... – procurei a palavra certa. – Brigam bastante. – eu esperava não estar sendo muito invasivo, mas eu queria saber.

Notei que essa pergunta a pegou de surpresa. Não vi raiva, nem desconforto por parte dela. Eloísa apenas ficou me olhando e percebi que ela estava pensando sobre isso.

- Você o ama? – voltei a perguntar, mesmo com medo de ouvir a resposta.

A verdade é que eu queria entender o porquê de uma garota como ela ainda estar com um canalha como ele.

- No começo eu achava que sim. – Pareceu pensar e acrescentou mais para si mesma. – Até um dia atrás na verdade... – foi quase um sussurro, por isso eu não sabia se tinha entendido direito, resolvi deixar para lá por enquanto. – Mas agora eu vejo que não. – balançou a cabeça em negação. – Eu vejo que nunca o amei. – Constatou com a expressão um tanto surpresa.

Meu coração deu uma leve acelerada com essa informação.

- Então por que ficou com ele até agora?

Eloísa olhou para o mar antes de responder.

- Comodismo, eu acho. – Pareceu sincera.

- Esse é um péssimo motivo. – Comentei.

Com surpresa vi Eloísa rir.

- Concordo. – E me olhou. – Decidi que vou mudar certas coisas em minha vida. – E aquele brilho ainda estava nos lindos olhos verdes – Obrigada.

Franzi o cenho.

- Pelo que?

- Por estar aqui.

Essa frase tinha um peso bem grande para mim. Porque sei que ela não se referia ao fato de eu estar ali com ela naquele momento. Ela agradeceu por eu ter vindo de tão longe.

A verdade é que eu que tinha que agradecê-la por ter preenchido aquele vazio que eu sentia.



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