Quando menos esperamos
11 CAPÍTULO 11
Passei a noite inteira pensando no que Gabriela falou. Quando fui dormir já era muito tarde.
Eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu nunca fui desse jeito. Isso era até um problema nos relacionamentos que eu entrava. O término era sempre pelo mesmo motivo: amor. Eu me relacionava, começava a namorar, mas quando elas falavam em amor eu dizia a verdade. Que gostava sim, mas não amava.
Eu nunca menti para nenhuma delas. Eu nunca disse que amava nenhuma mulher que não fosse minha mãe ou minha irmã. Então para mim é estranho o fato de que uma garota de 16 anos desperta coisas em mim que jamais imaginei que sentiria. O pior de tudo é que eu gosto desse sentimento. É algo bom, ainda não sei dizer o que é, mas eu gosto.
Balancei a cabeça e me levantei da cama, saindo dos meus devaneios malucos. Fui para meu banheiro e resolvi tomar um banho gelado. Estava muito calor hoje e decidi que iria surfar. Fazia muito tempo que não fazia isso.
Depois do banho coloquei minha sunga, uma bermuda bege leve e uma regata branca, calcei meus chinelos e desci as escadas, indo para a mesa da varanda da casa. Minha mãe sempre gostou de comer olhando para o mar.
- Bom dia, família. — Disse assim que passei pela porta vendo meu pai, minha mãe e minha irmã já comendo.
Contornei a mesa e dei um beijo na cabeça de cada um dos três.
- Quase boa tarde, meu amor. — Minha mãe falou sorrindo para mim. — Dormiu bem?
Assenti pegando a garrafa de café. Realmente eu estava muito cansado.
- Dormi sim. — mesmo Isso não sendo verdade. Já que fiquei a noite toda pensando em uma morena de olhos verdes. Esse foi o real motivo de eu acordar tão atarde.
- Está com o semblante cansado, irmãozinho. — Gabriela deu um meio sorriso.
- Coisas do trabalho. — Tentei ignorar sua indireta.
Comemos em meio a risadas e conversas. Minha família sempre foi muito unida. Meus pais se conheceram ainda no colegial e estão juntos desde então. Eu acho lindo o jeito que ambos se amam.
- O que pretendem fazer hoje? — Perguntou minha mãe quando já estávamos na sala.
- Eu estava querendo pegar onda. — Falei. — Talvez ir na praia brava.
- Jura? — Gabi pulou do sofá ficando de pé com um sorriso gigante.
- É. Estou com saudade de surfar.
- Amei a ideia. — Concordou minha irmã. — Vou ligar para o Esdras e a Elô. — Começou a sair da sala. — Vai ser incrível... — ainda pude ouvi-la falar enquanto sumia pela porta.
Olhei para meus pais que estavam segurando o riso.
- Ela sabe que precisa fazer 15 minutos de trilha para chegar naquela praia, né?!
Meu pai deu de ombros.
- Deixe-a descobrir sozinha. — E começou a rir sendo acompanhado pela minha mãe.
Gabriela era zero por cento atlética. Eu surfava, ela ficava embaixo do guarda-sol mexendo no celular. Eu fazia corrida, ela vinha atrás com a bicicleta elétrica dela. Então eu sei que a Gabi não vai conseguir chegar na praia e que vai ficar estressada.... Pensando bem, vai ser bom, assim Esdras vai conhecer um pouco mais minha irmã.
Foi aí que eu me toquei que a Eloísa também ia. E foi com muito pesar que eu me vi feliz por isso.
- Já liguei para eles. — minha irmã volta depois de alguns minutos com o celular na mão. — Esdras está vindo e a Elô vai encontrar com a gente lá. — sentou no sofá e fez uma pequena careta de desgosto. — Henrique vai leva-la até lá.
Epa, não gostei.
- Quem é Henrique? — perguntei curioso como quem não quer nada.
Gabi me olhou.
- O namorado idiota dela.
- Gabriela. — repreendeu minha mãe. — Não fale assim.
- Mas ele é mesmo, mãe. — rebateu com convicção. — Tenho certeza que era ele naquele dia no barzinho enroscado na boca daquela loira.
- O que? — como é possível alguém sequer pensar em trair uma garota como aquela?
- Pois é, irmãozinho. Ele a trai. Tenho certeza, só não tenho como provar.
- Então... — começou meu pai. — Não se meta. A Elô é uma garota incrível e inteligente. Ela vai descobrir se algo estiver acontecendo.
Fiquei em silencio pensando que seu tivesse a sorte de encontrar alguém como ela, jamais a magoaria.
Balancei a cabeça com meu devaneio.
Para com isso, Felipe. Ela tem 16 anos. Coloca isso na sua cabeça. Idade para ser sua filha.
- Vamos? — perguntou minha irmã.
Olhei no relógio e estava marcando 13:30.
Me levantei de prontidão.
- Vamos. Só vou pegar minha prancha, a roupa de mergulho e a mochila.
Fui caminhando para a garagem, que era onde guardávamos nossas pranchas e caiaques, já que os carros nós deixávamos na frente de casa mesmo. Meu pai sempre foi assim e eu nunca entendi o porquê. Nós só aceitamos.
Depois de tudo preparado no Jeep do meu pai, Esdras chega em seu carro e estaciona ao lado do nosso.
- Oi, meu amor. — disse saindo do carro.
Gabriela correu e pulou no colo dele o beijando.
Limpei a garganta me fazendo presente enquanto terminava de prender a prancha no suporte do carro. Não quero ver a agarração da minha irmãzinha.
- Oi Dominic — percebi Esdras ficar meio envergonhado.
- Preparado para caminhar por 15 minutos? — perguntei divertido.
Gabriela me olhou na mesma hora alarmada.
- Como assim?
Esdras olhou para ela e franziu a testa.
- Ué, nós não vamos para a praia brava? — ela assentiu. — Então... tem uma trilha de 15 minutos antes de chegar na praia.
Gabi fez uma careta.
- Ah, não brinca. — olhou feio para mim. — 15 minutos, Dominic? Sério?
Dei de ombros.
- Queria ter ido para Maresias, mas acordamos tarde e não ia dar tempo. Iriamos chegar muito tarde lá. — desci de cima do carro e a olhei divertido. — A praia brava é mais perto.
Gabriela cruzou os braços, ainda com a cara emburrada.
- Não vou aguentar andar. Ainda mais de biquíni.
- Vai sim, amor. — ele a beijou nos lábios. — Vai ser divertido. Eu, você, Dominic e a Elô.
Interessante.
- Pelo menos o Henrique não vai.
- Minha irmã sabe que você não gosta dele e não convidou. Disse que seria um passeio entre irmãos.
- Vamos então? — perguntei já me direcionando para o lugar do motorista.
...
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