Quando Se Assume Um Sentimento
19 O verdadeiro plano do inimigo
Notas iniciais
— Eles pararam – Bruce avisa prestando atenção no mapa
— Não é muito longe daqui – Diana comenta atenta – Mas não consigo visualizar direito, é algum tipo de depósito?
O morcego ouve a pergunta e repara bem no desenho que surge no localizador, bem na posição onde está o carro de Savage. O que vê parece ser uma espécie de fábrica ou algo do tipo.
— É algo assim – responde pensativo – Daqui a pouco teremos certeza, estamos chegando
— Certo, só estou curiosa para saber o que Vendall está aprontando dessa vez
— Somos dois, mas sua curiosidade não será saciada princesa. Não esqueça que combinamos que somente eu sairei do carro – o morcego a lembra esperto
— Sei disso
Os heróis se mantêm em silencio por vários minutos e Bruce, atento ao transito nada pesado do horário, também não tira os olhos do mapa em seu computador de bordo. Agora que sabe até onde Savage foi, sente-se mais aliviado. Há alguns metros de distancia, o morcego visualiza um prédio abandonado. Com três andares, e acabamento mal feito, o mesmo até apresenta ainda as redes de segurança. Sem janelas, portas e nem nada do tipo, Bruce deduz que por não ter sido finalizado, o lugar é o ambiente perfeito para Vendall e seus comparsas. Antes de se aproximar do mesmo, o morcego para o carro encostado na calçada.
— É daqui que nos separamos – comenta para a princesa, que observa tudo – Me espere aqui, e mesmo que veja algo suspeito não saia do carro
— É aquele prédio ali – Diana diz mais para si mesma, pensativa – Tudo bem, mas tome cuidado... E pare de ficar me tratando como criança ou alguém incapaz, caso aconteça alguma coisa farei o que devo fazer
— Princesa, isso é muito sério. Já disse que não podemos...
— Arriscar minha identidade – ela finaliza a frase sem paciência – Sabe que Destino me deu uma palavra de comando para desfazer a magia por algum tempo quando quiser? Posso ter minha aparência novamente caso precise
— E não seria bom se soubessem que a Mulher Maravilha está por aqui – Bruce retruca friamente – Você não deve sair daqui porque ao todo seria ruim
— Certo Bruce – Diana desiste da discussão, respirando fundo
O morcego estreita os olhos, desconfiando que mesmo com suas palavras, a princesa é capaz de acabar fazendo o que não deve. Deixando isso de lado, afinal, não adianta se estressar com isso, Bruce abre um compartimento do seu lado do carro e pega dali uma latinha de spray, com inscrições tecnológicas em verde. Aperta o lado por onde o liquido da mesma sai, aproximando de seu rosto
— O que é isso? – ouve a pergunta da heroína a seu lado
— É um liquido modificador – Bruce responde depois de soltar bastante do produto em seu rosto – Ele cria ilusões nos olhos das pessoas, é ativado pelo olfato
— Como assim?
— Uma vez que você sente o que podemos dizer que é este perfume. Suas narinas enviam sinais diferentes para o cérebro, que logo, formula a visibilidade de uma maneira diferente
— Está dizendo que com isso as pessoas verão você diferente do que realmente é?
— Exatamente
— Bem interessante as invenções por aqui – a princesa comenta sorrindo – Realmente, já estou começando a vê-lo com outra aparência
— E bem úteis também – Bruce complementa calmamente – Essa mesma foi formulada por mim
— Mas é arriscado, uma vez que se está distante do alvo que quer pegar com a ilusão... Já que é ativado pelo olfato
— Não necessariamente, já que o alcance do cheiro é de vários metros a frente de quem está utilizando
Bruce guarda o spray no mesmo lugar e fecha o compartimento. Prepara-se para sair, e quando está prestes a abrir a porta do carro sente a mão de Diana em seu ombro
— Se alguma coisa acontecer com você...
— Pegue isso – o morcego não a deixa terminar a frase e lhe entrega algo que guarda no bolso – É uma espécie de comunicador, só que ao invés de ser auditivo é visual. Se me acontecer alguma coisa uma luz irá surgir nesse aparelho
Bruce observa a amazona olhando atentamente o objeto que foi entregue em suas mãos. O mesmo tem o formato de um morcego prateado, com vários leds pequenos nas laterais
— Mas mesmo que algo aconteça, o que é improvável, evite sair daqui. É para o seu bem – o herói complementa olhando para ela
— Você é muito seguro Bruce, mas existe a sorte e o azar – Diana retruca fitando-o também – É preciso se precaver, e eu não ganho nada de bom se algo te acontecer
— Não acredito nem em sorte e nem em azar, princesa – o morcego diz somente, ignorando a preocupação dela – Vou indo
Bruce abre a porta do carro e sai, fechando-a atrás de si. Sem olhar para trás, distancia-se do carro e pergunta-se o motivo de tamanha preocupação da princesa. Ele tem consciência que realmente é arriscado entrar no covil do inimigo assim, mas não acha que seja para tanto. Com certeza Diana não esconde que sente algo por ele.
— Vai mesmo me comunicar caso você fique em perigo, ou só disse isso para me impedir de ir atrás de você? – ouve a pergunta dela de seu comunicador de repente, enquanto caminha
— Que diferença faz? – ele questiona retoricamente – Deduza o que quiser
— Saiba que ao todo irei atrás de você caso demore demais
— Não quero que faça isso Diana, mas você é teimosa, não irei discutir. Vou desligar – Bruce retruca cortante e finaliza a ligação
Balançando a cabeça imperceptivelmente, o morcego continua caminhando fingindo estar perdido até o prédio. Olhando de um lado a outro para potencializar sua atuação, ele aproxima-se do mesmo rapidamente. O chão é de areia e de fácil rastro e percepção, isso não dá vantagem para o morcego. Como a entrada para o lugar não apresenta portões ou algum tipo de barreira, Bruce não encontra dificuldades e logo vê um carro estacionado próximo. Observa que o carro é diferente do anterior, não mais a limusine luxuosa, mas apenas uma picape velha e amassada. Acha isso interessante e estranho, e enquanto pensa em onde o outro carro está, já que seguiu o tempo todo o rastro dele, olha para cima sem erguer muita a cabeça. Não vê ninguém por parte alguma, mas sente a presença de pessoas quanto mais se aproxima.
Agora mudando seu disfarce de pessoa perdida para um espião secreto, Bruce entra em passos leves no prédio, subindo uma pequena escada de quatro degraus. Alcançando o primeiro andar, olha para dentro de canto, sem colocar sua cabeça e percebe que o ambiente está vazio. Entra rapidamente ali, no que deveria ser a sala de recepção e encosta-se a uma parede de cimento do lado da entrada. Tenta ouvir algum som dentro do prédio, mas em vão, não escuta nem mesmo o barulho dos carros na rua. Ele pode no momento escolher dois caminhos, o da direita, que dá para uma entrada larga e o da esquerda, que vai parar em uma escada com mais degraus que a anterior. Acima de Bruce, um grande buraco redondo dá a visão dos três andares do prédio, e de repente vozes começam a surgir.
O morcego, com sua incrível percepção tenta distinguir de onde as vozes, masculinas por sinal, estão vindo. Surpreende-se ao notar que as mesmas aproximam-se rapidamente pelas escadas e quando começa a ouvir passos descendo os degraus. Bruce sabe que não terá tempo suficiente para sair do prédio, e que inventar uma história não funcionara também. Como única solução pega um de seus bat objetos no cinto de utilidades, e ativa o mesmo apontando com a mão direita para o buraco no teto. Uma corda surge do apetrecho e a mesma é lançada até se fincar em algo sólido no andar de cima. O herói aperta um botão, segura firme o objeto e é puxado, no mesmo instante que as pessoas misteriosas alcançam o primeiro andar
— O que acha da idéia? – Bruce ouve um dos homens perguntar enquanto aterrissa no solo suavemente – Parece que o chefe quer se seja assim
— Pode ser arriscado, mas já que ele está desconfiado o que mais podemos fazer? – o outro responde irônico
Enquanto isso, o morcego agacha no chão e finalmente fita os desconhecidos silenciosamente. Não fica surpreso quando vê que um deles é Savage e o outro o motorista do carro que conhecera anteriormente. Pergunta-se somente onde está a mulher que estava com eles
— Você acha mesmo que é arriscado? – o velho senhor toma a palavra agora
Os dois estão exatamente na linha de visão de Bruce, bem em cima do teto.
— Sim – Savage responde cruzando os braços – Eu posso acabar morrendo
— Ora, mas você é idêntico a ele! Não devia ter medo disso – o motorista contesta rapidamente
— Olha aqui, não é só porque eu sou semelhante demais com Vendall Savage que quer dizer que quero ter minha cabeça a premio como a dele... Ainda mais de meus inimigos são a Liga da Justiça – o homem retruca com raiva – Já é demais ser usado como duble por ele vez ou outra!
Bruce ouve tudo atentamente e estreita os olhos ao saber que o homem que achara que era o verdadeiro Vendall é somente uma cópia bem útil. Acha interessante também eles saberem que a Liga está atrás dele.
— Não seria uma honra apanhar do Superman? – o velho brinca dando risada – Melhor ainda, da linda Mulher Maravilha?
— De fato levar alguns socos da amazona seria excitante, ainda mais se ela quisesse fazer mais coisas depois – o falso Savage comenta com um sorriso malicioso nos lábios
— Você é um masoquista – o senhor diz rapidamente
Ambos os homens começam a dar risada, enquanto Bruce pensa se pode matá-los agora. Com certeza tirar um maldito masoquista das ruas, e ainda por cima um velho safado não seria nada mal. O morcego incomoda-se com a maneira como eles falaram de Diana e realmente se segura para não jogar ao menos uma granada ali embaixo.
— Não se esqueça que a Liga já deve estar por aqui meu amor – uma voz feminina se faz presente de repente. É a mulher de antes, só que agora veste uma calça social e uma camisa do mesmo tipo, decotada.
— Sim, e eles podem estar... – o velho começa a complementar, mas é impedido
— Disfarçados? – o falso Vendall diz cético – De jeito nenhum! O pessoal da Liga da Justiça é arrogante, gosta de se mostrar... Eles nunca viriam disfarçados
— Bom saber que você acha isso – Bruce comenta para si bem baixinho – As coisas ficam mais fáceis assim
— Independente disso é melhor irmos – o motorista dá uma ordem casual – O Sr. Savage está nos esperando
— É, está quase na hora de uma das reuniões de contribuintes, e ele quer que eu esteja perto caso precise. Como se não bastasse eu ter me passado por ele hoje no resort! Droga, quero um aumento de salário por toda essa chateação – o falso homem reclama e logo depois diz dirigindo-se a mulher – Britanny, tire as coisas daqui e depois vá embora... Pegaremos a picape e você fica com a limusine.
— Tudo bem, meu querido – a loira concorda dando um selinho no homem – Até mais
O falso Savage e o motorista começam a sair do prédio, mas antes que desapareçam de vista Bruce repara em uma coisa. Na orelha esquerda do duble de Vendall, o morcego vê uma pequena, quase mínima cicatriz no lóbulo, como um corte. Essa marca, ele não sabe dizer se é de nascença ou feita em algum acidente, mas acha uma bela maneira para diferenciar um do outro. Por menor que seja, Bruce, analítico e atento como sempre conseguirá fazer isso quando precisar, e se precisar caso o verdadeiro Vendall queira usar seu duble no dia da festa.
Enquanto pensa sobre isso, o morcego acaba se esquecendo por um momento na mulher que ficara no prédio. Começa a procurá-la no andar de baixo, mas não a encontra mais ali. De repente, um ruído agudo vem a seu ouvido, e algo parece se arrastar por baixo do teto. Bruce levanta-se de imediato, e de dentro do buraco surge uma forma horripilante segurando-se nas quatro patas enquanto sobe pelo espaço circular
— Ora, ora, quem diria que meu amor erraria em sua dedução que os membros da Liga da Justiça não estão disfarçados! – a mulher comenta debochando
— Não faço parte desse grupo senhorita – Bruce mente rapidamente afastando-se dela quanto mais ela se aproxima, ficando de pé novamente
— Veremos se você fala a verdade então! – Britanny exclama mostrando suas mãos, que mais parecem de repteis como lagartos – Quer brincar, meu querido?
— Se isso te convencer, sim! – o morcego concorda colocando-se em posição de ataque
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