Quando Se Assume Um Sentimento
20 A luta e suas consequências
Notas iniciais
Reparando bem nas mãos da mulher, Bruce já deduz que deve ficar bem longe delas. Britanny vai para o ataque antes que o morcego faça isso, correndo para cima dele. Bruce tenta ficar na defesa, e coloca os braços na frente do corpo. Isso não adianta de nada já que a loira abaixa e dá uma rasteira no herói. Surpreso com o gesto rápido, ele cai no chão e ela vai para cima com as mãos mutantes. Bruce segura os braços delas com toda força que tem, e percebe que está quase perdendo nesse quesito para a mulher. Antes que isso aconteça de fato, e as estranhas mãos da vilã toquem em seu rosto, o morcego a empurra para longe elevando suas pernas.
— Suas mãos são diferentes – ele comenta enquanto ela cai no chão
— Você verá que as mãos são apenas uma das coisas diferente em mim – Britanny diz ofegante
A loira se levanta, e Bruce deduzindo que ela atacará novamente, procura algo ao redor para usar como arma. Sabe que não pode utilizar de seus apetrechos para a desconfiança de que ele é um membro da Liga da Justiça não vire certeza, mas é o que mais quer fazer no momento. Não vendo nada útil ao redor além de sacos de cimento e areia para todos os lados, o herói volta sua atenção rapidamente para a loira, que ainda se mantém parada.
— Você não tem poderes? – a mulher pergunta atenta a tudo que ele fez até agora
— Já disse que não sou um herói – Bruce responde sério
— Sei... – ela retruca desconfiada – Se bem que tem um na Liga da Justiça que não tem poderes também... É o Batman se não me engano, e o Arqueiro Verde
— Isso não me interessa. Eu não os conheço – o morcego retruca friamente
— Pois então te darei um pouco do meu poder!
Ao exclamar isso, Britanny dá risada e anda calmamente até a parede do lado oposto de Bruce. Quando chega lá, coloca ambas as mãos no cimento e começa a escalá-lo da mesma forma como fez para alcançar o segundo andar. Bruce observa tudo atentamente, e se dá conta que a mulher deve ter algum tipo de mutação de salamandra, ou animais do tipo. De fato, agora não somente as mãos dela, como os pés também se transformam no que parece ser patas de réptil, e elas continuam subindo a parede até alcançar o teto.
O morcego eleva sua cabeça para seguir a vilã. Atento a qualquer movimento inesperado ele começa a se afastar para trás. Já em cima, a loira continua andando, se é que se possa usar essa palavra, agora pelo teto da construção. Ela olha para Bruce e sorri maliciosamente. Logo depois pula certeiro em cima dele.
Com ótimos reflexos e mais esperto do que nunca, o herói desvia do ataque e a mulher vai com tudo no chão, fazendo uma pequena deformação ali. Antes dela se recuperar e voltar à luta, Bruce, que está do seu lado esquerdo lhe dá um chute por trás, acertando em sua cabeça. A loira não grita e o herói se surpreende um pouco, pois tem certeza que atacou com força suficiente para fazê-la sentir dor. Caída de cara no chão, Britanny começa a se levantar no mesmo instante, como se nada tivesse acontecido. Antes que Bruce possa sequer piscar, a loira vai para cima dele novamente, só que dessa vez tentando esganá-lo com as mãos mutantes. O herói não tem tempo de se defende de imediato e ela consegue pegar em seu pescoço, apertando-o com força.
— E agora, você morre ou diz a verdade? – Britanny pergunta sorrindo de satisfação
— Que tal você dizer a verdade? – Bruce rebate com outro questionamento colocando ambas as mãos sobre os ombros dela e puxando-a mais para perto
Com esse gesto, o morcego eleva seu joelho até a barriga da vilã, acertando em cheio. Dessa vez ela faz um som abafado com a boca, como se tivesse doido, e enfraquece as mãos em seu pescoço. Bruce aproveita a deixa e dá novamente o mesmo ataque tentando se desvencilhar das mãos mutantes dela. Isso acaba acontecendo, e se afastando, a loira cambaleia um pouco. O herói então dá um ataque por baixo e a faz cair no chão. Rapidamente, pega o único saco de cimento por perto, e levantando o mesmo com bastante força, pois está pesado, solta em cima da vilã. Uma pequena onda de pó surge ao redor, e Bruce aguça sua visão o máximo de pode para tentar enxergá-la. Em vão, não vê nada, mas deduz que tenha acertado o alvo.
Antes mesmo da fumaça se dissipar, o herói ouve um leve sibilar que vai se aproximando cada vez mais de si, por trás. De repente, sente algo se enroscar em seu corpo, e um hálito quente vem a seu ouvido direito
— Não achou que me pegaria tão fácil não é? – a voz de Britanny vem calmamente – Não te disse que minhas mãos não eram a única coisa diferente em mim?
Bruce não diz nada, e vê apenas o saco de cimento rasgado jogado a sua frente. Parabeniza em silencio a rapidez da vilã, em não apenas conseguir se livrar do ataque em tempo recorde, como também pega-lo por trás. O morcego, também utilizando da mesma velocidade de pensamentos e idéias, vai com tudo para trás batendo com força na parede. Como não sente nada com seu corpo, deduz que um dos poderes de Britanny é se enrolar e que com certeza, quem está sentindo as dores no momento é ela. Mesmo com três batidas violentas no cimento, que fazem um som oco, a força da vilã sobre o corpo do morcego não cessa e quando Bruce está prestes a pensar em outro método para fazê-la se soltar, sente uma picada lancinante no ombro, próximo ao pescoço.
Como se fosse uma faca entrando em seu corpo, o morcego começa a se sentir fraco, e com ardência no local do ataque. Achando que de alguma forma Britanny havia injetado algum tipo de veneno em seu corpo, Bruce vê como ultimo meio de se livrar jogar-se até o andar de baixo. Das duas uma: ou a vilã se soltaria de seu corpo antes da queda, ou se esborracharia com ele.
Colocando em prática seu plano, o herói corre até o buraco da construção onde há minutos atrás observava o duble de Vendall e seus capangas e pula ali de cabeça. Ainda sentindo seu corpo preso enquanto cai, aprecia de repente a coragem de Britanny de não se soltar mesmo sabendo que ira se machucar.
Bruce sente o baque de seu corpo de encontro ao chão de costas, de maneira menos intensa graças à vilã. Mesmo assim, não consegue se levantar, pois se sente fraco, e finalmente a pressão sobre seu corpo, exercida por ela acaba.
— Você conseguiu me machucar – a voz de Britanny vem a seus ouvidos como um eco – Foi um plano louco, mas funcional... Se bem que quem está mais para morrer é você
— O que colocou em mim? – Bruce pergunta ofegante vendo-a em sua frente, quase como um vulto
— Eu sou uma pseudo cobra com salamandra, podemos dizer assim. Tenho veneno em minhas veias... Que agora estão nas suas
O herói apenas ouve essas palavras sem dizer nada. Soando bastante, e sentindo-se fraco como nunca, ele não tem forças para fazer muita coisa agora. Vendo tudo escuro, ele consegue perceber ainda assim a aproximação de Britanny e tenta pará-la, mas erra o alvo. Começa a perceber então a lentidão de seus movimentos
— Não se preocupe, isso não vai te matar – a loira comenta – É apenas um veneno para retardar a vitima. Agora vejamos o que tem nos bolsos
Britanny comenta isso e começa a mexer nas roupas de Bruce, que sente tudo como se fosse uma picada a mais. Lembra-se vagamente que colocou algumas bat-armas em sua calça, mas sabe que a vilã não conseguirá encontrá-las mesmo que o vire do avesso. A única coisa que ela pode achar é...
— O que é isso? – a mulher pergunta com um pequeno objeto com um botão nas mãos
— Você não vai querer descobrir... – Bruce retruca rouco
O morcego sabe que se trata do comunicador entre ele e Diana, e acha oportuno a loira ter pegado justamente isso.
— Ah é? – Britanny fala brincando – E o que acontece se eu fizer isso...
Ao proferir essas palavras, a vilã aperta o botão do apetrecho e sorri como se estivesse animada
— Não devia ter feito... – Bruce fala, balançando a cabeça como pode
Nesse momento o sorrido na face da loira desaparece e ela larga o comunicador, pegando o morcego pelo pescoço.
— Vou te dizer o que posso ou não fazer! – ela exclama raivosa – Por exemplo... Posso te matar agora
— Não acho que...
Bruce não finaliza sua frase, pois algo quebra uma parte do lado esquerdo do prédio como um foguete. De lá surge à princesa das amazonas, com uma feição séria no rosto.
— Quem é você? – Britanny pergunta surpresa, ainda com o herói cativo
— Isso não importa – Diana responde estreitando os olhos – O que importa é o que você fez com um amigo meu
— E o que você pode fazer a respeito? – a loira retruca incrédula
— Você verá
Ao falar isso, Diana voa até os dois com a velocidade da luz, e pega na mão da vilã. Apenas segurando-a, Britanny começa a perder a força na sua e soltar Bruce. Sem gemer de dor, a loira ainda tenta mante-lo cativo, mas em vão não consegue. O morcego cai no chão, e fica ali, sem conseguir se mexer direito. Diana então, pega a vilã pelo pescoço também e a leva até a parede do lado direito do prédio. Britanny começa a engasgar enquanto tenta falar, e sem conseguir se soltar
— Não é bom quando fazem isso com você não é? – a amazona comenta
— Você por acaso é... – a loira começa a falar rouca, mas é interrompida
— Amiga dele!
Diana aperta com mais força o pescoço da vilã, sufocando-a por completo. Com a outra mão livre, ela vai até a barriga da loira, para dar-lhe um soco, mas antes de acerta o alvo Britanny modifica a textura de seu corpo e desvia. Se enroscando por sua mão, a mulher tenta utilizar a mesma técnica que usara com Bruce.
Quando Britanny está praticamente na mesma posição, Diana rapidamente começa a girar seu corpo como se fosse virar a Mulher Maravilha. Claro que ela não faz isso por esse motivo, mas é o suficiente para incapacitar a mulher, que fica tonta. Logo depois, a princesa se desvencilha com facilidade de Britanny e virando-se para ela, lhe dá um soco no rosto. A loira vai longe, quebrando o outro lado do prédio. Ficando sobre os escombros, ela tenta se levantar, mas antes que faça isso Diana lhe acerta outro soco, agora na barriga.
Sai sangue da boca de Britanny, que agora geme de dor e continua deitada no chão. Percebendo que a vilã ficará incapaz por alguns segundos, a amazona vê do lado direito, um pequeno saco de areia e vai até ele. Rasgando-o rapidamente, Diana pega o material feito de plástico onde estava a areia. Aproximando-se novamente de Britanny, que já tenta se levantar, a heroína pega os braços dela e colocando-os para trás, os prende com força com a ajuda do saco.
— Se acha que isso vai me segurar está muito enganada
— Sei disso – Diana concorda ficando novamente de frente para a mulher e dando outro soco em sua barriga e logo depois subindo até seu rosto – Mas isso vai!
Com mais uma rasteira e outro soco certeiro, a princesa vê como certas as suas palavras, pois Britanny para de se mexer. Desmaiada, a vilã está bem machucada, e finalmente foi derrotada
Diana respira fundo, observando atentamente à loira. Um tempo depois se vira para Bruce, que está deitada no chão um pouco a frente.
— Você está bem? – ela pergunta ajoelhando-se ao seu lado
— Ela injetou algum veneno em mim – o morcego diz somente, fechando os olhos
— Então não está bem certo? Sabia que deveria ter vindo junto com você
— O veneno não vai me matar princesa... Já estou me sentindo melhor
— Você está branco como papel, e suando demais e ainda me diz que está bem? – Diana retruca incrédula
— Sim, só preciso descansar um pouco – Bruce responde já enxergando melhor as feições da princesa, que parece bem preocupada
— Vou te levar no colo – a princesa fala decidida – Vamos
A amazona se aproxima mais do morcego, e começa a levantá-lo. Bruce não concorda com a idéia e diz:
— Não faça isso... Ao contrário, leve Britanny
— É o nome dessa loira? Por que devo fazer isso? – Diana como sempre contesta o pedido dele, soltando-o
— Porque ela tem informações importantes sobre Savage
Bruce vê os olhos da amazona sobre si, entre incredulidade e desconfiança.
— Acredite em mim Diana – ele retruca teimoso
— Tudo bem – ela concorda levantando-se – Mas você consegue andar?
— Sim – Bruce responde querendo acreditar nas próprias palavras, e tentando sentar com a ajuda das mãos que ficam no chão
Diana observa a cena por alguns segundos e depois se volta novamente para Britanny. Pega a mulher no colo e espera o morcego se colocar de pé. Isso acontece de forma lenta, mas Bruce consegue se manter firme e dar alguns passos. Ainda sentindo seu corpo fraco, mas sem visão turva mais, ele continua andando, a frente de Diana em direção a saída do prédio.
— Veja se tem alguém lá fora – Bruce pede para a heroína, encostando-se na parede e respirando fundo
— Não, está vazio – Diana diz depois de olhar para todos os lados da rua
— Então vamos
Os dois heróis mais a vilã andam lentamente graças ao veneno injetado no corpo do morcego. A princesa alcança o carro primeiro, e abrindo o porta-malas, coloca Britanny ali suavemente. É incrível como a mulher entra ali facilmente e logo depois Diana fecha a porta com força. Bruce encosta no carro, e de novo inspira e aspira profundamente.
— Podemos ir – a amazona comenta encostando-se ao carro também, a seu lado
— Sim – Bruce diz somente, e começa a dar a volta no carro para ir ao lado do motorista
— Não vai dirigir desse jeito – Diana diz colocando-se a sua frente – Você fica encostando toda hora em todos os lugares... Não está bem
— Tem alguma idéia melhor? – ele pergunta friamente
— Eu dirijo e você vai no passageiro... Essa é minha idéia melhor
Depois de dizer isso, a amazona, que já esta com as chaves do carro, abre a porta do passageiro para Bruce, obrigando-o a entrar. Fraco demais para contestar, o morcego deixa-se levar e senta no banco de carona. Observa Diana dar a volta rapidamente e abrir o outro lado, entrando também.
— Você ao menos sabe dirigir princesa? – Bruce faz uma pergunta capciosa
— Obviamente sim – ela responde colocando a chave na ignição e ligando o carro – Apenas observe
— Hum... Vou tentar... – o morcego retruca encostando a cabeça no banco e se sentindo tonto
Segundos depois, Bruce sente seu coração acelerando rapidamente e antes mesmo de ver Diana ligando o carro perde completamente a consciência.
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