Bulma acordou sobressaltada. A última coisa que se lembrava era de ser atacada por aqueles dois soldados. Olhou à sua volta esperando estar a salvo. Estava numa espécie de quarto. Sentando num sofá ao lado da cama estava Vegeta que dormia profundamente. Apesar de todas as desavenças, o coração de Bulma perante tal imagem. Quem diria que Vegeta se preocupava com ela? Será que o devia acordar? De qualquer maneira tinha de saber onde estava.

- Vegeta... — murmurou, sentando-se na cama. A sua cabeça doía-lhe muito mas estava ligada.

Vegeta despertou e levantou-se.

- Como te sentes? — perguntou o príncipe tentando não parecer preocupado.

- Melhor...onde estamos?

- Numa aldeia qualquer.

- Os nameks trataram de mim? — perguntou.

- Não tiveram outra hipótese... — Vegeta sorriu.

- Não lhes fizeste mal, pois não? — peguntou Bulma alarmada.

- Ainda não. Onde tens os malditos feijões mágicos, afinal?

- Não estão na mochila? — perguntou.

- Não. Fartei-me de procurar.

- Devo-me ter esquecido deles na gruta... — pensou — Quando podemos ir?

- Podemos? Não. — respondeu Vegeta — Eu vou e tu ficas.

- Desculpa?! Acho que já deu para ver o resultado de me teres abanadonado da primeira vez! — exclamou apontando para as feridas.

- Cala-te! Por tua causa tive de matar aqueles dois! — Vegeta gritou — Estava a segui-los para que me levassem às outras esferas e tu estragaste tudo!

- Ah foi?! Então se eu te estava a estragar os planos porque não deixaste que me matassem e continuavas a segui-los?! Admite! Tu importas-te comigo!

- Sua insolente! — Vegeta gaguejava. Sem mais argumentos, cruzou os braços e virou-lhe as costas.

- Estou a interromper? — uma voz vinda da porta perguntava.

- sim. — respondeu Bulma que não queria que a conversa acabasse por ali.

- Não! — exclamou Vegeta tapando a boca à jovem.

Confuso, o pequeno namek disse:

- Vim apenas aqui para ver como a jovem se sentia e para dizer que podem partir quando quiserem. O medicamento que lhe demos não tarda a fazer efeito e ela sentir-se-á como nova.

- Óptimo! — exclamou Bulma saltando da cama, mas uma tontura percorreu-lhe a cabeça e esta desiquilibrou-se. Mas os braços de Vegeta já estavam sobre ela para lhe amparar a queda.

Bulma ficou a olhar para o príncipe. Sentia-se perdida nos braços dele. Como se estivessem ali apenas eles os dois. Vegeta viu o olhar que a jovem lhe lançava e depressa a afastou de si.

- Então, vamos partir. — disse Vegeta ligando o radar. De repente, o corpo do príncipe ficou rígido. Olhou atentamente para o radar e depois para a mochila. No radar não aparecia a esfera do dragão que estava na mochila. Apressadamente, abriu a mochila e viu que a esfera não estava lá. Num ápice, agarrou o namek pelas vestes e ergueu-o no ar.

- Onde está?! — perguntou furioso.

- Vegeta! — Bulma gritou agarrando-se ao braço do príncipe — Pára! Estás a machucá-lo!

O namek nada dizia. Fora de si, Vegeta atirou-o para o exterior. Rapidamente, vários nameks se juntaram à volta do companheiro.

- Onde está a minha esfera do dragão, seus ladrões?! — Vegeta estava fora de si — Acham que me podem roubar?! A mim?! Não fazem ideia com quem se metem! — o chão começava a tremer.

Com receio que todos aqueles inocentes tivesse a mesma sorte dos soldados, Bulma correu e ficou entre Vegeta e os nameks e implorou-lhes:

- Por favor, dêem-lhe a esfera. Nós prometemos que nos vamos embora e vos deixamos em paz mas dêem-lhe a esfera.

- Não podemos. — disse o Namek que se encontrava caído.

Vegeta preparava-se para investir mas viu-se travado pela mão de Bulma no seu peito.

- Mas porque é que não podem? — perguntou calmamente.

- Porque ele não é puro. — respondeu o namek.

- Como assim?

- Esse rapaz que está aí contigo não tem um coração puro. Eu olho para ele e só vejo maldade.

Bulma olhou nos olhos de Vegeta. O que o namek dizia não podia ser verdade. Alguém que só tivesse maldade no coração não a salvava nem se preocupava com ela daquela maneira. Vegeta fitava-a desconfiado. Bulma acreditava que Vegeta era bom.

- E o que pensa de mim? O que vê em mim? — perguntou ao namek.

- É isso que não percebo. Em ti vejo tudo de bom. O que não percebo é o que fazes com um ser como ele...sem escrúpulos.

- Mas...

- Já chega! — Vegeta interrompeu o que Bulma ia dizer e empurrou-a para trás de si lançando-se novamente sobre o velho namek — Ou me dizes onde está a minha esfera do dragão ou eu acabo com esta aldeia inteira!

- Vegeta, pára! — Bulma gritou.

- Cala-te! Pára de te meter onde não deves ou podes ter a certeza que não sais daqui viva! — gritou o guerreiro virando-se novamente para o namek — Última oportunidade para me dizeres onde escondeste a minha esfera ou eu acabo contigo.

- Vegeta, pára, por favor! Usa o radar, leva a esfera e vamos embora! — gritou Bulma.

- Não! Eles têm de aprender a obedecer a seres superiores como eu! Diz-me, velho!

Ciente do perigo, o velho namek limitou-se a abanar a cabeça dizendo que não.

- Muito bem! — exclamou Vegeta largando e afastando-se.

Lentamente ergueu a sua mão na direcção do namek e começou a formar uma bola de energia.

- Vegeta, não! — Bulma lançou-se a Vegeta tentando pará-lo. Num simples gesto, o príncipe empurrou Bulma que caiu no chão.

- Papá! — um pequeno namek que apareceu no meio da multidão gritou.

- Dende! Sai daqui! — gritou o velho.

O pequeno namek agarrou-se ao pai, chorando, mas o velho namek empurrou-o para longe e voltou a fixar Vegeta nos olhos.

Horrorizada, Bulma só gritava para que Vegeta parasse com aquela loucura.

- Vegeta, eles são inocentes! Pára!!!

Sem lhe dar ouvidos, Vegeta finalmente lançou a bola de energia sobre o velho que gritou de dor acabando por cair queimado no chão, imóvel.

- Papá! — a criança gritava e chorava agarrando-se ao corpo do pai.

Vegeta sorria maleficamente, ligou o radar e foi buscar a esfera do dragão. Bulma estava tão horrorizada com a situação que não conseguia evitar chorar. Quando Vegeta voltou com a esfera na mão, cega de raiva, Bulma lançou-se a ele e começou a dar-lhe murros no peito com toda a força enquanto gritava e chorava:

- Seu monstro! — gritava de ódio.

Indiferente à raiva dela, Vegeta agarrou na mochila dela e agarrou em Bulma e colocou-a ao seu ombro. Esta continuava a espernear. Depois elevou-se lentamente nos céus sem nunca tirar os olhos da pequena aldeia. Atrás dele, a correr ia a pequena criança gritando de raiva. Vegeta riu-se e formou uma bola gigante na sua mão.

- Adeus. — disse, lançando aquela intensa luz ontra os indefesos nameks.

- Não!!! — gritou Bulma ao ver a luz em direcção à aldeia.

Passado um segundo, ouviu-se um enorme estrondo e uma intensa poeira elevou-se no ar. Vegeta iniciou novamente a sua viagem sempre com Bulma a espernear e a gritar com ele. Sabia que ela o iria odiar para sempre, mas isso não o preocupava. Ela já devia saber que ele era impiedoso e frio. Ia esperar que ela lhe fizesse o dispositivo e depois voltava a deixá-la na gruta.