Chegaram à gruta onde Bulma estava instalada muito rápido. Assim que entraram, Vegeta pousou Bulma no chão que num ápice se afastou do príncipe com um andar pesado. Sentia-se repugnada, horrorizada e frustada com a atitude de Vegeta. Aqueles nameks eram inocentes. Apenas queriam proteger o planeta de todo o mal que por ali andava. Talvez se tivesse enganado em relação a Vegeta — pensava — julgava ter visto um lado bom no príncipe, mas depois do que ele fez àquela aldeia, sabia que ele só trazia mal e ódio dentro dele. Sentia-se profundamente desiludida.

- Prepara qualquer coisa para comer, tenho fome. — disse Vegeta num modo frio.

Bulma continuou a caminhar para o quarto sem lhe responder.

- Mulher! Ouviste-me?!

Bulma de repente virou-se e caminhou rapidamente até ao príncipe de um modo agressivo.

- Porque é que fizeste aquilo?! — gritou aproximando a sua face à dele.

Surpreendido com esta reacção, Vegeta deu um passo atrás.

- O quê? — perguntou confuso.

- Porque é que mataste aquela gente toda?! — insistiu, nunca se afastando.

- Eu não tenho de te dar satisfações! — Vegeta respondeu no mesmo modo.

- A partir do momento em que eu me encontro no meio da situação e a presencio diz-me respeito! Porque é que mataste aquela gente toda quando sabias perfeitamente onde estava a esfera do dragão?!

Não querendo continuar a discussão, Vegeta respondeu:

- Eles tentaram escondê-la de mim! Fizeram-me frente!

- Eu fiz-te frente! Porque não me mataste também?! — perguntou furiosa — Neste momento, eu estou a fazer-te frente!

De repente, Bulma agarrou na mão de Vegeta e colocou-a no seu peito, exclamando:

- Mata-me!

- O quê?! — respondeu o príncipe paralisado com tal pedido.

- Estou a fazer-te frente! Como eles! — insistiu — Mata-me! Vá mata-me!

Vendo que Vegeta nada dizia ou fazia, Bulma começou a dar-lhe socos no peito.

- Mata-me!!!

- Tu és louca! — gritou, afastando Bulma e virando-lhe as costas.

- É isso que não percebo em ti e que me está a deixar louca.

- O quê? — Vegeta olhou-a por cima do ombro.

- Num momento és um monstro e comigo...comigo és assim... — disse desiludida entrando para o quarto e fechando a porta.

"Maldita humana!" — pensou Vegeta — "Nunca a deveria ter levado comigo! Só me atrasa" — pensava enquanto entrava na cozinha. Apesar de não perceber nada das cápsulas de Bulma, Vegeta tinha muita fome, então ia tentar fazer alguma coisa para ele.

- Hum. Esta será qual? — perguntou a si mesmo. Carregou no botão e esperou que se transformasse.

Depois de uma nuvem de fumo cor-de-rosa, qual não foi a surpresa de Vegeta quando uma mota lhe cai nas mãos.

- Que raio é isto?! — gritou surpreendido — Maldição! — reclamou enquanto levava a mota para a sala. Depois, voltou para a cozinha e pegou noutra cápsula para voltar a tentar. Após a nuvem de fumo, Vegeta foi coberto por uma tenda já montada.

- Mas que diabos!!! — gritou livrando-se furiosamente dos tecidos que o envolviam.

Atraída por tanto barulho, Bulma foi até à cozinha e escondeu-se à entrada da mesma a apreciar a situação.

- Mas que raio de pessoa guarda este tipo de coisas na cozinha ao pé da comida?! — gritava.

- Por isso é que inventámos cápsulas. — disse Bulma aparecendo e tentando conter o riso.

- Quê? — perguntou Vegeta com a tenda toda desmontada nas mãos.

- Por isso é que eu e o meu pai inventámos cápsulas. Poupa imenso espaço e podemos pô-las onde queremos.

- E como é que sei quais são as de comida e quais são de outras coisas? — perguntou aborrecido.

Nesse momento, Bulma não conseguiu conter o riso.

- Estás a rir-te de quê?! — Vegeta estava fora de si.

Lentamente, Bulma aproximou-se da bancada da cozinha, pegou numa cápsula e apontou o dedo para umas inscrições que estavam na mesma.

- Aqui. — disse divertida.

Vegeta olhou atentamente para as inscrições e conseguia ler: "Galinha". Vegeta começou a ruborizar. Envergonhado com a situação, arrancou a cápsula das mãos de Bulma e foi comer para a sala. Passados poucos minutos, enquanto Bulma bebia um chá, Vegeta foi buscar mais cápsulas.

- Quem me dera ter adivinhado que ia conviver com o inimigo... — murmurou a jovem — Só trouxe cápsulas a contar com o fervoroso apetite do Gohan...

- Quê? — perguntou Vegeta que saía da cozinha.

- Nada. — respondeu sorrindo.

Bulma sentou-se na mesa da cozinha a beber o seu chá e a ler uma revista. Estar presa em Namek era muito aborrecido. Quem lhe dera nunca ter vindo mas, por outro lado, ninguém sabia pilotar aquela nave...

Depois de terminar de ler a revista, Bulma decidiu ir tomar banho. Vegeta já não estava na sala. Onde estaria? No quarto? Bulma foi buscar roupa lavada e foi para o banheiro. Ao abrir a porta, deparou-se com Vegeta todo nu a sair do duche. O seu corpo ainda molhado era perfeito, digno de um deus. Completamente atrapalhada, Bulma tapou com os olhos com as mãos e virou-se ao contrário.

- Desculpa! — pediu embaraçada.

- Porquê? — perguntava Vegeta enquanto puxava da toalha para enrolar à volta da cintura — Nunca viste um homem nu? — sorriu de um modo trocista — Pois, acredito que nunca tenhas visto um homem a sério...

Rapidamente, Yamcha veio aos pensamentos da jovem que se virou para Vegeta:

- Sim, por acaso já vi! — exclamou furiosa — Um grande homem se queres saber! Que ainda estaria vivo se... — parou de falar assim que se apercebeu que iria confessar a Vegeta que era namorada de Yamacha e amiga do grupo de terrestres que o derrotou.

- Ele morreu? — perguntou — E se o quê? — tentou mostrar-se desinteressado apesar de estar curioso.

- Não quero falar disso... — Bulma murmurou com uma lágrima no canto do olho — Quando tiveres terminado avisa porque eu quero tomar banho. — disse saindo do banheiro.

Assim que Vegeta se despachou, Bulma foi tomar o seu banho relaxante. Passados poucos minutos, Vegeta entra pelo banheiro adentro. Sobressaltada, Bulma reclama:

- Hei! Sai daqui! Nunca ouviste falar em privacidade?!

- Cala-te e despacha-te! Temos de ir!

- Onde vamos? — perguntou Bulma tapando-se com uma toalha.

- Cala-te e mexe-te! — Vegeta insistiu saindo do banheiro.

Curiosa, Bulma vestiu-se rapidamente e foi ter com o príncipe.

- Diz-me lá onde vamos... — pediu Bulma fazendo beicinho.

- Vamos fazer uma visita ao Freeza. — disse Vegeta calçando as botas.

- Desculpa? Freeza? — perguntou tremendo — O homem de quem todos têm medo? Que raio vamos lá fazer?

- Eu tenho um plano. — Vegeta sorriu maleficamente — Vá. Sobe. — disse colocando-se em posição para que Bulma lhe saltasse para as costas.

Hesitante, Bulma saltou. Sabia que Vegeta era forte e estava mais do que confirmado que o príncipe nunca deixaria que ninguém lhe fizesse mal, mas diziam que Freeza era incencível e cruel.

- Tens a certeza do que vais fazer? — perguntou a jovem receosa.

- Sabias que sou um príncipe?

- Hum...já tinha ouvido dizer. — disse Bulma recordando a conversa que teve com Goku quando este estava no hospital.

- Sou o príncipe dos Saiyans. Não tenho medo de nada. Muito menos desse maldito.

- Conheces bem o Freeza? — perguntou Bulma enquanto levantavam voo.

- Posso dizer que sim. — respondeu Vegeta cerrando os dentes.

- Como é que o conheceste?

Vegeta bufou:

- Se pensas que te vou contar a história da minha vida enganas-te. Só te trouxe comigo porque me vais ser útil.

- Útil? O que queres de mim?

- Vais atrair os soldados do Freeza para fora da nave. Principalmente um deles.

O corpo de Bulma gelou.

- Tu...tu queres que eu seja o isco? — perguntou gaguejando.

- É isso mesmo que eu quero.

- Enlouqueceste da cabeça?! Eu não vou servir de isco! Viste o que me ia acontecendo com aqueles soldados, não viste?! Não vou passar por aquilo novamente! — Bulma esperneava tentando que Vegeta voltasse para trás.

- Não sejas cobarde, mulher! — os movimentos de Bulma não afectavam Vegeta minimamente — Preciso que atraias pelo mesmo o Zarbon para fora da nave para que eu consiga chegar às esferas do dragão.

- Zarbon?! — Bulma recordava-se do nome — Nem penses!!! Aquele soldado que te ia matando?! Queres que o distraia?! Ele mata-me em segundos!!!

- Não mata nada. Eu vou ser rápido.

- Vegeta... — Bulma estava assustada — Eu não quero fazer isto...

- Já te disse para não te preocupares. Não te vai acontecer nada.

Bulma soluçou.

- Podes passar-me aí para a frente? — perguntou baixinho.

Rapidamente, Vegeta colocou Bulma nos seus braços e esta encostou a cabeça ao seu peito.

- Prometes? — murmurou.

Vegeta estava desconfortável com aquela situação. Sabia-lhe bem ter Bulma nos seus braços enroscada em si. Ele nunca a teria levado com ele se soubesse que não era seguro.

- Sim... — prometeu, encostando o queixo à cabeça da jovem e continuando viagem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.