Vegeta acordou atordoado. Olhou à sua volta confuso. Onde estava? A última coisa que se lembrava era do combate contra Zarbon. Teria sido capturado? Sentia uma dor aguda no tronco. Deitou a mão ao mesmo e reparou que tinha uma ligadura. Tinha de sair dali antes que alguém voltasse. Tentou levantar-se mas assim que ficou de pé caiu de joelhos.

- Ah... — murmurou de dor.

- Hei!

Olhou para trás ao ouvir a voz de uma mulher. Atrás de si, de mãos nas ancas estava a rapariga de cabelos e olhos e azuis que tinha visto quando combatia contra Zarbon.

- Não podes fazer esforços! — exclamou Bulma ajudando Vegeta a voltar para o sofá.

- Quem és tu? Onde é que estou? — perguntou Vegeta confuso.

- Para quem esteve quase a morrer fazes muitas perguntas — respondeu a jovem apertando a ligadura ao príncipe — Chamo-me Bulma e estás na minha casa dentro de uma gruta. Não te preocupes. Estás seguro aqui.

- Eu não estou preocupado — Vegeta desvalorizou a conversa.

- Mas devias. Aquele homem com quem combateste era aterrador. Quem era? — perguntou Bulma.

- Não posso ficar aqui a perder tempo a falar contigo. Tenho de ir recuperar a esfera do dragão que ele me roubou.

- Nesse estado duvido que lá chegues...quanto mais recuperares o que te foi roubado. — disse Bulma — deixa-me ajudar-te.

Vegeta olhou-a desconfiado.

- Porque queres ajudar-me?

- Digamos que estou farta de estar fechada nesta gruta...

Bulma tinha tudo planeado. Sabia que Krillin e Gohan nunca teriam hipótese de reunir as esferas do dragão sozinhos, não tendo Vegeta como inimigo. Por isso, Bulma teria-o como aliado. Ajudava-o a reunir todas as esferas e depois erasó pedir o desejo antes dele. Seria muito arriscado, mas ao menos conseguiria trazer Yamcha à vida novamente.

- Tu não me podes ajudar. Não tens poderes.

- Pois não. Mas tenho outras habilidades. — respondeu — Sei construir aparelhos muito úteis. Por exemplo, sei construir dispositivos como aquele que foi destruído no combate com aquele homem.

Vegeta nem se tinha lembrado disso. Sem o dispositivo seria muito difícil encontrar as esferas.

- Muito bem. Alinho. — disse o príncipe — Constrói-me um dispositivo.

- Não, não... — Bulma abanou o dedo — Sei perfeitamente que assim que o construísse, o levavas e me deixavas para trás. Construo-o quando estiver contigo fora daqui.

Vegeta estava perplexo com a insolência daquela mulher. Mas não tinha outra escolha.

- Está bem.

- Boa! — Bulma saltou de satisfação — Vou comer qualquer coisa. Queres?

Vegeta não queria criar nenhum tipo de empatia com a jovem mas sentia-se fraco devido às feridas e à fraqueza. Por isso, acenou com a cabeça em tom de aceitação.

- Bem, visto que és um Saiyan tenho de trazer comida a triplicar. — a jovem gozou.

- Como sabes que sou um Saiyan? — perguntou Vegeta desconfiado.

Bulma engoliu em seco. Falou demais. Sabia que se Vegeta descobrisse que se encontrava na presença da melhor amiga de Goku que a matava sem pensar duas vezes. Ganhou coragem e desvalorizou a conversa:

- Todos os terrestres sabem quem são os Saiyans devido à vossa invasão.

- Hum...tem lógica. — disse Vegeta recostando-se no sofá.

Bulma respirou de alívio.

Passados poucos minutos, saiu da cozinha com algumas cápsulas.

- Onde está a comida? — perguntou Vegeta.

Bulma pousou as cápsulas em cima da mesa e respondeu:

- Aqui!

Confuso, o príncipe pegou numa das cápsulas e olhou-a minuciosamente.

- Como assim? Isto é um bocado de plástico!

- É uma grande invenção do meu pai. — Bulma explicou orgulhosa — Carregas aqui — demonstrou — e transforma-se em comida.

De repente a cápsula transformou-se num enorme hamburguer.

- Vá, carrega nelas e come. Precisas de restaurar as forças.

Vegeta começou a comer. Como seria de esperar, comia como Goku. Como Bulma já estava habituada aos modos do amigo nem sequer ligou.

- Vocês não têm nenhum sistema de recuperação rápida? — perguntou Vegeta enquanto comia.

- Como assim?

- Então, quando se ferem como é que se curam? Não têm nenhuma máquina que vos cure rapidamente?

- Não...nem nunca ouvi falar em tal tecnologia... — respondeu Bulma — E acredita, eu e a minha família percebemos imenso de tecnologia.

- Hum. São mesmo limitados estou a ver... — murmurou.

- Hei!

- O que fazes aqui de qualquer maneira? — perguntou Vegeta.

- Hum... — Bulma pensou — Vim com os meus amigos. Só eu é que sei pilotar a nave.

- Eles vieram à procura das esferas do dragão?

Bulma não sabia o que responder.

- Sim.

- Por acaso um desses teus amigos chama-se Goku? — perguntou Vegeta cerrando os punhos.

- Goku? Não, não sei quem é. — mentiu — E tu? Já sei que procuras as esferas, mas o que queres delas?

- Não tens nada a ver com isso.- murmurou Vegeta. Não conhecia esta mulher de lado nenhum. Não lhe ia contar as suas razões nem nada sobre si.

- Hum. — Bulma sabia que não valia a pena insistir — Quem era aquele homem?

- Era o Zarbon. Um dos soldados dos Frieza.

- Frieza? Quem é o Frieza? — perguntou a jovem. Seria um namek?

- Reza para que nunca o venhas a conhecer. — disse Vegeta deitando-se no sofá — Ah... — murmurou de dor.

- Bem...eu não te devia dar isto...até porque temos poucos...mas precisamos de nos apressar. — disse Bulma levantando-se e voltando para a cozinha.

Voltou com um pequeno feijão na mão.

- Isso é para quê? — perguntou Vegeta.

- Come. Confia em mim. Vais agradecer-me.

Vegeta comeu e sentiu as forças a voltar a si.

- O que se passa comigo?

- À bocado disse-te que não tínhamos nenhuma máquina de recuperação e é verdade, mas temos isso: feijões mágicos.

- Sinto-me como novo! Incrível! Mais eficaz do que a máquina! — Vegeta sentia as suas forças a fluirem em si — Bem, vou recuperar as esferas!

- Agora?

- Claro! Quanto mais tempo espero mais perto fica o Frieza de as juntar e pedir o desejo!

- Ok! Espera então! Vou preparar-me!

Vegeta estava impaciente. Ainda não acreditava que tinha de a levar.

Bulma voltou a aparecer com uma mochila.

- O que levas aí? — perguntou Vegeta.

- O necessário. Como me vais levar?

Sem responder, Vegeta pegou em Bulma ao colo encostando-a ao seu peito.

Estranhamente, a sensação do peito quente de Vegeta sabia bem a Bulma e esta encostou a cabeça a ele. Estava cansada. Ainda não tinha dormido por estar sempre ao lado de Vegeta a tratar-lhe das feridas. Queria dormir mas também estava entusiasmada e nervosa. Sabia que Krillin iria ficar furioso quando descobrisse que ela se tinha aliado a Vegeta. Caso eles fossem à gruta, Bulma deixou-lhes um recado num papel. Tinha de fazer isto. Tinha de trazer Yamcha de volta à vida. Tinha imensas saudades dele. No meio destes pensamentos acabou de ceder ao cansaço e adormeceu nos braços do príncipe.