Quando 2022 Chegou!
4 A Serious Talk.
Notas iniciais
PEço um milhão de vezes perdão por isso.
Desculpa mesmo.
Espero que gostem.
Era tarde, já havia levado as crianças na escola e eu estava nervoso demais para me concentrar no trabalho.
Pesquisei um bom tempo na internet onde ela estava aquele dia, mas não tinha nada concreto, estava louco para discar seu numero no telefone que segurava em minhas mãos ao mesmo tempo em que estava inseguro de se era a hora apropriada e do que iria dizer.
Disquei o número, chamou quatro vezes, e uma voz meio rouca atendeu.
(Mô) – Quem fala? – eu ouvia minha própria respiração pelo telefone, ela estava dormindo.
(Mauricio) – Sou eu, Mauricio! – A ouvi pigarrear do outro lado da linha – Me desculpe, não sabia que estava dormindo.
(Mô) – Sem problemas, eu deveria acordar em poucos minutos mesmo – Houve um breve silencio.
(Mauricio) – Olha! Eu vi o livro e queria agradecer, é um belo presente. – “Era pra pedir desculpa babaca e não continuar parecendo que não ligo”, eu não conseguia segurar a raiva.
(Mô) – Eu fiz para que as crianças tenham boas recordações de mim – a ouvi dar um suspiro, “do que ela está falando, por acaso vai sumir ou coisa do tipo”.
(Mauricio) – Porque você acha que as crianças não têm recordações boas suas?
(Mô) – Eu sei que elas têm, mas são tão novinhas, podem acabar esquecendo.
(Mauricio) – Se você passasse mais tempo com elas, com certeza nunca esqueceriam. – Mas eu sou um babaca mesmo, a mulher tentando fazer uma coisa boa e eu esculachando.
(Mô) – Olha eu pensei sobre o que você me disse ontem – ela deu uma pausa – Se você realmente quiser, daqui a um mês eu voltarei. Não para ficar...
(Mauricio) – Que surpresa, — disse em um tom sarcástico.
(Mô) – Quando eu voltar nós sentamos e discutimos, mas nesse meio tempo, sinta-se livre para fazer o que quiser – ela deu uma pausa, suspirou mais uma vez.
(Mauricio) – Eu posso ser corno, mas não serei infiel nunca. – Não sei o que esperava dizendo aqueles absurdos, sabia que ela nunca seria capaz de fazer tal coisa, mas a reação dela me deixou incrivelmente abismado.
(Mô) – Sei que se sente traído, me perdoe por isso – ela estava absurdamente calma – Mas mesmo assim preciso te fazer um pedido.
(Mauricio) – Diga, verei o que posso fazer.
(Mô) – Tente entrar em contato com todos os nossos parentes que estão na minha agenda da cozinha, e peça para eles irem pra fazenda, mas pra ficar por um bom tempo por lá.
(Mauricio) – Como assim, ir pra ficar um bom tempo?
(Mô) – Você saberá em breve, preciso que também vá o mais rápido possível com as crianças.
(Mauricio) – Você está louca mulher, quer que todo mundo largue tudo o que está fazendo e vá para o meio do nada. Como eu vou convencer esse povo de ir pra lá. E em qual pretexto?
(Mô) – Até o fim de semana vocês saberão ao certo, eu mandarei um e-mail mais tarde para todos. A fazenda já está preparada e equipada pra toda a minha e a sua família.
(Mauricio) – E você vai deixar seus filhos a mingua por mais um mês?
(Mô) – Peço que me ligue nesse número toda vez que eles pedirem, independente da hora ou do momento.
(Mauricio) – Então tá! Eu queria saber como...
(Mô) – Me perdoe, preciso me apresar agora, vou ter um compromisso, de um beijo nas crianças por mim e diga que as amo. Adeus.
Quando desligou pude jurar que ouvira um te amo baixinho, mas acabei concluindo que fora apenas minha imaginação.
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