¿Qué Hay Detrás?
27 Coração Apertado
Notas iniciais
POV Naty
Desci as escadas no apartamento de Maxi e segui para casa. Ao longo do caminho fiquei pensando no que acabara de acontecer. Maxi havia me dado um beijo na hora da despedida. Ainda estava analisando todos os motivos por aquilo ter acontecido, mas resolvi deixar para lá e só ficar feliz. Quem sabe Maxi estava começando a se lembrar.
Cheguei a casa, coloquei a bolsa de pertences em meu quarto e voltei para cozinha. O horário do jantar se aproximava. Vovó já estava lá cozinhando, ajudei-a colocando a mesa.
– Como está o Maxi, lindinha? – vovó perguntara, e caí em mim que não havia comentado com ela sobre o fato de ele acordar e já estar até em casa.
– Nossa vovó, eu me esqueci de totalmente de conversar com a senhora sobre isso. Ando com a cabeça em outro lugar por causa dos últimos acontecimentos... Então, Maxi acordou – ela abriu um sorriso. – Porém, os médicos encontraram um pequeno problema.
– Algo sério? – ela ficou preocupada.
– Não necessariamente – falei deixando-a confusa. – Ele está com uma perda de memória recente, não se lembre de nada que acontecera nos últimos dois meses ou um pouco mais.
– Isso significa quê...
– Exatamente o que a senhora está pensando – captei os pensamentos dela. – Maxi não se lembra de mim!
– Ai minha amada, sinto muito! O que você está fazendo agora?
– Estamos começando do zero... Sendo amigos, no entanto, está sendo difícil para mim e vai ser mais ainda agora que ele voltou para a faculdade e vamos nos encontrar todos os dias. Estou pensando em como vou conseguir agir como se nunca tivesse tido nada com ele. Que não tivéssemos passado todos aqueles momentos juntos, e mais ainda, como se não tivesse contando meu segredo para ele – me lembrei do triste, porém lindo dia quando contei à Maxi sobre Joaquim.
– Tenho certeza que vai tudo se resolver logo. Maxi vai começar a conviver com você a lembrar de tudo, assim como nos filmes – vovó falou sorridente.
– Espero que seja mesmo – sorri de volta, apesar de achar que isso seria difícil.
Logo vovô chegou e tivemos jantar juntos, nós três. Ajudei vovó na cozinha novamente após o jantar e fui para meu quarto. Tomei banho, coloquei um pijama e só cai na cama. Não estava com ânimo para estudos naquela noite.
POV Maxi
Tive meu último jantar com a dona Helena. Mamãe voltaria junto de papai na tarde seguinte. Eu iria sentir muita falta dela e de suas preocupações.
– Tem certeza que você vai ficar bem sozinho aqui? Você deveria ir para a casa da sua avó.
– E vou ficar muito melhor aqui sozinho do que com ela, a senhora sabe disso – eu ri e ela riu de volta. – Ela vai ficar me infernizando e falando coisas desnecessárias o tempo todo...
– E o que menos você precisa agora são coisas desnecessárias – ela concordou.
– Eu vou ficar bem, tenho todos os números de emergência no meu celular, mas não precisarei usá-los.
– Queria poder ficar um pouco mais aqui com você, mas é final de ano, os meninos terão exames logo e precisam de mim.
– Eles precisam mais do que nesse momento... Vai ficar tudo bem. Apesar de que gostaria que você ficasse aqui, senti falta dessa comida – falei colocando um pouco de lasanha na boca.
– Só sentiu falta da comida?
– Até que senti um pouquinho de você – e nós dois rimos.
Após o jantar mamãe terminou de arrumar as malas, eu tomei um banho e fui para o sofá dormir. Ela insistiu que eu fosse para a aula no dia seguinte, mesmo ela indo embora durante meu período na Universidade.
*
O dia seguinte amanheceu nublado, levantei, tomei um banho e café, e quando estava saindo da cozinha vi mamãe sentada na cama olhando para mim.
– Está cedo ainda, você pode dormir mais um pouco – comentei.
– Queria me despedir do meu filho na antes de ele ir para a faculdade... Não sei quanto tempo vamos ficar se nos encontrarmos novamente.
– Espero que não muito – me aproximei e abracei.
– Tenha juízo, Maxi. Se recupere bem e faça as escolhas certas – ela recomendou durante o tempo que nós estivemos abraçados.
– Eu irei me comportar e farei essas escolhas – concordei, apesar de não saber do que ela estava falando.
– Agora vá, não quero chorar e nem atrasar você – ela falou me soltando e notei seus olhos marejados.
– Tchau mamãe, vou sentir saudades! – dei um beijo na bochecha dela antes de pegar minha mochila.
– Também vou, meu amor!
Saí de casa antes que começasse a chorar. Havia chorado poucas vezes em minha vida, por alguns tombos quando criança ou por causa de algum doce que me foi negado nesse tempo. Porém, houve uma vez depois de grande quando chorei muito e por alguns dias, essa vez foi quando meus pais disseram que precisariam ir embora. Eles eram tudo para mim, e apesar de eu tentar me fazer de difícil, sofri muito quando eles embarcaram no avião e saíram.
Segui para a faculdade com os fones no ouvido, cheguei lá e fui para minha sala, como em todos os demais dias. A primeira aula seria Topografia I.
POV Naty
Já estava na sala sentada ao lado de Vilu e conversando sobre a matéria. Então Camila e sua fiel escudeira entraram e pararam ao lado da minha mesa.
– Não pense que dessa vez vai ser fácil como da última vez – Camila cuspiu as palavras em cima de mim.
– Do que você está falando, garota?
– Não se faça de sonsa. Melhor, mais sonsa – ela e Ludmila riram. – Estou falando do fato do Maxi ter “terminado” comigo porque está confuso.
– Ele terminou com você? – perguntei como se não soubesse.
– Óbvio que você sabe que sim, sei que você já andou indo na casa dele ontem. Contudo, sua mordomia acabou Helena está indo embora essa tarde e você não terá mais nada para fazer lá – riu.
– Pois sabe que fui lá porque Maxi me pediu – ela ficou assustada.
– Duvido!
– Pergunte para ele então, e não me incomode, a aula já vai começar – falei e voltei a olhar para frente, o professor acabara de entrar na sala.
– Essa conversa não acabou ainda – falou baixo.
– Não tenho mais nada para te falar, por mim termina aqui! – respondi sem olhá-la.
A aula passou rapidamente. Saí com Vilu rumo ao refeitório e observamos pelas grandes janelas do corredor que havia começado a chover, e a chuva castigava àqueles que desejavam fazer qualquer coisa fora de ambientes fechados. Estava chovendo realmente forte.
Chegamos ao refeitório e nos juntamos aos demais, inclusive Maxi.
– Que pé d’água hein – León comentou quando nos sentamos.
– Isso me preocupa, mamãe está embarcando daqui a pouco – Maxi comentou.
– É chuva de verão, logo passa não se preocupa! – Fran o acalmou.
– Assim eu espero – Maxi falou por fim.
– E agora que ela está indo... Você vai pra casa da Marcela? – Vilu perguntou.
– Deus me livre! Vou ficar em casa sozinho...
– Mas é perigoso – adverti. – Você pode precisar de algo.
– Eu tenho alguns telefones de emergência, mas não vai acontecer nada, não se preocupem!
– Você pode ficar lá em casa se precisar – Fede comentou.
– Ou na minha – León acrescentou.
– Ah, obrigado garotos! Aviso qualquer coisa, mas não se preocupem – Maxi sorriu.
Continuamos conversando mais um pouco sobre o tempo em Córdoba, e depois fomos para nossas aulas. Eu e Vilu teríamos aula de Psicologia da Personalidade, estávamos trabalhando no nosso projeto final, então nem vimos a hora passar.
Na saída a chuva continuava a castigar quem queria andar na rua, resolvi ficar um pouco na biblioteca esperando. Vilu foi de carro com León, perguntou se eu precisava de carona e insistiu um pouco, mas eu não me importava de ficar colocando os estudos em dia e não queria atrapalhá-los.
A biblioteca estava praticamente vazia apesar de tudo, sentei-me em uma mesa próxima à janela e abri meu livro de Psiquiatria para adiantar os estudos para sexta. Estava concentrada nos livros quando alguém se aproximou.
– Não se importaria se eu me juntasse a você nos estudos? Também estou querendo focar em Psiquiatria... – ele sorria.
– Oi André – sorri. – Claro que não, sente aí.
– Fiquei sabendo sobre o Maxi, você e Maxi e tudo o mais... Sinto muito! – ele falou sentando-se.
– Coisas da vida... – comentei.
– Vocês formavam um casal muito legal, dava pra notar a felicidade de vocês de longe... Maxi melhorou muito depois de você. Tenho certeza que logo ele vai se lembrar das coisas bacanas que vocês tiveram – André sorriu, e sorri de volta. Fiquei pensando no que ele acabara de dizer. Será que pelo fato de eu ter feito tão bem ao Maxi como dizem, ele poderia se lembrar de mim?
– Quem sabe, mesmo assim, ele precisa dos amigos agora, então, converse com ele qualquer hora dessas – sugeri.
– Eu com certeza irei – piscou para mim e não entendi nada.
– Vamos estudar? – mudei de assunto. – Por onde começamos?
– Então... – André começou a comentar sobre a matéria e ficamos por ali discutindo e estudando.
POV Maxi
O caminho de volta para casa tinha sido molhado, literalmente. Embora eu pudesse ter esperado na universidade, queria chegar logo. Não sabia quanto tempo mais a chuva iria cair, quem sabe nem parasse e eu teria gastado meu tempo em vão.
Cheguei e fui direto para o chuveiro tomar um banho quente e tirar as roupas molhadas. Não poderia ficar doente. Não agora no final de semestre. Apesar de que não conseguia me lembrar da última vez que tinha ficado doente por causa de chuva, devia fazer bastante tempo já.
Depois do banho sai do banheiro já pensando em comida, mas quando estava caminhando em direção à cozinha reparei em uma situação não muito agradável acontecendo no apartamento. Havia uma goteira a qual estava pingando água em cima do sofá, que não era de couro e já estava ficando bastante molhado. Resolvi arredá-lo antes que os danos fossem irreparáveis. Ideia errada.
No momento que comecei a empurrar o sofá para trás, luzes começaram a surgir e depois um clarão tomou conta dos meus olhos, acompanhado de uma dor na cabeça que não me deixava pensar. Foi quando cai deitado no chão, e apesar de estar zonzo e perdido, lembro-me de conseguir alcançar o celular e discar aquele número que me veio à mente...
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