¿Qué Hay Detrás?
28 Caso Indefinido
Notas iniciais
POV Naty
Estávamos descontraídos e perdidos nos estudos quando meu celular começou a vibrar em cima da mesa. Era o número de Maxi. Eu olhei séria e André levantou a cabeça saindo dos livros. Eu olhava aflita para o celular, não conseguia explicar o porquê. Talvez não conseguisse entender porque Maxi estava me ligando. André notou minha mudança de feições e tentou me incentivar.
– Atende... – ele falou, e apertei o botão para atender.
– Maxi? – falei.
– Pre-ci-so de a-juda... – foi só o que consegui entender antes de ficar mudo.
– MAXI? – gritei e todos na biblioteca me olharam. – Maxi, fala comigo – sem resposta. — O que aconteceu? — e a ligação caiu.
Tirei o celular do ouvido e fiquei olhando para o horizonte em choque, precisava correr, mas não tinha forças.
– O que foi Naty? – André me tirou do transi.
– Eu não sei – senti que iria chorar. – Maxi disse que precisa de ajuda e ficou mudo... Preciso vê-lo! – levantei-me correndo e comecei a guardar minhas coisas.
– Te dou uma carona! – André falou levantando-se e guardando as coisas dele.
– Obrigada...
Saímos correndo do prédio da faculdade e fomos para o estacionamento do bloco de ciências da saúde, a chuva finalmente havia dado uma trégua. Entramos no carro de André e em pouco menos de 15 minutos ele estacionava em frente ao prédio de Maxi.
Descemos do carro correndo e assim subimos as escadas até o andar do mesmo. Bati na porta e ninguém atendeu, então, coloquei a mão na maçaneta na esperança de girá-la e encontrar a porta aberta. E ela estava. Assim que entrei vi Maxi desmaiado no chão de seu apartamento com a celular ao lado de seu corpo. Corri para perto dele.
– Maxi... – abaixei-me perto dele e coloquei a mão em seu rosto. André se aproximou e começou a mexer no pulso de Maxi. Agradeci por ele estudar Medicina e estar comigo nesse momento.
– Precisamos levá-lo para o hospital agora – ele falou calmamente, porém firme.
– O que aconteceu? – todas as lágrimas que havia segurado desde a biblioteca vieram à tona.
– Ele está com a respiração e batimentos cardíacos fracos... Vamos!
André e eu carregamos Maxi até o carro e o colocamos no banco de trás, antes de sair do apartamento peguei o celular e documentos de Maxi. Sentei-me no banco de trás também, e coloquei a cabeça de Maxi em meu colo.
Enquanto André dirigia o mais rápido que conseguia, eu, ainda em lágrimas e olhando para a estrada, mexia no cabelo de Maxi. De repente ele começou a mexer a cabeça e abrir os olhos lentamente.
– Hey, calma... – falei agora olhando para ele.
– O-o q-que aconteceu? – ele perguntou coma voz fraca.
– Você que precisa nos dizer mocinho – tentando ficar melhor, já que Maxi estava acordando.
– Só consigo me lembrar daquela maldita goteira em cima do sofá, aí depois de empurrá-lo e não me lembro de mais nada... Como vim para aqui? Quem está dirigindo? – ele começou a ficar confuso.
– Hey cara, sou eu – André falou do banco da frente.
– André?
– O próprio...
– O que aconteceu, Naty? – ele falou meu nome, e meu coração amoleceu.
– Parece que o senhor resolveu não seguir as recomendações médicas e andou fazendo mais esforço do que deveria.
– Cara, meu sofá! – ele falava indignado, mas de um jeito engraçado. — E como vocês apareceram?
– Não sei como, mas você me ligou... Estávamos estudando, e bem, agora estamos aqui – sorri.
– Desculpe, não queria atrapalhar seus estudos – comentou e pela primeira vez desde que acordara tentou se levantar. – Aiiii – ele falou colocando a mão na cabeça e deitando-se em meu colo novamente.
– Tudo bem? – perguntei preocupada.
– Minha cabeça tá doendo demais...
– Já, já chegamos ao hospital – comentei olhando nos olhos de Maxi. – Descanse enquanto isso – depois que falei isso vi um “obrigado” mudo ser feito por ele.
Alguns minutos depois André estacionava em frente ao hospital. Ajudamos Maxi a descer e fomos para a recepção. Uma moça nos atendeu.
POV Maxi
A última imagem que tinha em minha cabeça era de estar deitado no chão com o celular nas mãos. E agora, estava na recepção do hospital, o qual havia deixado dois dias atrás, porque por algum motivo eu havia conseguido contatar alguém. E esse alguém foi Naty.
Ela estava parada no balcão da recepção esperando ser atendida, eu estava um pouco mais atrás sendo amparado por André. Aliás, Naty e André juntos? Não conseguia me lembrar de onde eles poderiam se conhecer. Comecei a pensar nos dois juntos, e isso mexeu com minha cabeça, de novo.
Deixei meus pensamentos de lado quando Naty foi atendida.
– Olá – ela falou. – Doutor Sawdicott nos espera.
– Maxi?
– Isso, ele – apontou para mim e André logo atrás.
– Vou chamá-lo.
A moça anunciou o nome do doutor no alto falante, e Naty voltou para ficar junto de nós.
– Como ela sabia que viríamos? – perguntei.
– Liguei para o doutor enquanto você estava desmaiado...
– Então, o que temos aqui? – o doutor apareceu atrás de nós.
– Olá doutor – cumprimentamo-lo em uníssono.
– O que você andou aprontando Maxi? – perguntei firme para mim.
– Acho que fui fazer mais esforço do que deveria – respondi cabisbaixo.
– Na verdade, você não deveria fazer nenhum esforço... Vamos lá dentro fazer alguns exames, preciso ver se está tudo bem com você e o que aconteceu – ele falou. Eu já me sentia melhor, então fui caminhando ao lado dele. Naty e André ficaram na recepção.
POV Naty
Maxi e o doutor desapareceram no corredor, sentei-me na sala de espera para aguardar o retorno deles. André sentou-se em outro sofá e ficou por lá me fazendo companhia, ainda que silenciosa. Porque estávamos sentados apenas olhando para as paredes, até que ele quebrou o silêncio.
– Não se preocupe Maxi já parecia melhor antes de sair daqui... Vai ficar tudo bem! – falou tentando me confortar.
– Ah não sei André... Apesar de ele parecer bem, fico preocupada com o como esse desmaio pode ter afetado Maxi e a recuperação dele.
– Não há de ser nada, você vai ver! – sorriu.
– Aliás, obrigada por tudo... Por nos trazer aqui e pela companhia.
– Por nada, para isso que são os amigos...
– Fico te devendo uma – sorri.
– Pode deixar que vou cobrar – ele riu. – Tenho algumas ideias no que você poderá me ajudar.
– Ok – sorri. Logo meus olhos brilharam quando vi a porta de um consultório se abrir, porém, nem Maxi nem doutor Sawdicott saíram de lá. E voltei a me entristecer.
– Logo eles vêm – André voltou a tentar me confortar.
– Sabe o que me deixa mais preocupada? O fato de que depois de ficar tudo bem, e Maxi voltar para casa, ele vai ficar lá sozinho e isso pode acontecer de novo – eu falava nervosa.
– Calma, vai tudo se resolver... – André segurou minha mão, e logo que ele fez isso Maxi e doutor Sawdicott reapareceram na sala de espera. Imediatamente soltei a mão dele e levantei ficando cara a cara com os dois.
– Aqui está nosso garoto – o doutor falou, e soou estranho para eu ouvir “nosso”, afinal, não estávamos mais juntos.
– O que aconteceu doutor? Está tudo bem com ele? – perguntei preocupada.
– Agora sim... Parece que aquela besteira não resultou em nada mais grave, mas Maxi já foi avisado de novo, não é mesmo? – o doutor perguntou olhando para ele.
– Sim, já entendi tudo... Podemos ir agora? – Maxi perguntou um pouco frio demais inclusive.
– Claro – respondi sem entender o tom.
– Maxi – André perguntou -, não quer ir para minha casa? Estávamos conversando e seria uma boa ideia se você não ficasse sozinho.
– Foi exatamente o que falei para Maxi durante nossa conversa – doutor Sawdicott comentou.
– Não se preocupem, já decidi o que vou fazer! – Maxi respondeu dando fim a conversa. – Obrigado doutor, nos vemos em breve – ele apertou a mão do doutor e começou a andar em direção à porta. Não entendi nada.
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