Pérolas e Safiras

11 Revelação do Passado Hyuuga – Parte II


Notas iniciais
Hello, guys! Olha a segunda parte ai gente!!! Primeiramente quero agradecer aos comentários, mesmo depois de receber vários insultos (digamos de passagem merecidos, certo Srta. Pezzino? Rs.). Agora é oficial, a partir daqui a fic estará tomando seu rumo final e vai ter hentai, não se preocupem, principalmente você Catherine Jenete. Olha este coração! Então vou logo dizendo o que tenho em mente para futuros projetos... Estou com ideias doidas na cabeça, mas vou ter de segurá-las por um tempo pelo fato de que tenho de adiantar meu livro (que está bem atrasado :v). Maaaas, como eu amo meus leitores, farei one-shots variadas. Nos próximos capítulos ocorreram enquetes e neles saberei a opinião de vocês sobre o que escrever e bla-bla. Se vocês querem one-shots baseadas em P&S... Enfim, vai ter uma baralhada de coisas. Bom, eu acho que é só isso meu recado por enquanto. Tenham uma boa leitura! Ah, lá vai a primeira enquete e se tiver um bom feedback digo o resultado no capítulo seguinte. Vocês querem one-shot com hentai ou não e que casal seria o protagonista? Beijos ;*

“Apesar de tentar lhe dizer que preciso de você, aqui estou eu sem você. Eu me sinto tão perdido, mas o que posso fazer? [...] E eu fico em pedaços enquanto você vai embora! Fique.” – Hurts, Stay.

O time de resgate montado por Tsunade finalmente chegara ao local, os sons produzidos pela batalha e o ritual foram seus guias. Os ninjas olharam assustados e admirados para o que acontecia naquela clareira que brilhava intensamente. Se eles não soubessem que o momento é trágico, com certeza teriam parado por um tempo apenas para olhar.

Kurenai ficou apreensiva ao ver sua ex-aluna gritando desesperada dentro daquela áurea transparente de brilho prateado. Kakashi e Sasuke se prepararam para intervir qualquer outro ninja, mas eles sabiam que o único que permanecia vivo era Ghost, que sorria eufórico para a Hyuuga. Seu olhar doentio brilhava com uma alegria intensa. Era de embrulhar o estômago.

Tsunade se assustou com a aparência selvagem e raivosa do Naruto. Ele gemia e rosnava de dor, desesperado para salvar Hinata, estava a um passo de perder o controle.

– Desistam! – Ghost gritou para os recém-chegados e para o louro. Ele nem precisou se virar para eles. – Ela agora é minha!

– NÃO! – Naruto gritou, mas seu corpo exausto e trêmulo, devido à extração contoinua de chakra, que chegou a cair de joelhos. Os braços dos clones permaneceram grudados em seu corpo.

Eles absorviam com esforço o excesso de chakra que existia dentro daquele jovem. Eles estavam saturados, pareciam que poderiam explodir a qualquer momento.

– Sasuke, Kakashi! – Kurenai chamou a atenção dos homens, que estavam distraídos analisando a situação e quando teve suas atenções apontou para os três clones.

Eles investiram nos inimigos e o retiraram de cima do acabado Uzumaki. Kurenai destruiu o clone que pegara explodindo-o com uma kunai e uma dose extra de chakra que saturou o inimigo. Sasuke cortou o corpo inchado do oponente com sua espada. Kakashi destroçou o clone com seu Chidori.

O Uchiha estranhou o fato dos clones serem tão maciços do que da ultima vez, mas então percebeu do quanto haviam sugado do chakra do Uzumaki e logo entendeu que o excesso no acumulo de poder os deixou tão maciços e frágeis.

Tsunade correu para confrontar de Ghost, que ao sentir sua aproximação tentou se defender, mas acabou por ser golpeado. Com um de seus socos potentes derrubou o homem. Ela o olhou de cima e esperou impaciente o oponente se levantar do chão. Eles se encararam furiosamente, iriam partir para briga.

No início da clareira, Sasuke olhou para o chão e encontrou seu amigo olhando Hinata de maneira desolada. Era um olhar de dar pena, mas aquilo tinha de acabar. O desespero da morena lhe dava nos nervos.

– Levanta dai, Naruto! – Rosnou para o rapaz e o ajudou a se recompor.

Mas o corpo drenado tinha os joelhos trêmulos, era impossível de se sustentar sozinho. Então ele apoiou metade do peso do amigo em seus ombros e ajudou a se erguer. Juntos observaram o confronto da Quinta Hokage, o louro estranhou o fato dela estar tão irritada.

A Senju decidiu que deixaria sua preocupação materna com o Naruto para depois que tudo acabasse, sabia que o seu ANBU cuidaria bem do amigo. Sendo assim, continuou a encarar os olhos cinzentos do Ghost com muito desgosto. Nunca imaginou vê-lo novamente. Neji não havia dado uma descrição do seu oponente, se tivesse feito antes, teria interferido de imediato e o derrotado antes que causasse novamente essa confusão. Eles não eram mais jovens, mas mesmo assim ele se comportava como um.

– Por que tentar? – Ela o questionou com pesar. Tentava a todo custo entender a predisposição do homem em trazer o mal de volta. Aquilo não era amor...

Ghost sorriu amargamente, lembrava-se muito bem daquela mulher. Ela não havia perdido a força ou beleza e sua presença o incomodava, já que a loura também atrapalhou tudo anos atrás...

– Você sabe que acabou... – Ele disse enquanto se levantava e a encarava com muita firmeza. Ele limpou o sangue que escorreu pela sua boca devido ao soco. – Ninguém pode impedir, dessa vez é para valer.

– Não é verdade! – Tsunade retrucou com fúria, odiava ter de dizer aquilo, ela gostava muito da Hinata, mas se realmente ela perdeu o controle do seu corpo... Não, ela não permitiria. – Vamos impedi-la, nós podemos...

– Quem pode? – Ele a interrompeu com raiva na voz. – Você? O garoto Naruto? – Riu desdenhoso apontando para o garoto atrás da mulher. – Você sabe que não, ele não consegue. Acabou! Ninguém pode...

– Eu a matarei e pode ter certeza que não irei hesitar um segundo sequer!

Tsunade disse com firmeza e tanta frieza que chegou a gelar seus ossos. Mas Ghost captou uma oscilação em seu olhar. Ele sabia que ela não mataria a garota. Não podia. Estava blefando e a Hokage perdera o jogo.

De repente uma onda de impacto e poeira atinge todos no local, os gritos finalmente haviam cessado. Ghost havia os distraído do verdadeiro objetivo.

Todos se voltam para onde o ritual antes acontecia e agora apenas restara o corpo da Hyuuga ajoelhado no chão. Hinata tinha a testa encostada no chão, seu longo cabelo negro-azulado cobria seu rosto. Ela estava quieta e Kakashi se perguntou se a garota não havia morrido.

Naruto gritou o nome da moça, o alivio já percorria em suas vias deixando-o bem mais calmo. Entretanto – diferente do habitual — ela não correspondeu ao seu chamado desesperado e com isso se foi seu alívio. Tsunade baixou a guarda, tinha a expectativa de que o ritual tivesse dado errado. Sasuke, Kakashi e Kurenai apenas esperavam a resolução e movimentação da morena. A tensão do lugar dava para ser sentida a quilômetros de distância.

– Você acha que ela está bem? – O Hatake dessa vez questionou a Yuuhi, que engoliu em seco. Ele estava preocupado com a garota onde seu comando uma vez realizou uma missão.

– Tem alguma coisa errada... – A morena dos olhos avermelhados resmungou, estava temerosa com a situação de sua ex-aluna. Seu coração sangrando em antecipação.

Kakashi trincou os dentes com preocupação e voltou-se para a garota que dessa vez levantara seu torso e começou a olhar para as mãos. Se o que Tsunade havia revelado secretamente para ele, enquanto vinham para o campo de batalha fosse verdade, então suas habilidades seladoras seriam muito necessárias. Tinha de se acalmar.

Hinata movia suas mãos com lentidão, tentava de se certificar de que ainda podia se mover. Ela sabia que seria difícil em se habituar, mas aprenderia rápido, sempre foi assim. Ghost ao ver que ela ainda estava consciente, lançou senbons na direção da Hokage, que saltou para longe dele desviando do ataque. Com o caminho livre, ele se aproximou da Hyuuga e ofereceu sua mão para que se erguesse. Sua mão estava trêmula de tanta ansiedade.

– Você está bem, princesa? – Questionou com a voz gentil. Sempre seria gentil com ela, a única pessoa que realmente o conhecia.

– Sempre cortês... – Hinata falou com um sorriso sarcástico em seus lábios. Ela aceitou a mão do homem e se levantou, eles se olharam demoradamente como tentando avaliar ao outro. – O tempo passa e você nunca muda, Hayato.

Hayato sorriu daquela repreensão da morena. Era típico daquela mulher debochar dele nas piores condições. Sempre o fazia rir nas situações indevidas. Mas o mais importante era que ela estava ali com ele, pela primeira vez em tanto tempo...

– O mesmo para você, Kaguya.

A revelação pegou a todos – menos Tsunade e Kakashi – de surpresa. Naruto não podia acreditar que Ghost estava chamando sua Hinata de Kaguya. Justamente a mulher que ele mais desprezava em sua vida. A mulher que por suas convicções falsas e ditatoriais quase destruiu o mundo ao tentar implantar suas ideias em um ser louco.

– O que está acontecendo, Tsunade-sama? – Kurenai questionou a mulher que tinha seus punhos fortemente cerrados ao lado de seu corpo. Ela estava próxima ao grupo e se arrependia amargamente em não ter chegado momentos antes do início do ritual.

– Kaguya implantou sua alma no corpo da Hinata.

O choque teve presença nas feições de todos, mas o único que não pode se manter calado e aceitar tal situação era o louro, que mesmo sem suas forças não pode conter seu grito. Quando percebeu as palavras já haviam saído de sua boca.

– HINATA! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Gritou furioso para a morena que voltou seu olhar para ele. – SAI DAI!

A morena observou bem o Uzumaki, que se remexeu inquieto mesmo sem suas forças completas, aquele olhar era estranho. Um sorriso de pura malícia e crueldade se abriu no rosto pálido da Hyuuga. Era um sorriso tão antagônico naquele rosto que doeu no coração do louro.

– Não se preocupe, — Hayato falou para a mulher com frieza e seriedade. – eu vou cuidar deles...

– Não precisa. – Ela o interrompeu tomando a sua frente. – Eu cuido deles.

Kaguya sorriu para seus oponentes com confiança, ganharia aquele embate. Mesmo que fosse cinco contra um. Ela queria testar os limites do corpo da Hyuuga. Tinha de ter a confirmação, de que com ele poderia recuperar seus poderes por completo. Ela ainda não tinha os mesmos poderes de antigamente, mas eles retornariam com o tempo.

O preço da troca de almas... – pensou pesarosa enquanto se aproximava do grupo com extrema calma e lentidão.

Sabendo do combate próximo, Tsunade tomou a frente do grupo e ordenou que ninguém tentasse intervir... Mas ela foi interrompida por Kaguya. A loura nem viu o movimento a tempo, quando percebeu, ela já estava do seu lado e bastou apenas que levantasse o braço para uma onda de choque de ar atravessar seu corpo, lançando-a para metros de distância.

Kakashi foi rápido e receptou o corpo da Hokage antes que caísse no chão, ele caiu de costas e por um bom tempo seus corpos foram arrastados até serem parados por uma árvore. Naruto se impressionou com o poder demonstrado, era parecido com a técnica do Punho do Sapo Sábio. Mas ele sabia que a garota nem sabia utilizar o chakra senjutsu... Então a verdade recaiu sobre ele como um tapa. Aquela não era Hinata, não podia aceitar, mas Kaguya voltara...

A morena arqueou uma sobrancelha, impressionada com a rapidez da resposta do Hatake. Aquilo não foi o suficiente para pará-la. Ela ficou meio decepcionada com a Hyuuga por não ter testados todos os limites que seu corpo oferecia. A garota foi tão ingênua em não ter tentando quebrar os seus poderes ocultos, mas isso não importava no momento, ela nunca mais iria aprender como utilizá-las. Juntando chakra nas plantas dos pés, correu com uma velocidade absurda e parou em frente à Yuuhi que ainda estava chocada pelos acontecimentos.

Kurenai olhou Kaguya diretamente nos olhos e tentou encontrar uma brecha, ela encontrou maldade pura naquele Byakugan. Mas tinha algo secreto, nos fundos daquelas pérolas que conhecia perfeitamente bem...

Hinata! – ofegou surpresa. – Você ainda está ai!

A Otsutsuki não tinha pressa em acabar aquele combate, adoraria ver a quem seu corpo protegia, destroçados por suas mãos. Principalmente o louro. Ele havia atrapalhado seu retorno a Terra ao destruir o Zetso Negro, juntamente com o Uchiha. Então sem hesitar, logo tratou de golpear Kurenai e quando iria levantar seu punho, sentiu que algo estava errado.

Seu braço tremia e mesmo ordenando que se movesse, ele não se movimentava. Uma recusa estranha e irracional. Seu corpo não estava se movimentando.

Não pode ser... ­ – pensou furiosa.

Tardiamente, Sasuke virou-se e deu de cara com Hinata a frente de Kurenai. Ele estranhou o fato dela ainda não ter se movimentado, mas não daria chance e mesmo que o louro o tentasse matar depois disso tudo, iria impedir o retorno de Kaguya. Decidido, largou o amigo e retirou sua espada da bainha, ativou seu Sharingan, mas algo em si o obrigou a ativar o Rinnegan também. E teve de franzir suas sobrancelhas ao ver algo impossível. Tinha duas áureas no corpo da morena...

Entretanto sua curiosidade foi contida e logo tratou de ataca-la. Transferindo eletricidade para a lâmina da espada, atacou a cabeça da morena que nem desviou. Contudo, o ataque nem chegou a tocá-la, pois Naruto – que pediu emprestado o chakra dos Cinco-Caudas, Kokuo – o impediu no momento crucial. Ele não permitiria que ninguém a machucasse, não importava quem esteja dentro dela, sabia que a Hinata ainda estava ali. Era como se seu socorro pudesse ser ouvido e sentido por ele. Era tão desesperador e obscuro...

Percebendo o impasse dos garotos, Kaguya se aproveitou da distração para recuar.

– Naruto! – Sasuke ralhou com o louro ao ver que ela fugia. – Por que me parou?

– Cala a boca. – Naruto rosnou com raiva e se voltou para a morena, soltando o braço do amigo com brutalidade. Ele ainda permanecia coberto pelo manto de chakra da Técnica Sábia dos Seis Caminhos. – Eu cuido dela.

Avisou tomando a frente do grupo, pronto para morrer desde que isso significasse trazê-la de volta. Ele e Kaguya se encaram com firmeza, ela ainda não tinha a movimentação completa do corpo, mas derrotaria aquele garoto, o esmagaria com seus poderes.

– Esse vai ser um aviso amistoso Kaguya. – Naruto falou com frieza. – Deixe a Hinata ou as consequências serão feias...

A mulher desdenhou o aviso e isso irritou ainda mais o rapaz. Ele tinha perdido por completo a racionalidade, Kaguya mexeu com quem não deveria.

Como não teve suas ordens respeitadas, aumentou exponencialmente sua força. Movimento que impressionou a matriarca dos Otsutsuki, nunca imaginou que aquele garoto poderia alcançar um poder tão opressivo como esse. Hagoromo ensinou bem ao rapaz o verdadeiro poder.

Hayato que se manteve – diga-se de passagem, a muito contragosto – parado, partiu para atacar Naruto que apenas desviou do homem e continuou a mirar seu verdadeiro alvo.

– Não interfira, Hayato. – Kaguya falou calmamente, mas ele a desobedeceu e continuou a atacar o louro que sem paciência para aguentar o ninja, o socou lançando-o bem longe. – Eu disse para sair, Yokoyama!

Dessa vez sua ordem se fez por valer, pois o homem não moveu um músculo e encarou indignado o Uzumaki – que nem dava atenção a ele, sentiu o gosto se sangue escorrer até sua boca. Naruto havia quebrado o nariz do inimigo.

Kaguya apenas ativou o Byakugan e esperou a movimentação do rapaz, que não tardou a acontecer. Ela desviou de um soco, mas percebeu que a intenção dele não era atingi-la. O punho do louro bateu no chão provocando um tremor e uma rachadura razoavelmente média. A mulher tentou decifrar o que o louro queria com aquilo, mas mesmo que seus olhos tivessem captados os movimentos dele, ela foi pega de surpresa.

Naruto chegou por trás da inimiga e a prendeu em seus braços.

– O que você está fazendo? – Kaguya perguntou frenética tentando se soltar dele.

Mas a força que aqueles braços a imprimiam equivaliam a aço. Era impossível de escapar dele. Ela sentiu ser envolta pelo seu chakra opressor e poderoso, pode senti-lo invadir sua mente...

Hinata! ­– Naruto a chamou mentalmente. — Eu sei que ainda está ai! Saia dessa, eu sei que você pode!

Kaguya não entendia por que repentinamente não pode se movimentar, o corpo parecia estar mais pesado que o normal, não tinha mais o direito de controla-lo... Ele estava conversando com ela?

Mas todo o esforço que o louro havia feito foi em vão. Apenas sentiu a dor atravessar seu estômago. O aperto se desfez e a morena se viu livre. Ao se soltar e virar para trás, entendeu o que havia ocorrido. Hayato se aproveitou da distração dele e o esfaqueou por trás. Com brutalidade, o Yokoyama retirou a lãmina das costas do louro e limpou o sangue dela. Naruto tossiu sangue e se sentiu confuso com o que aconteceu, ele estava prestes a conseguir falar novamente com a Hyuuga, iria trazê-la de volta...

Com lentidão sentiu a fraqueza dominar seus sentidos. O poder antes fortemente renovado pelo poder da Biju desapareceu e isso fez com que ele lentamente caísse de joelhos.

A morena assistia aquilo paralisada, não sentia pena do que estava acontecendo. Mas algo dentro dela entrou em desespero, a impedia de sair, a congelava de vez...

Parece que ela está ainda aqui. – pensou irritada.

– Vamos embora. – Hayato disse com raiva e puxou o braço da morena estática.

Naruto ainda tinha forças, mas apenas conseguiu erguer o braço e agarrar a blusa que a Hyuuga escolhera especialmente para aquele dia. Devido ao movimento brusco, acabou caindo de cara no chão. Ela ainda o olhava com o rosto neutro, sem demonstrar reações. Seus olhos era a única coisa que possuía uma batalha de emoções e sentimentos. O louro ergueu seus olhos e com muita dificuldade a encarou.

Antes que sentisse a garota se puxada e levada por Hayato. Naruto viu algo que lhe deu esperanças. Ele enxergou a Hinata. Ela estava presa dentro daquele corpo, sem ter como controla-lo, mas ainda batalhava com Kaguya. O Uzumaki a traria de volta.

Yokoyama tomou a mulher em seus braços e a levou para longe. A morena observou por entre a brecha do pescoço do homem, o louro desmaiar e em sua mão estendida, um pedaço da blusa que ela usava.

A Deusa Coelho teve de reconhecer a força de vontade daquele rapaz, mas não o deixaria ganhar. Ela traria a verdadeira paz ao seu mundo.

*****

Naruto abriu os olhos de supetão, pela janela do quarto entrava à fraca e cinzenta luz do amanhecer.

Ele olhou o quarto em que estava e se impressionou ao ver que não se encontrava em sua casa. Num cabide próximo a porta pintada de branco, havia uma túnica verde-grama onde havia um kanji que se lia kake (jogo). Ele sabia quem era o dono, ou melhor, a dona. Estava na casa da Hokage. Com cuidado se levantou da cama e teve de segurar o gemido da dor excruciante que sentiu em seu abdome. Repentinamente arregalou os olhos ao lembrar o ocorrido. Ignorando o protesto do seu corpo ao se movimentar, levantou da cama. Sentiu-se cambalear, mas se firmou na cabeceira da cama. Tocou a barriga e a encontrou envolta por ataduras, ao olhar para baixo viu que estava sem sua camisa.

Procurou pelo gigantesco cômodo sua peça de cima e a viu jogada num lixeiro próximo a porta de saída. Vestir sua camisa não era mais uma opção. Suspirando com muito cansaço, continuou a andar até a porta. Tinha de ir atrás da Tsunade e exigir uma missão urgente de resgate...

Ele parou na porta e escutou sons distantes do corredor. Abriu a porta e saiu do quarto, tudo com calma, já que não poderia exagerar ou abriria os pontos em sua barriga.

Cadê você Kurama? – perguntou ansioso por um rosnado da besta. Entretanto ela se manteve calada. – Então está dormindo, huh? Desgraçado...

Falou consigo e continuou o trajeto, mancando pelo corredor. Chegou próximo as vozes e entrou silenciosamente na sala da casa da Hokage. O lugar estava cheio de pessoas, as únicas que realmente importava ao louro naquela hora, eram as que se mantinham caladas. Sakura e Shizune arrodeavam a loura, elas a curavam, parece que o golpe recebido havia danificado muito seu corpo. Sasuke estava de olhos fechados, esperava pacientemente a pronunciação da Senju. Ao seu lado, Kakashi lia um pergaminho amarelado, estava tão centrado que ignorava o barulho que Shizune fazia ao reclamar com a Quinta. Kurenai estava em pé e era mais próxima do louro, arqueou uma sobrancelha ao encontra-lo ali, mesmo depois de ter perdido uma quantidade absurda de chakra. Entretanto não falou nada e nem denunciou a presença dele aos outros.

O que mais impressionou o Uzumaki foi à presença do Hyuuga Hiashi. Ele estava sentado próximo à loura e parecia tão introspectivo e calado que começava a aparentar ser uma estátua.

– O que está acontecendo? – Naruto questionou em voz alta, ele teve de pigarrear, pois primeiramente a voz saiu rouca e fraca.

Todos o olharam meio que assustados e o silêncio repentinamente dominou o cômodo. A Senju queria mandar o louro voltar para a cama, mas ela não tinha mais cabeça para isso. Ela estava tão triste e cansada que apenas pediu para que ele sentasse a sua frente.

Pela primeira vez desde que se sentara naquela sala, Hiashi elevou seu olhar e encarou Naruto, que pediu desculpas por não ter conseguido trazer Hinata de volta. O homem apenas respondeu derrubando seu olhar para o chão de madeira e voltou ao seu silencio.

– Você explica ou eu explico? – Tsunade questionou o velho Hyuuga que elevou seu olhar arrependido – quase assustado – para ela.

– Você. – Respondeu e voltou a ficar imóvel.

A loura suspirou e dispensou suas alunas. Elas reclamaram um pouco, mas a obedeceram e foram se sentar ao lado do Kakashi e Sasuke. Kurenai permaneceu onde estava e cruzou seus braços a espera da resposta prometida.

– Havia uma lenda não confirmada e muito antiga sobre a família Otsutsuki. – A Hokage iniciou a explicação, tomando assim a atenção de todos da sala. – Depois que Kaguya comeu a fruta, se apaixonou por Yokoyama Hayato, capitão de um exército. Por ele ter nascido em uma família pobre, os dois não puderam constituir uma verdadeira família. A tradição da família Otsutsuki não permitia.

Ela deu uma pausa em sua narração para tomar um pouco do chá feito por Shizune. Naruto tinha o cenho franzido, tentando entender aonde a loura queria chegar com aquela história. Sasuke não perdia nenhum detalhe, tentava decifrar, encaixar as peças para conseguir entender em como Kaguya retornara.

– Entretanto, — Tsunade continuou com a mesma calma e cansaço de antes. – isso não os impediu de continuar o relacionamento e dele nasceram Hagoromo e Hamura. – A loura suspirou e apoiou os braços em cima do centro de mesa a sua frente. – Quando o patriarca Otsutsuki descobriu daquele relacionamento, logo mandou decapitar Hayato. Mas o que ele não esperava era que, de alguma maneira Kaguya conseguiu transferir um pouco do seu poder para o amado antes da sua execução. Fazendo assim com que ele continue a viver.

– Ele é imortal. – Kakashi concluiu fazendo Shizune olhá-lo assustada pelo seu repentino pronunciamento.

– Sim, ele é imortal. – Concordou com pesar. – Mas isso não é tudo. – Concluiu contornando distraidamente a borda da xícara com o indicador. — Depois da guerra entre os filhos de Kaguya e a Juubi, ao sentir sua morte próxima, Kaguya implantou um pedaço de seus poderes em seu filho Hamura, o que amaldiçoou suas futuras gerações... – Dessa vez Naruto sentiu um frio na barriga ao ver os rostos tensos e endurecidos do Hiashi e Tsunade. – A alma dela foi transportada até a lua e lá seria sua prisão para a remissão de todos os seus pecados cometidos na Terra. Contudo, devido a um pedaço seu estar acumulado em Hamura, havia a possibilidade em conseguir voltar à vida.

– O ritual? – Naruto questionou com a voz ofegante.

– Exatamente. – Tsunade fechou os olhos e visualizou seus pensamentos. – Ela apenas poderia retornar a um corpo que possui as habilidades do Byakugan. E todos nós sabemos que Hamura originou o clã Hyuuga.

– Então ela necessitava de todo esse tempo de um Hyuuga. – Sasuke pensou alto. Mas se impressionou ao ser refutado pelo Hyuuga.

– Não um Hyuuga qualquer. – Ele falou com a voz fraca e quebradiça. – Ela necessita do poder que dividiu antes de sua morte. E o que é do conhecimento de poucos, havia uma família que tinha o Byakugan fora de Konoha.

Falou e voltou a ficar calado, dando assim, a chance da Senju voltar a falar.

– Hamura teve duas filhas gêmeas. Uma delas originou o clã Hyuuga que se instalou no País do Fogo. A outra se casou e iniciou seu próprio clã. – A loura explicou e novamente tomou seu chá antes de continuar. – Hiashi-kun é descendente da filha mais velha do Hamura, entretanto os Hyuuga não manifestaram os poderes de Kaguya.

– Traduzindo... – Kurenai interveio tentando reorganizar seus pensamentos. – Kaguya precisa de alguém que fosse do outro clã. Mas o que Hinata tem haver com isso, ela é uma Hyuuga.

Todos – exceto Hiashi e Tsunade – concordaram com a Yuuhi, mas novamente foram impressionados por Hiashi.

– Hinata não é uma Hyuuga legitima.

– Como assim? – Naruto perguntou com a voz esganiçada. O susto que tivera agora quase o fez engasgar a própria saliva.

O Hyuuga respirou fundo e tentou arranjar forças para continuar a falar. Aquela história era dolorosa, mas todos tinham de saber daquele segredo, se ele quisesse ter Hinata de volta, teria de ignorar a dor em seu coração.

– Eu me casei com uma forasteira. – Falou com calma e lentidão. – Himiko veio de uma família fora de Konoha. Nós ficamos assustados pelo Byakugan ter se manifestado fora da vila e por isso meu pai ordenou que me casasse com a forasteira. – Naruto observou o rosto neutro do velho, mas se impressionou ao ver que ele apertava com força o kimono que usava. – Himiko é mãe das minhas filhas. Elas são descendentes do clã Otsutsuki. O poder da Deusa Coelho está adormecido em minhas filhas.

Sakura não pode conter o ofego. Ela estava chocada em saber que sua amiga era descendente de alguém tão diferente de sua natureza boa e gentil. Sempre soube que a morena tinha algo de especial dentro de si, mas nunca imaginou isso.

– Por isso Hayato necessitou dela... – Tsunade falou com pesar. – Himiko foi à primeira cobaia do ritual. Há exatamente 13 anos, ele sequestrou Himiko. Hizashi e eu na época estávamos em uma missão. Mesmo que eu tivesse me afastado da vila, sempre vinha para visitar a mulher do recente líder. – Disse perdida em memórias do passado. — Nos tornamos amigas com muita facilidade e por isso vim visitar Hanabi que tinha acabado de nascer. – Ela tinha os ombros encurvados, não sabia se era culpa ou tristeza que dobrava o peso em seu peito. – Quando Hiashi delatou do desparecimento de sua mulher, prontamente decidi me envolver. Tinha de proteger minha amiga. – O olhar da loura caiu para a mesa. – Mas nós três havíamos chegado muito tarde. O ritual já tinha terminado... Porém a alma de Himiko não havia sido totalmente dominada, conseguimos derrotar Hayato, mas ele acabou fugindo...

– Himiko morreu naquele dia, deixando a mim e minhas filhas. – Hiashi interrompeu a loura que o olhou com raiva, tinha de terminar de falar. Mas ele não queria admitir a culpa... – Eu tentei, de todas as maneiras possíveis, descobrir como não permitir que tudo aquilo acontecesse novamente. Mas com o passar das gerações o conhecimento da lenda se perdeu. – Ele suspirou tentando manter seu olhar firme e elevado. – E depois disso veio à tentativa da Aldeia da Nuvem em sequestrar Hinata e isso resultou na morte do meu irmão, além do selamento do Byakugan na Bouke. Alguns anciões daquela aldeia desejam o retorno de Kaguya e de alguma maneira, conseguiram juntar informações suficientes sobre o ritual da Lua Nova.

E depois desse relato, a narrativa se encerrou. O silêncio pegajoso perdurou na sala e nem mesmo as respirações eram o suficiente para quebra-lo.

Naruto sentia que uma parede de tijolos havia caído sobre sua cabeça. Seu cérebro zunia, era uma mensagem de que havia informações demais. O que Hiashi e Tsunade haviam vomitado sobre o rapaz era muito perigoso, pesado e sombrio. Um passado complexo demais para ser digerido em um dia.

– O que vamos fazer? – O único que parecia raciocinar melhor era Sasuke.

– No momento apenas podemos esperar e recuperar nossas forças... – Falou a Senju, mas essa foi fortemente retrucada pelo Uzumaki.

– E vamos deixar Hinata na mão daquele psicopata?! – Ele gritou exaltado, levantando-se de supetão e ignorou a dor que veio em seguida.

– Não podemos mais fazer nada, Naruto! – Tsunade falou rente ao rapaz que trincou os dentes. – Ela está desaparecida no momento, temos que descansar e arranjar forças para lutar. E não iremos conseguir isso discutindo ou correndo atrás de pistas frias!

Aquilo foi o estopim para o louro. Ele arregalou os olhos em reconhecimento daquelas falas. O peso das palavras fez com que ele deixasse de respirar, o seu coração ficou repentinamente mais fraco e as esperanças reduzidas a um mínimo grão de poeira. A mesma cena de quando tentava convencer alguém em trazer de volta Sasuke estava se repetindo. Não podia permitir, mas como batalhar contra isso, justamente quando não podia se manter em pé.

Não queria permitir e aceitar, mas no momento apenas se pode deixar cair sentado e esperar por um milagre. Quem sabe uma resposta.

Notas finais
Comentários? Não me matem please... #partiufugirdoBrasil HAUHAUHAUHAUHAUHAUH