Pérolas e Safiras

8 A Cidade das Almas


Notas iniciais
Olá senhores e senhoras, leitores da minha fic! Aqui estou eu postando mais um capítulo e desmentindo o que havia dito no capítulo passado. Eu realmente iria postar na segunda, entretanto percebi que poderia que eu não pudesse postar no dia e também pelo fato de já ter esse capítulo pronto... Então não prometerei mais nada não, sempre me ferro desse jeito! Rs. Bom, já dei meu aviso e quero agradecer para todos que comentaram no capítulo passado, esses comentários foram a força necessária para que eu continuasse a escrever e bem mais rápido dessa vez. Por isso pessoinhas que estão lendo, deixem comentário, comentários são opiniões sobre a história e não para enaltecer a alma fantasiosa de um escritor. Preciso que deixem suas opiniões! Vamos galera, não precisa escrever muito, apenas me digam o que estão achando. Tá legal? Então é só isso, fiquem com mais uma aventura da minha história. Desejo uma boa leitura e até mais!

O som de gritos, perfurações e de passos apressados, sons típicos de uma guerra foi o fator primordial para que Naruto e Hinata acordassem.

Os dois ninjas sentiam seus corpos pesados, a movimentação de seus músculos estava erradica e complicada, todo o seu organismo estava estranho. Eles se levantaram do chão abatido terra e se entreolharam na tentativa de entender o que acontecia ao seu redor. Quando finalmente olharam a frente, deram de cara com um campo de batalha.

Shinobis de todas as raças e clãs estavam batalhando entre si num vasto campo de batalha devastado. A terra estava rachada e manchada pelo sangue que muitos guerreiros derramavam. Corpos jaziam naquele chão, imóveis e cegos para a batalha que ocorria ao seu lado. Naruto e Hinata observaram que a diferença daquela guerra que enfrentaram três anos antes, era a de que os guerreiros não usavam ninjutsu ou genjutusu, apenas armas brancas ou o taijutsu.

Aquele lugar era perigoso para que ficassem parados tirando conclusões técnicas ou comparações inquietantes, haviam ficado boquiabertos pelo que via. Aquele lugar era hostil, inseguro para novatos. Eles estavam no meio do fogo cruzado, não conseguiam entender quem era do bem, qual o propósito daquela guerra...

Fong, cadê você? – Naruto pensou enquanto quase tardiamente desviava de um ataque que não era dirigido a ele.

Ao — finalmente — perceber que estavam expostos parados por ali, Naruto puxa Hinata pelo braço e imediatamente a arrasta para o mais longe possível do campo. Quanto mais corriam, mais a vegetação depredada desaparecia dando lugar a edificações, casas destruídas e mais corpos escondidos em escombros de madeira e concreto. A morena estava escandalizada com tanta violência, ela jamais imaginou que seria dessa maneira a Cidade das Almas, havia sido ingênua em pintar um cenário calmo, de campos verdejantes e que lá encontraria seu primo rindo com Himiko ao lado dele.

Depois de se certificar que aquele lugar estava morto, o louro parou de correr em frente a uma casa destruída e olhou para a morena que olhava a cidade destruída com pesar e temor.

– Não foi o que imaginei... – Hinata murmurou para Naruto ao seu lado que concordou com que ela havia dito.

O rapaz também havia imaginado outra cidade, não um campo de guerra. Ele não entendia o motivo para que aquelas almas estarem batalhando tão arduamente. Já não bastava lutar quando vivos?

– Temos que procurar o Neji. – Naruto concluiu para Hinata que prontamente concordou.

– Então temos de voltar. – Disse pensativa. – Se conheço bem o nii-san, tenho certeza de que está ajudando aquelas pessoas.

– É muito perigoso voltarmos... Não me sinto muito forte, é como se tivesse sido drenado...

O louro admitiu envergonhado, não gostava de estar vulnerável. A morena tinha de concordar com o rapaz, também sentia a mesma coisa, como se estivesse exausta, sem o precioso chakra para fornecer-lhe força naquele momento perigoso...

– Olha Zabimaru. – Alguém fala próximo do casal que imediatamente se viram para a dupla mais a frente. – Veja se não é garoto raposa...

O que se chama Zabimaru olhou para o louro que trincou os dentes em irritação ao notar o sorriso ameaçador da dupla à frente. Por impulsividade, Naruto se colocou mais a frente da morena que ofegou surpresa pela ação impensada do rapaz. Aquela não era uma boa hora para que ele a impedisse de lutar.

– Quem deve tê-lo matado, May? – Zabimaru perguntou zombeteiro para o homem encapuzado que havia atraído sua atenção antes.

– Não faço a menor ideia, mas quem quer que seja deve ser bem forte. — May riu perversamente e desviou seu olhar curioso para Hinata que estremeceu sobre aquele olhar, ela não gostou daquilo. — Pelo menos ele trouxe sua namoradinha junto para nos divertimos depois de mata-lo...

Zabimaru concordou abrindo um sorriso malicioso que demonstrou seus dentes pontiagudos. Para intimidar o louro, que mantinha um olhar assassino sobre eles, May ergueu sua espada suja de sangue e lançou seu olhar assassino sobre os jovens. Entretanto não obteve nenhum resultado esperado, já que Naruto ficou irado pelo que havia escutado, iria matar aqueles dois por ao menos terem pensado em ousar tocar em um fio do cabelo da morena.

– Se você pensa que vai me matar está muito errado! – Naruto gritou para eles que riram malevolamente.

E sem prolongar mais a conversa, Zabimaru empunha uma longa lança e parte para o ataque. Ao mesmo tempo, Hinata e Naruto saltam para o lado no exato instante em que a perigosa lâmina atravessou o espaço entre eles. Separados se viram obrigados a lutar para sobreviverem naquele mundo hostil. Zabimaru decide ficar com a Hyuuga, enquanto seu parceiro enfrentava o Uzumaki.

Com suas opções limitadas, os dois se viram obrigados à aceita-los como oponentes. Dessa vez a morena teve de respirar fundo e controlar seu corpo que parecia não querer cooperar em acalmar-se, necessitava de frieza e um raciocínio rápido para enfrentar Zabimaru. Então como de costume logo tratou de ativar seu Byakugan, entretanto não sentiu nenhuma diferença. Tentou novamente e nada acontecia. Confusa com o ocorrido fez alguns selos de mão, mas percebeu que não sentia seu chakra fluir pelo corpo. Nada vinha, era como se estivesse vazia. A repentina risada que seu oponente deu fez com que seu corpo todo se arrepiasse.

– Aqui não podemos utilizar chakra sua boba... O chakra permanece em nosso corpo depois que morrermos. – Zabimaru explicou sorrindo sadicamente. – Ah, essa luta vai ser tão fácil!

Novamente ele riu do rosto tenso e trêmulo da garota. Tinha a confiança... Quer dizer, a certeza de que aquela batalha já seria vencida com apenas um golpe de sua lança. Entretanto seu sorriso desaparece ao ver que a garota, agora, parara de temê-lo e o encarava com firmeza.

– Tenho outra maneira de vencê-lo... Não seja convencido, Zabimaru-san. – Disse respeitosamente, sua expressão revelando estar calma e se posicionou para entrar numa luta corporal.

– Que seja! – Zabimaru rosnou irritado pela impertinência da garotinha.

Não podendo mais segurar sua ansiedade em ganhar a luta, o rapaz parte para o ataque tentando cravar a ponta da lança diretamente no peito da moça. Entretanto ele se assustou ao ver Hinata desviar do golpe com facilidade apenas se movendo para o lado. Decidida a terminar aquela luta o mais rápido possível para ajudar o Naruto, a morena prende o corpo da lança com a mão esquerda e empurra sua ponta para o chão, imobilizando momentaneamente as mãos do oponente. E antes que houvesse qualquer contra-ataque, ela chuta queixo do homem que apenas sente o golpe esmagar sua mandíbula lançando-o para trás. Zabimaru estava impressionado com a mulher, ela era ágil e flexível, não teve tempo para pensar direito em revidar.

O corpo do oponente se choca com muita força no chão, alguns metros de distância da morena.

Irritado por ter sido machucado por uma garotinha, Zabimaru se levanta num pulo, pronto para recuperar sua lança do chão. Mas antes mesmo de mirar sua arma e pegá-la, sente algo chocar suas pernas e quando menos espera já estava indo novamente de encontro ao chão. Hinata dera a rasteira no oponente e ao ver seu desequilíbrio dá outro chute certeiro no rosto do Zabimaru que dessa vez caiu desacordado.

Ela olhou para o homem e teve a confirmação do nocaute. Aliviada por ter ganhado aquela luta com mais rapidez do que previra, se virou para Naruto e se deparou com May tentando a todo custo acertar um atordoado Uzumaki, que tentava a todo custo conseguir invocar Clones das Sombras.

– Naruto-kun! – Gritou chamando a atenção do rapaz no exato momento em que ele desviou com habilidade de um golpe evitando um ferimento sério em seu rosto. – Pega!

Falando isso pegou a lança e jogou para o rapaz que com seus ótimos reflexos agarrou a arma e com a ponta não pontuda do cabo bateu com força no estômago do oponente, que ofegou de dor e surpresa. Com o cessar dos ataques, a morena viu uma brecha e correu na direção de May que tinha a mão na barriga, com o inimigo distraído conseguiu chegar perto do encapuzado e com uma voadora o chutou para longe.

– Não podemos executar nenhum jutsu por aqui... – Alertou o louro que rosnou indignado. Foi em direção a ele e esperou pelo próximo ataque do oponente caído.

– Então vou ter de fazer a moda antiga! – Ele falou sério, estralando seus dedos e depois jogou a lança de volta para a morena.

Quando viu May se levantar do chão, que estava com furioso por ter sido derrubado por uma garotinha, Naruto avançou no inimigo sem possuir qualquer estratégia e o atacou seguindo sua intuição. Por consequência de tal ato impensado, o homem encapuzado conseguiu desviar de todos os socos e chutes, coisa que deixou o louro ainda mais irritado e aumentar as sequências de seus golpes. Para a surpresa total do louro, May parou um de seus socos com a espada utilizando a parte não cortante e com dificuldade escapou da lâmina quando o inimigo tentou descê-la em direção ao seu peito.

Devido a esse desvio, o louro pulou vários metros para longe do oponente que sorria divertido da situação.

Maldito! – Naruto pensou furioso, estava ofegante e sentia uma leve ardência em seu braço devido ao pequeno corte que seu inimigo infligiu num momento de distração.

– Vou ajuda-lo... – Hinata falou já parando ao seu lado, preocupada com a expressão raivosa e ofegante do louro.

– Não! – Naruto rosnou orgulhoso. – Agora é questão de honra!

Falando isso encarou firmemente seu oponente que o olhava com um ar vitorioso e arrogante. Ele tinha de ganhar aquela luta ou então jamais poderia olhar novamente para Hinata, era tão dependente de seus poderes que acabara por se esquecer do que realmente era batalhar sem eles. Tinha de começar do zero. Então com essa convicção e força apertou seus punhos, se preparando para atacar.

– Ataque o lado esquerdo dele... – Hinata falou para o rapaz que a olhou aturdido. – Ele depende muito da espada, então se você desarmá-lo poderá vencer essa luta sem problemas. Eles não são bons em taijutsu.

– Certo! – Exclamou agradecendo a observação inteligente da morena e voltou sua atenção para o convencido May.

Decidido e pronto para derrotar seu oponente, Naruto correu para o ataque. E como já esperado pelo louro, May empunhou novamente a espada e foi ai que apareceu uma brecha. Ao invés do Uzumaki soca-lo diretamente no rosto como previu, o ataque foi totalmente desviado para o braço esquerdo totalmente desprotegido. Sentindo a dor do golpe em seus músculos, May soltou uma exclamação de dor e o aperto de suas mãos na bainha da espada afrouxou, percebendo isso, Naruto chutou a espada para longe das mãos mortíferas do homem.

Não pode ser! – May pensou arregalando seus olhos para atitude eficaz do garoto irracional.

Desarmado e sem chance de ter sucesso em uma luta corporal, o inimigo apenas pode esperar o golpe final que não tardou a acontecer. E fechou seus olhos antes de sentir o impacto, o homem mascarado recebe um potente soco em seu rosto. Naruto vê seu oponente cair desacordado no chão e com o nariz sangrando, finalmente entendendo que deveria prestar mais atenção no que fazia e se não fosse pela morena teria sido cortado em pedacinhos.

Sorrindo aliviado pelo término feliz daquele embate, Naruto virou para Hinata apenas para arregalar os olhos em desespero ao ver que ela estava em perigo. Ele sente seu sangue esvair de todo seu corpo ao ver um novo inimigo chegar silenciosamente por trás da garota, que sorria feliz para ele. Não podendo evitar seu impulso, com muito esforço e desespero correu na direção da garota e antes mesmo que a morena entendesse essa ação repentina, o louro a defende da espada que descia em direção a sua cabeça.

A Hyuuga não pode deixar de ofegar assustada ao ver que o Uzumaki a defendera segundo a lâmina de uma katana com os pulsos. Irritado por não ter conseguido seu objetivo, o mais novo inimigo retira a lâmina dos braços do louro e o golpeia cortando o peito do rapaz que cai no chão aos pés da morena.

– Naruto-kun! – Hinata grita em desespero levantando seu amado.

Naruto deixa ser ajudado pela morena e trinca seus dentes tentando impedir o resmungo de dor devido à ferida que sangrava. Hinata olha para o inimigo e fica chocada ao ver um enorme sorriso no rosto ensandecido do homem. Sua mente implorava para que ela corresse para longe, entretanto o louro era pesado demais para que corresse, a única opção que tinha era de enfrenta-lo.

Mas não sabia como ganhar aquela luta, pelo golpe que aquele homem havia dado no louro dava para perceber que ele tinha habilidade. O inimigo era veloz e silencioso já que não conseguiu ser captado pelos sentidos aguçados da morena. Com temor olhou para a katana do inimigo que pingava o sangue do louro e isso a enfureceu, pois – mesmo que indiretamente – havia ocasionado esse machucado no rapaz.

Como consequência em sua demora a decidir no que faria a seguir, o inimigo que nunca perdia seu sorriso alucinado, partiu novamente para o ataque e dessa vez teria matado não apenas Hinata, como também Naruto, que a abraçou para protegê-la com seu corpo. Na espera pelo golpe, os dois fecham seus olhos e esperam o som da perfuração, de sua derrota. Entretanto ao invés de escutar carne sendo rasgada, ocorreu o som de metais se chocando furiosamente e foi o suficiente para que abrissem seus olhos para que voltassem sua atenção para o inimigo.

E qual grande não foi à surpresa dos ninjas ao se depararem com um homem que havia impedido o ataque com sua katana. Hinata não pode evitar ofegar, chocada ao reconhecer aquele homem. Ela não sabia como conseguiu distingui-lo, talvez pela cor do longo cabelo, pelo kimono branco ou quem sabe algo em seu coração já o reconhecia de imediato.

– Nii-san... – Suspirou não podendo conter as lágrimas e a esmagadora saudade dominar o seu peito esmagando o coração e pulmões. Novamente ele a salvava, era o seu destino...

Naruto arregalou os olhos não podendo conter sua imobilidade, não sabia o que fazer quando finalmente encontrasse o Neji, sobre quais palavras diria a ele, quais desculpas pediria... Entretanto aquela não era hora para pensar exatamente nessas coisas.

Neji que chocara sua espada contra a do inimigo, com força o empurrou para longe sem jamais perdê-lo de vista. Ele sentia-se aliviado por ter conseguido chegar a tempo de salvar sua prima e amigo. Mas com frieza ignorou os dois ninjas parados a suas costas e continuou sua luta. Com muita habilidade e destreza em um único golpe fez um corte profundo no braço do seu inimigo, que ganiu de dor e acovardado pelo repentino desafio a sua frente fugiu da luta.

Satisfeito com a atitude covarde de seu inimigo, Neji bufou e guardou sua katana na decorada capa preta, voltou-se para o casal que ainda permaneciam estáticos, abraçados o encarando em choque. Ao ver tal reação incomum, o Hyuuga sorriu minimamente não conseguindo conter a alegria em vê-los por ali.

– Achei que estivesse a minha procura. – Brincou com os dois que apenas permaneceram calados.

De repente o moreno é pego de surpresa pela prima que inconscientemente corre para o rapaz, abraçando-o com força e com o rosto escondido em seu peito soluçou, chorou para dividir toda a mágoa e tristeza que tinha dentro de si por tê-lo perdido. Com essa demonstração esvaiu toda a saudade e amor que tinha pelo seu irmão de coração. Neji mesmo não habituado a atos afetivos, envergonhado e hesitante, atravessou seus braços ao redor da moça e a estreitou mais a si. Era um abraço tão reconfortante que Hinata se sentia mais feliz, alegre, tão... Protegida.

– Eu também sinto sua falta, Hinata-sama, mas temos de sair daqui. É perigoso.

Falou serenamente levantando o rosto da morena que mesmo a contragosto aceitou suas palavras, limpou as lágrimas e segurou todos seus sentimentos referentes ao primo.

– Neji... – Naruto resmungou andando na direção dos Hyuuga, entretanto teve de parar de andar devido ao seu ferimento que voltou a sangrar.

– Naruto-kun, precisamos cuidar disso. – A morena falou com preocupação transbordando sua voz.

Foi em direção ao rapaz que mantinha uma careta de dor ao tentar andar e estava curvado com a mão esquerda pressionando o ferimento.

– Droga! Por que a Kurama não está me curando? – O louro resmungou para si.

– Porque apenas seu espirito foi mandado, a Kyuubi está presa em seu corpo. – Niji respondeu o amigo que piscou seus olhos para ele.

– Isso explica muita coisa... – Resmungou gemendo de dor, fazia muito tempo que não se sentia tão indefeso.

– Me sigam!

O Hyuuga pediu para os ninjas que prontamente concordaram. Devido ao seu estado debilitado, Neji e Hinata apoiaram Naruto em seus ombros e o carregaram até uma entrada subterrânea não muito longe do confronto. Mesmo desconfiada por entrar em um lugar desconhecido com um ferido em seus braços, a morena seguiu seu primo – um dos motivos que a incentivou a continuar em sua decisão – e olhou com curiosidade o novo ambiente que parecia um quartel general. Homens e mulheres andavam apressados pelo lugar, todos carregavam armas, mas sempre utilizavam uma fita com o desenho de uma flor em seus braços.

A Hyuuga percebeu que seu primo também usava uma dessas fitas, entretanto o que diferenciava ele das dos outros era a cor da fita, da maioria era preta, já a do moreno era amarela.

Com cuidado, os dois depositaram Naruto em uma maca dentro de um quarto de paredes esverdeadas. De acordo com Neji, ali era a enfermaria do lugar e que alguém tinha de tratar dos ferimentos do louro, e que devido à guerra o número de enfermeiras era reduzido. Por causa disso, Hinata teve de tratar dos ferimentos e corou bastante ao ter de ajudar a retirar a camiseta do louro.

Calma, você não vai enfartar! Preste atenção no que está fazendo. – sua mente ordenou, entretanto seus olhos continuaram a focar insistentemente o peitoral malhado do rapaz. – Ai, que corpo é esse!

– Algum problema, Hinata-sama? – Neji chamou sua atenção ao perceber sua ligeira distração e constrangimento.

Para se concentrar melhor, a morena pigarreia alto confirmando estar bem ao primo e tenta desanuviar seus pensamentos nada próprios para a situação. Focou sua atenção em limpar e enfaixar os ferimentos do Naruto que ofegava de dor cada vez que a morena colocava o algodão bebido em álcool em sua ferida.

– Que marca é essa? – Hinata questionou o louro ao perceber a marca estranha em seu peito no lado esquerdo, exatamente em cima de onde fica o coração.

– Ué, eu nunca vi isso... – Naruto resmungou estranhando as correntes de ferro desenhadas em sua pele.

– Tomem cuidado. – Neji alertou com seriedade, sabia o que era aquilo. – Essas marcas são as únicas coisas que ligam suas almas aos seus corpos. Jamais deixem que alguém as veja.

Intrigada com a marca, a morena afastou um pouco da gola de sua camisa e viu a mesma marca em seu peito. Ela achou estranho ter aquilo ali, nunca tivera seu corpo marcado.

– O que vocês querem saber de mim? – Neji foi direto ao assunto assim que viu o peito do Uzumaki ter sido enfaixado pela prima que se manteve calada, pensando em muitas coisas.

– Como você sabia que estávamos te procurando? – Naruto questionou curioso, enquanto voltava a vestir sua camisa com a ajuda da morena para não reabrir a ferida.

– Eu sempre estou de olho na Hinata-sama...

– Todos os dias? – Naruto questionou engolindo em seco, pensava se o rapaz já não sabia do beijo ocorrido entre eles.

– Não todos os dias, apenas quando ela necessita de mim. – Neji respondeu sem entender com perfeição o incomodo passado do rapaz, pois estava preocupado demais com a prima que como repentinamente ficara vermelha, voltou a ficar aliviada. Hinata também pensara o mesmo que o louro, deixando-a tensa.

Mesmo que Neji percebesse o quanto a morena havia melhorado, ainda tinha algo que a impedia de ser completamente feliz. Ele se preocupava muito com o bem-estar e felicidade de sua prima, queria poder cuidar dela de maneira mais efetiva...

– Onde estamos Neji-nii-san? – Ela perguntou terminando de limpar suas mãos em uma bacia com água colocada ao lado da maca.

– No subterrâneo da Cidade das Almas.

– E por que todos estão guerreando? – Naruto questionou saindo da maca com cuidado para não reabrir seus ferimentos.

– Os demônios conseguiram atravessar o portal que separa a cidade do inferno. – Explicou seriamente, seu semblante estava cansado, mas possuía determinação suficiente em esquecer o cansaço para lutar ainda mais. – Temos que proteger nossa cidade mesmo que muitas vidas sejam perdidas...

A conversa é interrompida por um homem que entra na sala de supetão com o semblante sério e preocupado. Ele primeiramente encontra Neji e com seriedade começa a repreendê-lo por seu capitão estar naquele lugar sem necessidade, entretanto ao olhar para o lado do rapaz, desiste por completo do que estava fazendo para encarar os visitantes, ficando assustado com que via.

– Hinata, por que seu pai está aqui? – Naruto pergunta baixinho para a morena, sem conseguir entender o que Hiashi fazia parado na porta da enfermaria.

– Esse não é meu pai... – A Hyuuga murmurou emocionada.

– Princesa! – Hizashi exclamou apressadamente, não acreditando em que seus olhos viam. – Como você cresceu!

Ao escutar aquele apelido, Hinata foi transportada para sua infância. Fazia muitos anos que não escutava o apelido e a única pessoa que lhe chamava dessa maneira era seu tio. O velho Hyuuga se aproximou da garota que o olhava com seus olhos chorosos, ela não possuía muitas lembranças daquele homem, mas se lembrava do quanto gostava dele. Ele a observou com precisão, tentando guardar a imagem da sua sobrinha querida.

– Neji, o que minha princesa está fazendo aqui? – Hizashi questionou o filho que logo tratou de explicar o ocorrido. O velho ficou abismado com o relato, nunca imaginou que a doce garotinha que nunca acompanhou seu crescimento iria se tornar numa ninja tão valente. – Então você tem minha permissão para se ausentar do exercito, mas não demore em ajuda-los...

Neji concordou com os termos do pai e agradeceu a gentileza de seu comandante. Hizashi voltou a olhar sua sobrinha e com muita suavidade tocou o rosto da morena, ele nunca se arrependeria de ter dado sua vida para um futuro brilhante a morena.

Antes de sair da sala, ele desejou boa sorte aos visitantes e pediu para que a morena se cuidasse. Hinata nada falou, estava sem palavras, elas haviam sido roubadas. Nunca esperara encontrar o tio, seu coração ficava tão aliviado ao saber que o homem não guardava rancor de si ou do seu pai. Era libertador. Aquela viagem estava se saindo muito melhor do que imaginava. Naruto apenas observava com curiosidade aquele reencontro, tinha tantas perguntas e poucas respostas, mas estava feliz em saber que a morena parecia bem. Para ele era o suficiente.

– Me sigam, — Neji pediu para o casal que o olhou com curiosidade pelo repentino pedido. – vamos conversar num lugar melhor.

Disse saindo da sala e os guiou pelo grandioso quartel. No final de um corredor estreito feito de pedras frias, eles subiram uma grandiosa escada, até que deram de cara com uma saída. Entretanto não era realmente uma saída, era uma sacada que saía de dentro de uma montanha. À frente se depararam com uma visão de retirar o fôlego, a paisagem de uma cidade grande e desenvolvida dentro da depressão de um vale era incrível e arrepiante.

Neji começou a falar sobre a sociedade ali em baixo estava sendo desenvolvida. A Cidade das Almas era como um enorme país dividido em vários distritos. Havia muitas pessoas de origens e raças misturadas. Como na sociedade viva, ali também possuía divisões sociais, exércitos, trabalhadores, um sistema harmônico a ser seguido. Tudo muito parecido à vida que tiveram. Famílias eram formadas, crianças órfãs recebiam novos pais, familiares se reencontravam e formavam sua família. Era um sistema de amizade infinito, ninguém que vivia ali envelhecia e cada vez que se aparecia uma nova alma, ela é acolhida com muito afeto. Uma sociedade pacífica e bem estruturada.

– Aqui formamos uma nova vida, novas perspectivas, novos sonhos... – Ele falou pensativamente ainda olhando o horizonte, o sol se pondo por detrás do vale deixava a visão ainda mais linda e magnífica.

– Você não mudou... – Hinata disse ao seu lado olhando o semblante conhecido do primo.

– Um guerreiro jamais deixará de ser um guerreiro. – Neji disse com um sorriso lateral.

– Meus pais estão aqui? – Naruto questionou o rapaz com temor, atrapalhando sua explicação.

Hinata voltou seu olhar para o louro e pode ver a ansiedade em seu rosto. O Uzumaki estava preparado para uma resposta negativa, entretanto tinha de perguntar e desejar a resposta positiva, se não a fizesse se sentiria covarde ou um bobo por não saber da verdade. Neji o olhou com seriedade e pensou se deveria ser sincero em sua resposta.

– Estão... – O semblante do louro ficou repentinamente iluminado por esperanças antes jamais pensadas. – Infelizmente você não pode vê-los... Ainda não está no tempo certo.

– O que você quis dizer com isso? – Naruto ficou cabisbaixo, triste por ter seu encontro negado. Ele merecia a chance de realmente conhecer seus pais.

– Há um motivo para que você e Hinata-sama não vejam seus pais. Imagine, — pediu com calma, queria fazer com que eles entendessem sua posição. – se ela encontrasse sua mãe ou você aos seus pais teriam o incontrolável desejo em continuar nesse mundo. Tudo aqui foi feito para que seus desejos o prendam e o impeçam de voltar. Vocês não podem ficar aqui, não agora...

– Mas e a guerra? – Hinata falou agitada, agora que sabia do paradeiro de sua mãe e estando tão perto da outra que sua vontade em encontra-la repentinamente apareceu.

– Podemos ajuda-los! – Naruto completou também agitado, queria convencê-lo a poder ajudar. E talvez assim pudesse reencontrar com seus pais...

– Se vocês querem ajudar, concentrem-se na sua missão! – Neji falou com dureza, precisava acabar com todos aqueles pedidos. Eram desejos que não poderiam ser realizados naquele momento decisivo. – O que vocês querem saber de mim?

Frustrados por não conseguirem impor seus desejos ao moreno, Naruto e Hinata explicam suas vindas a Cidade das Almas com muito detalhamento e pouca paciência. Agora perderam completamente à vontade em executar seu verdadeiro objetivo. Ao final do relato a morena fica impressionada com a repentina explosão de raiva do primo.

– Vocês não deveriam ter trazido a Hinata-sama! – Neji exclamou com dureza, o que fez Naruto tomar a frente da garota que estava petrificada.

– Qual o problema? Quem é esse Ghost? – O louro questionou repentinamente sério. Se Neji ficava assim, então era motivo para ficar alerta.

– Desculpem... – O Hyuuga pediu envergonhado por sua explosão. – Eu apenas não gosto de saber que ela está atrás do Ghost.

– Qual o problema em ajuda-los? – Hinata perguntou triste, começando a achar que seu primo não confiava em suas habilidades físicas e mentais.

– Você não entende... – Neji resmungou irritadiço, suas mãos fortemente cerradas devido a lembranças agitadas. – Ghost não está atrás de vingança como Tsunade-sama pensa. Quando me deparei com ele tive muita dificuldade em vencê-lo, já que parecia conhecer o estilo de luta da nossa família. Fora que ele tem uma névoa mortal que o protege de tudo. Mas... – Hesitou olhando novamente para o horizonte já parcialmente escurecido. Ele pensava se contava ou não o que estava incomodando. Por fim, decidiu que o melhor seria revelar. – Ghost deixou escapar algo que me incomoda até hoje. – Voltou seu olhar sobre o casal que estava parado, atentos sobre a futura revelação. – Ele demostrou interesse na futura herdeira do clã, parecia querer descobrir mais sobre você, Hinata-sama.

– O que? – Naruto gritou irritado não podendo controlar seu lado protetor.

O louro demonstrava sinais de arrependimento amargo em não ter impedido a moça de participar daquela missão. Mas estava decidido a continuar, mesmo que tivesse de mandar o Sasuke leva-la de volta em segurança a Konoha. Ele possuía um grande motivo para acabar com o Ghost. Se ele era uma ameaça a moça, então teria de vencê-lo.

– Como o encontramos? – Naruto questionou raivoso, motivado a sair dali para encontrar-se com o inimigo.

– Se ele realmente estiver atrás dela, acredite quando eu digo que ele virá até vocês...

Neji relatou sombriamente, se odiando por não poder proteger de maneira mais efetiva a morena.

Tendo sua missão ali cumprida, Hinata e Naruto decidiram que era hora de voltar e avisar aos companheiros que o inimigo se aproximava. Como se os tivesse observando por todo aquele tempo, Fong dá um aviso ao casal de que os retiraria dali em pouco tempo.

Com seu tempo de permanência reduzido, Hinata se despede do primo com um longo e demorado abraço. Neji antes de soltá-la pede um singelo favor. Favor que deixou a morena impressionada.

– Diga para a Tenten que ela deve ser forte e... E que sinto a falta dela... – Pediu envergonhado por ter de admitir tal coisa. Mas aliviado por ter feito, precisava ajudar sua companheira de time.

Hinata apenas sorriu amavelmente e afirmou que cumpriria aquele simples trabalho com muito louvor. Quando a morena se afastou mais do Hyuuga, Naruto tomou seu lugar e se despediu do amigo com um forte aperto de mão. Contudo para surpresa da morena e do Uzumaki, Neji puxa o rapaz para um rápido abraço de despedida.

– Cuide dela. Nunca se esqueça de que a vida da Hinata-sama está em suas mãos... – Sussurrou para que apenas o garoto escutasse, era o que o moreno poderia fazer para proteger sua prima que para o seu coração, ela seria sempre sua irmã.

Entendendo o motivo do abraço, o louro aceita aquela missão onde da qual sabia que teria de cumpri-la pela eternidade. Ao se separarem, os rapazes sorriem para o outro e se despedem verbalmente, bem a tempo de que um portal aparecesse pelas costas do casal. Era hora de ir para casa, missão cumprida.

Naruto e Hinata se viram para o portal que mais parecia um buraco negro e por um segundo hesitam em entrar, estavam com temor do futuro que lhes aguardava do lado de fora. Entretanto da mesma maneira que entraram, saíram.

E de mãos dadas voltaram para seus corpos e para a vida.

Notas finais
E ai, como ficou a descrição da luta? Mereço comentários?