Pérolas e Safiras

9 Ghost – Mistério da Névoa


Notas iniciais
Hello, galera! Aqui estou novamente postando mais um capítulo, que infelizmente ficou grande, mas não queria ter de dividi-lo. Antes de tudo quero agradecer a quem comentou e mandar um recadinho para os fantasminhas, aos poltergeist de plantão que deixem seus comentários (até pareçe que o título desse capítulo combina com vocês HAHAHAHA ;p). Não precisa ter medo, eu não mordo HAUAHAUAHAUA. Então quero desejar uma ótima leitura e mandar um hiper abraço nesse capítulo para Perigosa Sonhadora que recomendou minha fic! Eu realmente estou super agradecida por ter feito e que amei suas palavras e elogios (mesmo não merecendo tanto, tenho que trabalhar muito!), você foi um anjo! ;3 Já dei meus recados, boa leitura!

Antes que as almas do casal fossem mandadas para a Cidade das Almas pela doce Fong, os rapazes que haviam sido expulsos do quarto seguiram diretamente para o lado de fora da casa e patrulhar o perímetro ao redor da casa a procura de qualquer indício de perigo.

Sasuke tinha a sensação de que alguma coisa grandiosa estaria para acontecer, seus instintos estavam eriçados e por medida de segurança decidiu que seria precavido para evitar qualquer problema. Principalmente pelo fato do Naruto estar fora de combate por tempo indefinido.

Kiba vasculhava o perímetro da parte dos fundos da casa, que dava diretamente para o rio, escondido entre os galhos de uma frondosa árvore. Ele não percebia nenhuma diferença no local. O ar continha apenas cheiros conhecidos, como por exemplo, do Shino e seus insetos escondidos entre folhagens mais ao oeste das margens do rio. Com sua audição desenvolvida, monitorou os passos calmos do Akamaru que andava entre as folhagens seguindo ao norte, sempre se mantendo perto do seu dono.

Mesmo que tivesse um trabalho a ser executado, seus pensamentos sempre voltavam para o quarto onde a morena estava. Ele deu uma espiadela atrás de si e deu de cara com uma janela dos fundos e de lá pode ter uma visão parcial do que acontecia no quarto. O jovem Inuzuka andava preocupado pela viagem. Tinha medo das consequências que isso traria para a vida dela, sem pensar no fato de terem renegado sua companhia e proteção. Aceitaria ir junto com Hinata para aquele lugar sem pestanejar, mas Naruto possuía mais chances do que ele...

Sempre será ele... – pensou debochado e sorriu a contragosto.

Teve de admitir que, uma hora, não será necessário estar ao lado dela. Principalmente quando ela tivesse o louro por completo.

– Alguma novidade? – Sasuke perguntou, aparecendo de repente, deixando o garoto assustado que quase caiu do galho.

Irritado, Kiba olhou para o frio moreno, que lançou seus olhos da cor do ônix sobre ele. Era um olhar que lhe causava calafrios no Inuzuka.

– Não teve nenhuma mudança... – Resmungou ignorando estar incomodado com a presença do Uchiha. – E com você?

Sasuke negou com a cabeça, mas não saiu do lado do rapaz que ficou ainda mais tenso, não apenas pela proximidade, mas também pelo olhar que ele o lançava. Kiba tinha a sensação de estar sendo avaliado.

– O que vocês dois tem, verdadeiramente? – Sasuke questionou repentinamente, sem ser delicado, o que deixou o moreno Inuzuka ainda mais confuso e aturdido com suas atitudes instáveis.

– Do que está falando? – Perguntou meio grosseiro, não queria intimidade com o moreno.

– Do relacionamento entre você e a Hinata... Parece que gosta dela. – Afirmou de maneira recriminatória. Havia um duplo sentido naquela simples frase.

Kiba deu um meio sorriso debochado, não conseguindo evitar em achar graça do comentário. Ele havia entendido onde o moreno queria chegar. Apenas não gostava em estar sendo interrogado.

– Não gosto da Hinata desse jeito. – Explicou rindo da cara séria do Uchiha. – E mesmo que eu gostasse, nunca ganharia uma competição entre o Naruto. Quando ela gosta de alguém é para ser intenso e duradouro. Isso a consome de maneiras boas e ruins.

– Quais seriam as maneiras ruins? – Sasuke cruzou os braços esperando a conclusão do Inuzuka. Queria entender mais a morena, saber se ela seria o suficiente – como a rosada admitia ser – para o amigo.

Kiba voltou a observar o rapaz que não demonstrava nenhuma emoção, era como se ele estivesse tentando puxar assunto para passar o tempo, mas sabia que tinha algo a mais.

– A morte do Neji é um ótimo exemplo. – Falou seriamente, demonstrando não estar brincando. — Ele era como um irmão mais velho para ela e mesmo que tente esconder... – Deixou que seu olhar caísse para a madeira descascada da árvore sob seus pés. – Perdê-lo significou uma mudança muito forte no seu interior... Ela mudou, está tentando retornar ao que era, mas dá para ver em seus olhos que algo está errado. – Revelou voltando seus olhos para o horizonte. – Eu também sinto que tem uma coisa diferente nela... Algo que nunca apareceu... Não sei como explicar direito, mas é como sentir o cheiro de alguma coisa podre... Eu farejo que tem algo obscuro tentando dominá-la.

Sasuke se surpreendeu com aquele relato, ele forçou seu semblante a manter-se neutro, mas não podia deixar de ignorar aquilo. Se tiver alguma coisa perigosa na situação, então ela merecia sua total atenção. Deveria investigar mais. E Kiba estava se demonstrando uma rica fonte de informações. O rapaz pode ser agitado e inexperiência, mas é observador e tem bons instintos. Qualidades que seriam ótimos no trabalho de um ANBU...

Seus pensamentos são interrompidos pelos insistentes latidos de Akamaru que estava embaixo do galho, esperando conseguir a total atenção do seu dono. Com preocupação pelo repentino aparecimento do amigo quadrúpede e seu estado agitado, Kiba voltou-se para ele e prontamente perguntou o que estava acontecendo.

Com quatro latidos, Kiba recebeu a informação do cachorro. Seus sentidos ficaram rapidamente eriçados e por uma rápida fração de segundos seu rosto ficou tenso, mas como um bom ator, camuflou suas reações anteriores com um sorriso simpático.

– Pode ir brincar Akamaru! – Disse fingindo estar animado.

Solicitamente e entendendo as ordens de seu dono, o grande cachorro voltou de onde veio. Sasuke não ficara convencido com aquela atuação do Inuzuka e com astucia percebeu a agitação nas ações do companheiro de equipe.

– Aonde Akamaru vai? – Ele perguntou com neutralidade para o moreno.

– Caçar uma borboleta não muito longe daqui... – Respondeu com um sorriso falsamente envergonhado pela distração do seu cachorro.

Entendendo o recado do jovem, o Uchiha avisou que voltaria para casa com o pretexto de ir descansar e foi diretamente dar as notícias para Sakura. Depois de muita insistência, a porta do quarto finalmente se abriu revelando uma rosada bem irritada pela interrupção e irritantes batidas na madeira frágil.

– O que foi? – Perguntou com secura, mesmo que fosse o Sasuke não gostou de ser interrompida justamente quando começava a ajudar Fong.

– Tem alguém nos vigiando... Não tem como Yamamoto-san apressar as coisas?

– Não, Naruto e Hinata entraram numa luta há pouco tempo... Ele até se machucou e tive de curá-lo antes que algo saísse de errado... – Murmurou preocupada com a limitação do tempo. – Fong-chan está precisando que eu reponha seu chakra, se continuarmos dessa maneira não poderei ser útil em combate nem mesmo para curar alguém.

O moreno rangeu os dentes em preocupação, se as coisas demorassem demais, tudo tomaria um desfecho dramático. Eles tinham de agir, mas todos juntos. Se Naruto estava fora de combate acompanhado por Sakura e Hinata, as chances de vitória seriam reduzidas ao máximo. Não que ele não confiasse em suas habilidades, mas a Hyuuga conhecia o inimigo e não poderia atacar sem ter pelo menos uma estratégia...

– Sakura-san! – O chamado sofrido da Yamamoto retirou os amantes de seus pensamentos inquietantes.

Decididos a serem cautelosos com seus próximos passos, a Haruno voltou para dentro do quarto, enquanto o Uchiha ia novamente para o lado de fora chamar Shino e Kiba para dentro. Eles precisavam se reunir.

No exato momento em que a rosada fechou a porta atrás de si, Fong – que suava frio – pediu para que ela a ajudasse. Tinha de repor suas reservas de chakra para trazer de volta o casal.

Se posicionando por trás da sensitiva, com esforço, Sakura transferiu o máximo de chakra que podia sem precisar ficar enjoada ou tonta. As mãos que tocavam as costas curvadas e tensas da Yamamoto ardiam devido à vibração constante do fluxo de chakra.

E em poucos segundos o fogo azul que consumia o círculo de repente apagou por imediato. Fong solta um resfôlego de exaustão tentando controlar sua respiração que prendera por boa parte na quebra do jutsu. Com sincronia, Naruto e Hinata voltam a respirar ao mesmo tempo em que abriam seus olhos. O aperto de mão que estava frouxo voltou a ficar firme e estável.

Eles estavam meio tontos e desorientados, quase não sabiam mais direito que lugar era aquele.

– Vocês estão bem? – Sakura questionou os amigos, que com lentidão se sentavam no chão.

Os dois sentiam que o quarto não parava de girar, seus corpos estando meio fracos... Hinata queria...

– Eu acho que vou vomitar! – Avisou para a rosada que prontamente correu para pegar um recipiente, onde, sem cerimônias, a morena vomitou todo seu café da manhã.

Depois de serem consultados pela Haruno, Naruto – que parecia estar em um estado melhor que o da Hyuuga – revelou todas as informações para as mulheres que demonstraram temor sobre o relato.

– Isso explica quem está rondando a casa... – Murmurou a rosada que começava a ficar tensa. – Precisamos sair e avisar ao Sasuke, ele vai saber o que fazer.

Ao dizer isso, rapidamente ela ajuda à sensitiva – que estava com suas forças esgotadas devido a grande quantidade de chakra utilizado – se levanta e espera Naruto erguer Hinata, que ainda se sentia tonta pela mudança repentina de dimensão. Ela se sentiu tão leve na sociedade espírita que voltar para seu corpo parecia o mesmo que carregar um planeta nas costas. O louro demonstrou-se agitado com a péssima situação da morena, entretanto também estava com problemas em se habituar à densa atmosfera terrestre.

Quando o quarteto se instalou na sala, os rapazes entram apressados pela porta de entrada e logo pedem informações. Naruto decidiu relatar o que sabia. Fong pediu docemente para Sakura ir buscar um tônico no armário da cozinha e dividir para que os indispostos o tomassem. Hinata foi a primeira a tomar do amargo tônico e a rosada fez questão de colocar uma dose extra para a morena, que demonstrava estar numa situação bem pior que do Naruto e Fong.

Ao terminar de receber as informações ditas por Neji, Sasuke se fechou em pensamentos tentando arquitetar um modo de derrotar o inimigo. Shino se juntou aos planos mentais de seu comandante ANBU, já raciocinando um desfecho prático para a equipe. Ele tinha de pensar como o inimigo...

– Não há muito que pensar... – Hinata interrompeu o silêncio do Uchiha e do Aburame que a encararam surpresos. Ela parecia estar mais disposta e saudável. – Para derrota-lo temos de encurrala-lo em um lugar que o impeça de escapar com facilidade. – Pensou astutamente, enquanto desviava seu olhar para o chão visualizando o que falava. – Um vale ou montanha seria bem útil, também tem o fator de que não podemos lutar com muitas pessoas por perto...

– Tem um vale não muito longe daqui... – Shino relatou se aproximando da amiga. – Lá é bem estreito e a vila mais próxima é a quilômetros do lugar.

– Então iremos para lá. – Sasuke ordenou friamente já montando seu plano.

Naruto, Sakura e Kiba ficavam alternando seus olhares entre os três, queriam ajudar, mas achavam melhor não dizer nada e ajudar com ações. O mínimo que precisavam fazer no momento é guardar energia e se preparar para a luta. Contudo, a única que tinha um mau pressentimento daquilo era Fong, que se viu obrigada a preguntar:

– E como vocês pretendem atraí-lo para lá? – A Yamamoto sentia a sufocante sensação de que o futuro embate alavancaria um obscuro e perigoso desfecho.

Hinata, Shino e Sasuke se entreolharam cúmplices em seus pensamentos sintonizados, tinham exatamente uma ideia para essa resposta. Apenas não sabiam se era a melhor delas.

*****

A cada segundo que se passava, Naruto ficava ainda mais nervoso. Sua irritação e ansiedade estavam num elevado patamar que tornava tudo ao seu redor denso e afetava o bem estar do grupo. Ele odiava aquela sensação, mas ficava ainda mais furioso ao olhar a serenidade estampado no rosto da Hyuuga.

O louro não entendia qual era a motivação para que aquela garota tivesse certa fixação pelo perigo. Ela estava arriscando sua vida estando ali sentada no meio do acampamento — que fizeram no vale rochoso onde seria montada a armadilha para Ghost. Ele olhava para Hinata e sentia um peso em seu coração, não queria permitir que a usassem de isca para provocar um combate, mas quando apenas ele estava de acordo com aquilo, não poderia vencer as ordens do Uchiha.

De acordo com o planejamento tático do moreno, todos deveriam permanecer próximos à morena, entretanto quando os insetos do Aburame detectassem qualquer presença do chakra inimigo – atraído pelo rastro de chakra da Hyuuga que foi espalhado pelos os insetos aos arredores, o grupo deveria se espalhar pela cadeia de rochas e permitir que Hinata ficasse exposta para assim eles poderem contra-atacar. Mesmo que isso implicasse em uma trapaça, o Uzumaki se indignou até ser vencido por Sakura – que perdeu a paciência pelo rapaz estar subestimando as habilidades da morena – e o surrou muito para que se calasse.

Naruto tinha a plena certeza que Hinata deveria ter ficado junto com Fong em sua casa tomando chá e comendo biscoitos. Entretanto ela jamais se permitiria a tal ato covarde, não fugiria da batalha, principalmente pelo fato de que Ghost estava atrás dela e isso implicaria em enfrenta-lo sozinha com uma pessoa a proteger. Foi nesse ponto de argumentação que o Uzumaki teve de engolir toda sua preocupação e ir para o vale indicado por Shino.

Todos do grupo estavam dispostos a proteger a morena e isso acalentava – mesmo que minimamente – o coração do rapaz.

Novamente seu olhar agitado recaiu sobre a morena, que sorriu fracamente para Kiba que parecia bem confiante com o confronto arquitetado. Naruto percebia de longe que ela estava tensa, mesmo que seu semblante se mantivesse calmo e relativamente neutro, dava para notar em seus olhos que estava amedrontada. Contudo exalava confiança em si, tinha de vencer aquele inimigo pelo seu bem e de todos ao seu redor.

Os pensamentos dos dois estavam em sincronia num certo ponto, eles tentavam entender a motivação de Ghost. Por que está interessado nela? Será que ele quer o Byakugan, exatamente como a Aldeia Oculta da Nuvem quis?

Esses pensamentos inquietantes são substituídos pela agitação, no exato momento em que Shino avisa da aproximação iminente do inimigo. Sem perder tempo, Sasuke ordena o inicio do plano. E assim todos se afastam da morena que se esconde dentro de uma rasa gruta perto do acampamento para iniciar o ataque. Como o combinado, Naruto se esconde atrás de uma grandiosa pedra e observa os clones do grupo que ficaram na mesma posição que estavam antes do aviso.

Muito tempo se passou e não aconteceu nenhuma movimentação do inimigo, o que preocupou o Uchiha. Ele confiava nos insetos do Shino, nada escapava dos seus sentidos. Então por que nada acontecia?

A resposta veio repentinamente, não deu tempo nem de desviar. Sasuke apenas sentiu a presença de um chakra estranho atrás de si e quando percebeu já havia sido atacado. Seu corpo foi lançado contra o acampamento assustando os clones que se moveram para perto do moreno caído.

O ANBU levantou seu tronco com dificuldade e ficou surpreso ao sentir o lado esquerdo do seu rosto dolorido. Ele nem sentiu o inimigo tocá-lo.

– Você acha que com essa armadilha de criança iria me capturar? – Uma voz rouca e desconhecida reverberou pelas pedras do vale, inquietando a todos do lugar que assistiram estáticos a queda do Uchiha.

– Reagrupar! – Sasuke ordenou com dureza, seu grito ecoando por todo o ambiente.

Todos se juntaram novamente no meio do acampamento improvisado em menos de segundos. Sakura ajudou o ninja a se levantar e lançou seu olhar preocupado sobre ele, que conhecia aquela pergunta silenciosa. E com um aceno de cabeça tranquilizou a rosada, que voltou a ficar séria e centrada na luta.

– O que aconteceu, teme? – Naruto questionou o amigo enquanto ordenava os clones, que havia feito anteriormente, desaparecer.

– As habilidades dele faz jus ao nome. Tomem cuidado! – Alertou friamente e assim todos se prepararam para a batalha.

O Uchiha retirou sua kunasagi da capa protetora e a empunhou. Sakura preparou seus punhos. Shino recolheu seus insetos e os manteve de prontidão. Kiba e Akamaru rosnaram em sincronia. Hinata se posicionou e ativou sua linhagem. E Naruto puxou uma kunai. A equipe estava pronta.

– Olha que bonitinho... – Zombou a voz do inimigo que se aproximava cada vez mais do grupo que formou um círculo para proteger a retaguarda do companheiro mais próximo. – As crianças vão lutar? Então vamos ver se aguentam!

Uivou rindo e novamente o silêncio reinou sobre o lugar. Inquieto com a ameaça, Sasuke ativou seu sharingan. Hinata ofegou surpresa ao notar uma movimentação estranha perto da Sakura e sem pensar duas vezes avisou a pessoa mais próxima dela do eminente ataque.

– Sasuke-san, — falou alto com a voz dura e tensa. – a sua direita!

Alertado da movimentação, O Uchiha impediu – bem a tempo – que as senbons atingissem a rosada. O choque das finas lâminas com sua espada foi o suficiente para que o grupo se distanciasse mais. Agora precisariam de espaço para lutar. Contudo, o inimigo era rápido e já voltara a atacar Kiba, que pulou do chão escapando das senbons que foram lançadas em sua direção.

Hinata trincou os dentes com irritação, o inimigo estava brincando com eles. Ela sentia que aquele era apenas uma parcialidade das habilidades do Ghost. E como se lesse seus pensamentos, uma névoa densa rapidamente encobre o local. Os ninjas sabiam que aquela névoa não era normal, ela era quente e carregada...

Um grito de dor atrai a atenção de todos e ao virarem se deparam com Shino caído no piso pedregoso, seu peito sangrava devido ao imenso corte que atravessava transversalmente seu tronco.

– Shino-kun! – Hinata gritou amaldiçoando quem quer que seja o Ghost por estar machucando seus amigos.

Entretanto seus gritos foram cortados graças à nova movimentação do inimigo, que tentara acertá-la ao jogar dezenas de senbons em sua direção. Com rapidez, a morena as lançou para longe utilizando Oito trigramas: Palma de Vácuo. Pronta para atacar, dessa vez, seu oponente, percebeu algo que havia ignorado devido à queda do Shino. Ela não conseguia enxergar seu oponente na névoa.

Mas como... Isso pode acontecer...? – pensou assustada com a neutralização do seu Kekkei Genkai. – Deve ser isso que nii-san queria dizer sobre a névoa...

– Você notou... – Sasuke falou baixo se aproximando da morena que confirmou sua afirmação. Quando notou a armadilha foi prontamente discutir isso com a Hyuuga.

– A névoa está envolta por chakra. Isso impede que eu o veja com facilidade. – Resmungou atenta a qualquer movimentação na névoa.

– Eu não consigo detectá-lo, — admitiu o rapaz que parecia indignado por ter sido enganado. – o chakra dele está fluindo por todo o lugar...

Disse enquanto parava um ataque que vinha diretamente a ele.

Neutralizados, os dois rapidamente se moveram e foram para mais perto dos outros que também demonstravam problemas em desviar dos constantes ataques. Naruto se demonstrava irritadiço e resmungava sem parar, do quanto o oponente era covarde por estar se escondendo.

– Kiba! – Sasuke gritou duramente para o rapaz que entendeu o recado.

E chamando Akamaru, os dois prontamente prepararam seu ataque. O Inuzuka lançou o Gatsuga na névoa e justamente quando ele achou que a dissiparia algo repeliu seu ataque jogando a si contra Akamaru que não teve tempo desviar da colisão dos corpos. Deixando assim os dois nocauteados no chão.

A defesa deixou o Naruto ainda mais irritado e pronto para por um final na briga para poderem respirar. Ele ativou o modo Sennin e formou em sua mão direita um Rasenshuriken que misturado ao poder do Son Goku o transformou no Rasenshuriken de Libertação da Lava. Contudo, não pode lançar o ataque devido à mão do Sasuke que o impediu.

– Se você fizer isso todos nós morreremos. – Alertou com frieza, fazendo o louro acordar de sua raiva e dissipar por imediato seu Rasenshuriken.

– O que vamos fazer? – Ele questionou preocupado olhando para Kiba e Akamaru desacordados aos pés da Hinata, que repelia as senbons que saíam da névoa indo diretamente aos ninjas indefesos.

O que fazer? – Sasuke pensou repetidamente tentando arrancar de sua cabeça uma resolução.

Mesmo que ele copiasse a técnica, não seria uma garantia de que vencessem aquela luta. O inimigo parecia conhecer o seu Kekkei Genkai como o da Hinata. E isso era absurdo, mas dava para perceber que ele os neutralizava.

Antes que alguma solução saísse de sua cabeça, Ghost preparou outro ataque e dessa vez maciço e poderoso. O grupo não pode reagir à névoa que, repentinamente, se reuniu sobre suas cabeças e chocou-se ao chão com violência, lançando os ninjas para longe. Dessa vez o grupo foi devidamente separado.

Os quatro ninjas aptos a lutar se levantaram do chão pedregoso sentindo dores e leves arranhões. Ao olharem para o grandioso buraco formado no centro do estreito vale, viram a névoa ser sugada por um homem alto e de sorriso largo. Seus olhos verdes-escuros continham o brilho da perversidade. Sua roupa constava em uma camisa de gola alta, calça ninja escura e guarda-braços da cor creme. O protetor de testa da Aldeia da Névoa pendia frouxamente na cabeça.

Sakura sentiu uma maldade pura emanando daquele homem e isso fez com que um medo pegajoso se alastrasse em seu interior, contudo, não baixaria sua guarda, havia treinado bastante e estava mais forte. Confiante de que lutaria e sairia vencedora. Mas sua convicção foi para o lixo no momento em que os olhos de predador do Ghost recaíram sobre ela. Mesmo que se preparasse pra atacar, sentiu uma mão grande puxar seu curto cabelo por trás, imobilizando-a. Um gemido alto de dor escapou de seus lábios. Som que desesperou Sasuke. Preparou-se para ir ao socorro da rosada, mas foi impedido pelo inimigo que apareceu a sua frente.

Ele olhou assustado para onde o inimigo estava antes e arregalou os olhos ao notar que o próprio ainda nem havia se movimentado para fora do buraco.

Um clone? – pensou ao mesmo tempo em que desviava de um chute dado pelo clone do ninja.

Envolvido naquela luta, o moreno apenas pode pedir mentalmente para que Naruto salvasse Sakura.

*****

Naruto rosnou com fúria ao escutar o som choroso de sua amiga. Seu lado irracional exigiu que fosse diretamente ao ataque, mas as palavras de Sasuke o fizeram ser cauteloso. Tinha de ser cuidadoso ou todos morreriam. Entretanto quando já pensava em ir libertar a rosada, o baque surdo de uma queda brusca o fez voltar sua atenção para o lado e estagnou petrificado onde estava.

O verdadeiro Ghost finalmente agora atacava, ele tinha as mãos envoltas no pescoço da morena que se esforçava para respirar. O louro se viu obrigado a tomar uma decisão: salvar Sakura ou Hinata...

Não, ele não pode deixar que ninguém machucasse as garotas. Mas quem, como as salvaria sem que uma se machuque ou perca a vida...

O grito de dor da morena acordou o rapaz de seus pensamentos, todo seu corpo se arrepiou ao escutar aquele som que doeu até em sua alma. De repente os pensamentos e raciocínios sumiram de sua cabeça, ele não conseguia se movimentar, não sabia mais como fazê-lo...

Anda garoto! – a voz da Kurama reverberou impaciente em sua cabeça, não podia deixar o medo dominá-lo. — Tome uma atitude ou elas morrem!

E como se acordasse de um pesadelo, Naruto toma vida e já consciente da sua decisão.

Vamos lá, Kurama! – gritou mentalmente para a Kyuubi que rapidamente cedeu seu chakra para o rapaz que teve seu corpo inteiro coberto pelo poder da raposa. Ele havia ativado o modo de Chakra dos Nove-Caudas.

Com um selo de mãos fez um clone da sombra e o enviou para auxiliar a Sakura, enquanto o verdadeiro iria proteger Hinata.

*****

Hinata ficou abismada com a rapidez que o inimigo se movimentava. Mesmo que seu Byakugan ainda estivesse ativado, não foi o suficiente para alertar da aproximação do inimigo. Ela não esperava que o verdadeiro Ghost fosse atrás dela, aguardava um clone, já que ele demonstrou não gostar de se esforçar em uma luta.

Mas seus pensamentos se demonstraram errados ao ter desviar de alguns socos e chutes. Ela teve de ser paciente e quando viu a oportunidade em atacar um ponto de chakra, sua mão foi segurada pela asquerosa mão do homem que sorriu maliciosamente. Assustada com o inimigo, a morena tentou se afastar, entretanto não pode fazê-lo.

Ghost segurou seu braço com mais força e a puxou para mais perto de si. Ele deu uma certeira joelhada no estômago da morena que se encolheu de dor, contudo não permitiu soltar nenhum resmungo.

– Você até que é bem habilidosa. – Ghost riu roucamente com a boca perto do ouvido da morena que se encolheu ainda mais de nojo. – Oh, não fique assim, querida. – Disse enquanto passava um braço ao redor da cintura da morena. – Você ainda vai ser minha...

Ao escutar aquela promessa conhecida, Hinata empurrou o homem para longe de si, sentindo os tremores de nojo devido ao seu toque e cheiro.

– Então foi você? – Perguntou meio ofegante encarando o inimigo que sorria divertido. Ela estava pronta para enfrenta-lo novamente. – Como conseguiu entrar em minha cabeça?

Aquilo pareceu ser novidade para o homem que arregalou minimamente seus olhos.

– Pelo visto ela já começou... – Sorriu feliz e animado.

– Começou? Ela quem? – Questionou com desespero, não conseguia mais entender nada.

– Você vai ver... – Dito isso, ele se moveu em alta velocidade e novamente atacou a morena que caiu no chão, antes que pudesse se recuperar, agarrou seu pescoço e sorriu sadicamente ao escutar o grito abafado da moça. – Ainda não está na hora.

A morena pensou diversas maneiras de ataca-lo, mas a cada aperto em seu pescoço as ideias sumiam e o desespero da morte próxima a desarmou. Justo no momento em que jurou que iria morrer, o aperto desparece e a vida volta para seu corpo que desesperado tenta encontrar ar.

Ghost olhou seu mais novo oponente e se impressionou com a rapidez do rapaz. Se não tivesse tido a decência em olhar para o lado, com certeza teria sido machucado pelo potente golpe do Uzumaki. O homem apenas tinha visto um brilho alaranjado vir em sua direção e desviar a tempo do Rasengan que deixou um grandioso buraco no chão alguns metros da Hyuuga.

– O que não está na hora? – Naruto perguntou com seriedade. – Se estiver se referindo a sua derrota, então está totalmente enganado...

O ninja da névoa apenas riu grosseiramente do garoto a sua frente. Mesmo com aquele sorriso desdenhoso, o louro não se afligiu e preparou-se para atacar.

– Pode vir garoto. – Ghost atiçou enquanto o chamava com a mão. – Duvido você conseguir provocar um arranhão em mim.

Naruto bufou sorrindo da confiança exagerada do inimigo.

– Então você não me conhece.

Como se tivessem combinado, os dois atacaram ao mesmo tempo. Ghost conseguia desviar dos golpes do Uzumaki com bastante dificuldade, analisava a potência e velocidade que o garoto agia. E isso não o impressionava, tinha que terminar aquela luta. Já se cansara de brincar com aquele grupo.

Uma explosão atrás deles chamou a atenção do louro, que rapidamente desviou seu olhar e viu que Sakura juntamente com seu clone lutavam contra o clone do Ghost. Pareciam estar vencendo e a explosão foi ocasionada por um chute da rosada que colidiu com o chão. Naruto sorriu aliviado pela amiga estar bem e que ganhava.

Aproveitando essa distração, Ghost, com o punho direito, socou o louro. Que mesmo distraído percebeu pela visão periférica a movimentação ofensiva e com o braço esquerdo parou o golpe. Vendo a abertura, Naruto socou o abdome do inimigo e para sua surpresa, o punho atravessou por completo.

Névoa? Ele é feito de névoa? – perguntou mentalmente e tentou retirar seu braço de dentro dele.

Mas o Uzumaki ficou chocado ao ver que Ghost o prendeu ali, o louro ainda tinha o braço esquerdo imobilizado e foi exatamente nesse momento que teve a certeza de que entrara em uma armadilha.

Merda! – xingou mentalmente ao ver que Ghost se preparava para soca-lo só que dessa vez conseguiria atingi-lo.

Contudo, o punho do ninja da névoa socou o vazio, já que recuperada do estrangulamento, Hinata viu a complicada situação do amado e sem pensar duas vezes puxou a blusa do louro não apenas desviando-o do golpe, como também o retirando de dentro do inimigo. Com a força que fez para retirá-lo, os dois caíram no chão a dois metros de distância do inimigo, que sorriu ironicamente ao ver a recusa em desistir...

Ghost não podia matar a Hyuuga, mas queria se divertir com ela. E aquele rapaz seria o suficiente para satisfazê-lo, queria o sangue daquele garoto que a morena protegia com tanta ferocidade.

– Valeu Hinata! – Naruto agradeceu a levantando junto com ele.

Pronto para acabar com os dois, o ninja da névoa preparou o ataque final e finalmente liberou sua névoa. Novamente ele estava protegido por ela e assim iria derrota-los sem suar tanto.

– Ah, não! A névoa não! – Naruto rosnou indignado com a covardia do Ghost.

Mesmo sabendo que isso não funcionaria, Hinata se prometeu a tentar e novamente ativou o Byakgan, atingindo a névoa com a Palma do Vácuo e graças a isso percebeu algo que fugira do olho perspicaz do Uchiha. Onde seu golpe tocou, a névoa se juntou como se houvesse atingido uma superfície borrachuda. Aquilo durou apenas dois segundos, mas eram os segundos necessários...

A névoa é ele! – Exclamou mentalmente animada.

– Naruto-kun, — o chamou baixinho, com rapidez ele voltou sua atenção para ela e se impressionou com o semblante animado da garota. – forme um Rasengan e quando eu disser “agora”, você o ataca...

– O que? – Ele pareceu chocado com o que ela havia proposto. – Você ficou maluca! Ele vai nos matar!

– Você confia em mim? – Ela questionou olhando diretamente nos olhos intensos do rapaz, que pela primeira vez, ficou sem fôlego ao encarar aquelas perolas sérias.

Se ele confiava?

Naruto podia ter a certeza que pela eternidade confiaria nela. Jamais deixaria de acreditar no potencial da morena, nunca conheceria uma mulher como ela. Ela era tão diferente, se tornava cada vez mais poderosa, confiante. Sua inteligência e astucia o deixava embasbacado...

– Eu confio minha vida a você... – Respondeu com a voz profunda que mesmo estando tenso devido a luta, fez o coração da morena bater loucamente em seu peito.

Sem tempo para discussões, Naruto formou um Rasengan e se preparou para receber as ordens da Hyuuga. Pronta para testar sua teoria, Hinata ergueu suas mãos e se preparou para atacar.

– Agora!

Ao escutar a ordem, Naruto correu para atacar a névoa e antes que ele tocasse a barreira com a esfera de chakra, Hinata lançou uma poderosa Palma do Vácuo que comprimiu a névoa bem no exato momento em que o Rasengan tocou o buraco recém-formado.

Com a sincronia dos golpes, o louro ficou chocado ao escutar um grito de dor por parte da névoa e uma explosão que dissipou a névoa. Quando a poeira diminuiu, ele viu Ghost ajoelhado no chão a vários metros de distância com seu abdome destroçado. Ele ofegava e olhava com fúria o casal que ficou chocado ao ver que a estratégia havia funcionado.

– Isso não vai ficar assim! – Ghost gritou, mas teve de parar devido ao sangue que saiu de sua boca.

Entendendo que não podia mais lutar, escapou dali, deixando para trás apenas a poça de sangue.

Naruto até que queria impedir a saida do ninja, mas Hinata o impediu alertando que a luta acabara e não havia mais nada a fazer. Sabendo da vitória conjunta, o louro sorriu para morena que retribuiu. O Uzumaki tinha muitas coisas na cabeça, mas uma ele tinha certeza, precisava conversar com a Hyuuga. Entretanto aquele não era o momento certo para isso...

Sendo assim, se dirigiram para ajudar Kiba, Akamaru e Shino que estavam desacordados.

*****

Sasuke chocou sua espada contra uma kunai gigante que o clone usava. Mas antes que o Uchiha preparasse outro golpe, repentinamente o oponente desaparece em uma nuvem de névoa que vai em direção ao lugar onde alguns minutos atrás ocorreu uma explosão.

O ANBU sabia que ocorreram duas explosões, a primeira foi devido a Sakura e o outro do Naruto e como a dele havia ocorrido não muito tempo...

Ele derrotou o Ghost? – perguntou impressionado com a rapidez em que o amigo derrotou alguém que possuía um estilo de luta bem diferente.

– Sasuke! – Sakura gritou pelo amado enquanto se aproximava depois da saída do clone.

– Você está bem? – Ele questionou a moça que sorriu agradada com o tom preocupado.

– O clone do Naruto me ajudou...

Apontou para trás de si, onde o clone do Uzumaki sorriu amigavelmente. Sasuke bufou irritado por ter deixado a proteção de sua mulher nas mãos de outro homem, mas teve de admitir derrota naquele exato momento.

– Sakura-chan! – o grito do verdadeiro Naruto do outro lado do campo de batalha, chamou a atenção do casal que prontamente correu em direção aos amigos.

– Depois a gente conversa... – Sakura falou discretamente no ouvido do rapaz antes de correr.

Sasuke apenas arqueou uma sobrancelha intrigado com a tal “conversa” e teve um rápido vislumbre do que seria ao ver a piscadela da Sakura. Sorrindo maliciosamente, o moreno correu em direção aos amigos.

Tsc, essa garota ainda me mata...

*****

O grupo parara para descansar perto da fronteira com o País do Fogo.

Sakura estava animada com a volta para casa. Estava cansada, havia gastado boa parte do seu chakra curando os ferimentos do grupo. O único que não estava seriamente ferido era Kiba, que tinha seu orgulho machucado por não ter ajudado na luta. Shino foi sedado pela rosada e descansava na barraca masculina, o corte em seu peito foi feio, mas tratável. Sabendo disso se permitiu descansar.

Depois de confirmar que seus ex-colegas de equipe estavam bem, Hinata saiu da barraca masculina e foi tomar um banho em uma gruta que ela e Sakura haviam encontrado. O pequeno lago subterrâneo que tinha por lá era de águas profundamente azuis convidativas e sem hesitar tomou seu banho.

Enquanto se limpava, pensou na batalha. Não entendia o que Ghost queria dela. Quem era a pessoa no sonho... Ela podia ter a certeza de que era ele, mas pela expressão que havia feito dava para notar que não foi, entretanto sabia quem era.

Suspirou decidida a colocar isso de lado por enquanto. Terminou seu banho, vestiu a malha com uma camiseta preta por cima, calça ninja e as suas famosas sandálias. Ela penteava o cabelo com os dedos enquanto seguia até o acampamento, sua cabeça perdida em pensamentos...

E foi dessa maneira que Naruto a encontrou, aproveitando que a morena não havia se notado sua presença, deu uma breve analisada no corpo esguio da garota, que constantemente era coberto por roupas largas e agora demonstrava mais curvas devido à camiseta e calça justa.

Ele se perguntava se a Hyuuga usava roupas folgadas por ser tímida ou para proteger-se dos olhares maliciosos e pervertidos dos homens. Se fosse a segunda opção, o louro adoraria furar o olho do desgraçado que teve a suja intenção.

Ignorando esse seu lado recém-descoberto, se desencostou da árvore e respirou fundo, tinha que tentar. Mas se seu coração não estivesse frenético, talvez a ação fosse bem mais fácil.

– Se continuar perdida desse jeito, — chamou a atenção da morena que ao reconhecer sua voz levantou a cabeça de supetão, surpresa por encontra-lo ali. – Com certeza vai precisar de um guarda-costas...

Brincou fazendo Hinata sorrir por achar engraçada sua piada.

– Bom, — disse sem gaguejar, ela começava a se intimidar menos com a presença do amado. Entretanto a sensação de estar tendo um enfarte nunca mudaria. – eu tenho cinco...

– Ah, mas sempre é bom ter mais um... – Ele falou com um meio sorriso prometendo se alastrar em seu rosto. A morena ainda não havia entendido aonde queria chegar. – Se você quiser eu posso me candidatar à vaga, desde que me pague um ótimo salário, é claro!

Pela primeira vez em anos, Naruto escutou com clareza e perfeição o som da risada da morena. Era uma risada tão límpida e suave, como o repicar dos sinos de vento. Foi impossível não rir juntamente com ela, o louro se sentiu anestesiado pela presença suave da moça, uma sensação viciante, intoxicante.

– Vou me lembrar disso... – Ela avisou voltando a andar em direção ao acampamento, mas foi impedida pelo louro que parou a sua frente.

Confusa a garota o olhou com o cenho franzido, estranhando o comportamento nervoso do rapaz. Ele tremia que nem uma vara verde, seu coração queria sair pela boca de tão acelerado que estava. Tinha medo das consequências de suas decisões, o que fosse falar agora poderia acarretar num futuro bom ou ruim. Apenas esperava ser o bom...

– Eu quero conversar com você a sós, pode ser? – O louro se repreendeu mentalmente por sua voz ter tremido no começo da frase.

Ele adoraria saber o que foi essa súbita fraqueza, onde havia parado toda a sua coragem. Parecia um garotinho com medo de admitir sua travessura. Hinata queria perguntar ao rapaz o que estava havendo. O motivo da repentina mudança na atmosfera. Do qual o louro não percebia, mas estava intenso e aumentava a ansiedade da morena.

Curiosa com o desfecho daquela conversa, a Hyuuga aceitou a proposta do Uzumaki, que nervosamente se ajeitou no lugar, inquieto por de repente ter a atenção dos olhos perolados. As palavras repentinamente desapareceram, justamente a que havia treinado dizer desde que saíram do vale. Naruto pigarreou na tentativa de encontrar as palavras fugitivas. Sua boca estava seca e começava a suar...

Isso não é bom, nada bom... – sua consciência reclamou.

– Você está bem? – Ela perguntou preocupada com o semblante aflito do rapaz. – Se estiver passando mal posso chamar a Sakura-san...

Ofereceu uma saída ao rapaz que pensou em aceitar. Mas então bateu o arrependimento. Desde quando ele era covarde?

Não ia ser covarde, ah, não! Apenas precisava encontrar as palavras certas.

O que ela está falando mesmo?– se questionou mentalmente ao ver que a morena movia a boca, mas as palavras não entravam por seus ouvidos. – Ah, foda-se!

Pensou desistindo de tentar capturar suas palavras, decidiu que ações sairiam melhor que elas. E pegando a morena de surpresa a puxou para um intenso beijo. Por alguns segundos, Hinata não reagiu aos lábios exigentes do louro. Contudo, sua cabeça foi preenchida pelo poderoso desejo de se embebedar daqueles lábios carnudos que ele possuía. Eles não sabiam como, mas foram envolvidos por uma atmosfera densa e que exigia ainda mais contato de seus corpos. Mesmo achando que isso era abusar da boa vontade da morena, o louro arrodeou seus braços fortes na cintura delgada que ela tinha e a puxou ainda para mais perto.

Achando-se perdida em sensações apenas sentidas uma vez – no seu primeiro beijo, Hinata se agarrou ao Uzumaki para ter a certeza de que aquilo era real. Mas ela sabia que era mais do que real, não tinha como estar sonhando devido à perfeição do momento. Nunca imaginou ser desinibida suficiente para contra-atacar a língua voraz do rapaz, que tentava a todo custo explorar sua boca. A paixão forte e pulsante vibrava entre os dois, impulsionando seus desejos mais insanos e quentes.

Quando finalmente decidiram se separar para poderem respirar, Hinata decidiu de que não teria vergonha ou constrangimento daqui para frente. Sua alma clamou por aquele beijo há muito tempo, não iria perder tempo com arrependimentos. Naruto abriu os seus olhos se sentindo envergonhado e pronto para desculpar por ter sido tão ousado. Entretanto foi calado pelo olhar quente e intenso da morena, que apenas fez a sua vergonha desaparecer e iniciar outro beijo lascivo.

Aquela noite terminaria ali naqueles beijos. Os manteriam em segredo, guardado a sete chaves em seus corações acelerados e frenéticos. E com os rostos corados voltaram para o acampamento onde por sorte não tinha ninguém por perto para questionar o motivo.

Os jovens não sabiam, mas a partir daquele momento se iniciava algo mais forte do que qualquer laço do destino que os ligava. Bastava-lhes apenas descobrir do que se tratava.

E isso tinha de acontecer com rapidez ou não haveria felicidade, restando o sofrimento para ambos.

Notas finais
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