SIDNEY PRESCOTT

Eu me sinto naquela noite, pensa Sidney. Billy. Stu. É tudo muito complicado para Sidney. Eles estão caçando ela. Eles vão me matar, é a única coisa que Sidney consegue pensar. Enfim, eles a alcançam. Eles ficam repetindo a mesma coisa, toda hora. “Olá, Sidney. Está pronta para morrer?”. Ainda ela não superou aquela noite. A faca passa pelo seu estomago. Ela sabe que isso é um sonho, mas se recusa a acordar. Ela não consegue. Então vê seu sangue. Começa a gritar. Mas ninguém a ouve. Ainda vê Randy no chão. Seu amigo que sempre gostou dela. Aquele que sobreviveu a Billy e a Stu. Mas morreu nas mãos da Sra. Loomis. Apenas Sidney, Gale e Dewey sabem o que é passar por aquilo. Eles também sobreviveram aos massacres. Mas eles não eram o alvo principal. Sidney era, a doce e querida Sidney. Quase foi morta pelos atos de sua mãe, pelos seus atos e pela inveja que os outros tinham dela. Depois percebe que ainda está gritando. Até que tudo começa a ficar preto. Ela acorda, com o som do despertador.

Quando abre os olhos, não consegue aceitar que está morando na casa de Kate e Jill. Este lugar parece um pesadelo para ela.

Ela vai tomar banho, para tentar relaxar um pouco. Quando sai do chuveiro, nota que está atrasada para ir à livraria, encontrar Gale e aparecer na pré-venda do novo livro que Gale escreveu.

Enquanto sai de casa se repara com Kirby. Ela vem em direção aos braços de Sidney. Chorando. Ela está acabada.

– Voltou. A porra do assassino voltou – Kirby começa a gritar. – Duas garotas da minha sala, e um garoto, foram assassinados.

–O que? – Pergunta Sidney, se recusando a aceitar o que aconteceu.

Kirby tenta mexer os lábios, mas não consegue. Sidney agora só pode pensar em Gale e Dewey, que obviamente irão sofrer nas mãos do assassino.

– Vamos à livraria. Agora.

Kirby nem responde. Apenas anda em direção ao carro e entra.

Dentro do carro, Kirby decide falar.

– Por que estamos indo a livraria?

– Gale. – Diz Sidney.

Kirby, então fica calada até chegarem à livraria. Quando chegam na porta da livraria, Kirby pergunta:

– Você vai contar á ela?

– Não. Ela está gravida. Não merece passar por isso, pela quinta vez. Ainda gravida. – Comenta Sidney.

Entrando na livraria, nota-se que todo mundo a encara, como se estivessem a acusando de algo.

– Ai chegou à rainha das atrasadas. – Diz Gale. Faz tempo que Sidney não vê uma expressão sorridente no rosto de Gale.

– Vamos. Um senhor está aqui para nos entrevistar. – Completa Gale.

Sidney não está muito ciente para entrevistas. Ainda repara no olho de Kirby, o medo. O pavor. Tudo que ela sentiu nos massacres. Eu não mereço passar por isso de novo, pensa Sidney, ninguém merece passar por isso, completa.

– Sidney, me fale algo marcante na sua amizade com Gale Weathers. – Diz o entrevistador.

– Quando eu dei um soco bem na cara dela. – Diz Sidney.

Todo mundo começa a rir do comentário dela. Exceto ela. O entrevistador percebe que Sidney está um pouco desconfortável, então ele dirige todas as outras perguntas para Gale.

Após o fim da entrevista, Dewey aparece. Ele está feliz, pelo que parece.

– Oi, amor. – Diz ele, pegando Gale pelos braços.

– Cuidado com o bebê. – Ordena Gale. Depois os dois começam a rir.

– Olá, Sidney. – Diz Dewey. Após ele dizer isso, Sidney começa a ter uma expressão fria em seu rosto.

–Dewey? Precisamos conversar. – Comenta Sidney.

– Ok. Vou lá assinar alguns livros. – Interrompe Gale. – Depois apareça lá, Sidney.

– Eu vou. – Tenta dizer de uma forma mais gentil.

Sidney e Dewey saem da livraria, e lá começam a conversar.

– O que houve Sidney? – Pergunta Dewey.

– Está começando de novo. O inferno está começando de novo.

Dewey já percebe o que Sidney quis dizer.

– Gale sabe? – É a única coisa que ele consegue perguntar.

– Não.

– Ok, é melhor continuar assim.

Dewey entra na livraria, e na mesma hora Kirby sai.

– Contou para ele? – Pergunta

– Sim. – Responde Sidney.

– Nós vamos morrer. Eu vou morrer. – Diz Kirby. Depois ela começa a chorar.

– Não, ninguém vai morrer. – Diz Sidney. Ela não entendeu o que quis dizer com esse “ninguém”. Três pessoas já morreram. Claro que um monte de pessoas vão morrer.

– Por que você mente para si mesma? – Pergunta Kirby.

– Talvez porque às vezes a mentira parece real. – Responde. Ela começa a chorar. Não acredita que está passando por isso. Para ela, tudo de bom que aconteceu nesses quatro anos acabou. Simplesmente deixou de existir.

– Eu tenho que ir para casa. Com outro serial killer a solto, eu viro uma vítima, de novo.

Kirby está certa. Ela, Sidney, Dewey e Gale, são vítimas. Desta vez, ela pensa que não irá sobreviver. Quatro massacres. Sete assassinos. Trinta e três mortos. Isso é demais para ela.

Kirby entra em seu carro, e vai em direção a sua casa. Após ver Kirby virar a rua, Sidney entra na livraria para assinar os livros.

– Finalmente. –Diz Gale.

Sidney não consegue responder, apenas olhar para Gale, faz ela se sentir frágil, com medo. Metade da fila – que estava em direção a Gale – vai ao lado que Sidney assina os livros.

– Eu quero comprar um livro. – Diz uma garota, que aparenta ter quinze anos.

Sidney sorri. A garota dá o dinheiro do livro. Quando Sidney vai pegar o livro, em cima de sua mesa, para assinar, ela abre a capa e lê, escrito com uma caneta forte, e em letra maiúscula:

“EU ESTOU DE VOLTA, VADIA”.

Sidney se desespera. Tem vontade de gritar, mas não quer gerar pânico nas pessoas. Então coloca o livro no lado dos outros, pega outro livro e assina.

Após um monte de pessoas passarem pedindo assinatura, os livros acabam restando apenas o marcado. Antes que mais alguma pessoa apareça pedindo uma assinatura, o dono da livraria aparece e diz que acabou o tempo delas. Gale se decepciona, pois estava muito empolgada de se encontrar com seus fãs, mas Sidney sentiu um alívio, de saber que isso acabou. Sem ninguém ver, ela guarda o livro em sua bolsa, se despede de Gale e sai.

No caminho, ela ouve o celular tocar. Ela já fica em desespero. Mas, após ver que o telefonema é do Dewey, se acalma.

–Oi, Dewey.

Um vazio fica no ar, Sidney não entende nada, e continua repetindo. Até que é respondida

–Olá, Sidney. Sentiu saudades?

Sidney se paralisa, solta o celular no chão. Depois começa a chorar