Pássaros
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Pássaros
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Escrito por Amanur e Noel Blue
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Capítulo 21
Era possível ainda ouvir a música do lado de fora, na enorme área reservada para carros, mas o som que chegava aos seus ouvidos era abafado. O vento estava úmido e levemente frio, e Sakura sentiu percorrer pela espinha aquele arrepio. O rapaz que a acompanhava percebeu que ela se encolhia em seus próprios braços, e tratou de tirar seu próprio blazer para aquecê-la.
— Obrigada... — ela resmungou, quando percebeu que ele já o havia posto sobre seus ombros — Sabe o que está faltando? Uma boa bebida para esquentar... — ela sorriu insinuantemente.
Mas para a surpresa dela, ele já tinha apanhado uma garrafa de vinho que achou em uma mesa, enquanto caminhava atrás dela, em direção àquele estacionamento. Assim que exibiu a garrafa, ela abriu ainda mais o sorriso para ele.
Sentaram-se num canteiro de gardênias, e começaram a beber direto do gargalo da garrafa. Sakura tirou seus sapatos para sentir o frio do chão de cimento. Bebia com bastante satisfação, pois ela logo reconhecia que era bebida de qualidade — não aquelas porcarias baratas que ela comprava no posto de gasolina.
Eles beberam todo o conteúdo da garrafa em silêncio, olhando adiante, relembrando seus passados — afinal, todo mundo tem um para contar. Mas Sakura, no entanto, estava mais preocupada com o que estava acontecendo lá dentro, em sua ausência, de modo que seus pensamentos embaralhavam em sua mente. Só de imaginar aquela criatura fazendo tudo o que ela tinha (pelo menos, naquele exato momento de embriaguez) vontade de fazer, a frustrava profunda e amargamente — e só aquele álcool para aliviar aquele sufoco.
Mas Neji a tirou dos devaneios, pousando o braço por cima dos ombros dela, como quem não quer nada, mas como quem já tem tudo planejado.
— Vi que você veio com o Sasuke... — ele comentou.
— Você o conhece?
— Fomos colegas na faculdade... Sinceramente, não gosto dele.
— Por que não?
Ele tirou uma carteira de cigarros do bolso, e acendeu um. Permitiu-se a uma longa tragada antes de responder.
— Sabe aquele tipo de sujeito que passa pelos outros de nariz empinado, e critica todo mundo que não possui o mesmo nível intelectual que ele?
— Tem certeza de que estamos falando do mesmo Sasuke? — apesar de chato, a seu modo, ela não podia acreditar que seu paciente, tão gentil em ouvir suas lamúrias, fosse aquele tipo de pessoa.
— Acho que você não o conhece... — ele respondeu, com um sorriso torno, tragando mais uma vez.
Ela observou a fumaça que ele soltou pelas narinas se dissipar no ar até não haver mais nada.
— Eu não conheço você. — disse.
— Você quer me conhecer?
Ela fez mais uma pausa, pensando.
— Acho que deveríamos ficar calados...
Ele a olhou no fundo dos olhos. Havia alguma coisa naquela olhar que ela não identificou, e logo entendeu por que.
Em seguida, o rapaz se aproximou do seu rosto com os lábios entreabertos.
Como alguém mais experiente, ela logo percebeu as intenções do rapaz. Inevitalvemente, ela se lembrou do seu colega Naruto, e não pôde deixar de sentir pesar. Entretanto, ela também conseguia ver a diferença entre ambos ali. Naruto estava realmente apaixonado por ela, enquanto aquele rapaz buscava apenas se divertir numa noite de festa. Além de não se conhecerem... Então, determinada a não arruinar mais uma noite, ela resolveu deixar todas as suas preocupações de lado. Deixou seus medos embaixo dos sapatos, e frustrações no gargalo da garrafa. E qualquer coisa que sobrasse, que ficasse na fumaça daquele cigarro.
Se Sasuke podia, ela também deveria.
Ela apoiou a cabeça sobre o ombro dele, lhe indicando que estava à vontade com ele ali. Em seguida, ao virar o rosto para encará-lo melhor; aqueles olhos azuis tão pálidos, aqueles lábios sedutores se aproximando... Consequentemente, ela fechou os olhos, cedendo àquele beijo com gosto de cigarro e álcool.
A sensação de ter outro homem tocando seus lábios ainda era estranha, mas não tão assustadora. Era ainda doloroso, mas não pelo mesmo motivo de antes. Agora ela lamentava por não tocar os lábios que ela realmente desejava.
Mas Neji era carinhoso e atencioso. Enquanto a aquecia com aquele beijo molhado e quente, acariciava seu rosto. Seu toque era acolhedor, e a fazia relaxar com a idéia de que ele a queria. Só que Sakura não tinha pensado no quanto ele a queria, até sentir sua mão deslizar sobre seu busto, acariciando seus seios.
No mesmo tempo em que ela deu um tapa em sua mão, assustada com aquele toque que lhe pareceu tão repentino, audacioso, intruso e, acima de tudo, incorreto, algo bateu na perna do rapaz, o fazendo se desequilibrar e quase cair sobre as gardênias.
— Ops. — Sasuke resmungou em sua cadeira de rodas — Desculpe interromper, mas preciso da minha fisioterapeuta.
Sakura olhou de um para o outro por um momento, e se levantou rapidamente sem ouvir a resposta de Neji. E o rapaz, todo sem jeito, levantou-se logo depois dela, lançando um olhar desagradável para Sasuke.
— Claro. — ela respondeu olhando para Sasuke, enquanto segurava a cadeira de rodas dele. Então, se virou para Neji. — Ahm... Sinto muito, mas preciso ir agora. Quem sabe a gente se vê de novo.
— Tudo bem... É a gente se vê... — ele resmungou, olhando para o paciente dela.
Sasuke nunca se deu muito bem com o primo de sua amiga, por que o considerava um playboy mimado, metido a sabichão — era daqueles que adorava fazer comentários na sala de aula para demonstrar o quanto sabia e, às vezes, chegava a desrespeitar os professores. E ele tinha mais raiva ainda pelo cabeludo sempre ir bem nas disciplinas que cursaram juntos, quando ele mal freqüentava as aulas. Sasuke desconfiava de que ele pagasse os professores, ou pior... Que Neji fosse um grande filho da puta inteligente.
Sakura ia tirando o paletó emprestado para entregá-lo, enquanto percebia o olhar estranho entre ambos. Ela ia falar mais alguma coisa, fazer algum comentário besta só para descontrair, mas Neji o interrompeu.
— Como foi o acidente? — indagou.
Sasuke estreitou os olhos. Apesar de não ir com a cara dele, nunca trocaram muitas palavras.
— Com certeza, não foi divertido. — respondeu, categoricamente.
— Tenho certeza de que não. Você vai conseguir voltar a caminhar?
Agora foi Sakura quem estreitava os olhos, irritada com a falta de delicadeza do outro. Esse não era o tipo de pergunta que se deve fazer a um de seus pacientes. Não desta forma, tão direta e sem tato. Ela ia se prestar a responder, mas Sasuke se adiantou.
— Podes apostar que sim.
— Ótimo. Faça isso logo, para eu poder chutar a sua bunda por essa. — ele pegou o blazer da mão dela, e ainda a beijou, sem deixar brecha para uma resposta. Tudo para provocá-lo, pois Neji logo viu o ciúme do outro.
— Já podemos ir, Sakura, querida? — Sasuke perguntou sarcasticamente, meio resmungado, emburrado.
Sakura só encolheu os ombros e balançou a cabeça afirmativamente, enquanto Neji dava as costas com um sorriso que ia de ponta a ponta.
A rosada se afastou dali se sentindo desconfortável e sem jeito pelo que tinha acabado de ocorrer, e por Sasuke ter flagrado aquele momento. Sentiu as bochechas esquentarem e mordeu os lábios, olhando para trás, vendo que Neji também a olhava ao afastar.
Os dois ficaram em silencio por algum tempo. Deram a volta pelo estacionamento, e tornaram a entrar no salão. Mas antes de poderem voltar a sentar-se a mesa em que estavam antes, ele a fez parar.
— Quer saber de uma coisa? Eu quero sair daqui. Este lugar está me sufocando, vamos embora. — ele estava se mordendo de raiva por seus planos terem sido um total fracasso, e estava começando a querer culpar suas pernas inúteis. Se ao menos estivesse caminhando, poderia ter evitado tudo aquilo. Não teria sido tão cansativo se levantar da cadeira, e não teria sentido tão aliviado por ficar de pé por aqueles minutos, apoiado na menina. Ele poderia ter voltado para a mesa num piscar de olhos e tirado-a para dançar. Mas tudo o que fez foi recuperar o fôlego pelo esforço em se levantar, e se concentrar em manter o equilíbrio.
— Não vai nem se despedir das anfitriãs da festa? — ela perguntou.
— Não... Elas já me viram, isso deve ser mais do que suficiente. Para mim, pelo menos, foi.
— Desde quando você só pensar em você?
— Me desculpe, mas acho que no momento eu tenho todo o direito de pensar somente em mim. — ele ergueu a sobrancelha, meio impaciente.
Sakura suspirou. Talvez ele tivesse razão. Então, deu meia volta, indo para a saída. Ele estava com o cenho franzido e os lábios em uma linha fina de irritação. Foram em direção ao carro, onde Jiraya estava encostado, e logo se endireitou ao vê-los se aproximar.
— Tão cedo? — questionou-os com um meio sorriso.
— Estou cansado — o moreno resmungou emburrado, enquanto era ajudado a entrar dentro do sedã.
Jiraya olhou para Sakura, que desviou o olhar e só deu de ombros, entrando logo em seguida e sentando-se ao lado de Sasuke. O silencio que se seguiu foi constrangedor. Sasuke estava desanimado, com o olhar perdido para longe da janela. Apesar de tudo, ele realmente estava com uma aparência fatigada. Talvez os exercícios físicos tivesse o esgotado demais. Sakura olhava para ele, pensando em maneirar. E isso significava menos tempo com ele, o que também a desanimava.
— Para a casa Uchiha, senhorita? — perguntou Jiraya, notando a tensão entre os dois.
— Oh, não. Para meu apartamento mesmo... — respondeu, com um leve sorriso, sem humor. E voltou a olhar para Sasuke, que ainda divagava.
Ele arrastou o olhar para ela, ainda meio emburrado, e suspirou.
— Que bom que ambos se divertiram... — comentou, forçando-se a sorrir.
Claro que ele não estava realmente se ferindo a si, mas deixou a dúvida no ar. E ela desviou o olhar, começando a se sentir tão frustrada quanto ele.
O resto do caminho foi assim, tenso e desagradável. Ao chegarem em frente ao seu prédio, ela logo saltou para fora do carro. Mas hesitou antes de fechar a porta, olhando para os lados. Começou a bater o pé, meio impaciente. A rua estava deserta, os postes acesos. Alguns cães latiam, algumas casas tinham luzes acesas. De repente, não parecia fazer o menor sentindo fechar aquela porta, e deixar tudo como estava. Não depois de todas as indiretas da parte dele...
A intenção era deixar que ele desse mais um passo, mas o incidente com Neji certamente o afastou, e agora ela não tinha mais certeza de que ele realmente tivesse se divertido com aquela adolescente mimada. Ela se lembrou da Karin, que também não era mais uma jovenzinha, e preferiu acreditar que ele nunca tivesse se interessado pela Hanabi.
Seu corpo começou a tremer, mas ela não sabia se era nervosismo ou o frio. Respirou fundo, e se agachou ali, para encará-lo mais uma vez — enquanto ele a observava com curiosidade, se perguntado o que se passava em sua cabeça.
— Não quer entrar? — de repente, ela perguntou.
Ele a olhou meio surpreso, incrédulo. Demorou um pouco a entender o que ela poderia querer dizer com aquilo.
— Claro.
Jiraya a ajudou a colocá-lo na cadeira e o guiou até o saguão do prédio e o colocou dentro do elevador. O resto, deixou por conta da fisioterapeuta dizendo que o esperaria dentro do carro.
Os dois subiram de andar em silêncio, e andaram pelos corredores da mesma forma. Ela estava com as mãos trêmulas, e desta vez sabia que era por nervosismo. E custou a encontrar a chave em sua bolsa, e quando a encontrou não conseguia colocá-la na fechadura. Sasuke sorriu, pensando que certamente tinha mais estabilidade em sua mão meio paralitica do que ela.
Mas em seguida ela conseguiu abrir a bendita porta. Mas deixá-lo entrar realmente não era uma tarefa fácil... Não quando tinha tantas possibilidades rodopiando em sua cabeça.
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