Notas iniciais
Tardamos, mas não falhamos! T___T Demoramos porque ficamos num terrível impasse quanto ao final da história e que, de certa forma, tinha conexão com esse capítulo...Mas já está tudo resolvido, e pretendemos voltar com as postagens mais regulares. T______T

Pássaros

.

Escrito por Amanur e Noel Blue

.

Capítulo 20

Sasuke estava ansioso, nervoso, e até mesmo temeroso. Por que ele tinha planos para que aquela enrolação em que havia se metido com a fisioterapeuta avançasse. Mas ele não tinha recuperado toda sua auto-confiança ainda, e estava com medo de que sua atual condição ainda influenciasse na decisão de uma jovem inteligente e tão bonita quanto ela. Apesar de saber das complicações que Sakura trazia consigo, ele tinha medo de acrescentar mais problemas a ela, embora sua recuperação fosse certa.

Mas nunca se sabe.

Ele estava com medo e ponto final. Ele nunca teve tanto medo ao se aproximar de uma garota, na verdade. A verdadeira questão é que Sakura não era uma garota qualquer. Era uma mulher que já havia vivenciado as experiência e implicâncias do casamento, e tinha uma série de problemas ainda para enfrentar. Ele, no entanto, nunca tinha ido tão a fundo num relacionamento, e em seu último, bem, ela mesmo havia tomado parte das dores.

Enfim, ele dava ordens ao Jiraya, quanto aos horários sobre a festa de aniversário da antiga amiga de faculdade, quanto seu próprio zelador percebeu que ela parecia estar demorando.

Desconfiado, então, Sasuke guiou sua cadeira de rodas pelo corredor para encontrá-la justamente, em seu quarto.

Sakura estava sentada de joelhos, com o vestido em mãos, admirando aquela parede meio psicodélica, cheia de cores e tons tão vibrantes. Havia tantas lembranças daquela época, que há muito havia se esquecido, que agora ela não conseguia se desapegar daquelas sombras do passado.

Sasuke se aproximou, encarando seu próprio trabalho. Havia anos que tinha montado aquela cortina de pássaros de papel.

— Eu era pequeno, quando meu pai me disse que pássaros trazem sorte, porque são livres. — ele comentou, se postando ao lado dela.

— Por que tão colorido?

— Hum. Por duas razões idiotas... Uma, porque eu ainda era criança, quando fiz isso... E outra, por que meu pai acreditava que as cores traziam vida. Na verdade, eu queria fazê-lo todos com papel preto, ou apenas branco, mas ele me convenceu a fazer essa mistura, dizendo que era para eu viver bastante... Ele sempre foi meio supersticioso. Preto é agourento, ele dizia, e branco era pálido demais, e igualmente sem vida.

— Era você, não era? Naquele hospital?

Sasuke não disse nada por um tempo, encarando aquela explosão de cores a sua frente. Ele conseguia se lembrar do dia em que dobrou cada um daqueles pássaros.

— Eu tinha fortes crises de asma. Uma vez peguei pneumonia, e a crise veio com tudo. Cheguei a perder o pulso por alguns segundos, quando me levavam para o hospital, numa ambulância. E você, qual era a sua desculpa?

Sakura não conseguiu responder no instante, relembrando os dias de sufoco em que passou naquele lugar... O momento em que a arrancara à força de sua cama, e a levaram a todo custo para o hospital, porque ela tinha medo de agulhas.


Sasuke se aproximou, encarando sua própria pneumonia, no dia em que a crise veio com tudo. Ele ainda podia sentir o sufoco, se pensasse muito naquele tempo.

— Minha mãe entrou em pânico, e culpava meu pai por me deixar livre demais no campo. — ele continuou — Esse rancho sempre pertenceu à família, desde que me dou por gente... Mas minha mãe era do tipo que prendia os filhos dentro de casa por medo. Ela tinha medo de tudo.

Sakura ainda não respondia, relembrando os dias de sufoco em que passou naquele mesmo hospital... Mas Sasuke resolveu respeitar seu silencio, sem dizer mais nada, até que ela mesma, o olhou de canto.

— Eu tive que ficar no hospital para fazer alguns exames de sangue e raio-x. Eu tinha nove anos, morria de medo de agulhas. Detestava ir ao médico, por que achava que todos eles estavam contra mim. — ela disse, secamente, sem querer dar mais detalhes.

E ele notou, obviamente, que ela se esquivava da pergunta principal.

— E você acabou se transformando numa médica. — ele apenas disse.

— E você, num pássaro...

— Um pássaro de asas mecânicas, mas enfim... Olha só que ironia, quem pensaria que iríamos nos encontrar novamente, quase nas mesmas circunstâncias. — ele comentou, com um leve sorrisinho — É o destino.

— Não acredito em destino. — ela sorriu de leve, sem graça, se levantando e pegando o vestido para ir em direção à porta, atrás dele — Acreditar em destino é aceitar que nasci para viver nessas condições, e eu me recuso a isso. Eu não estou presa a nada. Eu faço escolhas. Se elas são certas ou não, isso é outra questão. — e saiu à procura do banheiro para se arrumar.

Sasuke sorriu antes de mexer nos controles de sua cadeira de rodas e sair do quarto.

Sakura havia tomado um banho rápido, sem molhar o cabelo, e já estava vestida com o vestido. Ele era lindo; continuava deslumbrante como se lembrava. Tinha um enorme decote na frente, mas não deixava a pele completamente descoberta, graças a uma fina cama de tecido translucido em tom dourado, que se estendia até as costas, dando a ilusão de que ele era uma peça de frente única. Na cintura havia uma fita dourada, delicada que fazia com que a saia caísse sobre as pernas em camadas finas de tecido. O salto, apesar de não parecer, era muito confortável e seguro, ela soltou o coque e pensou sobre o que fazer no cabelo, mas acabou o deixando solto mesmo, apenas jogou metade dele para o lado, dando um charme diferente. Pensou em sair sem maquiagem, mas ao passar o olhar sobre a bancada do banheiro, viu alguns produtos ali, então resolveu usar. Não exagerou na maquiagem também, apenas passou uma base, corretivo e pó, marcou mais os olhos e passou um batom claro nos lábios. E ao terminar, ao se olhar no espelho, viu uma nova pessoa ali, não a antiga Sakura chorona pela morte do marido — havia uma mulher sem problemas com bebida e depressão, sem olheiras, uma mulher que, se olhar de longe, é parecia completamente comum. Ela deu um pequeno sorriso e levantou à cabeça. Gostou do que viu, e pela primeira vez em tanto tempo, ela se sentiu-se bem.

Saiu do banheiro devagar, e foi andando calmamente até chegar à sala, onde Sasuke já estava vestido. Ele estava perto do sofá, com a cabeça baixa, mas a levantou assim que ouviu passos.

Ele também não estava para menos. Estava incrível com aquela calça jeans e blazer escuro, e sapatos de ponta fina. Ele deu um sorriso para ela, um sorriso diferente de todos os outros, como um sorriso de realização, que a fez se sentir um tanto desconcertada com toda aquela atenção que recebia.

— Tem certeza de que este vestido é apropriado? — ela resmungou.

— E por que não haveria de ser?

— Não sei... Aquela moça parecia mais uma daquelas garotas que gostam de fazer festa o tempo todo, em roupas descoladas, na moda... Sinto-me meio extravagante com esse vestido.

— Vai por mim, você está mais do que vestida de acordo. As pessoas têm a péssima mania de julgar os outros com base nas primeiras impressões que captam das pessoas.

Sem mais delongas, eles se encaminharam até a garagem, onde embarcaram no automóvel. Ninguém disse nada, durante o caminho até o salão alugado para a festa. Ele em sua ânsia em se mostrar em sua cadeira de rodas para velhos conhecidos, e ela em seu nervosismo como acompanhante dele. Pois ela já sabia que seria apresentada como fisioterapeuta particular, ou de qualquer espécie alguma, mas como algo a mais que ela não tinha certeza de que estava apta para tal cargo.

O lugar já estava apinhado de gente. A música tocava alto, e muitos já dançavam ao embalo do som. A primeira coisa que fizeram foi encontrar uma mesa vaga para se instalarem. Logo em seguida veio um garçom oferecendo bebida. Sasuke pegou uma taça, mas ao ver que Sakura se prestava para pegar outra, lançou aquele olhar que dizia tudo, sem pronunciar nada.

Ela fez de conta que não viu, dizendo a si mesma que seria somente aquela dose, para levantar os ânimos e amenizar a tensão que sentia sobre os ombros. Mas sentir aquela bebida descendo pela garganta era tão refrescante quanto um belo copo de água, no meio de um deserto, e acabou ingerindo tudo de uma só vez.

Não havia como notar todas aquelas pessoas em seus vestidos de gala. O salão era enorme, com tapetes vermelhos, e cortinas de ceda cobrindo as janelas. As mesas redondas com toalhas brancas, talheres de prata e pratos de porcelana. Os enormes lustres de cristal ajudavam a compor o visual pomposo daquelas pessoas de nariz empinado. Não parecia nem de longe com uma festa para uma adolescente, das quais ela estava acostumada a ir, e Sakura se sentiu meio deslocada. Aquela era uma festa requintada demais para o seu gosto.

Certamente, no entanto, parecia combinar com Sasuke, que estava bem à vontade, batucando o dedo sobre sua perna, e sorrindo para algumas pessoas, e mais uma vez ela se perguntou em que mundo ele vivia.

Mas música vai, música vem, com aquele som alto era quase impossível manter uma conversa decente com alguém. Sasuke, apesar de aparentar sossego e conforto, olhava ansioso para os lados, esperando ver a anfitriã em algum lugar. Ele reconheceu alguns olhares de pena dos poucos de seus ex colegas de faculdade que estavam presentes, e desviava para outro lado. Até que, finalmente, uma bela moça surgiu iluminando o caminho, fazendo com que ele se esquecesse até mesmo, que estava acompanhado.

A irmã de Hinata estava mais crescida do que se lembrava, estava praticamente irreconhecível. Agora em seus dezoito anos, Hanabi tinha o corpo tão bem modelado quanto de sua irmã mais velha, que a acompanhava logo atrás. Assim que o viu, a menina correu para os braços do rapaz, se joga aos joelhos dele, sem se importar com seu belo vestido.

— Ai, meu Deus! Senti tanta a sua falta que não caberia no céu! — ela resmungou, enterrando o rosto no colo do rapaz.

De repente, Sasuke estava sem jeito, recebendo a atenção da aniversariante. A música não havia parado, mas era como se tivesse, com todos aqueles olhos voltados para os dois. Ele não sabia bem o que dizer, além do óbvio, já que, certamente, carregá-la como costumava fazer, além de impossível em seu atual estado físico, não seria bem visto.

— Feliz aniversário... — ele resmungou.

A moça o olhou cheia de serenidade, e algo mais que ele temia desconfiar o que poderia ser. Mas Sakura o salvou, pigarreando alto, para realmente chamar a atenção da moça que, até então, sequer a notara.

— Oi! Feliz aniversário... — e então, ela estendeu o braço, oferecendo o presente que Sasuke havia comprado para dar à aniversariante, mas ela quem acabou tendo que segurá-lo.

A garota a encarou dos pés a cabeça, enquanto Sakura mantinha o braço no ar e, então, Sasuke resolveu se adiantar.

— Espero que goste... Não tive muito tempo para escolhê-lo bem, por que... Bem... — e deixou a continuação de sua sentença no ar, para a moça preencher.

Rapidamente, Hanabi arrancou o presente das mãos da fisioterapeuta, a deixando completamente sem graça. Sasuke a olhou de canto, e deu de ombros, tentando se desculpar pelo comportamento da jovem. Mas Hinata se aproximou para cumprimentá-la.

— Ela é tão mimada que chega a dar pena. — resmungou no ouvido de Sakura.

A rosada suspirou um pouco mais aliviada, percebendo que a morena não era inimiga, e acabou sorrindo de leve. E continuou a observar a mocinha jogando charmes e insinuações para ele, contando nos dedos quanto tempo ela levaria para deixá-lo em paz.

Sakura tentava não ficar encarando muito a moça. Era ridículo que uma mulher como ela pudesse se sentir ameaçada por uma adolescente daquelas. Mas Hanabi tinha uma beleza exuberante, quase tão hipnótica quanto a de sua irmã, com seus lábios sedutoramente carnudos, nariz pequeno e fino, e o olhar marcante. Mas a jovem parecia atrair mais a atenção dos homens por sua jovialidade fresca, na flor da idade, sem medo de se expor naquele decote. Era quase impossível não sentir inveja daquela criatura de aparência angelical, divina.

Num golpe, ela desembrulhou o pacote, revelando uma bela pulseira de prata e brilhantes que emocionou a garota. Com um sorriso nos lábios, ela pôs a pulseira em seu pulso e olhou para ele.

— Consegue ficar de pé? Sei que algumas pessoas como você, com algum tempo de fisioterapia conseguem ficar de pé e até a dar alguns passos, algum tempo depois...

— Pessoas como eu... — ele murmurou, olhando de canto para sua fisioterapeuta, que apenas abaixou os olhos.

Ele já era capaz de se manter de pé, e dá um passo ou outro, mas suas pernas ainda não estavam muito estáveis e ele temia cair no meio do salão, na frente de todos, sem seu andador.

— Eu sonho com o dia em que poderia dançar com você, Sasuke... Há muito, muito, muito tempo... Por favor. Eu serei o seu apoio. Hum? — aqueles enormes olhos azuis pareciam ter poderes próprios. Foi difícil engolir a seco, e resistir a eles, e Sasuke estava quase conseguindo dizer aquele não, mas ela foi ainda mais insistente envolveu o pescoço do rapaz em seus braços, e ele teve a impressão de que a ouviu fungar o nariz, como se prendesse a respiração para não chorar.

— Ok... Mas não posso me mover muito.

Ela se afastou dele, com aquele sorriso radiante, capaz de colocar qualquer um aos seus pés. E com grande expectativa, Sakura viu a cadeira dele se afastar para o meio do salão, com a moça rebolando atrás dele.

Com ajuda da garota, ele conseguiu se levantar da cadeira. Sasuke procurava não olhar a sua volta, as pessoas que os cercavam. Ele tinha medo de fraquejar, ainda mais estando levemente embriagado. Mas tudo parecia ir bem, enquanto Hanabi se contentasse apenas em estar ali, com ele de pé abraçando firmemente sua cintura.

Enquanto isso, do outro lado, Sakura bebia mais duas taças. Enquanto a bebida deslizava por sua garganta, Hinata, que até então, se manteve quieta, a cutucou de canto.

— Está vendo aquele rapaz ali? — ela apontou para um rapazote, que deveria ter a mesma idade que a sua irmã, e olhava emburrado para os dois no meio do salão — Ele é caidinho pela Hanabi, mas a idiota da minha irmã não percebe. Ela sempre foi apaixonada pelo Sasuke...mas ele, certamente, não tem olhos para ela. Vou tentar jogar ele para os braços dela.

Sakura a olhou de canto, em desconfiança.

— Por que está me dizendo isso?

— Quem sabe?! — a morena deu de ombros, e se levantou.

Sakura a observou se afastar, para conversar com o rapaz, que logo mudou de expressão. Foi inevitável aquele alívio que sentiu sobre os ombros, e logo voltou a olhar para onde Sasuke e Hanabi dançavam. Fez uma leve careta ao vê-la com o rosto enfiado no rosto dele, mas logo disfarçou e desviou o olhar para sua taça, da qual tomou mais um gole. De repente, sentiu alguém chegar por trás de si e virou-se. Um cara alto e bonito se plantava atrás dela. Ele tinha cabelos castanhos escuros e longos, amarrados em um rabo de cavalo frouxo, quase como Itachi, só que mais longo. Ele era lindo, nem muito musculoso e nem muito magro, seus atributos estavam na medida certa, acentuando seu perfil naquela camisa justa que ele vestia. Ele sorriu para ela e se aproximou para falar em seu ouvido.

— Então, eu notei que você está sozinha. Quer dançar? — ele ainda estendeu a mão para ela que o olhou de cima a baixo, mas sorriu e aceitou. Já que Sasuke estava se divertindo, ela também podia. Afinal, ele a trouxe para ficar acompanhá-lo, mas ele mesmo a abandonou. E que mal haveria de ter em dançar com aquele rapaz bonito?

Sakura já podia sentir a bebida fazer efeito, o que a deixou mais leve e solta, e propensa a qualquer perdido que lhe fizesse.

— Por que não? — pegou a mão dele estendida e ele a puxou levemente, a levantando, e circulou um braço em sua cintura fina. E assim, como se não passassem de velhos amigos, ele a levou para o meio do salão, onde agarrou sua cintura e a puxou para bem perto, onde podia sussurrar em seu ouvido, enquanto dançavam.

— Desculpe a grosseria de me aproximar sem me apresentar. Sou primo da sem vergonha ali. Neji...

— Hum. Sou Sakura... — ela meio que ofegou quando ele deu um leve apertão em sua cintura, e então passou os braços por seu pescoço, o abraçando. Por cima daquele ombro forte e seguro, ela podia ver Sasuke abraçado na aniversariante. Parecia que cada vez que o olhasse, Hanabi estaria mais perto dele. Sentiu o sangue ferver e desviou o olhar, sentindo o perfume de Neji.

— Você é muito bonita, Sakura. — ele sussurrou mais uma vez.

Ele era bonito, e parecia gentil e educado o bastante para algum dia, num futuro distante, quem sabe, se interessar pelo rapaz. Mas aquela direta levou todo o encantamento que ela poderia eventualmente sentir por ele.

— Obrigada, você também não é de se jogar fora. — ela pensou que ele fosse mais novo do que ela, sem dúvidas. Deu uma leve risadinha acompanhada por ele (ela pensando no quão inocente ele parecia ser, enquanto ele achando que ela tinha caído em sua lábia), e sem querer, seu olhar foi para no Uchiha novamente.

Sasuke olhava para ela também, desconfiado. De repente, ele se arrependeu de ter aceitado aquele pedido da garota mais mimada que já conheceu. Quando ela era mais nova, ela não parecia ser tão grudenta e chata, como se mostrava ali. Ela também resmungava um monte de blábláblá, que mais lhe soava como choramingões de uma criança acostumada a ter tudo o que pedia.

Contudo, ele estava contente por estar ali, ao mesmo tempo, pois seu corpo estava voltando a readquirir sua sensibilidade, e ele já podia sentir, mesmo que suavemente, o corpo dela se esfregando ao dele. Era embaraçoso, realmente, mas só pela sensação de sentir outro corpo ao seu que ele ainda não havia pedido para voltar ao seu lugar. Mas ali, vendo Sakura colada a outro, ele desejava estar sentindo o corpo dela ao seu, e olhava para ele suplicante para que fosse salvá-lo nas garras pintadas de vermelho da Hanabi.

Só que Sakura preferiu fingir que não viu, e continuou dançando com Neji, calmamente. Ela pensou que ele estivesse apenas cansado, e como ainda tinha boca, poderia dar um basta naquilo quando quisesse.

Sasuke estava mesmo desconfortável ali, e ficou mais ainda quando finalmente reconheceu a pessoa com quem Sakura dançava tão livremente. Era uma musica estranha, com um tom meio sensual. Já deveria ter passados mais de uma hora desde que chegaram, e olhando em volta, ele percebeu que aquele bando de adolescentes, embriagado, dançavam de acordo com o ritmo e o tom. Algumas meninas erguiam as pernas pelos seus acompanhantes, entre risinhos e fofocas.

Sasuke nunca foi grande amigo do Neji — que na verdade não era tão novo quanto ela pensava —, eles quase nunca se falavam, era uma antipatia mútua. E ali, mais do que nunca, ele queria socar a cara daquele idiota mulherengo. E seu corpo ficou ainda mais tenso ao vê-lo sussurrar algo no ouvido dela e ela dar um risinho tímido. Sasuke bufou, sem dar a mínima atenção para o que a Hanabi ainda dizia, e desviou o olhar.

E, então, Neji respirou contra o pescoço da rosada, e chegou a roçar os lábios em sua pele.

— Vamos sair daqui? — ele sugeriu — Está meio sufocante, que tal ir lá fora tomar um ar?

— Ok.

Antes de dar as costas, ela deu mais uma olhada para trás. Sasuke não a viu desaparecer do salão com outro. Aquele desencontro de olhares estava atrapalhando os planos dos dois, mas ela não ia se permitir fazer outro fiasco, como da ultima vez em que esteve em uma festa. Ainda mais, vestindo um vestido deslumbrante daqueles.

Notas finais
Algum comentário (aos que ainda estão lendo T___T)?