Pure Love
41 Capítulo 42
Notas iniciais
Capítulo 42
Felicity POV
Eu devia me desculpar. Sim, provavelmente. Havia desafiado meu superior na frente de todo o setor de T.I, desrespeitado ele. Mas então ele também tinha me desrespeitado ao falar comigo naquele modo tão grosso. E pensando bem, não havia sido um desafio, desafio. Eu apenas havia ressaltado que meu trabalho não podia ser feito por qualquer pessoa. Ele não podia me despedir por valorizar meu cargo e minha preparação profissional.
– Pelo jeito, continuamos na mesma. _ A voz do senhor Stewart me traz de volta dos meus pensamentos. Eu não havia prestado nenhuma atenção no que ele estava dizendo. — Senhorita Smoak, está ciente da situação constrangedora e desnecessária que provocou na última sexta feira? _ Ele estava sentado muito confortável para alguém que deveria estar muito constrangido com a tal situação.
– Eu admito que me excedi na nossa última conversa Sr. Stewart. _ Eu admiti mesmo com a enorme vontade que estava de mandá-lo a um local nada agradável. — Em minha defesa, as coisas estavam um pouco anormais naquele dia. _ No mínimo anormais. E quanto ao final de semana era melhor nem comentar.
– Eu poderia dizer que está tudo bem, aceitar a desculpa que você está tentando me dar por mais compreensível que seja. Afinal, todos nós temos dias anormais e difíceis. _ Ele estava sendo muito condescendente. Eu quase podia acreditar em toda aquela gentileza e compreensão, se, ele não estivesse me olhando como se quisesse me jogar pela janela. – Mas a verdade, senhorita Smoak, é que eu não quero nem sequer ouvir suas desculpas. _ Aquele era o chefe que eu conhecia. Ele não estava nem se preocupando em esconder a satisfação de finalmente me mandar embora. Eu sinceramente não entendia a urgência dele em me expulsar da empresa. Podíamos ter nossas diferenças, mas no quesito eficiência eu nunca havia deixado a desejar.
– Senhor Stewart, eu entendo que o senhor esteja no mínimo muito chateado com o meu comportamento, mas sejamos sinceros, não há ninguém tão capacitado quanto eu para o meu cargo. _ Eu não podia deixar de ressaltar minha importância na empresa. Eu estava sendo mandada embora, tinha que tentar de tudo. Mas pelo cara daquele miserável, ele não estava nem um pouco preocupado com isso.
– Eu acho que alguém tem uma opinião muito elevada sobre si mesma. _ Ele disse me desprezando completamente com um sorrisinho muito irritante. Meus dedos apertaram a alça da minha bolsa instantaneamente, controlei ao máximo para não dar a resposta que ele merecia.
– Meus diplomas falam por mim, senhor Stewart. _ Digo com minha voz controlada. Eu me conhecia o suficiente para saber que minha paciência estava no limite.
– Pedaços de papel, Felicity. Hoje em dia qualquer um consegue um desses. _ Ele disse zombando de mim enquanto levantava da sua mesa para observar a cidade pela janela. Em algum lugar da minha mente, eu estava comparando a vista da cidade que ele tinha daqui, com a da presidência. Se bem que não havia nem comparação. Eu não sabia nem o que responder à aquele tirano. Ele havia me chamado pelo meu primeiro nome, apesar de nós dois não nos suportarmos. E sugerido que todo meu estudo era insignificante. Esse homem estava pedindo para ouvir coisas nada legais de mim. Decido sair daquela sala antes que fizesse algo que realmente me arrependeria mais tarde.
– Muito bem, então é isso. _ Digo enquanto me levanto daquela cadeira desconfortável e arrumo minha bolsa no meu ombro. – Vou esvaziar minha sala, se não for muito inconveniente para você. _ Finalizei enfatizando a palavra você, se ele podia ser podia ser atrevido e grosseiro eu também devolveria na mesma moeda.
– Na verdade, não será necessário. _ Ele se virou para mim com um sorriso muito cínico e satisfeito no rosto. – Eu mesmo te poupei desse trabalho. _ Senhor Stewart comentou muito educado para o meu gosto. Ele caminhou de volta até sua mesa e pegou uma caixa de papelão, não muito grande, debaixo da sua mesa. Eu não consegui controlar minha cara de surpresa.
– Você, você, esvaziou minha sala. _ Falei sem necessidade já que estava claro que ele havia feito aquilo.
– Não há necessidade de agradecer. Acredite, foi um prazer. _ Eu não sabia o que responder para tirar aquela expressão de felicidade cara dele. Na verdade, ele tinha motivos para estar tão feliz. Finalmente ele havia vencido.
– Ótimo. _ Disse bruscamente, e puxei minha caixa de suas mãos com toda força que consegui. – Vai ser um prazer não ter que olhar mais para sua cara. Passar bem, Harold Stewart. _ Não esperei para ver sua reação ao meu pequeno ataque de raiva e me virei saindo da sua sala. Claro que bati a porta o mais forte que consegui.
Eu não iria chorar. Não mesmo. Já havia passado por situações piores que essa e saído ilesa. Eu não daria esse gostinho a ele.
Caminhei com toda a dignidade que me restava e uma dose extra de falsa segurança até o elevador.
– Felicity. _ Ouvi alguém me chamar e me virei. Jenna. – O que houve? _ Ela perguntou, apesar de estar bem explicito o que tinha acontecido.
– Uma hora ou outra isso iria acontecer. _ Balancei os ombros tentando soar indiferente ao fato que estava na rua. Jenna estava realmente chateada com minha demissão, sorri para el.
– Ele vai mudar de ideia. Não acredito que ele saiba o que está acontecendo. _ Ela comentou num tom um pouco mais baixo do seu normal. Olhei para ela sem entender do que ela estava falando. – O senhor Queen. Vocês estão juntos. _ Ela não estava perguntando, era uma afirmação.
– Da onde você tirou isso? _ Eu perguntei um pouco mais alto do que pretendia.
– Está em todos os jornais. _ Jenna respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. O que obviamente não era. – Espera. _ Ela saiu correndo pelo corredor olhando ao redor procurando algo. O barulho do elevador chegando tirou minha atenção dela. Esperei todos saírem do elevador e entrei segurando a porta, esperando ela voltar. – Aqui. _ Ela apareceu do nada na minha frente e me estendeu o jornal. Tive que soltar a porta do elevador para segurar o jornal e elas fecharam. Ao longe, escutei Jenna se despedindo de mim, mas não estava prestando atenção direito para entender o que ela havia dito. Minha atenção estava na foto de um casal em plena demonstração de afeto. Primeira página. Um belo beijo, digno de cinema.
– Pelo menos é de um bom ângulo. _ Meditei. Pelo menos algo para alegrar meu dia. Éramos um belo casal. Pelo menos era o que dizia ali.
Não importa se minha demissão havia sido justa ou não, em ter que apresentar meu crachá na recepção antes de ir embora era humilhante.
Eu não estava preparada para me despedir da Q.C ainda. Nunca me esqueceria do dia em que tinha entrado pela primeira vez por essas portas. Tudo era incrível. Como um sonho. Havia trabalhado tanto para chegar até onde estava. Horas de trabalho extra, finais de semana. Tudo para ajudar no bom funcionamento do meu setor. Mas nada disso era bom o suficiente para aquele careca arrogante.
Bom, ele não estava ali para ver minha segurança ruir e meus olhos arderem.
– Tenha um bom dia. _ A recepcionista estava tentando ser gentil comigo ao se despedir. Olhei para ela agradecida por sua consideração comigo e sorri agradecendo.
– Obrigada, para você também. _ Agradeci, e voltei para o elevador.
“ Não é o fim do mundo. Posso arrumar outro emprego ainda hoje. Sou muito capacitada. Me esforcei muito pra isso. Eu consigo”. Penso tentando controlar minha respiração.
– Merda. _ Praguejei sentindo uma lágrima cair. – Careca estupido. _ Limpei meu rosto irritada comigo mesma por chorar por causa daquele idiota. Ele não merecia nem que eu pensasse nele.
Fui tirada dos meus pensamentos felizes sobre a careca ambulante pelo elevador que resolveu parar.
– Sério? É sério isso? _ Será que tudo aconteceria hoje? Minha demissão, ficar presa no elevador. Só faltava ele cair. Eu nem havia terminado meu pensamento e o elevador balançou subitamente. — Ah! Mentira! Brincadeira. É brincadeira. _ Eu falei assustada com a possibilidade de o elevador cair. Abracei a caixa como se minha vida dependesse daquilo e esperei alguma coisa acontecer.
Não tive que esperar muito. Depois de mais uma balançada assustadora ele começou a se mover novamente. Minha vontade era de dançar de tanto alívio por não estar caindo para a morte. Se eu não soubesse das câmeras de segurança, provavelmente estaria dançando.
De repente uma luz no painel do elevador começou a piscar chamando minha atenção.
– Mas o que? _ Eu não fazia idéia o que aquela luz significava, mas nunca era boa coisa. Procurei por alguma indicação ou explicação para aquela luz, mas nada. Era apenas uma luz vermelha piscando. — Desde que não seja uma bomba. _ Murmurei me lembrando de todas aquelas luzes piscando.
Se bem que com a sorte que estava, não duvidava de mais nada.
Senti o elevador parar suavemente e agradeci aos céus por conseguir sair daquele cubículo. Hoje não era meu dia. Definitivamente.
Ajeitei a bolsa no ombro e segurei a caixa firmemente com as duas mãos.
Assim que as portas abriram eu podia jurar que havia caído no elevador e batido a cabeça. Um sonho. Uma alucinação. Essa era a única explicação para o elevador ter me levado a presidência com um John Diggle sorridente me recepcionando, ao invés do estacionamento.
– Bom dia, Srta. Smoak. _ John disse dando um passo a frente e agarrando minha caixa do seus braços, que eu deixei ir sem nenhuma resistência.
– O que eu estou fazendo aqui? Como? _ Eu não devia estar sendo nenhum pouco coerente. Mas francamente, eu estava confusa. Olhei em volta do elevador procurando alguma pista de como havia acontecido aquilo, e meus olhos foram quase diretamente para aquela pequena luzinha.
– O senhor Queen precisa ter uma palavrinha com a senhorita. _ Ele disse explicando minha presença ali. Oliver. Claro. Então ele controlava o elevador.
– O senhor Queen sabe da existência de um aparelho mágico que permite que nos comuniquemos a distância? E o melhor, de qualquer lugar do mundo? _ Eu não estava no meu melhor humor para me encontrar com ele. Indiretamente ele era o culpado pela minha demissão. Tínhamos cinquenta por cento de culpa. Talvez setenta e cinco pra mim é vinte e cinco para ele, mas mesmo assim ele tinha sua parcela.
– Digamos que eu prefiro conversar pessoalmente. _ Escuto a voz de Oliver do lado de fora do elevador. Olho para John indecisa se saia ou não do elevador, mas optei por sair. Não é como se eu fosse ignorá-lo pra sempre só por que estava com raiva.
Oliver estava apoiado na parede ao lado do elevador e assim como eu, não parecia nada feliz. John nos pediu licença e voltou para a sala da presidência com minha caixa, nos deixando sozinhos no corredor. Uma das vantagens em trabalhar na presidência com certeza era a privacidade, todo o andar era privado.
Olhei para Oliver, esperando por seja lá o que ele queria conversar.
– O que aconteceu? _ Oliver me perguntou bastante sério.
– Eu diria que é meio óbvio, não é? _ Ele se limitou a continuar me encarando apesar do meu mau humor. Suspirei tentando controlar meu temperamento , afinal de contas, ele não era completamente culpado da minha demissão. — Desculpa, não quis ser rude.
– Vamos por aqui. _ Ele disse de repente, se virando e abrindo uma porta atrás de onde estava encostado.
Não era difícil reconhecer aquela sala, com todas aquelas cadeiras e a mesa gigante. A decoração era muito parecida a da sala da presidência, com a única diferença nas paredes, que não eram de vidro, e sim de concreto. O único ponto de todo andar que era privado. A sala de reuniões.
Sinto Oliver passar por mim, ele caminha até a mesa e se senta sobre ela me encarando. Eu sabia que pura infantilidade, mas não estava com vontade de falar com ele, então me encostei ao lado da porta.
– Posso ficar aqui o dia todo. _ Ele comentou enquanto cruzava os braços, me provocando.
– Eu não sei o que quer que eu diga. Fui demitida, está claro. _ Tentei dizer sem me exaltar com a raiva que estava sentindo daquele careca idiota. Oliver me olhou surpreso por um instante, mas logo começou a rir. — Ele realmente é um idiota. _ Confessei, tentando disfarçar meu embaraço por ter falado demais novamente.
– Ele acabou de demitir a pessoa mais inteligente que conheço. Não posso discordar de você. _ Oliver disse parando de rir, mas ainda com um sorriso. Ele não podia fazer com que me sentisse melhor apenas com aquelas palavras, mas era exatamente o que estava acontecendo. — Vai me dizer o motivo? _ Ele perguntou se pondo sério novamente. Suspirei incomodada como assunto.
– Nós discutimos sexta-feira. Não é uma boa idéia constranger seu chefe na frente de todo departamento, sabe? _ Tentei brincar com a situação para não mostrar como estava me sentindo mal.
– Sim, você comentou algo assim na sexta. Mas não me disse o que havia acontecido. _ Oliver insistiu. Eu não queria falar sobre aquilo com ele. Estava com raiva e não queria descontar na pessoa errada.
– Você havia acabado de me convidar para sair, não iria falar mal do meu chefe com meu outro chefe. _ Expliquei meu ponto de vista. — Não é muito educado ou ético reclamar com o chefão sobre seus problemas na empresa, só por que estão saindo. _ Oliver me olhou parecendo um pouco incomodado com minha definição sobre nosso relacionamento.
– Não seja por isso. Estamos na empresa, não há lugar melhor para fazer suas reclamações. _ Ele estava claramente me pedindo para contar o que havia acontecido. Apesar de toda raiva que estava sentindo daquele velho irritante, não queria que Oliver comprasse minha brigas. — Felicity. _ Ele insistiu.
– Oliver, de verdade, já acabou. Contar o que aconteceu não vai mudar o fato que eu estou fora da empresa. Apesar de ser muito injusto. _ Acrescentei sem querer. Aquilo não iria ajudar em nada a curiosidade dele. — Só deixa pra lá. _ Pedi e balancei os ombros tentando diminuir a importância da situação.
– Ok. _ Ele assentiu concordando com meu pedido, mas de repente, se esticou inclinando seu corpo até onde eu estava e agarrou minha mão me puxando bruscamente, colando nossos corpos. — Agora sim, não tem pra onde fugir. _ Ele comentou me prendendo entre seus braços. — Felicity, eu não sou a pessoa mais paciente do mundo. Me esforço, mas não sou. _ Ele avisou olhando bem dentro dos meus olhos.
– Não adianta mais, Oliver. _ Tentei fazê-lo desistir mas pela sua cara ele não queria deixar para lá. — Foi um mal entendido. _ Disse por fim, cruzando meus braços contrariada. — Ele não entendeu muito bem o porque da minha saída mais cedo e foi um pouco rude comigo. _ Confessei, um pouco incomoda por estar entregando aquele homem. Ele era um imbecil, eu não. — Você viu o que saiu nos jornais? _ Tentei usar o jornal para mudar de assunto. Oliver olhou para o papel em minha mão e assentiu confirmando. — Segundo eles somos um belo casal. _ Levantei o jornal mostrando a foto.
– Quem diria que eles são capazes de dizer verdades. _ Ele estava se referindo a imprensa, com certeza.
– Sim, foram sinceros até demais. Segundo eles, sou a mais nova aventura do playboy mais desejado da cidade. Com a única diferença que sou a mais inteligente. Palavras deles. _ Ri da cara de Oliver, e também para provar que não me importava com os comentários da imprensa. Eu sabia muito bom como eles podiam ser cruéis.
– A mais modesta também. _ Ele apontou menos irritado pelo assunto de antes. Nós dois olhamos para porta que estava sendo aberta, do outro lado da sala. John apareceu com sua postura séria de sempre.
– Senhor Queen, ele já está aqui. _ Eu não conseguia entender o por que, mas sempre que John se dirigia a Oliver parecia algo como um jogo. Era muito intrigante. E eu também não acreditava naquela falsa formalidade.
– Eu já vou. Não quero atrapalhar seu trabalho. _ Me desvencilhei dos braços de Oliver, mas deixei o jornal em cima da mesa.
– Não é necessário que saia. Ao contrário, preciso que fique. _ Olhei para os dois, sem entender. — Já vai entender. _ Oliver me estendeu a mão, num convite para seguí-lo.
– Certo. _ Aceitei sua mão apesar de estar bem incerta se devia ir ou não.
“Eu devia aprender a escutar minha intuição. Quando aquela vozinha no seu interior te disser para não fazer algo, não faça.” Recrimino a mim mesma olhando para o tal convidado. Minha surpresa só não era maior que a dele.
– Senhor Stewart. _ Oliver o cumprimentou com um aceno bem discreto com a cabeça, já que suas mãos estavam ocupadas. Uma segurando o jornal e a outra no meu ombro.
– Senhor Queen, soube que queria conversar comigo. _ Ele disse me encarando. É sério isso? Eu não tinha culpa nenhuma naquilo.
A última coisa que eu queria era envolver Oliver nos meus problemas, e olha só. Ele estava bem no meio de um.
– Oliver, o que está acontecendo? _ Olhei para ele procurando uma explicação. Mesmo que ele quisesse intervir no meu caso, não seria muito ético da parte dele. Ou da minha.
– Nada demais, não se preocupe. _ Ele me garantiu e apertou levemente meu ombro antes de me soltar. O gesto não passou despercebido pelo meu ex chefe, claro. — Senhor Stewart, já é do meu conhecimento a demissão da Senhorita Smoak. Posso perguntar qual o motivo?
Stewart olhou para mim rapidamente antes de encara Oliver. Eu poderia narrar todos os pensamentos maldosos sobre mim só pelos dois segundos que haviam durando aquele olhar.
– Claro, o motivo. Hã. Na última sexta-feira, a senhorita Smoak se recusou a fazer um trabalho muito importante para a empresa, e como se não bastasse ainda causou uma situação muito embaraçosa em todo departamento de T.I. _ Ok, eu não podia desmentir aquilo. Nem mesmo argumentar. Oliver olhou para mim rapidamente, apenas o suficiente para avaliar minha reação ao que Stewart havia dito. Desviei meu olhar para o horizonte do lado de fora, incomoda por ser o assunto daquela conversa.
– Imagino a situação embaraçosa que vocês devem ter protagonizado. Mas ao meu ponto de ver, uma advertência seria o bastante. _ Ele realmente estava fazendo o que eu não queria que ele fizesse.
– Oliver, realmente não é necessário. _ Olhei para ele pedindo silenciosamente para ele parar, mas ele não estava olhando para mim para ver isso.
– Mas você preferiu demití-la. Como chefe do seu setor fez o que era melhor para o funcionamento da empresa. _ Ele estava tentando me ajudar? Não que eu quisesse que ele fizesse isso, mas concordar com aquele assediador preconceituoso já era demais. Stewart parecia pensar o mesmo que eu. Que Oliver havia perdido o juízo. – Mas claro que o senhor já possui uma pessoa mais qualificada para o cargo da senhorita Smoak, certo? _ Eu não consegui ver o rosto de Oliver de onde estava, mas podia enxergar o rosto do careca. E pelo visto, ele parecia estar nervoso. Pensando bem, não era tão ruim Oliver intervir por mim.
– Bom, senhor Queen, a demissão da senhorita Smoak foi bem repentina. Mas já estou providenciando alguém melhor para o cargo. _ Alguém melhor do que eu? Duvido.
Oliver virou para mim com aquela cara que eu já conhecia. A mesma de quando eu dizia algo sem querer.
– Disse alguma mentira? _ Perguntei olhando para os dois, muito constrangida por Stewart ter ouvido meus devaneios.
– O que me leva a próxima pergunta. _ Oliver virou novamente para Stewart, e eu perdi toda a visão do seu rosto. — Senhorita Stewart, se eu pedisse agora, nesse exato momento, para Felicity invadir o sistema da empresa e apagar todos os registros, nos fazendo perder todos esses anos de trabalho e informações. Ela conseguirá, Stewart?
Bom ponto. E o velho careca também pensava assim, a julgar pelo nervosismo dele e a maneira que começou gaguejar. Responde essa idiota.
Que Oliver era não me pedisse isso de verdade, porque daria muito trabalho recuperar tudo novamente.
– Bom senhor Queen, levando em consideração que foi a própria senhorita Smoak que projetou o sistema de segurança da empresa, eu diria que sim senhor. Ela conseguiria. _ Stewart admitiu mesmo a contra vontade. E pela cara com ele estava me observando, era muita má vontade.
– E você não tem ninguém que possa nos assegurar que ninguém de fora invada nosso sistema. _ Oliver disse num tom um pouco mais áspero do que o normal, talvez ele estivesse começado a se irritar com a incompetência do careca.
Tá ele não era de todo incompetente. Noventa e cinco por cento.
– Bom senhor, o sistema da senhorita Smoak ainda está operando. E eu não acredito que a senhorita Smoak seria capaz de invadir o próprio sistema, levando em consideração, bom. _ Stewart apontou para nós dois, Oliver e eu. Então ele sabia de nós dois.
– Stewart, me responde uma coisa. _ Oliver pediu massagens sua têmpora. Realmente, até eu estava começando a ficar com dor de cabeça. — Que pessoa no mundo demite a namorada do chefe? Vou te dar dez segundos pra pensar. _ Ele ofereceu numa falsa demonstração de cordialidade e se encostou na sua mesa encarando o careca.
Eu não iria pensar na palavrinha que começa com "n". Não agora.
"Mas nós temos um rótulo. Um título. Eu tenho um status". Pensei muito animada com isso. A dança ridícula estava querendo se manifestar, mas se não dei liberdade para ela no elevador, aqui que não daria mesmo. Talvez depois.
Era apenas um palpite, mas se eu fosse o careca não esperaria passar os dez segundos.
– Bom. Senhor, a empresa tem suas normas de conduta. E bom. _ Stewart disse nervoso mas se arrependeu logo em seguida pela cara que ele olhou para mim.
Naquele exato instante quase tive pena dele. Quase. Por que o modo como ele havia me demitido ainda estava martelando na minha mente.
– Stewart você não precisa me lembrar das normas da minha empresa, eu sei todas elas. E também sei que o modo que a senhorita Smoak foi demitida não foi justo. _ Se olhares matassem, eu estaria morta agora.
– Entendendo senhor. _ Stewart disse docilmente demais para mim acreditar. — Eu sinto muito senhor. não foi minha intenção irritá-lo ou desrespeitá-lo de alguma maneira. _ Ele continuou cabisbaixo.
– Está tudo bem Stewart, eu não o chamei aqui para brigar com você, apenas para avisar que a demissão da senhorita Smoak está anulada. fui claro? _ Oliver perguntou, mas estava deixando claro que não era opção. E aquilo era exatamente o que eu não queria. Me aproximei dele ainda olhando para Stewart, tentando deixar bem claro que eu não aprovava nada daquilo.
– Oliver, posso falar com você um instante? _ Perguntei sem me importar em ser discreta. Se aquilo continuasse nada mais seria discreto dali pra frente. Ele me olhou um pouco irritado, parecia que ele estava adivinhando o que eu iria dizer.
– Claro. _ Ele concordou balançando a cabeça desanimado. — Pode ir Stewart. _ Ele dispensou o careca com um aceno de mão muito mal educado da parte dele. Eu só esperava que todo aquele mal humor fosse apenas com o careca, se não teríamos problemas aqui.
– Eu acho melhor o care, digo, senhor Stewart esperar. Talvez? _ Finalizei insegura quando ele suspirou irritado. — Ou melhor não. Você quem sabe. _ Continuei um pouco confusa, sem saber que posição tomar. Se insistia ou aceitava.
Oliver olhou novamente para o careca que apenas assentiu e saiu da sala. Do lado de fora vi quando John o chamou e lhe passou minha caixa. Não dava para escutar o que diziam, claro. Mas, pela cara que Stewart fez para John, eu acho que quando voltar para minha sala ela vai estar brilhando, limpa e se bobear até café ele vai me trazer.
– Então? _ Oliver perguntou trazendo minha atenção de volta para sala. Eu o olhei momentaneamente esquecida do que iria conversar com ele.
– O que? _ Ele me olhou de volta também confuso. Mas o confuso dele era muito bonitinho. O tipo de cara que ele não faz com frequência. — Ah sim. Você não pode me readmitir na empresa. _ Me lembrei o que queria conversar. Era muito antiético.
– Claro que eu posso. Eu já fiz isso. _ Oliver respondeu tranquilamente, enquanto mudava de posição na sua mesa para me olhar melhor.
– Não, não pode. E não deveria ter feito. Oliver isso foi muito, antiético. Você só me readmitir por que sou aquilo que você falou que eu era. _ Maldita hora pra enrolar. Mas a culpa era dele. Quem mandou soltar títulos e rótulos sem me avisar.
– Eu disse o que? _ Ele perguntou com aquela cara fofa de novo. Ele não ia me dobrar com essa súbita perda de memória.
– Você não me engana. E o ponto não é esse? _ Ele riu sem nenhuma vergonha de ter sido apanhado. Sem vergonha.
– E qual é essa questão, senhorita Smoak? _ Ele se pôs todo formal novamente. Como se ajudasse em algo. A versão sou o chefe/gato/poderoso de toda essa empresa não era de ajuda alguma. Pelo menos pra mim.
– As pessoas vão achar que só fui readmitido por que estou dormindo com você. O que depois de hoje não seria mentira, mas do outro sentindo, sabe? _ Eu nunca entenderia por que eu desperdiço tantas oportunidades de ficar calada. Seria tão menos embaraçoso.
– Felicity, qualquer pessoa que desacredite do seu potencial está tremendamente enganada. Eu sou a prova viva de que você é a pessoa mais inteligente que eu já conheci. _ Ele disse e estendeu a mão, me chamando pra perto. A empresa não era o lugar que eu gostaria de ser vista com ele trocando carinhos, mas quem resiste?
– Eles vão falar mesmo assim. _ Insisti, segurando sua mão. Tá. Talvez eu não me importasse tanto assim em ser vista com ele. — Não devíamos ficar assim, aqui. _ Comentei sem nem um pouco incomodada.
– As únicas pessoas nesse andar somos eu, você e John. _ Ele explicou, mas eu já havia percebido isso. Oliver não tinha secretária ou assistente, o que era estranho.
– Por que você não tem uma secretária? _ Perguntei apontando para a mesa do lado de fora, onde John parecia bem a vontade lendo uma revista. Oliver seguiu meu olhar e balançou os ombros.
– Não achei necessário. Consigo me organizar sem uma, acho. _ Olhei de volta para ele bem impressionada. Lindo, charmoso, cheiroso e autosuficiente.
– Isso é muito impressionante, senhor Queen. _ Elogiei de verdade, mas num tom de brincadeira. Oliver sorriu e anuiu, aceitando o elogio e a brincadeira.
– E quanto a sua readmissão que virá certamente com fofocas, não as escute. Como você disse, vão falar de qualquer modo. _ Ele tentou me tranquilizar fazendo um carinho muito gostoso na minha mão. Sorri para ele agradecida pelo seu gesto. — Adoro seu sorriso, sabia? _ Ele soltou de repente, fazendo meu sorriso vacilar um instante.
– Não leio mentes, senhor Queen. Não tenho como saber disso. _ Respondi bem humorada e ele sorriu.
– Acredite, você não quer ler minha mente. Não nesse exato momento. _ Ele disse com uma expressão nada cavalheira e muito maliciosa, e aquilo era meu limite numa segunda de manhã.
– Ok, nada de dizer essas coisas no escritório. _ Repreendi ele e soltei sua mão me afastando o máximo possível dele. Esse homem mexia com meus hormônios muito rápido. — Pensei que tínhamos um acordo quanto a isso. _ Lembrei ele.
– Não me lembro de ter feito nenhum acordo. _ Ele disse olhando para frente, onde John estava antes sentado. Onde ele havia ido?
– Formalidade no escritório lembra? Isso é um acordo. E exclui qualquer palavra de duplo sentido, carinhos excessivos e até troca de olhares prolongados. _ Disse categoricamente algumas da coisas que ele fazia e que me faziam esquecer temporariamente de onde estava. Oliver me olhou surpreso e um pouco divertido com todas aquelas regrasque eu havia criado.
– Temos regras agora? _ Ele perguntou se levanto e vindo na minha direção, o que me fez recuar a cada passo que ele dava.
– Oliver estamos no escritório da empresa da sua família. Onde você é o presidente. Você tem que dar o exemplo. _ Ele balançava a cabeça concordando comigo em tudo, mas claramente não estava escutando nada.
Senti minhas costas contra a parede e sabia que estava encurralada.
– Tem toda razão, vamos dar o exemplo. Nada de troca de carinhos, palavras de duplo sentido ou olhares significativos em público. Você tem toda razão. _ Ele disse balançando a cabeça concordando e perigosamente perto demais da minha. — Por isso, vamos nos esconder. _ Ele sussurrou com um sorriso travesso, e antes que eu pudesse perguntar do que ele estava falando a parede atrás de mim desapareceu de repente.
Demorou um instante para mim perceber que a parede atrás de mim era uma porta. A mesma que havíamos passado a pouco, e que estávamos novamente na sala de reuniões.
Eu devia brigar com ele por estar fazendo exatamente o que eu havia dito para não fazer. Mas, sinceramente, estávamos sozinhos no único local da empresa que era privado.
– Vou ter que ficar longe de portas também? _ Perguntei brincando, enquanto rodeava seu pescoço com meus braços.
– Sim. De todas. Menos essa. _ Olhei para ele fingindo estar pensando no que ele havia dito, mas logo sorri e balancei a cabeça concordando. Oliver sorriu por ter conseguido me convencer a entrar nesse jogo sem vergonha no escritório. Mas era um jogo muito gostoso. — Que bom que pensa assim. _ Ele comentou meu pensamento, mas mesmo envergonhada não deixei de rir.
– Ainda vamos discutir minha possível readmissão. _ Avisei antes que ele me deixasse confusa e aérea. Oliver sorriu de um jeito estranho e concordou.
– Converso sobre o que você quiser. _ Ele disse antes de me beijar rapidamente e se afastar logo em seguida, mas o suficiente para fazer minha respiração acelerar. — Daqui a pouco. _ Ele completou e desceu novamente sua boca sobre a minha.
Se eu tinha alguma chance de me lembrar que ainda precisávamos conversar quando saíssemos daquela sala, tudo foi por água abaixo quando ele nos girou, me encurralando entre ele e a porta.
Sinceramente, Oliver não sabia jogar limpo.
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