Pure Love
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Capítulo 23 Oliver POV
Parte 3 — Última parte
Definitivamente essa era a pior idéia que John já teve. E eu era um idiota por aceitar executá-la.
'Vai ficar tudo bem Ollie, você só vai falar com ela'. Thea tenta me acalmar pelo comunicador, mas ela está tão preocupada quanto eu.
E se Felicity disser não? Amanda poderia obrigá-la a fazer algo contra sua vontade mas eu não. Eu não conseguiria fazer isso.
Imagens dela sorrindo ontem invadiram minha mente, seus beijos, o modo como ela respondia a mim. Sua confiança sem razão para comigo.
Isso estava errado.
'Oliver, só pergunte a ela se ela pode te ajudar? Isso é tudo'. A voz de John chega a meus ouvidos, e sinto uma imensa vontade de socá-lo.
Fácil falar, não era ele que estava aqui parado no escuro com seu pequeno anjo loiro o olhando assustada.
Desde que ela me localizou não consigo me mover, o sentimento de que isso está muito errado estava me paralisando. Eu não tinha certeza se deveria fazer isso, eu podia lidar com Waller mais tarde.
– Por que não posso acender a luz?_ A voz de Felicity me surpreende. Ela não parecia com medo, nervosa sim mas com medo não.
– Prefiro assim._ Minha voz sai mais baixa que o normal apesar do emulador. Eu só tinha que fazer uma pergunta e então ir embora,eu conseguia.
– Está bem._ Ela caminha lentamente até quase o centro da sala e a pouca luz de fora reflete em seu rosto e eu vejo sua expressão. Curiosidade. Assombro. E algo que chegava perto de emoção. Mas emoção de que?- O que faz aqui?_ Ela tenta disfarçar seu nervosismo adotando uma postura séria, a mesma que ela usa no escritório.
Ela tinha alguma idéia de que estava tentando conversar com um Vigilante da cidade usando uma calça de moleton pink e uma camiseta de com panda?
Sua pose e sua roupa só a deixavam mais adorável. Como um coelho, lindo e inofensivo, tentando confrontar um lobo feroz e mortal.
– Não está com medo de mim._ Não era uma pergunta, estava claro que ela não tinha medo de mim. Ou do Arqueiro no caso. Ela prende a respiração se movendo inquieta no lugar, e vejo dúvida no seu olhar.
– Deveria sentir medo?_ Felicity pergunta, sua voz mais baixa e menos imperativa. Eu quero me chutar por fazê-la sentir medo.
– Não._ Minha resposta sai mais urgente do que pretendia.- Não vim aqui para assustá-la ou machucá-la._ Ela relaxa visivelmente com minha confissão. E me sinto ainda pior pelo que ia pedir.- Na verdade preciso de ajuda._ Digo contrariado, minhas palavras quase não saindo e Felicity apenas me encara sem expressão, seu rosto em branco. Eu não gostava quando ela fazia isso, eu queria ler suas expressões para poder entender suas emoções, pra saber o que estava acontecendo com ela, e quando ela fazia isso eu me perdia.
– Minha ajuda? Você precisa da minha ajuda?_ Por que ela parecia tão cética em relação a si mesma? Ela estava me olhando como se eu estivesse perdido minha cabeça. Ela era a droga de um gênio. Não deveria estar tão surpresa por precisarem da ajuda dela.
– Não há muito tempo para explicações, só preciso saber se irá me ajudar._ Ela parece sobrecarregada sem saber o que fazer ou como agir. Eu sabia que surpreendê-la sempre a calava, só queria que não fosse assim.- É um caso atípico ao que eu estou acostumado a lidar e dessa vez não vou conseguir sem sua ajuda._ Eu precisava que ela me seguisse, nem que fosse para fugir da mira da Waller que certamente cairia sobre ela.
– Eu, eu. O que eu preciso fazer?_ Ela me pergunta decidida apesar da sua voz trêmula.
Olho para ela e sentindo tudo ao meu redor desaparecer.
Tenho vontade de bater minha cabeça na parede repetidas vezes até esse sentimento de culpa me deixar, esse medo de não conseguir resolver esse caso e a cidade inteira e Felicity pagarem por isso.
Eu estava levando uma das melhores pessoas que já conheci para uma possível morte. Acho que não existiam mais xingamentos para mim, já utilizei todos que conhecia.
– Há uma bomba na cidade._ Eu começo a dizer e ela me olha com medo a menção da bomba. Fecho meus olhos não suportando ver como eu estava a ponto de quebrar o mundo dela.- Preciso da sua ajuda para desarmá-lá._ Completo com alguma dificuldade, e espero sua reação.
Ainda de olhos fechados e escondido na escuridão do corredor presto atenção a qualquer barulho que ela possa fazer, mas a única coisa que escuto é sua respiração acelerada. Ela parece estar a beira de um ataque de pânico.
– Aonde ela está?_ Felicity me pergunta querendo soa mais confiante mas sua voz está assustada.
– Isso é um sim?_ Pergunto com um aperto na garganta. Ela não tinha idéia do que iria acontecer a ela caso dissesse sim.
– Sim, sim._ Ela gagueja nervosa mas parece decidida.
'Quanto mais rápido fizermos isso mais rápido ela volta pra casa Ollie'. Thea fala comigo pelo comunicador.
Encaro Felicity, que não sabe que está sendo encarada e obrigo minha pernas a se moverem. Tinha que agir rápido, quanto mais rápido ela fosse mais rápido ela retornaria, como Thea havia dito.
Por que ela retornaria. Sim, ela iria retornar. Nunca houve outra opção a não ser essa.
Deliberadamente me aproximo de Felicity sem muito cuidado em esconder meu rosto, a pouca luz de fora me ajudando. Ela não estava esperando pela aproximação, então sua reação é se afastar quando paro em frente à ela. Ela me encara assustada e confusa com minha atitude.
– Me desculpe por isso._ Ela não entende o porque eu digo isso e eu não dou tempo de fazê-lo também. Antes que ela perceba retiro a seringa com o sonífero que estava no bolso do casaco e injeto no seu braço, e em três segundos Felicity está desacordada nos meu braços.- Espero que não me odeie por isso no futuro._ Medito acariciando seu rosto. Retiro seu óculos e o guardo comigo para quando ela acordasse.
A carrego o mais delicadamente que consigo até a porta dos fundo onde John estava me esperando com o carro. Deito Felicity no banco de trás com ajuda dele.
– Lyla conseguiu atrair Waller para outro local, mas não temos muito tempo._ John avisa enquanto me encaminho para minha moto escondida na lateral da casa e partimos para o galpão.
'Ollie?'. Thea chama pelo comunicador.
– Já estamos a caminho, Speedy._ É encerro a comunicação. Não estava com vontade de falar com ninguém. Não enquanto isso não acabar.
Depois de dez minutos chegamos ao galpão que estava cercado de agentes da A.R.G.U.S. Eles não tentaram nos barrar, o que significava que Waller estava cumprindo sua palavra em não nos manter de fora. Mas assim que viram Felicity nos meus braços a coisa mudou.
– Desculpe senhor Queen,mas apenas o senhor é o senhor Diggle estão autorizados a entrar._ Um deles falou, olhando para os lados pedindo reforços.
– Tem certeza que você quer fazer isso?_ John perguntou ao homem impaciente.
– Eu não estou no meu melhor dia, não é uma boa idéia me irritar hoje._ Eu aviso antes de partir para o plano B.
– Ordens são ordens, senhor._ O homem se mostra irredutível, observo cinco agentes se posicionarem atrás dele com suas armas em punho mas sabia que deviam ter pelo menos uma dúzia nos cercando.
– Certo. Eles querem fazer isso Dig._ Eu passo Felicity com cuidado para os braços de John, ele já sabe o que tem que fazer. Me viro para o que são agora vinte homens.- Eu disse que estava em um mal dia._ É esse é meu último aviso.
Tudo é rápido e simples. Antes que qualquer um deles possa fazer um movimento uma flecha vermelha atinge o chão bem no meio de onde estamos e o fumaceiro se espalha nublado a visão deles, e nos protegendo atrás da parede branca.
'Eles nunca aprendem'. Escuto Roy pelo comunicador caçoar deles.
Rapidamente John entra atrás de uma árvore com Felicity para protegê-la, enquanto eu lido com os primeiros que aparecem no meu campo de visão.
Eles eram homens treinados no combate corpo a corpo, mas nada com meu treinamento e o treinamento que havia dado a Roy. Teria sido muito mais rápido e indolor para eles se simplesmente tivessem nos deixado passar.
Enquanto termino com o terceiro homem Arsenal aparece ao meu lado parecendo uma criança no parque.
– Conseguiu convencer a garota?_ Ele pergunta se distraindo da batalha e quase levando um tiro. Ele se vira para o homem que quase o acertou o nocauteando com um movimento de pernas exagerado.
– Não temos tempo para gracinhas._ Ele me olha pronto para fazer alguma piada mas meu humor não era dos melhores e ele desiste.
– Ok._ Ele concorda prontamente e começa a limpar nosso caminho.
Enquanto estamos cuidando da nossa área escuto John nos chamar. Consigo encontrá-lo na pouca fumaça que ainda nos cerca, dois agentes tentando rendê-lo enquanto ele protege o corpo inerte de Felicity no chão. Sinto uma fúria invadir meu corpo ao vê-lo lutar tão incansavelmente para si proteger e proteger Felicity.
Eles deviam saber que há limites que não devem ser ultrapassados.
Por mais que nós não quiséssemos machucar os agentes, eles eram bem persistentes e como eu já havia avisado a eles meu humor estava perigoso hoje.
Desmaio o homem com quem estava lutando sem o menor cuidado e o deixo jogado no chão, Roy está do meu lado e percebe a súbita mudança na minha forma de lutar e se afasta de mim. Eu sempre soube que ele era um garoto esperto.
– Cara, ele avisou._ Ele falou olhando com pena para o corpo do homem que eu havia deixado para trás.
Minha atenção estava voltada para John e Felicity. Assim que não me importei com nada no meu caminho não liguei se estava machucando ou não aqueles homens, só queria chegar ao meu destino.
Cheguei bem a tempo em que John estava tentando se livrar dos dois que o agarravam, cheguei perto de um deles e puxei pelos braços de frente para mim o encarando.
– Isso vai doer muito._ Avisei sem a menor vontade de ser bondoso.
Ele tentou me acertar com um soco mas fui mais rápido agarrando seu pulso e o torcendo fazendo seu corpo girar de costas para mim e puxei seu braço já torcido na direção da sua cabeça e me joguei contra ele usando o peso de seu próprio corpo pra derrubá-lo no chão quebrando seu braço. Antes que ele começasse a gritar e possivelmente acordasse Felicity antes do tempo, eu o desmaiei deixando-o largado no chão.
Quando me voltei para o outro John já estava soltando o corpo dele no chão.
– Eles vão nos odiar quando acordarem._ John constatou ofegante pela luta difícil que teve, mas nem um pouco arrependido.
– Avisei que não estava em um bom dia._ Comento indo pegar Felicity do chão.
Quando voltamos ao centro da luta, todos os homens da Waller estão caídos no chão, alguns desacordados outros ainda tentando entender o que lhes tinha acontecido. E Roy está lá encostado na parede do galpão nos esperando pacientemente.
Um sentimento de orgulho passa por mim, afinal eu havia treinado bem o garoto.
– Elas ainda estão longe._ Roy nos avisa, certamente Thea havia falado com Lyla.
– Não vamos perder tempo._ Digo entrando no galpão com os dois atrás de mim.
Lá dentro tem mais dois agentes, mas eles certamente ouviram a briga lá fora e decidiram cooperar conosco saindo só nosso caminho.
Deposito Felicity com cuidado no chão e pego o antídoto que estava na aljava.
– É melhor você se esconder John._ Eu digo e ele vai para perto da porta onde ainda haviam sucatas enferrujadas de carros. Olho uma última vez para o rosto de Felicity calmo e sereno,suspeitava que quando ela acordasse iria estar tudo menos serena.
Aplico o antídoto e me afasto dando espaço para ela voltar si.
Rapidamente ela começa a voltar a consciência. Ela move a cabeça para os lados relutante em despertar, mas então dá um pulo se sentando alarmada olhando para os lados confusa. Ela tateia o chão desesperadamente atrás de algo, e me lembro que estou com seu óculos. Me aproximo vagarosamente para não assustá-la mais do que já estava assustada e me agacho em sua frente.
Ele percebe minha presença e mesmo sem o óculos reconhecimento passa por seu rosto.
Pego sua mão com atenção para não demonstrar nenhum cuidado excessivo com ela e coloco o óculos em sua mão, e a solto em seguida me afastando.
Ela colocou o óculos com calma, e olhou ao redor inspecionando o local. Se ela achou estranho os dois agentes perto da porta, não disse nada. Mas seu olhar parou em Roy, como se ela não acreditasse no que estava vendo.
– Arqueiro e Arsenal no mesmo dia, essa é a semana da minha vida._ Ela divaga sem perceber que está falando alto. Quero rir da sua careta de incredulidade, mas não posso sair do personagem.
Desvio o olhar dela procurando algo que m distraia do riso,e encontro o melhor motivo de todos.
A bomba.
E Felicity.
As duas juntas no mesmo lugar.
Esse pensamento me transporta de volta ao jogo.
– Espero que já esteja bem o suficiente, senhorita Smoak._ Minha voz sai mais rude do que pretendia mas não quero que ela pense que posse vir a ter uma amizade com o Arqueiro, por que depois de hoje eles nunca mais se veriam.
Ela me olha duramente antes de se levantar com alguma dificuldade e sei que esta chateada pelo modo que a trouxe até aqui. Mal sabe ela que eu estou me sentindo péssimo por isso.
– Onde está a bomba?_ Ela me pergunta seu tom de voz ríspido e eu tenho que olhar para bomba novamente para evitar rir na cara dela. Indico o local atrás dela e ela vai até o explosivo.
Por mais que ficar longe dela seja quase uma obrigação do Arqueiro, o Oliver ainda estava aqui e de maneira nenhuma deixaria ela perto daquilo sozinha. Então a segui de uma distância segura para o meu disfarce.
Felicity encarou a confusão de luzes e fios compenetrada, como se estivesse lendo um livro muito interessante. As vezes ela balançava a cabeça afirmativamente o que eu considerava bom, mas também balançava negativamente e aquilo me preocupava. Ela cutucou alguns pontos com uma pinga longa que estava na mesa de materiais mas não passou disso. E depois de uma cara de que não estava gostando de nada daquilo ela se deu por vencida e desistiu de desarmar a bomba.
– É pior do que parece._ Ele olhou para mim e parecia realmente com medo agora. Suas palavras e sua expressão me alarmando.
– O que é?_ Seu olhar é um misto de medo e aflição tão grandes que agora eu também estou temeroso.
– Não tem como desarmar isso sem a chave._ Ela me mostra um orifício circular que poderia facilmente ser confundido com os parafuso do banco. Nós não tínhamos essa chave, tínhamos o dispositivo mas ele claramente não caberia naquele buraco. Soco a mesa frustrado e me arrependo quando vejo Felicity pular pra trás assustada. Suspiro me acalmando, não podia explodir na frente dela.- E tem mais?_ Ela testa meu humor incerta de continuar ou não. Roy se aproxima um pouco mais para prestar mais atenção no que ela vai dizer, mas não fala nada. Olho para ela pedindo secretamente que ela esteja brincando apesar da péssima hora para isso.
– Mais?_ Indago quando ela não continua sua explicação com medo da minha reação.
Ela respira fundo criando coragem para falar e se aproxima da bomba novamente.
– Bom são duas notícias. Uma boa e uma ruim. Você escolhe._ Ela oferece alternando o olhar entre mim e Roy tentando amenizar o clima, mas não estou com humor pra isso.- Ou talvez você prefira que eu fale de uma vez sem enrolação. É uma boa também._ Ela divaga mas volta antes que eu precise chamá-la.- Ok, como eu disse precisa da chave para desarmar a bomba. Mas também é necessário essa mesma chave para detoná-lá._ Ela começar a me apontar lugares na bomba onde eu teoricamente deveria saber o que significavam.- Ela possui um detonador que pelo que vejo não está aqui, mas sem a chave para ativar o sistema wireless o detonador ficar sem funcionalidade. Não passa de um objeto inútil._ Ela concluí com um dar de ombros despreocupado.
– Suponho que essa seja a boa notícia. Qual é a má?_ Nunca iria admitir mas estava com medo do que poderia sair daquela boca.
Ela parece pensar um pouco antes de soltar.
– Digamos hipoteticamente falando ele tenha como reproduzir outra bomba e usar a chave que seria dessa bomba na outra bomba e mesmo assim detonar as duas._ Ela falou num fôlego só é se encolheu preparada para minha reação. Reparo que Roy também está esperando alguma reação minha.
Isso não era bom. Não era nada bom. Uma bomba já era ruim demais, duas seria catastrófico.
– Tem certeza disso?_ Minha pergunta a insulta mas não tenho como lidar com seu ego agora.
Ela suspira ultrajada e aponta um local do banco onde um dos fios se separa paralelamente dos outro e se funde ao que parecer ser uma antena receptora de algo.
– Isso é um ponto receptor como um ponto de WiFi. Mas nesse caso ele funciona como Bluetooth, o que permite enviar, receber e manter conexões. Se essa pessoa que fez a bomba conseguir fazer a conexão entre as duas, bum!_ Ela faz um gesto com as mãos que eu tenho certeza que deveriam ser a imitação de uma explosão, se não fossem seus dedos balançam no final. Roy solta uma risada curta que fica menor ainda quando olho para ele.
– E o que podemos fazer para impedir isso?_ Eu decido ignorar seus exemplos toscos que eram claramente provocações a minha inteligência mínima no fator tecnológico e meu ajudante risonho e decido focar no que é importante.
– Basicamente manter essa bomba longe de lugares com boa recepção de qualquer coisa que possua uma rede, e claro,prender quem a fabricou._ Ela estava brava comigo ainda mas também estava preocupada com a bomba.- Seja quem for que está querendo explodir a cidade ou é muito inteligente e tem muito dinheiro, ou tem muito dinheiro e pessoas inteligentes que trabalham pra ele._ Felicity disse me fazendo pensar. Nós não tínhamos pensado nesse ponto ainda.
– Você consegue me dizer as proporções que essas explosão tomariam?_ Pergunto com cautela não querendo irritá-la novamente.
Felicity não me responde com palavras, mas sua cara diz tudo. Seria uma catástrofe de grandes dimensões.
Depois disso não ficamos lá parados esperando que Waller chegasse a qualquer momento. Tínhamos que ir e rápido.
Sedar Felicity pela segunda vez foi mais fácil que da primeira, ela estava distraída com a bomba e nem percebeu o que aconteceu.
Na saída do galpão os agentes que não estavam muito machucados já estavam de pé, mas assim que viram a flecha no meu arco posicionada para eles decidiram que já havia apanhado muito por uma noite e nos deixaram passar.
No caminho de volta a casa de Felicity, Roy e eu fazemos a escolta discreta do carro de John atentos a qualquer anormalidade,eu estava ciente que Waller não ficaria feliz de ver seus homens impossibilitados para trabalhar.
– Encontro vocês na Cave._ Digo com Felicity nos braços e entro pela mesma porta que havia tirado ela da casa, não olho para trás. Essa é uma ordem para eles irem embora.
A casa dela está escura demais e vou acendendo algumas luzes pelo caminho até seu quarto. A deito delicadamente na sua cama tirando algumas mecha do seu cabelo que insistiam em cair em seu rosto. E deixo minha mão ali, acariciando seu lindo rosto.
– Eu sinto muito por hoje._ Falo para ela mesmo sabendo que ela não está me ouvindo.- Se houvesse outro jeito, eu nunca teria te colocado nisso espero que possa me perdoar quando o dia da verdade chegar._ Eu realmente só podia esperar que ela me perdoasse.
E talvez quando esse dia chegasse ela não me quisesse mais. Ou não pensaria que valesse a pena todo o risco que estar comigo lhe traria. Ou que eu não era digno de estar com ela.
Tantos motivos, tantas decisões.
Seria tão mais fácil ir embora da sua vida e não voltar mais, fazê-la pensar que tudo não havia passado de um jogo do playboy mulherengo. Sua vida com certeza seria tranquila e fácil. Sem perigos.
Ela inconscientemente vira seu rosto se aconchegando mais a minha mão.
É um gesto tão inocente, mas ao mesmo tempo provoca sensações tão fortes em mim.
Eu deveria ir embora era o melhor para ela, sem dúvidas. Mas eu não conseguia ir e deixá-la pensando que eu só queria brincar com ela. Desde o começo a confiança dela comigo havia me tocado, e sua honestidade tornava tudo ainda mais intenso.
Ela não merecia em tratada assim. Eu não podia tratá-lá assim.
– Quanto mais eu penso mas fico confuso._ Olho frustrado pelo quarto, tentando decidir que caminho tomar. De preferência um que Felicity nunca se machucaria e nunca me odiaria.- Esse caminho não existe, não é?_ Concluo olhando seu rosto tranquilo.
De repente algo chama minha atenção na extremidade da cama. Inclino a cabeça para ver melhor.
Seu vestido de ontem.
O mesmo que havia me perturbado naquela mesma noite durante o sono.
Ainda conseguia me lembrar perfeitamente da ânsia, a pressa, o desejo. O quase ato impensado. Fazia muito tempo que não me sentia daquele jeito.
– Vamos tentar._ Eu digo olhando para ela novamente e me inclino tocando seus lábios com um beijo casto e inocente.- Um passo de cada vez._ Decido dando uma última olhada nela antes de sair por sua janela.
Meu celular toca no bolso interno do casaco, olho no visor e uma mensagem aparece.
"Banco de Starling, oito homens. Arsenal e Dig já estão indo para lá. LIGA A DROGA DO COMUNICADOR. Thea."
A noite ainda não havia acabado, olho pela última vez a janela de Felicity e salto para o chão indo até minha moto.
Encaro a silhueta noturna da cidade, sentindo uma paz que não era costumeira.
Eu faria dar certo. Não importa o que acontecesse, iria dar certo.
Fale com o autor