Pure Love
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 26
Felicity POV
A primeira coisa que reparo quando volto a consciência e que está de dia e eu havia esquecido a janela aberta. Um descuido raro.
A segunda, é que estou com a dor de cabeça da história da humanidade. Meus olhos ardem como se tivesse álcool neles, e eu já havia espirrando acidentalmente álcool neles então sabia a sensação.
Mas nenhuma dessas coisas me importou o suficiente para evitar que pulasse na cama me sentando bruscamente e quase morrendo no processo.
'Está bem, a cabeça importa sim'. Penso enquanto volto a deitar calmamente tentando não entrar em pânico com os flashs dos acontecimentos de ontem a noite passando diante dos meus olhos.
Arqueiro. Arsenal. Bomba. Lugar escuro e macabro. Arqueiro e, Arqueiro.
– O Arqueiro esteve aqui._ Sussurro ainda tentando acreditar.- Na minha sala, no meu quarto. Ele, ele me sedou!_ Lembro indignada. Ele havia me sedado. Duas vezes! Filho da mãe. Onde estavam os bons modos? Custava colocar uma máscara em mim? Um saco na cabeça? Se ele pedisse pra mim fechar os olhos e não abrir, eu faria isso. Ele era o Arqueiro!- Por isso tem pessoas não gostam dele, ele é mal educado. E grosso._ Me lembro perfeitamente da forma que ele me tratou no galpão.
Rude. Não que eu esperasse outra coisa, ele era um Vigilante não um animador de festas infantis,mas mesmo assim um pouco de delicadeza não mataria.
Ou mataria?
Ele parecia muito tenso ontem. Não que ele não tenha motivos para estar, ele salva a cidade todas as noites. E agora aquela bomba. Aquilo era muito bem feito,era trabalho profissional. O que eu tinha dito era verdade, além de ser uma pessoa muito inteligente quem produziu a bomba devia ter muito dinheiro. Os mecanismos, o material usado era muito caro, do tipo que só pessoas ricas poderiam comprar. Mas quem iria querer destruir a cidade? Não conseguia pensar em nenhum motivo que levaria a uma socialite ou um magnata a explodir uma cidade.
O prefeito era fora de questão. A cidade o adorava.
Tirando essas pessoas não sobrava ninguém com recursos para isso.
'A menos que seja de fora'. Penso e vou direto para o HD de armamento militar russo. E se fosse isso?
Os tais russos que aparentemente eram amigos de Oliver estavam querendo acabar com a cidade?
Mas se fosse assim teria alguma informação sobre aquela bomba nos arquivos que salvei, não teria?
– Não posso pensar que ele está nesse plano de destruir tudo._ Recrimino a mim mesma por pensar que Oliver está metido nisso. Ele estava dedicado a empresa, já havia comparecido e até promovido vários eventos sociais. Ele não faria isso se fosse explodir tudo. Ou faria?
Irritada comigo mesma por não conseguir tirar esse absurdo da cabeça, me levanto ignorando a ponta na minha cabeça e a tontura que quase me fizeram voltar para cama e vou ao banheiro.
Banhos sempre me ajudaram a pensar. Não que eles estivessem surtindo algum efeito ultimamente,por que não estavam.
E esse não foi diferente.
Não quero pensar em como eu posso estar começando a me envolver com um possível mafioso, então decido não ficar em casa. O dia está lindo e quente, muito propício a uma tarde maravilhosa no parque.
Estou saindo de casa com uma bolsa com um lanche para mais tarde, quando o telefone toca.
Só podia ser minha mãe. Ele sempre me ligava nas horas menos oportunas. Era um dom.
– Alô?_ Atendo meio sem jeito com a bolsa no ombro a segurando para não cair ao mesmo tempo que a segurava para não virar. As vezes acho que estava na profissão errada.
–"Felicity Megan Smoak." _ Definitivamente era minha mãe. E estava brava comigo por alguma coisa.
– Oi mãe._ Eu uso meu tom de sou a sua única filha não me mate.
–"Oi minha bebezinha, eu estava com saudades."_ Agora ela está calma. Eu nunca vou conseguir acompanhar as mudanças de humor da minha mãe, é um fato.
– Eu também. E como estão as coisas aí?_ Ela suspira e já sei que ai vem coisa.
Para Donna Smoak suspirar só haviam duas razões. Ou ela comprou um par de sapatos maravilhoso, ou ela estava apaixonada. De novo. Nos últimos dois anos que estou em Starling ela já haviam tido uns quatro namorados e sempre dizia que amava a todos eles, sem excessão a nenhum. Não importava se eram bons sujeitos ou não, se a fizessem feliz ela se apaixonava. Simples assim.
O que eu poderia dizer? Nunca havia sido o tipo de garota que cai de amores logo de cara. Havia feito isso uma única vez, para nunca mais. Claro, que eu sempre estou aqui para ela chorar suas lamentações depois mas isso é coisa de mãe e filha.
– "Você não vai acreditar. Nem eu acredito ainda imagine você." _ Ela diz animada demais. Posso apostar que está dando pulinho onde quer que ela esteja.
– Eu não vou precisar adivinhar, já que você vai me dizer._ Digo um pouco menos animada do que deveria, mas a bolsa no meu ombro estava começando a incomodar.
– "Está bem, está bem." _ Ela então para de falar, o típico suspense Donna Smoak. Passam exatamente dez segundo e ela solta.- "Eu me casei." _ Ela completa com um gritando histérico mas não estou mais ouvindo.
Minha mente pára.
Como assim ela se casou? Com quem? Quando? Onde? Por que? Digo, e eu?
A bolsa cai dos meus ombros e não me preocupo nem em olhar, sei que esta tudo derramado no chão.
– Mãe, como assim você se casou?_ Eu pergunto calmamente, não tinha jeito daquilo ser verdade.
–"Foi tudo muito rápido, Licity. Eu nem tive tempo de chamar ninguém. Quando eu vi, puff, estava casada."_ Ela está rindo e eu não sei o que dizer.
Minha mãe nunca havia se casado antes. A não ser com meu pai, claro. Mas depois dele ela só teve namorados. Vários deles. Mas não passava disso.
Agora ela me ligava domingo de manhã pra avisar que havia se casado. Eu nem sabia que ela estava namorando de novo depois do último cara que ela arrumou.
–"Licity? Você ainda está aí? Será que desliguei de novo? Não a luz verdinha está acesa,ela ainda está na linha. Felicity?"_ Ó céus, acho que vou desmaiar.
Ela ainda nem aprendeu a usar o celular direito e está se casando sem mais nem menos.
– Estou aqui, mãe. Só preciso desligar. Boa lua de mel._ Tento soar animada e desligo antes que ela diga mais alguma coisa.
Eu não devia estar me sentindo mal pela felicidade da minha mãe. Era errado. Ela merecia seguir com a sua vida e achar alguém legal e companheiro para passar o resto da sua vida. Mas a questão é que ela tinha o dedo podre para homens. A maior prova disso era um pai que eu nem lembrava o rosto.
Só me resta a torcer para desta vez dar certo porque para ela chegar a se casar, a coisa devia ser séria.
Olho para os meus pés onde a bolsa está toda melecada de café e faço uma careta. Um ótimo jeito de começar um domingo.
A ida ao parque foi totalmente esquecida com as novidades da minha mãe, mas ainda assim não queria ficar em casa. Talvez só mudasse os planos para algo menos alegre.
Big Belly Burger. Voltar aqui sempre me animava. Podia estar sendo o pior dia da minha vida.
A imagem de estar saindo de dentro desse uniforme horroroso e entrando pela porta da frente da QC era quase tão bom quanto o dia em que havia me formado no MIT.
Desde a época que tinha trabalhado aqui, apenas o cozinheiro continuava o mesmo, os outros funcionários eram na grande parte adolescentes em busca do primeiro emprego e independência financeira.
– O que vai querer?_ A voz nasalada da garota ruiva que estava muito aborrecida atraiu minha atenção. Ela não gostava de trabalhar aqui, e eu não podia culpá-lá.
– Um hambúrguer com frutas e um Milk Shake de morango._ Peço automaticamente. Ela anota tudo e se vira indo embora.- Pelo menos eu tentava ser simpática._ Eu medito lembrando que Susan uma das funcionárias velhas da minha época aqui sempre dizia para atender os clientes com um sorriso no rosto. Não importa o que acontecesse.
– Isso é uma surpresa._ Eu me viro para a voz já conhecida de Diggle. Eu o encaro surpresa.
– Eu poderia dizer o mesmo._ Devolvo com um sorriso. Ele sorri de volta, mas seu sorriso é discreto.- Não quer se sentar e tomar café comigo?_ Convido-o a se sentar comigo e puxo as coisas que estavam na mesa para o canto.
– Eu adoraria mas estou esperando uma pessoa._ Ele conta com um sorrisinho que eu nunca tinha visto no rosto dele.
– Tudo bem, não quero atrapalhar seu encontro._ Ele sorri ainda mais e olha para atrás de mim. Me viro e vejo uma mulher morena muito bonita sorrindo para ele,mas ela não está só. Olho surpresa para o embrulho rosa que está nos seus braços, dormindo tranquilamente alheia ao mundo.
– Você tem uma filha?_ Pergunto surpresa. Ele me olha e assente chamando a mulher com um gesto de mão.
– Estas são Lyla minha esposa e Sara nossa filha._ Havia tanto orgulho na voz dele que era impossível não notar o quanto John Diggle amava sua esposa e sua filha.
– Muito prazer. Felicity Smoak. Só Felicity é melhor._ Ela sorri para mim parecendo surpresa e troca um olhar significativo com Diggle me deixando curiosa.
– Muito prazer Felicity._ A forma como ela diz meu nome me dá a impressão que ela já havia ouvido falar de mim antes. Mas devia ser só impressão.
Sara estava dormindo tão bem e tranquila que não tive coragem de pedir para segurá-lá. Eles se despediram dizendo que tinham um compromisso para comparecer e muito simpáticos foram embora.
Era estranho como parecia que todos estavam em toda a parte de repente. A uma semana nunca havia encontrado nenhum deles, mas de lá para cá tudo parecia mudado.
'Que bom. Fazer amigos nunca é ruim'. Penso animada.
A garçonete traz o que eu havia pedido e eu agradeço, mas nem assim ela sorri.
Pego o tablet na bolsa e decido ler para passar o tempo.
Somente no terceiro capítulo do livro eu consigo uma imersão legal na história, ignorando tudo ao meu redor.
Era minha parte favorita do livro, onde a mocinha encontrava o mocinho mas nada cliché acontecia. Nada de beijos esperados, ou troca de olhares ou sorrisos bobos. Na verdade ela atropelava ele, e ele brigava muito com ela.
Totalmente inverso ao romance, mas ainda assim você sente que ali tem uma história. Essas são minhas histórias favoritas. Alguma coisa vai acontecer você só não sabe quando, onde e como. Mas vai acontecer. Era tão frustrante e cativante que chegava a dar raiva.
O toque do meu celular me traz de volta tão subitamente que quase derrubo o milk shake em cima da mesa. Pego o celular na bolsa mas não reconheço o número.
– Alô?_ Atendo desconfiada de quem possa estar me ligando, e pego alguns guardanapos limpando um pouco de milk shake que insistiu em cair na mesa.
– Espero não estar interrompendo algo importante._ Escuto a voz de Oliver do outro lado da linha e sorrio involuntariamente.
– Como conseguiu meu número?_ Pergunto não querendo parecer tão contente por ele ter ligado, mas o sorriso besta não queria sair do meu rosto. Desisto de tentar me concentrar em limpar a mesa e falar com Oliver, e jogo o guardanapo no prato vazio.
– Sou seu chefe, tenho meus métodos._ Ele diz. A voz dele está começando a me fazer querer que ele estivesse aqui.
– Não existe uma norma no contrato de trabalho que proíbe o relacionamento entre funcionários?_ Provoco ele, que ri. Eu queria que ele estivesse aqui.
– Se essa norma existe com certeza não se aplica a nós._ Meu coração da um salto quando ele se refere a nós dois como um só.- E a segunda parte pode ser arranjada._ Ele diz me confundindo.
– Que segunda parte?_ Indago confusa de verdade.
– Olha para frente, Felicity._ Ele pede e eu faço ainda sem entender, travo meu olhar através do vidro.
Do lado de fora, na calçada. Encostado casualmente no carro, Oliver Queen está me encarando sorrindo.
Ele desliga o celular e o guarda no bolso da calça. E eu tardiamente percebo que ainda estou segurando o meu contra a orelha.
Recolho minhas coisas com pressa da mesa e vou até o balcão pagar. Não me importo com o troco e saio.
Ele ainda está lá, do mesmo jeito na mesma posição e com o mesmo sorriso.
– Você está me seguindo?_ Pergunto assim que paro de frente pra ele. Ele sorri enquanto balança a cabeça negando.
– A não ser que você ache perseguição Diggle me ligar, não estou te seguindo._ John Diggle. Claro. Seu sorriso aumenta enquanto ele olha para mim.
– Ele tem uma linda família._ Digo de repente me lembrando da pequena Sara.
– O que vai fazer hoje?_ Ele me pega de surpresa com essa pergunta. Eu na o tinha planos para hoje. A não ser é claro esquecer minha aventura na noite anterior.
– Depende._ Eu falo enigmática, ele me encara e levanta uma sobrancelha. Jesus, ele não tem idéia de como fica sexy assim.
– Como?_ Ele pergunta confuso e eu sinto o chão sumir sob meu pés.
– Eu disse alto?_ Minha voz sai esganiçada e eu podia sintir o calor tão familiar tomar conta do meu rosto. Por favor, que eu não tenha dito alto. Oliver sacode a cabeça sutilmente, e suspira.
– Eu não ouvi nada. Juro._ Ele assegura quando eu não acredito.
– Graças a Deus._ Murmuro aliviada, pelo menos uma vez não passei vergonha na frente dele.
– Mas agora estou curioso._ Ele me olha analisando meu rosto, tenho certeza que estou corando violentamente.
– E vai continuar._ Eu afirmo sorrindo. Ele estala a língua na boca fazendo um barulho engraçado.
– Já ouvi as outras coisas que você disse sem querer. Qual o problema de ouvir essa?_ Ele insiste me olhando com uma meiguice que eu já sabia não ser dele.
– Sua falsa cara de cachorro que caiu da mudança não me convence._ Eu provoco e ele sorri derrotado.
– Vou ter que apelar para outros meios então._ Ele diz e me puxa para ele, rápido demais para que eu impeça, e estamos cara a cara.
'Eu senti falta desse perfume'. Penso suspirando impotente a ele.
– Eu não vou te dizer nada._ Reafirmo num fio de voz, e seu sorriso que não tem mais nada de meigo atraí meu olhar para seus lábios.
– Com certeza não vai dizer nada._ Ela diz convicto, e vejo sua intenção nos seus olhos que estão grudados nos meus lábios.
Ele vai me beijar. No meio da rua. Com todos olhando e eu nem estou de saltos.
– Oliver estamos no meio da rua._ Eu podia sentir o olhar das pessoas em nós. Todos prestando atenção.
– Shh._ Ele pousa um dedo sobre meus lábios e em seguida acaricia meu queixo aproveitando para levantar meu rosto até o dele.- Você não ia falar, lembra?_ E por mais que eu esteja morrendo de vergonha de estarmos numa manhã de domingo, em frente meu antigo trabalho e numa rua movimentada, tudo perde importância quando ele desce seus lábios contra os meus me envolvendo com seus braços, seu cheiro.
Gentilmente ele colocou a mão que estava no meu queixo na lateral do meu rosto ao mesmo tempo que mordiscava meu lábio inferior, ele estava mostrando quem iria comandar o beijo e eu não poderia pensa nada melhor. Mesmo sem precisar aprofundar o beijo ele já me tinha em suas mãos, e quando sentir sua língua pedindo passagem, cedi sem a menor resistência desistindo de qualquer pensamento racional.
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