Pure Love

51 Capítulo 52


Notas iniciais
Ei. Estou viva. Bem, eu sei que estou demorando horrores para postar mas acreditem estou tentando. O pessoal do grupo do whatsapp sabem do que estou falando. Mas, enfim.Dividi o capítulo. Eu sei que divido muito os capítulo, mas eles são bem grandes. E algumas pessoas reclamam. Sem mais delongas, boa leitura. E LEIAM AS NOTAS FINAIS.

–Felicity! _ Ouvi sua voz me chamando novamente. Não faziam nem dez minutos que ele tinha me chamado pela primeira vez. Ou já era a terceira?

– Dois minutos. _ Gritei de volta. Eu havia perguntado se ele queria me esperar no quarto, mas ele respondeu que se entrássemos juntos no meu quarto não sairíamos aquela noite. Opção dele.

Me olhei novamente no espelho. Eu estava sexy. Estava me sentindo sexy.

Havia ganhado aquele vestido de Caitlin logo após conseguir a vaga na QC. Nada mais justo que usá-lo com o presidente da QC.

Eu estava ansiosa para ver a cara de Oliver quando me visse naquele vestido. Mas também queria que certa pessoa visse que ele estava muito bem acompanhado e comprometido e não precisava de mais ninguém.

Sim. Eu havia me arrumado para impressionar tanto Oliver, quanto Laurel. Não me orgulhava disso, mas não consegui resistir.

Peguei minha bolsa em cima da cama e sai do quarto antes que meu lindo namorado viesse me buscar.

Oliver estava sentado no meu sofá, vestido para matar eu diria. Ele era lindo de todas as formas possíveis, mas de terno. Era covardia. Sua expressão era de total concentração em algo que ele estava pensando, alheio a tudo ao redor.

Qual seria sua reação se eu o assustasse?

Ele ainda não havia percebido minha presença, então me aproximei do sofá lentamente com cuidado para que meus saltos não fizessem barulho. Quando já estava perto o suficiente para assustá-lo, o jogo virou.

Oliver se virou de repente, me surpreendendo e segurou meus pulsos me puxando em sua direção por cima do encosto do sofá, fazendo minha bolsa cair ao seu lado no sofá.

Eu estava surpresa demais para gritar, então apenas fiquei deitada em seu colo, com as pernas para cima o olhando atônita.

– Já está pronta? _ Ele perguntou casualmente. Como se não tivesse feito nada demais, apesar de ter um sorriso muito convencido nos lábios.

– Como você adivinhou? _ Perguntei mais preocupada em descobrir como ele havia feito aquilo, do que sairmos. Ele sorriu presunçoso e passou os dois braços pelo meu corpo. Me segurando melhor e mais confortavelmente.

– Seu perfume te denuncia. _ Ele respondeu abaixando a cabeça para cheirar meu pescoço. Se ele continuasse com aquilo, nós poderíamos considerar ficar em casa. — Não. _ Ele se afastou cedo demais. E olhou nos meus olhos, com um pequeno e nada disfarçado sorriso. — Precisamos ir à essa festa, ou Tommy vai me infernizar pelo resto dos meus dias.

– O terrível Tommy Merlyn. _ Brinquei me apoiando melhor nos seus braços, enquanto ele me levantava de volta ao meu lugar. — Além das dançarinas, sua ex-namorada e uma centena, talvez duas centenas de pessoas. Algo mais que eu deva me preocupar essa noite? _ Perguntei alisando meu vestido de volta ao lugar. Não queria pensar naquelas dançarinas. Não mesmo.

– Não. Não terá champagne. _ Ele garantiu e olhei feio para ele. Eu não havia escutado reclamações enquanto bebíamos aqui. — Mas sobrou metade da garrafa. Podemos terminá-la quando voltarmos. _ Ele sugeriu, fechando os botões do terno. Era muito pervertido imaginar ele tirando aquele terno ao invés de fechá-lo? — Como? _ Olhei de volta para seu rosto, que tinha uma expressão confusa. Apesar de estar sorrindo pelo meu filtro solto.

– Se você não entendeu eu só tenho a agradecer. _ Me esquivei da sua pergunta e peguei minha bolsa novamente. Ouvi seu suspiro de apreciação, e sabia que ele estava olhando para o meu decote. Essa era a intenção. Olhos em mim. Olhei para ele o mais inocente que pude, por que não dava pra pensar em nada inocente naquele homem de terno.

– Então vamos. _ Ele disse parecendo respirar fundo. Eu gostava de pensar que causava esses pequenos momentos nele. — Antes que eu me apegue a idéia de ter Tommy me torturando eternamente. _ Ele brincou segurando minha mão e nos conduzindo até a porta. Se eu não o conhecesse, até brincaria dizendo que poderíamos ficar em casa hoje e nos mudar para a Antártica amanhã de manhã, mas provavelmente ele estava apenas esperando uma palavra minha para fazer exatamente isso.

– Já esteve na Antártica? _ Perguntei surpreendendo a nós dois. Nem eu mesma tinha visto aquilo vindo. Oliver parou com a mão na maçaneta e me olhou confuso. — Nada. Deixa pra lá. Não sei por que pensei em pinguins. _ Soltei a primeira desculpa que veio à mente. Eu nem sabia se tinham penguins na Antártica.

– Do que você está falando? _Nem eu mesma sabia. Balancei os ombros na esperança de não ter que responder. Por que, claramente, não estava com a mente no lugar.

– Estamos atrasados. _ Apressei ele, abrindo a porta eu mesma e me afastando para ele sair também. Antes mesmo que eu terminasse de fechar a porta, o senhor paranóico já estava ao meu lado esperando pelas chaves. Entreguei a ele sem nenhuma reclamação. Não era algo importante para virar uma discussão. Olhei em volta surpresa por não ver John. — John não vai nos levar?

– Não. Dei a noite de folga a ele. Ao que parece Sara está tentando dar os primeiros passos, e achei justo dar mais tempo para eles. _ Ele comentou terminando de verificar se a porta estava trancada e se virou me ajudando a descer os poucos degraus. — Hoje serei seu motorista. _ Ele piscou, brincando. Eu adorava quando ele estava brincalhão. Parecia um menino.

Quando chegamos ao seu carro percebi que ele era novo. Pelo menos para mim.

Aquele era definitivamente um carro de um playboy bilionário, festeiro e mulherengo.

– Meninos e seus brinquedos. _ Comentei fingindo tédio. Oliver se virou para mim com um sorriso enorme e muito feliz. Definitivamente, um menino.

Olhei pasma a coleção de automóveis ao meu redor. Tommy levava seus brinquedos a outro nível. Quatorze carros de luxo. Só para olhá-los e dizer que eram seus.

– Você já andou em algum deles? _ Perguntei olhando signitivamente para um automóvel que mais parecia ter saído de uma máquina do tempo de tão antigo.

– Mas é claro. Esse é o meu favorito. _ Tommy contornou animado o esportivo roxo e se sentou no capô muito a vontade. Olhei para Oliver ao meu lado. Ele parecia meio perdido, sem saber muito bem em quais das máquinas se aproximar primeiro. Aquilo era novo. Aquela empolgação com automóveis era algo inédito para mim. — Mas tenho que confessar que esse é o mais usado. _ Tommy continuou atraindo minha atenção novamente. O carro que ele mostrava era uma Ferrari na cor preta que estava no meio da garagem. Eu podia imaginar os dois playboys mais desejados de Starling ali dentro. Um pecado sobre rodas.

– Não me lembro desse. _ Oliver falou olhando para um sedan preto no canto da garagem. Ele parecia ser o mais sério de todos. Tommy desceu do carro e se aproximou de nós.

– Por que ele não é meu. Você consegue imaginar meu pai andando de motorista? _ Sua pergunta era retórica, mas mesmo assim Oliver balançou a cabeça negando. — E falando nele, é melhor voltarmos. Ou ele dará seus famosos sermões no meio da minha festa de vice-presidente. _ Ele sorriu, tentando não parecer muito preocupado com o que o seu pai faria, mas seu sorriso não chegou aos olhos.

– Vamos, estou louca para saber o que acontece nessas festa para serem tão comentadas na mídia. _ Deixei escapar enquanto caminhávamos de volta as escadas. Olhei para longe dos dois fingindo que não havia dito nada e torcendo para que nenhum dos dois comentasse nada.

– Você disse que teriam vários colegas de faculdade. _ Oliver mudou de assunto, para o meu alívio. Mas o assunto faculdade, não era muito tranquilizante.

– Sim. A maioria está ligado aos negócios da empresa. Parece que não fomos os únicos a herdar o legado. _ Tommy devolveu com um toque de ressentimento na sua voz. Claramente, ele não queria ter sido um herdeiro.

Olhei para Oliver tentando entender essa atitude de Tommy em relação ao pai, e os negócios da família. Mas o olhar que ele devolveu parecia tão confuso quanto o meu.

Dizer que a festa era o que eu imaginava seria mentira. Eu estava esperando muita gente dançando indecentemente, se esfregando umas as outras, como se não houvesse amanhã. Pegação, mulheres quase sem roupas, música alta e drogas. Sim, eu esperava tudo o que saia nos jornais e revistas. E agora estava me sentindo mal por isso.

Oliver havia comentado que seria mais agitado e menos formal que o evento da noite anterior. E de fato estava. Mas não era a loucura dos jornais.

A música estava alta, sim. Havia pessoas dançando, sim. Algumas flertando, descaradamente, era bom acrescentar. Mas a única droga que estava rolando era a bebida. E aquela dança típica de qualquer boate, não podia ser considerada indecente.

– Fui enganada todos esses anos. _ Comentei mais para mim mesma do que para eles. Nada do que eu havia invejado, ou não, durante todos esses anos era verdade. — Por favor, me digam que as festas da faculdade era como os jornais diziam. _ Pedi olhando para os lados, para Oliver e Tommy. Eles pareciam estar na dúvida se achavam graça no que eu estava dizendo ou tentavam entender.

– Tommy. _ Uma voz feminina chegou a nós, e logo Helena Bertinelli apareceu na nossa frente. — Achei que tinha fugido. _ Ela completou, parecendo divertida com a possibilidade dele fugir. Seus olhos se viraram para Oliver e eu, e ela abriu um sorriso simpático. — Olá casal vinte. Achei que não viriam.

– Helena. _ Oliver a cumprimentou com um de seus sorrisos educados. E ela devolveu com um maior ainda.

– Sempre tão formal Oliver. _ Helena respondeu revirando os olhos, e olhou para mim. — Por favor me diga que ele não é assim o tempo todo. _ Ela pediu com um sorriso travesso, e eu não sabia o por que, mas algo na sua expressão me teleportou de volta a nossa manhã nada formal. Eu podia sentir minhas bochechas começando a esquentar. Aquilo não era algo para se pensar em público. — Hm. Obrigada pela resposta. _ Ela riu da minha cara. Eu queria muito, muito mudar de assunto.

– Como vai Helena? _ Perguntei um pouco mais alto do que queria, mas ninguém podia me culpar. Estava no meio de uma mini-combustão-nada-conveniente-em-público. Minha desculpa era ótima. Não que eu fosse dizer isso a eles.

– Estou ótima, obrigada. Mas vamos, vou ser sua companhia hoje. _ Ela comentou animada e agarrou minha mão, me puxando para o seu lado. — Desculpa Oliver, mas enquanto vocês estiverem conversando sobre negócios eu vou roubar sua namorada. _ Isso era preocupante, certo? Me afastar de Oliver no meio de uma festa, onde teriam 99% de chances dele topar com alguma mulher maravilhosa, que ele já tenha dormido.

– Falar sobre negócios? _ Olhei para ele buscando algum tipo de esclarecimento. Mas ele balançou os ombros inclinando a cabeça para o lado, me mostrando um local perto da piscina onde haviam seis homens conversando empolgados.

– Não se preocupe Felicity, já empurrei as dançarinas para outro amigo. _ Tommy confessou parecendo um pouco constrangido. Provavelmente Oliver deve ter comentado sobre meus planos de assassiná-lo. — Não aprontem nada. _ Tommy pediu para nós duas, mas estava olhando para Helena.

– Você me conhece Merlyn. Sou um doce. _ Só havia encontrado Helena duas vezes na minha vida, e nem mesmo eu acreditei em nada do que ela disse.

– Helena. _ Oliver a chamou. Uma advertência clara para ela não nos meter em confusão. Não que tivéssemos um mundo de opções, mas, eu também não queria entrar em nenhuma confusão.

– Vou cuidar bem da sua garota, Queen. Relaxe. _ Ela prometeu um pouco menos divertida. — Vamos, vou te mostrar tudo o que há de bom em uma festa como essa. _ Ela prometeu olhando de soslaio para Oliver. Eu não queria pensar no duplo sentido daquela proposta. Olhei para ele procurando alguma objeção, mas ao que parecia Helena era uma boa escolha.

– Se ela tentar te induzir a fazer algo que você não queira, apenas não faça. Ela ladra mas não morde. _ Oliver disse meio relutante em me deixar sozinha com Helena. Eu também não queria ficar com ela, mas nenhum dos outros rapazes estavam com uma namorada a tira colo. Eu não iria constranger Oliver daquela forma.

– Eu te ligo. _ Garanti a ele, olhando desconfiada para Helena. Ela não era uma ex-namorada vadia abusada, mas tinha uma reputação muito parecida com a dos dois a nossa frente.

– Estou me sentindo o próprio demônio tentando desvirtuar o anjo. _ Ela disse impaciente, e Tommy balançou a cabeça considerando o que ela havia dito. — Uma palavra estará na minha lista negra Merlyn. _ Ela ameaçou olhando feio para Tommy. Ele fingiu uma cara de medo e em seguida soltou uma risada alegre.

– Vamos lá. Quanto mais cedo começarmos a conversar com aqueles projetos de CEO do futuro, mais cedo voltaremos a essas belas damas aqui. _ Tommy jogou seu charme olhando para Helena de forma significativa. Olhei de um para outro surpresa. Sério? Tommy não estava com Laurel? Falando na peste. Onde ela estava?

– Tommy. Eu sou um CEO. _ Oliver lembrou ele, parecendo ofendido com o que ele dissera. Tommy balançou os ombros despreocupado.

– Exatamente. Eles ainda são um projeto. Você será a estrela da noite. Obrigado por isso. _ Ele agradeceu, feliz de verdade por jogar o peso para outra pessoa. — Uma pena meu pai não poder ficar até o fim da noite. Eu adoraria ver a cara dele quando você chamar mais atenção que eu.

Oliver POV

– Malcolm não ficará na casa por muito tempo. Tommy não soube me dizer aonde ele iria, preciso que o siga. _ Olhei ao redor novamente, para me certificar que ninguém estava por perto para escutar e entrei no porta a minha direita.

O quarto de Tommy estava como há anos atrás. Com a ausência dos pôsteres de mulheres, que eram espalhados por todo o quarto apenas para irritar Malcolm. E deixar as empregadas constrangidas, claro. Mas no geral estava idêntico.

“- Eu não acho que será fácil segui-lo. Ele está bem esperto.” _ John disse parecendo preocupado, mas sem dúvidas o seguiria. Um objeto em cima de uma cômoda chamou minha atenção. Me aproximei cauteloso e o peguei.

Era um porta retrato com uma foto minha com Tommy. Se não me enganava, devia ser na última festa que estivemos juntos. Uma semana antes da viagem, quando estava brigado com Laurel, saindo escondido com Sara e ainda me divertindo com Tommy. Um tempo inconsequente e memorável.

“- Oliver?” _ John me chama pelo celular, me despertando das memórias que aquela foto havia despertado.

– Sim. Eu me distrai. _ Deixei o porta retrato no lugar e me dirigi a janela. De lá podia ver toda a festa. — Malcolm ainda está aqui. _ Avisei, olhando para ele perto da piscina, cercado de jovens empresários. Parecia tranquilo, e muito interessado na conversa que mantinha. O anfitrião perfeito. A não ser pela sua mania de olhar para o seu relógio. — Ele parece estar ansioso para algo. Assim que ele desaparecer de vista nós entramos em ação.

“- Ok.” _ John concordou e encerrou a ligação. Guardei o celular e fiquei observando mais um pouco, esperando o momento certo.

Por mais que pensasse, nada me vinha em mente. Malcolm planejava algo, isso era certo. Mas já tínhamos pensado, e repensado em tudo, desde o menor ato suspeito dele. E nunca conseguimos chegar a lugar nenhum. Malcolm Merlyn era muito mais esperto do que havíamos imaginado.

Observei Malcolm se afastar do seu grupo no exato momento em que Helena e Felicity passaram ao seu lado. A simples presença de Felicity perto dele, faz minha pressão arterial acelerar, e um mal estar se instalar no meu estômago. Elas não haviam percebido que ele estava seguindo-as.

Desci as escadas apressado, não queria que eles sequer trocassem uma palavra. Ignorei alguns chamados, e desviei de algumas mãos que não entendiam que não queria conversar. Meu único objetivo no momento era chegar até eles, e levar Felicity e Helena para longe dele.

– Soube sobre seu pai. Uma pena devo dizer, apesar de não sermos amigos Frank era uma boa pessoa. _ Malcolm estava no meio das duas, e alternava olhares entre elas. Mesmo de costas, podia afirmar que Felicity estava desconfortável.

– Pelo seu modo de falar até parece que meu pai está morto Malcolm. Ele só está preso. Não posso dizer que lamento sua prisão. _ Helena respondeu atrevida como sempre. Seu relacionamento com seu pai era turbulento e cheio de lágrimas e ressentimentos guardados. Eu não duvidava que seu total descaso por ele fosse verdadeiro.

– Malcolm. _ Passei meu braço ao redor da cintura de Felicity trazendo-a mais para perto de mim. Eu saia que eles perceberiam meu gesto protetor sobre ela, mas no momento eu não me importava. Só queria ele longe dela.

– Oliver. Estava me perguntando até quando você iria se esconder de mim. _ Ele comentou divertido. Felicity relaxou contra meu corpo, me fazendo questionar o que eles estavam conversando antes da minha chegada.

– Espero que não esteja planejando relembrar o passado. _ Brinquei o encarando. Meus instintos nunca falhavam. Ele não era o homem que eu pensei que fosse.

– Oh, não. Posso ser um velho homem de negócios e amigo da sua família, mas até eu sei quando devo manter minha boca fechada e não me intrometer em assuntos que não são meus. _ Sua frase foi o suficiente para deixar meus sentidos em alerta. Mesmo por trás da sua expressão leve de homem despreocupado, ele estava me advertindo. Felicity se moveu ao meu lado, trocando o peso do seu corpo de um pé para o outro, sutilmente, mas não passou despercebido por mim. Eu sabia que tanto ela quanto Helena perceberam sua nada sutil advertência. — Mas não quero constrangê-lo na frente da sua bela namorada. _ Ele disse olhando significativamente para Felicity, com um sorriso amigável. Ela devolveu o sorriso, mas sua expressão estava ilegível. Ela não havia comprado Malcolm, e eu só poderia agradecer por isso. — Foi um prazer revê-los. Espero que desfrutem da festa. Pelo que me lembro vocês. _ Apontou para Helena e de volta para mim. — Sabem muito bem como.

– Como andar de bicicleta. _ Helena respondeu rapidamente, não deixando sua indireta atingi-la.

Malcolm apenas nos olhou uma última vez, e com um sorriso educado se afastou por entre as pessoas. Não parou para conversar com ninguém, apenas se desculpava e fugia para longe da pessoa.

Uma pessoa comum diria apenas que ele está tentando sair da festa. Para mim, ele estava circulando o máximo que podia para tentar me confundir. Eu não consegui afastar meus olhos dele. Precisava saber o exato momento em que ele sairia.

Ele estava desconfiando de mim.

Isso não podia acontecer.

Está tudo bem? _ A voz de Felicity me alertou de que estava encarando Malcolm desde o momento que ele havia se afastado. Voltei minha atenção para ela, encarando seu rosto preocupado. Sorri para ela, deslizando minha mão sobre seu braço até alcançar sua mão. Contato de segurança.

– Sim. Acho que me distraí por um segundo. Mas e você? Descobriu o que de tão interessante acontece nas festas de playboys bilionários? _ Perguntei tentando distraí-la e observei seu rosto começar a ganhar cor. Eu nunca me cansaria disso.

– Se esta tentando descobrir se fizemos algo errado, a resposta é não. _ Ela respondeu olhando demoradamente para Helena. O sorriso que Helena devolveu para ela não tinha nada de inocente.

– Concordo plenamente. Foi uma diversão feminina saudável. _ Helena completou, com seus famosos olhares duvidosos. E apesar de estar querendo saber o que elas haviam aprontado, eu precisava avisar John sobre Malcolm.

– Vou adorar saber sobre sua aventura mais tarde. _ Garanto a Felicity, que me devolve um sorriso doce. Elas haviam aprontado algo.

– É nessa hora que eu deixo o casal a sós. Foi muito divertido, Felicity. Quem sabe, marcamos uma noitada um dia desses? _ Ela estava mesmo chamando a minha namorada para uma noitada? – Não me olhe assim Oliver eu devolvi ela inteira, não foi?

– Ei, por que você está emburrada e Ollie quer te matar? _ Tommy apareceu de repente, circulando a cintura de Helena protetoramente. Mas apesar do gesto, ele ria.

– Helena me convidou para uma noitada. _ Felicity respondeu casualmente. Balançando os ombros despreocupada. O sorriso de Tommy se alargou ainda mais. E ele se inclinou cochichando algo pra Helena.

Ótimo. Agora estavam fazendo piadas as minhas custas.

– Eu tenho que ir ao banheiro. _ Aviso Felicity. Ela apenas balança e cabeça concordando. – É melhor não se afastar desses. _ Olhei novamente para os dois a nossa frente. Eles estavam no meio de um beijo, mas poderíamos facilmente confundir com preliminares. Observei Felicity desviar o olhar rapidamente para qualquer lugar longe deles. – Talvez seja melhor você vir comigo. _ Sugeri ainda olhando os dois e desviei o olhar para ver sua resposta. Mas ela estava encarando fixamente algum ponto do outro lado da piscina. Quando olhei para o local, não havia ninguém lá. – Felicity. _ Chamei uma pouco mais alto e senti ela se sobressaltar.

– Hm. _ Ela olhou para mim, parecendo assustada. – O que você disse? _ Ela estava nervosa. Olhei novamente para o local, mas no havia nada além de árvores e luzes.

– Vamos entrar. _ Ela me olhou confusa por um momento, mas não se opôs. Caminhar com Felicity ao meu lado era menos complicado do que caminhar sozinho. As pessoas se sentiam menos encorajadas a ficar me puxando.

Enquanto subíamos as escadas em direção ao quarto de Tommy, ignorei todos os olhares maldosos direcionados a nós.

– Eu já volto. _ Soltei sua mão assim que fechei a porta do quarto, passando a chave, só para garantir. Ela não comentou nada, estava ocupada demais observando o quarto. Caminhei rapidamente até o banheiro e fechei a porta, já digitando uma mensagem para John. Não podia correr o risco de Felicity ouvir qualquer pedaço daquela conversa.

“ Cuidado redobrado. Malcolm desconfia de mim sobre alguma coisa. Ele deve estar saindo a qualquer momento. “

Eu não sabia ainda o que fazer com a desconfiança de Malcolm sobre mim.

Esperei trinta segundo e sua resposta chegou.

“ Entendido. Roy já está em posição. “

Uma chance.

Felicity POV

Ele não podia estar aqui.

Sinto meu estomago embrulhar com as lembranças das cópias de vídeo que eu havia hackeado do sistema penitenciário quando me comunicaram sobre sua morte.

Não era possível. Cooper havia morrido a dois anos, dentro de uma cela em Iron Heights. Me odiando e amaldiçoando.

Mas morto. Muito morto.

Durante muito tempo a culpa por tudo o que tinha acontecido com ele, o que eu havia feito. Pesadelos, ataques de choro. Até vê-lo acontecia as vezes. E foi nessa etapa da minha depressão que Barry e Caitlin me salvaram. Foram meses de tratamento psicológico para não me deixar afundar em uma depressão profunda, eles nunca haviam saído do meu lado. E várias horas de serviço comunitário e palestras de motivacionais sobre o mau uso das habilidades tecnológicas, e como aquilo afetava o mundo. Além claro, de ter meus dados salvos nos bancos de dados de FBI, e tudo, qualquer coisa que tivesse Felicity Smoak e IP na mesma frase era caso de investigação. Um verdadeiro inferno. Mas merecido.

Tudo era culpa minha. Meu vírus, minha idéia idiota de salvar o mundo, minha iniciativa de chamar a polícia, meu programa de rastreamento. Meu namorado morto.

E agora eu estava tendo visões com ele novamente.

Não podia estar acontecendo. De novo não.

Estava claro para mim. Ele estava parado do outro lado da piscina, me encarando. Sério. Concentrado. Como ele sempre fazia quando estava pensando em algo, planejando algo. Mas ao mesmo tempo eu sabia que era apenas uma visão. Ele estava morto e não podia, não deveria me causar pânico.

– Felicity. _ Escuto Oliver me chamar, perto demais e alto demais. E me assusto a ponto de esbarrrar em uma mobília perto de mim e quase derrubar as coisas que estavam em cima dela. Por sorte Oliver tinha bons reflexos e segurou as coisas impedindo-as de cair. — Ei, você está bem? _ Ele perguntou preocupado, deixando o que parecia ser uma estatueta, de qualquer jeito no lugar.

– Sim. _ Respondi apressada. Não queria que ele percebesse nada, não queria ter de explicar nada naquele momento. Ainda estava muito abalada com a visão de Cooper para conseguir falar sobre o assunto. — Você me assustou, só isso.

– Você parecia em outro mundo. Muito distraída mesmo. Tem certeza de que está bem? _ Ele insistiu se aproximando e tocando meu rosto. Aquele carinho era muito bem vindo naquele momento. E ao mesmo tempo muito perigoso. Mas mesmo pertubada, não consegui evitar o sorriso de pura satisfação que surgiu no meu rosto.

– Estava pensando. Faço muito isso. QI elevado, lembra? _ Provoquei olhando nos seus olhos, tentando amenizar sua preocupação e curiosidade. Mas não estava funcionando muito bem. Mesmo com o sorriso mínimo que apareceu em seus lábios, seu olhar ainda estava atento ao meu. — Temos que descer. _ Segurei sua mão que estava no meu rosto e o puxei em direção a porta. Mas ele não se mexeu. Olhei para trás e ele estava me encarando sério. — O que houve?

– Eu que pergunto. O que houve? Ou melhor, o que você viu que te deixou assim? _ Ele havia percebido. Claro que havia percebido, eu não era a melhor pessoa do mundo quando se tratava de disfarçar algo. — E agora você está ficando pálida e gelada, e eu estou preocupado Felicity. _ Soltei sua mão quando ele mencionou minha temperatura e me arrependi no segundo seguinte. Por que agora me dava conta que não só minha mão, mas todo meu corpo estava gelado.

– Eu não vi nada. Eu não. _ Minha garganta começou a ficar apertada. Mas ao contrário do que eu pensei não eram lágrimas que estavam vindo. Era a expressão de Oliver. Ele não estava acreditando em mim e estava claramente chateado com minha recusa em dizer a verdade a ele.

– Certo. Eu não vou pressionar você. Vamos descer. _ Ele disse e passou por mim sem me olhar. Ótimo. Ele havia confiado em mim para me contar sobre seu passado, ou pelo menos uma parte dele. E eu não consegui contar sobre o meu. Agora eu estava me sentindo uma idiota por magoá-lo. Oliver abriu a porta e ficou parado me esperando. Mas minhas pernas não estavam cooperando. — Primeiro sua boca não funciona, agora suas pernas também entraram na brincadeira. Só melhora. _ Me recriminei por não conseguir nem ao menos controlar meu próprio corpo. — Oliver. _ Chamei por ele o obrigando a me olhar nos olhos. Não podia ser tão difícil, não é? — Você se importaria de entrar novamente? Eu tenho algo para te contar.

A parte mais difícil, não foi contar que eu havia sido presa, investigada pelo FBI e passado por tratamento psicológico. Apesar de ter travado na maior parte da história e precisado de um momento para continuar. A pior parte foi dizer que havia traído a confiança da pessoa que eu amava, e entregando-o a polícia. E que ele havia morrido por causa disso.

– Você se culpa por isso. _ Havia raiva em sua voz. O que me fez olhar para ele pela primeira vez em todo o tempo em que ele havia entrado novamente naquele quarto e fechado a porta atrás de si. — Você se culpa por isso. _ Ele repetiu olhando nos meus olhos dessa vez.

– Eu o entreguei a polícia. Eu. _ Apontei para mim mesma. — Eu poderia apenas ter destruído o programa e sumido. Mas não tive coragem de destruir algo que eu julgava ser brilhante. Meu ego não me deixou fazer isso. Fui egoísta, e Cooper pagou por isso. _ Fiz algo errado e me arrependia muito por aquilo.

– Você criou um programa genial Felicity. Nas mãos das pessoas certas, ele poderia fazer muito, ajudar muitas pessoas. E infelizmente, você confiou na pessoa errada para dividí-lo. _ Ele se levantou vagarosamente da poltrona que havia sentado quando o impedi de se aproximar, e me olhou demoradamente, me deixando saber que iria se aproximar. Mas diferente do que eu pensei, ele não segurou minha mão, ou me abraçou. Oliver se inclinou me beijando de surpresa. Um beijo totalmente quente e intenso. Suas mãos seguraram meu rosto firmemente me impedindo de me mover, e seus dedos fizeram uma pressão sobre meu queixo, separando meu lábios para sua língua. O beijo não foi gentil, ou carinhoso. Foi selvagem. Mas do mesmo modo que começou, terminou. Agarrei seus braços e soltei um gemido, lamentando quando sua boca se afastou da minha. — A culpa não foi sua. Entende isso? _ Ele perguntou por baixo do folego, acariciando meu rosto novamente.

– Em parte sim. Mas logo vem o pensamento de que se eu não tivesse ajudado a polícia a achá-lo, ele ainda estaria vivo. _ Confessei com os olhos ainda fechados, me deixando levar pelos seus carinhos. O efeito relaxante do nosso beijo ainda estava surtindo efeito.

– Se você não tivesse ajudado, provavelmente ele seria um criminoso foragido, e tenho certeza que você sentiria ainda mais culpada por isso. _ Abri meus olhos o encarando. Ele estava certo. Eu estaria me sentindo muito pior se Cooper estivesse usando meu programa para prejudicar outras pessoas. Não que eu preferisse sua morte. Mas certamente me sentiria muito pior se outras pessoas pagassem pelos nossos erros. — Não pense mais nisso. O passado está no passado. _ Analisei suas palavras. Por um curto espaço de tempo, nosso passado estava querendo aparecer, de uma forma ou de outra. Primeiro com ele, e a história do seu triângulo amoroso trágico. E agora o fantasma de Cooper me obrigando a relembrar tudo. A revelar tudo. Mas estranhamente, não estava me sentindo angustiada, ou mesmo envergonhada pelos meus erros. Estava me sentindo livre. Leve. E ele não estava me julgando, isso tornava tudo melhor. Tornava ele melhor.

– E não há como mudá-lo. _ Completei me sentindo melhor do que esperava. Sempre que me imaginava tendo essa conversa com Oliver, os finais nunca eram nada além de término. Por inúmeras razões, mas sempre terminava com ele me deixando. — Você não está sendo condescendente comigo para evitar um cena e terminar comigo na minha casa, não é? _ Perguntei de uma vez. Era melhor estar preparada para qualquer coisa. E pensar em todos os argumentos que usaria dali até minha casa, para fazê-lo desistir de me deixar. Oliver sorriu de verdade e soltou meu rosto me rodeando com seus braços.

– Apesar de querer saber todos esses possíveis argumentos que você usaria, a resposta é não. _ Oh, merda. Ri da minha língua descontrolada e circulei sua cintura com meus braços, escondendo meu rosto no seu peito. Envergonhada demais por ele ter descoberto que eu brigaria para ele não me deixar. — Não estou fugindo de uma cena. E com certeza não vou terminar com você. _ Senti seus lábios no meu cabelo e relaxei.

– Bom. _ Murmurei contra sua camisa e subi meu rosto percorrendo todo o caminho do seu peito até chegar ao seu rosto com meu nariz, absorvendo seu perfume e o calor do seu corpo. — Prometo não terminar com você também. _ Disse fazendo graça da situação antes de beijá-lo novamente. O Oliver selvagem estava de volta. Decididamente não iria terminar com ele.

Seus braços me apertaram contra seu corpo, o suficiente para acender o meu. Subi minhas mãos para o seu cabelo. Ele havia cortado a pouco dias e as pontas ainda faziam cócegas nas palmas das minhas mãos.

De repente, senti o chão sob os meus pés se mover. Uma ondulação sutil. Ia deixar para lá mas outra veio logo em seguida. Um pouco mais forte, e dessa vez Oliver também sentiu.

– Sentiu isso? _ Perguntei um pouco ofegante pelo beijo. Nós olhamos ao redor mas nada parecia errado. Nem se movendo.

– Fique aqui. _ Oliver me sentou na cama e foi até a janela. — Ninguém mais pareceu notar. _ Ele comentou voltando para perto de mim.

– Não foi um terremoto, não é? Não existe terremotos em Starling desde 1915. _ Eu não iria pensar na terra tremendo sob meus pés. Em prédios caindo. Rupturas, rachaduras, coisas explodindo. E eu já estava pensando.

– Não acho que seja em Starling. _ Ele disse tentando me tranquilizar. Mas se não havia sido na cidade, deveria ter sido próximo. Muito próximo. — Vamos descer. É melhor avisarmos Tommy, se os tremores ficarem mais fortes alguém pode se machucar. _ Me levantei rapidamente e saímos apressados do quarto.

Notas finais
A próxima parte sai ainda hoje, de madrugada eu acho. Estou com conjuntivite então estou presa em casa com o computador. Estou lamentando tanto...kkk Até logo.