Pure Love
52 Capítulo 53
Notas iniciais
Oliver POV
— Eu confesso que quando imaginei Tommy explicando a situação para os convidados, minha imaginação foi por outro caminho. _ Felicity comentou, ainda rindo. Entreguei sua bebida e me sentei ao seu lado no grande sofá. Eu mesmo não consigo deixar de sorrir.
Tommy definitivamente não era à melhor pessoa para ser porta voz de uma situação como a que estávamos.
No segundo seguinte em que nós avisamos sobre os tremores, ele se divertiu com a situação. E subiu ao mini palco onde um DJ tocava músicas, que eu não fazia idéia de quem cantava, e anunciou em alto e bom som que o chão estava tremendo. Ao que parecia, ele estava querendo terminar a festa mais cedo do que imaginávamos. De início, ninguém acreditou nele, e alguns até riram. Mas para sorte dele, o chão tremeu mais uma vez. Mais forte. E em questão de segundos, as pessoas começaram a correr por todos os lados, se empurrando e gritando.
Puxei Felicity para perto das árvores, longe do tumulto, em uma área mais aberta. Seria impossível algo cair em nós. Ela estava séria e não falava nada a alguns minutos, o que significava que ela estava nervosa e com medo.
Um dos seguranças estava perto de onde estávamos, e o instruí a tranquilizar as pessoas e ajudá-las e sair em segurança.
Assim que todos saíram, ficamos apenas Helena, Felicity e eu.
Estava claro que não passava de leve tremor e mesmo assim era algo anormal. Algo para ser pensado. Felicity estava certa. Não haviam terremotos em Starling a quase cem anos. Algo estava errado.
— Enfim, me livrei deles. _ Tommy comemorou se jogando no sofá mais animado do que deveria. Helena se juntou a ele, também satisfeita com a confusão de minutos antes.
— Eu não acho que seu pai vá concordar com você. _ Disse imaginando a reação de Malcolm ao ler os jornais pela manhã.
— Não seja estraga prazeres, Ollie. Você conhece o senhor Malcolm Merlyn. Ele vai processar meio mundo, ameaçar a outra metade e esquecer. _ Tommy não estava brincando. Era exatamente isso que Malcolm fazia quando ele se envolvia em algum tipo de escândalo. Como quando eu havia urinado em um policial. Tommy estava comigo. E milagrosamente nem ficamos cinco segundos presos. Antes mesmo de chegarmos a delegacia, havia meia dúzia de advogados na porta. Com um Robert Queen muito bravo e um Malcolm Merlyn a ponto de explodir o local.
— Então é tudo para chamar a atenção? _ Felicity perguntou inocentemente, olhando para Tommy. Chamar a atenção de Malcolm era algo que ele havia tentado a vida inteira. Mas agora não via mais como isso possível. Malcolm havia dedicado todo seu tempo a Tommy nos últimos meses. Tanto, que ele estava se sentindo sufocado e pressionado.
Tommy riu da pergunta de Felicity, se acomodando melhor no grande sofá.
Meu celular apitou vibrando, me lembrando que Roy ainda estava em posição e Diggle em uma caçada.
— Eu preciso atender essa. _ Me desculpei levantando. Felicity me olhou e mostrei a foto de John na tela do celular. – Ele deve ter descoberto sobre os tremores. E surtando consequentemente. _ Completei em um tom mais baixo, só para ela escutar. Felicity sorriu.
— Eu gosto da preocupação dele por você. _ Ela confessou o defendendo mesmo sem necessidade. Ao que parecia a admiração de John por ela era recíproca.
— Já volto. _ Avisei, e olhei uma última vez para o casal a nossa frente. Eles pareciam bem entrosados em seja lá o que estavam conversando.
Não precisaria ir muito longe. Apenas o suficiente para ninguém me ouvir. Antes de sair do cômodo ainda escutei Helena convidando Felicity para sair novamente.
O que eu não daria para ela ser um pouco mais parecia ao pai.
“-Estou falando, cara. Ele não saiu de casa. Fiquei parado aqui toda a noite. Roy está no outro lado. Ele não saiu. “_ John estava assim como eu, aturdido. Malcolm não havia saído da casa. Mas ao que parecia também não estava na casa. Tommy havia procurado e ligado para o pai, mas ele não atendia.
— Não faz sentido. Se ele estivesse aqui, com toda a confusão ele teria aparecido. _ Olhei pela janela, vendo Felicity rir de algo que Tommy estava falando. E levando alguns tapas de Helena em seguida. – Há menos que ele não tenha saído. _ Isso fazia sentido. Malcolm não havia saído, mas não estava em nenhum local da casa.
“- Você acha que ele pode estar em algum lugar da casa? Talvez escondido. Em um porão. _” O palpite era bom, mas eu conhecia cada centímetro daquela casa, e não havia um porão.
— Não a um porão, John. Nem sótão. Cresci nessa casa. Conheço cada canto dela. _ Garanti a ele, me sentindo um pouco mais incomodado do que a minutos atrás. Saber que ele estava aqui, perto de nós me deixava ansioso. Em alerta.
“- Oliver você passou cinco anos afastado. Ele poderia ter construído qualquer coisa. _” Bom ponto. Mas nada aqui parecia fora de lugar, ou mesmo diferente do que me lembrava.
— Eu vou tentar descobrir se houve alguma reforma na casa. Mas mesmo assim, fiquem de olho a qualquer movimento suspeito fora da casa. _ John murmurou algo me deixando saber que havia entendido e desligou. Apertei o aparelho com força o suficiente para ouvi-lo ranger. O que diabos, Malcolm estava aprontando. E por que eu tinha a sensação que os tremores não haviam sido meros fenômenos naturais.
Felicity POV
— Ele está voltando. _ Tommy avisou se divertindo como fato de Helena não aceitar minha recusa de uma noite das garotas. E a reação de Oliver. Ela achava que Oliver me proibiria. Não achava que esse seria o caso, mas nós estávamos no começo de uma relação, no mínimo, diferente. Ele havia me ouvido, não julgado e entendido. Eu não queria empurrá-lo mais além.
— Eu não sei por que ele está tão relutante em deixar você sair comigo. Até parece que vou te desvirtuar. _ Helena comentou um pouco chateada, mas ainda assim seu olhar cheio de segundas intenções vagando entre mim e Oliver não passou despercebido.
— Claro que não. Seus feitos são sempre tão inocentes e puritanos. A mídia que o diga. _ Tommy comentou no seu melhor tom falso de seriedade, se intrometendo e recebendo um tapa nada leve ou carinhoso na cabeça. Eu não sabia ainda o que achar daqueles dois, mas claramente Tommy era outra pessoa com Helena.
— O sujo falando do mal lavado. _ Helena devolveu olhando feio para ele. Eu até pensei que Tommy iria reclamar pela agressão, mas ao invés disso ele sorriu e se levantou bem a tempo de Oliver chegar ao sofá.
— Paciência nunca foi o forte dela. _ Oliver sussurrou perto do meu ouvido. Perto o suficiente para me fazer ter vontade de ser abraçada por ele. Apertado. Talvez acariciar meus cabelos. Lentamente. – Felicity. _ Sinto suas mãos nos meus ombros e me assusto. Droga. Estava divagando nos meus pensamentos novamente. Olho para cima na esperança de que meus pensamentos não haviam escapado pela minha boca. Oliver estava me olhando com um pequeno sorriso cumplice nos lábios. – Pra sua sorte, não alto o suficiente. _ Eu não sabia se ficava agradecida ou mortificada por apenas ele ter escutado. Mas ter Helena e Tommy escutando minhas nada inocentes conversas internas, não era algo que eu queria na minha vida.
— Eu acho que agora seria uma boa hora para vocês nos contarem o que tanto fizeram sozinhas, enquanto nós estávamos sendo homens de negócios. _ Tommy comentou atraindo minha atenção novamente. Olhei para Helena não muito certa se seria uma boa idéia.
— Desculpem garotos. Segredo de garotas. _ Helena brincou sorrindo para mim. E não pude não devolver o sorriso.
Na verdade, nossa aventura se resumia a observar eles de longe, fingir que estávamos nos divertindo muito e fugir de todos. E fofocar, claro. Helena não era do tipo que falava pelos cotovelos, ou sabia de tudo de todos. Mas o pouco que ela sabia era o suficiente para me deixar de boca aberta.
Em poucos minutos ela me mostrou pelo menos vinte mulheres que já haviam passado pela cama do meu namorado. Não na dele, necessariamente. Pelo menos as que ela lembrava. O mais impressionante eram os detalhes, e o fato dela saber deles. Ao que parecia eles amigos de longa data. Bem longa.
Eu tinha segurado minha curiosidade para não perguntar a ela sobre Oliver, Laurel e Sara. E segurar minha língua não era algo que eu fazia com frequência. Então estava muito orgulhosa.
Oliver apertou um pouco mais forte meus ombros e olhei para ele novamente.
— Apenas garotas. _ Reafirmei, segurando minha vontade de rir da sua cara indignada e curiosa.
— Vamos lá Sherlock. Depois você vai ter muito tempo para descobrir o que elas aprontaram. _ Tommy se aproximou de Oliver, jogando um braço sobre seus ombros. – Vamos bater um papo. Apenas garotos. _ Ele provocou piscando para nós duas. Oliver não parecia querer ir com ele, mas Tommy realmente sabia como ser convincente. – Vamos lá companheiro. Faz meses que não conversamos mais que dez minutos. Mais de vinte anos de amizade merecem pelo menos vinte minutos de conversa fiada. _ Observei Oliver balançar a cabeça lutando para não rir, enquanto Helena e eu ríamos à vontade.
— Vinte minutos. _ Oliver conseguiu dizer antes de rir. – Se não voltarmos em vinte minutos, é por que eu o matei. _ Oliver brincou olhando para mim. Como se ele fosse capaz de fazer algo com Tommy.
— Ele me ama. _ Tommy zombou apertando mais o pescoço de Oliver e o puxando para a sala ao lado, onde tinha um bar e uma mesa de bilhar.
— Aposto cem pratas que Oliver vai estar de volta em dez minutos. _ Helena disse ainda observando os dois, assim como eu.
— Feito. _ Respondi olhando a interação dos dois. Oliver podia ser mal-humorado as vezes, e meio antissocial com as pessoas que ele não estava familiarizado. Mas aquele era Tommy, seu irmão. Eu não acreditava que houvesse algo que Tommy pudesse fazer para deixa-lo com raiva dele. – Aposto duzentas que eles vão se esquecer de nós.
Oliver POV
— Então, como estão as coisas no paraíso? _ Tommy perguntou me oferecendo um copo de uísque. Aceitei o copo, tomando um gole. Quente e forte. Tommy ainda se lembrava até de como eu gostava do uísque. Sorri para ele enquanto avaliava como estava meu relacionamento com Felicity.
— Inacreditavelmente bem. _ Perfeito e inquietante, seriam os principais adjetivos que eu usaria, mas Tommy iria fazer muitas perguntas. Aquilo serviria por enquanto.
— Ok. Alguém está apaixonado aqui? _ Ele caçoou rindo, mas parou o copo no ar quando percebeu que eu não estava rindo da sua brincadeira. – Oh. Não. _ E lá vamos nós. Ele colocou o copo no balcão e se concentrou em mim. Talvez não tivesse sido minha idéia mais brilhante conversar sobre aquilo com Tommy. – Você não está negando, Ollie.
— Não. Não estou. _ Tomei mais um gole da bebida. Talvez mais dois ou três copos e aquela conversa não seria mais tão desconfortável. – Pare de olhar como se eu fosse um alienígena. _ Sua cara de assombro estava começando a me irritar.
— Desculpe, mas você tem que me entender. Um mês é um recorde. Até mesmo pra você. _ Ele se defendeu. Não era exatamente mentira. Eu tinha fama de me “apaixonar” com a mesma rapidez que me “desapaixonava”. E geralmente, era muito rápido. Com Felicity tinha acontecido exatamente isso. Rápido e intenso. Mas ao contrário dos outros, não estava diminuindo. Só aumentando.
— Com ela é diferente. _ Disse e tomei o restante da bebida em um único gole, torcendo para que ele mudasse de assunto. – E você? Helena? _ Reforcei quando ele me olhou confuso. Mas logo seu olhar ficou confuso e incomodado. Seu próprio remédio Tommy.
— Eu soube o que aconteceu no evento. Não achei apropriado convidar Laurel, sabendo que Felicity estaria aqui. _ Eu acreditaria no seu argumento perfeito, se ele não fosse Tommy Merlin e nós não fossemos amigos a mais de vinte anos.
— Você ainda gosta dela, não é? _ Arrisquei a pergunta mesmo já sabendo a resposta.
— Ainda não aprendi a controlar isso. _ Ele admitiu envergonhado de si mesmo, rindo dele mesmo. – Acho que é um castigo da vida. Ou uma bruxaria de alguma mulher ressentida. Sou apaixonado pela única mulher que não me dá a mínima. _ Por um breve segundo, Tommy deixou o lado gozador de lado. E demonstrou seus sentimentos. Ele realmente era apaixonado por ela. Era uma pena, que Laurel não merecesse aquele amor. – Mas não estou usando Helena, se é isso que está pensando. Ou até estou, mas ela sabe onde está se metendo. E só estamos nos divertindo. _ Ele explicou, voltando a ser o velho Tommy de sempre.
— Eu sinto muito pela Laurel. _ Me senti obrigado a me desculpar. De certa forma, a obsessão dela por mim, era culpa minha. Tommy balançou a cabeça recusando minhas desculpas e virou seu copo.
— Isso é bom. _ Ele comentou sobre a bebida. – Você não tem culpa por ela te amar. Vocês sempre tiveram uma história, eu que me intrometi nela. De qualquer forma, você não quer mais nada com ela. Eu sei que é sórdido mas sinto um certo contentamento toda vez que você a rejeita. _ Ele admitiu rindo, descarado demais para se sentir mal pelo que havia admitido. Aquele era o Tommy que eu conhecia.
— Você é um filho da mãe. _ Eu disse rindo com ele. Poderia ser sórdido, mas depois de todo o problema que Laurel estava causando, não era minha compaixão que ela despertava.
“- Estou dizendo. Nada saiu, nada entrou.” _ John parecia tão irritado e frustrado quanto eu. Ele tinha ficado toda a noite de tocaia no seu carro, esperando algum movimento suspeito. Assim como Roy. Preparados para qualquer coisa. Mas não havia acontecido nada. Malcolm não havia saído e ninguém havia entrado.
— Descobriu algo sobre os tremores? _ Perguntei num tom baixo, olhando para a porta da cozinha. Felicity não demoraria para voltar.
“- Não. Seja lá o que aconteceu essa noite, aconteceu somente onde vocês estavam. Ninguém comentou nada. Thea também não sentiu.” _ Ele respondeu me deixando ainda mais convencido de que Malcolm estava por trás daquilo.
— Se souber de algo me avise, qualquer coisa. Tenho que desligar. _ Ele concordou e desligou. Eu não tinha motivos concretos para desconfiar de Malcolm até aquela noite. Agora ele era um alvo.
— O que John disse? _ Felicity comentou caminhando da cozinha com a tigela de água do gato. Ela deixou perto do balcão, onde o gato gostava de ficar e se sentou ao meu lado no sofá.
— Também não sentiu nada. Nem Thea. Vamos ter que esperar os noticiários. _ Me acomodei melhor no sofá, puxando seus pés para o meu colo. Desde o momento que havia visto ela naquele vestido, um dos meus objetivos daquela noite tinha se tornado tirá-la dele. Pelo menos um deles eu cumpriria.
— Ou podemos pesquisar. _ Ela soltou distraída. Olhei para ela sem entender onde ela queria chegar. Ela olhou para algum lugar atrás de mim, fugindo do meu olhar. – Digamos que eu sou uma mulher precavida. Gosto de saber se devo carregar um guarda-chuva comigo. E o sistema meteorológico não tem a melhor segurança tecnológica. _ Ela balançou os ombros despreocupada.
— Você está me dizendo que invadi com frequência, o sistema meteorológico de Starling? _ Perguntei categoricamente, para ter certeza de que estava entendendo direito. Felicity me olhou travessa e balançou a cabeça negando.
— Eu disse que invado o sistema meteorológico. Não disse que era o de Starling. _ Eu não achava que ela pudesse me surpreender mais. Como estava errado.
— Eu já disse que você é um gênio? _ Ela sorriu envergonhada com meu elogio. – E linda. _ Completei abrindo suas sandálias.
— Você é um bajulador, e interesseiro senhor Queen. _ Eu odiava ser chamado pelo meu sobrenome, mas amava quando ela me chamava de senhor Queen. Ficava terrivelmente sexy nela.
— Você me conhece tão bem. _ Brinquei tirando suas sandálias e as jogando ao nosso lado, perto do sofá. Felicity encolheu as pernas e se levantou. – Ei. _ Reclamei. Agora que o jogo estava começando a ficar bom.
— Dois segundos. _ Ela avisou, sumindo no corredor. Era ridículo, mas contei dezesseis segundos até ela aparecer novamente. Estava carregando seu notebook. – Sistema meteorológico. _ Ela comentou se sentando novamente. Coloquei suas pernas no meu colo novamente, mas dessa vez puxei um pouco mais seu corpo para conseguir ter acesso ao notebook. E à ela também. – Vamos ver. _ Felicity começou a digitar códigos demais, rápido demais para que eu pudesse entender o que ela estava fazendo. E quando dei por mim, estávamos olhando em primeira mão o planeta Terra diretamente de um satélite russo. Aquilo era incrível. – Algo não está certo. _ Ela comentou digitando mais uma dúzia de códigos.
— O que houve? _ Perguntei olhando preocupado para a tela e não entendendo nada.
— Não está aqui. Não há nenhum registro de terremotos, tremores ou nada do tipo no histórico de Starling. Os tremores de hoje não foram registrados. E também não houve nenhum terremoto nas proximidades da cidade. Isso é intrigante. _ Intrigante era uma boa definição.
— Talvez o tremor tenha sido fraco demais para precisar ser notificado. _ Arrisquei um palpite qualquer. Por mais fraco que um tremor seja, o departamento de fenômenos naturais sempre informa. Registra. A menos que, não tenha sido um fenômeno natural.
— O sistema pode estar em atraso. _ Felicity meditou, balançando a cabeça para os lados pensativa. – O que é estranho mesmo assim.
— Ok. Por hoje chega de mistérios naturais. _ Fechei seu notebook, pegando-a de surpresa. Sem ela saber, Felicity tinha esclarecido um pouco daquela noite para mim. Não haviam sido tremores naturais. Eu sabia que Malcolm estava por trás disso e definitivamente, não queria ela metida nisso.
— Mas eu ainda não entrei nos arquivos de desastres ecológicos de Starling. _ Ela protestou segurando o notebook, tentando impedir que eu o tirasse dela.
— Starling não tem nenhum desastre natural a quase cem anos. Eu não acredito que você vá conseguir respostas em terremotos e furacões centenários. _ Disse puxando a máquina um pouco mais forte. Felicity deixou ele ir sem reclamar, mas um beicinho infantil surgiu nos seus lábios. Depositei o notebook na mesa de centro e a encarei tentando não rir da sua cara.
— Eu odeio mistérios. Eles ficam na minha cabeça. _ Ela disse encostando a cabeça no encosto do sofá, distorcendo o decote do seu vestido, e inevitavelmente chamando minha atenção para o local. – Será que amanhã eles já terão atualizado o sistema?
— Talvez. _ Respondi distraído novamente com seu vestido. Recomecei a acariciar seus pés, arrancando um suspiro de contentamento dela. – Por hoje eu sugiro irmos para a cama. O que acha? _ Sugeri, olhando para suas pernas. Desde os pés até a barra do vestido. Eu poderia passar dias apenas olhando para elas.
— Eu acho uma ótima idéia. _ Ela concordou atraindo meu olhar para cima. Ela não tinha idéia do que ela fazia comigo quando sorria daquele jeito, tímida e cheia de segundas intenções.
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