Pure Love

46 Capítulo 47


Notas iniciais
Passando rapidinho para postar uma parte do capítulo. Espero que gostem e me desculpem por estar pequeno. Boa leitura.

Capítulo 47

Lento, delicado. Quente e urgente. Essas quatro palavras descreveriam perfeitamente Oliver Queen. E entorpecimento, sonolência e contentamento seriam as minhas.

Eu sabia que precisava respirar, e um banho era muito bem vindo. Nós estávamos suados, ofegantes e no paraíso. Pelo menos eu estava. Mas eu duvidava que houvesse algo no mundo que me fizesse sair daquele quarto, daquela cama.

Minhas mãos estavam vagando pelas suas costas, sem destino. Apenas acariciando sua pele e suas outras cicatrizes. Seu corpo estremecia cada vez que eu encontrava alguma nova marca.

Era tão triste. Tão doloroso que ele tenha passado por aquilo.

Oliver se moveu sobre mim, apenas se acomodando melhor para não me esmagar com seu peso. E depositou um beijo no meu ombro, antes de levantar a cabeça para olhar nos meus olhos.

– Quem é você? E o que você fez com a minha doce, meiga e tímida namorada? _ Ele perguntou esfregando seu nariz no meu. Eu poderia me fazer a mesma pergunta.

– Posso chamá-la de volta. Tenho certeza de que ela não está longe. _ Devolvi alcançando sua nuca com minhas mãos. Ele sorriu me beijou rapidamente.

– Talvez pela manhã. Por enquanto prefiro você exatamente como está. _ Oliver disse e continuou distribuindo vários beijos rápidos nos meus lábios.

Suas mãos, descendo pelas laterais do meu corpo. Acariciando e instigando. Era tão bom.

– Isso significa que você vai dormir aqui? _ Perguntei com o pouco de lucidez que ainda me restava. Mas suas mãos não estavam facilitando.

– Isso é um convite? _ Eu não era uma pessoa multi tarefas. Ou seja, não conseguia me concentrar muito bem em mais de uma coisa ao mesmo tempo.

Ter Oliver me perguntando uma pergunta óbvia, não deveria ser difícil de responder. Senão fossem aquelas mãos divinas passeando pelo meu corpo, me deixando ansiosa.

Quando sua mãos subiu pelo lado interno da minha perna, um gemido nada delicado escapou pelos meus lábios.

Era loucura. Havíamos acabado de fazer amor, e eu já queria ele novamente.

Oliver sorriu de um modo puramente masculino, certamente orgulhoso do efeito que conseguia me causar.

Eu não conseguiria responder sua pergunta com palavras nem mesmo se quisesse. E eu não queria.

Aproveitei minha mais nova fama de desinibida e, talvez ousada, para beijá-lo de verdade. Se ele queria provocar, então também seria provocado.

Despertar envolta nos braços de Oliver, com a luz do sol entrando pela janela do quarto, parecia um sonho depois da noite que havíamos compartilhado.

Definitivamente eu estava completamente apaixonada por ele.

O modo como havíamos feito amor, como ele havia sido cuidadoso e carinhoso não poderia ser descrito com outra palavra que não fosse especial.

Com cuidado para não acordá-lo me aconcheguei ainda mais nos seus braços. Seu corpo estava quente e macio, e seu rosto estava sereno. Quase inocente. E apesar de me sentir ligeiramente envergonhada de estar completamente nua, também me sentia completa e feliz. E dolorida nos lugares mais inusitados.

Como há muito não me sentia.

Não consegui reprimir o susto quando senti uma mão, agora bem conhecida acariciar minha cintura, bem preguiçosamente.

— Você está bem? _ Ele perguntou delicadamente, os olhos ainda fechados. Com a voz rouca da manhã.

Me aconcheguei ainda mais nele, o fazendo abrir os olhos com meus movimentos. E o mais rapidamente que pude, e puxei o lençol cobrindo qualquer pedaço de pele que pudesse me deixar terrivelmente envergonhada.

— Estou bem. _ Garanti, tentando com todas as minhas forças não olhar para baixo. Ao que parecia, Oliver não tinha nenhum problema com sua nudez.

— Bom dia. _ Ele disse com uma sorriso muito educado nos lábios. Educado demais para ser levado a sério.

— Bom dia — Respondi. Ele se aproximou beijando suavemente meus lábios.

— É sábado. — Oliver disse sem desgrudar seus lábios do meus. Ele passou um braço por baixo de minhas costas, puxando meu corpo nu contra o dele, me beijando novamente. Com vontade. Depois da noite anterior, sentir Oliver excitado tão rapidamente não deveria me surpreender.

Não deveria.

— Você está ? _ Eu não consegui terminar a pergunta, mas era óbvia a resposta.

— Culpa sua. _ Murmurou ele, sua mão fazendo um trajeto perfeito até meu seio que instantaneamente se enrijeceu, e o desejo inundou meu corpo.

"Ok, eu não estava tão dolorida assim. "

– Eu já comentei com o esse gato é assustador? _Oliver sussurrou meu ouvido. Seus braços estavam bem apertados a minha volta, mas consegui levantar minha cabeça para encarar o bichano parado na porta.

Havíamos acordado a muito tempo, e o fato de Félix estar invadindo meu quarto me dizia que estava tarde.

– Ele não é assustador. _ Disse não muito certa disso. Na verdade, o modo como Félix estava nos encarando era desconfortável. Como se soubesse tudo o que havíamos feito naquela cama. — Só não está acostumado a homens na minha cama. Digo, casa. Casa.

– Fico feliz com isso. _ Ele disse olhando para o gato um pouco menos incomodado. Homens.

– Ele deve estar com fome. _ Comentei me afastando do conforto dos seus braços, me enrolando de um modo totalmente não sexy, no lençol e joguei as pernas para fora da cama, me sentando de costas para ele.

Minha camiseta estava na cômoda a alguns passos da cama, mas a camisa de Oliver estava bem ali do lado. Teria que servir.

– Você vai levantar da cama para dar comida para o gato? _ Oliver perguntou parecendo incrédulo por ser trocado por um gato.

– Não. _ Neguei, me esticando o máximo que consegui para alcançar a camisa. Ela ainda estava com o perfume dele. — Eu vou colocá-lo para fora. Daqui a pouco a senhora Fernandes vai bater aqui para buscá-lo e eu não quero ter que ser mal educada com ela. _ Eu sabia que estava tagarelando e que provavelmente Oliver não estava entendendo nada. Mas eu queria distraí-lo para vestir a camisa. — As vezes ela me traz o jantar. Pode ser uma fofoqueira de primeira, mas cozinha muito bem.

– Felicity. _ Me virei para ele tentando muito não olhar para outro lugar que não fosse seus olhos. E falhei miseravelmente.

E, oh, nossa... Podia tê-lo visto nu na noite anterior, mas na penumbra e em um momento de agitação. Não assim, plenamente iluminado.

Oliver era alto e magro, e completamente sarado. Os ombros largos, e o abdômen musculoso combinados com as marcas no seu corpo, o deixavam perigoso.

Perigosamente sexy.

O sol na sua pele bronzeada pela manhã suas cicatrizes eram ainda mais visíveis. Eu senti meu coração bater com uma força que se tornara familiar para mim nos últimos dias.
– Por que não me diz qual o problema? _ Ele perguntou se recostando na cabeceira da cama, e graças a Deus, ou não, se cobrindo com a colcha.

Seu olhar sobre mim era inquietante, e tenho certeza que me sentiria melhor se estivesse pelo menos com minha lingerie.

Como eu iria dizer a ele que eu não estava acostumada a isso?

Não que fosse difícil de se acostumar, por que realmente não era. Eu nunca fui do tipo desinibida ou exibida com os homens que já havia dormido. O que se resumia a um. Cooper. A vergonha geralmente terminava durante a madrugada. E na manhã seguinte, não existia mais a vergonha. O que era normal de se acontecer, já que não havia muito para ver depois.

É claro que essa regra não se aplicava à Oliver.

Era difícil ser desinibida ou, apenas natural perto de um homem que estava acostumado a modelos e atrizes.

– Nada, não tem problema. _ Disse tentando ao máximo não corar e denunciar minha mentira. O que obviamente não iria acontecer.

– Você é tão boa em mentir para mim, quanto eu sou para você. _ Oliver apontou, sua voz estava tranquila mas seu olhar estava preocupado. — Felicity, se você não me disser o que há de errado eu vou começar a imaginar coisas. E eu tenho uma imaginação bem fértil. _ Olhei para ele tentando encontrar uma maneira de dizer o que estava me preocupando sem parecer patética. Mas não havia como? Havia? — Eu fiz algo errado? Eu te machuquei?

– Não. Não. _ Me apressei em negar, e tirar aquele olhar culpado do seu rosto. Ele não havia feito nada de errado. Muito pelo contrário. — Você não fez nada de errado. Ou me machucou. É só, isso. _ Balancei minha mão entre nós dois, sinalizando nós dois. — Faz algum tempo desde a última vez que eu acordei com alguém, sabe?E definitivamente, ele não era como você. _ Em absolutamente nada. A não ser me namorar. De resto, nada. Oliver estava me observando cada vez mais confuso. — O que quero dizer é que eu não estou acostumada a acordar acompanhada. Ainda mais na companhia de alguém que tem padrões tão elevados. _ Completei rindo, na esperança de que ele também achasse graça, ao invés de me achar patética.

Oliver não rio. Nem sequer sorriu. Apenas ficou me encarando, pensativo. E aos poucos meu riso também morreu. E nós ficamos nos encarando.

– Eu não quero que você pense pouco de você. _ Ele disse, claramente falando sério. Mas eu não podia controlar meus pensamentos.

– Bem, controlar o que eu penso é uma tarefa difícil, Oliver. _ Era um milagre eu não ter soltado nada indevido ainda. Controlar seria impossível.

Assisti Oliver levantar da cama, completamente nu e alcançar sua cueca para vesti-la rapidamente. Pela sua fisionomia, ele não estava contente. Ele se aproximou de mim, se agachando a minha frente. E estávamos olho no olho.

– Felicity, você é uma mulher incrível._ Oliver disse calmamente, e eu me senti estúpida por acabar com o bom humor que havíamos acordado. Suas mãos alcançaram meu rosto, e ele me segurou gentilmente. Me obrigando a encará-lo. — Linda, meiga. Inteligente e divertida. _ Ele disse categoricamente, e meu coração começou a bater violentamente. As borboletas estavam despertando. — Então, não pense. Não sobre isso. Fazia muito tempo que não me sentia assim. _ Oliver finalizou sorrindo.

– Assim como? _ Consegui sussurrar. Ele não podia me culpar se minha mente estava bagunçada. Não era todo dia que eu tinha uma crise de insegurança com um Oliver semi nu.

– Feliz. _ Ele disse me olhando nos olhos. E independente de toda minha mente bagunçada, da minha insegurança. Ou dúvidas. Eu acreditei. Acreditei, simples assim.

– Eu também me sinto assim. _ Confessei, sorrindo. Eu estava me sentindo muito feliz comigo mesma por fazê-lo feliz. Ele já havia passado por muita coisa, e merecia ser feliz.

– Você me surpreendeu ontem. _ Oliver comentou, com seus dedos acariciando meu rosto. As imagens da noite anterior saltaram em minha cabeça, uma a uma. E senti meu rosto esquentar. — Oh, vergonha senhorita Smoak? _ Ele estava rindo de mim. Eu queria muito ficar zangada por ele estar rindo de mim, mas eu não conseguia tirar o sorriso idiota do meu rosto.

– Velha Felicity de volta. _ Respondi, balançando os ombros. O efeito do champagne já havia passado completamente. O que me fez lembrar da nossa conversa no hotel. — Nós precisamos conversar. _ Disse cautelosa. Eu sabia que não seria uma conversa fácil. Mas a idéia de Laurel ter segredos com Oliver não me agradava. Já estava na hora de sermos sinceros. Sem mais segredos.

Oliver suspirou pesadamente, mas não se afastou. Nem física, nem emocionalmente. Seu olhar ainda estava firme em mim.

– O que você quer saber?_ Ele perguntou tentando parecer decidido. Mas eu pude ouvir o receio por trás da sua voz.

– O que você tem tanto medo que eu descubra? E que por um acaso Laurel sabe. _ Eu não tentei mascarar meu incomodo sobre isso. Oliver ter segredos com aquela mulher, de deixava doente.

Oliver não respondeu logo. Primeiro ele analisou meu tom. Depois pensou um pouco. E por último e pior: se afastou.

Não podia ser nada bom. O modo como ele esquadrinhou o quarto parecendo perdido, não podia ser considerado um bom sinal. Decidi esperar, e me preparar para o que fosse.

– A anos atrás. Antes do naufrágio Laurel e eu fomos namorados. _ Oliver começou a falar olhando pela janela. Eu gostaria que ele se virasse e me olhasse nos olhos, ou pelo menos se aproximasse.

Mas algo nele me dizia para manter distância. Era uma sentimento estranho. E não era medo. Estava mais para respeito.

Nós havíamos esquecido de fechar as cortinas na noite passada. Para nossa sorte, apesar da minha casa ser no Glades, meus vizinhos não eram bisbilhoteiros. Pelo menos, eu gostava de pensar assim.

– Na realidade nós nunca terminamos nosso namoro. O acidente fez isso por nós. _ Oliver e Laurel. Naufrágio. As cicatrizes. Definitivamente não havia chances de tomar café naquela manhã. Não mesmo. Mas Oliver estava falando. E me contando algo que parecia ser muito íntimo, um de seus segredos e eu não poderia estar mais feliz por isso. — Dias antes da viagem, nós estávamos na minha casa, apenas conversando. Sobre a faculdade, trabalho. Futuro. _ Ele suspirou, como se a lembrança o incomodasse, e se virou de volta. Olhando nos meus olhos. Ele não queria estar falando sobre aquilo. — E ela teve a brilhante idéia de mencionar a sua vontade de morarmos juntos. _ Se ele se virou para mim, por que queria ver o choque no meu rosto, conseguiu.

Eu estava vagamente ciente que o lençol não ficaria no lugar sozinho. E que minhas mãos estavam suando horrores. Mas minha atenção estava voltada a história que Oliver estava me contando.

Eles iriam morar juntos?

– Como você pode imaginar, e depois de tudo o que já conversamos sobre minha maturidade naquela época. Eu surtei. _ Oliver estava inquieto. Não sabia o que fazer com as próprias mãos, então começou a caminhar de um lado para o outro. Parecia um leão enjaulado. Estressado. — Eu já havia sido expulso de três faculdades, sempre estava em festas e cercado de mulheres. Não consigo imaginar de onde ela tirou a idéia de que eu estava preparado para algo assim. _ Ele voltou a me olhar por breves segundos e voltou a caminhar. Parecia perdido nos seus pensamentos. Nas suas lembranças. De repente, Oliver parou. — Minhas idéias nunca foram boas, mas aquela. Aquela foi a pior que eu jamais poderia ter tido. _ Eu não tinha idéia do que ele estava falando, mas parecia ser sério. Muito sério.

– O que você fez?_ Perguntei sem fôlego. Eu nem havia percebido que estava segurando a respiração.

Oliver me encarou por vários minutos antes de resolver se iria continuar sua história ou não.

Para ser sincera, não sabia se queria mais saber.

– Eu, levei a irmã mas nova da Laurel, comigo na viagem. Sara Lance. _ Ok, aquilo era inesperado. Muito inesperado. — E eu fui o único que retornou.

Oh, merda.

Notas finais
É isso! Bom término de domingo. Beijo e até a próxima!