Pure Love

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Primeiramente eu gostaria de agradecer a Lethy e a Renata Lopes que fizeram recomendações lindas. Muito obrigada meninas. Estou muito surpresa pela receptividade da fic. Eu não esperava, de verdade. Vocês não sabem como isso me deixa feliz e animada a escrever mais. Então mais uma vez, obrigada! Quanto ao capítulo de hoje, bom, não me matem. Eu comecei a escrever e meio que perdi o controle. Então terá mais uma parte tudo bem? Boa leitura.

Capítulo 23 Felicity POV

Parte 2

Para um nerd o dia seguinte a uma festa nunca é uma coisa fácil de se lidar. Pode até parecer exagero, mas são traumas da época de faculdade. Dores de cabeça agonizantes, piadas sobre seu comportamento e vergonha. Muita vergonha.

Não que esse fosse o caso agora.

Me lembrava de tudo que havia acontecido, da conversa fiada com Tommy, a cara azeda de Laurel, a implicância de Cait e Helena. A pegação de Cait e Barry. A minha pegação com Oliver no banheiro. Minha vontade de jogar uma taça de champanhe na cara da Laurel.

'Ontem foi uma noite memorável'. Penso impressionada comigo mesma pela noite que havia tido.

Um riso tipicamente feminino sai de mim sem que eu possa impedir quando me lembro de Oliver Queen comigo no banheiro. Aquilo foi loucura, de loucura, daquelas que você olha e pensa "isso é loucura!". Do tipo sórdido e sem vergonha totalmente ao contrário dos meu princípios, eu sinceramente não sabia porque havia agido daquele jeito.

Mas ao mesmo tempo foi tão bom. Seus beijos, suas mãos, o modo como me segurava contra ele. A evidente excitação dele. E ele era tão bom ao toque, firme e grande. Ele devia malhar muito, ou sua genética era abençoada.

'Se ele era tudo isso com roupas, sem elas então. Não, não. Não quero pensar nisso. Nele. Naquilo. Felicity Smoak, o que sua mãe pensaria?'. Penso e logo estou rindo abertamente.

Provavelmente ela diria que eu tinha sido uma boba em não terminar o que havíamos começado. Isso sem saber de quem estávamos falando, porque depois que ela visse Oliver, era capaz dela me bater.

Minha mãe era uma figura não tinha como negar. Era irritante e me fazia passar vergonha com seu jeito extravagante e sensual de se vestir, mas eu amava minha mãe, isso também não podia negar.

Mas ela não seria uma boa desculpa para não pensar em sexo com Oliver. Eu nem acho que essa desculpa exista. Aquele homem era o pecado em pessoa, impossível não olhar pra ele sem cometer pelo menos um pecado.

– Banho. É isso._ Digo a mim mesma abrindo os olhos, desviando dos pensamentos pecaminosos que estavam saltitando na minha cabeça.- Culpa sua Queen. Culpa sua._ Eu jogo o edredom para o lado e me levanto e vejo que estou com o mesmo vestido de ontem. Tento me lembrar de como vim parar na cama e nada me vem a mente. Minha última lembrança era de Barry e Caitlin no banco da limosine de frente a mim.

Olho pelo quarto tentando me lembrar de algo, buscando algo que ajudasse na memória.

Meus sapatos estão colocado perto da porta, os dois em pé. Minha carteira está na cômoda também bem colocada ali. Eu não teria conseguido arrumar minhas coisas tão cuidadosamente e não me lembrar depois, ou teria?

De repente algo me vem a mente.

A voz de Oliver me desejando boa noite. O perfume dele por todos os lados. Minha cama.

Olho para minha cama confusa.

Oliver havia me trazido até meu quarto?

Um sorriso bobo se espalha pelo meu rosto. Ele havia me trazido até meu quarto e me desejado boa noite.

Eu não sabia o porque eu achava isso tão lindo, mas eu estava me sentindo a própria Bela Adormecida com seu príncipe encantado, só que ao contrário. Porque o príncipe beija a princesa e ela acorda, não o contrário, e eu nem sabia se Oliver havia me beijado de novo.

Involuntariamente toco meu lábios desejando que ele tenha me beijado na noite passada. Eu estava ficando romântica demais ultimamente.

'Melhor não pensar nisso agora'. Advirto a mim mesma.

Tiro esse pensamento da cabeça e vou para ao banheiro. Ficar pensando nisso não vai mudar nada. Tiro o vestido de qualquer jeito é jogo-o no cesto de roupas sujas sem nenhum cuidado, mas volto a pegá-lo logo em seguida. O cheiro de Oliver. Era meio brega, mas eu não queria me livrar do cheiro dele por enquanto.

Corro até o quarto com medo de alguém entrar no meu quarto e me pegar de lingerie e jogo o vestido na cama, já correndo de volta para o banheiro.

O banho não ajudou tanto quanto eu gostaria. Eu estava me sentindo alguém novamente, minhas memórias estavam ficando mais claras, não que isso fosse algo bom.

Saio do quarto ignorando de propósito o vestido jogado na minha cama. E vou procura meus amigos, e torcendo muito para não encontrá-los numa situação comprometedora. Definitivamente não estava preparada pra isso, para aquilo não.

Com uma verificada rápida na casa, vi que Cait e Barry provavelmente estavam no quarto de hóspedes, e Cisco estava jogado no meu sofá naquele estado, morto mas vivo. Até tentei acordá-lo mas depois de quase receber um tapa na cara desisti. Se ele estava naquele estado não queria nem imaginar o estado de Caitlin, até onde me lembrava ela estava fora de si.

Meu estômago reclama de fome, e vou até o microondas verificar as horas. Nem cedo nem tarde, e decido preparar o café da manhã dos campeões, porque depois de ontem éramos campeões. Panquecas, ovos mexidos e bacon soavam como trófeus pra mim.

Com a casa ainda em silêncio, paro para pensar agora mais calma e sóbria eu conseguia entender bem o que teria significado para mim se de fato tivesse transado com Oliver. Eu gostava dele, isso era óbvio. Mas daí a dormir com ele no primeiro encontro?

Teria sido um erro gigantesco, deixaria ele pensando coisas que não sou, eu mesma pensaria coisas de mim que não são verdade. E não teria sentimento. Seria apenas instinto. Algo automático. E eu não queria que acontecesse assim.

Eu realmente queria que desse certo com Oliver, ele me fazia bem. Eu me sentia curada de toda porcaria do passado quando estava com ele.

Ficar com ele já estava decidido para mim, e eu não costumava mudar de idéia facilmente.

Pego ovos e bacon os colocando na pia.

– Bom dia._ Eu grito quando Barry me assusta se materializando na minha frente saindo do nada.

– Como, como, como?_ Não conseguia formular nada nem na minha cabeça. Como diabos ele havia feito isso?

– Como o que?_ Ele me responde com outra pergunta, me olhando estranho.

– Você apareceu._ Eu disse fazendo gestos descontrolados com as mãos. Que ótimo nem minhas mãos eu consigo controlar mais. Mas o foco era no Barry, que aparentemente aparece nos lugares como mágica.

– Felicity, eu estava te chamando parado na sua frente e você estava no mundo da lua._ Ele ri da minha acusação mas não me convence. Ele estava escondendo algo.

– Você está bem?_ Pergunto observando ele fugir do meu olhar e indo até uma fruteira de mesa com algumas poucas frutas que eu ainda conseguia comer. Ele pega uma maçã brincando com ela nas mãos.

– Estou. Por que não estaria?_ Ok, aquele era o olhar “socorro me ajuda”, e no rosto do Barry ficava ainda mais alarmante. Pego a maçã das suas mãos a colocando de volta na fruteira e seguro seu rosto com as duas mãos o obrigando a olhar para mim. Ele está evitando me olhar nos olhos mesmo assim.

– Barry?_ Ele bufa rendido e me olha.- Ó Deus é sério mesmo._ Concluo quando vejo o olhar agoniado dele. Levanto um dedo pedindo um segundo à ele, vou até a porta checando se Cisco continua dormindo e volto o obrigando a sentar na mesa e me sento de frente à ele.- Vou perguntar de novo. Você está bem?_ Ele ainda tentou me convencer que estava bem com um sorriso, mas eu o conhecia bem demais para isso.

– Você acha que a Cait gosta mesmo de mim? De mim?_ A insegurança de Barry vinha em grande parte do amor não correspondido de Íris, mas eu ainda não gostava quando ele se referia a si mesmo como pouca coisa.

– Você está com dúvidas sobre o relacionamento de vocês?_ Indago curiosa e confusa, ontem eles não pareciam ter dúvidas. Nenhum dos dois. Ele me olha como se eu tivesse dito a coisa mais inacreditável de galáxia mas é rápido, e sua expressão muda para embaraço. E eu sei que ele está escondendo algo e não posso evitar ficar chateada por isso.- O que você está me escondendo Allen?_ Pergunto diretamente em seus olhos.

Eu devia saber que pressionar Barry nunca era uma boa idéia.

Ele começou a gaguejar tanto que quase me compareci e deixei pra, mas o bichinho da curiosidade era muito forte. E mesmo ele hesitando muito ele acabou me contando.

– Você está apaixonado pela Caitlin? A nossa Caitlin? A Cait?_ Minha mente entrou em curto circuito. Tudo bem que eles estavam juntos tentando um relacionamento e Cait também parecia bem empolgada com isso, mas daí a amor? Paixão? Estava muito cedo, não estava?

– Nós conhecemos outra Caitlin?_ Ele me pergunta exasperado.- É a nossa Caitlin Snow, Felicity._ Oh, ele estava irritado. Eu não me lembrava da última vez que havia visto Barry Allen irritado. Nunca comigo pelo menos.

– Está bem, desculpe. Mas é que, paixão Barry? Não está um pouco cedo pra tudo isso?_ Eu não conseguia nem processar a tal relação deles ainda, e ele me vinha com essa agora. Meu amigo estava apaixonado pela minha amiga.

Não consigo evitar a sensação de exclusão que toma conta de mim. Agora seriam os dois. Não mais nós três. Eu não devia me sentir triste por isso, por que eles estavam felizes, mas eu estava me sentindo assim e também me sentia o ser humano mais egoísta da face da Terra.

– Não existem regras, existem?_ Ele da de ombros conformado com seus sentimentos.- A questão é se ela sente o mesmo. Como você mesma disse, está muito cedo. Eu sei o que sinto mas tenho medo de assustá-la._ Ele me olha receoso e assustado e o Barry Allen fofo está de volta.

Eu sou uma péssima amiga, como posso ficar incomodada com os sentimentos do meu amigo, com medo de ser deixada de lado?

Barry está muito assustado com tudo isso. Então está na hora do meu lado lógico entrar em ação.

– Ok, preste atenção._ Digo segurando suas mãos nas minhas e sentindo como estavam geladas.- Cait não é o bicho de sete cabeças, ela é como qualquer mulher. Se você quer realmente que esse relacionamento de vocês de certo vocês tem que conversar e decidir se vale a pena ou não continuar com isso._ Ele me olha encabulado e respira fundo soltando o ar pela boca. Ele fazia isso quando estava nervoso.

– Eu não quero que termine._ Seu tom de voz é intransigente, mas seus olhos estão vulneráveis.

Meu amigo precisa da minha ajuda. Pela primeira vez vou bancar o cupido e não poderia estar mais disposta a fazer o trabalho direito. Eles mereciam.

– Certo, então não vamos deixar que termine._ Ele se surpreende com minha mudança de humor, passando do preocupado ao animado em um segundo.- Ela ainda está dormindo certo?_ Observo ele assentir ainda abismado comigo. Mas não tenho tempo de pensar na sua cara cômica, tenho que pensar em como fazer esses dois ficarem juntos.- Ela estava muito mal ontem então provavelmente não vai querer comer hoje, mas nós sabemos que o lado médico dela vai falar mãos alto e ela vai querer ingerir algo saudável._ Barry continua prestando atenção em mim sem entender nada, mas ele também faz uma careta igual a minha com a menção de comida saudável.

– Um copo de suco de laranja com cenoura?_ Barry arrisca, meu estômago reclama de novo mas desse vez não de fome.

– Parece saudável o suficiente pra mim._ Concordo com uma cara de nojo, e vou preparar o suco.

Barry continua do meu lado na cozinha enquanto termino o suco de Caitlin, mas calado, perdido em seus próprios pensamentos. E eu agradeço por isso, precisava pensar no próximo passo dessa operação.

Caitlin e Barry iriam ficar juntos e felizes, já tinha tudo calculado.



– Ela levou você pra casa dela?_ Eu não conseguia acreditar no que Cisco estavam falando. Eu preocupada com um banheiro público, e a garota leva um cara completamente desconhecido para casa.

Caitlin, que agora não parecia mais doente, e com o pouco de cor que tinha voltando ao seu rosto, também parecia horrorizada com o comportamento da garota. Já Barry estava feliz pelo amigo.

– E como você chegou aqui?_ Cait faz a próxima pergunta que estava na minha cabeça.

– Eu vim andando. Eu sabia o caminho, não era longe daqui e a manhã estava linda._ Ele não fez questão de esconder a cara de satisfeito que estava em seu rosto. E uma parte de mim estava arrependida por ontem, lamentando por não estar fazendo a mesma cara agora.

Mas eu não devia pensar nisso. Não agora, com os três na minha frente.

– Então o que vamos fazer hoje?_ Barry muda de assunto de repente, e eu agradeço mentalmente.

– O que vocês quiserem._ Dou a liberdade de escolha mas logo me arrependo quando mudo de posição no sofá e sinto meus pés doloridos ainda.

– Faço qualquer coisa que não envolva caminhar._ Cait dispara olhando para seus pés com pena deles.

– Apoiado._ Digo trocando um olhar cúmplice com ela.

– Não que eu goste de ficar casa, mas estou quebrado._ Cisco reclama das costas, mas aquele sorriso idiota não sai da sua boca. Barry também percebe isso é joga uma almofada nele. E os dois riem.

– Eis minha proposta. Maratona de House._ Eu tinha fascinação por esse seriado. Caitlin também era maluca por ele, e Cisco pareceu não se importar. Já Barry fez uma careta descontente.

– De novo? Já assistimos as sete temporadas dezenas de vezes. Graças a Deus está na última temporada._ Ele soltou aliviado, Cait e eu olhamos feio pra ele.

– The Big Bang Theory?_ Cisco arriscou. Eu não entendia nada de química. Não mais que as outras pessoas normais do planeta pelo menos. Mas era uma série muito engraçada.

– Não aguento mais ouvir Bazinga._ Foi a vez de Caitlin reclamar.- Mais um Bazinga e eu morro, juro._ Ela reafirma dramaticamente o que era novo para ela. Caitlin não era uma pessoa dramática. Mas ela também nunca havia enfiado a língua na boca do Barry até pouco tempo atrás. Então eu podia esperar qualquer coisa.

– Um seriado qualquer que ainda não tenhamos visto. Não importa o gênero._ Barry da a idéia é todos concordamos,como sempre ele resolvia nossas confusões, não importava se eram sérias ou não.

Passar o dia com meus amigos, Cisco já era um amigo, foi muito bom. Era revigorante sair da rotina, sempre a mesma coisa de trabalho e casa. E eu não havia pensado em Oliver Queen nem um minuto sequer. Ou quase.

Eu não queria ficar ansiosa ou preocupada só por que ele não tinha dado notícias, não é como se nós estivéssemos em algum tipo de relacionamento estranho que ele não me ligava e ficava esperando. Longe disso.

Então ao invés de pensar nisso, ou nele, decidi aproveitar meus amigos.

A única parte chata foi a despedida.

Mesmo eu insistindo muito eles não podiam ficar. Caitlin e Cisco tinham um trabalho na S.t.a.r. Labs que precisava de finalização e Barry tinha que voltar ao seu trabalho.

O crime não tinha hora.

– Me liguem quando chegarem. Os três._ Olho para Cisco, ele sorri assentindo.- Eu quero que vocês ficassem mais um pouco._ Reclamo abraçando Cait bem apertado.

– Também queríamos ficar mas não podemos._ Ela afirmou quando nos separamos. Eu ia dizer que é sábado e o tal de Dr. Wells era um tirano que não dava descanso a eles, mas ela me interrompeu.- Eu sei que é sábado, mas esse é o trabalho que escolhemos._ Ela da de ombros despreocupada em estar perdendo os finais de semana da sua vida que poderiam ser gastos com diversão.

Eu olho para Barry pedindo ajuda mas ele só da de ombros não querendo entrar nessa briga.

– Covarde._ Eu sussurro no seu ouvido quando nos abraçamos. Ele ri e me levanta me abraçando mais forte tirando meus pés do chão. E Caitlin tinha razão, ele estava mais forte.

– Também te amo, baixinha._ Ele sussurra de volta beijando minha bochecha e me soltando. Olho feio pra ele pelo adjetivo insultante, mas ele não liga e continua sorrindo.

– Foi legal te conhecer Felicity._ Cisco começa a dizer meio encabulado. Eu olho para o casal do lado dele, e os dois sorriem do pobre garoto. Sem ele perceber minha intenção o beijei rapidamente na bochecha. A reação dele foi hilária.

– Foi legal te conhecer também Cisco._ Digo amigavelmente, mas ele só balança a cabeça me olhando incrédulo.

– Vamos logo. Antes que fique de noite._ Barry arrastou um Cisco muito avoado até o carro os dois entraram acenando para mim Cisco meio lento, mas estava tentando.

Caitlin me olhou pela última vez e correu para mais um abraço. Depois de fazer ela prometer que daria uma chance ao Barry a deixei ir para o carro.

Fiquei observando o carro descer a rua em direção a estrada que levaria a Central City, até desaparecer da minha visão.

'Voltando a rotina'. Penso desanimada e volto para dentro de casa.

A primeira coisa que reparo quando entro era escuridão da casa. Não que estivesse um breu total e não desse pra enxergar nada, mas já estava anoitecendo e eu havia deixado a luz acesa e agora ela estava apagada.

– Será que queimou?_ Pergunto a mim mesma me referindo a luz. Tateio a parede procurando pelo interruptor que deveria a estar ali.

– Não acenda._ Uma voz estranha disse do meio da escuridão. E eu travei no lugar, não consegui sequer gritar. Tinha alguém aqui na minha casa.

Procuro pelo cômodo que estava parcialmente escuro agora tentando achar o dono da voz, e o encontro. E inacreditavelmente meu medo se evapora, deixando confusão e surpresa no lugar.

Do outro lado da sala entre da minha estante de livros e o corredor que levava para os quartos, onde ele provavelmente estava escondido esperando meus amigos irem embora para sair do seu esconderijo estava o Arqueiro.

Notas finais
Até amanhã! Beijo