Pure Blood
13 1º surpresa
Notas iniciais
Depois daquela noite, passaram-se 1 mês e duas semanas. Eles tinham me levado de volta para a mansão. No dia, não consegui fazer nada a Sasuke. Até hoje não conseguia. Tinha decidido me isolar dentro desse cubículo.
Com as descargas frequentes de raiva, quase já não existia mobília no meu quarto. A cama destruí, junto com o guarda-roupa e o restante das janelas. A televisão arremessei no banheiro, quebrando a pia feita por pedras brancas e o sanitário quadrado de porcelana. A banheira jacuzzi quebrei com os restos da pia.
Tirando ainda as sete vezes que eu tentara me matar e outras catorze tentando fugir. Se vocês acham que atravessar a cabeça de um vampiro com um pedaço de espelho é fácil, acredite, não é. Principalmente quando esse diabo é o Madara Uchiha.
Claro, eu não sai ilesa das minhas loucuras. Quase entrei em um coma profundo (nos dois sentidos), me trancafiaram no sótão durante três dias, sem comer, sem beber, sem banho e sem direito a nenhum tipo de necessidade básica.
Fui impedida de ver qualquer outro ser que não fosse um Uchiha. E, a cada duas horas, obrigavam-me a dar-lhes o meu sangue.
Sobre Sasuke: sem comentários. Literalmente. Depois daquele dia, quase não o via. Talvez o brinquedo aqui não o satisfazia tanto como antes. Sim, sim...
Sorri para mim mesma.
Talvez tudo isso não seja o pior. Talvez a pior parte seja aquela que você está apaixonada pelo seu torturador.
Nesse momento, estava deitada embaixo da janela quebrada. Podia sair a qualquer segundo daquela quarto, mas raciocinem, você não quer sair pra dar de cara com um monte de gente que só quer sua desgraça.
Olhei para o teto. O teto era todo esculpido no gesso, com figuras de anjos, humanos e demônios. E todos lindos. Sinceramente, se eu sair dessa viva, nunca mais quero saber de um homem bonito perto de mim. Saio dos meus pensamentos e percebo algo.
Gritos. Gritos animados acompanhados por músicas agitadas. Ultimamente eles faziam festas com mais frequência. De vez em quando, alguns idiotas entravam no meu quarto pra fazerem safadezas, achando que estaria desocupado.
Sorria ironicamente para estes, e em uma vez particular, cinco pessoas entraram aqui, nuas e meladas de sangue. Me olharam interrogativamente e eu lhes perguntei se poderia participar da festa. Claro que um dos Uchihas(menos Sasuke) veio acabar com minha distração, alegando que eu perdia o juízo. Eu apertei os olhos pra eles, com a minha língua ameaçando formar a frase "você tá de sacanagem comigo", mas ele afirmaria sem pudor. Então só dei de ombros e voltei a me isolar no quarto.
Certas vezes me pegava pensando na minha vida antes do primeiro diabo da minha vida me vender. Ah, cara... Nunca pensei que falaria isso mas sentia a falta deles. Revirei os olhos. Quanto tempo se passara desde que eu tinha chegado aqui? Aqui nunca parecia ter fim as noites, nunca via o sol nascer exceto o dia que fugi. Dentro daquela mansão só ouvia o trovejar dos relâmpagos, o som da chuva cair, o cheiro da terra molhada. Mas o sol, os pássaros... nunca os senti.
_Toc toc, posso entrar?
_Iria adiantar eu dizer não? — Perguntei ironicamente.
_Claro que não! — Ele escancarou a porta.
Eu estava feliz no meu canto, sem me intrometer na vida de ninguém, mas eles insistem em ainda me esmagar e ...
Fui fortemente puxada pelo ombro e vi um rosto que quase esquecera. Arregalei os olhos.
_G-Gaara?!
Ele sorriu.
_Olha só, se não é a garota que me chamou de tudo menos de humano...
Olhei ao meu redor, perguntando-me quanto tempo teria ele para fugir, antes que um deles o matasse.
_Saia daqui! Está maluco? Não sabe onde- Não consegui falar mais, um vômito saiu turbulento do meu estômago, recheado de sangue. Ele fora rápido, esquivando-se. Ultimante toda hora acontecia por causa da minha fraqueza, tontura e indisposição. Além de outras coisas que esses malditos faziam comigo. — Saia logo daqui!
_Eca, garota! Cuidado em quem despeja esse veneno! — Falou com sarcasmo.
Encarei-o.
_Não, pode ficar. Acho que alguns vão dar glória por sua morte... Você é um saco! — Falei emburrada.
_Olha aí, a menina chata daquele dia que me derrubou no chão!
_Correção: você me derrubou no chão! Quer saber? Vaza daqui, garoto! Como se não bastasse aturar aqueles diabos, tenho que te aturar ainda? Dê paciência viu?
Ele fez uma careta.
_Você não devia falar assim com o seu salvador.
Um... dois... três...
Encarei ele. Pra minha surpresa ele permanecia vivo! Tipo, geralmente só durava no máximo cinco minutos de vida as pessoas que entravam no meu quarto. Em vez disso falei:
_O que quer dizer com isso?
_Quero dizer que vim te salvar, o que mais significaria?
_Que espécie de brincadeirinha de mau gosto esses cu de rapariga tão fazendo agora?
Ele assustou-se.
_Nossa, palavreado de alta classe esse o seu.
Eu o encarei.
_Foda-se. E aí, vai e explicar que porra eles tão tramando pra me acabar? Ah, pode perguntar por Sasuke se posso morrer já? Porque já tô cansada!
Ele parecia horrorizado.
_Não sei se isso é um humor ou um drama? É pra rir ou pra chorar?
_Tanto faz!
Então Surgiram na nossa frente, do nada como sempre, Itachi e Madara.
_Olha aí! Viu? O que querem?
Gaara empurrou-me para trás dele, assumindo uma posição de batalha. Pera aí, ele é burro ou o que? Parabéns, Gaara,vá lá se matar com dois demônios! Morra feliz, ok?
Mas, para minha surpresa Itachi e Madara demonstravam algo: raiva e ódio. Com uma rápida ação de mãos, Gaara segurava uma faca, mas era A faca! Sua lâmina refletia um brilho vermelho, seu punhal deformava-se em fumaça. A lâmina era feita por rubi, com um brilho esverdeado. O engraçado é que ela exalava um poder, como uma aura assassina.
_Sakura, fique perto de mim! — Gritou com urgência Gaara, Itachi e Madara mostrava as presas e garras, como um gato prestes a matar um rato incômodo.
_Ela é nossa! — sibilou Madara, os olhos tornando-se vermelhos, sua pele mudando em camadas brilhantes.
Itachi começara a mudança também, possuindo grandes asas feitas por fumaça, que contemplava seu corpo até o chão, sua pele tornando-se negra, com caminhos brilhantes vermelhos a percorrendo.
Era de dar medo, mas ao mesmo tempo, almejar tal beleza daquelas criaturas. Madara por si só seria bem mais resumido como uma grande mina de minerais preciosos, enquanto o Itachi mais parecia uma neblina espeça negra, com estrelas cadentes vermelhas percorrendo-lhe, como lágrimas de sangue.
Pro meu maior horror, Gaara também mudava. Mas era diferente das dos Uchihas, a aparência de Gaara quase era impiedosa, onipotente. Como se fosse o próprio anjo apresentando-se na Terra. Seus olhos tornaram-se dourados, juntamente com dois pares de asas douradas em suas costas. Sua pele maneava um brilho intenso como se fosse feita pelos raios solares.
A faca de antes tornou-se uma lâmina de vidro negro rústico e deformado, com fibras entrelaçadas neles de cores brancas. Com um tamanho de um metro e meio.
Pisquei atônita.
Será se a Hinata esquecera de mencionar alguma coisa? E por que diabos sempre estou perto dessas grandes batalhas?!
Gritei quando uma chama negra fora lançada ao meu encontro. Pulei para o lado, graças, porque onde ela tocou quebrava-se como um vazo de vidro arremessado contra a parede. Arregalei os olhos e me surpreendi com a visão: vários seres lutavam do lado de fora.
Questionei minha mente, quando me peguei procurando por Sasuke e assustei-me com um alívio que tomou o meu corpo quando não o vi na batalha.
_Pule. — Falou Gaara, em perfeita calma. Como se estivesse encarando dois gatinhos filhotes no lugar de duas bestas inimagináveis.
_Pular? Tipo, de novo? Não que eu não tenha tentado antes, mas- antes que eu terminasse, ele me chutou no meu quarto para baixo. — Ótimo, sai de uma guerra pra parar em outra! Valeu Gaara!
Então vi Gaara gritar.
_É ela, pegue-a e esconda-a!
Ele tava falando de mim? Olho pra frente, pensando em correr quando vejo um gigante vermelho, com olhos brancos e cabelo exageradamente brilhoso (poderia dizer até oleoso, mas eu acho que era por causa do excesso de brilho) na minha frente. Sem comentar as baratas que tinha na testa, né? Mas acho que eram sobrancelhas...
_Suba! — Brandou.
_Como? — Por que todo mundo era maior que eu? — Hello! Sou pequena!
Perguntei-me se ele era realmente forte, porque, ao contrário dos outros, este mais parecia um homem gigante vermelho com enormes sobrancelhas e um cabelo lambido por uma vaca.
Como resposta para minha pergunta silenciosa, dois vampiros na forma original deles, avançaram pra cima do gigante. E este só emendou um chute na cara dos dois, quase os transformando em um único vampiro de tão forte que foi, então voaram para o lado oposto do nosso.
Pasma aqui galera. Então ele desceu uma mão, e eu subi (sim, eu cube na mão dele!), depois colocou-me no seu ombro.
_Segure-se forte!
Arregalei os olhos.
_C-como?! N-não tenho onde segurar! — E antes que ele me desse uma resposta, ele correu. E quando eu digo correr, é correr mesmo! Tipo o papaleguas, sabe? Se não sabem procurem no Google. E eu quase voo pra loooonge, mas por sorte (ou por azar) me segurei naquele cabelo sedoso! Uii... — Droga.
Passamos algum tempo correndo, mas com certeza já tínhamos papado algumas léguas! LOL! Piadinha sem graça, deixa em off, ok? E do nada, como sempre, surgi o demônio maior: Uchiha Sasuke.
Que parou o cabeludinho com uma mão. Tipo, uma mão! O vermelhão, caiu (e eu junto com ele). Enquanto Sasuke pulou lentamente no chão, como se tivesse dado um passo pra desviar de uma poça de água no meio do caminho, não uma altura de sete ou oito metros, não não.
_Sakura, por que insiste em tentar fugir? — Falou sem nenhuma emoção, mas senti uma fagulha nos seus olhos, só não reconhecia o que significava.
Dei os ombros, sentindo dores por todo o meu corpo.
_Talvez você não tenha me destruído completamente.
Ele pareceu surpreso e sorriu e, imediatamente, descobri a origem dos brilho: diversão.
Sasuke começou a andar devagar em minha direção.
_Então, diga-me Sakura. O que eu esqueci de arrancar de você? — Ele pronunciou aquelas palavras devagar, saboreando o poder que elas tinham sobre mim. Estremeci.
_Digo, com grande prazer Uchiha. — Levantei-me, esgueirando-se pela árvore. — Digo-te que você não arrancou o meu amor próprio!
Ele assustou-se, levemente entretido.
_E digo mais: você não destruiu minha esperança, a minha força ou o meu amor. — Agora ele definitivamente assustou-se, e eu sorri. — Sim, Sasuke Uchiha, o meu amor por você não acabou assim como o seu por mim também não!
Ele arregalou os olhos e começou a gargalhar. Seus risos eram impiedosos e extremamente sarcásticos. Duros e vazios.
_Sakura, você realmente é um brinquedo interessante... Depois de tudo aquilo ainda tem esperanças? — Falou, em um suspiro, examinando-me com olhos atentos. Sorri vencedora.
_Esperança? Ha... Eu digo que você é mais um daqueles garotinhos, que são donos dos brinquedos mais sabe que nunca nenhum deles vai agradar-lhe. Mas no fim, ganhou um cachorrinho. — Ele me encarou, interrogativo.- Acho que seria apenas um outro brinquedo que poderia jogar fora no momento que quisesse, mas para sua desgraça, você gosta dele! E ele não gostava de você! E, querido Uchiha, com uma raiva imaginável assumo que talvez eu seja sua cachorrinha, mas nunca, repito, nunca deixarei você mandar em mim! Você nunca será o meu dono que valorizarei! Você nunca me terá porque quer, eu sempre vou mandar em você, porque você é um simples coitado que não sabe amar e não sabe ser amado! Sasuke, você é apenas algo, pior que os próprios demônios, porque você é apenas um pau-mandado! Você é o resto do resto! Mas, para a sua infelicidade, você não mandará em mim, Uchiha!
Ele encarou-me e sorriu, começando a bater palmas vagarosamente.
_Bravo discurso, Sakura. Mas no fim eu não entendi onde você quer chegar com ele!
Eu sorri.
_Eu resumo, seu imbecil: eu nunca serei sua de corpo e alma. E você nunca poderá amar, porque você nem sabe o que essa palavra significa.
O sorriso desaparecera do seu rosto. Sua boca transformara-se em uma linha reta e rígida. Suas sobrancelhas unindo-se e os olhos afiados e perigosos, da cor de sangue.
_Você não é nada, Sakura.
Sorri.
_Prove!- abri os braços — Mate-me.
Fale com o autor