Pumpkin Jack

24 Capítulo 24: O Quarto 304


Notas iniciais
A busca por Porta continua. O que será que há dentro daquele quarto?

Os três se dirigiram até o quarto 303, que Chris havia mencionado. O de número 304 estava trancado, como antes. Entraram no 303 e procuraram qualquer coisa que pudesse ajudar. Mesmo que o quarto ainda parecesse um estômago, fora organizado e mobiliado como um quarto normal. Havia uma mesa com duas gavetas, uma cama e um armário de duas portas.

Mas tudo avermelhado e embutido na estrutura do quarto, como se tudo fosse uma só coisa. Tanto a mesa, quanto o armário e a cama pareciam ser saliências provenientes do chão. Jack vasculhou as gavetas, enquanto Morte se encarregou do armário. Chris ficou olhando pelo buraco na parede.

Morte encontrou uma luminária no armário e colocou sobre a mesa. Ligou, para ajudar na busca, mas não ajudou muito, já que era uma lâmpada de luz negra... Jack achou uma folha em branco em uma das gavetas. Mas ao levantar a folha, a luz negra revelou uma série de traços aparentemente aleatórios. Chris e Morte se aproximaram, para analisar a nova pista.

Alguns dos traços que apareceram no meio da folha se assemelhavam a letras, mas não pareciam fazer sentido. Na verdade, apenas pareciam letras, mas ainda estavam mais para rabiscos. E estavam meio apagados, como se fossem escrituras de muito tempo. Conseguiram identificar quatro letras, com muito esforço. M, R, E e T. Poderia ser um anagrama. Mret... Não. Metr? Term? Em algumas das palavras, a letra “O” ajudaria a fazer sentido. Não havia nenhum “O” aparente naquela folha. Mas os rabiscos formavam um círculo...

Tentaram mais algumas combinações, mas nada parecia fazer sentido. O que conseguiram foi, com a ajuda do “O”, Metro e Termo. Pensaram em usar o “O” como letra fixa para ajudar. Remot... Moter? Mo... Morte.

As letras formavam a palavra MORTE. Era uma carta para ela... Ou falando dela. Ou nenhum dos dois, eles poderiam estar interpretando errado... Tentaram interpretar os rabiscos. Rabiscos, Linhas, Riscos... Será que era isso? Jack pensou em uma possibilidade, meio abstrata e repentina, mas ainda assim, uma possibilidade:

– Meninas! Será que isso significa “Risco de Morte”!? – Jack pensou no quão ridículo aquilo soava... Talvez estivesse pensando demais.

– O que? – Chris se manifestou – Você não acha que está pensando demais?

Morte abriu a boca para falar algo, mas um barulho muito sutil a interrompeu. Ela levou um dos dedos esqueléticos a boca e pediu silêncio. O barulho vinha do buraco na parede. Os três foram, silenciosos, até a parede. Jack pôs a cavidade ocular esculpida na abóbora pelo buraco.

Não conseguiu ver muita coisa... Apenas uma cama, um armário e uma mesa de escritório, como na sala onde estavam. Mas... Uma coisa chamou a atenção: A sala vista pelo buraco... Não havia sido transformada de volta para o estilo do submundo... Era uma sala normal. Jack sentiu que algo se escorava na parede. Algo ou alguém.

– Meninas! – Jack sussurrou.

– Viu alguma coisa?! – Chris gritou.

– Shhhhh!!! – Jack pediu.

Quem estava escorada se moveu, fazendo barulho do outro lado da parede. Jack olhou de novo, a tempo de ver um pé.

– Sabia, tem alguém lá!!!

– Rápido, vamos! Precisamos entrar nessa sala! – Disse Chris, confiante.

– Para trás – Morte falou, com uma voz extremamente fria – quero testar uma coisa. Chris, feche a porta! – Dito e feito.

Morte ergueu os braços e, pronunciando palavras em latim, que, a princípio, não pareciam significar nada, concluiu o teste que mencionara:

–“Et muros ejus, mors, et audivi vocem tuam Putrescere” – Chris e Jack não entenderam nada, de início, mas logo depois que a magia teve efeito, ficou claro o que havia sido dito.

A parede simplesmente sumiu, como se estivesse sendo corroída. O quarto onde estavam, até a porta, que estava fechada, foi se modificando, voltando a ser uma sala normal, com uma onda que atravessava o quarto, de um lado a outro.

Além do que Jack já havia visto pelo buraco na parede, havia uma cadeira com rodas, uma geladeira, uma televisão, um computador e um videogame. A pessoa que ficava no quarto, de costas para os três, levou as mãos à cabeça.

– Não achei que ninguém me descobriria tão fácil assim... – Falou, rindo.

– Vire-se e mostre seu rosto! – Disse Jack, impaciente – Sei que fez alguma coisa a Porta!

– Não, meu caro – Disse o homem, sem se virar – Exatamente ao contrário. Eu que dei os poderes a ela.

– Então quer dizer que... – Morte falou, com um tom de medo.

– Sim. Assim como fiz com os seus poderes, Morte.

Jack sentiu um frio na espinha. Nunca havia visto nenhuma demonstração de medo vinda de Morte, sempre achou que os outros que tinham medo dela... Resolveu falar, tentar entender porque Morte estava assustada.

– Vire-se! Agora!

– Tá bom, tá bom... – Disse ele, virando-se vagarosamente.

Morte, imediatamente, caiu para trás, no chão. Jack e Chris se aproximaram dela, preocupados. O que poderia ser esse homem que abala até a Morte? Que ser será ele? Algo muito poderoso, aparentemente. Poderoso e Pior do que Morte.

– Ele é... – Morte tentou – D... – Foi interrompida pelo próprio homem misterioso.

– Muito prazer, Jack, sou chamado, por muitos, de Deus.

Notas finais
Deus?!?!