Pumpkin Jack
25 Capítulo 25: Deus
Notas iniciais
Jack não acreditou no começo, mas depois de um tempo, as coisas começaram a fazer sentido. Ele deu os poderes a Morte e a Porta. Ele consegue manter o feitiço na sala dele. Morte tem medo dele... Como ele pensava, ele era muito pior do que a Morte.
– Deus? – Chris perguntou, duvidosa – O que Deus estaria fazendo no submundo?
– Bem, tecnicamente, não estou no submundo... Minha sala ainda está no plano terrestre, certo?
Chris coçou a cabeça.
– Então, por que você não mantém o prédio inteiro no plano terrestre? Porque precisa da Porta?
– Bom, a situação é bem simples, na verdade... Não posso interagir com o submundo. Quando faço, acontece o que você acabou de ver. Tudo se transforma para se assemelhar ao plano terrestre. Não tenho como mantes esse “Feitiço”, como você chamou, sozinho. Porta é um intermédio entre mim e o submundo. Por isso, as criaturas desse edifício precisam dela.
– Mas você não é Deus? – Disse Jack, aflito – Não pode fazer o que quiser?
– Não.
–Mas...
– Meu filho, como Morte já lhe disse, não deves acreditar em tudo o que lhe é dito. Dizem que sou onisciente. Bem perto disso... Mas, quando dizem que posso fazer o que quiser, quando bem entender, posso, com todas as minhas forças, discordar.
– Estou perdido...
– É o seguinte, como eu sei que Morte já lhe explicou sobre o Limbo e o andar de baixo, vou te dizer algumas coisas sobre mim.
– Mas Deus... – Morte falou, nervosa.
– Acalme-se, querida. Com ele não há problemas. Você já contou tanta coisa... Enfim, onde estávamos? Ah, sim. Eu sou Deus. Acho que já deixei isso bem claro. Mas, em relação a não poder manter o feitiço e não poder fazer as coisas como eu bem entender estão ligadas ao passado. Sou um Deus novo, não tenho nem dez mil anos como Deus... – Ligou a televisão e o videogame e começou a jogar.
– O que quer dizer com Deus novo?
– Quero dizer que ser Deus, assim como Morte, é um título.
Jack se frustrou. Deus morreu no game. Trocou de jogo.
– Ah, então quer dizer que tudo agora é questão de título?!
– Basicamente isso – Jack travou – Já houve alguns Deuses, governando o nosso universo, mas cada um a seu tempo. Eu sou o... Ahm... Sexto...? Acho que é isso – A expressão de Jack indicava confusão. Chris estava prestando mais atenção no videogame – Os que vieram antes de mim impuseram regras, sabe? Não posso transgredi-las. Posso criar novas, mas não posso quebrar as já existentes.
– E desde quando regras impedem Deus de fazer alguma coisa?! – Jack se irritou de novo.
– Desde que tenham sido criadas por outro Deus... Enfim, a menininha que veio antes de mim, se não me engano, formulou uma regra que impedia os próximos Deuses de pisar no submundo. Ela teve alguns problemas... Tirou licença maternidade a se trancou em casa... Virou uma antissocial. E os seres do submundo não poderiam ascender, a menos que provassem seu valor. Falo sobre reencarnação mesmo. E para ter certeza de que isso não aconteceria, ainda disse que, se um Deus pisasse no Submundo, todo ele seria convertido ao Mundo Terrestre, entrando em conflito com o que já existia e causando um colapso universal – Morreu no jogo mais uma vez. Reiniciou e apoiou os pés sobre a mesa.
Quando Chris ouviu essas palavras, nervosa, largou Morte imediatamente, deixando-a tombar no chão. Tentava ajudar a Transportadora a se levantar, mas não foi bem sucedida. Morte olhou para ela e praguejou.
– Ei! – Gritou Deus para Morte, pausando o videogame – Vai mesmo praguejar na minha frente?!
– Me d-desculpa, senhor... – Morte se desculpou, com dificuldade.
– Nah, estou brincando – Deus assumiu, com um sorriso idiota no rosto. E voltou a jogar.
“Que tipo de Deus é esse? Parece apenas um idiota...”, Jack pensou. Sua cabeça doeu.
– Ei! Eu ouvi isso! – Virou-se para Jack, fitando-o, enquanto atirava desgovernado para todos os lados no jogo.
Jack se assustou. “Droga...”
– Não importa... O que eu queria dizer é que vocês precisam encontrar Porta.
– Então por que você não diz onde podemos encontrá-la? – Disse Chris, que desistiu de olhar o jogo.
– Você não ouviu nada do que eu disse?! – Deus gritou. Pausou o jogo novamente – Que seja... Não posso dizer, ela ainda está no submundo. Ah, a propósito, vocês não podem sair desse quarto pela porta... Senão vou estar pisando oficialmente no submundo... – E então voltou a jogar seu videogame.
Jack estava perplexo. Além de ser o oposto do que Jack pensava, Deus também, era um babaca preguiçoso... Sua cabeça doeu novamente. Começou a pensar que poderia ser algo sério.
– Não sou babaca, como você está pensando. Apenas tenho minhas limitações... E, bom, sou um pouco preguiçoso sim... – Com um gesto, a porta da geladeira se abriu e um pedaço de pizza foi voando para a boca dele, ainda desleixado na cadeira e com os pés na mesa – Viu?
“Ele admitiu...”, Jack pensou, com a expressão facial indescritível, conhecida como cara de bolacha.
– O que vocês precisam descobrir é como sair daqui.
– Já sei... – Jack falou, seguido de um suspiro – Você não pode nos dizer como...
– Na verdade, essa eu posso –Passou de fase. Comemorou roubando outro pedaço de pizza da geladeira.
– Então, como faremos?
– Eu disse que posso dizer, não disse que vou – Gargalhou derrubando o controle no chão – Droga! Ops...
“Maldito!!!”, foi o que se passou na cabeça de Jack, seguida por uma dor insuportável.
– Hahaha esqueci de avisar. Não pode nem pensar mal de mim – Deus deu uma risada sádica e completou – Quer saber... Vocês estão me entediando. Vão embora.
– Ah, claro, energúmeno! – Jack falou, sarcástico. Não se importava mais com a dor – Ainda não sabemos como sair daq... – Foi interrompido por Deus.
– AAAAAAAAAAAAH! Chega! Seu irritante, não quero mais você aqui! Fora! – E Jack, num piscar de olhos, sumiu – E você também! – Deus fez o mesmo com Chris.
– Então... – Morte começou – Acho que já vou indo...
– Não, você fica aqui, quero dizer uma coisa... Morte... Pelo amor do grandioso EU, não diga a ele tudo o que você sabe!
– Ué... Você não disse que não fazia mal?
– Apenas algumas coisas podem ser reveladas, mas temos que fazê-lo achar que poderá saber de tudo. Ele pode nos salvar e ajudar a resolver os problemas que tanto nos vêm atormentando por todos esses anos! Ou ele pode simplesmente piorar tudo...
– Tudo bem... Não vou contar.
– Bom, agora vá. E não conte mais nada sobre mim para ele! Tchau, até depois.
– Tchau... Até depois, Pai... – Foi o que deu tempo de Morte dizer, antes de se esvair em uma nuvem de fumaça negra.
– Nossa... Como aquele cara é irritante... – Disse Deus, sobre Jack – Hahaha gostei dele.
Abriu a geladeira e pegou uma lata de refrigerante. Foi pegar mais um pedaço de pizza mas não havia mais nada. Somente um bilhete, na letra de Morte:
“Pai,
Isso é pelo que você fez ao Jack. Acho que gosto dele... Sei que eu não poderia, mas... Acho que não devo contar para ele. Espera só até eu dizer que quero que ele seja genro de Deus hahaha.
Beijos e Abraços, da sua Filha, Morte.”
Uma lágrima solitária brotou no rosto de Deus e ele fez uma cara que dava uma sensação de vazio, de frustração. Jogou a carta no chão e disse, aliviando a frustração:
– Ah, não! Minha Pizza!!!
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