Pumpkin Jack

23 Capítulo 23: Transportadoras


Notas iniciais
Porta sumiu, Chris está regulada, Anna... Não, Anna se foi... Morte e Porta são irmãs?! Verdade ou Mentira de Morte?

– É impossível! – Disse Chris, surpresa – A Morte não tem família! É um ser nascido do medo da inexistência!

– Não é bem assim... – Morte tentou se explicar – Veja bem: Eu sou a Morte.

Chris acenou com a cabeça. Estava decidida a prestar atenção sem interromper, mas não sabia se conseguiria se conter.

– Não fui criada do medo de ninguém além do meu. Todos os seres que aqui vivem, vindos do plano dos humanos são manifestações físicas dos medos dessa pessoa. Aracnófagos, Fantasmas, Sombrantes, todos... São apenas alguns seres desse mundo que não são manifestações diretas de um medo. Como o seu amigo Jack. A maior parte dos Jacks que vem parar aqui, curiosamente acabam virando essas criaturas que você vê ao seu lado. Nunca soube ao certo o porquê... E a aparência física pode ser mudada.

Chris descruzou os braços, mostrando interesse. Morte sorriu. Havia conquistado a credibilidade de Chris. Decidiu parar por ali, mas Chris pediu por mais.

– Bem, continuando, esses seres especiais são, ou criados por seres normais ou nomeados e transformados para realizar alguma função ou modificados em relação ao que já fazem. Eu fui nomeada, assim como minha irmã. É a primeira vez que os dois seres conhecidos como “Transportadores” são parentes. Porta transporta do mundo dos vivos para o limbo e vice-versa e eu transporto do limbo para o andar de cima ou o de baixo. Eu sou a Transportadora Primária e ela, a Secundária. O homem que exercia o trabalho de Morte antes de mim, desistiu do cargo. Disse que era muito monótono e sem graça. Estou começando a concordar...

Chris sorriu e tentou virar a situação

– Ah, não se sinta assim... Não deve ser tão ruim... – Sem sucesso.

– Pode acreditar, é tão ruim quanto parece – A Morte atual era um ser depressivo e emotivo. Mas tinha seus momentos felizes. Poucos mas tinha.

Jack acenou para as duas, para que acelerassem a conversa, pois Porta ainda estava sumida.

– Enfim, a Morte não é um ser – Morte disse – mas sim um título. E a famosa foice da Morte, por muitos considerada o símbolo da morte, só é assim visto por culpa do preguiçoso do anterior. Ele tinha preguiça até de fazer uma pequena forcinha para perfurar o corpo ou alma do morto. A foice era para minimizar o esforço, mas, se ele não fizesse direito, todos os seres seriam divididos em dois... Ele está nesse cargo há mais tempo do que pode imaginar, por isso que todos me ligam à foice. Eu uso uma machete pois ela tem um poder de corte alto e pode perfurar praticamente qualquer coisa. É claro que isso requer um bocado de força... E isso encerra a explicação.

Jack chamou as duas e pediu para que examinassem a porta da sala de Porta. Não havia nada que indicasse arrombamento.

– Vamos dar início às investigações! – Jack falou – Morte, procure por mais pistas na sala.

Morte se dirigiu ao outro lado da sala, enquanto Chris saiu, nervosa. Foi explorar o lugar. O que eram salas normais de um prédio na sua primeira visita, agora eram câmaras vermelhas, como se estivesse em um estomago. Tudo estava mais parecido com o limbo.

Chris se sentiu enjoada. Não havia ido ao submundo com suas emoções reguladas. Ela saiu do prédio e olhou para trás, aliviada. Mas quando olhou em volta, viu que estava no limbo. Desabou, ficando de joelhos, com lágrimas nervosas nos olhos.

Morte estava olhando no canto escuro, enquanto Jack pensava do lado de fora da sala. Nenhum dos dois encontrou nada. O que concluíram, depois de muito olhar a porta, é que fora aberta por dentro, pela própria Porta.

– Isso não faz sentido... – Jack disse – Por que Porta faria isso? Destruiria tudo o que passou anos criando?

– Acalme-se Jack – Morte tentou – Vamos continuar com nossas investigações! Com o tempo vamos descobrir mais coisas, não tire conclusões precipitadas. Agora temos que entender porque Porta abriu a porta por dentro.

Chris se recompôs, limpando a poeira dos joelhos. Olhou para o prédio avermelhado e entrou. Aproveitou para olhar nas câmaras, para ver se encontrava alguma coisa. Em todas as salas, os loucos estavam encolhidos, num canto, tremendo, desesperados. Menos o aracnófago que havia morrido antes de chegar no quarto.

Mas dois quartos chamaram sua atenção. O primeiro, estava trancado. O segundo, à direita, vazio. Na parede à esquerda, havia um buraco, como se fosse um ponto para espiar o quarto ao lado. Chris foi até ele e, olhou lá dentro. Não viu nada, mas sabia que havia algo escondido ali. Correu para avisar os outros dois.

Enquanto isso, Jack ruminava em frente a sala de porta e Morte olhava em todos os lugares.

– Não vai me ajudar não?! – Morte gritou para Jack.

– Eu estou tentando – Ele respondeu –, mas penso melhor quando me concentro!

Morte praguejou. Jack olhou para trás e sorriu. “Me desculpe” fez, em mímica, com a boca da abóbora, depois virou-se e voltou a ruminar. Morte riu e se aproximou de Jack. Pôs a mão em seus ombros e disse:

– Acho que você foi a melhor pessoa com que me relacionei.

Jack sorriu e abraçou Morte. Foram separados pelas mãos de Chris, que, ao ver a cena, apertou o passo. Chris os contou sobre as salas que havia achado.

– Então vamos lá ver! – Disse Jack, mais confiante. Em seguida, foi andando até o lugar que Chris havia dito.

Morte e Chris ficaram mais atrás. Chris olhou para Morte com um olhar ameaçador. Morte se segurou para não rir. Depois de um tempo observando Morte, Chris sussurrou:

– Ele é meu! – Para que Jack não ouvisse. O que não foi muito eficiente, pois ele olhou para trás e riu, assim que ela disse.

– Relaxe – Morte falou, completamente segura – Não tenho permissão para me envolver emocionalmente com nenhum outro ser de nenhum plano, salvo minha irmã, pela qual eu achei uma brecha no contrato – Morte riu de sua própria piada – Mas devo dizer que isso está sendo bem difícil com seu namorado.

Nesse momento, Jack parou. Fez como se fosse dizer algo. Mas logo depois voltou a andar, desistindo do que ia fazer. Chris corou.

– Ele não é meu namorado!!! – Ela disse, mais vermelha que um tomate.

Morte riu. Ela realmente estava se envolvendo com esses dois. Jack se virou e andou até elas, que estavam paradas mais atrás. Uma rindo e outra emburrada, de braços cruzados.

– Vamos? – Jack falou, chamando-as — Temos uma “Transportadora” para salvar!

Notas finais
Hum... Foice ou Machete? Depressivo ou Preguiçoso? Parece que quem obtiver o título de Morte está fadado a instabilidade moral...