Provocativo
22 Seu
Notas iniciais
Levi
Estava em um sono tão pesado que nem a claridade da manhã ofuscando minha vista perturbou. O que me acordou desta vez foi sentir uma mão acertar meu rosto. Ao abrir os olhos e virar para o lado, pude ver o garoto dormindo profundamente, como toda manhã. Seu braço largado, agora sobre meu travesseiro.
No começo, muitas vezes que dormíamos juntos, acordávamos ainda abraçados. Mas nesses dias, se dormíamos de um jeito, no dia seguinte acordávamos em posições totalmente diferentes, cada um em seu canto. Eren é do tipo espaçoso, chega até a perder a noção. Ele se espalha inteiro na cama. Às vezes até me empurra pra fora do colchão. Outras, sobe em cima de mim. Mas... eu não ligava. Gosto bastante de tê-lo assim por perto. Ele parecia bem mais à vontade comigo agora. E me divertia com suas graças.
Inconscientemente dei um beijo em sua mão, já que ela estava tão perto de meus lábios. Eren pareceu nem ter sentido.
Sentei-me na cama, prestando atenção que o garoto estava totalmente descoberto e boa parte da coberta no chão. Aquilo causou um leve tique em meu olho esquerdo. Rapidamente recolhi o tecido, verificando se havia sujado. Aparentemente continuava limpo. Isso, obviamente por conta de eu manter meu quarto impecavelmente higienizado. Ênfase no chão, que é sempre a primeira coisa a sujar num cômodo.
Levantei-me da cama e cobri o garoto novamente, e desta vez fiz com mais delicadeza. Olhei o relógio marcando nove e trinta e cinco da manhã. Fui até a janela e abri-a, deixando toda a claridade adentrar o quarto. Eren, neste momento se mexeu, virando de bruços e escondendo o rosto no travesseiro.
Resolvi deixá-lo dormir mais um tempinho, afinal ele deve estar cansado da sua primeira missão, agora como soldado oficial da Tropa de Exploração.
Lavei o rosto, com bastante sabão, escovei os dentes, penteei os cabelos e me vesti apropriadamente. Coloquei uma blusa, calça e botas apenas. Não havia necessidade de colocar o uniforme, afinal. Nem mesmo meu cravat dei ao trabalho de pôr.
Prontamente vestido, deixei o quarto não dando importância de fazer barulho, já que Eren tem o sono pesado. Descendo todo o castelo, passando pelo refeitório e chegando à cozinha, sozinho, eu mesmo me pus a preparar o café. Peguei os grãos do grande saco da despensa e fui moendo-os manualmente. Tal como Petra fazia...
Fervida a água, coado no pó, e adoçado levemente logo o experimentei. Segurando a xícara na minha forma costumeira, pelas bordas. O gosto estava bom, mas não era tão bom quanto o café que Petra fazia. Não sei qual o sentido disso. Era apenas moer, colocar no filtro e jogar água quente... Por que o dela ficava com o gosto melhor?
– Bom dia, Levi! – A quatro-olhos surgiu na cozinha, surpreendendo-me. Eu, na minha expressão indiferente, apenas a olhei de canto e logo voltei minha atenção no café. Ela bem sabia que esta era minha forma de expressar “bom dia”, mas que não estava muito no pique de falar. – Dormiu bem? Como está sua perna?
– Está um pouco melhor hoje... Obrigado.
– Hum, você preparou um cafézinho aí? Huhu, vamos ver se ficou bom! – Hanji logo sentou-se à mesa, falava no seu humor costumeiro, porém eu ainda notava um pouco de abalo em seu tom. Com certeza ela também ainda não estava conformada com tudo o que houve na nossa missão.
– Hunf. Melhor que o seu com certeza está.
– Ai, que cruel, Levi! Aquela foi minha primeira tentativa, você sabe disso.
– Claro, claro...
Durante todo o café da manhã, fui conversando coisas aleatórias com a quatro-olhos. Seu jeito animado e extrovertido de falar até que melhorou meu humor.
Eu estava me sentindo meio estranho hoje... Sim, eu ainda estava meio abalado por causa do meu esquadrão. Normalmente, todas as perdas ou fracassos que temos em nossas missões são, com certo esforço, rapidamente superados por mim. Mas desta vez, a ferida foi mais funda...
Estou junto desses quatro a um bom tempo. Já estava tão acostumado com a companhia deles. Sempre lutando juntos, trabalhando juntos, e fazendo faxina juntos. Eles também já estavam bem familiarizados às minhas manias e jeitos. Já me conheciam bem.
Até mesmo Eren, quando se juntou a nós, se adaptou bem a eles e se tornaram bastante próximos em pouco tempo. Via como Petra tratava-o de forma materna. Erd e Gunther, depois de aceitarem-no totalmente, passavam bastante confiança para ele. Auruo, apenas, era o que dava umas implicadas com o garoto. Mas não deixava de ter um clima familiar.
E agora, sem a presença deles... os quatro de uma vez... eu me sinto estranho... é doloroso pensar demais nisso. Mas agora imagino como vai ser daqui pra frente, sem eles. Mas depois, sempre acabo fechando os olhos e tentando esquecê-los por hora. É assim que soldados devem lidar com a realidade. Os quatro cumpriram a parte deles para com a humanidade. Agora é seguir em frente. E possivelmente... arrumar um novo esquadrão.
~#~
Eren
Dei uma diminuída no ritmo da minha corrida. Já estava ofegante, obviamente por causa do calor árduo que estava hoje. O sol escaldante ardia em minha cabeça. Mas mesmo com todo o cansaço, continuei procurando heichou tomando cuidado com a pequena marmita que trazia comigo.
Foi Hanji-san quem me acordou hoje. Pelo que ela me disse, Levi quis ficar um pouco sozinho depois do café da manhã, sabe-se lá aonde. Resolvi por conta preparar algo para ele. Depois de lanchar com os meus amigos, fiz sua marmita e saí a sua procura. Dei voltas e voltas pelo castelo, ao redor, perguntando às pessoas se haviam o visto... todas negaram.
Até eu pensar no nosso local de treino. Um enorme campo gramado e com poucas árvores e arbustos. Com certeza heichou estaria lá.
Era bem longinho do castelo, a pé. Ainda mais tendo que andar totalmente exposto ao sol intenso de hoje. Mas encarei a caminhada. Minha boca entreaberta pela respiração cansada logo se transformou num sorriso ao ver Levi sentado bem no topo de uma das colinas na sombra de uma árvore.
“Te achei.”
Fui aproximando-me de fininho por trás, numa tentativa de surpreendê-lo.
– Eu já sei que você está aí, Eren. – Ele disse sem nem me olhar.
– Ahh... – Suspirei desapontado. – Eu queria te dar um susto. – Falei rindo.
– Vai precisar de muito mais que isso pra me pegar de surpresa.
– Eu já te peguei de surpresa uma vez, heichou. – Falei num tom provocador, lembrando o dia da biblioteca...
– Hunf. Eu que deixei você fazer aquilo. – Ele desviou o rosto.
– O senhor deixou...?! – Abri um sorriso e corei levemente. E ele lançou uma encarada mais séria pra mim, que deu uma intimidada... – Er... p-posso... sentar aqui com você?
Levi voltou a olhar pra frente, com os braços apoiados nos joelhos.
– À vontade.
E assim, me acomodei ao seu lado, perto, mas ao mesmo tempo não muito perto. Eu me sentia sem jeito... Pois sei que heichou estava, no fundo, ainda mal por causa de tudo o que houve. Eu também estava... Mas talvez não tanto quanto ele. Pensei em animá-lo o máximo que pudesse, só não sabia por onde começar.
– Heichou...! – Chamei-o logo estendendo a pequena marmita para ele. – Aqui! Hanji-san me disse que o senhor não comeu nada ainda...
Ele fitou o recipiente e logo o aceitou de bom grado.
– Hm... O que você trouxe aqui...? – Levi abria com cuidado.
– Bolinhos de chuva, senhor. – Disse sorrindo.
– Oh, obrigado... Você quem fez?
– Aham. – Balancei a cabeça. Heichou logo deu a primeira mordida num dos bolinhos.
– Hmm... ficou bom. – Disse atacando o restante dos bolinhos. – Muito bom, garoto. Onde aprendeu a fazê-los...?
– Minha mãe me fazia ajuda-la a preparar, quando eu era pequeno. – Abracei os joelhos. – Era uma “sobremesa prática”, ela dizia. E meu pai adorava... Acabei por decorar a receita e o jeito da minha mãe de fazê-lo.
– Hm... – Heichou inclinou a cabeça me olhando. Eu, por um momento, me perdi em pensamentos, lembrando da minha mãe. Como eu... fazia birra quando ela me pedia para ajuda-la com algo da casa. Só agora eu percebo o quão bom era... apenas estar lá com a minha mãe... E pensar que ela não queria de jeito algum que eu entrasse pra Tropa de Exploração. Acabei desobedecendo-a de novo, como sempre fiz...
– Eren...
Senti de leve a mão do heichou acariciar meus cabelos. Voltei minha atenção a ele.
– Sente falta da sua mãe... não é? – Ele disse serenamente.
– Hum...sinto, mas... bem, esse não é o problema agora. – Respondi tentando mudar de assunto. Se eu ficasse pensando muito na minha mãe acabaria chorando. Acho que Levi percebeu isso. Não quero chorar mais. E também, eu não queria aborrecê-lo com essa história. – E quanto a captura da titã fêmea?
– Partiremos amanhã de tarde, como você já sabe. Vai ser tudo como foi dito na reunião. Graças a Deus, Erwin não fez nenhuma mudança de última hora no plano. Mas... até chegarmos na muralha Sina, ainda vai um bom tempo de viagem.
– É... eu sei. Nunca fui até lá. Vou poder finalmente matar minha curiosidade...
– Dentro da muralha Sina é como qualquer um destes distritos daqui. A única diferença é que lá tem mais gente arrogante. – Levi falou com certo desprezo.
– Hm... e também, a polícia Militar toda vai estar lá. – Disse lembrando-me do comandante deles, Nile. Era totalmente diferente do Erwin. Aparentemente mais arrogante... e covarde. Lembro que o plano dele, caso ficasse responsável por mim, era me encaminhar para uma série de exames e experimentos pra depois me matar... Horrível. Ele, de fato, me via apenas como uma ameaça e como uma chance de fazer descobertas sobre titãs. Ainda bem que heichou e o comandante Erwin me salvaram deles.
– Não se preocupe. Não vai acontecer nada com você. – Heichou falou direto e reto. – Eu não vou deixar nada acontecer.
– Er... O senhor? M-mas, sua perna...
– É só você seguir o plano. – Disse ele. – Mas, se acontecer algo... mesmo com a perna assim, eu agirei também caso necessário.
– Ahh... heichou... – Olhei com brilho nos olhos para ele. – Você é incrível...!
Heichou riu e desviou o olhar. Logo estendeu a marmita para mim, oferecendo-me o restante dos bolinhos. Ainda haviam três sobrando. Eu, sorrindo, recusei sua gentileza. Naquele momento eu estava sem fome, afinal, havia comido bastante no café da manhã. E também, eu fiz os bolinhos para o Levi. Ele, depois dessa, ficou em silêncio. Um silêncio estranho... olhando pra baixo.
– Heichou? Tudo bem?
– Eren... – Sua franja cobria seus olhos. – Você... não liga de estar comigo?
– O quê? – Fiz uma expressão muito interrogativa. Que pergunta era essa do nada? – Claro que não! Por que está perguntando isso?
– Garoto, você por acaso já parou pra refletir que... eu tenho mais de trinta anos?
– Eu sei.
– E você tem quinze.
– Eu sei. E daí?
– Como “e daí”?
– Heichou... por que está encucando com isso agora? – Perguntei confuso. Não via nada de mais em tudo que ele dizia.
– Você não liga mesmo...?
– Não. Claro que não! Eu amo o heichou. – Disse sinceramente. Levi riu baixinho e logo passou um de seus braços em torno de meu pescoço, puxando-me para perto e dando um beijo em minha testa. Eu corei de leve.
– Huhu. Você é um garoto engraçado... e estranho.
– Hm, por gostar de você?
– Esse é um dos fatores. – Ele bagunçou meus cabelos e então voltou pra sua posição inicial, sentado de pernas cruzadas e fechando a pequena marmita que lhe trouxe. Depois ficou apenas olhando pra frente. Observando... o nada? Bem, pelo menos pra mim não havia nada ali a não ser o campo.
– O que você está olhando, heichou? – Tentei dar umas inclinadas de lado, pra tentar enxergar o que Levi tanto fitava naquela direção, desde o momento que eu cheguei.
– O cenário de sempre. Campo... árvores... grama... céu cheio de nuvens... É bonito, não?
– Hmm...sim. Mas é tão comum. Não quer ver algo diferente?
– Exatamente. – Levi sorriu de canto. – Uma das coisas que eu mais quero... é ver algo diferente desta paisagem... Já ouviu falar do que tem no mundo à fora, Eren? Bem longe das muralhas...
– Ah, Armin e eu sempre comentávamos sobre isso! O senhor... também sonha com isso?
– Eren, todos nós sonhamos em sair desta prisão algum dia... e ver todos esses lugares que tanto ouvimos falar. – Levi parecia viajar na imaginação. Fiquei animado de ver que ele também tem esse sonho de conhecer outros lugares além daqui. Achei que ele fosse indiferente com relação ao mundo fora das muralhas.
Ficamos um bom tempo comentando sobre esse assunto. Todas as coisas que ouvíamos falar, como a tal praia, ou o oceano, até mesmo das planícies cobertas de gelo. Acabamos perdendo a noção do tempo. Até deitamos os dois na grama, olhando para o céu em meio aos galhos e folhas da pequena árvore. Vimos um ninho de pássaros ali, com a mãe trazendo comida aos seus filhotes. Era uma cena costumeira, mas não deixava de ser bonita. Se aqui já tinha coisas assim, imagina lá fora...
Olhei para Levi deitado ao meu lado, ele parecia bem mais descontraído agora. Desde que voltamos da missão, ele estava mais fechado em si mesmo. Me senti aliviado de vê-lo agir na sua forma costumeira.
Ele também olhou pra mim, e lançava aquele olhar penetrante que me fazia corar. Nem eu e nem ele parávamos de encarar um ao outro. “Heichou é tão bonito... Com esses olhos cinzentos e traços franceses” Nossos rostos, deitados sobre a grama, estavam próximos... bem próximos...
– Esse seu sorrisinho... me irrita, sabia? – Dito isso ele selou seus lábios com os meus, com bastante delicadeza desta vez. E ficou apenas no selinho... Fechei os olhos, sentindo a maciez e umidade da sua boca... Meu corpo esquentou... Por impulso, levei minha mão até a sua, entrelaçando meus dedos nos dele. Foi quando paramos o beijo e Levi olhou nossas mãos dadas. Foi aí que fiquei meio sem graça. Será que fiz errado em pegar sua mão sem permissão?
Mas heichou nada disse, apenas segurou minha mão com mais firmeza e voltou seu olhar para cima. Confesso que meu coração acelerou... não sei bem porque, afinal é um gesto tão normal segurar a mão, não é?
Assim que Levi prestou maior atenção no céu, foi que retomou a noção do tempo.
– Já passou o sol do meio-dia... – Ele comentou baixo.
– Hum... o que...? – Eu já falava de forma bem mole. Estava tão relaxante ficar ali sozinho com Levi... deitados na grama... dava até um soninho.
– Temos que voltar, pirralho. – Ele sentou-se, coçando a cabeça. Falava de forma relaxada também, mas não tanto quanto eu. – Logo terminará o horário do almoço.
– Almoço...? – Me surpreendi nessa hora. – O senhor não acabou de falar que era meio-dia ainda?
– Eu disse que já passou do meio-dia. – Heichou soltou minha mão e se levantou vagarosamente, dando leves tapas nas roupas. – Pela posição do sol, deve ser umas duas da tarde agora...
– Já? – Sentei-me também. – Nossa... ficamos tanto tempo assim aqui?
– O tempo voa, pirralho. Agora ande logo e levante esse traseiro daí. Vamos voltar para o castelo.
– Sim, senhor. – E assim fiz. Heichou foi caminhando na frente em direção ao castelo. – Heichou! Espere aí, você vai andando? E a sua perna?
– Eu estou bem, pirralho. Vim caminhando até aqui sem problemas...
– Aliás, porque você veio até aqui tão longe do castelo? O senhor precisa repousar...
– Eu consigo, garoto. Pare de se preocupar tanto... Eu vim aqui porque queria ficar sozinho, um pouco... – Ele coçava novamente a parte de trás da cabeça. – Mas... gostei de você ter vindo ficar comigo... – Eu ainda não era muito perceptivo com várias coisas, mas notei que Levi falava, mesmo levemente, num tom envergonhado agora. Adorável...
– Heichou... Se quiser... eu posso te carregar até o castelo. – Sugeri, acanhado. Não sei se foi uma boa ideia oferecer isso de novo.
– Nem pensar. Você vai fazer nós dois cairmos de novo.
– Não, espera! Prometo que não vou tropeçar!
– ... ... Não!
– Ah! E se eu estiver na minha forma titã? Posso te carregar no ombro... ...?
– Hum...
– Por favor, heichou! É uma longa caminhada, sei que você aguenta, mas se ficar usando muito o tornozelo...
– Eu sou bem mais resistente do que você imagina, pirralho. – Ele virou-se pra mim, de braços cruzados. – Pois bem... mas, vamos lá então. Transforme-se.
– Sério?!
– Sim... sei que você não perderá o controle. – Ele falou normalmente. Parecia bastante tranquilo. Senti um calor em meu peito só de ver a tamanha confiança que ele colocava em mim... Afinal, ele estando machucado e sem DMT, não tinha como se defender caso eu perca o controle...
– Sim, senhor!
Afastei-me dele a uma distância segura e logo mordi minha mão com força, até sentir o gosto do sangue. Logo veio a explosão e a fumaça em torno de mim... E minha visão ficou avoada de novo, como sempre ficava no início da transformação. Assim que minha vista foi melhorando e o foco ficando mais nítido, a paisagem já estava bem mais baixa agora. Olhei ao redor procurando o heichou...
– Estou aqui, garoto! – Ao ouvir sua voz, virei-me para trás e o vi parado em pé sobre a grama, com os braços cruzados. Sem demonstrar um pingo de medo, como de costume.
De forma meio desengonçada, fui até ele e agachei em sua frente. Inclinei a cabeça para o lado, olhando-o... heichou tão pequenininho. Mais do que ele já é... “Ainda bem que ele não pode ler mentes”.
Estendi minha palma aberta para ele. Heichou rapidamente subiu e eu levei-o até meu ombro, onde ele sentou-se e segurou algumas mechas de meu cabelo para manter-se em equilíbrio.
– Hum... Muito bom. Está se saindo bem, garoto.
Como não conseguia pronunciar palavras naquele momento, apenas soltei um grunhido esperando que ele entendesse que eu estava contente em receber um elogio seu.
Logo comecei a andar, sem pressa, caminhando numa boa em direção ao castelo e com heichou sentadinho em meu ombro.
– Ah... – Ele suspirou. – Terei que pedir ajuda da quatro-olhos pra te tirar daí de dentro.
Dei um outro grunhido em resposta. Como eu estava calmo, talvez eu consiga sair da nuca do titã sozinho.
– Eren. – Ele chamou-me. – Quando for tomar banho hoje, trate de se lavar bem, ok?
Desta vez não fiz som nenhum em resposta. Fiquei meio confuso com esse pedido, na hora. Pois bem, em todos os banhos, sempre me lavo muito bem. Por que ele resolveu chamar atenção disso agora...?
~#~
Levi
Desta vez, resolvi subir cedo para o quarto. A quatro-olhos encontrou algumas cartas de Erd, Gunther, Auruo e Petra, cujo destinatário era eu. Curioso, sentei-me na cama e comecei a lê-las. Todas eram mensagens, e bem grandes, me desejando feliz aniversário... Por que? Não era meu aniversário. Não estávamos nem perto da data... Será que eles acharam que era dia vinte e cindo deste mês? Ou quem sabe... eles previam que não estariam comigo no meu próximo aniversário?
Massageei minhas têmporas novamente. Senti meus lábios tremerem. Aquela sensação de choro estava vindo de novo... Mas eu segurei. Eu realmente sinto a falta do meu esquadrão. Dos quatro...
E tinha mais essa história da Petra... fiquei sabendo que ela mandava cartas para o pai falando sobre mim, e sobre um casamento... Essa história ainda não ficou totalmente esclarecida, porque eu não quis mesmo ficar sabendo a fundo sobre o assunto. Isso ia me doer muito. Mas pelo visto, ela gostava mesmo de mim...
Até pensei em contar essa historinha ao Eren, mas... bem, eu repensei, e o garoto não precisa se encucar com esses assuntos. Achei melhor deixar quieto e como está. Eren tem outros problemas para se concentrar agora.
Terminado de ler todas as cartas, coloquei de volta nos devidos envelopes e guardei-os na gaveta do criado-mudo.
Escorreguei meu corpo até deitar-me totalmente no colchão. Fitei o teto por um tempo, pensando em todas as coisas... “Eren...” Não sei ainda o que vai acontecer com o garoto perante o tribunal, agora depois deste primeiro fracasso na missão. O fato é... temos que conseguir capturar a titã fêmea desta vez, mesmo causando um estrago dentro da muralha Sina. Porque é assim que o Erwin pensa, é assim que normalmente dá certo... e é assim que o Eren não será condenado a nada.
Soltei um riso repentinamente. “O que houve comigo?” Pensava. Nunca fiquei tão preocupado e fissurado assim em outra pessoa como estou com esse pirralho... Eu me apeguei tanto a ele... E quase o perdi nesta missão. Não posso dar a chance de perdê-lo de novo nessa segunda tentativa de captura.
Cobri meus olhos com o braço, na esperança de relaxar. Devia desviar minha mente para outra coisa agora.
Nesse momento, a porta do quarto se abriu e adentrou justamente o meu menino, que se surpreendeu em me encontrar neste horário já no quarto.
– Ué, heichou? Você já veio dormir? Ainda é cedo... – Ele disse de forma tímida. Olhei-o de cima a baixo. O garoto estava... apenas de toalha. Ele com certeza acabou de tomar seu banho e esqueceu as roupas limpas novamente. – Er... d-desculpe, heichou. Esqueci minhas roupas aqui de novo... – “Hunf, como pensei” Ele coçava a cabeça, começava a corar.
– Por que está ficando vermelho?
– Hã?! E-eu?! N-não estou, não!
– Está com vergonha de estar seminu na minha frente?
– Er... é que... E-eu... – Ele se embaraçou com as palavras.
– Eren, eu já conheço seu corpo inteiro, não precisa ter vergonha. – Disse indo para a borda do colchão e sentando-me ali. Vi-o respirar fundo. Parecia nervoso. – O que houve, Eren?
– Nada... não é nada. O senhor... já está melhor, heichou?
– É com isso que está preocupado? – Arqueei uma sobrancelha.
– É que eu não gosto de ver o senhor triste... como estava desde que voltamos. – Ele falava olhando para o chão. Eu sorri de canto, esse garoto agia como uma criança muitas vezes, e isso até que me fazia rir.
– Eren... eu estou bem, ok? Está tudo bem... Afinal... – Mordi o lábio inferior antes de continuar. – Você está aqui... vivo... junto comigo... – Aquele leve tique em meu olho esquerdo deu uma manifestada. Eu me sentia estranho em falar qualquer coisa afetiva assim para outra pessoa. Mas... Eren já ouviu tanta coisa de mim. Ao menos com ele, eu devia me abrir assim, sem ficar com remorso. – E eu amo você... pirralho. – Disse serenamente, sentindo o tique parando.
– Heichou... – Eren correu e literalmente pulou em cima de mim, abraçando meu pescoço. Tive que me apoiar com ambos os braços para nós dois não cairmos. – Eu também, senhor! Te amo! Muito, muito, muito, muito, muito...!
– São muitos “muito”, Eren. – Falei sarrista, acariciando seus cabelos ainda úmidos.
Ele riu e deu um beijo em meu rosto, logo olhando pra mim com um sorriso. Parecia muito satisfeito em ouvir tudo o que acabei de dizer. Seu rosto continuava corado.
– Er... então, acho melhor eu me vestir... – Disse ele, pondo-se totalmente ereto e ajeitando a toalha em sua cintura. Mas antes que ele fosse até o armário, eu segurei seu braço.
– Não...
Eren virou-se pra mim, olhando confuso.
– Não há necessidade de... se vestir agora... – Falei quase num sussurro e em um tom... sensual. Eren ficou sem fala, com a boca semiaberta. Seu rosto enrubesceu. Vagarosamente vim puxando-o pelo braço pra perto novamente, até abraçar seu quadril.
– H-heichou...
Ele manteve-se em pé. Eu, ainda sentado à cama, dei um beijo em seu abdômen. Os pelos do Eren se arrepiaram nesse momento. Espalhei vários beijos por ali. E ele acariciou meus cabelos, aparentemente sem ação. Assim que dei o primeiro chupão logo acima do umbigo, Eren soltou um gemidinho, quase inaudível. Estaria ele se segurando? Normalmente, seu mais discreto gemido era bem mais alto do que aquilo. Talvez ele queria mostrar que não entrega mais com tanta facilidade... “Hunf, veremos se vai aguentar...”
Dei vários chupões em seu abdômen, depois fui subindo aos pouquinhos, no mesmo ritmo que puxava Eren pra sentar-se no meu colo. Na hora, arranquei aquela toalha de sua cintura e joguei-a na cabeceira da cama. No chão que eu não ia deixar. Eren se encolheu ao sentir-se totalmente exposto, mas de nada reclamou, apenas continuou com as mãos apoiadas em meus ombros.
Minha boca passou por todo seu peito, dando uma maior atenção aos seus dois mamilos. A respiração do Eren começou a acelerar conforme roçava minha língua, num movimento circular, em torno de seu biquinho. Sei que isso o enlouquecia.
– Hmm... Heichou... – Agora ele começava a gemer como normalmente. Música para meus ouvidos. Foi com esse incentivo que dei uma bela mordida, marcando o torno de seu mamilo. Eren deu uma arqueada pra trás.
Era meio arriscado morder o corpo do Eren, julgando que ele pode se transformar em titã. Mas fiz agora, pois, tenho certeza, esse garoto não está nem um pouco concentrado agora. Não teria riscos de ele se transformar ali.
Tendo isso em mente, avancei minha boca em seu pescoço, mordendo e chupando com gosto. Eren deu aquela choradinha que eu adorava ouvir. Ao mesmo tempo que meus lábios estavam ocupados ali, minhas mãos não ficaram abanando.
Com o garoto sentado em meu colo, com as pernas separadas cada uma de um lado do meu corpo, fui passeando com as mãos por suas coxas... quadril... cintura... costas... e descer, novamente, até suas nádegas. Apertei-as com vontade, sentindo certa... diferença naquela região.
Parando os chupões, voltei a encarar Eren nos olhos. O garoto já respirava mais descompassadamente, com a boca entreaberta, e olhos semiabertos, típico de quem já se entregou à luxúria.
– Eren... – Dei mais uma apertada onde minhas mãos estavam. – É impressão minha... ou seu traseiro está um pouco maior?
– Hum...? O quê?! – Ele arregalou os olhos.
– Andou fazendo exercícios sozinho? – Perguntei com um sorriso divertido. Eren ficou sem jeito. – Está dando resultado... olha só como está rechonchudo...
– Er... Não!! E... Quer dizer, e-eu... Eu não sei...! Só... Ah, não diga essas coisas, heichou, por favor! – Ele desviou o olhar. Ele ainda era envergonhado quando eu falava sobre seu corpo. Outra coisa que achava irritante e adorável nele. Segurei seu queixo com a ponta dos dedos, fazendo-o me olhar de novo.
– Não precisa ter vergonha, Eren. – Dito isso, puxei-o até nossos lábios se encontrarem. De início apenas um selo, para depois, na primeira abertura que eu consegui, introduzi a minha língua. Foi bom sentir o gosto de sua boca novamente. Eu abria os olhos de vez em quando, bem pouquinho, apenas para fitar os seus.
Eren mantinha os olhos fechados e suas sobrancelhas se uniam cada vez que eu dava uma mordida em sua língua. Fui intensificando mais e mais o beijo. Eren segurou os dois lados do meu rosto, mostrando o quanto também queria aprofundar o contato.
Ele deu leves reboladas em meu colo, fazendo nossos genitais se atritarem. Mesmo com o tecido da minha calça impedindo o contato direto, já senti um arrepio no corpo.
Não sou de perder o controle normalmente, mas minha sede de Eren me fazia sair do foco. Fui indo para trás, mais para o centro da cama e deitando o garoto no colchão com certa ansiedade, sem parar de beijá-lo. Ele correspondia a todos os meus estímulos.
Mas, assim que me posicionei de quatro por cima dele, fiz um movimento incerto e senti a fisgada em minha perna machucada. Interrompi o beijo, dando um urro de dor. Logo, coloquei-me sentado, massageando de leve a área da minha torção.
Eren, que ainda estava um pouco embriagado, rapidamente fez uma expressão preocupada e se ajoelhou perto de mim.
– Heichou! Ei! Tudo bem aí? Machucou?
– Hrg... não foi nada. Só senti uma fisgada mais forte agora... – Disse com as sobrancelhas juntas e sentindo aos poucos a dor passando. O garoto ficou observando meu tornozelo, pensativo.
– Senhor... acho que é melhor não fazer esforço hoje... – Eren falava apreensivo, mas ao mesmo tempo com leve tom de desapontamento. Parecia chateado de ver que, pela minha condição, talvez o melhor fosse não transarmos hoje.
Sem graça de novo, vi que Eren já estava excitado, mas tentava disfarçar juntando as pernas. Bem, não posso negar que eu também o queria... ali e agora. Queria sentir seu corpo, seu calor, ouvir sua voz. Afinal, querendo ou não, eu estava carente naquele momento!
– Não. Nós vamos fazer!
Eren olhou pra mim, arregalando seus olhos verdes, com certo brilho, de novo.
– Hã?
Desta vez, fui eu quem deitou na cama. Lancei uma expressão convidativa, fazendo um sinal com o dedo para que ele se aproximasse. Isso deixou Eren embriagado de novo e ele logo engatinhou até mim, beijando minha boca mais uma vez com seu jeito tímido.
Eren
Agora nossas posições se inverteram. Eu que estava de quatro por cima do heichou, beijando-o com paixão. Já faz um tempinho que não fazíamos isso. Desde o dia da biblioteca...
Eu só estava pensando... se heichou não pode fazer muito esforço por causa de sua torção, ele teria que ficar deitado... isso quer dizer que... eu posso ser o ativo?
Meu coração acelerava e eu suava mais só de imaginar que... essa é minha segunda chance de ser o dominante. Bem, teria que pedir permissão dele antes.
Eu, então, sentei sobre suas coxas, com cuidado para que Levi não sentisse nada que refletisse no tornozelo. Mantive minhas pernas cada uma de um lado de seu corpo. Minhas mãos, agora livres, desabotoaram um a um os botões da camisa de Levi. Sem parar o beijo. Ambas as bocas estavam bem molhadas, permitindo um pouco de saliva escorrer pelo canto. Os lábios dele... tão macios... tão quentes... quase não dava vontade de parar. Mas sentia a falta do ar.
Separei minha boca da dele por um momento, mas nossas línguas continuaram juntas, esfregando e fazendo movimentos circulares uma na outra. Era excitante. Eu sentia o líquido transparente começar a escorrer da ponta de meu membro.
Não aguentando muito mais, separei totalmente o contato de nossas bocas para respirar. Olhei heichou nos olhos de novo, prestes a pedir permissão para ser o ativo desta vez.
Mas ao ver seu rosto... percebi que ele ainda parecia... não sei dizer... diferente? Um pouco diferente do que estava agora a pouco. Claro, demonstrava-se excitado, mas sua expressão parece também de alguém abalado ou carente... Mais para carente. Talvez ele quisesse ser o dominante hoje, mas sua torção o impedia...
– O que foi, garoto? – Levi inclinou a cabeça de lado e afastou minha franja dos olhos. – Ficou pensativo logo agora?
Mordi o lábio inferior. Acho que Levi gostaria de ser o ativo hoje, então realizaria este desejo.
– Heichou... – Abri toda a sua camisa e passei as mãos naquela região, sentindo seus músculos bem definidos de seu peito e abdômen. – Deixa que eu faço tudo hoje. – Falei num sussurro provocante. Levi arregalou os olhos, mostrando que consegui mexer um pouco com sua sanidade.
Fui indo para trás, simultaneamente abrindo o zíper de sua calça. Como sempre, heichou nunca estava totalmente excitado antes de ser estimulado no próprio genital. E ele apenas observava atentamente tudo o que eu fazia.
Segurando seu membro, masturbei-o com movimentos lentos. Movia sua pele pela glande com a ponta dos dedos, até eu finalmente usar minha boca. Segurei firme a base e introduzi até a metade apenas. Não podia negar que... o do heichou era bem grande comparado ao meu. E conforme recebia estímulos, crescia mais. Eu ainda não entendi bem porquê, mas dava um arrepio enorme apenas sentir com a língua a ponta do membro do heichou.
Levi começava a ofegar. Seu peito subia e descia com mais frequência. Eu estava apenas lambendo-o e ele reagia... Resolvi, então, chupá-lo com intensidade.
– Hmmm... Ereen...! – Ele segurou meus cabelos e juntou mais as sobrancelhas. Eu fazia questão de olhar todas as suas expressões, que na verdade eram bem discretas, mas ao menos ele saia do normal.
Sem parar o trabalho, fui abaixando suas calças até os joelhos. Levi ainda segurava seus gemidos e conseguia manter-se controlado. Eu continuei o movimento na mesma velocidade, mas Levi segurou meu cabelo, fazendo-me parar.
– Heichou...? – Fiz uma cara confusa, ele apenas deu um sorriso divertido.
– Eren, vire-se... do jeito que vou te falar agora... – Ele fez um tom na fala que me deixou totalmente curioso. O que ele pretendia?
Ele foi falando o que eu devia fazer, e eu obedecia. Só que... com receios. Ele foi me fazendo ficar numa posição muito constrangedora. Muito mesmo!
Fiquei ainda de quatro sobre o heichou, mas... invertido. Minha intimidade ficou... sobre seu rosto. Assim como a dele no meu. Esse era o tal meia-nove que ouvi falar em uma das conversas da madrugada com meus amigos? Jean e Reiner que comentaram sobre isso... Agora estou vendo na prática como é.
É muito embaraçoso! O sangue fervia em meu rosto e eu não conseguia olhar na cara do heichou agora.
– Hum? Ereen...? Tudo bem aí? – Heichou fez uma voz meio cantada. – Suas pernas estão tremendo... está com vergonha?
– Er... e-estou...! – Falei sinceramente, corado até as orelhas.
– Garoto... eu já disse mil vezes que conheço seu corpo inteiro...
– M-ma-mas o senhor nunca me viu assim! D-desse ângulo... –
– É... tem razão. Dá pra ver tudo nessa posição! – Quis cobrir minha cara com o travesseiro. Heichou, com delicadeza, mexia em toda minha intimidade lá atrás. – Olha só como contrai...
– Heichou!!!
– Huhu, tá bom. Não vou ficar comentando suas reações. – Levi falava meio rindo do meu constrangimento. – Pelo menos não todas.
Eu continuava embriagado. Tentando engolir o fato de Levi estar vendo toda a minha intimidade bem de pertinho assim. Mas ao mesmo tempo que me envergonhava, me excitava... bastante. Me sentia um pervertido de marca maior.
Ele mexeu com uma das mãos primeiramente no meu falo, masturbando-me devagar no início, para ir aumentando a velocidade aos pouquinhos. Eu dava umas estremecidas e baixos gemidos. Heichou tinha mãos habilidosas e de fato me conhecia bem. Ele sabe fazer os movimentos do jeitinho que mexe comigo.
Não querendo perder pra ele, já que estávamos na posição, logo abocanhei seu membro de novo. Desta vez, tentei introduzir mais da metade e fazer os movimentos de vai e vem. Mas estava meio difícil fazer concentrado com heichou me excitando mais lá atrás. Senti seu dedo, já molhado com meu líquido pré-gozo, fazendo movimentos circulares em torno da minha entrada, dando uma lubrificada. Logo, ele começou a lamber... lamber e enfiar a língua ali. Não pude evitar gemer mais alto, mesmo com seu membro em minha boca... quase mordi-o na hora. Era tão bom sentir a língua dele ali. Eu poderia gozar com apenas isso...
Quando heichou me ouviu dar um gemido mais choroso, ele parou os estímulos. Parou de novo! “Por que, heichou?”
– Calminha aí, não quero que goze ainda... você já está bem lubrificado aqui. – Ele separou minhas nádegas e ficou observando meu ânus, já bastante molhado.
– Heichou, por favor... não fique olhando.
– Ah, Eren, eu não tenho uma visão dessas todo dia, estou apenas apreciando agora. – Disse ele, dando uma massageada em minhas nádegas.
O nível da minha vergonha hoje já foi excedido umas dez vezes só neste nosso momento aqui no quarto. Me sentia tão submisso de novo... Eu quero causar reações nele também, quero ao menos empatar com ele.
Bem, já que... estava tudo bem lubrificado, era óbvio que o passivo seria eu, então não perderia tempo. Sem dizer mais nada, saí da posição, virando-me novamente do jeito que eu estava antes, sentado sobre seu corpo bem em seu abdômen.
– Heichou... como eu falei antes, deixa que eu faço tudo agora. – Dei um sorrisinho perverso, lambendo os lábios. Ao ouvir isso, Levi também fez uma expressão perversa, mordendo o lábio inferior.
Foi então que dei uma levantadinha, posicionando a ponta de seu membro no meu ânus. Sentindo a total confiança, comecei a sentar nele. Bem devagar, por causa da dor. Era sempre assim, parecia que estava me abrindo inteiro por dentro. Soltava sem querer as minhas choramingadas.
– He-heichoou... hmm... – Dei uma relaxada ao conseguir enfiar tudo. Tentava voltar a minha respiração normal.
– Eren... muito bom... – Heichou falava embriagado, seu rosto agora começava a ficar mais corado. – Ouça... tem permissão de me chamar só pelo nome agora. – Ele disse.
– S-sim, senhor... Levi. – Falei sorrindo, suando pra caramba. Dei uma inclinada para trás, usando os braços de apoio, ficando praticamente de cócoras sobre o pênis do heichou. – Você gosta de ver tudo, Levi... então veja! – Subi meu corpo novamente e sentei sobre seu membro, mas agora com mais velocidade e mais frequência. O bom dessa posição é que eu controlava tudo, mesmo sendo o passivo, e nosso contato visual era intenso. Levi, ora olhava meu rosto, ora olhava a penetração. Pela sua cara, creio que ele já havia perdido sua sanidade com as visões à sua frente. Eu perderia.
Fui alternando a velocidade da penetração apenas para provocá-lo. Levi dava leves contorcidas embaixo de mim e soltavas seus gemidos roucos, ainda baixos e discretos, mas eram boas reações. Simultaneamente, para implementar o “showzinho”, masturbei-me com uma das mãos de forma bem sensual. Levi via tudo com um olhar extasiado. Comecei a gemer descontroladamente, sentia o prazer físico e psicológico do nosso ato de amor. Dei um gemido mais alto ao sentir ser estocado no meu ponto especial. O orgasmo já estava perto. Só mais um pouco e eu não aguentaria.
– L-Levi...! E-eu vou... agora...! – Falei em meio aos gemidos. Heichou logo segurou em meu quadril, fazendo o contato ficar mais intenso. – Ahnn... Levi heichou!! – Não conseguindo segurar mais, deixei atingir o ápice, gozando bastante no meu abdômen e no dele. Incrivelmente, Levi chegou ao seu orgasmo quase no mesmo segundo que eu. Ele deu aquela sua gemida rouca, um pouco mais alta e uma arqueada para trás. Logo senti seu líquido quente me invadindo... aquilo me arrepiava.
Sem sair da posição, ficamos um tempinho até sairmos do transe, retomando também aos poucos a respiração. Levi dobrou as pernas para que eu apoiasse as costas em suas coxas e segurou meus braços, vendo que eu quase perdi o equilíbrio.
– Wow... Cuidado. Tudo bem aí? – Heichou sempre me perguntava isso. Claro, afinal eu ficava realmente bem acabado depois do sexo.
– Uhum. – Balancei a cabeça afirmando. – Levi gostou?
– Hm... foi incrível.
Ele sorriu de canto pra mim e estendeu sua mão até meu peito, e apenas a apoiou lá.
– Hm, tá bem acelerado... – Comentou.
– Ah, que bom... quer dizer que estou vivo então, não é? Levi... – Falei num tom de óbvio, mas com a voz ainda fraca.
– Sim... – Ele então segurou a minha mão. – Você está vivo.
Ele, com aquele olhar semiaberto e indiferente pra tudo, fitava-me de forma penetrante e hipnotizadora. Deixaria qualquer um sem graça, mas desta vez eu devolvia no mesmo olhar. Heichou parecia querer falar muitas coisas... mas não conseguia. Talvez não soubesse como se expressar.
– Eren... me diz baixinho... – Fui inclinando-me para frente, finalmente deixando heichou sair de dentro de mim, praticamente deitei sobre ele, com os braços cruzados apoiados em seu peito e olhando seu rosto bem de pertinho.
– O que? – Perguntei num sussurro.
– A quem você pertence? – Ele também usava um tom quase inaudível. Eu apenas ri no início. Era uma pergunta óbvia, mas era do feitio dele saber disso sempre, então... Entrando na dele, inclinei até pertinho de seu ouvido.
– Eu pertenço ao Levi heichou. – Disse sem engasgar, sem vergonha e sem receios. E ele logo sorriu à minha resposta.
– Bom menino. – Ele era bastante sádico, e gostava de mostrar sua dominância. Por isso, quando via oportunidade, ele tratava-me como sendo seu e fazia-me dizer coisas assim. Da minha parte, eu não ligava de me submeter a essas falas, por mais embaraçosas que fossem... – Eu também, Eren... também sou seu.
Nesse momento arregalei os olhos. “O que ele acabou de dizer? Heichou acabou de confessar que pertencia a uma outra pessoa...? E essa pessoa era eu?!” Meu coração, que já estava quase no ritmo normal, voltou a acelerar.
– Sério, Levi?! Sério?!!
– Por que está se exaltando? – Ele arqueou uma sobrancelha. – Relaxe...
– M-m-mas o senhor nunca se submeteu a dizer uma coisa dessas! Dizer que é de alguém...
– Estou dizendo agora. Acho que quando é para o namorado, podemos dizer esse tipo de coisa sem parecer muita submissão.
– N-na..?! Namorado?!! – Meu rosto voltava a enrubescer.
– Garoto, está se exaltando de novo...
– O que..?! Então a gente... Nós dois... Desde quando somos mesmo namo...?!
– Eren! – Ele colocou o indicador na minha, fazendo-me ficar em silêncio. – Não veja tudo que estou falando como anormalidade! Isso já estava meio subentendido entre nós há muito tempo.
– Mas... achei que não estivesse, sei lá... Você podia ter me avisado... – Disse revirando os olhos.
– Avisar? Eren... nós já treinamos juntos, nos beijamos, transamos, dormimos na mesma cama, dissemos que amamos um ao outro e neste exato momento você está nu em cima de mim. Acha mesmo que não seria meu namorado depois de tudo isso?
– Er... – Fiquei sem graça depois dessa. Mas é que ainda sou meio inseguro com essas coisas, sempre tendendo a pensar da forma mais pessimista. – Desculpe, Levi...
– Hunf. Não se preocupe, já estou acostumado com a sua lerdeza. – Levi foi levantando-se até nós dois nos sentarmos. Eu ainda em seu colo. Aproveitei para dar um último selinho nele. Eu estava bem alegre agora de pensar que heichou é meu namorado!
– Então... Hehe. Vamos dormir agora? – Perguntei tímido, porque por mais que sexo me cansasse, eu ainda estava sem sono.
– Hum, pela sua cara você está sem um pingo de sono, estou errado?
Apenas ri, sem graça.
– Então... Já que está cedo ainda, acho que podíamos descer até a cozinha e fazer mais daqueles bolinhos, que tal? – Ele sugeriu.
– Ah, sim!! – E eu logo concordei.
Ambos saímos da cama para nos trocar, Levi quis tomar um banho rápido antes de ir para a cozinha. Sendo assim, saímos do quarto e fomos rumo às duchas. O corredor estava vazio. Havia pouquíssimas pessoas fora dos quartos há esta hora.
Heichou e eu andávamos lado a lado. Eu dava umas assobiadas e olhava-o de canto.
– Levi... quer dizer, heichou! – Chamei e ele logo me olhou.
– Você pode me chamar apenas pelo nome quando estivermos sozinhos, a partir de agora.
– Mesmo? C-certo então... Levi. – Eu parecia um bobo. Não parava de sorrir, por mais indiferente que heichou me tratava na maioria das vezes, agora eu sentia um alívio. Afinal, agora estamos oficialmente juntos.
– Hm, o que você ia me falar? – Perguntou ele.
– Posso... segurar sua mão? – Pedi com brilho nos olhos.
– Não.
– Hã??! Por que não?!
– Porque eu disse não.
– Mas por quê? Namorados fazem isso!
– Eu não me importo. Simplesmente não quero.
– Ahhh, Leviii... Não tem ninguém olhando. – Fiz minha voz de pidão. Heichou olhou pra mim com aquela veia pulsando em sua testa. Eu sei que ele não gostava de fazer essas coisas melosas em locais públicos, mas agora que estávamos juntos mesmo, resolvi arriscar.
– Tsc... Tá bom. – Ele logo segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus. Em resposta, segurei mais firme ainda sua mão. Continuei olhando-o de forma abobada.
– Eu te amo, Levi!
– Hum... Acho bom mesmo. – Falou simplesmente. – Não pense você que pode escapar de mim agora.
– Haha, por que eu escaparia de você?
– Não sei. Ackerman pode fazer sua cabeça. Você é meio lerdo, pode acabar caindo na dela – Disse ele, levemente enciumado.
– Mas quem eu amo... é o Levi heichou. – Falei próximo ao seu ouvido.
– Hrgh... – Ele olhou para o lado. – Moleque idiota... – Murmurou ele sem me encarar. – E já falei pra você não sorrir assim pra mim. Me irrita. – Ele disse mais sério.
– Ah, desculpe, senhor. – Falei meio rindo, porque eu sei que isso não o irritava. Pelo contrário, deixava-o sem graça.
– E volte para realidade, garoto. Você tá fazendo umas caras de quem está sonhando acordado. – Argumentou ele. – Você pode até ter uma relação amorosa agora, mas ainda é um soldado. E seu foco agora é na captura da titã fêmea.
– Uhum, pode deixar senhor! – Com a minha mão livre, fiz a saudação dos soldados da Tropa. – Vou... deter a Annie.
– Mas é claro que você vai, porque se der uma única bola fora, eu vou te punir severamente. – Ele disse bem sério, me deixando branco de medo.
– S-sim, senhor!
No caminho todo até a ducha, Levi e eu fomos de mãos dadas. Ele mantinha a postura séria durante a caminhada, mas com o rosto virado para o lado oposto ao meu. Eu sei bem que o motivo era ele não me ver sorrindo... Porque eu não parava de sorrir naquele momento. Mas, do meu ângulo, pude ver parte de seu rosto corado.
Fale com o autor