Provocativo

23 Especial Parte 1 - Encontro


Notas iniciais
Oiee, Tudo bem, gente? Retornei aqui com mais um capitulo o/ Ah, mas antes de mais nada eu queria agradecer muitíssimo a mais três recomendações que a fic recebeu. (Sério gente, não sabem o tamanho da minha felicidade em recebê-las *--*) Meus humildes e sinceros agradecimentos à Akira, black rose e nanah rivaille que me deixaram sem graça com suas palavras, muito obrigada mesmo ♥ Mas agora, rapidinho, eu sei que vocês devem estar tipo "Que poha é essa de 'Parte 1' aí no título??" Então... eu disse que este seria o último capitulo, mas acontece que o Especial ficou maior do que imaginei, Tive que dividí-lo em dois. Então este não será mais o último (Yay!) Teremos mais unzinho =3= Huehuehuehueheh Tá bom, só pra não deixar com a pulga atrás da orelha. Bem, boa leitura, amores ♥

Eren

De novo fazia um dia quente. O suor escorria constantemente de meu rosto e o cansaço dava seus primeiros sinais em meu corpo, mas continuei firme. Tinha que mostrar pra todo mundo que eu aguento numa boa andar no centro, com o sol assando a cabeça e segurando uma pilha de compras nos braços.

Hanji, Mike, eu e mais uns dez soldados viemos para o centro da cidade fazer a compra de reposição de mantimentos da Tropa de Exploração. Mantínhamos a economia rigorosa de sempre, mas mesmo assim, era muita comida mesmo. Eu quase não enxergava nada na minha frente de tanta compra que eu carregava. Mike olhava pra mim e dava uns risos discretos.

– Eren, se quiser eu posso carregar um pouco pra você. – Ele ofereceu a ajuda. Mike também estava com ambos os braços cheios e levava mais compras do que eu, mas ele não parecia fazer esforço algum. Vendo isso, respirei fundo e mantive minha postura.

– Não precisa, Mike-san. Eu aguento! Isto aqui não é nada.

– Não é o que seus braços dizem.

– Isso aqui é tremedeira de confiança! – Argumentei.

– Rapazes!! – Hanji-san, que havia dado uma escapadinha no meio da feira, voltou com uma sacola grande. – Olhem aqui, achei uma carne boa e fresquinha!

Mike e eu ficamos com os olhos brilhando. Carne era bastante cara, e uma das maiores mordomias que nós tínhamos nas refeições. Há muito tempo que só conseguíamos carnes já meio passadas, mas esta que Hanji trouxe... dava vontade de assá-la agora mesmo.

– Ouçam, sei que já devem estar cansados... Já aviso que estamos quase terminando a compra.

– Que bom, porque Eren parece não estar aguentando mais o peso... – Mike falou.

– Hã??!! Eu aguento sim!!

– Ah, Eren relaxe... – Hanji balançava a mão tentando me acalmar. Neste momento, Nanaba chegou até nós. Sem nada em mãos.

– Tenente Hanji, os demais soldados já terminaram de recarregar a carroça, falta apenas a parte de vocês. – Disse coçando os cabelos loiros.

– Ah, claro! Mike, pode ir levando essas compras, já alcanço vocês. Tenho que pegar mais desta carne. E Nanaba,... – Hanji olhou para a loira. – leve as compras do Eren, o pobrezinho deve estar tão cansado...

– Espere aí!! Hanji-san, acha que eu sou fraco assim??

– Claro que não, querido. Só que você está a mais de duas horas segurando isso. – Ela bagunçou meus cabelos. – Você sabe o quanto está forçando sua coluna?

– Hum, ok então... – Concordei – Nanaba-san, por favor... – Dei uma estendida na mercadoria pesada para a loira.

– Tudo bem, Eren. Não se esforce muito, ok?

– Certo, obrigado. – Agradeci. Ela sorriu docemente e logo foi, ao lado de Mike, levar as compras (com certo esforço também) até uma das nossas grandes carroças.

– Eren, vamos lá. Temos mais quilos de carne pra carregar.

– Sim, Hanji-san!

Adentramos naquele montueiro de gente que era a feira. Hoje estavam fazendo várias promoções, por isso tantos foram atraídos pra lá, inclusive o pessoal da Tropa. Hanji-san e eu fomos nos esgueirando até chegarmos ao açougueiro. Ela pediu o reservado e ele logo estendeu três sacolas enormes. Eu fui carregando duas e Hanji duas também, incluindo a que já estava com ela antes.

– Ufa, conseguimos comprar tudo e sobrou mais dinheiro do que eu imaginava. Ahh... Erwin vai ficar contente! – Ela saltitava de alegria.

– Que bom, Hanji-san. Comeremos bem, e ainda temos uma poupança para emergências.

Foi aí que ela parou de andar de repente, observando um pequeno empório. De aparência bem sofisticada. Ela se aproximou da vidraça para olhar as mercadorias de lá.

– Uh... fique aqui me esperando, Eren. Eu já volto. – Dito isto, ela rapidamente pousou as sacolas de carne no chão e adentrou o estabelecimento.

– H-Hanji-san!! Espere, o que vai fazer? – Perguntei cismado. Era capaz de ela gastar em coisas desnecessárias sem querer. Mas ao mesmo tempo pensei: era a tenente Hanji! Uma adulta responsável. Ela não faria nada imprudente.

~#~

– Você comprou trinta garrafas de vinho??!! – Perguntei perplexo.

– Ah, Eren, sabe que é muita gente lá na Tropa, não é como se fossemos beber tudo de uma só vez. – Argumentava ela puxando um carrinho de madeira cheio.

– Er... Levi heichou e o comandante Erwin não vão ficar bravos por você estar gastando com isto?

– Mocinho, você por acaso já olhou a marca que eu peguei? – Ela deu uma vasculhada na grande sacola de pano dentro do carrinho, logo estendeu-me uma garrafa. – Dubeuf, uma das melhores. E também estava em promoção!

– M-mesmo assim...

– Pare um pouquinho pra pensar: Quando foi a última vez que compraram bebidas pra Tropa?

– Hum... acho que... desde que eu entrei nunca vi vocês com bebidas...

– Então, querido! É só uma pequena descontração.

– ... – Eu ainda não achava isso uma boa ideia. Mas não disse mais nada, apenas segui andando ao lado da de óculos.

– Erenzinho... – Ela se aproximou, puxando-me. – Me diga... você e o Levi estão namorando, não é?

– Hã?! E-ele te contou?!

– Querido, toda a Tropa sabe que vocês namorariam oficialmente cedo ou tarde. Isso não é muita novidade... Eu apenas supus que já estivessem e você acabou de me confirmar. – Ela dizia sorrindo e eu corei.

– E... P-por que está falando disso agora?

– Só estou curiosa com uma coisinha... Já tiveram um encontro? Apenas os dois?

– Um... encontro?! C-como assim?

– Ah uma saída... um jantar, por exemplo! Só vocês dois... em um lugar romântico... mais particular...

– Ahhh não! E-eu não faria isso. É meloso demais até pra mim!

– Como assim “meloso”? Namorados fazem isso, Eren. É normal. Pense, quantas vezes você consegue ficar sozinho com o Levi?

– Hum... quando treinamos.

– Ah, mas aí não estão concentrados em vocês mesmos. Eu sugiro... você poderia preparar um encontro para ele. – Hanji falava como se fosse conselheira amorosa. Será que devo ouví-la?

– H-Hanji-san...

– E... Sabe uma coisa que Levi adora? – Hanji estendeu a garrafa do Dubeuf para mim. – Este vinho... Uh... o Levi adora saborear um desses de vez em quando.

– É mesmo?

– Siim... isso iria super bem em um encontro romântico. – Hanji parecia uma garota propaganda do vinho Dubeuf. – Tenho certeza que Levi ia adorar uma descontração dessas. Sabe como é a rotina cansativa dele, não é?

– Hum... Acho que tem razão. Tudo bem então. – Concordei. Desta vez confiando em Hanji-san.

E agora eu ficava pensando. Encontro? Nem passou uma coisa dessas na minha cabeça. Eu e Levi tínhamos nossos momentos sozinhos, a maioria deles era... treino ou sexo. Mas acho que nunca paramos pra conversar sobre... sei lá, coisas mais pessoais.

– H-Hanji-san... – Chamei-a timidamente.

– Sim?

– Como se prepara um encontro?

~#~

Levi

Depois de um bom tempo, andando a cavalo, finalmente retornei ao Quartel General. Erwin ainda havia ficado na reunião para resolver mais umas contas com Nile. Por isso não sei nem se ele voltaria hoje. Aqueles dois tem uma rixa de muitos anos, tenho certeza que discutiriam. Mas agora não queria pensar em mais nada. Eu estava faminto. Me animou lembrar que hoje foi feita a compra de mantimentos da Tropa. Teríamos comida fresca para o jantar.

Deixando meu cavalo no estábulo junto aos demais, desci a colina rumo ao castelo. Sempre devagar, já era noite e eu estava sem lampião, cuidado nunca é demais.

Adentrando o local, pela entrada do refeitório, dei de cara justamente com a Ackerman, que segurava uma grande caixa com frutas, aparentemente pesado. Ela olhou para mim com indiferença e eu devolvia no mesmo olhar.

– Heichou.

– Ackerman.

Foi como um cumprimento entre nós. Ambos desviamos o olhar e seguimos cada um o seu caminho.

Não era apenas ela. Os demais amigos do Eren estavam ali ajudando a descarregar a mercadoria até a despensa da cozinha. Ao mesmo tempo, Hanji preparava o jantar junto a duas amigas do pirralho, se bem me lembro, seus nomes eram Sasha Braus e Christa Lenz. Mas por algum motivo, o único que ainda não localizei por ali era o próprio Eren.

– Levi!! Bem-vindo de volta!! – Com sua animação costumeira, Hanji cumprimentou-me assim que adentrei a cozinha.

– Bem-vindo, heichou! – As duas mocinhas disseram ao mesmo tempo. Eu educadamente as cumprimentei também.

– Boa noite, quatro-olhos, moças. – Falava tudo na minha usual indiferença.

– E aí, como foi a reunião? – Hanji perguntou.

– Cansativa, como sempre. Erwin ficou por lá ainda.

– O que? Por quê?

– Ele disse que tinha mais coisas a resolver e só. – Cruzei meus braços e apoiei-me na entrada da cozinha.

– Hunf. Ele vai acabar é arrumando briga com a Polícia Militar. – Hanji balançava a cabeça enquanto lavava as folhas de alface.

Neste momento, Ackerman adentrou a cozinha.

– Tenente Hanji, já terminamos de guardar todos os mantimentos.

– Ah, muito bom, Mikasa! Pode dizer para os outros descansarem.

– Sim, senhora. – Ela deu meia volta (não sem antes me lançar outro olhar intimidador) e se retirou do local. Voltei minha atenção à Hanji.

– Cadê o Eren, quatro-olhos? – Perguntei direto.

– Uhhh, tá com saudade do namorado? Que meigo você! – Ela falava fazendo uma voz estranha. Christa e Sasha deram um baixo riso também.

– Ainda não respondeu minha pergunta. – Falei impaciente, mas não podia negá-la. Fiquei o dia inteiro fora, claro que eu ia querer ver o garoto agora.

Hanji, terminando de rir, voltou ao seu normal.

– Olhe na última sala, ao final do corredor. Acho que ele deve estar lá. – Ela apontou com a colher de madeira.

Dito isso, dei meia volta e fui caminhando até... a última sala? O que ele estaria fazendo lá? Acho que nem usam aquele lugar. Será que a quatro-olhos estava pregando uma peça em mim?

Caminhando o longo corredor e chegando à porta, fiquei já na defensiva, esperto para qualquer coisa que estivesse me esperando lá dentro. Ao abrir a rangente porta de madeira, me surpreendi ao avistar de primeira no centro da sala uma mesa quadrada, não muito grande. Estava bem arrumada, forrada, com dois pratos, duas taças e dois pares de talheres em cima. O que mais me chamou a atenção ali foi uma garrafa de vinho bem no centro.

– O que...

– Surpresa, hei...!!! – Por simples ato reflexo, acertei um veloz chute nas costas do indivíduo que surgiu de repente, fazendo-o cair no chão.

– Ai ai ai, heichou... Por que fez isso? – Ele falou indignado, numa voz chorosa, massageando o local onde o chutei.

– Eren? Não me assuste assim, garoto... – Estendi minha mão ajudando-o a se levantar. – Tudo bem? Machucou muito? – Eu mesmo dei uma massageada nele, bem na área dolorida.

– Er... T-tudo bem, heichou. E-estou bem. – Ele deu uma corada – Eu queria fazer... uma surpresa.

– E conseguiu, pelo visto. – Dei uma olhada na mesa novamente. – Você preparou isso tudo? – Fui caminhando até lá, passando a mão na toalha de mesa.

– Sim! – Ele sorriu. – Somos n-namorados, não é? Hanji-san disse que... namorados tem encontros de vez em quando... e acho que nós nunca fizemos isso, então... – Ele esfregava uma mão na outra, acanhado, sem me encarar diretamente. Dei um riso discreto.

– Então você preparou um encontro para nós, é? Nada mal, garoto. – Eren corou mais com o meu elogio. – Você trouxe até um vinho? – Peguei a garrafa, analisando-a. – Dubeuf? Onde arranjou isso?

– Hanji-san comprou. Soube que... o senhor gosta desta. – Ele deu um olhar mais confiante para mim.

– É... acho um vinho excelente.

– Er... então, sente-se heichou! Preparei um jantar para o senhor.

Dito isto, ele pegou ambos os pratos da mesa e foi até um buffet no canto da pequena sala. Eu sentei-me em uma das cadeiras. Estranhamente, agora eu estava sem graça. O garoto preparou tudo aquilo, com tanto detalhe e atenção... para mim? Para nós dois? Senti um calor em meu peito e uma sensação de agrado. Acho que eu nunca havia sido paparicado desta forma.

– Aqui está, heichou... – Ele colocou o prato cheio, com arroz, um belo bife e uma salada. Parecia algo simples, mas nós não tínhamos o luxo de degustar essas coisas sempre. Para maior economia de alimentos, ficávamos sempre na sopa com pão. Um prato daqueles era quase uma mordomia.

– Oh, você caprichou, hein... – Não demonstrava nada externamente, mas, depois dessa, fiquei mais sem graça ainda.

– Que é isso, não foi nada. – Ele sorriu, assim que se acomodou à minha frente. Aquele sorriso... lindo... Desviei o olhar para o prato, peguei os talheres e comecei a degustar a comida. O sorriso dele me fazia perder a concentração.

– E então, Hanji que te deu a ideia para este jantar?

– É, mas pra preparar eu fiz tudo sozinho. – Ele disse querendo deixar bem claro.

– Hum, entendi. – Dei um riso de canto. Foi quando notei uma pequena garrafa d’água ao lado da de vinho. – E esta garrafinha aí?

– Ah, é para mim. É que... eu não bebo nada com álcool, senhor. – Ele simplesmente disse.

– Hmm... Que menino responsável. Gostei. – Elogiei. – Não vai tomar mesmo nenhum gole?

– Eu acho amargo isso. O comandante Pixis já me ofereceu e achei forte.

– Eren, você foi tomar logo de cara a bebida do Pixis? Ele só bebe coisas fortes. Isto aqui é um vinho tinto, é muito mais fraco.

– É mesmo...? – Ele olhou mais curioso agora. – Então, eu posso beber também.

– Sim... Você não vai ficar bêbado se tomar apenas uma taça. – Retirei a rolha do gargalo e logo despejei um pouco em ambas as taças. Bem pouco mesmo, mais da metade. Por mais que vinho fosse fraco, ainda era uma bebida alcoólica. Era só uma quantia para o garoto experimentar. – Você vai sentir apenas um leve amargo, mas junto também o gosto da uva.

Eren pegou sua taça, de forma desajeitada e deu a primeira golada. Ele fez uma careta no início, mas depois lambeu os lábios.

– Hum, não é tão ruim. – Comentou ele.

– Viu só? E outra... não aceite mais bebidas do Pixis. Vai saber o que ele coloca naquilo. – Falei com descaso.

– Pode deixar, decidi não aceitar mais nada dele logo depois de tomar aquela coisa. – Ele disse rindo.

Eu apoiei o queixo em uma de minhas mãos, o olhando. Se a mãe do Eren estivesse aqui ainda, o que será que ela pensaria em eu estar oferecendo vinho a seu filho de quinze anos? Provavelmente ela não iria gostar. Mas eu não ia embebedá-lo, apenas dei meia taça para ele experimentar, acho que tudo bem se for assim.

Eu também dei minha primeira golada agora. Sentindo o exótico sabor do Dubeuf. Era um dos vinhos mais doces que eu conhecia, por isso um dos meus favoritos. Há muito tempo que não bebia algo diferente.

– Como está a comida, heichou? – Eren perguntou.

– Está ótimo. Você soube assar bem este bife.

– Ah, que bom então... – Ele sorriu de novo. – Er... O senhor tá teve outros encontros, heichou?

– Olha, Eren... acho que os encontros que já tive no passado nem devem ser chamados de encontros. – Falei com descaso.

– Hum? Por que?

– Ah, acabei ficando com umas vadias...

– O senhor saía com prostitutas?! – Ele arregalou os olhos.

– Não, elas não eram prostitutas. Hoje em dia devem ser, mas naquela época não.

– Foram muitas? – Eren inflava as bochechas enquanto falava.

– Não, com quem eu saí mesmo foram umas cinco.

– Com quem saiu mesmo? Então... ficou com mais do que isso?

– Ah, Eren deixe isso pra lá. Já foi. Estamos no nosso encontro agora, não é? Não vamos ficar falando de casos passados. – Dei outra golada no vinho.

– Ah, mas... Me falaram que o encontro serve para conhecermos mais um ao outro, por isso eu queria... saber com quem mais você andou. – Ele foi abaixando o tom da voz. Envergonhado e enciumado.

– Eren, está cismado com o que?

– Nada! Só... não imaginei que ficou com... tantas garotas assim. – Ele fez um bico. – Bem, na verdade imaginei sim... você é tão bonito. Mesmo hoje em dia, você arrumaria garotas facilmente.

Neste momento dei um peteleco na testa do pirralho.

– O que está falando? Eu não vou ficar com nenhuma garota, Eren. – Dei mais uma golada no vinho. – Porque... Eu estou com você... E você tem uma coisa que nenhuma delas tem. – Falei divertido e ele corou violentamente.

– He-heichou...! – Ele falou manhoso. Aparentemente mais confiante. – Hum... E já saiu com algum homem no passado? – Ele perguntou retomando a cisma.

– Não... – Dei um sorriso de canto. – Você é o meu primeiro.

Eren, neste momento abaixou a cabeça. Muito vermelho.

– Eu sou... o primeiro do heichou... – Ele murmurava pra si mesmo. Parecia uma criança agora.

– O primeiro... e tenho quase certeza que vai ser o meu único. – Disse. Sem querer. Simplesmente saiu da minha boca. Percebendo que falei em voz alta, arregalei os olhos. Eren também.

– Eu vou ser o seu único? – Seus grandes olhos verdes brilhavam para mim. E seu sorriso se abria novamente.

– Er... V-vamos terminar o jantar, Eren. – Falei rapidamente voltando a atenção no prato. Ele riu percebendo que fiquei sem jeito.

– Eu te amo, Levi heichou. – Eren levantou da cadeira e inclinou-se sobre a mesa até seus lábios alcançarem os meus, num selinho breve. Seu rosto continuava corado e eu espontaneamente dei um sorriso.

– Eu também te amo... Eren Jaeger.

~#~

Eren

Não havia palavras para descrever o tamanho do meu encanto naquele momento. Levi disse “Eu te amo” sorrindo pra mim. Sorrindo! Era uma visão única e que durou bem pouquinho, mas iria ficar guardado na minha mente por muito tempo. Tive vontade de subir na mesa, abraçá-lo e enchê-lo de beijos, mas segurei essa tentação e voltei a comer, já estava quase acabando o prato.

Tentei não demonstrar muito, mas fiquei nervoso durante todo o jantar. Porque eu nunca tive um encontro na vida e justo agora, do nada, resolvi preparar um para heichou e eu. Queria fazer tudo perfeito, para que ele gostasse. Acho que estou me saindo bem... por enquanto. Consegui até fazê-lo sorrir daquele jeito.

Fomos conversando até o final. Não teve nenhum momento de silêncio constrangedor. Sempre tínhamos algo a dizer ou comentar. Falei ao Levi sobre como era minha rotina no passado, com meus pais. Como eu era arteiro e me metia em briga de rua direto, na maioria das vezes junto de Armin. Disse como adotamos a Mikasa... nesse momento ele demonstrou um pouco de ciúmes. Também mencionei como foram meus dias durante o treinamento de cadetes, das coisas que falhei e das coisas que tive mais destaque.

Levi ouvindo-me, também se inspirou em me contou como era o seu passado. Disse exatamente como Petra havia mencionado, ele era um marginal bem famoso na capital. Andava com um grupo de pessoas e morava no subterrâneo da cidade, até o comandante Erwin encontrá-lo e convencê-lo a se juntar à Tropa. Levi contou que suas manias de limpeza já vinham desde criança, isso por viver nas ruas, e ele sentia-se muito desconfortável no meio da sujeira, por menor que fosse.

Então percebi que esse era o papel do “encontro”. Eu e Levi nos conhecemos mais apenas com esta conversa. Ambos ficamos mais à vontade pra falar de tudo, já que estávamos sozinhos naquele cômodo.

Assim que terminamos o jantar nós retiramos os pratos, talheres e taças da mesa, colocando-os lá no buffet de madeira, junto à garrafa de vinho.

– Ah, heichou, sente-se lá. Tem mais coisa ainda. – Falei.

Levi arqueou uma sobrancelha, aparentemente curioso, logo retornou à sua cadeira, cruzando as pernas ao sentar.

– O que é? Tem mais alguma surpresinha pra mim? – Falou com um tom divertido.

– Sim... – Aproximei-me do heichou com uma pequena caixa em mãos. Ele fitou-a até eu me aproximar, puxar minha cadeira e sentar-me ao seu lado. – Falta a nossa... sobremesa. – Abri a caixa mostrando a ele.

– Oh, chocolates! – Heichou fez um tom surpreso. Seus olhos pareceram brilhar – Vocês compraram bastante coisa cara hoje, hein.

– Ah, não tem problema. Afinal há quanto tempo não comemos um “doce” que não seja bolinho-de-chuva? – Falei rindo.

– Hum, certo então. Já que você trouxe, não vou recusar... – Levi já estava para pegar um, mas eu o impedi com a mão.

– Não. Eu quero dar na sua boca, heichou!

– O quê?! – Levi fez uma careta e logo uma expressão meio indecisa. – Não, não precisa fazer essas coisas...

– Vai, heichou! Não é nada de mais. – Pedi.

– Não é você mesmo que diz que não gosta dessas coisas melosas?

– Mas se é com o heichou, eu não ligo. – Peguei um quadradinho do chocolate e levei para perto de sua boca. – Só tem eu aqui. Ninguém vai ver.

– Hunf. – Sem dizer mais nada, e depois de pensar bem, heichou deu-se por vencido e abriu a boca pra mim, sem me encarar diretamente. Levei o chocolate até seus lábios e ele mordeu com delicadeza para enfim saborear o doce de cacau. Mostrava-se sem graça. Dei muitos gritos internos, porque ele fez isso tão bonitinho. – Então... minha vez?

– Er... Aham. – Respondi meio nervoso. Ele fez um tom de voz diferente agora. Levi pegou outro quadradinho de chocolate da caixa e segurou próximo a minha boca. Quando eu ia pegá-lo, Levi me impediu.

– Assim não... Feche os olhos, Eren. – Ele disse de forma mais provocadora. Sem pensar duas vezes, fiz como ele pediu. Sentindo o coração acelerar. Pra quê fechar os olhos? O que ele... pretendia? Foi aí que senti o chocolate tocar meu lábios. Assim que o mordi, senti encostar em algo macio... Abri os olhos e vi o rosto de Levi colado com o meu. Ele segurava a ponta do doce com a boca. Meu coração não parava de acelerar. Ele mordeu seu lado do chocolate e eu mordi o meu até nossas bocas se encontrarem. Primeiro num selo, pra depois pular para o beijo de verdade. Um beijo muito mais ousado, aliás. Nossas línguas começaram a se mover. Sentíamos apenas o gosto de chocolate, obviamente. Assim que derreteu todo, intensificamos o contato, roçando nossas línguas uma na outra. Estava tão doce... tão viciante...

Mas heichou e eu separamos mais rápido desta vez pra tomar fôlego. Afinal, tente beijar alguém com um chocolate na boca, respirar era mais difícil. Ainda bem que derretia rápido.

Heichou estava com os cantos da boca sujos do doce. Lambi os lábios e senti os meus sujos também.

– Deixa que eu limpo pra você, Eren... – Heichou, inclinou-se e passou sua língua pelos meus lábios, tirando todo o chocolate. Fazia isso de forma sensual... Eu começava a ficar embriagado.

Já não havia mais nada sobre a mesa, exceto a própria toalha de mesa, heichou me puxou para cima e me fazendo deitar sobre ela. Ele ainda lambia meu rosto e foi descendo aos pouquinhos até o meu pescoço. Já sentia vários arrepios. A boquinha veloz do Levi sempre me deixava louco. Soltei os primeiros gemidos, bem baixinhos. Heichou, impulsionado pelos sons que eu deixava escapar, subiu também, ficando de quatro sobre mim na mesa.

Ele chupava com gosto toda a parte exposta do meu pescoço e voltou a subir as carícias até meu ouvido, lambendo ali de forma deliciosa. Dei um gemido mais chorado, a excitação já se manifestava em meu corpo. Apenas abracei heichou, massageando suas costas e concentrado em sentir sua língua me provocando.

– He-heichooou... – Gemi.

– Isso, Eren... Gosto dessa sua vozinha... – Levi também parecia entrar em transe.

Assim que ele colocou as mãos por dentro da minha blusa, ouvimos o som da maçaneta da porta girando, e ambos voltamos a atenção para lá. Tomamos um baita susto. O alívio era que eu havia a trancado, justamente pensando na possibilidade de alguém querer entrar aqui. Ouvimos duas vozes do lado de fora:

– T-tá trancado! – Uma voz feminina dizia.

– Acho que já estão usando... – Desta vez, um tom masculino.

– Ah, que vergonha! Acho que atrapalhamos então...

– Vamos procurar outro quarto! – Ele falou já se afastando da nossa porta.

– Tá bom! – E assim fomos ouvindo as vozes e os passos deles ficarem bem longe até não ouvirmos mais.

– Heichou... o... o que foi isso? – Perguntei arqueando uma sobrancelha.

– Hunf. Pelo visto, dois adolescentes procurando um lugar pra “se divertirem”. – Levi disse, mas ao mesmo tempo ficou observando a porta, pensativo.

– Ah, heichou! – Segurei seu rosto, fazendo-o me olhar. – Não ligue pra eles. Vamos... continuar a “nossa diversão”? – Falei com malícia, o que fez ele dar um riso.

– Hummm, está danadinho hoje, Jaeger. – Ele falou irônico. – Mas só... Pare um pouquinho... ouça. – Ele se sentou sobre minhas pernas e apontou o dedo para a porta. Eu também me pus sentado e fiquei o olhando estranho.

– O quê? – Perguntei confuso.

– Não tá ouvindo isso?

– Ouvindo o que? – Tentei me concentrar nos sons, mas eu não escutava nada.

– Esse som abafado...

Depois que ele disse, foi que prestei mais atenção... consegui ouvir um som abafado sim... parecia algo batendo. Parecia...

– É um tambor?

– Não só um tambor. Parecem vários tambores. E violões também... – Heichou falava.

– D-de onde está vindo isso? — Perguntei

– Hum... – Levi desceu da mesa e foi até a porta, destrancando-a. – Vem comigo, Eren. Estou com um mau pressentimento.

– Er... Sim, senhor! – Desci da mesa também e o segui, curioso. Assim que ele abriu a porta, o som ficou mais audível. – Ué, estão tocando música aqui dentro?

– Esse não é o problema. – Heichou caminhava rapidamente pelo longo corredor indo em direção ao refeitório. Eu o acompanhava, estava bem escuro mas pude ver alguns casais encostados à parede, “dando uns amassos”.

Fiquei um pouco perplexo, isso nunca acontecia. E eram vários. Vi até menina com menina.

– O que está acontecendo? – Falei um pouco mais alto, pois conforme aproximávamos do refeitório, mais a música aumentava.

– Não tenho ideia, mas acho que sei que é a responsável. – Levi falava impaciente.

Assim que adentramos o local, tanto eu como ele ficamos bestificados. Era uma visão inacreditável.

O refeitório virou o caos!

Acho que todos da Tropa estavam ali, ou pelo menos boa parte! Várias mesas estavam arrastadas para os cantos, um grupo grande de soldados tocavam tambores, violões e até piano bem em frente à entrada para a cozinha. Um deles era o Reiner! Abriram uma área grande bem na frente deles, onde haviam mais soldados dançando energicamente, uns sozinhos outros com pares. Consegui ver Connie e Sasha ali no meio deles, já que era a área mais iluminada. O resto do local estava bem escuro. Haviam muitos ainda dançando sobre as mesas, por todo o refeitório. E mais os que estavam sentados, conversando e gritando alto. Mas era uma movimentação pra lá e pra cá que eu não havia visto até hoje.

– He-heichou, o que houve com todos? – Perguntei ainda espantado com toda aquela baderna e barulheira. Nunca vi eles agindo daquela forma. Parecia um hospício.

– Isso se chama... “O que acontece quando tem um monte de jovens sem tarefas, com bebidas e o comandante ausente.” – Três veias saltaram da testa de Levi. Com certeza ele estava furioso. – Ache a quatro-olhos, procure daquele lado, eu vou por aqui. – E assim ele, com passos pesados, foi caminhando pelo lado direito do refeitório, tentando olhar por cima e localizar a Hanji. Vi que ele ficava na ponta dos pés para isso.

– Heichou! – Tentei chamá-lo, mas ele já adentrou no meio da multidão e logo sumiu. Ele era muito baixinho pra procurar Hanji assim. Eu já estava para ir atrás dele, quando ouvi meu nome ao longe.

– Eren!

Percebendo que alguém me chamava, olhei para todos os lados, procurando quem era. O barulho da música e das conversas altas atrapalhava e confundia a origem do som.

– Eren!

Quando dei por mim, senti alguém me agarrar pela cintura. Com força! Olhei de lado e identifiquei a pessoa.

– Mikasa!!

– Eren... Finalmente voltou! – “Hã?”

– O que houve, Mikasa?

– Achei que você não fosse voltar mais. – Ela continuava agarrada em mim. E não largava de jeito nenhum. O que deu nela?

– Do que está falando? Eu não fui pra lugar algum! – Ela virou o rosto para mim, fitando meus olhos. Percebi agora que ela estava mais corada do que de costume, sem o cachecol e sem a jaqueta da Tropa. – V-você está bem, Mikasa?

– Agora que você está comigo, estou! – Percebi que ela tinha algo em mãos. Era uma garrafa. Peguei-a e tentei ler o rótulo mesmo no escuro. Era vinho, mas não o vinho que dei para o heichou, era outra marca. Nem tinto era.

– Mikasa! Oe, Mikasa! – Tentei fazê-la olhar pra mim. – Quanto que você bebeu disto? – Apontei para a garrafa.

– Hã?! – Ela apertou os olhos pra ver a garrafa. – Ah, não sei... Isso não importa.

– Cadê o Armin e o resto do pessoal?

– Hum, daqui a pouco a gente encontra eles... – Ela se levantou até ficar na minha altura. Fez um tom mais estranho. – Fico feliz que esteja aqui, Eren... – Eu a percebi se aproximando de mim de forma meio... ousada. Ela segurou meu rosto com ambas as mãos e foi aproximando sua boca da minha. Não, de novo não! O que eu faria? A empurraria? Ela mais fortona do que imaginam. Optei por tampar sua boca, antes que o contato fosse feito.

– Er... Mikasa, por que a gente não vai encontrar o Armin primeiro? Se me levar até ele... eu beijo você. – Com ela nesse estado, eu devia jogar assim na chantagem.

– É mesmo? Oh, Eren... – Agora eu notava o quanto a voz dela estava alterada e como ela largava seu peso sobre meu corpo enquanto me abraçava.

– Mikasa, por favor, eu não te aguento! – Não que eu seja fraco, mas ela pesava mais do que eu...

– Hum, deixa que eu te carrego, então... – Ela pôs se em pé e rapidamente agachou, encaixando minha barriga em seu ombro e levantando-me facilmente do chão.

– Oe, Mikasa, assim não! Me põe no chão! Eu não pedi nada disso!

– Vamos até o Armin, Eren! – E assim, com passos desajeitados, ela foi me levando pra dentro do tumulto de gente que estava aquele refeitório.

– Não! Mikasa! Mikasa, não está me ouvindo?! – Eu protestava, mas nada fazia efeito. – Quando disse pra me levar, não foi isso que eu quis dizer! – Ela parecia não ouvir mais nada. Resolvi deixar quieto, afinal estava escuro, acho que ninguém iria me ver. Inclinei a cabeça para cima, tentando inutilmente encontrar o Levi. – Heichou... cadê você? O que houve com todo mundo?!

Notas finais
E aí? Vocês estão vivos ainda? Hehehe E então, o que acharam? Agora é que a coisa vai ficar mais interessante xD Sempre quis duas coisa: um encontro do Eren com Levi e mostrar um Party hard na Tropa de Exploração (só que o Erwin estaria participando) xD Acho que seria bem engraçado, e consegui colocar algo do tipo aqui o/ Alguns podem se perguntar pq não coloquei simplesmente como cap normal em vez de especial. A resposta é pq eu não segui a cronologia do anime/mangá aqui o/ Acho que voces notaram isso, mas segue a cronologia de Provocativo, obviamente xD Enfim, só quis deixar claro. Bem... Então teremos um próximo cap!! o/ (Obvio, pq se eu finalizar do jeito que parou, voces vão me matar, não é? xD) Tadinho do nosso querido Eren, acho que nunca participou de um party hard na vida, por isso está tão assustado =3= (mais ainda com uma Mikasa bêbada na cola, aí é pra ter medo mesmo) Levi então... vish. Vai arrancar os membros da Hanji. Fiquem curiosos aí com o que vai rolar aí o/ Beijinhos da Nikki ♥ Até o próximo! Ah, ultima coisinha, pra mim Nanaba é homem, sempre foi, mas vi no Wiki e no AL que é mulher, então deixei Nanaba como mulher aqui, mas sei lá, posso corrigir isso e fazer como homem, o que vocês preferem? *-*