Provocativo
19 Loirinho
Notas iniciais
Eren
Eu estava muito ofegante. O suor escorria pelo meu rosto e meu corpo esquentava mais e mais. Agora meus braços e pernas começavam a tremer por ficar tanto tempo na mesma posição fazendo aqueles movimentos. E mais ainda aguentando o corpo do heichou em cima do meu. Isso era demais pra mim. Não ia aguentar essa pressão por muito mais tempo...
– H-heichou... eu desisto!! – Falei o mais alto que pude. Não conseguiria fazer uma única flexão mais. E com heichou sentado em minhas costas então, dificultava mais a situação.
– Você não tem permissão pra desistir. Vai continuar até os cem. – Ele falou indiferente, cruzando as pernas. – Já conseguiu fazer oitenta e um.
– Exatamente! Tá tão perto, já não vale como cem? – Perguntei com uma voz chorosa.
– Cadê a sua determinação em alcançar seu objetivo, Eren? Eu disse cem flexões e você concordou. Então são cem flexões. Fim de papo. – Heichou deu uma golada no seu cantil de água.
– Mas... heichou não falou nada sobre eu fazer com o seu peso nas minhas costas... E eu tô com fome também... – Disse enquanto tentava mais uma flexão. Minha barriga roncava alto. Minhas mãos já deviam estar todas marcadas de ficarem apoiadas tanto tempo na grama. – Sinto que vou vomitar, heichou...
– Garoto, não faz drama agora. Você tem que ser capaz de encarar qualquer imprevisto que lhe apareça. – Ele argumentou.
– Mas...
– Sem “mas”! Te darei uma recompensa se chegar até o cem. – Ele falou.
– Eh? Recompensa? O que é...? – Mesmo com a voz cansada, perguntei.
– O que você mais deseja neste momento.
Na hora reuni todas as minhas forças, e fiz as dezenove flexões restantes. Sei que eram poucas que faltavam, mas quando está quase no finalzinho do exercício, pode acreditar que seu corpo praticamente “desiste”. Mas tentei ir até o final. Heichou ia contando em voz alta. E com bastante dificuldade, completei todas as cem flexões. Relaxei todo meu corpo e me larguei ali na grama. Respirando alto e até babando um pouco.
Heichou saiu de cima de mim e me observou, ainda de braços cruzados.
– Hum... Bom trabalho, garoto. Confesso que sempre me surpreendo quando você fica determinado.
– Humm... – Ainda estirado no chão, apenas dei uma murmurada. Não conseguia mover nenhum de meus membros. Bem que Levi havia dito que eu precisava treinar mais minha resistência.
– Anda. Levanta daí. Vamos almoçar então. – Assim que ouvi a última frase, levantei rapidamente do chão. Essa com certeza era a melhor recompensa que eu poderia receber naquele momento. O combinado inicial era de treinarmos um pouco mais de combate físico depois das flexões, mas já fiquei super aliviado de o heichou ter me deixado ao menos almoçar antes. Eu sei, ele é bem severo com relação a treino. Eu estava com tanta fome que podia sentir o estômago colado na coluna.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, vi ao longe uma figura correndo em nossa direção. Estava afobada e balançava os braços, aparentemente nos chamando.
– Heichou, Hanji-san está vindo aí. – Avisei Levi, puxando sua blusa e ele logo voltou sua atenção para ela.
– Hum? O que ela quer agora? – Heichou pegou seu cantil e jaqueta. – Venha. – Ele me chamou e eu fui indo atrás, até alcançarmos Hanji.
– Ahh, até que enfim achei vocês! – Hanji falava ofegante.
– O que está fazendo aqui, quatro-olhos? – Levi perguntou.
– Erwin quer vocês dois na sala de reunião agora! O resto do seu esquadrão já está lá à espera.
– Hum? Uma reunião agora? – Levi coçou a cabeça – É sobre a missão de amanhã?
– Sim! Somente com o seu esquadrão agora.
– Tsc. Ele tinha me falado que seria de tarde... Bem, vamos então. – Levi concordou já indo.
– Ahh, espera! – Eu pronunciei. – Mas então, nós não vamos almoçar? – Senti meu corpo amolecer novamente.
– Calma querido, prometo que não será uma reunião demorada. – Hanji consolou. – Bem, só vim avisar. Venham logo pra sala. – Ela fez o seu caminho de volta até o castelo.
– M-mas... – Sentia minha barriga roncando. E o calor insuportável daquele momento. Mas me dando por vencido, fui indo na mesma direção de Hanji sem reclamar. Afinal, era um assunto importante, não é?
Levi parou observando-me, e logo segurou o meu braço, me fazendo parar.
– Heichou?
– Feche os olhos.
Sem entender muito, fiz. Logo senti uma boa quantidade de água ser derramada sobre meu rosto. Água provavelmente do cantil do Levi. Confesso que quase senti um orgasmo na hora. Levi jogava um pouco da água em minha nuca também. Passou a mão em meus cabelos, agora molhados, jogando-os pra trás.
– Mais fresco agora? – Ele perguntou.
– Sim... obrigado, senhor... – Falei corando um pouco. Lembro que minha mãe fazia o mesmo comigo em dias quentes assim.
– Que bom, porque agora você vai ter que ficar bem concentrado na fala do Erwin, ouviu?
– Sim, senhor.
E assim fomos até a sala de reuniões do quartel general. Graças a Deus a sala estava bem fresquinha. Petra, Auruo, Erd e Gunther já estavam lá dentro sentados à grande mesa de madeira do centro. O comandante Erwin nos esperava, já em pé, ao lado de um quadro enorme com o desenho do esquema de formação que faríamos para a missão de amanhã.
– Atrasado hein, Levi. Não é de seu feitio. – Erwin falava ironicamente.
– Hunf. Atrasado o caramba... É você que fica mudando as coisas de última hora. Eu tenho meus horários também. – Levi argumentou.
– Desculpe o atraso, comandante. – Eu disse, me curvando.
– Não se preocupe, Eren, eu sei que foi um chamado repentino. Pode se sentar aí. – Erwin era sempre gentil comigo. Penso que agia assim para me fazer sentir mais à vontade e confiante nele. Já ao heichou, ele tratava com bastante sarcasmo.
Levi sentou-se na cadeira mais próxima, ao lado de Erd. Eu acomodei-me ao seu lado. O comandante começou a falar. Nós já tínhamos visto o esquema antes, mas Erwin sempre repetia o planejamento na véspera de cada missão a ser feita. Caso haja alguma mudança do esquema original. Pelo que ele falava, não vi quase nenhuma alteração na nossa posição. O esquadrão Levi continuava na retaguarda da quinta fileira, o ponto mais seguro da formação.
Sempre que ouvia sobre a missão eu ficava tenso. Afinal, isso era um teste para ver se conseguiriam me levar até o Distrito de Shiganshina, a minha terra natal, em segurança, evitando qualquer confronto com titãs. Mas sei que pessoas morreriam e se feririam, tudo apenas para me transportarem sem que nada me aconteça. Isso era uma culpa muito grande pra eu carregar... Essa missão tinha que ter sucesso!
Fiquei prestando atenção nas palavras de Erwin na maior parte do tempo. Ele citou algumas das posições de meus amigos. Armin, Jean e Reiner ficariam nos grupos à nossa direita, bem à frente. Mikasa, Sasha e Connie ficariam no outro extremo. Confesso que eu estava mais preocupado com eles do que comigo. Afinal, creio que não acontecerá nada com meu grupo, já que, além de ter o Levi com a gente, estamos no ponto mais seguro da formação. Mas com meus amigos... estou com receios.
~#~
Armin
Eu terminava de recolher o restante das roupas do varal. Levou bastante tempo. Ainda era muita roupa e algumas estavam numas cordas que eu não conseguia alcançar nem subindo num banquinho. “Por que colocaram a corda naquela altura? Talvez nem Bertholdt alcance aquilo sem um banquinho.”
Enchi os braços com uma boa quantidade de roupas e trouxe até a lavanderia, colocando-as dentro da bacia. Todas deveriam ser bem dobradas antes de serem mandadas para os quartos, de acordo com a tenente Hanji. Sentei-me no banquinho, arregacei as mangas e joguei a franja pro lado, pronto pra começar.
– Ei, por que está aí sozinho há essa hora, garoto? – Levei um susto. Uma voz bastante reconhecível veio de trás de mim. Eu imediatamente fiquei em pé.
– Ah, Levi heichou! Eu estava terminando a tarefa com a roupa... – Eu falava com certo afobamento. – Cedo ou tarde, teríamos que fazer... então pensei em começar logo.
– Hum... admiro sua iniciativa. – Ele disse indiferente caminhando até o tanque. – Hum? Você viu algumas peças de molho aqui? – Ele perguntou olhando dentro do tanque.
– Ah, as que estavam aí já estão penduradas ali. – Apontei para o varal.
– Oh...? Você lavou?
– Sim.
– Hum... Bom trabalho então... – Ele falou, até um tanto admirado, analisando-as de longe. – Vou voltar aos meus afazeres. Sugiro que você chame mais gente pra ajudá-lo com esse trabalho, garoto. – Disse passando a mão na pilha de roupas da bacia, logo indo embora.
– Hum... sim, senhor. — Confesso que me senti feliz de receber um elogio do heichou. E também alívio de ele não ter achado estranho me ver usando shorts. Estava um calor infernal, não aguentava mais ficar de calça.
Depois, eu dei uma olhada novamente nas roupas penduradas que Levi heichou veio procurar. Eu achei que fossem minhas ou de Connie pelo tamanho, mas pelo visto eram dele. Segurei o riso na hora, heichou era bem mais velho que nós, mas era pequeno. Isso era um tanto... engraçado.
Sentei-me novamente no banquinho de frente pra bacia cheia de roupas. Tirei a franja de meus olhos novamente e comecei o serviço. Peça a peça ia dobrando com certa ansiedade. Eu bem podia esperar o pessoal acabar o almoço e vir me ajudar, como heichou falou... Mas eu estava inquieto. Era o nervosismo da missão de amanhã. Tínhamos todos acabado de sair de uma reunião com o líder do esquadrão, Ness. Eu já estava com o esquema de formação do comandante Erwin memorizado, mas foi bom eles repetirem agora. Pude prestar mais atenção na posição dos outros. Mikasa estava bem longe de mim e Eren ficaria na retaguarda do centro. Os que ficaram nas fileiras da direita junto comigo foram Jean e Reiner.
Mas eu não conseguia tirar da cabeça o fato de irmos para o território dos titãs. Qualquer coisa poderia acontecer... Mais amigos poderiam ser perdidos... assim como Marco...
Eu sei que escolhi a vida de soldado e quero continuar nela, mas ainda me preocupava de algo dar errado...
– Ei, loirinho, finalmente te achei. – Ouvi outra voz super reconhecível atrás de mim, que me fez sair dos pensamentos. Assim que me virei, pude ver a figura de Jean, parado com as mãos na cintura, dando um sorriso.
– Jean! Já acabou o almoço?
– Eu já, e você? Não vai comer não? – Perguntava ele – Preferiu vir bancar a dona-de-casa aqui?
– Eu estou sem fome agora. E eu quis logo terminar a nossa tarefa...
– Ah, Armin... espera o pessoal chegar aqui. Não faça tudo sozinho, você vai se cansar desse jeito...
– Eu consigo.
– Você precisa passar ferro em algumas, Armin. É um trabalho pesado...
– Você acha que eu sou fraco assim?! – Levantei um pouco a voz sem querer. Jean me olhou estranho. – Er... Hum... Desculpe... eu não quis falar assim... –Virei-me para o outro lado, de cabeça baixa.
– Ei, por que você tá assim? – Jean perguntava com um tom preocupado. – Aconteceu alguma coisa? – Ele se aproximou de mim e se agachou na minha frente, tentando ver o meu rosto – Hum?
– Jean... Você me acha muito fraco?
– O que? – Ele arqueou uma sobrancelha. – Que pergunta é essa de repente?
– É amanhã a nossa missão! Nós vamos para o território dos titãs! Vamos estar todos longe um do outro! Eu não sei se vou ter coragem pra agir sozinho na hora...
– Armin. – Ele me fez olhá-lo novamente. – Por que tá falando tanta merda hoje? Está assim desde cedo. Calma... – Ele falava com bastante serenidade.
– Mas...
Jean coçou aparte de trás da cabeça antes de começar a falar.
– Armin... cara, você é melhor do que imagina! – Ele, com os dedos, afastou minha franja de meus olhos. – Você enfrentou a Guarda Estacionária pra cobrir o Eren, planejou o fechamento da muralha Rose, lidou com o Eren na forma titã quando ele estava fora de controle... Você tem muita coragem, Armin... Até mais do que eu. Então para com essa viadagem de achar que é fraco, viu? – Ele deu um peteleco de leve em minha testa. Confesso que fiquei sem graça com suas palavras. E até um pouco corado. Jean é bom em encorajar pessoas. Bem como Marco havia dito...
Respirei fundo e soltei o ar. Eu estava de fato muito exaltado. Esse é o primeiro erro que os soldados cometem. Ficar pensando tanto na missão, se precavendo em tudo para fazer dar certo, mas na hora H se desesperar e tudo dar errado...
– Obrigado, Jean... – Disse arrumando minha franja novamente. Eu devia distrair minha mente. O elogio do Jean já me ajudou bem com isso. Fiquei desconcertado e acanhado.
– Armin, tá precisando cortar o cabelo, hein. – Jean disse, mexendo na minha franja. Foi aí que eu notei porque ficava caindo nos meus olhos direto.
– Oh... acho que tem razão...– Eu disse agora sorrindo.
– Ah, finalmente sorriu... – Jean falou bem, mas bem baixo mesmo.
– O que disse?
– Nada! Er... Quer que eu corte seu cabelo? – Ele se ofereceu. Tentando disfarçar sua última frase. Mas eu ouvi bem. Jean, apesar de seu jeito promíscuo e pavio-curto, pode ser bastante sensível quando ele quer.
Fiquei pensando agora, desde quando... er... fizemos amor no outro dia, nossa relação continuou basicamente a mesma, até que tranquila, sem ficarmos constrangidos quando estávamos perto um do outro. Às vezes, quando ficamos sozinhos, dávamos um selinho ou outro. Mas beijos intensos não aconteciam há um bom tempo.
‘Que tipo de relação era essa?’ pensava eu. Não sabíamos muito bem ainda o que éramos um para o outro. E na maioria das vezes evitávamos falar no assunto “sentimento”. Mas eu ainda tinha curiosidade. Queria saber se Jean gostava mesmo de mim ou se o que rolava entre nós era apenas uma... como chamam? “amizade colorida”? Como ambos estávamos levando isso numa boa, resolvi então nem tocar no assunto. Vai que Jean não goste de verdade de mim e sinta apenas atração... eu perderia sua amizade e o clima entre nós ficaria estranho caso eu dissesse que gosto mesmo dele. Me dava uma tristeza imaginar que ele pode ter ficado comigo por... não ter conseguido ficar com a Mikasa...
Chacoalhei a cabeça. “O que está pensando Armin?” Se fosse esse o motivo, não teria escolhido a mim, um garoto, e sim alguém como Sasha ou mesmo Christa — que no caso ele teria que passar por cima da Ymir primeiro... — Sem falar que ele me trata com... bastante carinho.
O que fizemos no outro dia foi uma experiência para ambos os lados. E agora, depois desses dias, refletindo e dando inocentes beijos, percebi que eu estava de fato enamorado de Jean. Não tinha dúvidas com relação a isto.
Eu me permiti dar um doce sorriso enquanto o observava vasculhar as gavetas da lavanderia, até finalmente encontrar uma tesoura perto de uma velha máquina de costuras.
– E então? – Ele chamou minha atenção. Parece que notou que eu estava pensativo.
– Tudo bem. Vamos ver se corta bem. – Falei em tom desafiador. Acomodando-me mais eretamente no banquinho.
– Confie no Kirchstein! – Ele pegou uma dos mantos da Tropa e colocou em mim.
– Jean, esses mantos estão recém-lavados... – Argumentei.
– Naaa, relaxa. É cabelo. E tá seco! Só dar umas batidinhas que sai. – Ele falava com bastante tranquilidade. Espero que as habilidades de corte sejam tão bons quanto sua confiança nelas.
– Tá bom, então... Corte apenas um dedo, viu. – Avisei.
Jean começou passando seus dedos por entre as minhas mechas, penteando-as, certificando que não havia nenhuma ponta embaraçada. Dava uns arrepios quando a ponta de seus dedos desciam perto de meu pescoço. Mas eu tentava não demonstrar nada externamente.
– Caramba, que cabelo lisinho... – Comentou Jean – Se colocar uma bola aqui, ela deslizaria...
– Isso foi um elogio?
– Hum, se você considerar um.
Jean deu uma volta em torno de mim, analisando meu cabelo, até ele parar na minha frente. Ele deu uma ajeitada em minha franja, estava bem comprida mesmo, ficava quase abaixo dos meus olhos. Eu continuei olhando-o fixamente por entre os fios. Sentia meu rosto esquentar.
Assim que ele percebeu meu olhar, ele deu um sorriso pra mim. Resolvi então fitar o chão, a fim de evitar ficar corado na frente dele.
“Jean, seu bobo. Fica fazendo eu me apaixonar mais por você com esse jeito...”.
Jean
Armin olhou pra baixo de repente. Não sei o motivo, mas saquei que ele tentava não me encarar. Ele estava muito estranho hoje.
Sinceramente, não sei bem ainda o que Armin pensa de mim. Será que eu o assustava? Afinal, eu sou meio promiscuo e já tem um namoro meio subentendido entre nós. Mas ele nunca falava no assunto. Bom, nem eu também. Mantivemos, desde o dia que transamos até agora, só na ficada. Mesmo sendo apenas selinhos sem graça.
Talvez estejamos juntos apenas para satisfazer as necessidades um do outro. Ou... pode ser que ambos tenhamos sentimentos um pelo outro mas temos receios de falar. Pode ser isso! Eu noto como Armin fica acanhado perto de mim. Ou como seus olhinhos brilham quando eu falo de coisas que remetem ‘sentimento’.
Bem, quando der a oportunidade certa, tentarei conversar sobre este assunto. Mas agora, eu devia me concentrar em cortar seu cabelo, para não sair torto.
Eu ficava com umas vontades enquanto penteava suas mexas. Sentia o quanto seus fios eram sedosos e brilhantes. Mexer nos seus cabelos me fazia lembrar do dia que transamos, enquanto eu o beijava intensamente e meus dedos passeavam por entre suas mexas... Isso me dava muitas vontades...
– Jean?
– Hã?! O quê?! – Confesso que foi como ter saído de um transe.
– Haha, nada! É que você parecia meio distraído. – Ele falava rindo. – Vai que você acaba cortando meu cabelo errado.
– Hunf. Não vai acontecer. Eu sou muito bom. – Eu falava convencido. – Fica com a cabeça mais reta – Com minhas mãos, direcionei seu rosto para frente. – Isso... – Ajeitei sua franja, deixando-a bem retinha. – Feche os olhos...
E assim, Armin fez. Com bastante cuidado, fui repicando as pontas. Prestando atenção para não cortar demais. Devia ficar num comprimento um pouco abaixo das sobrancelhas.
Quando terminei a franja, dei uma olhada de frente pra ver se ficou uniforme. Agora dava pra ver os olhos de Armin. Ainda fechados... Seu rosto angelical... Seus lábios unidos... Fiquei meio hipnotizado pela sua expressão, na hora. Parecia esperar por um beijo... Comecei a suar. As vontades estavam vindo de novo. Se ele soubesse o quanto eu queria beijá-lo intensamente até perder o fôlego...
“Não, Jean! Controle-se! Desse jeito vai assustá-lo!” Desviei meu olhar de seu rosto, se eu ficasse o encarando por muito tempo, acabaria beijando-o descontroladamente, o que levaria a fazer outras coisas...
Eu sei bem que tinha esse tipo de descontrole, então o melhor seria não dar margem à tentação.
– Jean? Ficou bom? Posso abrir os olhos?
– Er.. Pode!
Me permitir encarar fundo seus grandes olhos. Era uma cor azul tão chamativa...
– Hum... Por que tá me olhando assim? – Ele falou com acanhamento.
– Ahrg... Er... Eu tava vendo como é que ficou... – “Armin, droga!! Para de fazer essas caras angelicais pra mim!! Quando eu me deixar levar mesmo, aí não vai ter mais volta!” – Então, eu vou cortar o resto!
O loirinho fez uma cara estranha pra mim, parece ter notado meu desconserto. Rapidamente virei Armin de costas para mim. O melhor seria não olhar diretamente para o seu rosto, assim não sentirei essas vontades.
– Tá tudo bem aí, Jean?
– Sim, claro! Tudo! – Fiz um sorriso meio forçado, mesmo ele não olhando.
Fiquei prestando atenção apenas em seus cabelos, começando a repicá-los uniformemente e com cuidado. Um dedo apenas, como ele havia pedido. Aproveitando que Armin não podia me ver, dei mais uma olhadinha discreta em baixo. Óbvio que eu havia notado que ele estava de short. Estou olhando pra aquelas pernas desde a hora que cheguei. Isso era outra tentação. Não sei onde ele arrumou aquele short, era meio curto, ficava acima do joelho... Mostrava perfeitamente as silhuetas de suas coxas... tão esbeltas...
– Tô louco pra abri-las...
– Falou alguma coisa, Jean?
Foi aí que tapei minha boca, mesmo sendo um sussurro, eu estava pensando alto.
– Nada! – Respondi. Sentindo o suor escorrer.
Notei que ele ficou levemente corado. Acho que ele ouviu alguma coisa, porém não deve ter entendido. Mas, cara, não tinha como não olhar, eram pernas muito sensuais e convidativas. Estavam pedindo pra serem abertas aqui e agora!
– Jean...
– O que?
– Você gosta de mim?
– Hum?! – Comecei a suar mais. “Hã?! O que foi isso?! Do nada!!” – C-como assim?
– É que... parece que estamos tendo um relacionamento, mas... eu ainda não sei bem o que somos um do outro.
– Ah, somos ficantes, Armin.
– E o que é isso, afinal? É quando pessoas só se beijam de vez em quando e... sem compromisso?
– É. Tipo isso... – Meus batimentos cardíacos começaram a acelerar. Minhas mãos estavam suando, mas continuei cortando seu cabelo. Aonde ele queria chegar com toda essa conversa? Será que ele queria parar com a nossa “ficada”? Armin, não! Respirei fundo, pronto pra falar algo...
– E você não quer ser outra coisa? – Ele perguntou.
– Hã? Por que? Você não quer mais ficar comigo? – Perguntei já com um tom meio desesperado na fala.
– Não! É que... – Ele falava com ansiedade. – Está virando um problema na minha cabeça. Eu queria tirar essa dúvida há um tempinho. Não sei se você corresponde ou não, mas cada dia eu me apaixono mais, então queria saber o que você... ih! – Armin tapou a própria boca, obviamente notando que falou demais. Já a minha, ficou bem aberta.
– O que você disse, Armin? – Um sorriso foi brotando em meu rosto. De começo um sorriso surpreso, pra depois se tornar um malicioso.
– Não, eu não quis... er... – Armin se embaraçou um pouco com as palavras. Ele se encolhia ali no banquinho.
– Hum... parece que eu não sou o único que deixa fatos escaparem sem querer. – Falei maliciosamente, logo virando Armin de frente pra mim. Ele estava vermelho até as orelhas. – Olha pra mim, loirinho. Não precisa ficar com vergonha.
– Eh...? – Ele levantou o olhar pra mim.
– Você está apaixonado? – Abaixei-me para ver melhor seu rosto.
– Hum! – Ele desviava.
– Está, Armin?
– ...
– Por mim?
– Hum... ... Talvez. – Ele fez um bico. Logo olhando de forma manhosa para mim.
Essa foi a última gota.
Arranquei o manto verde de seu corpo e fui aproximando meu rosto do dele. Armin, por ato reflexo, se afastou pra trás e acabou perdendo o equilíbrio, tombando do banquinho. E me levando junto dele. Caí com o queixo sobre seu peito.
– Ai, ai. Que reação foi essa? – Perguntei retoricamente erguendo a cabeça. E com o braço esticado mantendo a tesoura longe. Por pouco eu teria o machucado com essa queda.
– D-desculpe, Jean... Eu... – Armin ainda parecia alvoroçado, tinha um olhar marejado. Será que iria chorar?
Foi quando ele subitamente segurou ambos os lados de meu rosto e juntou seus lábios com os meus. Com bastante delicadeza. Dessa vez, o surpreso fui eu. Ele tomou uma iniciativa para um beijo... coisa que ele fazia bem de vez em quando. E não era um selinho sem graça, era um beijo de verdade. Ele movia timidamente seus lábios. Eu sentia suas mãos trêmulas apoiadas em meu rosto, mas ele parecia certo em todos os seus atos. Permiti-me, então, fechar os olhos também e saborear a boca de Armin, sentir mais dos seus finos e macios lábios e brincar com sua língua.
O loirinho aos poucos foi parando de tremer. Logo interrompeu o beijo para me olhar no rosto. Ele corou mais ao perceber nossa posição. Ambos caídos no chão e eu fiquei em cima dele, entre suas pernas. Mas, ignorando esse embaraço, ele mostrou um sorriso...
– E você, Jean? – Ele perguntou baixinho. – Está apaixonado... por mim?
Eu imediatamente, sem pensar, avancei em seus lábios de novo. Não resistindo ao tom de sua voz durante a pergunta. Foi tão adorável.
– Eu sou louco por você, Armin... – Falava em meio aos beijos. Ele, que já estava paralisado com meus atos repentinos, soltou um leve gemidinho ao ouvir minha declaração. Ele logo entrelaçou os braços em torno do meu pescoço, beijando-me com bastante gosto agora. Pra mim, isso foi sinal que aprovou minha resposta.
Senti sua língua bastante ousada. Invadia minha boca explorando onde bem queria. Pelo visto, eu não era o único sedento por aquilo.
Institivamente comecei a passar minhas mãos por suas coxas nuas, apertando-as com vontade. Eu estava louco pra senti-lo novamente. Logo minhas mãos foram subindo parte de seu short, a fim de chegar em suas nádegas. Armin puxou a parte de trás da minha blusa.
– Jean... Espera... hum... isso não... – Ele tentava falar em meio aos beijos. Mas faltava-lhe ar.
– Não vem negar agora, loirinho... – Falei, dando um pequeno intervalo no beijo para respirar. – Tô me segurando todos esses dias pra não te atacar... Aí hoje você me aparece com esse shortinho, mostrando as pernas assim...? Você tá pedindo...
Voltei a beijá-lo, mas desta vez no pescoço. Armin logo estremeceu sentindo minha língua passear até perto de sua orelha.
– Hm... eu sei... só... hum... quero dizer... aqui na lavanderia não! Os outros podem aparecer... – Armin falava, de forma ‘gemida’.
Mas sua fala me fez parar o que estava fazendo. “É verdade, estamos praticamente iniciando uma transa no chão da lavanderia, isso não tá certo!”
– Tem razão... – Imediatamente levantei-me, dando boas olhadas ao redor pra certificar que ninguém espiava.
– J-Jean... – Vi Armin cobrir o rosto de vergonha.
– Que foi?
– V-você já está... – Ele apontou. Olhei pra baixo e vi a enorme e bem aparente elevação entre minhas pernas.
– Ah, droga! De novo...
– Ah, meninos! Vocês já começaram o serviço! – Pude ouvir a doce vozinha de Christa, que acaba de adentrar a lavanderia junto de Ymir. Por reflexo, Armin já entrou na minha frente.
– Oi, Christa! Ymir! – O loirinho falava tentando disfarçar a situação. Eu tentei cobrir a região com as mãos. – Vocês podem terminar a tarefa com as roupas? Eu e Jean... er... decidimos dar uma pausa.
– Uhum, claro! – A pequena loira concordou balançando a cabeça. – Ah, tudo bem com você Jean? Parece meio estranho... – Christa questionava inocentemente, estranhando meu jeito. Mas pude ver o olhar malicioso de Ymir. Essa com certeza entendeu o que se passava.
– Hunf... ligeirinho... – Ymir comentou.
– Ahh, não é nada! – Segurei Armin mantendo-o na minha frente. – É que eu estou com as pernas cansadas de ficar muito tempo na mesma posição arrumando essas roupas... Bem, nós vamos indo. – Fui puxando Armin junto comigo, mantendo-o bem colado ao meu corpo.
– É! Até logo! – Armin se despediu, tentando ajudar na “despistagem”.
– Tudo bem, até mais tarde. – Christa deu uma acenada ao longe.
~#~
Depois de certo sufoco, Armin e eu adentramos ao nosso quarto. Verificando que não havia ninguém lá dentro, tranquei a porta. Foi bem trabalhoso atravessar todo o castelo tentando disfarçar uma ereção. Muita gente passou nos olhando estranhos. Provavelmente não notaram a elevação aparente, mas sim o fato de eu andar colado em Armin.
– Ah, cara... isso foi muito vergonhoso. – Armin cobria o rosto novamente.
– Hm... Relaxa... você nem conhece aquelas pessoas. Aposto que eles nem vão lembrar disso amanhã.
– E daí? Eles ficaram olhando...
– Acredite, seria pior se tivéssemos nos encontrado com algum conhecido, no meio do caminho. – Falei.
– Hum... E Ymir e Christa?
– Christa não notou nada...
– A Ymir notou. Ela vai contar...
– Ah, ela contando é diferente de verem a cena.
– Hm... certo então... – Ele fez um bico, sentando-se em sua cama.
– Ei... – Me aproximei dele. – Desculpe te fazer passar por isso...
– Você... tem que controlar esses hormônios. Você nem percebe quando fica de barraca armada...
– Ah, foi inevitável! E a culpa é sua! Você me dá muito tesão, Armin...
– Hum, não fale assim, Jean! – Armin ficava mais e mais vermelho.
– Ainda mais mostrando essas pernas...
– Para!
Soltei um riso. Era engraçadinho ver Armin constrangido, por isso eu provocava. Logo dei-lhe mais um beijo.
– Bem... quer continuar? – Perguntei sensualmente, com o rosto ainda bem pertinho do dele.
– Hum... – Ele fez um jeitinho manhoso na cama. – Você já está excitado mesmo... acho que não tem outro jeito. – Ele deu um sorrisinho maldoso.
Depois dessa deixa, eu, sem pensar duas vezes, subi na cama ficando por cima de seu corpo, entre suas pernas novamente. Ele foi se ajeitando até ficar deitado com a cabeça no travesseiro.
Iniciei mais um beijo. Intenso. Percebi que Armin me acompanhava bem, comparado à última vez. Ele mostrava-se bastante sedento em suas ações. Seus lábios moviam-se deliciosamente. Isso meio que me excitou mais. Comecei novamente a passar as mãos por suas pernas, agora subindo sem nenhuma interrupção até suas nádegas. Ele dava seus primeiros gemidinhos.
Parei o beijo por um instante para retirar minha camisa, logo indo beijá-lo novamente, mas ele pôs a mão sobre meu peito impedindo deu avanço.
– Armin...? – Olhei-o interrogativo.
– Deixa eu tentar desta vez... – Ele devagar foi me empurrando até nos virarmos na cama, invertendo as posições. Continuei entre suas pernas, mas agora estava por baixo. E Armin sentado sobre meu colo. Posição perigosa para minha sanidade. Pelo visto ele queria controlar desta vez. Bom, quem era eu pra impedir? Estava curioso pra ver o que ele faria.
Armin de primeira, moveu-se sobre minha ereção. Rebolando devagar e fazendo fricção. Deixei-me soltar uns gemidos roucos. Percebi que ele sorria ao ver reações. Pelo visto era isso que ele queria.
Seu rosto continuava bem vermelho. Estava com vergonha, mas isso não o impedia de fazer essas coisas vulgares. Ele deu uma engatinhada pra trás até seu rosto ficar na direção do alvo entre minhas pernas. Sem muita ladainha, ele desabotoou minha calça e desceu-a, apenas o suficiente até meu membro ficar exposto. Ele lambeu os lábios encarando-o. Ele fazia umas expressões... nada inocentes naquele momento. Isso era má influência minha? Parece que ele deixou de ser o doce e inocente Armin, por hora.
Rapidamente, ele abocanhou meu membro, introduzindo o máximo que deu em sua boca. Dei uma leve arqueada. A boca de Armin era meio pequena comparada ao meu...
– Arhg, Armin! – Minha mente deu uma desfocada. Ele começou a chupar... e chupava com força. Eu gemi mais e mais. Esse garoto é um tesão mesmo! Não esperava por essa boquinha habilidosa dele. Será que ele andou treinando? Sozinho? Com alguém? Bom... nem queria pensar nisso. Aquela língua tava tirando toda a minha sanidade. Só conseguia me concentrar em segurar o orgasmo o máximo que desse... estava muito gostoso sentir a boquinha dele ali... – Nossa... Armin... puta que pariu... – Me contorcia. Agarrava seus cabelos e o colchão. Comecei a mover meu quadril contra seus lábios, intensificando o contato. – Armin... Armin... Eu tô quase... Vai sair... – Sem conseguir conter mais, atingi o meu ápice naquele momento, gozando bastante eu sua boca. E um pouco em seu rosto, quando ele deu uma afastada. O que o fez apertar os olhos.
– Hum... – Armin passava a língua no pouco de sêmen que escorria de seus lábios. – Delicioso, Jean... – Ele falava de forma... adorável e inocente. Apesar de que nada do que ele estava fazendo era inocente. Mas Armin conseguia manter sua fofura mesmo no meio de toda aquela promiscuidade. – Você gostou?
– Você tá brincando? – Eu falava sem muito fôlego. – Acho que esse foi o melhor boquete da minha vida... – Falei sinceramente.
Pude ver o sorriso vitorioso no rosto de Armin.
Armin
Terminei de limpar a boca com as costas da mão. Via o peito de Jean subindo e descendo rápido, devido à respiração descompassada. E eu que causei isso nele. Ficava um tanto feliz de conseguir isso. Considerando que da última vez, eu desmaiei depois do sexo... Fiquei meio aborrecido com a ideia de eu ser fraco fisicamente até pra isso. Mas agora, eu queria provar a mim e ao Jean que aguentava fazer qualquer coisa.
Sentia-me excitado também. Logo, ficando ajoelhado sobre o colchão e deixando meu corpo mais ereto, fui descendo vagarosamente meu short. Não deixando de prestar atenção em Jean, que olhava fixamente o que minhas mãos faziam. Ele mordia o lábio inferior enquanto fitava.
Terminando de tirar o short junto da peça íntima, sentei-me novamente sobre Jean, bem na região de seu umbigo, segurando seu membro com uma das mãos e deslizando-o provocativamente entre minhas nádegas.
– Hu... Armin... – Ele apertou ambas as minhas coxas ao sentir o estímulo. Eu fiquei um pouco pensativo. Lembrei-me da dor da última vez. Será que doeria menos hoje? Ou a dor seria igual?
Respirei fundo, tomando coragem pra prosseguir. Não importa, doendo ou não, eu faria. Fiquei apenas estimulando Jean com a mão, por enquanto. Sentia bastante líquido escorrer dali, lubrificando toda sua extensão. Creio que isso seria o bastante para facilitar a penetração.
Jean, provavelmente não aguentando mais ficar sem agir perante aos estímulos, logo segurou meu membro com uma de suas mãos, iniciando frenéticos movimentos também. Isso já me deu uma desconsertada. Ao mesmo tempo, senti sua outra mão se juntar a minha lá atrás, melando seus dedos com seu próprio líquido e logo os introduzindo da minha entrada.
– Argh! Jean! Es... Espera... devagar... – Comecei a dar umas vaciladas ao sentir seus dedos invadindo meu interior e mais sua outra mão estimulando meu membro. Eu não era tão rápido quanto Jean para me excitar, mas para ejacular eu era bem mais rápido. Tentaria segurar o máximo que desse, para aproveitar mais tempo a sensação. Que era realmente impagável. Instintivamente comecei a mover o quadril. Sentia prazer dos dois lados. Eu segurava, mas já sentia chegando ao ápice. Eu não gemia alto, dava mais eram murmurinhos. – J-Jean... Isso... Eu... Ah, mais rápido...
Ao ouvir isso, ele aumentou a intensidade dos toques. Introduzia os dedos o mais fundo que conseguia e aumentou a velocidade da mão.
– A-agora... Eu já... – Sem dar tempo de falar, acabei por atingir meu orgasmo, melando o peito de Jean e parte de seu rosto. Senti meu corpo já ficar mais sensível depois dessa, quase pendendo para o lado, mas eu me mantive em cima de Jean. Não queria fraquejar agora.
– Loirinho... você não imagina... a minha visão agora... – Ele falava um tanto embriagado. Eu fiquei meio constrangido ao ver sua expressão. Ele parecia me devorar com os olhos. Até posso imaginar o que esteja passando por sua cabeça agora. – Muito melhor que as fantasia que eu criava...
– O quê? – Arqueei uma sobrancelha. – Fantasia? J-Jean, você criava fantasias?
– Ah, claro. Por que está tão surpreso? Você sabe que eu batia umas pra você... – Ele acariciou meu rosto.
– Por favor, não diga isso...– Pedi, balançando as mãos. – Isso... me deixa envergonhado...
– Você fica envergonhado com palavras, mas não fica quando faz todas essas ‘pervertidagens’ de agora? – Jean falava com seu sorriso maldoso.
– É... Exatamente. – Falei de forma um pouco mais dominante. – E... Você não viu nada ainda... – Fiz um sorriso desafiador, que fez Jean arregalar os olhos.
Segurei seu membro e posicionei-o na minha entrada, e sem esperar muito, fui vagarosamente sentando até ser totalmente introduzido. Apertei os lençóis com uma das mãos ao sentir o enorme volume me invadindo de novo. Jean deu uma arqueada, soltando um rouco e alto gemido. Provavelmente ele não esperava por essa minha iniciativa.
Ainda doía bastante, porém um pouco menos do que na primeira vez. Mas eu fiquei parado aguentando... até me acostumar de novo. Já senti minhas paredes internas contraindo em torno de seu membro. Devia estar esmagando-o lá dentro.
– Ei... tudo bem aí, loirinho? – Ele perguntou com a respiração alterada. – Eu não esperava por essa atitude... – Ele disse com certo sarcasmo.
– Só quis mostrar... que eu também posso controlar a situação... – Abaixei-me para dar-lhe mais um beijo. Logo, levantei meu quadril e sentei novamente no membro de Jean. Ele deu mais um gemido rouco, este me pareceu demonstrar mais regozijo no tom do que os anteriores. Pelo visto, eu estava indo bem.
– Armin... o que é isso...? Parece... que tá mais apertado hoje... – Ele comentou em meio aos pesados suspiros. Passando suas mãos por minhas nádegas. Eu deixei meu corpo ereto novamente, apoiando minhas mãos sobre o seu peito.
– He... Talvez esteja mesmo... – Repeti o movimento de sobe e desce mais rapidamente e aumentando a intensidade aos poucos. Agora, sem me conter muito, comecei a dar gemidos mais salientes.
Jean que pareceu se descontrolar na hora. Ele agarrou a parte de trás das minhas pernas e inverteu nossas posições, me deixando por baixo novamente. Eu dei uma assustada na hora, mas nem deu tempo de raciocinar direito. Jean recomeçou os movimentos fazendo em seu próprio ritmo, segurando minhas pernas bem abertas. Tampei minha boca com as mãos para conter os gemidos. Ele estava se movendo muito rápido... desse jeito eu não aguentaria de novo... Já sentia o ápice chegando.
– J-Jean! – Ele me olhava com expressão embriagada, parecia faminto por isso há meses. – Jean... Awn, Jean...
– Isso, Armin... fala mais o meu nome...
– Jean... de novo... tô quase lá... Jean...
– Uhum... – Ele demonstrava sua respiração mais pesada do que nunca. Logo, não aguentando mais segurar, me desfiz totalmente melando meu próprio abdômen. Jean ainda precisou de mais algumas estocadas para atingir ao seu orgasmo, ejaculando tudo dentro... me senti bem cheio e quente por dentro. Mas era uma sensação gostosa.
Jean, para não largar seu peso sobre mim, se jogou para o meu lado, deitando-se na cama também. Eu tentava voltar logo à realidade, ainda sentia meio em transe... Fui voltando a respirar mais vagarosamente e meus batimentos cardíacos foram se normalizando. Jean sempre se recuperava antes de mim, obviamente. Ele logo se virou de lado, mexendo em meus cabelos... Foi aí que me lembrei.
– Ei... Você terminou de cortar meu cabelo? – Minha voz saía um pouco fraca, mas não estava rouco. Jean riu com a minha pergunta.
– Claro! Depois você vê como ficou... – Ele beijou minha testa e me puxou para mais perto de si.
– Hehe... – Apoiei minha cabeça entre seu peito e queixo. Ficando assim, até o “calor intenso” passar. Pois, bastava o dia estar quente nós ainda fizemos aquilo... Até o calor dos corpos passar... – Jean... sabe que os outros estão dando duro nos preparativos de amanhã... e nós aqui fazendo essas coisas indecentes. – Falei meio que rindo.
– Ah, e daí? Você tomou iniciativa pra um monte dessas coisas. – Ele falou irônico. E eu ri com ele.
– Pois é... Eu... também sei que você tá preocupado... – Dizia, brincando com a mão de Jean sobre meu peito. – Não está?
– He... Você tem os mesmos pensamentos que eu, né loirinho? – Sua voz estava num tom bem sereno. – Eu queria transar com você de qualquer jeito hoje.
– Por que é a véspera da missão... ?
– É... Sabe-se lá o que vai acontecer. Como soldados, esta pode ser nossa última chance de ficar juntos, por isso quis aproveitar. – Ele falava com bastante sinceridade. O que me fez dar um sorriso de satisfação e ao mesmo tempo um sorriso receoso. Não era pessimismo da nossa parte pensar que poderíamos morrer amanhã. Nós apenas enxergávamos a realidade. Tanto podíamos morrer como sobreviver... Mas Jean e eu já estávamos contentes com o que fizemos até agora.
– Eu também quis aproveitar... — Falei num sussurro. – Mas nós vamos sobreviver.
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