Provocativo

25 Especial Parte 3 - Bêbados


Notas iniciais
Oie gentem, voltei rapidinho de novo =3=/ E queria super agradecer a Jaeger por escrever uma recomendação para a fic, muitissimo obrigada, querida (e claro, pode me chamar de Nikki à vontade =w=) Bem, chegay com outro cap do especial =3= já avisando que eu dividi de novo o/ Nas notas finais explico o porquê, mas só pra avisar que teremos uma parte 4, ok? Boa leitura, amores ♥

Eren

Finalmente, depois de atravessar por todo o refeitório, cheguei até Hanji-san, perto dos barris de run. Assim que ela me avistou, sorriu e gritou escandalosamente, vindo em minha direção.

– Ereeeeen!! – Ela pulou em mim e me abraçou. – Ah, que bom que você veio também!

– Oi, bom vê-la também, Hanji-san... – Dei um riso sem graça. Foi aí que vi como que ela estava alterada, tal como Mikasa e Jean.

– Uhuuu, pra festa ficar completa agora... Transforme-se em titã!

– O quê?! Ficou louca?! – Perguntei pasmo.

– Ah, vai. Só um pouquinho. – Ela pedia, com uma voz bem mole. Parecia não prestar muita atenção no que acontecia ao redor.

– Não! Um titã não cabe aqui dentro. – Falei.

– Cabe sim, olha como o teto é alto... – Ela apontava. E de repente deu uma desequilibrada. Eu, por reflexo, segurei seu braço.

– Hanji-san, cuidado! Assim você vai cair.

– Ou... Nossa... tudo começou a girar... – Ela falava pondo a mão na testa. – Ah... agora está voltando ao normal...

– Hanji-san, me escuta... Por acaso, você encontrou com o Levi heichou?

– Hum, Levi? Ele foi atrás de você já faz um bom tempo. – Ela respondeu.

– Ah, droga, nunca vou encontrá-lo assim... – Murmurei a mim mesmo.

– Ah, não diga isso querido. Vou te ajudar a achá-lo... se você se transformar em titã agora.

– Eu falei que não. Levi heichou não iria gostar...

– Hunf, que chato vocês... – Ela fez um bico. – Então, só me espere aqui, vou pegar mais um pouco de run. – E assim ela voltou até os barris.

– H-Han... ji...– Quis chama-la de volta, mas creio que ela não me ouviria. Achava melhor ela não beber mais. Ela estava quase totalmente fora de si. Tal como... todos aqui. Dando uma olhada ao redor é que percebia o quanto seguir as regras era importante. Esse pessoal fazia tudo o que bem queria... Ao olhar pra nossa pseudo pista de dança, avistei Ymir e Christa ali dançando juntas. Fiquei meio... hipnotizado. Não havia notado como Christa era linda... com seu brilho de pureza... um harmonioso sorriso... parecia uma deusa...

– Aqui Eren!! – Hanji voltou rapidamente me fazendo sair de meus devaneios, e trazendo consigo dois canecões. – Trouxe um pra você!

– Ah, não! Eu não bebo, Hanji-san. Não gosto. – Falei recusando.

– Ahhh... só um pouquinho. Prometo que não ficará alterado. – Ela insistia. – Olhe pra mim, não estou nem um pouco alterada ainda.

– Er... Está sim!

– Hum... não quer nem experimentar?

– Não! Er... e acho que Hanji-san devia parar também. – Falei mais firme, afastando o canecão de madeira com a mão.

– Hunf, então levarei este para o Levi. Talvez ele queira mais...

– Espere, o que??! – Arregalei os olhos. – Como assim “mais”? O h-heichou bebeu??

– Sim, dois canecões cheios, mas eu sei que ele é forte para o álcool. Não se preocupe! – Ela falou sorrindo, dando leves tapinhas em meus ombros. Mas por algum motivo isso ainda não me tranquilizava. – Bem, vamos lá encontrá-lo! – Ela agarrou meu braço e foi me puxando para o meio da multidão novamente.

Confesso que nunca ouvi tantos palavrões na minha vida como estava ouvindo naquela noite. Todo mundo dizia e fazia o que quisesse sem se importar em ofender outras pessoas. Escutei até meu nome em alguma das rodinhas de conversa.

– O que estão falando de mim aí?! – Perguntei já meio raivoso. Não suportava quando ficam fofocando pelas costas.

– Eren, não ligue pra eles. – Hanji falava.

– Mas...

– Aaaaahhhhh!!!! – De repente, Hanji deu um berro. Que fez um monte de gente parar pra olhar.

– O que foi?! – Perguntei assustado.

– Essa música!! A quanto tempo não escutava!! Não acredito que esses jovens sabem tocá-la! – Ela começou a dançar sozinha ali. Eu não conhecia a música, mas pelo que eu notei, parecia ser um estilo para dançar de casal. – Venha! Dance comigo, Eren! – Ela foi me puxando até a área mais iluminada do refeitório, junto ao pessoal que dançava.

– Ah, Hanji-san, temos que encontrar o heichou primeiro!

Ela nem deu ouvidos, ela passou um dos braços em minha cintura e segurou uma se minhas mãos.

– Tente me acompanhar, Eren!

– Não! Eu não quero! – “O que ela fez com os enormes canecões que estava segurando?”

Ela começou a fazer os movimentos da dança. Eu de jeito algum conseguia acompanhar. Nunca dancei na vida. Além disso eu estava mais preocupado em encontrar o Levi. E tinha outro detalhe... eu olhava os outros casais, e em todos eles era o homem quem segurava a parceira pela cintura...

– Hanji-san, sou eu que tenho que segurar você. – Falei.

– Ah, mas como você não sabe dançar, eu é que estou guiando.

– J-já chega, vamos achar o heichou! – Pedi. – Ou se quiser ficar aqui dançando, eu posso ir sozinho.

– Ahhh... mas eu vou ficar sem par... – Ela murmurava.

– Então vamos juntos achar o heichou logo!

– Ah não, não posso, Eren, lembrei que tenho que ficar de olho nos barris... – Ela falou refletindo.

– Então por que se ofereceu em vir comigo?! – Uma veia começava a pulsar em minha testa.

– Achei que fosse ser rápido... Bem... Vá procurá-lo, então. – Ela parou de dançar e deu uma arrumada em meu cabelo. –Só dou uma dica... Tenho certeza que Levi estará no lugar onde tiver acontecendo um tumulto.

– Hã?! Por que isso?

– Confie em mim. O primeiro tumulto que encontrar, vá em direção a ele. Levi vai estar lá! – Ela falou com bastante certeza. Eu achei meio estranho... Na minha mente, heichou era do tipo que evitava tumulto. Oh... Foi aí que caiu minha ficha! Se estiver acontecendo tumulto, Levi vai aparecer pra pôr a ordem na situação. Entendi!

– Certo! Obrigado, Hanji-san! – Acenei e logo corri para o meio do povo de novo.

– Tenha cuidado! – Ela acenou, logo voltando para a pseudo pista de dança.

Fui me esgueirando novamente pelo pessoal. Eu não gostava disso. Era muito apertado e quase dava uma falta de ar ficar ali no meio. Tinha um monte de gente muito mais alta do que eu. Juro que até senti alguém apalpar meu traseiro. Não dava pra ver quem era por causa do escuro, mas já peguei ódio do indivíduo. Continuei andando, vermelho de raiva. O melhor seria ignorar, afinal, era meio impossível não passar a mão sem querer em outras pessoas. Eu mesmo acabei apalpando o seio de alguma garota antes de chegar às mesas ao lado das janelas. Fiquei com vergonha. Nem vi quem era a menina, mas espero que não seja alguma conhecida minha.

Ignorando todo o resto, finalmente saí da parte mais movimentada, e cheguei às mesas perto da parede de novo, dava pra enxergar melhor ali, pelos lampiões que ficavam pendurados apenas nas extremidades do lugar. Pude ver, mais adiante, um grupo de pessoas todos juntos e amontoados. Faziam bastante barulho. “Era um tumulto!” Fui imediatamente correndo pra lá.

Quando me aproximei, notei que... era bem na mesa aonde eu estava junto de meus amigos agora à pouco. “Ah, não... Não!” Eu torcia pra que nada tivesse acontecido a nenhum deles. Tentei chegar mais perto e ver o que estava acontecendo, mas o pessoal formou uma muralha de humanos ali. Eu tentei me enfiar no meio, pedir licença, pular pra ver, mas nada dava certo e essas pessoas pareciam não me escutar. Elas estavam gritando muito e não dava pra entender bem o que diziam.

Foi aí que vi Bertholdt ali no cantinho, olhando para o tumulto, de fora. Fiquei aliviado ao vê-lo e logo fui ao seu encontro.

– Berth!!

– Oh, Eren! Que bom que voltou... – Bertholdt pareceu mais aliviado ao me ver.

– O que está havendo aqui? Alguém se machucou? – Perguntei preocupado.

– Não. Pelo menos não até agora... – Bertholdt também parecia cismado. – Levi heichou e Mikasa estão dentro daquele círculo. – Explicou ele. Eu logo suei frio. “Droga! Não... Não! Tudo menos um encontro entre Levi e Mikasa! Logo agora que ela estava bêbada!”

– Bertholdt! Pode me levantar de novo? – Pedi.

– Claro. – Ele logo se abaixou e eu subi em seus ombros como da última vez.

Agora no alto, consegui ver Levi e Mikasa. Ambos estavam em pé, com os cotovelos apoiados à mesa, fazendo uma queda de braço. Agora pude entender o que aquele pessoal estava gritando. Era uma torcida, uns gritavam “Mikasa!”, outros gritavam “Heichou!”. E os dois pareciam muito enraivecidos.

– Berth, entra aí no meio do pessoal! – Pedi.

– E-Eren, não acho uma boa ideia...

– Não se preocupe, sua altura intimida, pode ir numa boa. – Falei. Ele soltou um leve suspiro e assentiu.

– Segure-se bem. – Berth, só de chegar atrás de alguém, já fazia a pessoa abrir passagem. Ainda mais me vendo sentado em seus ombros. Um a um, foram todos aos poucos deixando-nos adentrar o círculo.

Finalmente lá dentro, vi que o pessoal havia deixado um bom espaço para heichou e Mikasa. Estavam todos a uns dois metros de distância da mesa, aparentemente se prevenindo de levar algum golpe caso a queda de braço saia do controle. Quando vi mais de perto foi que notei que os dois estavam com expressões nada boas, era um olhar mortal que um lançava ao outro e ambos estavam corados, provavelmente por causa da bebida.

– Heichou!! Mikasa!! – Chamei-os, mas eles nem deram ouvidos. – Berth, obrigado, pode me colocar no chão. – Disse e assim ele fez.

Ainda continuei a certa distância da mesa, o clima ali estava bem tenso. Os dois nem sentados mais estavam, praticamente cravavam as unhas na mão um do outro e nem piscavam. Ambas as mãos permaneciam no lugar, apenas tremendo. Estavam empatados. Era uma coisa de dar medo. Parecia que a vida deles dependia dessa vitória. Estava com medo que algum dos dois se machucasse. Eu tinha que pará-los!

– Levi heichou!! Mikasa!! – Tentei chamá-los de novo, mas eles me ignoraram. – Oe, sou eu!! Eren!!

Depois que disse meu nome, os dois deram uma olhada de canto pra mim, sem parar o que faziam.

– Eren...! – Mikasa murmurou, suando. Ela devia estar em seu limite.

– Pirralho... – Levi também suava bastante. Os dois deviam estar aí nessa posição há um bom tempo. – Que bom que veio, vai me ver ganhando da sua querida irmãzinha. – Levi disse, voltando a encarar Mikasa.

– Seria uma pena... se eu acabasse ganhando. – Mikasa também provocava, olhando bem fundo nos olhos do heichou.

– Não!! Parem com isso! Alguém vai acabar se machucando! – Tentei convencê-los, mas eles voltaram a me ignorar. – Mikasa! Heichou!! – Agora eles não me ouviam mais, somente à torcida do pessoal do círculo. O que eu devia fazer? Separá-los na força bruta? Isso não ia funcionar com os dois... Precisaria de ajuda.

– Eren!! – Ouvi Sasha e Connie me chamando ao mesmo tempo.

– Ah, vocês dois... – Vi-os se aproximarem. Connie parecia normal, mas Sasha... Foi aí que, olhando bem, percebi a blusa dela estava totalmente desabotoada. – S-Sasha!! Sua blusa! – Desviei o olhar, corado. Nunca havia visto seios expostos assim tão de perto. Bem, não totalmente expostos, ela estava de sutiã.

– Ah, de novo! Desculpa, eu não percebi. – Ela começou a abotoá-los novamente. – Por que fica abrindo sozinho? – Ela se perguntava desentendida.

– Abrindo sozinho? – Arqueei uma sobrancelha. Foi aí que dei uma olhada de canto para Connie, que assobiava tentando disfarçar algo.

– Sabia que eles estão assim há quase vinte minutos? – Sasha falou, voltando ao assunto “heichou vs Mikasa”.

– É mesmo?

– É, tava emocionante no começo, mas eles ficaram só no empate até agora... E pelo que a gente tá vendo, quanto mais tempo eles ficarem assim, mais estrago essa “bomba” vai causar quando explodir de verdade. – Connie explicou.

– E o que vocês querem que eu faça? – Perguntei.

– Eles estão brigando assim por sua causa, Eren! – Sasha falou, dando um leve soluço. – Não é fofo e assustador?

– M-mais pra assustador... – Comentei baixo.

– É o seguinte,... – Connie chamou – Tudo o que precisa é levar um para longe do outro. Se não se olharem mais, talvez eles parem com a raiva e a rivalidade momentânea. – Ele concluiu. Até que fazia sentido, pra um plano vindo de Connie.

– Ah... e daí? Como faremos isso?

– Todo o ser humano é igual, Eren, não importa o quão fortes sejam. Se eles se distraírem, por um momento que for, conseguiremos separá-los. Eles estão bêbados, temperamento de bêbado é diferente, eles se distraem e mudam de emoções com mais facilidade. – Connie explicou. Até que achei um pensamento esperto.

– Wow, boa Connie! Mas quem vai separá-los?

– Reiner e Bertholdt! – Sasha respondeu.

– Hã?! – Berth se assustou logo balançando a cabeça negativamente. – Não acho uma boa ideia se meter com eles agora. E... R-Reiner nem está aqui...

– Vá busca-lo então, Berth! – Sasha mandou.

– Não, isso não será necessário. – Ouvi a voz intimidadora da Ymir atrás de mim, que surpreendeu a todos nós.

– Ué, você voltou! – Exclamei ao virar-me para vê-la.

– Estava por perto e ouvi uma torcida, vim ver o que se passava. – Disse a sardenta. – Eu entendi bem a situação... Me escutem – Ela chamou-nos para mais perto. – Se querem separá-los, eles terão que ser distraídos ao mesmo tempo. Aproveitando isso, o careca e a comilona pegarão o heichou e o levarão para outra mesa mais longe. Bertholdt, irá segurar Mikasa para ela não correr atrás dele. E Eren... você tranquilizará sua irmã primeiro, depois irá pra junto do heichou. Entenderam qual é a ideia?

– Er... S-sim!! – Concordamos todos juntos, mas meio receosos. Resolvemos seguia o plano de Ymir, ela parecia saber bem o que dizia. Bertholdt foi logo pra perto da Mikasa, Connie e Sasha para perto do heichou. Mas eu... ainda estava com dúvidas...

– Oe, Ymir! – Chamei-a. – Eles estão muito focados agora. Com o que irá distraí-los?

– Ora, querido, com você! – Ela repentinamente levantou minha camisa e abaixou minhas calças até o joelho, junto com minha roupa íntima. Tanto eu como Connie, Sasha e Berth fomos surpreendidos.

Levi e Mikasa viraram seus rostos pra mim na hora, arregalando os olhos. Eu fiquei inteiro vermelho, fervendo de vergonha. Na mesma hora, Bertholdt segurou os braços da Mikasa e Connie e Sasha arrastaram heichou para longe dela. Mas nenhum dos dois tiravam os olhos de mim.

– Ymir!!!! – Logo escapei das mãos dela, vestindo minha calça novamente e ajeitando minha blusa. – Quem disse que podia fazer isso?! – Eu estava até tonto de tanta vergonha.

– Ora, deu certo, não deu? – Ela falava num tom mais sarrista. – Não se preocupe, foi bem rápido, quase ninguém viu. Está meio escuro e ruim de enxergar, lembra?

– M-mesmo assim!!

– Hahahahaha, tenho que voltar para a minha Christa agora. Até mais Erenzinhoo – Ela se afastava de volta para a pseudo pista de dança, dando uma acenada. Eu devia imaginar que planos dela envolvessem coisas assim. Ela é uma das mais maliciosas do nosso grupo, deve ter vindo aqui só pra me fazer passar essa vergonha.

Pois bem, já que ela executou a parte dela, o negócio era fazer a minha, que era, além de ser a distração dos dois, conversar e acalmar ambos os nervos. Primeiramente com a Mikasa...

~#~

Eu, agora, encontrava-me sentado ao lado de Levi em uma mesa mais longe da que os meus amigos estavam. Eu me sentia bem mais aliviado. Fiquei até agora andando por aí, louco pra encontrá-lo e ficarmos sozinhos de novo. Agora, enfim conseguimos. Mas estranhamente, eu estava nervoso. Esfregava minhas mãos uma na outra. Levi parecia meio bravo...

– H-heichou... Fala comigo. O que foi? – Perguntei docemente.

– Ela viu! – Ele simplesmente disse, batendo os dedos na mesa impacientemente.

– Hã? – Eu só consegui fazer uma expressão interrogativa. – C-como assim?

– Você deixou ela ver seu corpo!

– Ahh... É com isso que está chateado. – Comentei confirmando.

– Não estou chateado! – Ele cruzou os braços e se virou para o outro lado. – É que... só eu posso ver seu corpo! Mais ninguém!

Seria estranho eu dizer que... achei o jeito dele bonitinho agora? Ela tava emburrado e demonstrava isso externamente, coisa que nunca acontecia.

– Ah... heichou, não fui eu quem abaixou minha calça.

– Hunf. Pior ainda! – Ele olhou mais sério para mim. – Não pode deixar garotas abaixarem suas calças por aí. Seja mais esperto! – Ele falou.

– Heichou... – Eu ria baixinho. – Não precisa ficar com ciúmes, afinal... você foi o único com quem eu... fiz na vida. – Falei tímido.

Ele deu uma olhada séria pra mim de novo, pareceu dar uma aliviada com meu argumento, mas continuava de braços cruzados, desviando o olhar novamente.

– Nee, heichou... – Inclinei a cabeça tentando olhá-lo de frente. – Eu te amo. – Disse, sorrindo. Coisa que o fez me encarar de novo. Suas sobrancelhas juntaram-se mais.

Ele, então, aos pouquinhos veio se arrastando no banco pra mais pertinho de mim, olhando bem fundo nos olhos.

– Eren... – Ele passou o indicador em meu rosto, acariciando desde o canto dos olhos até meu queixo. Ele estava com um olhar bem diferente do normal agora, não conseguia descrever direito como. Parecia mais atirado... ou devo dizer sensual?

Levi logo passou seus dedos, bem suavemente, pelos meus lábios. Ainda olhava-me de um jeito que me deixava sem graça. Ele parecia estar apreciando cada canto do meu rosto... bem, não só do rosto, haviam momentos que ele olhava mais em baixo...

– Heichou... – Corei levemente. – P-por que está me olhando assim...? E-eu fico com vergonha...

Depois de ouvir isso, Levi rapidamente empurrou-me até a extremidade do banco, falando-me encostar as costas na parede. Sem dizer nada, ele avançou seus lábios em meu pescoço. Dei um gritinho abafado de susto, pois ele já chegou logo chupando.

– H-hei... chou... – Senti ele acariciar as laterais do meu corpo, dando leves apertões. Segurei em seu ombro com uma das mãos e tampei a boca com a outra, evitando que saísse qualquer som dali. Ele distribuía vários chupões pelo meu pescoço, até subir e dar uma lambida em meu rosto até chegar ao meu ouvido.

– Ahh... Não consigo ficar bravo com você, Eren... Por mais que eu queira... – Ele deu mais beijos em meu rosto, chegando até minha boca. – Principalmente quando age de forma tão adorável assim... – Ele então, beijou-me de verdade, logo introduzindo sua língua. Eu não conseguia acompanhá-lo, primeiro por ele estar indo rápido demais. Segundo, por eu ficar muito desconsertado sempre que ele fazia isso, eu tinha vontade de me entregar inteiro ali... mas, terceiro, estávamos naqueles amassos ainda dentro do refeitório, na frente de todo mundo. Eu não conseguia pensar direito... queria continuar, mas queria parar também. Abri levemente os olhos, vendo algumas das pessoas que passavam olharem para nós espantados.

Foi aí que achei melhor seguir a escolha racional.

– Heicho... ooohh... – Dei um gemido sem querer ao senti-lo apertar minhas nádegas. Ele estava... bem animado mesmo. Parece que não ia parar de jeito nenhum. – Nãooo... heichou, espera...! T-tá... todo mundo olhando... – Falei no meio do beijo.

– Que olhem então... – Ele simplesmente disse.

– Mas... e se meus amigos virem?

– Melhor ainda... deixará bem claro a eles que você me pertence...

– Não, heichou... hum... Melhor pararmos... – Tentei empurrá-lo. Será que ele esqueceu do que disse sobre não gostar que ninguém me visse nu?

– Não... Eu te quero agora, Eren... Eu quero muito... – Ele falava, bastante embriagado.

Ele estava bêbado, tinha que levar isso em conta... Lembrei-me do que Connie disse sobre pessoas embebedadas mudarem de temperamento rapidamente. Levi só precisaria de uma distração pra fazê-lo parar. Mas como desconcentrá-lo agora? Com o que ele se preocupa mais na vida? Foi aí que minha ficha caiu.

– Heichou! – Arrumei uma brecha, e tentei dizer sem interrupções. – Quer mesmo fazer isso comigo aqui? Neste lugar sujo, imundo que estamos agora? – Foi aí que ele parou de me beijar e olhou ao redor, com os olhos incrédulos. Aparentemente notou que havia saído do seu controle.

– Ah, é mesmo... – Ele endireitou-se no banco, ajeitando minhas roupas. – Desculpe, Eren... é que... – Ele olhou pra mim de cima a baixo de novo. – Você é tão gostoso...

– Er... h-heichou... – Corei até as orelhas de novo.

– Ah, eu não aguentei... Eu quis te comer todinho agora, Eren, foi incontrolável... – Ele massageava a testa enquanto falava. Eu apenas deixava o queixo cair mais, de tanta coisa embaraçosa e inesperada saía da boca dele. – Nossa... nunca fiquei nesse estado... Acho melhor eu tomar mais um pouco de run, pra ver se abaixa o fogo... – Ele disse, levantando-se.

– O quê??!!!! – Segurei seu braço impedindo que ele fosse. – Não!! Se você beber mais, vai ficar pior... – Falei.

– Ah, garoto, relaxe aí. Eu sou adulto. – Ele falava crente que isso ia me confortar. Mas eu via o quanto ele estava alterado.

– Mas se o senhor... – Ele colocou o indicador em meus lábios.

– Eren... calma, vou beber só mais um pouquinho... depois vamos transar no meu quarto... – Dito isto ele logo voltou a andar em direção à multidão.

– Heichou, não acho uma boa ideia! – Disse indo atrás dele de novo.

– O quê? Você não quer transar comigo? – Ele arqueou uma sobrancelha, mostrando uma cisma. – Você quer transar com outra pessoa?

– Não! Não é isso! Não acho boa ideia você beber mais... – Disse, segurando suas mãos. – Claro que eu... quero fazer com o heichou. – Dei um sorrisinho sem graça, com o rosto ainda corado. Levi pendeu a cabeça de lado me olhando.

– Hum... ok, não vou beber. Vamos pro meu quarto então, querido... agora! – Ele segurou minhas mãos com mais firmeza e puxou-me para encontro de seu corpo ao meu, colando nossos rostos novamente.

– Q-querido...? – Me derreti todo por dentro ouvindo o jeito que ele me chamou. Hanji-san me chama de querido sempre, mas de uma forma mais maternal. Mas vindo do Levi... bem, ele nunca chamava ninguém assim. Acho que estava começando a gostar do heichou bêbado. – C-claro!

– Chega mais, Eren... Não gosto desta distância entre nossas bocas... – Ele sussurrou.

– Hã...? – Fiquei meio abobado de tantas expressões estranhas ele falava nesses últimos minutos. São coisas que heichou nunca diria. Nós dois já aproximávamos nossas bocas, mas antes que o contato fosse feito, sentimos alguém cair sobre nossos pés assustando-nos e desviando nossa atenção. Depois de olhar bem foi que identifiquei o indivíduo.

– Armin? – Arregalei os olhos.

– Hunf. – Heichou deu uma suspirada, aparentemente irritado por sermos interrompidos de novo. – Oe, o que houve, rapaz? – Ele virou-se para Armin.

– Ah, Eren, heichou! Que bom que achei vocês... Viram o Jean passar por aqui? – Ele perguntou um tanto preocupado, pondo-se em pé.

– Hã? Você não estava indo atrás dele? – Arqueei uma sobrancelha.

– Sim, mas chegou um momento que eu cansei e dei uma pausa pra respirar, mas o Jean continuou correndo e eu o perdi de vista. – Armin explicou. – Perguntei pra umas pessoas lá fora e eles disseram que o viram entrar aqui de novo.

– Oe, garoto! – Levi chamou Armin.

– Ah... o que foi?

– O que é isso aí em sua mão? – Ele perguntou apertando os olhos, tentando enxergar o objeto que Armin segurava. Era só um pano... Não... Espera... Dei uma olhada melhor e percebi que era uma boxer... Era a boxer que Jean usava!

– N-nada! – Armin escondeu a peça de roupa atrás das costas.

– Isso aí é a cueca do Jean!! – Apontei.

– O que?! – Heichou pareceu se exaltar na hora. – Quer dizer que Kirschtein está completamente nu? Dentro do refeitório?

– Er... p-parece que sim. – Armin confirmava.

– Por que está segurando isso?! – Perguntei.

– E ia deixar largado na grama? – Armin respondeu. – E tem mais, eu tinha que trazer pra ele vesti-lo.

– Ah... essas crianças... – Levi massageava as têmporas. – Bem, mas se ele estiver aqui dentro, acho que vai ser fácil achá-lo.

– Hã, não vai não, heichou. Eu custei pra achar o senhor!

– Mas o fato do Kirschiten estar nu ajuda a localizá-lo. – Ele mostrava certeza no que dizia. Eu e Armin nos entreolhamos.

– C-como assim, heichou?

De repente, mais duas companhias apareceram para nós.

– Armiiin! – Chamou a sardenta.

– Ymir! Christa!

– Não imaginam o que acabamos de ver lá na pista de dança! – Christa dizia, ela mostrava-se calma, mas ao mesmo tempo um tanto surpresa.

– Ah meu Deus... que não seja o que estou pensando... – Armin orava internamente.

– O Jean totalmente nu lá na pista de dança! – Ymir ria quando falava. – Ele estava gritando seu nome, Armin.

– Ahh, não!! – Ele ficou mais desesperado.

– Hahaha boa sorte para busca-lo, loirinho. – Ymir disse, logo empurrando Christa na direção do corredor, saindo do refeitório.

– Tchau, meninos. – Christa acenava. As duas deviam estar indo para o quarto.

– Eren, por favor me ajude a pará-lo! – Pediu Armin.

– Hã?!! – Fiz uma expressão interrogativa e indignada. – Por que eu tenho que ir também??

Foi aí que Armin me lançou um olhar sério, muito sério, definitivamente insatisfeito com a minha resposta. Admito que até deu um pouco de medo. Ele nunca fazia expressões como aquela.

– Como assim “por que”? – Ele falava enfezado. – Simplesmente porque sou seu melhor amigo, já te dei cobertura quando a Mikasa via você com o heichou várias vezes, eu passei a infância inteira com você, te conheço a mais tempo que todos aqui, eu estou exausto de tanto correr por todo o castelo atrás daquele imbecil do Jean, que não para de gritar o meu nome e só quero que você me ajude a pegá-lo e trazê-lo de volta à mesa do pessoal, Eren!!! – Armin praticamente gritou aquilo tudo. Tanto eu quanto heichou ficamos boquiabertos, olhando para o loiro com bastante espanto.

– Wow... Impressionante. Conseguiu me convencer... Eren, vá ajuda-lo. – Levi mandou olhando de canto para mim.

– Ah... – Ia responder algo, mas... bem não tinha o que dizer, eu devia muito a Armin ainda. Isso não dava pra negar – Certo então...

– Ótimo! – O loiro deu meia volta e foi em direção à multidão.

– Heichou... – Dei uma olhada para ele antes de seguir o Armin. – Eu volto logo... – Fiz um pouco de manha. – Se... Já quiser ir indo para o quarto... – Dei um sorrisinho.

– Não. Eu vou te esperar bem aqui! – Ele sentou-se novamente na mesa que já estávamos e cruzou os braços e as pernas. – Mas volte logo mesmo, hein... Não sabe a minha ansiedade de terminarmos nossa sobremesa. – Levi sorriu de forma maliciosa. Eu como resposta apenas lambi os lábios de forma provocadora para ele.

Aproximando-me de Armin, vi que ele estava na ponta dos pés para ver por cima do pessoal aonde Jean estava naquele momento.

– Armin, quer que eu te levante? – Me ofereci.

– Ah, seria bom... Mas será que você me aguenta?

– É claro!! Você é mais leve do que eu! – Justifiquei. Estava cansado de todos achando que eu era fraco.

E assim, Armin subiu e sentou em meus ombros, tal como Bertholdt fez comigo, olhando diretamente para a pista de dança.

– Está vendo ele? – Perguntei.

– Não, mas estou vendo uma roda de pessoas ali com canto... – Armin dizia. – Eren, entra aí no meio do pessoal!

– O que, assim?! Ficou louco?! Nós dois vamos cair!!

– Não vamos não! Pode ir na fé! – Ele falou confiante.

Atravessamos todo o pessoal. Incrivelmente Armin foi abrindo passagem para nós, mesmo sentado em meus ombros. Ele empurrava para o lado, puxava pela camisa, até chutava a cabeça de qualquer um que ficasse à nossa frente. Até enfim chegarmos na pista de dança, local bem mais iluminado. Coloquei Armin no chão.

– Valeu, Eren! Sem você eu não ia chegar rápido aqui.

– Ah, olha o Jean ali! – Apontei. Ele dançava ali no meio do povo. De onde estávamos não dava pra vê-lo de corpo inteiro, mas sabíamos que estava completamente nu. Isso devia ser meio incômodo... Quero dizer... ficaria balançando...

– Jeaaan!! – Armin berrou seu nome, chamando sua atenção.

– Ah, Armin!! Achei você! – Ele acenou logo vindo ao nosso encontro. – Ué, por que ele veio também? – Ele murmurou assim que me viu. Mantinha a voz típica de pessoa bêbada, e parecia não ter o total equilíbrio. Ele pendia de um lado e pendia de outro.

– Eu só vim ajudar o meu melhor amigo. – Respondi me afastando uma certa distância deles dois, afinal, era desagradável pra mim ficar perto do cara de cavalo quando ele estava com a intimidade exposta.

– Hunf. Tá certo...

– Jean, pelo amor de Deus, vista logo alguma coisa!! – Armin pediu estendendo a boxer de Jean para o próprio.

– Você vai ficar comigo?

– Eu fico! – Armin respondeu rapidamente. Eu achei estranho, mesmo depois de todo o trabalho, Armin ainda ficaria com ele esta noite? Ouvindo isso, Jean pegou a peça de roupa e foi colocando-a novamente. Mas, bêbado do jeito que estava, ele acabou por perder o equilíbrio no processo, caindo sentado no chão.

– Opa! – Jean exclamou. – Tudo bem aí, Armin? Se machucou? – Ele perguntou, olhando para o loiro.

– Jean... foi você que caiu... – Armin disse.

– Ah... – Ele olhou ao redor. – É... acho que foi... Por isso você está mais alto, não é?

Eu mordi os lábios segurando o riso. Jean estava muito dopado, perdeu todos os reflexos. Estava até bastante engraçado ficar perto dele. Repentinamente, Jean fez uma expressão mais sonolenta, até fechar os olhos e largar seu corpo no chão. Eu e Armin nos assustamos ao ver isso, mas percebemos que ele apenas adormeceu.

– Ah... mentira que você dormiu aqui no chão no meio dessa gente... – Armin murmurava, logo se agachando ao lado de Jean.

– O que faremos? – Perguntei.

Armin segurava o rosto de Jean, dando uma boa olhada. Ele logo deu um riso. Ele parecia mais aliviado.

– Vamos pedir ajuda do Reiner, ele já está por aqui mesmo. – Ele simplesmente disse.

Bem, lá fomos nós, atrás do Reiner para ajudar a levar um Jean desmaiado até a mesa do pessoal... neste exato momento, ao invés de ficar vendo aquilo, eu poderia estar me divertindo com o heichou... mas fazer o quê? Pro melhor amigo, a gente sempre acaba abrindo uma exceção.

Notas finais
Yooo, E aí?? Estão muito p da vida por não ter tido lemon? =3= Bem, é que eu queria deixar para o próximo cap ser mais focado novamente no Levi e no Eren (estou cheia de ideias para os dois ¬w¬) Então, ficamos por aqui neste cap, parece que foi mais enrolação mas... é foi enrolação sim, mas uma enrolação necessária u.u Mas acho que postarei rápido o próximo tbm =3= Mas enfim... heichou bêbado =w= Bem atiradinho agora, esperem só quando ele estiver sozinho com o Eren de novo. Levi bêdado com Eren sóbrio é uma das coisas que eu estava louca para escrever *u* acho legal =w= E Jean... sem comentários pra esse aí xD Eu escrevi a parte dele dançando na pista ouvindo "Dancing With Myself" encaixou direitinho a cena xD Como disse, lemon ficará COM TODA A CERTEZA para o próximo cap, ok? =3= Beijinhos da tia Nikki ♥