Provocativo
24 Especial Parte 2 - Festa Dura
Notas iniciais
Levi
Essa quatro-olhos maldita. Tenho certeza que foi ela quem começou esta baderna toda. Quando eu encontrá-la, ela irá ouvir poucas e boas.
Fui me esgueirando por entre as pessoas pelos menores espacinhos que dava, o local estava muito mais apertado do que de costume. A desordem era constante. Quase toda a Tropa estava ali, a maioria era jovem, alguns eram da minha idade, mas todos igualmente descontrolados. Observava o chão e como estava sujo, com muitas coisas jogadas e largadas. Vi jaquetas da Tropa, cigarros, botas, comida até encontrar uma garrafa vazia.
Peguei o objeto de vidro, e sobre a fraca luz dos poucos lampiões do refeitório tentei lê-la. Era um vinho, uma marca diferente da que eu e Eren estávamos tomando. A Dubeuf era bem mais fraca do que esta aqui. Mas... onde arrumaram tanta bebida para a Tropa inteira? Como começaram esta suposta “festa”? Por que todos ficaram tão bêbados apenas com vinho? E mais importante, onde estava a Hanji?! Eram perguntas que não calavam.
Continuei andando em meio à multidão. Impressionava-me bastante observar como era o mundo sem a ordem. Todos faziam o que dava na telha sem se preocuparem com as consequências. Por isso que regras deveriam ser seguidas constantemente, não sei porque porra Hanji autorizou uma coisa dessas.
Ainda desviando de gente dançando e caminhando com canecões de bebida cheios, fui tentando observar por cima das cabeças do pessoal. Mas esses malditos eram tão altos... Seria melhor Eren ter vindo comigo... Agora, parando para pensar, acho que o garoto nunca ficou diante de uma “festa” dessas. Deve ser bem inexperiente com essas coisas. Comecei a ficar preocupado. Eu não devia tê-lo deixado sozinho lá...
Assim que me virei para buscar o Eren, consegui avistar Mike sentado em uma das mesas. Sem pensar duas vezes, fui em sua direção. Quando me aproximei, vi que ele estava com Nanaba, ambos com um canecão em mãos.
– Mike! – Chamei-o.
– Ô, e aí, Levi? Você finalmente apareceu! – Mike deu leves tapinha em meu ombro.
– Olá, heichou. Por favor, junte-se a nós. – Nanaba convidou.
– Vocês... O que pensam que estão fazendo? – Perguntei indignado. – Não estão vendo que o Quartel General virou o caos?! Mike, como permitiu uma coisa dessas?
– Ora, Hanji convenceu...
– Ah, claro! Eu sabia que ela estava por trás de tudo isso. – Cruzei as braços e comecei a bater o pé, impaciente. – Onde ela está?!
– Hum... ela estava por aí, acho que está lá naquele canto. – Nanaba apontou.
– Não, eu a vi agora a pouco indo para o outro lado. – Mike apontou em outra direção.
– Resolvam isso! Qual lado ela está agora?!
Mike logo subiu sobre a mesa tentando localizar a doida de óculos.
– Ah, está ali, perto dos barris. – Mike apontou. “Espere um momento... Barris?” Novamente o mau pressentimento voltou.
– Obrigado, Mike.
E assim, corri em direção ao canto do refeitório onde guardávamos uma fileira de oito barris. Era a área mais cheia! Muita gente mesmo. Nem dava pra enxergar o que tinha a sua frente. Era uma verdadeira muralha de humanos. Sem muita paciência, fui agarrando pela camisa cada um que atrapalhasse meu caminho e jogando-o no chão, fui abrindo passagem até finalmente dar de cara com a quatro-olhos. Eu nada falei, apenas cruzei os braços e fiz cara nada boa até que ela me notasse, o que foi logo.
– Ahhh, Levi, você apareceu!! Achei que fosse ficar com o Eren. – Ela disse meio “cochichando” pra mim.
– Eu ia... Até você transformar o Quartel General em uma boate.
– Oh, Levi, querido não fique assim, já que está aqui aproveite também! – Ela falava na animação de sempre.
– Você enlouqueceu de vez, quatro-olhos?! Você vai acabar com essa festa agora!! O que acha que Erwin vai pensar de tudo isso?!
– Ah, não seja tão chato! Parece um velho... Anda, aproveita! – Eu estava me segurando muito pra não estrangular o pescocinho dela sem querer.
– Hanji, está sendo muito irresponsável. Sabe que a maioria que está aqui é jovem. Adolescentes! Você não pode embebedá-los assim! Quando Erwin chegar...
– Levi... – Ela passou um de seus braços sobre meus ombros – Você sabe bem como é a nossa vida. Uma vida de soldado... não é? Pensa bem, nós... nunca sabemos por quanto tempo mais viveremos, pode ser mais um mês, uma semana ou até um dia. Acho bom ter festas assim, pra esses jovens e mesmo os adultos descontraírem a cabeça... Poxa! Estamos sempre vivendo sob tensão por causa dos titãs, não é?
Eu a olhei sentindo meu tique no olho esquerdo. Mas dei uma olhada ao redor, tentando ver aquela baderna na visão de Hanji. Todos pareciam... pôr todas as vontade pra fora. Ainda achava tudo um absurdo, mas... depois de Hanji ter dito o que disse...
– E então? – Ela perguntou com um sorriso animado. – Vamos deixar os soldados se divertirem nesta festa... para muitos pode ser a última.
Mordi o lábio inferior, pensando se era mesmo uma boa ideia...
– Olha... Só não fique até muito tarde. Se Erwin vir isso... – Falei.
– Não se preocupe, eu dou o meu jeitinho! – Ela respondeu confiante.
– Não acredito que vou deixar isso continuar... – Massageei minhas têmporas. Eu, que não admitia desordem e acabei concordando com a louca... Espero não me arrepender depois. – Outra coisa, pare de dar bebida pros adolescentes. Não é só vinho que você está oferecendo, não é?
– Hehe, você notou, não é? Eren deu o Dubeuf pra você?
– Não mude de assunto. – Falei ríspido.
– Ok, ok... só estou dando um pouquinho do run dos barris.
– Hanji!!!
– Ah, qual é, não é como se eu estivesse dando litros e litros.
– É álcool puro! Você não vai dar run pra mais ninguém, está me ouvindo?
– Ahh, Levi...
– Não vai dar mais! Sei que você quer ver esses garotos curtirem uma vez na vida, mas você tem que lembrar que são adolescentes, a maioria imprudentes. Me prometa que não vai dar run pra mais ninguém.
– Querido... aqui entre nós dois... Você não gostaria de tomar um pouquinho?
– Hanji... está tentando me influenciar? Já digo que não vai conseguir.
– Não é nada disso! É só pra dar uma animadinha... – Ela falava com tom divertido. – Há quanto tempo você não bebe nada mais fortezinho? Anda, vai ser só hoje! Amanhã voltará tudo ao normal... Eu prometo! – Hanji incrivelmente falava de forma tranquilizante e... convencedora.
– Hum... não sei...
– Aqui... – Ela encheu um canecão até a metade. – Beba um pouquinho. Você deve passar dias mais estressantes do que a maioria aqui, não é?
Mesmo com a minha veia pulsando de nervoso em minha testa e depois de ficar bom tempo pensando na forma descarada que ela está tentando me convencer a entrar na onda dela, resolvi aceitar o gole...
– Hunf. Tá bem então... mas só um pouquinho. – Peguei a enorme caneca, dando a primeira golada. Era bem forte mesmo. Fazia muito tempo, acho que anos, que não bebia algo assim. Dei mais uma olhada nos jovens ao redor... fazendo todo aquele tumulto. Mas todos estavam rindo. Curtindo a menor liberdade que conseguiram. Eu ainda estava com receios mas... Bem, o quê poderia acontecer de mais?
Eren
Mikasa foi me carregando pra uma área mais apertada de pessoas. Eu já havia levado umas três cotoveladas no rosto. Isso estava muito fora de controle, parecia que todos tomaram uma injeção e soltaram a franga. Quando passamos pela saída do refeitório que dá para o lado de fora do castelo, vi mais um monte de gente lá. Uns só conversando em grupo, casais ficando obviamente, e também alguns jovens fazendo uma espécie de corrida... ele se apoiavam numa vassoura e giravam em torno dela até ficarem tontos, para depois correrem.
“Heichou, o que houve com eles? Estão todos agindo como idiotas!”
– Tudo bem aí, Eren? – Mikasa perguntou.
– S-sim. Me coloque no chão agora, por favor. – E assim, ela fez. Abaixou-se e eu me pus em pé. Ela deu uma ajeitada em minha franja.
– Armin está bem ali. – Ela apontou pra perto de uma das janelas e eu logo olhei. Desviando de algumas cabeças à minha frente, consegui achar a cabeleira loira de Armin. Ele estava de costas para o nosso lado, sentado sobre a mesa e apoiando os pés na cadeira.
– Ah, valeu, Mikasa! Vamos lá... – Ela segurou meu braço antes que fossemos.
– Eren... eu te trouxe até o Armin... Você não vai me dar o beijo? – Ela pediu manhosamente.
– Er... certo então... – Engoli seco. Teria que passar por isso agora. – Feche os olhos.
Ela rapidamente os fechou e fez um bico, aproximando seus lábios dos meus. Eu fui ligeiro e desviei, dando o beijo em sua bochecha. Sentindo isso, ela logo abriu os olhos.
– Eren... – Ela parecia abobada.
– Eu não falei onde que daria o beijo. – Dito isso, segurei seu braço e vim puxando-a comigo. No estado de agora, seria melhor ela ficar junto do Armin e os outros. – Armin!! – Chamei-o e ele logo virou-se pra mim.
– Eren! Waw, pelo visto Mikasa te ouviu mesmo. – Comentou ele. Não estava sozinho como pensei, Christa e Bertholdt estavam com ele, sentados à mesa.
– Oi Eren! – Christa acenou e sorriu na sua forma gentil.
– Sente-se conosco. – Bertholdt convidou.
– Ué, vocês dois também... – Os três pareciam normais. Não estavam embriagados que nem a Mikasa. Ela logo se sentou com eles, de frente pra Christa. Sobre a mesa, haviam alguns copos vazios e duas garrafas de vinho.
– Caramba, a Mikasa tem um bom ouvido. Ela saiu correndo de repente dizendo que ouviu sua voz. – Armin falou. – Achei que você estivesse com o heichou.
– Eu estava, mas... Bem, esse não é o problema agora! O que houve com toda a Tropa?! Enlouqueceram de vez?! E por que vocês estão tão tranquilos?! – Falei mais exaltado.
– Eren, primeiro... se acalme. – Armin balançou as mãos tentando me fazer abaixar o tom. – Isso aqui, por mais fora de controle que pareça, é uma festa.
– Nós estávamos cismados no começo também, Eren – Christa argumentou. – Foi meio de repente.
– De repente? Hanji-san começou isso? – Perguntei.
– Sim. – Bertholdt confirmou. – Estava mais tranquilinho no início. Acho que tudo começou na hora do jantar, não foi? – Ele se virou para Armin.
– É, no lugar nas nossas bebidas usuais, a tenente ofereceu vinho pra todos nós. Quer dizer... pra todos eles, né. Eu, Christa e Bertholdt não bebemos. – Armin explicou. – Aí, parece que alguns foram até ela e perguntaram se poderiam beber o run dos barris...
– Run?! Nós temos run aqui?! – Perguntei perplexo.
– É, são aqueles barris que a gente tentou adivinhar outro dia pra que serviam, lembra?
– Ah... acho que sim. – Tentei olhar pra onde Armin apontava, mas tinha muita gente alta na minha frente, não consegui ver os tais barris.
– Foi depois do run que tudo ficou mais descontrolado. – Christa falou. – Ymir também começou a beber, ela saiu daqui há um tempo pra buscar mais, mas não voltou até agora... estou um pouco preocupada. – Ela mexia nas mechas loiras.
– Ymir? Então quer dizer que... fora vocês três, o resto do pessoal está bêbado?! – Arregalei os olhos.
– Eren, beba um pouco disto aqui, tem um gosto bom. – Mikasa, estendia um copo cheio do vinho.
– Não... eu não quero. – Recusei. – E acho que você também devia parar de tomar isso, Mikasa. – Tomei o copo de sua mão e coloquei longe dela.
– Hum... se Eren está dizendo... – Ela logo apoiou o rosto na mesa mostrando-se sonolenta.
– Ela tomou run também? – Perguntei a eles.
– Não, foi só vinho. – Christa respondeu. – Mas ela bebeu muito porque achou o gosto bom.
– Er... Armin, não deixe mais ela sair por aí. – Falei.
– Eu não fui atrás dela porque estava de olho em outro problema... – Armin revirou os olhos.
– Hã? Como assim?
– Christa!! – De repente Ymir apareceu, toda animadinha, já abraçando a pequena loira.
– Ah, Ymir! Que bom que voltou, fiquei um pouco preocupada...
– Owww, estava preocupada comigo? – Ymir fez um olhar... estranho pra Christa. – Olha, achei um vinho bem fraquinho, acho que você vai gostar. – Ela logo abriu a garrafa e despejou o conteúdo num dos copos. Quando olhei melhor o rótulo, vi que era o Dubeuf. Pelo visto Hanji comprou varias garrafas de marcas diferentes.
– Er... Acho melhor não, Ymir. – A loirinha educadamente recusava.
– Ahh, vamos, não seja assim... – Foi aí que Ymir olhou de canto e me notou. – Oh, Eren? O que está fazendo aqui? Achei que estava... “se divertindo” com o heichou – Ela fez um tom malicioso.
– Er... Ymir... – Eu corei. – Por favor, não fale sobre isso agora... – Apontei para a Mikasa.
– Oh, desculpinha, não vi ela aí. Mas a pobrezinha parece não estar nem ouvindo...
– Pessoal, consegui trazer um pouco pra vocês!! – Outra voz estridente chamou a atenção de todos da mesa. O que mais arregalou os olhos foi o Armin. Afinal, a visão que tivemos foi meio perturbadora. Jean falava com voz embriagada, tal como a Mikasa. E pior, ele estava sem camisa e estranhamente com o botão e o zíper da calça abertos. O cós estava meio abaixado mostrando metade de sua roupa íntima e segurava um canecão de madeira cheio.
– Jean! O que houve com você?! – Armin perguntou mais exaltado. – Quando você saiu daqui, estava todo vestido!
– Ah, eu só estava com calor, loirinho. Relaxe! Eu não me agarrei com ninguém não. Só tenho olhos pra você agora. – Jean deu uma piscada para Armin, que só cruzou os braços e desviou o olhar.
– Oe, Jean! O que é essa coisa? – Perguntei bestificado. Era uma caneca enorme, parecia um galãozinho. Ele pretendia beber aquilo?
– Eren? Ué... Achei que você estava dando pro heichou agora. – Ele falou. – Ah não! Acabei de ver o heichou por aqui também...
– O que?! Você o viu? Onde?! – Perguntei ansioso.
– Hã? – Ele fez uma cara de quem não ouviu. – O que você disse?
– Onde você viu ele, cara de cavalo?!
– Viu quem? – Já começando a ficar nervoso, aproximei-me dele. Chegando bem perto de seu ouvido.
– Onde você viu o Levi heichou?!! – Gritei bem alto, mesmo com a minha proximidade de seu ouvido.
– Ah, não precisa gritar também. – Jean me deu um empurrão pra trás. Normalmente eu partiria pra briga depois dessa, mas deixei passar desta vez, afinal ele estava bem alterado. – Eu vi ele perto daqueles barris, mas depois ele saiu de lá. – “Isso não ajuda muito, Jean” – Ué, cadê o Connie e a Sasha?
– Os dois foram dançar um pouquinho. – Christa apontou.
– Uhh, por que não vamos lá também, Christa? – Ymir passou o braço pelos ombros da pequena.
– Ah, não. Eu não sou muito boa em dançar.
– Ora, vamos, eu te ensino.
– He, tudo bem então. – A loira e a sardenta logo se levantaram da mesa e foram para junto do pessoal que dançava.
– É... pelo visto, só eu vou beber isto. – Jean falou sentando-se à mesa.
– Não! – Armin, ainda sentado, se arrastou pra perto do cara de cavalo. – Não beba mais. Olha só o seu estado, você vai acabar vomitando, Jean...
– Ah, Armin, você está com frescura... Bebe um pouquinho também, só pra experimentar. – Jean oferecia, falando mais suavemente.
– Não.
– Ah, tudo bem, então... não vou te forçar. – Ele ia dar a golada em seu run, mas Armin tirou o canecão de suas mãos.
– Eu falei pra não beber mais, Jean. É pro seu próprio bem. – Argumentava o loiro. Jean dava um sorriso de canto olhando a expressão dura de Armin.
– Eu quero você então... – Ele disse já fechando os olhos e se inclinando pra frente, aproximando-se da boca do loiro, que o impediu pondo o indicador em seus lábios.
– Eu não vou ficar com você enquanto estiver assim nesse estado. – Armin falou firme.
– Ah não vai, é? Então você vai ver... – Jean levantou-se da mesa, tanto Armin, quanto Bertholdt e eu olhávamos aquela cena meio cismados. Certos de que... ele não iria fazer algo bom agora. O cara de cavalo, de repente, descalçou suas botas, retirou o restante de seus cintos e começou a retirar a calça. Ali mesmo, no meio de todo mundo. Armin ficou mais vermelho e segurou suas mãos de Jean, antes que a abaixasse totalmente.
– Ficou louco?! O que pensa que vai fazer? – Armin questionou.
– Se você não ficar comigo hoje... eu vou correr nu pelo castelo, gritando o seu nome. – Jean falou normalmente, mas com seu tom embriagado.
Armin ficou mais vermelho do que já estava.
– V-você não f-faria isso.
– Você duvida?! – Jean logo se livrou das mãos de Armin e correu até a saída do refeitório, terminando de tirar a calça, ficando apenas de roupa íntima. Eu e Bertholdt ficamos pasmos com a cena. Jean ficou balançando a calça no alto, provocando Armin.
– Háá, vem me pegar Armin!!! Se é que consegue!!
– Jean! Jean, pelo amor de Deus, não faz isso! – O loiro colocou-se em pé.
– Ainda não acabei! – O cara de cavalo, segurou o cós da sua boxer, pronto para abaixá-la. Foi aí que Armin, desesperado, correu até ele.
– Pare aí agora, Kirschtein!! – Assim que o loiro chegou bem perto, Jean saiu correndo pra fora do refeitório, gritando muito alto o nome do Armin e o próprio indo atrás dele.
Enquanto isso, eu e Bertholdt nos entreolhamos, ainda pasmos com o que aconteceu.
– Não sabia que a bebida fazia isso com as pessoas... – Comentei.
– Pois é... Por isso que não tomei nenhum copo. Reiner também bebeu... Quando dei por mim, ele já estava tocando violão ali com aquele pessoal. – Berth apontou para a área mais iluminada do refeitório. Foi aí que tanto eu como ele notamos que Reiner estava sem camisa também, já bastante animado.
– Ah, que é isso! Álcool faz as pessoas tirarem a roupa assim? Que coisa poderosa. – Comentei aleatoriamente. Vi que Berth desviou o olhar, um pouco corado.
– Berth?
– Hã? – Ele me olhou confuso.
– O que foi?
– Nada.
– Hum... – Foi aí que caiu minha ficha, eu estava diante do cara mais alto que conhecia. Por que não pensei nisso antes? – Bertholdt!!
– O que? – Ele me olhou novamente.
– Você consegue me levantar?
– Hum? Er... Sim. – Ele respondeu.
– Me ajude aqui então. – Pedi e ele logo assentiu, pondo-se em pé. Abaixou-se para que eu subisse em suas costas até sentar em seus ombros. – Isso... Pode levantar agora.
– Ok. Segure-se bem. – Berth pôs-se em pé novamente, ficando ereto.
– Isso, agora dá pra ver todo mundo! – Tentei me concentrar em encontrar o heichou. Não havia notado que o refeitório era tão grande assim, agora com essa nova visão. E noventa por cento do lugar estava escuro, tinha que contar apenas com a fraca iluminação de algumas lamparinas para enxergar. – Berth vá um pouco pra frente. – Pedi e assim ele fez. Devia contar que, por mais que eu consiga ver o local inteiro. Levi era um baixinho no meio da multidão, achá-lo não seria fácil. Pude ver agora os tais barris de run que comentaram, e perto deles, achei Hanji-san. Era a pessoa mais agitada daquele meio por isso foi fácil localizá-la. Talvez Levi estivesse com ela!
– E-Eren... Está começando a pesar pra mim... – Bertholdt timidamente falou.
– Ah, desculpe, pode me descer! – Disse e ele com cuidado o fez.
– Está procurando por quem? – Ele perguntou.
– O Levi heichou! Não achei ele exatamente, mas achei a Hanji-san! – Dei uma olhada em nossa mesa, vendo Mikasa dormindo, com a cabeça apoiada nos braços. – Er... Berth, eu vou tentar acha-lo então... pode, por favor, pode ficar de olho na Mikasa?
– Claro. – Ele concordou.
– Obrigado! Se eu não achar o heichou eu volto pra cá.
Rapidamente adentrei no meio da multidão indo em direção ao canto onde estão os barris, na esperança de Hanji não sair de lá até eu chegar.
Levi
Acho que excedi um pouco mais do que eu queria. Acabei bebendo dois canecões daquele run. Foi meio que automático. Fazia tanto tempo que eu não bebia nada forte. Aquela coisa viciava, se a pessoa não tiver autocontrole e consciência na hora, iria bebendo uma atrás da outra sem se preocupar com o depois.
Mas eu parei no segundo. E já fiquei meio tonto. Estou até agora preocupado com o Eren e procurando por ele. Fiquei cismado. Nem pensei direito, mas é claro que a Ackerman estava por aqui, ela poderia aproveitar o lugar escuro e barulhento pra atacar o menino. Eu rangia os dentes só de imaginar.
Só não encontrei Eren ainda porque a cada canto que eu passava daquele refeitório, eu via cenas absurdas. Um rapaz brincava de carrinho de mão com outro ali no meio da baderna, duas meninas dançavam de forma obscena em cima da mesa, um rapaz urinava no chão (esse apanhou feio de mim por isso) ou uma briga entre dois jovens. Em todas as cenas que eu julgava inaceitável, me intrometia e botava ordem na situação com ameaças ou até com ignorância se fosse necessário. Não importa se eram novatos ou não, todos ficavam intimidados na minha presença. No mínimo com isso eu conseguia manter o controle da situação.
O problema é que todos os sermões que dei me fizeram perder tempo de encontrar o Eren. Mas agora, fui abrindo passagem no meio das pessoas, indo para o lado esquerdo do refeitório, que era pra onde mandei Eren procurar Hanji. Ele devia estar por lá ainda.
Cheguei ao local perto das janelas. Por sorte ficou um pouco mais claro, dando pra enxergar melhor o que tinha à frente. Fui me esgueirando por ali, olhando de mesa em mesa, se via o Eren ou algum dos amigos dele. A sorte foi que avistei facilmente um deles, um cuja altura eu invejava. Aproximei-me dele desviando de todas as pessoas até parar ao seu lado.
– Bertholdt Fubar. – Chamei-o e ele logo deixou a coluna ereta, fazendo a continência da Tropa.
– Ah, Levi heichou? – Ele olhou-me surpreso.
– Tudo bem, pode relaxar. Tá todo mundo relaxado mesmo... – Comentei.
– É... pois é.
– Você por acaso viu o Eren, Fubar?
– Ah, ele não encontrou o senhor? Er... ele estava aqui agora a pouco. Eren entrou no meio do pessoal pra ir procurá-lo. – Ele explicou.
– Hum... – Olhei-o com minha expressão séria de sempre, depois desviei para a multidão. Não dava nem pique se enfiar ali no meio e tentar acha o pirralho.
– Ah, ele disse que se não encontrasse o senhor ele voltaria pra cá! – Ele avisou.
– Oh... Bom. Neste caso, o esperarei por aqui. – Procurei por um espaço para sentar e notei que o lugar no banco ao lado de Fubar haviam cintos e botas do uniforme da Tropa jogados. – Isto é seu?
– Ah... não.
– De quem é?
– Er... – Vi que ele pensou duas vezes se responderia ou não.
– Não se preocupe, não vou dar bronca em ninguém.
– Hum... J-Jean Kischtein.
– Hunf. – Dei outra olhada naquilo. Imaginado que possivelmente ele tenha tirado o restante das roupas. – É... imaginei que fosse dele. – Resolvi sentar-me de frente para Fubar, notando que havia mais alguém ali sentado ao lado. Não pude ver quem era, apesar da área estar mais clara que as outras, não quer dizer que dava pra enxergar perfeitamente. Aliás, a pessoa estava deitada sobre os braços, cobrindo quase toda sua cabeça. Provavelmente dormindo. Não tenho ideia de como essa pessoa conseguiu adormecer em meio à barulheira do local. Eu ainda me sentia levemente tonto. – Fubar, você não parece ter bebido. Pode me contar como começou esta “festa”? – Perguntei. Afinal eu não tive essa resposta até agora. A quatro-olhos apenas me enrolou e não deu demais explicações. Sem falar que ela já estava bêbada. Não era confiável.
Bertholdt foi me contando tudo. Foi aí que minha confiança subiu mais. Se Erwin aparecer, vou colocar toda a culpa na Hanji. Ela saiu distribuindo vinho e permitiu os jovens de pegarem do run. Hunf, maldita quatro-olhos irresponsável.
Bem... Já que não poderia impedir uma Tropa inteira sozinho, pelo menos agora que estão todos exaltados e fazendo o que dá na telha, o jeito era relaxar e ficar na minha. Vi que sobre a mesa havia um canecão de madeira cheio quase até a boca.
– Alguém está tomando este run? – Perguntei.
– Hum, Jean trouxe mas... ele saiu daqui de repente, não acho que ele voltará tão cedo. – Disse Fubar.
– Hm, entendo. – Peguei o canecão e despejei uma boa quantia num dos copos que não estava usado da mesa. Logo dando rápidas e grossas goladas. O run me dava uma maior relaxada naquele momento de tumulto e estresse.
Depois de um tempo ali bebendo, comecei a me sentir um pouco mais tonto e até... animado. E agora só pensava no Eren. Queria vê-lo logo...
Eu dava umas olhadas para Fubar. Ele não parecia incomodado com minha presença intimidadora. Na verdade, percebi que ele a todo momento dava uma olhada para o pessoal que tocava os instrumentos lá do outro lado do refeitório. Com certeza ele estava de olho em alguém... Só não conseguia localizar quem. Minha visão não estava muito boa agora.
– Berth, voltamos! – De repente, surgiu um rapazinho careca bem animadinho também. Depois de olhá-lo bem reconheci que era outro amigo do Eren, Connie Springer. – Ah! Heichou!! – Ele se assustou e ergueu os braços assim que me viu.
– Calma, rapaz. Não precisa ter medo de mim. – Tranquilizei-o.
– Ah, que bom, achei que estivesse fazendo um interrogatório aqui. – Ele comentou rindo, sem graça. Logo depois, surgiu atrás dele Sasha Braus. Tão animadinha quanto Hanji.
– Voltamos!! – Essa daí estava com uma voz bastante alterada. Deve ter bebido até não caber mais. – Ahh, Levi heichou!! Ué... Eren não está com você?? – A garota chegou um pouco mais perto e percebi que sua camisa estava completamente desabotoada, exibindo seu sutiã que envolvia seus seios médios. Médios e bem redondinhos. Não é minha culpa, foi meio impossível não olhar. Fubar pareceu corar na hora com a visão.
– Mocinha, está se vestindo de forma indecente. Cubra-se, por favor! – Mandei, mas com educação.
– Ahh, desculpe-me, senhor!! Eu não percebi! – Ela rapidamente foi abotoando sua blusa. O rapazinho, Connie, apenas assobiava tentando disfarçar algo. Hunf. Com certeza foi ele quem abriu a blusa dela quando deu a oportunidade, aproveitando que ela não está muito lúcida. Deixei-os pra lá e fiquei olhando a multidão, ansioso. Muito ansioso
“Eren... cadê você? Eu te quero tanto agora...” Espere... O que foi que acabei de dizer? Não é hora de pensar isso agora, eu tenho que manter a postura. “Eu quero tanto transar com você agora, Eren...” Pare!! O que estou pensando? Não posso decair pra promiscuidade neste momento. Eu estou no meio de um tumulto, na frente de alguns dos amigos do Eren, e estava apenas pacientemente o esperando... “pra terminarmos aquela deliciosa sobremesa que começamos. Hummm...” Argh, não! De novo! Mantenha a consciência, Levi! Será que apenas o tanto de run que tomei me deixou assim? Já bebi muito mais do que isso e nunca fiquei nesse estado... meio carente. Eu sentia um fogo interno só de imaginar o rostinho do Eren... “Ahhh... Eren...”
De repente, senti alguém agarrar minha cintura, abraçando-me com força. O que me faz sair de meus devaneios. Com certeza era a pessoa sentada ao meu lado.
– Eren... Eren... – Reconheci sua voz na hora. Ela parecia ainda dormir, estava sonâmbula. E sonhando com o Jaeger, pra variar.
– Sinto desapontá-la, Ackerman... não sou o seu precioso Eren. – Falei irônico. – Aliás... ele não é seu. – Completei.
Ela logo acordou e fitou meu rosto, rapidamente se afastando.
– Ahhh! Você... – Ela fez o olhar surpreso. – Você!
– Hunf. – Apenas a olhei com meu jeito intimidador, mas ela não era tão facilmente manipulável como a maioria. Fubar, Connie e Sasha pareceram sentir a tensão no ar.
– Cadê o Eren, Bertholdt? – Ela perguntou impaciente.
– Ele deu uma saída... – Fubar falou.
– E o que está fazendo aqui... tampinha? – Ela voltou sua atenção pra mim. Notei que sua voz estava bem mole, devia estar mais bêbada do que a Braus.
– Isso não é da sua conta. – Já logo a cortei. Ackerman, sem muita paciência (e noção de perigo) tentou acertar-me com um gancho de direita, que eu facilmente desviei, logo segurando seu braço e torcendo-o.
– Oh... você queria me acertar, é? Não nesta vida. – Falei provocadoramente.
– Seu... – Ela, com a outra mão livre, tentou me acertar novamente, desta vez eu recuei para trás levantando-me do banco de madeira.
– Por que quer agir com tanta ignorância assim, Ackerman? Eu não quero lutar com você.
– Eu sei que você... abusa do Eren contra a vontade dele. – Ela tentava manter-se me pé, mas estava bem mole. Não deve nem saber direito o que está falando.
– Oh, é mesmo? – Falei no puro sarcasmo. – Que estranho, ele parece adorar quando eu o faço. – Dei um sorrisinho.
Eu também estava já meio alterado por causa do run, mas Ackerman agia de forma bem mais agressiva e mais possessiva do que o normal com relação ao Eren. Como se estivesse numa TPM forte. Ou ela exagerou na bebida, ou ela é fraca para o álcool mesmo. Mikasa estava com seus sentimentos à flor da pele... E eu não estava fazendo nada bem em provocá-la. Mas eu não resistia...
Ela novamente tentou me acertar com golpes diretos. Diretos! Ela fazia de forma desengonçada, mas percebi que se deixasse acertar um daqueles socos, ia doer bastante. Eu admito que ela tem bastante força física, mesmo para uma menina tão nova. Ela atacava-me com golpes e eu ficava apenas defendendo. Confesso que foi um pouco pesado mesmo para mim. Ela era bastante bruta e rápida. Tinha que lhe dar o devido reconhecimento por isto.
Quando ela deu o próximo golpe, na primeira brecha que encontrei, agarrei seu seus dois pulsos, virando-a de costas para mim. Colando seu corpo ao meu.
– Ackerman... Acho melhor resolvermos de outra forma. Está chamando muita atenção assim. – Disse já apontando para um pequena roda de pessoas que se formou em torno de nós.
– Ah, é? E como quer fazer isto?
Eu imediatamente a soltei, voltando ao meu lugar na mesa. Sem dizer nada, apoiei meu cotovelo ali e abri a mão, fazendo-lhe um convite.
– Venha... vamos ver, desta vez sem interrupções, quem é mais forte. – Dei outro sorrisinho provocador.
– Hunf! Com certeza! – Ela logo veio sentando-se à minha frente e agarrando minha mão.
– Gente!! Façam suas apostas!! Eu estou com você Mikasa!! – Braus gritava escandalosamente.
– Imagina, aposto tudo no heichou! – Connie falou empolgado.
Eu e ela mantínhamos o olhar intimidador e ninguém recuava ou fraquejava. Isso ia ser interessante... “Oww, Eren... como eu queria que você me visse ganhando dela agora.”
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