Provocativo
16 Decisão
Notas iniciais
Desculpe a demora para responder a todos os comentários, farei isso amanhã com mais calma, ok? o/ Mas saibam que eu já li todos (obvio, Nikki)E adorei cada um como sempre. >3
Bem, recebi mais recomendações (gente, sério ainda tô pasma com isso o.o) uma mais fofa que a outra. Obrigada mesmo Yuuka-san, Nancy-chan, Mandy-chan (é claro que me lembro de você, querida, foi uma das primeiras a comentar a fic! *-*) e Juli-chan ♥
Bem, sem mais enrolações. Boa leitura, amores. o/
Levi
A luminosidade do sol já invadia o quarto pela janela. Eu já havia me levantado, feito minha higiene matinal e arrumado meus cabelos. Entretanto o garoto continuava a dormir pesadamente.
Terminava de colocar todos os meus cintos observando como Eren dormia de forma espalhada pela cama, deitado de bruços e com os braços embaixo do travesseiro. De manhã, todas a vezes que eu ia acordá-lo em seu quarto, ele estava em uma posição assim. Garoto engraçado...
Aproximei-me novamente e sentei na beirada da cama para calçar as botas. Olhei para o meu relógio, que já marcava quase oito horas. Eu planejava acordá-lo umas sete na verdade. Mas vê-lo dormir tão confortavelmente daquela forma, me fez repensar um pouco. Já com as botas calçadas, resolvi acordá-lo de uma vez.
– Eren. Anda, tá na hora do seu treino. – Chamei-o afagando seus cabelos. E ele pareceu nem ter ouvido ou sentido nada. Continuou na mesma posição, deitado de bruços com o rosto virado para mim. – Eren! – Tentei de novo, desta vez chacoalhando-o, e nada.
Então, resolvi retirar o cobertor inteiro de cima dele. Eu continuava observando-o nem se mexer. Com aquela veia pulsando novamente em minha testa. Dobrei a coberta. Sentei-me ao seu lado de novo e passei uma de minhas mãos suavemente por debaixo de sua blusa, acariciando aquela região inferior de suas costas que descobri que tinha grande sensibilidade. Com isso, o garoto se contorceu.
– Humm... – Ele deu uma choramingada e logo virou-se todo para mim abrindo bem pouquinho os olhos. – Heichou...
– Ah, finalmente. Anda logo e levante, já está na hora de seu treino. – Chamei-o novamente.
– Hm... só mais cinco minutos... – Dito isso, ele virou para o lado da parede, voltando ao seu sono. Duas veias pulsavam em minha testa.
– Se não se levantar agora, pode dar adeus aos meus beijos, ouviu? – Falei rispidamente. Ouvindo minha fala, Eren imediatamente já se sentou na cama olhando para mim.
– Já acordei, já acordei! – Falou mostrando sua disposição. É mesmo um moleque facilmente manipulável...
– Bom, então se troque logo pra irmos tomar o café.
– Sim, senhor!
~#~
Já na cozinha, eu e o garoto estávamos sentados no balcão que ali havia. Já que o refeitório estava quase completamente vazio ficamos por ali mesmo. Como sempre, Petra já estava acordada e preparou o seu esplêndido café para nós. Que Eren também adorava. Petra era mesmo muito boa com suas habilidades culinárias.
– Hmm, está ótimo, Petra-san! – Elogiou o garoto assim que deu seu primeiro gole.
– Haha. Obrigada, Eren! – Ela agradeceu em seu costumeiro jeito gentil e sorridente. Quando subitamente a porta da cozinha abriu.
– Eren, Levi, Petra, bom dia!! – Toda alegre e extrovertida, como sempre, a quatro-olhos adentrou a cozinha.
– Bom dia, Hanji-san. – Cumprimentou Eren. – Ué, você também é de acordar cedo?
– Mas é claro. Como tenente é o meu dever estar pronta desde cedo para qualquer tarefa ou reunião de última hora. Aliás, muitas vezes sou eu quem lhe acorda, não é Eren?
– Hum... Verdade.
– Só não estou te acordando esses dias porque um certo egoísta aqui não deixa mais... – Ela disse ironicamente dando leves tapinhas no topo de minha cabeça, fazendo-me quase derrubar o café.
– Hanji – Chamei-a sussurrando. – Já pedi pra não falar muito sobre Eren e eu na frente da Petra.
– Ohh, desculpinha. Havia me esquecido. Hehehe. – Ela respondeu baixinho também. O que era um milagre. – Eren, eu ainda quero seu esperma, viu! – Ela falou de repente virada para o garoto. O que me fez olhá-la de forma estranha e indignada. O que essa louca acabou de falar pra ele? – Bem, vou lá ajudar a Petra a preparar o café da manhã, então...
Vi que Eren também olhava para mim de forma estranha. Eu, sem muita paciência, tomei todo o meu café rapidamente.
– Ô, quatro-olhos! Espere um pouco aí! – Ouvindo isso, Hanji logo voltou sua atenção para mim antes de se juntar à Petra. – Eren, leve as xícaras para a pia. – Ordenei estendendo-lhe a louça sem parar de olhar Hanji. O garoto imediatamente pegou-as e caminhou até lá, onde estava Petra. Vendo os dois a uma boa distância, dei continuidade à conversa com Hanji.
– Que história é essa de esperma? – Perguntei arqueando uma sobrancelha. Ainda em tom baixo.
– Ops... – Ela tapou a própria boca. – Droga, esqueci! Não era pra falar na sua frente.
– O que pensa que vai fazer com isso em mãos? – Cruzei os braços e as pernas, esperando curiosamente sua resposta. Que ideia é essa de pegar o esperma do meu garoto? – Não me diga que quer criar seu próprio titã com seu útero.
– O quê?! Claro que não! É muito perigoso, Levi...
– Então...
– Eu ia fazer uma fecundação externa obviamente! – Ela balançava os dedos das mãos de forma meio preocupante. – Já imaginou, se isso funcionar e o feto for um titã como o Eren, já é uma evidência de um dos possíveis modos de reprodução deles! – Ela se empolgava mais e mais. O volume de sua voz ia gradativamente aumentando. Dei uma olhada de canto para a direção da Petra, vi que ela conversava com Eren. Ainda bem, eles não estavam prestando atenção em nossa estranha conversa.
– Enlouqueceu de vez, quatro-olhos? Com certeza não é assim que eles reproduzem. Não tem humanos normais por aí cruzando com titãs, caso você não saiba. – Falei meio sarcástico, pra ver se a fazia mudar de ideia.
– Ué, olha aqui um humano cruzando com um titã quase toda a noite. – Ela comentou com uma expressão sarrista, tocando minha testa com o indicador. Outra veia pulsou em minha testa com isso.
– Hanji, não me faça bater em você também...
– Hum... O que quero dizer é... e se existir uma versão feminina do Eren por aí?
– Hm? Está falando de uma garota que se transforme em titã?
– Claro! Depois de conhecer o Eren a primeira coisa que já me veio à cabeça foi de existirem outros como ele, incluindo uma fêmea. Já imaginou? Podem ser que se reproduzam somente quando estão na forma humana! É uma possibilidade. – Assim que ela disse isso, fiz uma pausa. E conclui que ela não devia estar tomando seus remédios da maneira correta. – Por isso preciso de apenas um pouquinho do sêmen do Eren...
– Não. Não vai pegar sêmen nenhum. – Respondi ríspido, levantando-me da cadeira. – Quer cruzar um óvulo humano com um espermatozoide de um garoto-titã? Que nem é totalmente titã. – Fui falando ainda de forma baixa, aproximando-me dela.
– Exatamente! Não são espécies totalmente diferentes. Tem a chance dos descendentes não serem híbridos! É só um testezinho que quero fazer a mim mesma. – Ela continuava falando baixo também, mas mantinha sua empolgação nos gestos com as mãos. – Eu só quero verificar se o feto nasceria como humano normal ou como humano-titã.
Eu a olhei novamente com uma expressão indiferente. Pensativo. Ela estava fazendo suposições um tanto “viajadas” sobre reprodução de titãs. No fundo tinha uma certa lógica, mas com possibilidades ainda muito baixas acredito eu.
Só sei que era apenas uma desculpa para fazer experimentos de interesse particular com Eren. Eu não queria mais nenhum tipo de teste assim com o garoto. Mesmo sendo algo que não envolvia dissecá-lo ou implantar coisas em seu corpo...
– Hunf... E você ia pegar isso com o Eren sem me falar nada? Devo lhe lembrar que eu sou o responsável por ele?
– Aww, perdão meu pequeno Levi. – “Pequeno”... “pequeno”? Eu já havia falado para ela não me chamar assim. – Por favor, me permite?
– Hum... É um experimento desnecessário a meu ver. Sugiro que não faça isso e continue a tomar seus remédios... – Ironizei passando por ela e indo em direção ao Eren.
– Ah, nãão, Levi!! Por favor, por favorzinho...!
– Eu disse que não. E também não fique assustando o garoto com esses seus pedidos repentinos, ok? – Falei naturalmente, e ela fez um bico.
– Ah, Levi... Por favor! – Ela deu uma leve apertada em minha bochecha. Coisa que ela fazia de vez em quando, e me irritava. – É a sua tenente querida aqui que está pedindo, pelo bem da ciência.
– Se continuar apertando meu rosto, vai ganhar mais do que um não.
– Ahh, hunf! Assim você acaba com o meu barato. Era só um pequeno experimento. – Ela fez um bico novamente. Mas sei que ela não estava brava de verdade. – Olha eu deixo esse pedido quieto sem ficar chateada, se você me responder um pequeno questionário... – Ela já abria um outro sorriso.
– Que questionário? – Já perguntei com um olhar cansado. Imaginava que ela falaria um monte de coisas que interessavam apenas a ela.
– Sobre o Eren. Ele nunca me responde por que fica sem graça, então...
– Tá bem! Mas só mais tarde, ok?
– Obaa! Obrigada, querido! – Ela apertou de novo minha bochecha. E assim foi em direção à Petra ajuda-la a preparar o café da manhã. Vi que Eren continuava ao lado da pequena. Aliás, estava lavando a louça para ela. Achei um gesto um tanto meigo da parte dele. Continuavam conversando entre si. E conversavam alto. O que foi bom. Eles não devem mesmo ter prestado muita atenção no papo estranho entre Hanji e eu agora.
– Eren. – Chamei-o.
– Ah, heichou. Já terminei. Nós podemos ir para o treino! – O garoto disse enxugando as mãos no pano de prato.
– Oh... E bom trabalho. – Elogiei olhando para a louça no escorredor. – Bem, vou fazer mais um treino com o Eren, ok? – Avisei às duas antes de sair da cozinha, puxei o garoto pelo braço para irmos logo para o campo aberto começarmos o treinamento do dia.
~#~
Chegando ao mesmo local de ontem, demos uma pequena pausa para respirar e dar uma descansada. Eren logo retirou sua jaqueta da Tropa e arregaçou as mangas. Vi que ele já estava com calor. Mesmo ainda não sendo o sol do meio-dia, já estava bastante quente. Dava para sentir o mormaço. Eu também acabei por retirar a minha jaqueta. Afinal, além de tudo, tínhamos corrido para chegar até ali como aquecimento. Assim poderíamos partir logo para a luta corporal.
– Muito bem. Já está aquecido, certo? Então...
– Espere, heichou! – Ele interrompeu-me antes que ficasse em posição de combate. Fiquei meio surpreso com sua expressão. Ele parecia incomodado com algo.
– O que foi?
– Bem... Agora a pouco, lá na cozinha... Por que pediu para Hanji-san não falar sobre nós dois na frente da Petra-san? – Ele juntava as sobrancelhas enquanto fazia a pergunta. Parecia receoso de algo. Pois bem, eu imaginei que ele fosse ficar meio confuso com essa minha fala.
– Hm... Sobre isso... Simplesmente prefiro não ficar exibindo muito nosso relacionamento para ela. Apenas isso.
– Heichou, isso não responde nada! – Comecei a perceber que o garoto começava a falar comigo de igual pra igual.
– Eren, abaixe esse tom. Eu estou a poucos metros de você...
– Er... Perdão... Mas por que heichou não quer mostrar pra ela. Você fez questão de mostrar pra todo mundo ontem à noite no refeitório... – Ele apertava os punhos.
– Mas a Petra não estava lá naquele momento.
– Senhor, ela ficará sabendo cedo ou tarde!
– Ela já deve saber. Eu só não quero ficar mostrando explicitamente para ela.
– Mas por quê? – Via que o garoto estava bem confuso.
– Porque a Petra tem sentimentos por mim. – Falei com a minha normal indiferença em meu rosto. Já Eren demonstrou uma cara meio surpresa.
– Hã...? A Petra-san... g-gosta do senhor? Então ela... se confessou pra você alguma hora? – Ele perguntou imediatamente.
– Não, ela não confessou nada e creio que nem vai confessar...
– Hm? – Ele fez de novo uma cara confusa. – Então... como você sabe?
– Eren, eu simplesmente vejo... Se você também observasse mais as expressões e gestos das pessoas ao seu redor, pode acabar descobrindo várias coisas. E eu percebi... Petra gosta de mim em segredo. É uma paixão platônica.
– Paixão platônica...? O que quer dizer?
– Que ela não liga com quem eu fique... se eu estiver feliz, já é o suficiente para ela...
– Hã...? É mesmo? – Eren agora mostrou um olhar triste. Aparentemente sentindo-se um pouco mal pela Petra...
– Por isso prefiro não mostrar muito nossa relação pra ela assim. Para não feri-la ainda mais...
– Hm... Desculpe, heichou... eu não sabia... – Eren olhou para a grama aos seus pés, aparentemente um pouco sem graça agora. E talvez sentindo uma leve culpa de ter novamente sentido a leve ameaça de me perder para Petra. Mesmo não tendo culpa de nada, ele sentia.
– Não precisa ficar assim, Eren. Petra não tem raiva de você. Não vê como ela te trata bem e de forma tão maternal desde que você se juntou à Tropa? Claro, tirando a vez que você assustou a todos se transformando de repente em titã para pegar uma colher... – Comentei revirando os olhos e de braços cruzados.
– É... Acho que sim...
– Agora você vê a diferença, certo? – Cruzei os braços olhando seu rosto.
– Hã, que diferença?
– Petra te trata de forma doce. Enquanto a Ackerman quer voar em meu pescoço toda a vez que me vê.
– Ah... Mas heichou também fica provocando muito...
– E quem você acha que começou isso? Hunf. – Passei a mão em meus cabelos, jogando-os para trás. Eu já estava suando bastante só de ficar parado ali naquele mormaço. – Bem, então chega de conversa e chega de sentir culpa, ouviu? Vamos ao treino. – Fiquei em guarda, na defensiva.
– Hum! Sim, senhor! – Eren já logo voltou à sua disposição normal. Posicionando o pé esquerdo à frente, e o direito atrás e erguendo os punhos, ficando em posição de ataque. – Er... A aposta de ontem ainda está de pé, senhor? – Ele perguntou meio sem jeito. Eu abri um sorriso de canto.
– Hum, você está querendo mesmo, não é? Moleque pervertido. – Falei de forma divertida.
– Sim, eu quero! – Falou sinceramente, já dando um impulso e vindo em minha direção, pronto para golpear. Confesso que ele estava mais rápido hoje. Mas mesmo assim, não era o suficiente para conseguir me imobilizar ainda...
~#~
Eren
Eu estava completamente exausto. Acabado. O treino de hoje com o heichou foi mesmo bem desgastante. E eu perdi novamente! Droga, heichou era muito rápido. Se eu quisesse pegá-lo teria que descobrir algum ponto fraco... Lutamos várias e várias vezes. E eu caí várias e várias vezes. Pra variar... Pior ainda quando se fez o sol do meio-dia. Aí que eu quase já nem conseguia mais lutar de tanto calor. Estava prestes a tirar todas as roupas e sair correndo direto para o lago ali perto mergulhar de cabeça. Mas resisti a essa tentação. Até porque, heichou me bateria mais, creio eu. Se bem que ele não tem feito isso ultimamente. Todas as coisas que eu falava ou agia de forma que normalmente o irritavam, Levi não me puniu como normalmente fazia. Estava até bem sereno comigo. E até... mais afetivo. Eu estava gostando bastante disso. E ficava meio bobo quando refletia sobre.
Mesmo durante a hora do almoço, agora a pouco. Como sempre, eu ficava com os meus amigos esse meio tempo. E Levi, novamente sentou-se com Hanji, mas desta vez junto também dos membros de seu Esquadrão. Petra-san, Auruo, Erd e Gunther conversavam descontraidamente, como o usual. E eu percebia que Levi não falava muito. Ficava mais de ouvidos, e respondia só quando necessário.
E muitas vezes ele lançava seu olhar em minha direção. Provavelmente para ficar de olho na Mikasa de novo. Como era cismado com ela... Penso que se ela agisse com Levi tal como a Petra-san agia comigo, heichou ficaria com certeza mais tranquilo e sem essa ciumeira toda... Se bem que, como já havia dito, eu gostava quando ele sentia ciúmes. Era um dos poucos momentos que eu via suas emoções mais aparentes. Mas... Mesmo quando nós fazíamos aquilo, suas expressões eram limitadas. Era um momento breve em que heichou deixava escapar algumas reações. Mas sempre de forma controlada. Eu... queria poder ver mais de suas reações. Mais de suas emoções. Ouvir outros tons de voz. E talvez até um pouco de descontrole...
– Eren! – A voz de Armin invadiu meus pensamentos. Ele também acenava com sua mão em frente aos meus olhos para verificar minha lucidez. Foi quando percebi que havia entrado em devaneios pensando no Levi. De novo.
– Ah, até que enfim saiu desse transe. A Mikasa já tá te olhando de forma estranha, sabia? – Avisou ele sentando-se no chão ao meu lado. Cruzou as pernas e colocou sua pequena bacia à sua frente.
–Sério?
– Mas relaxe, eu te dei uma cobertura. – Disse o loiro. E foi aí que percebi que trouxe consigo mais uma enorme pilha de roupas.
– Ah, sério mesmo que tem mais tudo isso? – Perguntei retoricamente, já ficando com uma enorme preguiça só de pensar em lavar aquilo tudo peça por peça. – Vamos levar o dia todo...
– Não. Terminaremos antes do entardecer se formos rápidos. – Argumentou Armin, logo começando a esfregar as roupas uma a uma em sua tábua de lavar apoiada à bacia.
– Mas é tão ruim... Já estou com os braços exaustos por causa do treino com o heichou. – Nunca imaginei que lavar roupa fosse tão exaustivo assim. Agora sei o quanto minha mãe era forte.
– Ah, Eren! Pare de reclamar. Se você fizer o serviço direito quem sabe você não dá pro heichou essa noite como recompensa, hein? – Brincou Jean, dando um tapinha em minha cabeça. Ele ainda não perdia a chance de zombar de mim.
– E você? Abusando do meu melhor amigo, hã? – Falei ironicamente também.
– Ah.... – Jean virou o rosto pra mim de novo, sem fala de momento. Suas bochechas se avermelharam. – Hunf. – Ele então deu um passo para trás e falou sussurrando. – Mas eu não dei a minha bunda. – Ele falou para apenas eu ouvir. Deu um sorriso vitorioso no final e continuou a caminhar até o varal para estender as roupas que trazia consigo. Eu apertei com força a blusa molhada em minhas mãos. Cara de cavalo maldito... Me deixou muito frustrado e sem fala de novo. “Tomara que o Armin meta em você, na próxima!”
– Eren, por favor... não me coloque na conversa. – O loiro falava de forma constrangida para mim.
– Ah, foi mal, Armin! Eu não queria te deixar sem graça.
– Não. Tudo bem! Acho que... você merecia falar algo assim pra ele. – Armin, com o rosto ainda corado, soltava um riso brincalhão.
– Mas, Armin... Por que você resolveu ficar com o Jean? Nada contra, só pra saber mesmo... – Eu fiz uma cara bem curiosa. Que motivo levaria alguém tão culto e correto como Armin gostar de alguém como ele?
– Hm... bem, eu não sei na verdade... mas admito que ele tem um certo charme... – Ele falava olhando de forma carinhosa Jean estender as roupas no varal. Quando eu virei para observá-lo também, vi-o pisar dentro de um balde com água e cair na grama. Voltei a olhar para Armin de forma estranha. Não conseguia ver grande coisa nele, mas Armin parecia gostar desse jeitão meio desastrado do Jean.
– Eren. E quanto ao heichou? Quando foi que começaram com esse... namoro, hein? – Ele falava dando leves cotoveladas em mim.
– Namoro...? – Na hora, parei para pensar... Heichou e eu estávamos namorando? – Que momento que eu sei se estou namorando ou não?
– Hã? Como assim, você não sabe?
– Não...
– Então não devem estar... Quero dizer, isso só se oficializa se ele pedir e você concordar ou o contrário, creio eu. – Armin falou e de momento eu ri.
– Hahaha, Armin isso é pra casamento!
– Não! É para namoro também...
– Quem está namorando? – A voz da Mikasa surgiu por trás de nós dois. O que me fez congelar. Assim que virei, dei uma olhada para todos os lados daquela lavanderia. Pensando rapidamente em uma resposta aceitável para ela.
– Er... Reiner e Bertholdt! – Disse os nomes dos primeiros em que eu bati o olho... e foram eles.
Mikasa olhou para os dois de forma estranha.
– Hum... Bem que eu desconfiava... – Comentou indiferente. – Armin, essas roupas já estão lavadas? – Perguntou ela apontando para a bacia ao lado de Armin.
– Ah, já sim! Pode estender! – Dito isso, Mikasa logo pegou o utensílio cheio e foi até Jean ajudar a estender tudo no varal.
Continuei a esfregar os tecidos até pouco a pouco, uma nova pilha de roupas lavadas ir se formando ao meu lado. Dava umas olhadas para Armin e percebia o quanto ele também já estava se cansando. Bem, isso também por ainda ser de tarde, e por sinal uma tarde bem ensolarada. Creio que hoje tenha feito o dia mais quente desde que entrei para a Tropa de Exploração. Eu passava a mão em meus cabelos o tempo todo, jogando-os pra trás. E enxugava o suor em minha testa. Daria tudo para fazer uma tarefa num lugar com mais sombra do que aquela lavanderia do castelo.
Eu observava as meninas trabalhando. Elas não demonstravam quase nenhum cansaço. Nem mesmo Christa, que era tão pequena e talvez a mais frágil dentre as meninas ali. Eu estava quase desistindo... Quando olhei para a direção do varal novamente, vi Levi caminhando por ali calmamente.
– Heichou... – Seu nome saiu baixo de minha boca. Foi aí que percebi que estava indo em direção aonde estava Mikasa. Mas parece que nem ela e nem ele tinham se visto ainda. Comecei a suar frio. Eles podiam começar alguma briga ali caso se encontrassem. Armin vendo minha aflição logo começou a observar os dois também.
Heichou passou pela Mikasa e continuou caminhando até a outra ponta do varal. Atravessando por entre os vários lençóis pendurados, o que o cobriu da visão da Mikasa. Ela continuava estendendo as roupas numa boa. Levi enfim chegou até um tapete enorme que estava pendurado em dois dos fios do varal, onde o retirou e enrolou rapidamente.
Com isso em mãos, retornou seu caminho de vinda passando novamente pela Mikasa atrás dos lençóis. Graças a Deus eles não se viram. Sabe-se lá o que poderia ter acontecido... Eu queria mesmo que os dois parassem com essa cisma um do outro. Isso me tranquilizaria bastante. Mas agora só imaginava aonde Levi ia com aquele tapete enorme.
– Oi, mocinhos, como estão indo aí?! – Uma voz veio de trás de repente, assuntando a mim e a Armin.
– Hanji-san, o que faz aqui?
– Ah, só queria ver como vocês estavam indo...
– Tá cansativo... – Armin respondeu.
– Aww, imagino que sim...
– Hanji-san, pra onde heichou está levando aquele tapete?
– Ah, é daquela biblioteca pequena que ele adora passar o tempo. – Ela revirava os olhos. – Ele está limpando aquele cômodo inteiro agora. Tadinho... Baixinho do jeito que ele é, tendo que limpar aquelas prateleiras altas... – Hanji balançava a cabeça.
– Heichou está... sozinho lá? – Perguntei.
– Pois é, querido... sozinho. – Hanji confirmava dando uma piscada para mim, que não entendi muito bem o que significou. – Pois bem, vim aqui ajudar com as roupas também, afinal é bastante, não?
– Sim, claro... – Falei, ainda meio pensativo. Será que eu devia ir até lá ajudar o heichou? Bem, não sei. Ele é do tipo que consegue dar conta de trabalhos pesados sozinho. E aliás, ser baixinho não era um grande problema para ele. Levi era melhor que eu em várias coisas tanto com relação à limpeza, lutas e até mesmo com relação àquilo...
Continuei a lavar as roupas ainda pensando no assunto e refletindo as zombarias que Jean fazia comigo... até que estava certo. Só eu fiquei por baixo até agora nas vezes que eu e Levi fizemos... Tudo porque eu tinha receio. Sempre que tentava ser o ativo eu fraquejava na hora H, e ele acabava dominando a situação de novo. Não que eu não gostasse, mas tinha que me tornar mais confiante e mais decidido nas coisas que eu fazia, caso contrário nunca realizaria minhas vontades. Como vencer o heichou numa luta, ser tão bom quanto ele em matar titãs e até ser dominante sobre ele ao menos uma vez.
Eu continuava com meus pensamentos sentindo meus joelhos doendo de ficarem dobrados por tanto tempo. Armin olhava para mim de forma analítica com a cabeça levemente inclinada para o lado.
– Eren... – Chamou-me e eu voltei minha atenção a ele. – Olhe, aquele cesto já tem um pilha de roupas limpas e já dobradas. Seria bom se alguém já levasse para o segundo andar...
Eu olhei nos olhos de Armin e já logo entendi o que ele quis dizer.
– Ah, isso! – Decidido, já me levantei, dando uma leve estralada nas costas e alongando os braços. – Claro, eu levo então. – Caminhei até o cesto, logo o erguendo. – Avise Hanji-san que eu fui levar isso pra dentro do castelo, ok?
– Pode deixar. Boa sorte, amigo. – Armin falou continuando a lavar as peças de roupa em mãos.
Eu, imediatamente, com o cesto em mãos, fui para dentro do castelo. Meus batimentos cardíacos estavam mais acelerados, com certeza por causa da minha ansiedade naquele momento. Eu tinha que provar tanto a Levi como a mim mesmo que eu conseguia fazer algo sem qualquer indecisão ou receio. E o último desafio dado pelo heichou, foi de eu conseguir imobilizá-lo, certo? Então, eu tentarei de tudo para alcançar esse objetivo. E de tabela... já receberia a tal recompensa que ele apostou ontem.
Abri um sorriso determinado no rosto. Minha chance de vencer seria pegá-lo em um momento que não estivesse esperando. Em um lugar estratégico, sem muitas pessoas circulando ao redor. Não tinha lugar melhor naquele momento do que a pequena biblioteca do castelo.
Chegando já no segundo andar do castelo, encontrei-me com Petra caminhando rapidamente. Assim que ela me avistou, chamou-me e se ofereceu para deixar o cesto de roupas com ela. E assim fiz. Ela, de forma doce, agradeceu e levou o cesto consigo.
Bem... Já que estava ali. Poderia ir até o heichou ajuda-lo, não é? Afinal, com duas pessoas limpando o mesmo cômodo, o trabalho terminaria antes. Rapidamente, mudei de direção e subi mais um lance de escadas até chegar ao terceiro andar. Chegando ao final do longo corredor, vi a porta da pequena biblioteca semiaberta. Parado em frente, dei duas batidinhas.
– Heichou? – Chamei-o abrindo devagar a porta.
– Eren? – Levi olhou para mim por cima do ombro. Ele estava abaixado no chão, de quatro. Aparentemente ajeitando o tapete que acabou de buscar lá em baixo. – O que está fazendo aqui, garoto?
– Eu trouxe as roupas limpas já dobradas pra cá e aproveitei para vir vê-lo... Precisa de ajuda com a limpeza, senhor?
– Hm? – Levi logo pôs-se totalmente em pé. – Você se oferecendo para limpar...? Está tramando alguma coisa? – Ele olhou desconfiado. Mas eu mantive minha postura e falava sem gaguejar dessa vez.
– Que é isso, heichou? Eu só descobri que lavar roupa cansa mais do que limpar um cômodo... E aliás estava muito quente lá fora. – Falei diretamente, e fui sincero! Levi, então, pareceu acreditar em meus motivos. Logo parou com seu olhar desconfiado.
– Hum, tudo bem então. Acho que será melhor mesmo... – Ele falou com as mãos na cintura. – Então venha e me ajude aqui. – Levi deu meia-volta e caminhou até as prateleiras de livros. Enquanto eu vagarosamente fechava a porta atrás de mim, trancando-a sem tirar os olhos de cima do Levi. Na hora abri um sorriso maldoso.
– Sim, senhor.
Notas finais
Porque É AGORA QUE O EREN COME RAVIOLI, MINHA GENTE! xD Haha claro, chega de brincar com os sentimentos do pessoal que está pedindo por um Levi uke. Enrolei pra caramba, sim! E digo que isso faz parte o/ Aliás podem ver que esse capitulo teve enrolaçõezinhas tambem. (quero dizer voces devem ter notado que dei umas viajadas legais em alguns dialogos, mas enfim)
Mas isso é para dar o tempo para o Eren tomar coragem aos pouquinhos, mas agora... ¬w¬ Ele parece bem decidido no que está fazendo, não? hehehe
Como sera que Levi lidará com um Eren mais esperto, hein?
Hahahaha, ok, sem perguntinhas de fim de novela. Apenas aguardem aí! Que proximo capitulo... ja devem imaginar o que aconteceraá *¬* (se bem que posso trollar vocês)
(e espero que as notas não saiam bugadas que nem no capitulo anterior ¬¬)
Beijinhos, até a proxima!! o/
Nikki
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