Provocativo
5 Confuso
Notas iniciais
Levi
Eu saí do castelo por um momento para tomar um ar. Fui até uma das laterais do edifício e sentei-me na grama encostado à parede de pedras. Queria descansar um pouco. Retirei minha jaqueta da Tropa e a pousei ao meu lado. Suspirava tranquilamente. Era um lindo fim de tarde, poderia tirar um cochilo ali para aproveitar o pouco de folga que eu tinha. Cruzei as pernas, e apoiei minhas mãos atrás da cabeça. Fui fechando os olhos aos pouquinhos. Até ouvir uns barulhos estranhos. Parecia longe, e logo se aproximava com rapidez. Levantei subitamente e fiquei em alerta, esperando pela coisa que se aproximava. Pior que eu estava sem DMT’s.
Dobrando a esquina do castelo, vi a enorme figura de um gigante com bastente vapor saindo de seu corpo.
– Eren...?
Parecia estar à procura de algo. Até que aqueles brilhantes olhos verdes pousaram em mim. Ele soltou um grunhido. Enquanto eu estava bastante enraivecido.
– Ei, Eren!!! Quem te deu autorização pra se transformar agora? Pode ir saindo daí antes que machuque alguém. – Gritei bem alto para que ele entendesse. O que parece não ter acontecido. Ele pendeu a cabeça para o lado como se estivesse confuso. Achei até bastante cômico um titã de quinze metros fazendo aquele tipo de expressão. – Você está me ouvindo, garoto? Desfaça a transformação!
Ele coçou a cabeça, parecia até que estava se fazendo de desentendido. Fui me irritando mais. Até que ele sentou sobre as pernas, e debruçou-se até ficar cara-a-cara comigo. Apoiou seu queixo na grama, e me fitava com um olhar afável. Eu continuava com minha expressão irritada.
– Por que está olhando assim pra mim, garoto? Pode parar. – Estava achando tudo muito estranho. Será que Hanji teria mandado ele se transformar? Provavelmente não. Ela não teria a ousadia de fazer isso sem minha permissão.
Eren continuava me fitando com aquele olhar. Parecia bem dócil. Achei até... bonitinho. Fiquei totalmente distraído com seu rosto por um momento, o que não me fez perceber sua enorme mão bem atrás de mim. Agarrando-me bruscamente. Eu levei um grande susto.
– Ei, Eren!!! Espera, o que é isso?! – Eu estava surpreso. Ele me segurava com força em seus dedos. Estaria fora de controle? – Eren, sou eu!! Volte a si agora mesmo! – Ele parecia ignorar todos os meus chamados. Meus braços estavam imobilizados, praticamente dormentes com tamanha força que me pressionava. Tentei me soltar, me debater ao máximo. Nada adiantava. “Como pude me deixar ser pego assim? Apenas por uma distração como aquela? Patético!”
Eren ainda me olhava com uma expressão doce, mesmo com aquela assustadora cara de titã, dava para perceber. Ele remexeu um pouco os dedos, deixando uma boa parte do meu corpo exposta, mas meus braços continuavam presos.
– Pirralho, o que vai fazer?! Pela sua cara, não parece estar fora de controle! Parece saber muito bem o que está fazendo!
“Você é muito esperto, heichou!” Pude ouvir sua voz. Mas era estranho. Parecia ouvi-la apenas na minha cabeça.
– Me ponha no chão! – Falei mais severo ainda.
“Não, heichou. Você é meu agora!” Ele então aproximou os dentes de mim. Eu me assustei mais. Será que ele ia... me devorar?
– Eren!!! – Ele não mordeu minha pele. Apenas minhas roupas. Mais precisamente, a região da cintura. Logo puxando e rasgando-as do meu corpo. Deixando aquela parte toda exposta. “Espera! O que ele pretende com isso? Não! Ele não teria coragem de...”.
Eren aproximou sua enorme língua de titã e passou em todo o meu corpo. Dando mais atenção à minha região que estava agora exposta. Dei uma pendida para trás. Sua língua era quente demais, tal como o resto de seu corpo. Aquilo era repugnante. Mais repugnante ainda era saber que aquilo mexeu um pouco comigo. Fui ficando mais desesperado, tanto pela ânsia de sair dali, quanto por ver que sua língua enorme roçando entre minhas pernas estava me agradando.
Eu não conseguia fazer nada. Estava totalmente preso em sua mão. E eu não gritaria por socorro nem se eu estivesse morrendo. Meu orgulho não me permitia, ou pelo menos o que sobrou dele agora...
– Eren, pare... Por favor... me solte. – Minha voz estava em um tom implorativo.
“Não, heichou. Não quero.” – Ele continuou a me estimular com sua língua. Aquilo era demais para eu aguentar. Me segurava para não gritar. Que humilhante! Eu estava ficando excitado. Até que ele parou.
Senti certo alívio. Mas logo, o vi direcionando o indicador de sua outra mão em minha direção. Fiquei branco, totalmente pasmo. Não conseguia acreditar mesmo naquela situação. O que ele pretendia fazer com aquele dedo gigante? Não! Eu não queria acreditar mesmo que ele tivesse a coragem de...
Levantei-me totalmente assustado. Respirando irregularmente. Meu coração estava bem acelerado. Mas o alívio enorme veio em seguida ao ver que estava em meu quarto.
– Que... porra... foi essa?! – Perguntava a mim mesmo. O alívio momentâneo não pode cobrir minha indignação. Mas graças a Deus tudo tinha sido apenas um sonho. Bom, sonho não! Pesadelo! Em todos os anos da minha vida nunca tive pesadelo pior que aquele.
Respirei bem fundo e relaxei. Esfreguei os olhos. Vi a luz do sol entrando pela janela. Levantei-me logo da cama, indo para o banheiro fazer minha higiene. Ainda estava atordoado. “Como meu cérebro conseguiu produzir uma historinha tão asquerosa como aquela e me passar em alta definição durante o meu precioso sono?” Escovei meus dentes com certa rudeza. Estava furioso de imaginar uma situação como aquela. Ainda bem que na vida real isso nunca aconteceria. Bom, pelo menos espero que não aconteça.
Eren está mais esperto ultimamente. Tenho que ficar bem atento com ele. Mas, por sorte, ele continuava a deixar seus pensamentos bem aparentes, o que me ajudava a prever o que ele queria. E não acho que tenha se passado em sua mente virgem se transformar em titã e tentar estuprar seu superior. Não acho que ele tenha essa coragem, a menos que tenha perdido o amor pela vida.
Dei uma analisada entre minhas pernas, só por precaução. Eu, como previsto, estava normal. Eu continuava não reagindo facilmente a estímulos mentais. Isso era uma boa vantagem que me dava sobre o Eren. Eu não me excito com facilidade. Já ele, apenas com poucas falas elaboradas, já se dava inteiro.
Olhei-me ao espelho e passei a mão em meu rosto, logo descendo para o pescoço. “É verdade... Tem este detalhe...” Eu tinha um ponto fraco que desconhecia. Minha nuca é bastante sensível, uma região vulnerável, tal como um titã. Como nunca tinha percebido? Já fui tocado ali antes, quando me deitava com mulheres. Mas nunca senti um arrepio assim como quando Eren tocou. Será que era pelo fato de ser ele?
Que irônico. Agora o confuso era eu. Antes estava tudo bem. Eu estava apenas brincando com ele, provocando-o, deixando-o constrangido. É um bom divertimento. Mas agora eu estava me sentindo estranho.
Decidi deixar pra lá. Voltei ao meu quarto para mudar de roupas. Colocando todo o meu uniforme, as cintas-ligas e por último, o lenço em meu pescoço que, por capricho, não poderia faltar de forma alguma. Enquanto calçava as botas. Olhei para o meu criado-mudo. Lembrava-me de ter um pequeno canivete ali guardado. Ao relembrar meu agradável sonho, percebi que eu andava um tanto desprevenido pelo castelo sem as DMT’s. Peguei o objeto e o guardei dentro de uma das botas, prendendo-o na cinta-liga. Fui vestindo a jaqueta enquanto descia as escadas para o refeitório. Mas antes, eu tinha que ir acordar o pirralho.
Fui até o porão e abria a porta.
– Eren! Acor... – Me interrompi ao ver que ele não estava lá. “Ele acordou antes de mim? Ou eu que me levantei muito tarde?” Dei de ombros. Hanji devia tê-lo chamado. Nesse caso fui direto para o refeitório.
Chegando lá, todos estavam tomando seu café-da-manhã, confirmando que eu acordei no horário de sempre. Fui até o balcão me servir. Dei uma boa olhada, tinha pães e algumas frutas. Servi-me apenas do café. E rumei para a mesa mais próxima com a xícara na mão. Ouvi Petra me chamando para sentar-me com ela e os outros da minha equipe. Erd e Gunter conversavam bem alto entre eles, enquanto Auruo estava com a boca sangrando, provavelmente Petra havia lhe batido e ele acabou mordendo a própria língua de novo. Acomodei-me ali com eles.
Eu mexia a colher mergulhada no café, fazendo pequenos redemoinhos, mas não bebia. Ainda estava bastante pensativo.
– Vocês viram o Eren? – Perguntei.
– Ah... ele chegou agora, senhor! – Dizia Petra apontando para a entrada do refeitório. Virei-me para ele, e assim que me viu correu em minha direção.
– Heichou, heichou! – Ele me chamava todo alegre. E logo se sentou ao meu lado. – Bom dia, heichou! Dormiu bem?
“Que comportamento era esse? Chegando todo alegrinho pra cima de mim. Ele acha que eu vou cair nessa?”
– Eu dormi como sempre. – Eu tentava manter minha postura perto dos meus colegas de equipe, que pareciam mais conversar entre eles – E aonde você estava? Fui até o seu quarto agora...
– Ah, eu estava fazendo os exercícios que me passou, os alongamentos, treino de resistência, tudo! – Ele parecia empolgado.
– Oh... Muito bom então. – Falei ainda em tom totalmente indiferente. Mas ele pareceu gostar. Talvez ele estivesse querendo apenas um elogio meu.
– Heichou! Comandante Erwin já fez o chamamento dos cadetes para a Tropa?
– Talvez ele chame entre hoje ou amanhã. Eu não tenho um dia preciso, Eren. Erwin é bem ocupado com o planejamento de formação para quando formos para expedições.
– Ah, é mesmo, verdade. Desculpe...
– Por que você quer saber? – Dei o primeiro gole em meu café e fiz uma careta. Estava amargo.
– É que... já fazem dias que não vejo o pessoal, queria saber se estão todos bem... Principalmente Armin e Mikasa.
Uma veia saltou em minha testa. Ele pareceu dar mais ênfase no nome da irmã. Hunf. Tinha certeza que era só pra ver como eu agiria. Tentei ficar indiferente. Tentei. Mas não podia negar que minha relação com aquela garota não seria muito boa. Irritava-me ver que ela era bem fissurada no Eren, e este parecia nem perceber isso. Era um lerdo mesmo. Um único dia que eu a vi, já percebi que ela não gosta dele apenas como um irmão.
Me irrita muito. Estou falando pelo fato de ele ser lerdo, não por ter uma possibilidade de Mikasa acabar ficando com ele...
Não... A quem estou tentando enganar? Era por esse motivo mesmo. Sentia-me angustiado de pensar nos dois juntos. Ela iria acabar não deixando Eren ficar perto de mim, já que ela não ia com a minha cara. “O que estou pensando? Eu era o responsável pelo Eren, ele não podia ficar afastado de mim.” Pensei. E, de alguma forma, já me apeguei ao garoto. E não tenho certeza ainda se ele tinha sentimentos verdadeiros por mim. Era uma dúvida perturbadora... E se ele estivesse apenas curioso em experimentar algo diferente? E se eu cedesse à vontade dele agora e depois ele perceber que não era bem isso que queria? E se eu acabar me apegando mais a ele, e ele ficar com a Mikasa? Como eu fico no final...?
– Heichou?
– Hum?! – Seu chamado me fez sair de meus pensamentos. Eu estava raciocinando demais. Devia parar de pensar tanto e voltar a trata-lo apenas como um subordinado o qual sou responsável – Que foi?
– Está tudo bem? Parece meio desanimado hoje. – Ele falou com um rostinho preocupado.
– Não é nada. – Disse enquanto colocava mais açúcar em meu café, dando outro gole logo em seguida.
– Foi porque eu falei da Mikasa? – Cuspi todo o meu café fora, quase engasgando. Como aquele garoto me irritava. Há momentos que tinha uma vontade enorme de apertar seu pescocinho até dar seu último suspiro. Sutilmente agarrei sua camisa e aproximei seu rosto do meu.
– É assim que vai jogar, hein, moleque? Tá querendo tirar alguma reação minha? Não vai conseguir, já aviso agora. – Eu falava baixo, para apenas Eren ouvir. Não queria assustar mais os outros, ainda mais Petra que estava do meu lado. E não deixei de usar um tom amedrontador, mesmo sendo um sussurro.
– D-desculpe, senhor. – Falou de cabeça baixa.
– Hunf. – Deixei a xícara vazia sobre a mesa, levantei-me bruscamente e fui para o corredor. Sem olhar para o garoto. Eu já estava ao meu limite com ele. Isso fez os meus colegas de equipe me olharem desentendidos e preocupados. Eren, vendo meu movimento, veio logo atrás de mim.
– Levi heichou, espera um pouco. – Ele gritava adentrando o corredor.
– O que você quer agora? – Disse em tom seco. Sem parar de andar.
– Por favor, me desculpe. Eu não queria falar daquele jeito... Não sabia que ia ficar tão bravo assim... – Percebi em seu tom que estava sendo sincero. Eu até achava graça disso. Ele tentava me provocar, e até que estava indo bem, mas não aguentava quando eu me zangava de verdade com ele. E logo tentava desesperadamente fazer as pazes, tal como uma criança. Parei de andar e virei-me para ele soltando um riso discreto.
– Eren... você ainda é muito ingênuo. Tem muitas coisas para aprender ainda, sabia? – Dei um peteleco em sua testa.
– Ai, ai! – Ele cobriu a região com uma das mãos. E me olhou com seus grandes olhos verdes, aparentemente desentendido. Eu apenas dei meia volta e continuei o meu caminho. – Ah, heichou, espera!
– O que é?
– Na verdade, eu vim para o refeitório te chamar. Hanji-san quer nos ver!
– Oh. Nesse caso, então vamos. – Voltei para o outro lado. Eren ainda me olhava, querendo ver se eu já não estava mais bravo. Era mesmo uma criança! Ao passar por ele dei um sorriso divertido e deslizei minha mão pela parte de trás de sua cabeça, acariciando seus cabelos. Ele se levou um sustinho e seu rosto ruborizou na hora. Foi uma forma de eu mostrar a ele que não estava mais zangado. Suas reações continuavam bastante engraçadas como sempre. Eu continuava o caminho, enquanto ele ficou parado por uns segundos até finalmente me seguir.
~#~
Encontramos Hanji fora do castelo a nossa espera. Ela estava sentada bem no alto do galho de uma das árvores dali. Tentando alcançar uma maçã que estava em uma das extremidades, bem longe dela. Eren e eu nos aproximamos da árvore, observando a dificuldade dela.
– Ei, quatro-olhos! É mais fácil usando as DMT’s!
– Ah, Levi, Eren!! Que bom que chegaram! E essas maçãs podem ser um bom primeiro teste para o Eren! – Ela falava empolgada como sempre.
– Hã? Um teste pra mim? – Eren perguntou confuso.
– Siiim, eu queria fazer um novo teste com a sua forma de titã, Eren! – Quando ela disse isso, já olhei feio.
– Não! Ele não vai se transformar hoje!
– O quê?! Por que não? Já faz vários dias que ele não se transforma, Levi! – Hanji insistia.
– Mas eu disse não! – Era mais algo da minha cabeça. Eu estava consciente que o garoto sabia se controlar na forma de titã. Foi o meu sonho desta noite que me deixara meio inseguro em permiti-lo se transformar.
– Heichou, por favor! Deixe eu fazer, prometo não machucar ninguém! – Ele virou-se pra mim, e fez uma carinha de criança pedinte. Olhei bem o brilho de seus olhos. Ele queria mesmo esse teste. Dei um suspiro. Acabei por ceder.
– Ok, então. Mas se você sair do controle, vou te arrancar dali de dentro mesmo sem os membros, ouviu? Sempre corremos um risco nesses testes.
– Sim, senhor!
E assim ele deixou suas DMT’s comigo e foi bem animado em direção à Hanji na árvore. Provavelmente, ela queria que Eren pegasse a maçã, sem esmaga-la como primeiro teste de controle de força.
Eu estava de longe, mas vi Eren mordendo sua mão e logo em seguida veio a explosão. Dissipando-se a fumaça, surge a figura nua e musculosa do titã Eren. Fiquei já alerta. É sempre no começo da transformação que ele perdia a consciência.
Mas fiquei surpreso ao ver que ele estava bastante calmo. Quem não estava nem um pouco calma era Hanji, louca para tocar em seu corpo, como sempre. Aquela tara dela pelo Eren também me irritava um pouco. Mas eu entendia que era apenas pela forma de titã dele... mesmo assim, irritava. Sentei-me na grama ao ver que estava tudo sob controle. Observando cautelosamente o trabalho do garoto. Ele pegava as maçãs e as esmagava entre os dedos. Foi aí que notei que Hanji queria que ele treinasse a equilibrar sua força e conseguisse segurar a fruta sem amassá-la. Provavelmente ela faria alguns testes pequenos como aquele hoje. Deitei-me totalmente na grama para relaxar, mas claro, sem tirar a atenção do moleque. Ele era fácil de se ler, mas por outro lado, também poderia ser mais imprevisível do que pensava.
~#~
Somente à noite voltamos para dentro do castelo, Hanji cobria Eren de elogios e falava de futuros testes que faria com ele. E este, todo sujo de terra, sorria docemente, mostrando-se feliz que tinha agradado a mim e à sua tenente. Aquele sorriso... Desviei o olhar dele. Continuei andando até a escadaria. Via os dois cochichando muito entre si. “O que? Estão de segredinhos comigo agora?” Fiquei meio desconfortável com isso, mas dei de ombros e subi a escada indo para o corredor. Eu queria muito tomar um chá agora, e eu tinha guardado um pouco em uma pequena sala que eu costumava passar o tempo. Tinha algumas estantes com livros, uma mesa e uma velha poltrona. Era uma boa ideia, ficaria por lá lendo até sentir sono e ir para o quarto.
E assim fui. Hanji rumou para seu laboratório e Eren veio logo me alcançar. Ele devia estar indo tomar um banho, já que pegou o mesmo rumo que eu e pelas suas roupas cheias de terra. Ele sempre se sujava quando fazia os testes da Hanji.
– Heichou, espera aí! Você está andando muito rápido! – Resmungava ele.
– Hunf. Você fica demorando trocando segredinhos com a quatro-olhos. Eu não tenho paciência pra esperar isso! – Falava seco com ele.
– Desculpe, senhor. Mas não precisa ficar assim, eu não falei nada de mais com Hanji-san.
– Ah, é mesmo? Então por que não falam na minha frente?
– H-heichou... – Ele falava em tom suspeitoso e ao mesmo tempo um tanto curioso. – Está com ciúmes?
Parei de andar bruscamente. Outra veia saltou em minha testa. Ciúmes?! Esse foi o cúmulo do dia! Eu me recusava a ter esse tipo de sentimento. Virei-me para ele com um dos meus olhares mortais.
– O que você disse?!
– Er... eu disse que... você está com...
– Não! Não precisa repetir! Vá para o seu quarto agora, Eren! – Falei ríspido. Continuando a andar mais rapidamente, sem olhar para o garoto.
Chegando à sala de livros, entrei rapidamente. Só queria tomar o meu chá agora e aliviar esse estresse que eu nem sabia direito qual foi a origem. Eu massageava minhas têmporas. “Que distúrbios estranhos...”. E Eren, obviamente, me seguiu até ali.
– Ei, Heichou... tudo bem aí? – Ele estava parado na entrada do cômodo, perguntava com um pouco de receio. Mas mostrava-se preocupado.
– Eu mandei ir para o seu quarto.
– Heichou, eu ainda vou tomar banho.
– Então vá!
– Não sem antes saber se está tudo bem mesmo.
– Está!
– Não, não está! – Eren parecia falar com determinação. – Você ficou mesmo, hã... irritado?
Eu nada respondi, fiquei de costas para ele. Virado para uma das janelas daquela salinha pequena. Nunca fiquei daquele jeito perto de ninguém. Eu estava confuso.
– Não vai me responder, heichou? – Ele dizia com uma voz triste. Eu apenas tentei ignorar e esperar que ele saísse da sala. Ficou um silêncio por um bom tempo, e eu ainda fitava o chão com expressão de nada. “O que deu em mim? O que eu estou fazendo?” Dei umas suspiradas. Talvez ele já tenha ido embora. Antes que eu me virasse pra verificar, senti seus braços tremendo passarem por de baixo dos meus, me abraçando. Eu arregalei os olhos.
– E-Eren...?
Ia tentar me soltar. Mas logo senti sua boca tocar a minha nuca. Arrepiei-me todo de novo. Aquilo me desestabilizou completamente. Minhas pernas ficaram moles, o que me fez ajoelhar. E Eren, juntamente comigo. Ele passava as mãos timidamente pelo meu corpo. E sentia-o tremendo, devia estar com medo do que eu faria com ele depois disso. E continuava a mexer sua boca, beijando e roçando sua língua em minha nuca. Droga, aquilo estava me enlouquecendo. Até que ele chupou com força, o que me fez gemer bem alto, sem segurar.
– Ahhh! N-não... hum... Pare, Eren...! – Eu falava entre suspiros. Aquilo saiu do controle. Estava sendo humilhante para mim. Eu era o superior. Eu era mais velho. Eu tinha que pará-lo! – Chega, Eren...
– Não, heichou... eu sei que você também quer... – Ele falava bem sensualmente, talvez nem ele percebia, parecia em transe. E ele estava todo corado. Me surpreendi com seus movimentos. Estava fazendo como eu havia feito com ele na floresta. Ele podia até ser inexperiente, mas isso não significava que não pudesse aprender rápido.
Consegui encontrar uma brecha e o empurrei para trás, fazendo-o cair deitado no chão.
– Ai, ai! Heichou...?! – Eu agachei-me a sua frente, com o canivete, antes escondido em minha bota, agora em mãos. Ele ficou assustado. Eu apontava a lâmina para ele, fazendo-o recuar para o outro lado da sala, ainda sentado, até ficar encurralado na parede. Aproximei bem o meu rosto ao seu. Ele ficou mais vermelho ainda. – Er... Me desculpe, senhor! É que... você tava parado... eu olhei sua nuca descoberta e... eu não aguentei. – Pude ver a sinceridade em seus olhos. Mas isso não era justificativa. Eu voltei à minha expressão séria.
– Está ficando cada vez mais atrevido, Jaeger...
Dito isso, larguei meu canivete e segurei seu rosto com as duas mãos. Bem suavemente. Dei uma acariciada com os polegares. Ele arregalava os olhos no mesmo ritmo que corava. Mostrava-se abismado com os meus atos. Logo sorri, aproximando meu rosto do seu. Até finalmente nossos lábios se tocarem. Foram movimentos tímidos no início, até por minha parte. Eren continuava com os olhos abertos pelo espanto. Fui movendo meus lábios sensualmente. Descendo minhas mãos por seu pescoço, pude sentir sua pele arrepiada. Ele finalmente fechou os olhos e se entregou ao momento. Claro, afinal ele queria me beijar já faz um bom tempo. Eu que nunca deixava. Mas agora, até eu queria... Percebi que ele ainda era inexperiente nisso. Ele tentava me acompanhar, mas dava pra notar que tinha dúvidas no que fazer em seguida. Por isso, eu ia bem devagar para não assustá-lo.
Rocei a língua entre seus lábios, querendo fazê-los abrir. Eren demorou um pouco para entender, mas logo o fez. Gemeu abafadamente ao sentir-me adentrar sua boca e esfregar sensualmente minha língua na sua. E seus gemidos, mesmo abafados, mexiam comigo. Eren finalmente mais lúcido do que estava acontecendo, enlaçou os braços em torno do meu pescoço. Eu mesmo soltei um baixo murmúrio ao sentir seus dedos passarem novamente em minha nuca.
Intensificava mais o beijo. Podia perceber o quanto Eren estava gostando e como queria mais. Ele tentava fazer tudo o que eu fazia. Mas notei que ele estava ficando sem ar. “Hunf. Eu falei pra treinar a respirar pelo nariz, moleque.” Achei melhor dar um espaço a ele para recuperar o fôlego. Separei meus lábios dos dele. Continuou com a boca semiaberta. Sua respiração estava bem acelerada. Um pouco de sua saliva escorria pelo canto da boca. E ele estava com um olhar desejoso. Dei um sorriso de canto para ele. Então olhei para seu corpo por inteiro. Para meu desprazer ele continuava sujo. Voltei a olhar seu rosto. Vi que ele estava um tanto sem ações. Eu então, inclinei-me chegando bem pertinho ao seu ouvido.
– Você não faz ideia do quanto me deixa louco, Eren... – Falei provocadoramente. Vi o quanto se deleitou apenas com a minha voz.
– H-heichou... eu...
– Shhhh. – Silenciei-o pondo o indicador em seus lábios – Vá tomar o seu banho e venha para o meu quarto. É uma ordem.
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