Provocativo
12 Confissão
Notas iniciais
Jean
Saindo da cozinha, retornei à mesa junto do resto do pessoal, com a xícara de café cheia em mãos. O lugar já estava começando a esvaziar bem. Mas os meus colegas continuavam ali, jogando conversa fora. Aliás, eles estavam cochichando entre si. Eu já tava de saco cheio disso. Deviam estar falando de mim. Reiner ficou dizendo coisas estranhas pra mim desde a hora que eu acordei. Mas, eu iria tirar a satisfação.
Juntando-me a eles sentei-me na ponta do banco de madeira, ao lado Ymir e bem de frente para Reiner. Eu nada disse de primeira. Apenas dei um gole no meu café. E vendo-os bem, percebi que eles todos estavam... olhando pra mim. Com cara de curiosos. Será que queriam saber se consegui dá uma ideia na Mikasa?
– Que foi? Por que vocês tão me olhando assim? – Perguntei diretamente, não tem porque fazer rodeios. Eles todos começaram a rir na hora, até mesmo Sasha que nem ouvia direito a conversa. Comecei a ficar irritado e impaciente. Eles estavam zoando com a minha cara? – O que deu em vocês todos?! – Com minha fala, eles começaram a me olhar com malícia. Eu já não entendia mais nada.
– Jeaaan... – Ymir me chamou cantarolando. E de uma forma meio provocadora. – Você tá a fim de alguém, é? – Perguntou ela.
– Hum? Você não me vê sempre dando uma ideia na Mikasa?
– Ohh, não... Não estou falando da Mikasa. – Continuou ela, se divertindo bastante com minha cara confusa.
– Er... Hum... Se não é a Mikasa, não tem mais ninguém...
– Mentira! – Pronunciou Reiner.
– Mas o que deu em vocês?! Resolveram pegar o dia pra me zoar? Quem deu essa noite foi o Eren! Zoem ele. – Protestei.
– Pode até ser, mas teve uma outra coisa inesperada que descobrimos também. – Continuou o grandalhão loiro.
– Hã? E o que é?!
– Tem a ver contigo. – Falou Ymir.
– Eu? O que eu posso... ter feito...? – Dei uma olhada em todos eles da mesa, e acabei notando a falta de alguém. – Ué, cadê o Armin?
– Ahh, finalmente notou a falta do seu loirinho! – Brincou Ymir ainda com seu olhar cheio de malícia. Mas péra aí! Meu loirinho? Como assim? Senti um leve calafrio. Não sei bem porque, mas senti. Eles com certeza estavam escondendo alguma coisa sobre Armin?
– É sério, parem com isso! Falem logo o que tiverem pra me falar!! – Falei mais alto. Com isso, Reiner foi o primeiro a começar.
– Ei, Jean! Sabia que você fala dormindo?
– Hum? Sério? – Indaguei meio surpreso.
– Uhum! E você, por acaso ou não, estava tendo um sonho erótico esta noite... com o Armin!!
– Ah... – Dei uma engasgada na hora. Sem ter tomado café ou nada, simplesmente engasguei. – Argh, que porra você tá falando, Reiner?!
– Cara, você estava gemendo bastante durante a noite, claro não tanto quanto o Eren, mas bastante para alguém que está só dormindo...
– Não! Não!! Tá errado!! Você deve ter ouvido errado!!
– Não, eu e o Berth ouvimos perfeitamente! – Reiner falava divertidamente enquanto Bertholdt simplesmente concordava com a cabeça. Ymir tentava segurar o riso, enquanto Connie e Sasha estavam prestando mais atenção na comida do que na conversa. Mas eu fiquei bem constrangido na hora. De um jeito que eu nunca pensei que ficaria. “Mas então... Eu tive um sonho erótico com... o Armin? Por quê? Por que ele?” Fiquei indagando isso em minha mente.
– E... o Armin ouviu? – Perguntei com receio. Reiner e Bertholdt balançaram a cabeça positivamente.
– Não viu como ele estava vermelhinho a manhã toda? – Lembrou Ymir.
– Ah, mas... – Senti meu rosto corar levemente. Fiquei embaraçado com isso. Como eu iria encarar o Armin de novo agora que fiquei sabendo de uma coisa dessas? – O-onde ele está?
– Ele foi para o quarto. – Respondeu Bertholdt.
– Hum, certo... – Dei mais uma boa golada em meu café até finalmente terminar todo o conteúdo. Acabei não percebendo alguém sentar ao meu lado e levei um susto.
– Ah! – Dei uma leve recuada, e ela olhou-me estranho.
– Calma, Jean. Sou apenas eu. – Respondeu Mikasa acomodando-se bem ao meu lado, arrancando pedaços de pão com os dedos e levando-os até a boca.
– Ah, foi mal... – Dei uma olhada na cara de cada um ali na mesa. Provavelmente queriam ver como eu agiria com a Mikasa agora que ela estava ali, sentadinha ao meu lado... Mas... nesse momento eu não parava de pensar no Armin... Eu me sentia mal. Queria explicar-lhe esse mal entendido, se é que pode se chamar de mal entendido. – Er... Licença, gente... Eu vejo vocês depois.
Dito isso, já logo me levantei do banco, ignorando, sem pensar duas vazes, a chance de poder finalmente bater um papo com a Mikasa. Aliás, ela parecia um pouco desnorteada... E assim, caminhei para o corredor, claro, notando antes os sorrisos divertidos que se formaram nos rostos principalmente de Reiner e Ymir. Sei que eles estavam louquinhos pra falar alguma coisa sobre Armin pra me constranger na frente da Mikasa. Principalmente a sardenta.
– Ei, seja gentil com o Armin, ouviu cara de cavalo? Talvez seja demais para o corpinho frágil dele aguentar de primeira! – Gritou Ymir sarrista. O que já me fez ficar vermelho até as orelhas. Sabia que ela não perderia a chance de soltar uma dessas.
– Tá falando muito alto, sardenta! – Disse, já indo para o corredor. Vi Mikasa com uma expressão desentendida com essa conversa estranha, mas ela logo ignorou voltando a comer seu pão.
Agora, andando de forma mais apressada dentro do corredor, fiquei pensando em que desculpa eu poderia dar para o Armin sobre o meu... er... sonho com ele. Se bem que eu não lembro de nada como que foi esse sonho. Uma pena... Não, Espera! Não foi isso que eu quis dizer! Afinal, por que diabos eu sonharia com Armin? Quero dizer... um homem! Se bem que, para homem, ele era um tanto delicadinho...
Mas, cara! Eu sou hétero! Eu gosto de mulher! E sempre fui a fim da Mikasa. E sempre que me tocava era pensando nela! E foram muitas vezes... Muitas, durante a noite... imaginando-a sem as roupas... sentadinha em meu colo, passando suas mãos delicadas em meu peito... enquanto ela mexia seus quadris... e eu acariciava sua cabeça, passando minhas mãos em suas mechas loiras... olhando para aqueles grandes olhos azuis cheios de desejo... Não!! Espera, o que foi isso?! Pensei no Armin, de novo?! O que está havendo comigo?
Parei de andar por um momento, apoiando-me à parede. Pensativo. Que tipo de pessoa eu estava me tornando? Quando que comecei a ver Armin dessa forma? Pensei, pensei... até concluir que foi a partir daquele dia mesmo...
Uma noite em que estava chovendo, e todos os cadetes já estavam dormindo. Eren ainda estava junto com a gente lá no dormitório, foi um tempo que Armin ficou dormindo ao meu lado. Ele estava bem cansado esse dia, tinha treinado pra caramba e isso o havia desgastado muito. Dormia pesadamente, com seu rosto virado para o meu lado. Lembro-me de neste dia estar pensando muito sobre a Polícia Militar, e isso me deixou sem sono. Acabei por ficar olhando para o rostinho dele. Foi aí que vi o quão delicado eram suas feições. Um tanto... adorável. Foi o que pensei de momento. Percebendo meus pensamentos, virei de costas para ele e fiquei quieto até finalmente dormir.
Depois, lembro-me de uma outra noite em que eu... tive um pequeno acidente e acabei ficando excitado sem querer. E para me aliviar, como sempre, ia para um lugar mais restrito e começava a me tocar pensando na Mikasa, de vez em quando na Christa também, mas sempre acabava voltando pra Mikasa. E... involuntariamente, comecei a imaginar o Armin... e estranhamente, imaginar seu rostinho corado e desejoso. Fazendo deleitosos sons. E isso me fazia chegar ao orgasmo mais rápido...
Talvez Armin mexa comigo mais do que eu imaginava. É, acho que esse meu jeito um pouco mais promiscuo que a maioria do pessoal deva assustar o pequeno loiro. Por isso, devia ir com bastante calma para me explicar para ele.
Mas foi apenas um dia isso. E de uns tempos para cá, confesso que fiquei mais próximo dele. Bem, claro, como amigos... Mas e agora? Eu fiz uma cena que para ele deve ter sido meio... repugnante. O que eu falaria pra ele, droga? Que desculpa eu daria? Talvez ele até deixasse de ser meu amigo depois dessa... Acho melhor eu voltar e beber outro café antes de falar com ele. Ou chá talvez...
~#~
Levi
Chegando com o garoto ao campo aberto, procurei um bom lugar para depositar a sacola que trouxe comigo. Até avistar uma pedra, com a parte de cima um pouco mais plana. Coloquei as coisas ali, observando Eren caminhando mais lentamente até me alcançar. Ele fazia um bico. Aliás, ficou fazendo essa cara emburrada o caminho inteiro até aqui.
– O que foi moleque? Que cara é essa? Quer ir ao banheiro agora?
– Não. – Ele respondeu virando seu rosto para o outro lado, ainda fazendo bico.
– O que é então? Tá chateado de eu ter cortado sua conversa com seu amigo loiro?
– Não. – Ele continuava no mesmo tom... Estava começando a me irritar.
– Hunf... Pode falar qual é o problema. Não vou ficar bravo. – Falei simplesmente. E ele voltou a olhar para mim ainda com uma carinha de criança insatisfeita.
– Heichou, o que eu sou pra você? – Perguntou ele diretamente, cruzando os braços. O que me fez arquear uma sobrancelha.
– Hã? Que conversa é essa agora? A Ackerman ficou enchendo sua cabeça?
– Não, eu simplesmente refleti. – Ele falava mais sério agora. Ele não costumava se dirigir a mim daquela forma.
– E o quê você refletiu? – Perguntei com minha expressão também séria.
– S-senhor, eu... nem sei que tipo de relação nós estamos tendo. Quero dizer, o senhor me trata como sendo seu, mas nunca falou que era meu também...
– Hm... – Cruzei os braços continuando a ouvi-lo atentamente.
– E... você também nunca responde o “eu te amo” que falo com tanta sinceridade pra você... Isso acaba me deixando com dúvidas...
– Hu? Que dúvidas?
– Que... eu devo ser apenas a sua... diversão sexual. – Ele disse começando a corar e olhar para o chão. Eu podia ver sua frustração. Ainda sério, soltei um suspiro.
– Por que você acha isso?
– Ah... hum... é que... a nossa única diversão é isso... não que eu não goste, mas... – Ele começava a ficar embaraçado. – O senhor estava na cozinha com a Petra-san...
– Hum... acho que entendi onde quer chegar. – Dito isso, aproximei-me do Eren até ficar parado à sua frente. E inclinando-me para olhar seu rosto ainda abaixado fitando o chão. – Está com ciúme da Petra, não é? – Questionei baixinho, o que o fez olhar para mim novamente de frente.
– Ah... Bem... É que você... estava se divertindo com ela, não estava?
– Hum, estava sim. – Fui respondendo diretamente, e de forma sincera. Só quis ver suas reações.
– Mas... então... – Ele começou a fazer sua vozinha emburrada novamente. – É dela que o senhor gosta?
– Eu gosto dela, garoto. Claro que não dessa forma como você está falando. Pensa na sua relação com a Mikasa. – Falei dando-lhe um peteleco na testa. – Petra é doce, gentil e me agrada de várias maneiras, mas gosto dela como minha amiga.
– Mas... Mikasa disse que vocês estavam se divertindo juntos...
– O que você entende por “estar se divertindo”? – Questionei.
– Er... – Ele foi ficando com o rosto mais vermelho.
– Acha que eu estava transando com a Petra? – Perguntei impaciente.
– Não!! Não foi o que eu quis dizer! – Corrigiu-se ele meio desesperado. – É que, bem... Só que você tem momentos que se diverte, sem ser do lado sexual, e... heichou não faz isso comigo...
– Como não faço? Nós fazemos muitas coisas divertidas juntos que não é apenas sexo.
– Hã...? Mas, heichou, estamos a maior parte do tempo treinando ou fazendo limpeza... – Reclamou ele.
– E isso não é divertido? Eren, limpar é quase um prazer tão bom quanto o sexual... – Falei com certo brilho nos olhos.
– Argh, você acha? – Indagou ele com um olhar estranho.
– É, mas acho que não é tão divertido pra você, não é... Pena. Mas e o treinamento? Não é legal aprender coisas novas? Te dei várias dicas de manobras com as DMT’s.
– É, acho que sim. – Refletiu ele baixinho. – Mas, mesmo assim, nunca vi o heichou na cozinha antes, você não é de cozinhar!!
– Eren, não levante essa voz comigo.
– Heichou ainda não me respondeu. Foi até lá para ficar com a Petra-san? – Ele continuava insistindo nisso. Acho que não ia sossegar até eu responder do jeito que ele queria ouvir. Pensei em puni-lo por estar se dirigindo ao superior daquela forma. Mas achei melhor não bater nele desta vez. Faria diferente...
Soltei mais um breve suspiro e caminhei até a sacola que pus em cima da pedra, agora a pouco. De lá tirei uma pequena tigela envolvida em um pano de prato. Assim, levei até o garoto.
– Aqui, abre e coma. Esse seu mal-humorzinho deve ser fome. – Estendi o pequeno recipiente para ele. Eren, curioso, prontamente o pegou e desamarrou o pano, vendo então dentro da tigela uma pilha de bolinhos, que creio que ainda estariam frescos.
– Ah, bolinhos-de-chuva? Tinha isso lá...? – Perguntou.
– Eu que fiz esses. Pra você. Petra me ensinou hoje cedo. – Falei simplesmente, sem largar mão um momento de minha inexpressividade. O garoto ficou corado novamente e me fitou com brilho nos olhos.
– H-heichou... fez para mim?
– Claro moleque. Sei que você acorda tarde e acaba não pegando os melhores pães do dia...
– Ah, obrigado Levi! – Ele falou agora mais contente.
– Como é que é?
– P-perdão... Heichou! – Corrigiu-se rapidamente. Pegando um dos bolinhos e o experimentando. Confesso que fiquei meio receoso de não ter ficado tão bom quanto os que a Petra fazia. Era minha primeira tentativa. Mas como queria que o garoto comesse bolinhos feitos por mim...
– Ficou bom...?
– Humm, sim!! – Falou o garoto falou com a boca cheia e confesso que fiquei aliviado. E também, agora ele voltava à sua normalidade e parando com a birra infantil de agora a pouco. Eu sabia que isso era fome. – Heichou... Desculpe ter acusado qualquer coisa sobre a Petra-san, é que eu... do jeito que a Mikasa falou... – Confessou sincero desviando o olhar, dando outra mordida no segundo bolinho.
– Hum... Esquece isso agora, garoto. Está tudo bem. Mas não coma tudo agora de uma vez, guarde para o intervalo do treino. – Falei, sentando-me na pedra, apoiando o braço sobre um dos joelhos.
– Uhum. – Concordou o menino. – Mas heichou... Ainda não me respondeu o que eu sou pra você... – Falou o Eren com uma voz um tanto determinada.
O que me fez tremer um pouco involuntariamente. Parece que ele não iria desistir de ter essa resposta tão fácil.
– Você gosta de mim, heichou? Daquele jeito? – Perguntou com uma carinha um tanto... manipuladora pro meu gosto. Dei uma longa suspirada desta vez. Quase me dando por vencido. Quase. Desviei o olhar do dele, coçando a parte de trás da cabeça. Pensando no que dizer a ele que faça-o sossegar logo...
– Eren, olha... Você tem que saber que as pessoas não mostram seus sentimentos apenas pela fala. Muitas mostram por gestos ou atitudes. Entende? – Fui falando calmamente e confesso que com um certo nervosismo. Mas mantinha minha postura indiferente externamente. Isso fez o garoto arregalar mais os olhos. Provavelmente surpreso por eu estar me abrindo tanto... É bom ele aproveitar, vai ser a última vez que faço isso!
– Hm... sim... – Um sorriso tímido começou a se formar em seu rosto novamente.
– E... não vê o quanto eu sou possessivo com você? O quanto eu odeio te ver perto da Ackerman... ou mesmo... – Ia mesmo falar... – O quanto eu sinto frustrado de ela te conhecer a tanto tempo... e eu a tão pouco... – Fui abaixando o tom da voz. – E isso porque... eu gosto de você... – A ultima frase saiu bem mais baixa. Quase um sussurro. Mas creio que ele tenha ouvido. Não conseguia encarar direito o Eren. Nunca me submeti a falar coisas daquele tipo. Já não me reconhecia mais... Irwin devia estar certo, criei uma afeição muito intensa pelo garoto que, embora não demostrasse de forma sensível normalmente, foi crescendo aos poucos.
Por fim, senti os braços de Eren avançarem em mim envolvendo-me repentinamente num abraço. O que me fez cair da pedra e levando-o junto comigo. Fiquei sem ações, na hora pelo susto. Caí na grama de costas, apoiando-me pelos cotovelos. E o garoto em cima de mim, praticamente sentado no meu colo.
– Ah, heichou... eu sempre quis ouvir isso! – Ele dizia todo contente. Bom, então acho que já deu. Falei o suficiente para ele ficar satisfeito. Até porque eu não pretendia dizer mais nada além daquilo. – Eu te amo muito heichou... – Ele sussurrou próximo ao meu ouvido. E logo em seguida passando uma de suas mãos em minha nuca. O que me fez estremecer de susto e me arrepiar inteiro.
Por ato reflexo, empurrei-o e dei-lhe um chute no estômago. Mesmo estando deitado. O que o fez sair de cima de mim, rolando para o lado. Eu não queria bater nele, ainda mais num momento como aquele, mas como disse, foi simples reflexo. Além disso, ele tocou em minha nuca, sempre me tirava alguma reação quando o Eren tocava ali. E isso me irritava.
– H-h-heichou, que cruel... Acabei de falar uma coisa bonita pra você... – Choramingava ele, massageando o estômago agora se ajoelhando na grama. Eu logo me levantei, ficando em pé novamente.
– Hunf. Falou. Mas agora chega, já enrolamos demais! Comece logo a se alongar! – Falei de forma seca, cruzando os braços e virando-me de costas para ele. Passei a mão pelo meu rosto, e senti-o bem quente... devia estar... vermelho. Ficava mais frustrado ainda com isso. Como posso me deixar ter essas reações que normalmente costumo controlar tão facilmente? Pude ouvir a risadinha do pirralho atrás de mim, ele deve ter notado minha reação.
– Tá rindo do que, moleque? Eu disse pra começar logo esse alongamento. – Falei de forma ameaçadora. Ele então, ainda com um sorriso bobo no rosto, levantou-se do chão.
– Sim, senhor! – Ele parecia não ligar nem um pouquinho para meu tom severo.
– Já falei mil vezes pra parar de sorrir assim pra mim!
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