Provocativo
8 Ciúmes
Notas iniciais
Retornei aqui com mais um capitulo pra vocês ♥ Agora mostrando ambos os pontos de vista >uO/
Bom, queria agradecer também aos novos leitores agora seguintes da fic >w ♥
Bem, sem mais enrolações, Boa leitura, amores o/
Levi
Eu deixei o garoto ir ficar um pouco junto de seus amigos. Mas no fundo eu não queria. O olhava indo até eles apertando com força a colher em minha mão. Mas por que estou tão irritado? Não entendo bem ainda o motivo dessas reações. Eu não faço essas coisas. Eren apenas ia se sentar e conversar com os seus colegas. Qual o grande problema nisso? Não era nada de mais! Eu poderia ficar mais tranquilo e parar um pouco com esse egoísmo. Poderia...
Observava-o caminhando de forma meio estonteada até eles. Provavelmente estava assim pelo o que eu havia lhe dito agora a pouco. Bom, ele ainda é meio lerdo. Por isso eu tive que deixar bem claro que ele me pertence e que não poderia deixar ninguém tocá-lo. Só eu podia tocá-lo!
E fiquei bem esperto. Observando tudo de longe com atenção. Obviamente, com minha expressão de sempre, sem distorções. Eren sentou-se com eles. Como a mesa em que estavam era do outro lado do refeitório, não pude ouvir bem o que falavam. Mas consegui ver seu rosto alegre enquanto conversava com os colegas. Certo, eu sentia um pouco de raiva... Todos que estão sentados ali naquela mesa já conhecem o Eren a mais tempo do que eu, ainda mais aqueles dois: o melhor amigo e a irmã adotiva, que já convivem com ele desde criança. Na verdade, não é bem raiva o que eu sentia. Era mais um incômodo, um aborrecimento talvez...
Só sei que eu não gostava daquilo. O loirinho parece não ser grande problema, mas já a irmã... aquela Mikasa... Era com ela que eu tinha que ficar mais atento. “Ela acha que eu não a ouvi me chamando de tampinha?” Hunf, mas não ia criar caso com uma garota agora... Mas sei que ela quer dar uma de esperta. Sei bem que ela deu a desculpa que o garoto loiro queria falar com Eren só para fazê-lo se sentar com eles. E o pirralho ficou bem do lado dela. Eu só observava qualquer gracinha que ela tentasse. E minha paciência naquele momento não era das melhores.
Eu me irritava mais ainda com o Eren. Será que ele não percebia mesmo que Mikasa gostava dele mais do que como um irmão? Ela deixava isso bem aparente, mas o garoto era lerdo demais.
Mas sou eu que tenho a vantagem. Eren gosta de mim! Aliás, ele ama a mim! E não a ela. Esse pensamento foi suficiente para me tranquilizar um pouco.
Continuei apenas a observá-lo discretamente enquanto terminava de tomar a minha sopa. Com minha colher agora levemente entortada.
~#~
Eren
Logo que me acomodei à mesa, respirei fundo. Eu ainda estava um pouco embasbacado pelo que Levi havia acabado de me dizer antes de me juntar com o pessoal.
Você é meu, Eren.
Essa frase me arrepiou inteiro. E foi dita sem gaguejar e sem arrependimento. Então... Heichou me considera agora como sendo dele... Isso quer dizer que ele quer ter algum relacionamento, então? Será que ele está me correspondendo?! Eram muitas dúvidas. E eu acabei por ficar nervoso e com o coração bastante acelerado. Mas agora, eu tinha que me controlar. Estava junto de meus amigos. Não podia demostrar o quanto eu estava ansioso ou ficar corado perto deles, isso ia causar muitas perguntas.
Deixei os pensamentos sobre Levi de lado e me foquei no pessoal agora. Eles continuavam conversando alto. Vi Connie fazendo graças com os pães, enquanto Sasha o impedia dizendo que não se deve brincar com comida. Jean e Christa riam da situação. Eu, agora acomodado no banco, virei-me para Armin primeiramente.
– O que você queria me falar, Armin? – Perguntei. Afinal foi por esse motivo que fui chamado.
– O quê?! Eu não queria falar na... Ai, ai, ai!! Mikasa, que é isso?! – Vi Mikasa dando um beliscão em sua perna. Eu não entendia bem o que se passava com aqueles dois, mas ignorei.
– Bom, mas já que veio até aqui, fique um pouco conosco, Eren. – Disse ela em sua voz serena de sempre.
– Hum... tudo bem, então. Deixe-me só ir buscar minha sopa...
– Pode tomar a minha! – Ela logo disse já oferecendo sua tigela, ainda cheia, para mim e puxando minha blusa pra eu sentar-me novamente ao seu lado.
– Tem certeza? Não está com fome?
– Eu já comi o suficiente.
– Hum... Tudo bem então. – Peguei o recipiente e a colher e logo comecei a tomá-la. Ainda estava quente, por isso fui mais devagar. E pude sentir que Mikasa me olhava muito... Achei um pouco estranho... Será que ela havia notado algo errado? Será que ela percebeu qualquer coisa sobre o heichou? Comecei a suar frio. – O-o que foi, Mikasa? Algo errado?
– Não. Só... estou feliz que esteja bem. – Ela falava sem mudar muito sua expressão. – Mas não fizeram nada estranho mesmo com você aqui, não é?
– Já falei que não! Pára com isso Mikasa. Não confia em mim?
– Claro que confio. É que eu fiquei preocupada esse tempo que ficou longe de nós...
– Não precisa ficar tanto assim. – Simplesmente falei. Tem momentos que ela queria me proteger demais. Isso irritava, eu parecia até uma criancinha.
– Mas, Eren... – Armin começando um novo assunto. – O que está achando da Tropa?
–Hum, estou gostando bastante... Aqui tem mesmo muita gente experiente, aprendi coisas novas.
– Tipo o quê? – Agora era Jean quem estava curioso.
– Obviamente, estratégias de formação, técnicas e manobras novas com as DMT’s... – O que me fazia lembrar que eu não estava indo tão bem. – ...Treino de resistência e treino para controlar minha forma de titã... – Fui abaixando um pouco a voz. Havia me lembrado que devo ter assustado-os quando me transformei a primeira vez. Eles podiam ainda ter um pouco de receio de estarem perto de mim.
– E como está indo? – Perguntou Connie.
– Hã... Estou me controlando bem melhor do que antes...
– Ahh... que ótimo ouvir isso! – Falou Sasha aliviada sem parar de degustar o seu pão.
– E o pessoal daqui é... como posso dizer... legal? – Continuou Connie.
– Sim. Eles me trataram muito bem desde que cheguei. Por quê? – Questionei.
– Bom, é que eu soube que o pessoal da Polícia Militar é mais arrogante e metido... – Argumentou Connie.
– Hunf. Sem falar que a maioria deles, se não todos, não viram se quer um titã na vida. – Desabafou Jean. Eu dei um riso com isso. Até que era bastante irônico. Os dois queriam a Polícia Militar, e agora parece que procuravam enxergar defeitos do mesmo por não terem seguido tal caminho. Mas creio que não sejam apenas boatos. Eu mesmo pude ver lá no tribunal o quanto eles devem ser difíceis de lidar e o quão é a visão limitada que eles têm sobre os titãs. De fato fiquei feliz de todos eles, meus colegas mais próximo, virem para a Tropa de Exploração. Bom... Quase todos...
– Hm, e a Annie? Por que ela não quis se juntar a nós? – Perguntei.
– Ela não deu um motivo concreto... Disse apenas que queria se salvar... – Respondeu Armin, demonstrando desapontamento.
– O que? Mas logo ela? Annie nunca demonstrou ter medo de alguma coisa pelo que eu me lembre...
– Tudo bem, deixe-a pra lá, Eren. Ela está fora de perigo, já que está no interior. Não precisa se preocupar com ela. – Falou Mikasa.
– É... tem razão... Mas até que eu queria mais uma chance de lutar com ela. Annie me ensinava várias coisas...
– Eu posso lutar com você, Eren! – Disse ela.
– Foi mal, Mikasa. Mas é que o seu tipo de luta é o básico, não que seja ruim, mas... É que eu já conheço. Annie é quem tem umas técnicas diferentes.
– Acha Annie melhor do que eu? – Ela fazia um bico, meio emburrada.
– Mikasa, por que está agindo assim?
– Por nada. – Ela desviou o olhar de mim. E notei Jean fazendo um bico também enquanto olhava para ela.
– Há, qual é? Não há dúvidas!! Mikasa dá de dez a zero na Annie com toda a certeza!! – Afirmou Jean dando uma piscada pra ela. – Né?
Mikasa apenas desviou o olhar, deixando Jean um pouco depressivo com o vácuo. Eu me esquecia às vezes, mas é mesmo! Jean sempre mostrou uma afinidade por ela. E ela sempre o ignorava. Isso até que me fazia rir.
– Eren, só digo que é bom você tomar o controle total da sua forma de titã, hein. – Continuou Jean. – Afinal, lembre-se que faremos nossa missão por você. – Ele não falou em tom de sermão, mas já me deixou pressionado novamente.
– Eu sei, Jean! Pode deixar, eu vou fazer o meu melhor.
– Certo... E você vai treinar mais? – Continuou ele.
– Claro! Eu treino sempre! – Respondi querendo deixar bem claro.
– Com quem? – Agora quem perguntou foi Christa curiosa.
– Levi heichou!
– O heichou está te treinando?! Ele não é meio severo? Quero dizer, eu e Mikasa tivemos uma ideia de como ele é no dia do tribunal... – Disse Armin.
– Não!! Quero dizer... ele até que é um pouco severo sim, mas não como foi lá no tribunal... Ah, e Mikasa, eu queria te falar isso. – Lembrei.
– Hum? – Ela ergueu a cabeça para mim. Ela parecia um pouco desanimada...
– Er... Tudo o que Levi heichou fez comigo lá foi encenação. Pra que a Tropa pudesse ficar responsável por mim. Entende?
– Hum... – Ela voltou a olhar a mesa e fez um bico. – Mesmo assim... ele podia ter pegado mais leve... Hunf. Te batendo daquela maneira... – Ela falava com descaso.
Foi aí que notei que não tinha jeito. Mikasa não ia mesmo com a cara do Levi. O que me dá outro motivo de não mencionar sobre as outras coisas que eu e ele temos feito...
– Mas está tudo bem, Mikasa. Eu tenho habilidade regenerativa lembra?
– É... Pode ser... – Ela ainda parecia desanimada. Será que foi porque eu falei da Annie? Deve ser... Eu me lembro que elas duas não se davam muito bem. E Mikasa não deve gostar nada de ser comparada com ela. Mas Annie nem estava ali, então podia deixar pra lá.
Conversamos todos por mais um tempo. Eu ri bastante com eles. Lembramo-nos de fatos que aconteceram antes de a gente se formar. Até do dia do combate corpo-a-corpo, que Annie havia derrubado mesmo Reiner que tem quase o triplo do tamanho dela. Ele, por sua vez, não queria se lembrar desse fato novamente. Mas recebeu consolo de Bertholdt, que apoiava a mão em seu ombro. “Te entendo, Reiner...” Afinal, eu também tinha apanhado da Annie... Mas enfim... Connie até tirou sarro da promiscuidade do Jean durante várias noites no dormitório e como isso incomodava os outros. Afinal quem conseguia dormir com calma sabendo que tinha alguém se masturbando perto de você. Nem estavam se importando que as garotas estivessem ali ouvindo esse tipo de conversa. Ymir tapou os ouvidos de Christa na hora. Vi que Armin corou bastante com o assunto, afinal ele que dormiu do lado do Jean por mais tempo e teve que aguentar suas cenas promíscuas. E o resto dos caras só riam. Enquanto Jean apelava pra que paracem de queimar tanto a imagem dele na frente da Mikasa. E ela até que voltou a sua animação de sempre, claro, ao nível Mikasa. Ao menos ela tinha achado graça das situações. Pois é, ficamos conversando por mais um bom tempinho. Nem havia notado, mas o refeitório havia ficado quase vazio nesse meio tempo.
Pensei no heichou na mesma hora... E lembrei, com o assunto sobre a Annie, que eu não havia treinado luta corpo-a-corpo com Levi ainda... Talvez ele tenha algumas técnicas diferentes. Eu dei uma olhada por cima do ombro pra ver se ele ainda estava no refeitório. Estava. No mesmo lugar, sozinho. Agora, parecia ler um livro. Bom, eu já havia ficado bastante tempo com o pessoal mesmo... Eu agora estava com uma vontade enorme de me sentar com heichou de novo. Mas achei meio estranho... Normalmente, quando ele acaba o jantar, já vai direto para seu quarto. Mas dessa vez ele ficou ali. Será que... era por minha causa? Será que estava me esperando...? Cobri o rosto, pois tive certeza de que corei um pouco. Mais vontade ainda tive de ir ficar com ele.
– Eren, está tudo bem? – Perguntou Mikasa, fazendo-me desviar minha atenção pra ela. – Seu rosto está um pouco vermelho... Está com febre? – Ela colocou a mão em minha testa a fim de verificar minha temperatura. Eu me afastei repentinamente. A última coisa que eu queria era que me vissem corado. “Droga, heichou! Tudo culpa sua! Uma única vezinha que eu te olho...” – O que foi, Eren? Está um pouco estranho...
– O-o quê?! Não!! E-eu tô normal! – Justifiquei, já de pé. – Er... eu tenho que... er... f-falar uns assuntos importantes com o heichou!
– Eren, espera! Fica um pouco mais comigo... Por favor. – Ela falava segurando a manga da minha blusa. E notei ela ter usado a palavra comigo em vez de conosco. Por que ela estava tão carente assim? – Você ficou longe de nós, não quer ficar mais um pouco?
Dei uma boa olhada no pessoal. Eles continuavam conversando entre eles. Parece que esta conversa estava só entre eu e Mikasa.
– Er.. É que agora eu tenho uns assuntos com o Levi heichou, Mikasa. São importantes. – “Que desculpa esfarrapada”
– Hum... certo então. Se você está dizendo, confiarei. – Disse ela soltando minha manga.
– Hehe obrigado. Boa noite, Mikasa. – Falei em um tom mais baixo só pra ela ouvir, afinal ela estava meio estranha hoje, foi mais pra conforto. Ela por algum motivo corou com a minha fala. – Boa noite, pessoal! – Me despedi deles.
E assim, fui. Até que não notaram coisas muito estranhas na minha gagueira. Eu queria evitar o máximo ter reagido desta forma perto deles. Alguns como Mikasa, Armin e Jean me olharam estranho no início, mas depois ignoraram as reações. Os outros nem viram nada de anormal, penso eu, afinal estavam distraídos com a conversa entre eles.
Esquecendo-me deles agora, rapidamente caminhei de volta até a mesa do Levi. Ele estava sentado em sua forma acomodada, com os pés cruzados apoiados na cadeira da frente e segurando seu livro com uma das mãos. Assim que me viu, logo se ajeitou.
– Já conversou com seus amigos? Não quer ficar mais um pouco com eles? – Ele perguntou me olhando fixamente. Eu continuei um pouco acanhado.
– Er... Já. Agora eu... quero ficar com o senhor.
– Ohh... É mesmo? – Levi sorriu de canto, parecia um sorriso satisfeito. E deu uma última encarada para a mesa do pessoal. Percebi que Mikasa estava o olhando de canto de volta, com uma cara não muito boa. Levi então, levantou-se da cadeira e se aproximou de mim – Huhu, vamos lá pra fora então, Eren... dar uma caminhada de noite... Um ar fresco seria bom, não é? – Ele estava usando um tom diferente em sua voz. Mais suave, mais lenta... Que fez minhas pernas bambearem. Era um tom... sedutor...
Meu rosto enrubesceu mais ainda. Fiquei sem fala, na hora. Ele então deu uma puxadinha em minha blusa indicando para que eu o seguisse até o jardim do castelo. Eu, sem pestanejar, já fui indo rapidamente atrás dele, sem querer demonstrar muita ansiedade.
~#~
Levi
Antes de sair do refeitório, dei um último sorrisinho para Mikasa. Eu sei que eu estava saindo um pouco do meu controle de não ligar muito pra gente alheia. Mas eu não quis perder essa chance. Ela me olhou de volta com uma cara nem um pouco satisfeita.
Agora, já aos arredores do castelo, eu e Eren caminhávamos lado a lado lentamente. Estava escuro, mas dava pra enxergar bem com a iluminação vinda das janelas e da lua. Eu fiquei quieto desde o começo, mais para ver se o garoto iniciava uma conversa. Ele olhava para todos os lados menos para mim. Ele ainda agia de forma tímida quando ficava sozinho comigo, o que eu achava adorável. Resolvi então, eu começar a falar. Afinal eu tinha umas dúvidas.
– Eren, o que você estava falando com a sua irmã, no final da conversa?
– Hum? Mikasa? Nada, ela só queria que eu ficasse mais um pouco junto dela.
– E o que você respondeu? – Perguntei sem querer demonstrar muita curiosidade.
– Eu disse que tinha coisas importantes pra tratar com o senhor. – Ele encolhia um pouco os ombros ao responder.
– Huhu, certo. – Falei mais satisfeito. Pois é, Ackerman, Eren queria ficar comigo. Mas continuei a pensar em detalhes. – Hum... E o que mais você disse pra ela? Vi o rosto dela ficar vermelho depois de você ter dito algo.
– Er... eu disse boa noite só.
– Só isso mesmo? – Olhei desconfiado.
– Heichou, por que está tão cismado assim com a Mikasa? – Perguntou ele.
– Hunf... – Eu apenas desviei o rosto. Nós paramos de andar, ficando bem ao lado de um dos muros que contornam o castelo. “Eu não estava cismado.” Pensei. Logo me apoiei ali pensativo e aparentemente emburrado.
– S-senhor... está com ciúmes?
Outra veia saltou de minha testa com essa frase. Que saco, eu já falei que não sinto essas coisas! Será que ele não entendeu? Eu só fiz umas perguntas, nada de mais. Virei pra ele um tanto bravo.
– Não! Só... não vou com a cara dela. – Falei fazendo um bico. O que, por algum motivo, o fez rir. – Tá rindo do quê?
– Haha, nada não. – Ele falava sorrindo pra mim. Aquele sorriso espontâneo que ele dava de vez em quando. Me irritava.
– E pára de sorrir assim pra mim! – Virei para o outro lado, cobrindo o rosto com uma das mãos. Tive certeza que minhas bochechas enrubesceram com aquela visão. Ele pareceu se divertir com a minha reação.
– Hahaha, não precisa ficar assim, heichou. Mikasa é minha irmã. – Falou ainda em um tom alegre.
– Hunf. É... – Dei uma bufada. Continuei de costas pra ele. – Mas fica esperto com ela, ouviu?
– Hehe. Ok, senhor. – Ele continuava responder de forma divertida. Prestando mais atenção, vi-o sentado no chão encostado ao muro.
– Garoto, não sente aí. Vai sujar toda a sua roupa que acabei de lavar.
– Ah, perdão, senhor! – Ele logo se levantou. – Er... heichou, eu sempre esqueço... de agradecê-lo por ter lavado minhas roupas.
– Hum, não foi nada. Era seu uniforme de combate da Tropa, e estava imundo. Não aguentei olhar pra aquilo. Sem falar em nossas calças brancas, são típicas de sujarem mais rápido. Devem ser lavadas constantemente...
– E... outra coisa. Como é que o senhor... hã... trocou os lençóis da cama enquanto eu dormia? – Nessa pergunta eu dei um sorriso malicioso.
– Ora, simplesmente trocando. Estendi um cobertor no chão, te carreguei até lá para que pudesse mudar os lençóis. – Vi que ele ficava cada vez mais encabulado com a historinha. – E te coloquei de volta na cama, simples assim. Aproveitei a oportunidade pra ficar te olhando por inteiro... prestando mais atenção aos detalhes... Tens um corpinho bem esculpido, hein, Jaeger.
– Pára, heichou! – Ele dizia cobrindo o rosto, que estava vermelho até as orelhas.
– E você estava tão cansado que nem sentiu as coisinhas que eu fiz com você... – Eu sorria maldosamente.
– Heichou!!
Eu achava graça. Na verdade não havia feito nada com ele, apenas dei-lhe um beijo e o cobri. Mas eu não resistia em brincar um pouco com as reações dele. Continuavam impagáveis.
– Huhu. Estou brincando, garoto. – Vi que ele me olhou com uma expressão emburrada.
Sentimos um vento forte que fez balançar nossos cabelos. Olhei para o céu, que mostrava algumas nuvens. Estava ficando frio. – Já está bem tarde, Eren. Vá para o seu quarto... Aliás, tome um banho antes, viu! Já passou o dia inteiro e você não tomou.
– Ah... certo, senhor. – Respondeu, agora diminuindo seu acanhamento e demonstrando sua preguiça quanto à minha ordem. Mas um banho por dia é o mínimo do mínimo. Se ele não fizesse nem isso, teria que dar uma lição nele.
– E vai tomar a ducha antes, ouviu? – Ordenei.
– O quê?! Mas eu não gosto, heichou... é muito gelada...
– Você vai tomar a ducha!
– Humm... sim, senhor. – Respondia amuado.
E assim, nós retornamos para dentro do castelo. Era uma pena já ser muito tarde. Eu queria passar mais um tempo com Eren... Aliás, já queria ter ficado com ele no jantar. Mas tive que dar-lhe um espaço pra conversar com os amigos, e conversaram muito... Tempo demais. Me deu até fome para eu tomar a tigela de sopa do Eren, que acabou por largar em minha mesa.
Eu olhava o garoto de cima a baixo caminhando ao meu lado. Eu queria tanto tê-lo pra mim agora... Mas tinha que dar-lhe uma folga. Não tinha? Ou talvez não...
~#~
Mikasa
Eu fiquei um tempo sentada na cama, abraçada aos meus joelhos. Cobrindo um pouco meu rosto com o cachecol vermelho. Ainda estava muito pensativa sobre o Eren. Ele estava diferente. Eu o conheço bem e há muito tempo. E nunca tinha visto reações como aquelas. Estava até um pouco mais sereno que o usual. E gaguejava.
– Mikasa! Eu fiz uns bolinhos-de-chuva, quer um? – Sasha sentou-se ao meu lado oferecendo uma tigela cheia.
– Sim. Obrigada. – Servi-me de um dos bolinhos. Aparentemente ela tinha acabado de fritá-los. Nem sei se ela estava autorizada a usar a cozinha assim e trazer comida para o quarto. Mas era de Sasha que estávamos falando.
– Está um pouco desanimada, Mikasa... O que foi? – Perguntou Christa sentando-se na cama de frente para mim.
– Nada. – Simplesmente respondi, dando uma mordida no bolinho.
– Haha, eu sei bem que ela tá assim por causa do Eren. – Falou Ymir maliciosa. – Sempre esteve juntinha dele. Parecem até namorados. – Eu corei levemente com o comentário. Nada respondi, apenas me cobri mais com o cachecol.
– O que te incomoda? – Perguntou Christa. Pensei um pouco, e achei melhor me abrir. Eram só pra elas quatro mesmo. Não sabia o que achariam, mas elas devem entender um pouco de coisas assim.
– Notaram que Eren está um tanto diferente? – Assim, perguntei. O que fez elas tentarem se lembrar da cena no jantar.
– Eu só notei que ele está mais mansinho que de costume. – Comentou Ymir sentando-se ao lado de Christa.
– É sim, é sim! Ele é sempre tão pavio-curto com tudo, não é? – Apontou Sasha enquanto subia na cama de cima da beliche.
– E ele tava gaguejando no final da conversa. – Lembrou Ymir.
– E... por algum motivo, ele ficou com o rosto vermelho de repente. – Comentei.
– Pelo que eu sei sobre garotos, acho que podem ser sinais de que ele está apaixonado. – A conclusão de Christa me deixou um tanto ansiosa. Mas ao mesmo tempo pensativa. “Por quem?” Pensei.
– Por quem pode ser? – Questionei ficando um pouco alterada.
– Olha, see não for por você... – Falou Ymir roçando o indicador no queixo.
– Acho que é pela Annie! Ele ficou falando bastante sobre ela hoje! – Comentou Sasha inclinando o corpo de sua cama pra me ver e oferecendo bolinhos para Ymir e Christa. Que logo aceitaram.
– Hum... Verdade, ele falou que queria que ela tivesse vindo para a Tropa, não foi? – Argumentou Christa na sua forma inocente.
– Não... Não pode... – Já eu, fiquei bem alterada. Minha voz passava a ser um tanto medonha. Não queria aceitar que Eren estivesse gostando da Annie. Não teria outra... Foi aí que me lembrei. Que tem ele... aquele garoto... aquele tampinha... Poderia ser ele? Apertei os punhos em meu cachecol. Eu mostrava indiferença no meu rosto normalmente, mas agora eu mostrava uma expressão raivosa. Podia mesmo Eren estar gostando de um homem? – Não. Eu não vou deixar... – Eu tinha que esclarecer essas dúvidas logo.
~#~
Eren
Despejei a segunda bacia de água quente, na verdade praticamente fervendo, na enorme banheira de madeira. Deixando-a cheia até pouco mais da metade. O vapor subia, deixando aquela área um pouco mais aquecida. Uma pena que eu tinha que ir para o lado frio do lugar.
Retirei minhas roupas e, uma a uma, fui colocando-as cuidadosamente dobradas sobre um banquinho bem ao canto do quarto de banho. E assim, já nu e tremendo um pouco pelo frio, caminhei rapidamente até um dos chuveiros do fundo, como eu sempre preferia.
Mas eu estava sem vontade alguma de usar aquilo. Afinal, eu odiava. Mas Levi me ordenou que usasse desta vez, então... Bom, eu não iria questioná-lo.
Liguei o chuveiro e aquele jato já logo desceu com tudo. Respingando um pouco em minhas pernas, já pude sentir o quanto aquela água estava congelante. Odiava, odiava. Eu queria esperar e ir entrando aos pouquinhos até me acostumar, com sempre. Sentia diretamente o vento vindo da entrada bater em minhas costas, fazendo-me arrepiar mais. Imaginando que molhado, sentirei mais frio ainda... “Tudo bem, Eren. Vai ser rápido! Só vai entrar, dar uma lavada geral e ir direto para a banheira quente.” Dei uma respirada e entrei debaixo da água de uma vez. Passei a mão pelos cabelos pra que molhassem por inteiro. Comecei a roçar as mãos em meus braços e pernas para dar uma aquecida e tentar disfarçar o frio. Era um tanto inútil, mas até que bom para o psicológico.
Havia um pequeno suporte ao meu lado, na parede, com um pequeno frasco de sabão líquido. Rapidamente peguei-o e pus um pouco em minhas mãos. Assim, comecei a passar por todo o meu corpo. Logo esfregando também em meus cabelos, fazendo bastante espuma. Tentei fazer tudo o mais velozmente que podia. Quando eu fechei os olhos para me enxaguar, pude ouvir uma voz vinda de trás.
– Eren?
Apressadamente tirei o sabão de meus olhos. E assim que olhei para a entrada, corei violentamente e logo tentei cobrir minha intimidade com as mãos um pouco desesperado.
– M-Mikasa?!
Notas finais
Mikasa o que foi fazer aí, minha filha?
Já não se pode mais tomar banho em paz? Kkkkkkkk
Emfim, maldade parar nessa parte, né? xD (É porque sou má mesmo) Mas creio que vão me perdoar no proximo capitulo, penso eu >.
E também, queria falar a todos que estão pedindo por um Levi uke... paciencia minha gente, acham mesmo que eu não colocaria isso aqui? (se bem que posso trollar vocês ou não xD *apanha muito*)
Bem, o que acharam deste capitulo? Teve direito a até uma narraçãozinha da Mikasa, um Levi corado e um Jean sofrendo bulliyng xD (brincadeira Jean, te amo ♥)
Até a próxima! o/ Beijos, Nikki
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