Provar, Comer e Casar
18 O segredo é doce
Notas iniciais
“Verdadeiro affair do chef Uchiha do programa ‘Batalha de Chefs’ é loira misteriosa”
— É vingança, isso? — Ino sussurrou alarmada tomando o celular de Sakura em suas mãos para ler melhor a matéria.
Tenten ria surpresa esperando que Sakura explicasse o que havia acontecido para que circulasse tal fofoca. Sakura, entretanto, se ocupava em tentar parar de rir enquanto Ino lia a matéria com desesperada atenção.
— Ela estava com o carro de Ino na noite anterior — Sakura assustou-se com Temari soando atrás dela e apoiando as mãos em seus ombros. — Estava no banheiro e já ia ligar perguntando de vocês. O vôo dos meus irmãos chegou mais cedo e os trouxe aqui para jantar.
— Pede para o garçom uma mesa maior para sentarmos todos juntos — Tenten comentou olhando para as mesas perto da cozinha.
— Isso é um absurdo — Ino entregou o celular para Sakura e passou a mão nervosamente pela franja, os olhos azuis passando pelos lados com medo do que a repentina exposição pudesse trazer imediatamente.
— Eu acho é muito bom — Sakura respondeu com um sorriso atrevido que fez Ino exclamar com desgosto e descrédito — E sim, veja como uma vingança eu não desmentir isso, e nenhuma de vocês irá — ela apontou para as amigas, somente Tenten não prestava atenção conversando com um garçom sobre a mesa perto da cozinha. — Pelo menos nisso os holofotes não ficarão em mim, e faltam apenas quatro episódios para o programa acabar, segura as pontas e me ajuda.
— Acho justo. — Temari concordou sorrindo para o olhar de censura de Ino. — Vou avisar meus irmãos que ficaremos ali, então. — disse assim que Tenten chacoalhou a mão as chamando para a nova mesa.
Era uma mesa para seis pessoas e excepcionalmente mais perto da cozinha. Ino não se deu conta de quem eram os irmãos de Temari — com toda a recente preocupação e revolta — até que um deles se sentasse ao seu lado e a voz cumprimentando-a a fizesse constatar que era exatamente o mesmo ruivo que estava olhando-a de longe.
— Gaara — ele estendeu a mão para ela e Ino se atrapalhou com o guardanapo que estava em mãos até conseguir colocá-lo em seu colo de qualquer maneira.
— Hm.. Er… Muito prazer. Ino Yamanaka — ela também estendeu a mão e Gaara a pegou deixando um beijo galanteador.
Sakura cutucou Temari com o cotovelo, mas a loira já olhava para a cena com o cenho franzido.
— Então é mesmo você no programa de culinária? — Kankuro perguntou ignorante ao fato de seu irmão mais novo estar flertando com a loira apavorada ao lado.
— Ah, sim, sou eu. — Sakura respondeu sem graça. Havia conhecido Kankuro há muito tempo e somente o visto uma vez, então isso o caracterizava uma pessoa “estranha” para Sakura, e sua reação era sempre a mesma: se encolher e torcer para não começar os comentários sobre sua falta de habilidade.
— Acho engraçado — ele comentou com um sorriso — Sabe? Ter alguém que eu conheço na televisão. Parece ser algo tão surreal, como se os artistas fossem inalcançáveis.
— Mas eu não sou artista — Sakura o corrigiu rindo.
— Eu sei, mas estar do outro lado da TV a faz parecer inatingível, como se eu não a conhecesse de verdade—
— E ela vai continuar inatingível para você, bobalhão. — Temari cortou o irmão com brusquidão e só então Sakura percebeu que estava sendo cantada.
— Oras, não estou dizendo nada — se defendeu Kankuro com humor. Sakura preferiu dar atenção à taça de água na sua frente — Aliás, ela já é comprometida com o chef dela, não?
— Na verdade, é Ino quem está com ele. — Temari respondeu erguendo uma sobrancelha para Gaara que encolheu os ombros e Ino abriu a boca horrorizada.
— Não é nada disso… Oh, Senhor! — choramingou Ino tampando o lado do rosto que Gaara podia ver.
— Sakura Haruno em meu restaurante? Quase não acreditei quando me contaram — Neji Hyuuga parou na mesa deles com os braços para trás e uma postura ereta demais para não conseguir nem fingir estar relaxado, quase como um militar. Na testa ele tinha uma faixa branca cobrindo-a e os longos cabelos estavam frouxamente presos em suas costas.
— Chef Hyuuga — Sakura se levantou para cumprimentá-lo e agradeceu mentalmente a simpática interrupção do que poderia ser o começo de uma briguinha entre irmãos — Minha meta gastronômica é ir nos restaurantes de todos os chefs que já passaram por aquele programa. — ela conseguiu tirar um quase sorriso de Neji, ele pareceu se divertir suavizando as expressões.
— Com licença, posso tirar uma foto com vocês? — uma mulher perguntou bem próxima a eles fingindo muito mal o nervosismo.
— Claro, se não houver problema — Sakura olhou para o chef que balançou a cabeça com uma negativa calma e se virou para a moça que pedia para Tenten tirar a foto.
Era hilária as expressões de Tenten tentando manter-se séria enquanto pedia para o chef Hyuuga se aproximar mais das pessoas. E não foi somente uma foto que ela tirou, mais pessoas tomaram coragem para pedir o mesmo depois da primeira e logo Sakura estava pedindo desculpa que deveria voltar ao trabalho sem conseguir jantar.
Neji, entretanto se negou a deixar que ela perdesse a viagem sem provar um de seus magníficos salmões e voltou rápido para cozinha fazendo a ordem voltar a se estabelecer na parte social do restaurante enquanto ele mesmo preparava o salmão para que Sakura levasse para comer no hospital.
— Atencioso da parte dele — Sakura comentou sem graça ao olhar de pura diversão das amigas e de Kankuro após tão fervorosa comoção ao redor dela e do chef. Ainda demoraria para se acostumar com aquilo, mas sabia que seria algo passageiro e logo que acabasse o programa poderia ter sua privacidade intacta.
— Me admira a Tenten não ter feito nada — Ino disse se sentindo mais a vontade depois que Gaara parou de tentar uma aproximação e se ocupava em conversar sobre outros assuntos com o irmão mais velho.
As meninas olharam para Tenten com curiosidade, ela apenas deu de ombros e bebeu de sua taça com excessiva lentidão.
— Me apavorei, ok? Mas, vou bolar outra coisa até o fim da noite. — prometeu ficando mais quieta do que estava no início da noite.
Um garçom voltou com o jantar em uma caixa bonita de papelão firme, o cheiro que exalava dela era saboroso e Sakura não via a hora de poder comer escondida em sua sala. Com uma rápida despedida, ela saiu ainda acenando para algumas mesas que chamavam sua atenção com palavras de apoio e torcida.
Era realmente uma pena não poder jantar com suas amigas, mesmo que tivesse a presença dos dois irmãos de Temari. Teria que ver em sua escala um dia que fosse possível se reunirem para conversarem, ainda mais porque ela precisava de sabedoria que só amigas tinham. Ela precisava surtar com alguém.
Com esse pensamento e o cheiro de comida boa tomando o seu carro, ela aproveitou o sinal vermelho para mandar uma mensagem impulsiva ao atual e constante dono dos seus pensamentos.
“Fui no restaurante do chef Hyuuga e estou indo para o trabalho com um delicioso salmão. Mas trocaria fácil por um café sem açúcar com você. Boa noite.”
Inseriu um emoji de piscada e enviou. Assim que a confirmação de envio apareceu a vontade de se socar também surgiu.
Trabalhar a noite era tranquilo, ela até preferia aquele horário por achar produzir mais do que durante o dia. Apesar que o luxo imensamente menor contribuía e tanto para que conseguisse focar em suas obrigações. Era quase meia noite, porém, quando bateram levemente em sua porta.
— Entre.
Uma enfermeira jovem, de óculos grossos e desajeitada entrou rapidamente levando uma caixa preta e colocando-a num espaço limpo na mesa dela.
— Um entregador deixou na recepção para a doutora — ela explicou ao olhar curioso de Sakura, então se inclinou e abaixou a voz desnecessariamente, como se alguém pudesse ouvi-las — Eu trouxe aqui porque era provável que alguém olhasse só porque é da senhora, entende?
Sakura deu um sorriso sofrido, entendia bem. Alguns funcionários do hospital estavam extrapolando desde que apareceu na televisão pela primeira vez e não eram raras as vezes que foi parada em um interrogatório ou flagrou teorias a seu respeito. Não duvidava que qualquer entrega, fosse carta ou embrulho, fosse passado no raio-x apenas para saberem do que se tratava.
— Obrigada, Shiho.
Ia abrindo a tampa, mas a enfermeira continuava ali, olhando atentamente para a tampa. Sakura puxou um canto da boca e esperou que Shiho se assustasse e pedisse mil desculpas antes de sair ligeira batendo a porta, abrindo a porta para pedir desculpas e fechando mais uma vez.
O conteúdo da caixa fez um sorriso besta despontar e ficando maior a cada segundo. Havia uma pequena garrafa térmica, um tablete pequeno de chocolate, um potinho de plástico com tampa e um bilhete com uma letra inclinada e sem padrão.
“Os doces são como um agradecimento de meus funcionários por salvar a noite deles melhorando o meu humor. O café belga é para te manter acordada e salvar mais algumas vidas.
Sasuke U.”
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Sasuke verificava a hora mais uma vez. Naruto estava mais lento durante os exercícios e aquilo acabaria quebrando sua rotina o fazendo ter que correr para chegar até o restaurante antes do almoço.
— A Hinata está bem? — perguntou assim que Naruto largou a barra com estrondo no chão terminando sua série de remada com o suor pingando do rosto vermelho.
Sasuke pegou a barra, respirou fundo pela boca e trincou os dentes ao inclinar o corpo para frente e puxar a barra rápidas e repetidas vezes enquanto Naruto se refrescava.
— Ela está bem, o meu menino mexe bastante — comentou sorrindo cansado. Sasuke puxou um sorriso no meio da careta de força terminando sua série — Só que eu não estou conseguindo dormir direito com medo dele resolver nascer a qualquer momento. Vou te falar, cara, se eu encostar em qualquer lugar eu durmo.
— Tenta relaxar. Sua cunhada não está lá para ajudar? — perguntou com as mãos na cintura recuperando o ritmo da respiração.
Naruto soltou um resmungo enquanto puxava a barra e a careta de força ficou maior antes que chegasse ao fim da série.
— Você… acredita… que o moleque está saindo com a Hanabi? — Naruto precisou sentar para conseguir respirar.
— Que moleque? — Sasuke começou a sua série perguntando no automático, já estava familiarizado com as reclamações matinais de Naruto.
— Konohamaru — o loiro respondeu secando a nuca com a toalha deixada ao lado. Sasuke soltou um riso anasalado lembrando do pirralho que cozinhava com Naruto no programa. — Eu descobri que estavam se vendo às escondidas. — Naruto aumentou o tom de voz como se aquilo fosse o maior dos absurdos, Sasuke não respondeu até terminar sua série e dar por finalizado seu treino naquela manhã.
— A paternidade está te deixando maluco — comentou bebendo de sua própria água, tentado a tirar a camisa que grudava no corpo suado. Apontou a saída com a cabeça para que Naruto o acompanhasse — Ela não é sua filha, não precisa treinar com a menina.
— Eu prometi ao pai dela que cuidaria dela enquanto estivesse na minha casa. Imagina ela voltar para a casa do Hiashi com um namorado desmiolado?
— Ele já está acostumado com isso. — Sasuke olhou para o amigo de forma insinuante até ele compreender a piada e fingir socar o braço de Sasuke. — O moleque parece com você quando tinha a idade dele.
— Isso deveria me deixar aliviado? — Naruto gesticulou desesperado e Sasuke deixou uma risada reafirmando que eles eram mesmo parecidos. — Eu vou tentar conversar com os dois. Explicar as complicações disso durante o programa pela relação familiar que ela tem comigo.
— Acho melhor deixar a Hinata conversar com ela.
Naruto esfregou a nuca suada pensando sobre aquilo. Era engraçado quando via a cara do Sasuke em alguma revista, na primeira vez ele quase teve acesso de tanto rir imaginando a raiva que Sasuke ficaria, mas quando pensava sobre sua cunhada e o idiota de seu pupilo chegava a entrar em pânico.
Balançou a cabeça e esfregou a toalha no rosto acompanhando os passos mais rápidos de Sasuke pelas ruas arborizadas do condomínio.
— Vi que está saindo com uma loira — ele disse mudando o assunto para algo que o fazia rir: expôr Sasuke. — Vi na rede social. Quem é ela, hein?
Entretanto, a reação de Sasuke foi muito diferente do que ele esperava, exatamente o contrário para dizer a verdade. Sasuke riu baixo olhando para o céu, a ponta da língua passou pelos dentes e, por fim, mordeu o lábio inferior.
“Temos um bode expiatório, veja o lado bom” Havia sido a resposta de Sakura quando ele enviou a foto com a manchete. Ele estava possesso, mas aquela leve e engraçada possibilidade apontada por Sakura o fazia rir e sem mais ele abraçou a ideia.
— Melhor não saber quem ela é, mas sim, uma loira linda — ele olhou de canto para Naruto com um sorriso misterioso que só deixou o amigo mais confuso. Naruto não sabia a cor real que tinha abaixo daquela tintura exótica nos cabelos de Sakura. Ele não estava mentindo e sua consciência continuava limpa.
Naruto se deu por vencido e preferiu rir balançando a cabeça com um pouco de alívio.
— Estou feliz por você. Bem que percebi uma mudança sutil no seu azedume. A loira misteriosa deve estar te fazendo bem.
Os passos de Sasuke foram desacelerando sem que ele percebesse, mas Naruto sim.
— Sim. Quando o programa acabar eu pretendo estar com ela e podemos fazer algo juntos. — Sasuke disse e aquilo foi uma surpresa gigante para Naruto. Sasuke olhou feio para a reação exagerada a seu lado.
— Não me entenda mal, mas te vi todos esses anos correndo atrás daquela tatuadora. É bom saber que você se deu uma chance, sabe?
Sasuke sabia. Eram tantos anos recebendo apenas migalhas de Mei, sua atenção quando ela queria, que agora não sabia como lidar tendo Sakura tão aberta para ele, aceitando-o a qualquer hora e sendo transparente com o desejo recíproco. Estava sendo difícil não se jogar.
— Não precisa se preocupar — Sasuke parou na rua que se separariam e olhou para o céu apenas para não olhar para Naruto — Ela é diferente.
❧
— Eu sou finalista de um prêmio de confeitaria. Espero não incomodar enquanto uso a cozinha para aprimorar minhas sobremesas.
— Mas é claro que não irá incomodar! Boa sorte, eu estou a disposição para provar e avaliar esses quitutes.
— Ficarei honrado. Muito obrigado.
Sasuke assistia com certa frustração a conversa entre Juugo e Sakura na cozinha de seu restaurante. Havia sido um pedido de Juugo que ele usasse o local para testar sobremesas e para isso preferia ter uma supervisão. Juugo havia insistido que não atrapalharia o treino de Sakura e que sua presença nem seria sentida, mas como Sasuke conseguiria segurar a vontade de beijá-la no canto perto do forno com Juugo tão perto e podendo ver tudo?
Teria que ser profissional e a gratidão que sentia pelo homem por tantos anos trabalhando ao seu lado deveria falar mais alto que a bonita boca pintada de Sakura, ou as pernas grossas que ela insistia em insinuar propositalmente cruzando-as na direção dele com um olhar sapeca, ou os seios bem desenhados no decote perfeito para suas fantasias num sexo rápido. Tudo nela estava propício para conseguirem transar em qualquer lugar, na cozinha ele com certeza não faria aquilo apesar de tentador, mas até o fim da noite ele teria uma ideia.
— Bom, Sasuke, vamos começar porque não quero mais olhar aquele tanto de chocolate na bancada. — Sakura apontou por cima do ombro e andando com rebolado sinuoso na direção do chef. Juugo sorriu para Sasuke, mas logo voltou a se concentrar nas coisas que tinha que fazer e começou a preparar suas coisas.
Sakura fez um biquinho para Sasuke, mostrando que também queria fazer coisas inapropriadas para um público. Sasuke levantou um ombro e a olhou dos pés a cabeça. Ela segurou o sorriso entre os dentes, havia sim pensado muito na roupa que usaria, assim como todas as vezes depois que foi beijada pela primeira vez por Sasuke, mas naquela noite ela havia sido um tanto ousada e pelos olhos dele havia entendido a mensagem que ela queria passar.
— Lembra quando eu disse que a cozinha ia pegar fogo essa semana? — ele perguntou desencostando da bancada que estavam os ingredientes dados pelo programa para treinar o prato da semana e pegou um avental branco percebendo somente então o olhar de censura de Sakura, quase apontando com apavoro o focado Juugo do outro lado. Sasuke puxou um sorriso parando na frente dela e colocando o avental por cima de sua cabeça como se ela fosse uma criança. Lentamente rodeou a cintura dela puxando os cordões do avental e fazendo um nó experiente em frente a barriga dela. A proximidade a fez segurar a respiração. Ele deu um pequeno passo para trás e continuou como se nada tivesse acontecido — Você vai aprender a flambar.
Juugo mais de uma vez foi distraído pelos gritos do chef e de sua aprendiz naquela semana. Com a cozinha tendo menos movimentação e tudo tão silencioso do lado de fora, as vozes pareciam ganhar volume extra o assustando algumas vezes, mesmo estando acostumado com o jeito de Sasuke.
Pelo pouco que conseguia observar, Sakura não conseguia acertar o ponto da massa de macarrão e os acompanhamentos ficavam surpreendentemente intragáveis. Sasuke não poupava com ela, ele percebeu com um pouco de pena no começo, mas Sakura também era implacável e gritava de volta, algo que nunca viu alguém fazendo com Sasuke.
A primeira vez que ela o respondeu, Juugo esperou o furacão que Sasuke viraria. Esperou com medo. Mas Sasuke manteve o mesmo tom e ambos conseguiam se comunicar daquela maneira. Era engraçado e ao mesmo tempo apavorante.
Sakura dava gritinhos enquanto aprendia a flambagem, e mais de uma vez quase se queimou e queimou Sasuke ao se assustar com as chamas. Juugo havia prometido que não não se intrometeria no treino dela, mas estava sendo terrível vê-la tão insegura na cozinha. Não era de gritos que ela precisava, era de confiança. Entretanto, seu julgamento contra os modos brutos do chef foi jogado ao chão quando o viu relaxar e fazer exatamente o que ele pensava que deveria ser feito.
Enquanto esperava o ponto ideal do sorvete que havia feito, ele observou o chef pegar a mão de Sakura e ensinar o movimento correto de como deveria misturar, ele apresentou os acompanhamentos com mais calma e a fez cheirar e provar cada um. Juugo assistiu a leveza com que Sasuke começou a conduzir aquela receita e como Sakura foi facilmente carregada pela onda dele. Os gritos cessaram, a tensão modificou-se e finalmente Sakura havia conseguido flambar.
— É simples, mas o efeito é impressionante. — Sasuke disse depois da comemoração dela — O conhaque deve ser pouco para não deixar o prato alcoólico.
— Entendi — Sakura respondeu amarrando os cabelos curtos que insistiam em escapar. — E sentir os sabores, não a receita.
— Exatamente.
E Juugo riu para si mesmo balançando a cabeça. Sakura era do tipo que precisava ser desafiada, e aquele era o modo que Sasuke usara para colocar as emoções dela para fora e enfim conseguir a sensibilidade que necessitava para cozinhar.
Talvez ele gritasse com eles para conseguir o mesmo resultado. Juugo pensou naquilo e riu mais uma vez.
— Uau, Juugo. Posso roubar um? — escutou a voz baixinha de Sakura perto de si e quase não conseguiu disfarçar o susto. Ela olhava encantada para os inacabados macarons.
— Eu fiz alguns para você, acabei eles primeiro porque já está dando a sua hora — ele se explicou estendendo os coloridos macarons que enchiam os olhos de Sakura.
— Você é mesmo um anjo. Muito obrigada, Juugo. — ela agradeceu com um sorriso que não cabia no rosto. Sasuke apareceu atrás dela de braços cruzados e olhou o trabalho com curiosidade. — Você deveria aprender com ele e me dar uma marmitinha toda vez que eu vier aqui.
— Seu rámen está ali, fique a vontade para levá-lo — Sasuke riu da expressão cômica que ela fez de desagrado. — Vou levá-la até o carro, já volto para ver o seu menu.
Juugo concordou fazendo uma leve reverência a despedida de Sakura e voltando para seus afazeres. No entanto, algo brilhou em sua visão periférica e um dos anéis de Sakura havia sido esquecido em cima da sua bancada. Pegou o acessório tendo certeza que eles ainda não haviam saído, quando abriu a porta, porém viu Sakura puxar Sasuke pela dólmã e beijá-lo furiosamente arrastando-o para o banheiro feminino. Juugo teve o reflexo rápido de fechá-la novamente enquanto o rosto ficava mais laranja que seu cabelo.
Havia sido difícil, porém, fingir acreditar quando Sasuke disse ter demorado meia hora para passar as últimas instruções para ela.
❧
Sakura fechou a mochila e olhou para trás vendo Temari terminar de prender o cabelo em frente ao espelho do vestiário da academia onde praticavam kickboxing juntas. Sakura sentia todos os músculos ainda doloridos, mas a cada treino o desconforto começava a ficar menor para a sua felicidade.
O convite de Temari foi aceito com medo, ela nunca havia sido uma amante de esportes, mas os recentes eventos de sua vida pediam um upgrade em sua rotina. O mundo parecia maior desde que se afastara de Sasori, como se a presença dele engolisse o resto e a sufocasse. Agora sentia que podia escolher o que fazer, onde, com quem.
— Viu sobre as aulas de dança? — perguntou vendo um dos panfletos que estavam distribuindo em frente à academia mais cedo caído no chão.
— Não tenho tempo para encaixar dança, sinto muito. — Temari desfez o laço no cabelo e tentou amarrar mais uma vez — Tenho que hidratar essa porcaria.
— Vou assinar minhas férias hoje, talvez aproveite para encher meu dia com umas recreações assim — Sakura voltou a se sentar e ficou olhando para o panfleto colorido com duas pessoas felizes dançando — E sobre seu cabelo, vamos no Lee comigo. Eu vou retocar a raiz, certeza que se ele te encaixar ele dá um jeito.
— Se Lee não fosse gay eu ia aceitar essa sua frase de duplo sentido. — Temari brincou olhando Sakura pelo espelho perceber o que havia dito.
— Você está andando muito com a Tenten — Sakura balançou a cabeça rindo e dobrou o panfleto guardando-o em um dos bolsos.
— Eu estou andando muito com o meu estresse. Queria eu poder tirar umas férias. Vamos?
— Relaxar seria a última coisa que você faria. — Sakura comentou saindo logo atrás de Temari. — Eu queria viajar, mas com o programa é impossível. Talvez eu vá ver meus pais, e aproveito para levar o autógrafo do chef Naruto para a minha mãe. — As duas riram se lembrando dos constantes telefones de Mebuki empolgada com o programa e lembrando-a sempre do autógrafo — Falando em mães, como está sendo ser uma novamente?
Temari soltou um resmungo alto e Sakura voltou a rir, as duas seguindo pelo estacionamento subterrâneo da academia.
— Kankuro parece ter dez anos de idade, um encrenqueiro bagunceiro. Já Gaara é o oposto, mas ainda me preocupo com o gosto dele por ficar sozinho. Já te contei sobre quando ele era criança, né?
Era uma história bem triste sobre a morte da mãe e como o caçula lidou com aquilo. O apego que Temari tinha pelos dois mais novos eram justificável por ter pego as responsabilidades para si e cuidado de ambos mesmo não sendo tão mais velha.
— Deveria ter desmentido a história sobre Ino. Ele parece ter gostado dela. Talvez…
— Nem pensar. Gaara precisa se estabelecer primeiro. Foi emendando pós trás de pós depois que se formou e só teve Kankuro como exemplo. Vamos com calma.
— Você parece bem mais velha… — Sakura riu sentindo o celular virar dentro da mochila.
Automaticamente pensou em Sasuke e sorriu imaginando o que poderia ser, mas era outro nome na tela. Ela até parou de andar e precisou que chamasse mais duas vezes para ela deslizar o dedo ignorando a chamada e fazer a conexão entre o nome e a pessoa.
— Quem era? — Temari voltou uns passos preocupada com a expressão tensa da amiga.
Sakura ergueu a cabeça com rapidez e olhou a volta como se esperasse que alguém saísse de algum carro ali do estacionamento vazio. Não havia ninguém, respirou fundo e apenas com o olhar Temari já sabia de quem se tratava.
— Sasori.
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