Promises

2 Parte 2 - Ayana Poole


Notas iniciais
Ah, voltei. Que bom que tem pessoas lendo! Me fizeram feliz *--*

Ayana deixou os aposentos de Lyanna Stark para trás com longos passos. Queria sair da torre o mais rápido possível e se dirigir aos seus aposentos perto da torre do Maester, mas ao invés disso, se pegou caminhando para o septo que Brandon Stark havia mandado construir para sua senhora.

Os Poole eram uma antiga casa do norte e, portanto não acreditavam nos novos deuses. Ayana havia crescido rezando para as árvores corações dentro do Bosque Sagrado dos Stark. Mas de alguma maneira era como se eles não estivessem ajudando. A avó contara uma vez, quando ela era muito pequena, que os Filhos da Floresta haviam entalhado rostos nos represeiros de todo Westeros, porque os deuses só poderiam proteger onde conseguissem enxergar.

E no sul não havia mais represeiros. Os seus deuses não tinham poderes por lá. Então ela apelou. Apelou para Os Sete, sem nem mesmo saber ao certo o nome de cada um. Tudo que ela sabia era que os praticantes da Fé pediam a guarda do Guerreiro quando iam para guerra.

A menina entrou no septo e observou as sete pontas, os vitrais coloridos iluminados pelas luzes de velas acesas pela septã Chaely e as grandes estatuas dos Sete. O cheiro do incenso era forte ali dentro. Ela não sabia ao certo a quem recorrer, não conhecia nenhum dos rostos e não saberia qual deles iria lhe atender. Se fossem lhe atender de qualquer maneira.

Então ela se ajoelhou ali mesmo, perto das velas nos fundos do septo. Ela fechou os olhos e baixou a cabeça, como o pai havia ensinado a ela e aos irmãos a fazer em frente às árvores coração.

“Eu... Não sei se vão me ouvir. Mas se ouvirem... Cuidem deles. De todos eles. Do meu irmão, do lord Eddard... De sor Martyn. De todos. E cuide dela também. Ajude-os a trazê-la de volta. Lyanna.” Sentiu lágrimas quentes escorrerem pelo seu rosto enquanto ela fazia silêncio.

“Devia pedir ao Guerreiro.” Uma voz grossa anui baixo, logo atrás dela.

Ayana olhou por cima dos ombros, mas ela não precisava fazê-lo verdadeiramente para saber quem estava ali. “Para quem?”

“Para o Guerreiro. Ele vai proteger os homens na guerra. E para a Donzela... Ela vai proteger Lyanna.” Ele adentrou mais o septo, aproximando-se da luz e fazendo com que ela pudesse ver melhor seu rosto.

Ayana se levantou e olhou as estatuas a sua volta, fungando e limpando as bochechas antes de falar novamente. “Pensei que ainda estava em silêncio.” Ela disse, mas o rapaz não respondeu. “Pensei que não voltaria mais a falar comigo. Depois daquele dia, quer dizer.” Falou com dificuldade, puxando as mangas longas de seu vestido para cobrir suas mãos.

“Eu pensei nisso, confesso. Mas ficar sem falar com você iria soar como se eu me importasse.” Ele retrucou.

Ayana apertou as mãos, sentindo as unhas cravarem na palma de sua mão. Mais lágrimas brotaram em seus olhos e ela baixou o rosto. “E.. E não se importa?” a voz era apenas um fio e ela não teve coragem de encará-lo.

“Que você tenha me feito de bobo? Claro. Que tenha preferido Lyanna a mim? Nem tanto.”

O coração da menina apertou quando ela não soube dizer se ele falava a verdade ou se era apenas uma mentira que ele contava para si e para ela.

“Eu não escolhi ela...” começou a dizer, mas foi cortada pelo rapaz.

Você disse que não iria se casar comigo porque ela iria para o Sul. Disse, Ayana.”

“Você não entende!” ela elevou a voz e ergueu o rosto, encarando-o. “Ela é minha melhor amiga, crescemos juntas. Lyanna é como se fosse minha irmã. E ela não o ama, estaria sozinha por lá. Por que você não pode entender?” pediu, segurando o braço dele.

“Porque você disse que me amava.” Ele respondeu bruscamente, soltando-se da garota e caminhando para fora do septo.

“Jory!” ela chamou, puxando-o pelo braço e fazendo que os corpos se chocassem.

Ayana deslizou uma das mãos até o pescoço de Jory e puxou-o para si, cobrindo os lábios dele com os seus, deixando a saudade transbordar em seus olhos. Sua outra mão deslizou sobre o gibão cinza que ele usava até o broche que prendia a capa dele.

Ela afastou a boca da dele apenas alguns centímetros para que pudessem falar. Não queria se afastar muito, não queria dar a chance dele escapar. “Eu amei você sim.

“Suas palavras no passado machucam mais do que lâminas.” Ele murmurou, mas as mãos se apertaram mais envolta da cintura de Ayana enquanto encostavam as testas.

“Eu amo você. Amo, amo e amo.” Ela sorriu, passando as mãos pelo maxilar do rapaz.

“Então se case comigo.” Ele pediu, voltando a beijá-la.

“Jory, eu não posso...” e as palavras foram como fogo quente, afastando os dois.

“Então pra mim chega.” Ele respondeu.

“Eu não posso. Não sem o meu irmão aqui. Não posso deixar que Vayon pense mal de mim..”

“Pense mal? Por que ele pensaria?” Jory estava irritado, mas Ayana não se sentia realmente em posição de criticá-lo por isso.

“Porque ele não consentiu com isso... E se não há mal algum, então porque não esperamos até que eles retornassem?” esclareceu, mas Jory riu sem emoção.

“Porque se Lyanna retornar você não irá seguir em frente com isso.” Ela deu alguns passos para longe dela. “Esqueça qualquer coisa que tenha acontecido entre nós. Chega, Ayana.” Ele lhe deu as costas e deixou a menina incrédula para trás.

Qualquer coisa que tenha acontecido entre nós? Tudo que aconteceu entre nós...” Ela o seguiu, mas não teve coragem de gritar por ele quando já estavam do lado de fora do septo.

Ayana ficou parada sob a lua e sobre o fino tapete de gelo que começava a cobrir o jardim de Winterfell, enquanto observava Jory se afastar cada vez mais. E parecia que quando ela achava que as coisas poderiam melhorar, elas em fato acabavam piorando.

Ela olhou em volta para as paredes de pedra de Winterfell e abraçou a si mesma, sentindo o rosto molhado com as lágrimas e o corpo arrepiado pelo frio. Lembrou da promessa que Lyanna havia lhe feito quando souberam que ela se casaria com Lord Robert Baratheon e partiria para Ponta Tempestade, perto das terras de Dorne.

Lembrou-se das palavras da mais nova dos Stark com dor no coração. “Você virá comigo.” Ela prometeu com um sorriso. “Não lhe deixaria aqui sozinha. Prometo lhe arranjar um bom cavaleiro do sul, se assim você e o seu irmão desejarem.”

Idiota, xingou a si mesma enquanto encarava as pegadas de Jory na fina neve. Você deveria ter dito não. Era um plano bobo.

Mas então ela se lembrou de como os olhos de Lyanna estavam brilhando em esperança e em como ela já havia lhe ajudado tantas vezes antes. Ela nunca poderia ter dito não, jamais seria capaz de abandonar Lyanna quando ela mais precisava.

Ficou bastante tempo parada, observando as pedras, até que a neve começou a cair cobrindo seu cabelo de branco. Então se virou para caminhar até seus aposentos e notou uma das janelas na Torre dos Soldados iluminada e uma figura masculina a observando. Ela tornou a se abraçar e o encarou. Jory. Ela sabia que era ele, já havia observado o pátio daquela janela muitas vezes.

Então uma segunda forma – mais cheia de curvas e mais feminina – apareceu por trás dele e o abraçou, e Ayana abaixou o rosto e começou a caminhar para longe, tentando se impedir de chorar.

Notas finais
vale comentários? então digam o que estão achando :)